Mercado de alto luxo no Rio carece de comprador

Por Paola de Moura | Do Rio
Valor Econômico - 03/02/2012

Patrícia, da Judice & Araujo: “Quando surge um imóvel de alto padrão é necessário buscar o comprador. “Muitas vezes, acionamos a rede mundial da Christie”s”

As avenidas Delfim Moreira e Vieira Souto são sinônimos de status no Rio de Janeiro. Sonho e desejo de nove entre cada dez cariocas, além de outros brasileiros e muitos estrangeiros, os preços dos imóveis com vista para o mar fazem este mercado andar na contramão da maior parte das negociações imobiliárias no Rio. Enquanto em outros trechos da zona Sul, um apartamento com preço menor é vendido, na maioria das vezes em menos de um mês, imóveis de alto luxo, não só na linha do mar, como também na Lagoa, ou ainda casas de alto luxo no Jardim Botânico e na Gávea, levam até um ano para serem negociadas. Isto, mesmo sem uma grande oferta no mercado.

Com preços que começam em R$ 5 milhões e podem chegar a R$ 40 milhões, esses imóveis não são beneficiados pelo farto crédito do mercado financeiro e, por isso, são negociados à vista.

O Rio de Janeiro é uma cidade cara. Na maior parte das cidades no mundo, imóveis de alto luxo começam com preços em torno de US$ 1 milhão. Aqui, imóveis no Leblon ou Ipanema de três quartos perto da praia podem custar R$ 2 milhões, R$ 2,5 milhões, lembra Patrícia Judice, diretora da Judice & Araujo. A corretora faz parte da Christie”s International Real State, uma rede de imobiliárias que negocia imóveis em mais de 40 países, com um volume de vendas estimados em US$ 100 bilhões por ano.

Patrícia explica que apartamentos na Delfim Moreira chegam a custar R$ 40 mil o metro quadrado, o dobro da média no Leblon que é de R$ 20 mil, o bairro mais caro do Rio. Só para se ter uma ideia dos preços no Rio, um imóvel de 70 metros quadrados na Gávea chega a custar R$ 1 milhão. “Mas para eles, há sim fila de espera”.

Já para os apartamentos de alto luxo da zona Sul do Rio, a busca ainda é inversa. “Quando surge um imóvel de alto padrão é necessário buscar um comprador”, conta a diretora. “Muitas vezes, acionamos nossa rede mundial através da Christie”s”, completa. Patrícia acrescenta que há investidores estrangeiros interessados neste mercado, mas há também famílias cariocas que estão enriquecendo e procuram morar num imóvel que traga mais status.

A diretora conta que no ano passado vendeu um apartamento na Delfim Moreira para um casal, no segundo casamento, que já morava numa rua interna do Leblon, mas queria ter um imóvel com vista para o mar. Os dois pagaram cerca de R$ 10 milhões por um apartamento de 300 metros quadrados.

Mas não é fácil encontrar esse comprador. Rodrigo Feliciano, diretor Comercial da Brasil Brokers Ética, conta que, como as negociações são com valores altos, elas são mais lentas. “Quem vende, não quer ser muito incomodado com as visitas. E quem compra não quer aparecer tanto”, diz o diretor. Mas, para facilitar o negócio, já há quem aceite parcelar o pagamento em duas ou três vezes, num prazo de seis meses. “E também existem casos em que outros imóveis entram no pagamento”.

Um exemplo da longa negociação da Brasil Brokers Ética foi um apartamento de três suítes, com três vagas na garagem, na Prudente de Moraes, a segunda rua de Ipanema, que foi posto no mercado por R$ 4,5 milhões. Foram sete meses esperando um comprador e, no fim, o imóvel foi vendido a R$ 4 milhões.

Apesar disso, os dois diretores ainda veem bom negócios na região. “Há muitos imóveis que são vendidos em herança”, diz Patrícia. “A zona Sul continua sendo o desejo de carioca. Muitos querem, mas poucos podem comprar”, conclui Feliciano.

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