Camargo Corrêa vai fechar o capital da CCDI, seu braço imobiliário

Por Chiara Quintão e Ana Paula Ragazzi | De São Paulo
Autor(es): alor Econômico - 19/03/2012

O grupo Camargo Corrêa quer fechar o capital da CCDI, seu braço de desenvolvimento imobiliário listado na bolsa, pagando aos acionistas minoritários um preço inferior ao valor patrimonial da companhia. Após o fechamento do pregão na sexta-feira, o controlador anunciou uma oferta pública de aquisição (OPA) para comprar 33,9% das ações da CCDI que estão no mercado a R$ 4,70 cada uma. Esse valor equivale 91% do valor patrimonial por ação da empresa, que é de R$ 5,18.

A CCDI chegou à bolsa em janeiro de 2007, avaliada em R$ 1,16 bilhão. Seus resultados têm decepcionado os investidores. A empresa está avaliada atualmente na bolsa em R$ 478,9 milhões, quase 59% menos do que na estreia e abaixo do patrimônio líquido, de R$ 584,7 milhões. O valor patrimonial (ativos menos dívidas), ou contábil, costuma ficar abaixo do valor de mercado, que inclui a expectativa de ganhos futuros da companhia.

No pregão de sexta-feira, antes do anúncio, as ações da CCDI tiveram um giro atípico, de R$ 1,443 milhão, ou três vezes mais do que a média diária deste ano. Os papéis subiram 5,74% para R$ 4,24. Em relação ao fechamento de sexta-feira, o prêmio ofertado pelo controlador é de 10,85%.

No comunicado, a Camargo Correa informou que se a OPA não tiver adesão suficiente para o cancelamento de registro de companhia aberta da CCDI, esta deverá sair do Novo Mercado. Repete, neste ponto, a mensagem do ItaúUnibanco para fechar o capital da Redecard. O banco lançou a oferta quando a ação da operadora de cartões estava na máxima histórica e acrescentou prêmio de 10%. O banco está sendo questionado por alguns investidores pelo discurso de que poderá esvaziar o negócio da Redecard se o fechamento não for aprovado. O caso da CCDI também poderá dar margem a questionamentos dos minoritários.

Ao valor proposto, a operação custará à controladora perto de R$ 180 milhões. Ano passado, a empresa teve prejuízo líquido de R$ 192,8 milhões, ante lucro líquido de R$ 93,8 milhões em 2010. O Ebitda ficou negativo em R$ 121 milhões em 2011. A empresa fez atualizações de orçamento, com impacto de R$ 171,8 milhões no resultado. Informou que os desvios de orçamento ocorreram no segmento tradicional, ou seja, fora da produção para a baixa renda ou das grandes lajes corporativas. Outra revisão havia ocorrido no segundo trimestre de 2011.

Para um executivo do setor, a operação de fechamento de capital da CCDI não deve ser seguida por outras empresas. “A CCDI é muito pequena, com ativo muito barato em bolsa e controlada por um grupo bem rico”, diz. Outro executivo diz que a operação não era esperada, mas faz sentido. “Os resultados da CCDI não são os melhores, a empresa não estava indo a lugar nenhum. Existe o custo de ter uma empresa aberta e, para o acionista controlador da CCDI, não há nenhum benefício.”

Em assembleia geral, a ser convocada, os acionistas da CCDI vão votar sobre a contratação da empresa que vai elaborar o laudo de avaliação para definir o valor econômico das ações, a partir de lista tríplice apresentada pelo conselho de administração. Caso o preço definido pelo laudo de avaliação seja maior que o máximo de R$ 4,70, a Camargo Corrêa pode optar por não fazer a OPA. Se o valor definido for menor, a opção será por esse preço e não pelos R$ 4,70.

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