Restrições na internet desagradam mercado publicitário

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Já está em vigor a E-Privacy Directive, lei europeia que impõe aos sites de empresas diálogo mais claro com o usuário sobre o uso do cookie. O ato legislativo foi implementado no último sábado, 26, e conta com a participação de todos os países membros da União Europeia e do Reino Unido. O que a proposta pede? Que os internautas possam dizer não ao armazenamento de suas informações e sejam avisados sobre o que exatamente será extraído uma vez que disserem sim.

Como se trata de uma diretiva, não existe um modelo rígido a ser seguido. Cada país é livre para escolher a forma como irá adequar sua legislação nacional à medida que visa proteger o usuário. No entanto, nem todos concordam com a nova proposta. O IAB da Europa, entidade fomentadora da propaganda digital, acredita que as mudanças não aumentam a segurança dos internautas e que a obrigatoriedade levará à criação de pop-ups desnecessários e formulários de cadastros. Tudo isso, argumenta a organização, atrasa a navegação e prejudica as empresas e a propaganda.

Opinião semelhante é compartilhada pelo IAB no Brasil. Para o diretor-executivo Ari Meneghini, o projeto é “arbitrário” e configura um “erro” na forma como está redigido. Meneghini considera dispensáveis os critérios adotados pelo E-Privacy, porque as próprias empresas se autorregulam na internet. “Em alguns momentos, há empresas que exageram, mas, no geral, quem exagera não ameaça a segurança de ninguém. Essas ferramentas (cookies) são de alta eficiência para o mercado”, diz.

Na concepção dele, o problema vai além e esbarra até na economia. “Acaba sendo ruim porque deixa que o usuário tenha a oportunidade de ver o tipo mensagem que pode chegar a ele”, diz o diretor, citando o prejuízo também para o anunciante, envolto com a crise financeira europeia. “Com a publicidade digital, a empresa evita desperdício dinheiro, pois foca melhor as publicações em que vai anunciar”, avalia.

Termo exaustivamente debatido em assuntos do gênero, a privacidade vem à tona. Para Meneghini, há um “mito” que precisa ser combatido com discussões mais amplas e profundas. “O controle é feito pela sociedade e uma proposta assim tem de ser debatida. Um exemplo disso é o marco civil, que parte para uma discussão maior. Os projetos têm de espalhar a vontade da maior parte da sociedade. Aprovar algo deste jeito é arbitrário porque defende só alguns grupos”, critica.

Restrito por ora à Europa, se vier ao Brasil o projeto tende a enfrentar dificuldades. “Acho que vai ser rechaçado”, prevê o diretor ao enfatizar que iniciativas do tipo são observadas de perto pelo IAB e que a entidade está disponível para conversas com a sociedade e o Governo.

Por Kate Ferry

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