Incorporadoras abertas reduzem lançamentos no terceiro trimestre

Valor Econômico - 17/10/2012

Freire, da Brasil Brokers, diz que queda de lançamentos foi próxima a 30%

As três maiores incorporadoras de capital aberto - PDG Realty, Cyrela Brazil Realty e MRV Engenharia - ainda não divulgaram suas prévias operacionais do terceiro trimestre, mas o mercado já trabalha com um cenário de redução de lançamentos na comparação tanto com o mesmo período do ano passado como com o segundo trimestre de 2012. Assim, a concentração de lançamentos no quarto trimestre deve ser ainda maior do que se esperava, e é provável que algumas empresas não cumpra as respectivas metas para o ano. Parte dos números apresentados por concorrentes menores apontam aumento dos lançamentos, mas não seriam suficientes para reverter um cenário mais geral.

No terceiro trimestre, os lançamentos imobiliários totais da Brasil Brokers, que divide com a Lopes o posto de maior imobiliária do país, tiveram queda acima de 20% ante o mesmo intervalo de 2011 e de mais de 5% se comparados aos do segundo trimestre. A queda foi puxada, principalmente, pela redução do que foi lançado pelas incorporadoras de capital aberto, conforme o diretor-presidente da Brasil Brokers, Sergio Freire. Na comparação com o terceiro trimestre do ano passado, o recuo desse grupo de empresas foi em patamar próximo a 30%.

Das incorporadoras que já divulgaram prévias operacionais, EZTec, Tecnisa, Even e Direcional Engenharia lançaram mais no terceiro trimestre do que no mesmo período de 2011. Os lançamentos da Gafisa e da Brookfield Incorporações encolheram na mesma base de comparação. No caso da Rodobens Negócios Imobiliários, os lançamentos totais aumentaram, mas houve queda se considerada somente a parcela da companhia.

Conforme fontes, a principal razão para a postergação dos projetos do terceiro para o quarto trimestre foi o atraso na liberação de licenças pela Prefeitura de São Paulo, em decorrência de fatores como o período eleitoral. Em nota, a Prefeitura informou que o ritmo de análise “segue normal” e que “até o fim de setembro, a média de processos analisados em 2012 está semelhante a dos anos anteriores”.

Além da obtenção de licenças, o lançamento de projetos depende da rentabilidade, caixa, estoques e demanda. “A prioridade passou a ser margem. Incorporadoras preferem segurar a oferta para não abrir mão de margem”, diz um analista. Após um semestre em que a venda de estoques foi prioridade em relação aos lançamentos, há quem avalie que, no terceiro trimestre, a mescla tenha sido maior.

As prévias divulgadas até agora apontam que as incorporadoras que elevaram lançamentos registraram também crescimento de vendas do trimestre na comparação com o mesmo período do ano passado, caso de EZTec, Direcional, Even e Tecnisa. As vendas da Rodobens também aumentaram.

Desde o início do ano, os estoques de imóveis vem se reduzindo. Nas estimativas do analista do setor imobiliário da CGD Securities, Flávio Conde, os estoques totais (o que foi lançado e não vendido) das empresas de capital aberto estão, atualmente, entre 12 e 13 meses de vendas, abaixo da parcela de 14 a 15 meses do começo de 2012. Conde estima patamar de oito meses em 2010, quando o mercado imobiliário esteve mais aquecido.

Tags: , , , , , ,

Leave a Reply