Teles apostam em fibra óptica e ampliam competição na banda larga

TIM e Oi planejam lançar internet mais rápida ainda este ano, para concorrer com Telefônica, Net e GVT
Renato Cruz, de O Estado de S. Paulo
SÃO PAULO - O mercado de banda larga mais rápida, que tem como base redes de fibra óptica, deve ganhar mais competição até o fim do ano. Nos próximos meses, a TIM e a Oi planejam lançar os seus serviços, fazendo frente à Telefônica, Net e GVT. “Já começamos a instalar”, disse Rogerio Takayanagi, presidente da TIM Fiber. “Temos cerca de 300 clientes ligados à rede.”

A empresa ainda testa velocidades e preços, e o lançamento comercial, segundo Takayanagi, acontecerá “em setembro ou outubro”. Em 2011, a TIM comprou da AES a Atimus, que opera uma rede urbana de 5 mil quilômetros de fibras ópticas, em São Paulo e no Rio de Janeiro. Essa rede, usada em contratos corporativos e para ligar as antenas da própria TIM, começará a ser usada também para oferecer banda larga a clientes residenciais.

Diferentemente do que faz a concorrente Telefônica, a TIM não vai levar a fibra para dentro da casa do cliente. Esse último pedaço da conexão será feito pelo velho par trançado de fios de cobre da telefonia fixa. “Vamos usar o par trançado porque toda casa tem”, explicou Takayanagi. “A instalação custa bem menos do que se usássemos somente fibra. A ampliação do serviço poderá ser muito mais rápida.”

Segundo o presidente da TIM Fiber, a ideia é entregar acima de 20 megabits por segundo (Mbps). “A banda larga brasileira tem velocidade média de 1,5 Mbps, abaixo da média mundial de 3 Mbps”, disse Takayanagi. Ele afirmou que, com a tecnologia atual conseguiria entregar 100 Mbps. Até 2016, a TIM Fiber quer chegar a 1 milhão de clientes de banda larga fixa.

A TIM já tem 52 mil clientes cadastrados, interessados no serviço. A ideia é ter mais de 3 mil prédios com o serviço instalado na época do lançamento. O serviço foi batizado de Live TIM. “Já temos os bairros definidos, mas essa é a informação que a concorrência quer conhecer”, afirmou.

Diferentemente dos concorrentes, a TIM não planeja oferecer combos, pacotes de descontos com telefonia, TV e internet. A empresa nem tem planos de ter seu próprio serviço de televisão por assinatura, tendo fechado um acordo com a Sky.

Modelo. A Telefônica e a Oi optaram por levar a fibra óptica para dentro da casa do cliente. A TIM e a GVT terminam a conexão com o par trançado e a NET com o cabo coaxial, usado pela TV. A rede totalmente óptica é uma garantia de que a operadora poderá continuar aumentando a velocidade nos próximos anos, sem ter de mexer na rede. Usar cobre no segmento final, por outro lado, barateia a instalação do serviço, sem tirar a competitividade do produto.

Neste começo de operação, o custo de instalação da TIM (pago pela empresa, e não pelo cliente) está em cerca de R$ 700 por cliente. André Krieger, diretor de ultrabanda larga da Telefônica, afirmou que, atualmente, o custo de instalação de uma conexão de fibra está em R$ 1,2 mil. “Temos de fazer um investimento maior agora, mas evitamos ter de refazê-lo lá na frente”, disse Krieger.

A rede óptica da Telefônica passa na frente de 1 milhão de casas, em 15 cidades de São Paulo. Os clientes somam 90 mil. Pouca coisa? “Estamos crescendo rápido”, disse o diretor da Telefônica. “No fim do ano passado, eram 50 mil. Vamos chegar a 120 mil até o fim do ano.”

A Telefônica oferece pacotes de até 100 Mbps, mesma velocidade máxima da Net. “Ainda é um serviço de nicho”, afirmou André Guerreiro, Diretor de inteligência de mercado da Net.

A Oi, por outro lado, promete lançar pacotes com mais de 100 Mbps. “Queremos começar onde os outros acabam”, disse Eduardo Aspesi, diretor de segmentos da Oi. O lançamento comercial, que inclui TV via fibra óptica, está previsto para o quarto trimestre, no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte

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