O Rio no topo do mercado

Cidade desbanca Brasília e passa a ter o metro quadrado médio mais caro do país

Ystatille Freitas / O Globo

RIO — E ficou mais barato comprar um imóvel em Brasília que no Rio. Ao menos temporariamente. No relatório de setembro divulgado semana passada pelo Índice FipeZap, a capital fluminense passou a ter o metro quadrado médio mais caro do país — o valor é de R$ 8.358, o que está 2,64% acima do custo registrado no Distrito Federal, que liderava o ranking desde a criação do indicador. No mesmo mês de 2010, o preço médio do metro quadrado na capital federal era 30% mais alto do que o do Rio. Esta forte inversão de valores é provocada, de acordo com especialistas, pela vinda dos Jogos Olímpicos e por causa dos investimentos em infraestrutura que estão sendo feitos na cidade.

— O preço médio do metro quadrado em Brasília sempre foi mais alto, devido à falta de terrenos no Plano Piloto e à alta concentração de renda— afirma o presidente do Cofeci, João Teodoro — No Rio, ainda há possibilidade de derrubar um prédio antigo ou construir em outras áreas. Os Jogos pressionaram o mercado, mas acredito que após este período haja retração.

Os dados do FipeZap expõem também o forte crescimento do valor dos imóveis — não só no Rio, como em todo o país — nos últimos anos. O preço médio do metro quadrado no Rio em setembro de 2010, por exemplo, era de R$ 5.098, o que representa aumento de nada menos do que 63,94%. Em Brasília, nestes dois anos, o valor passou de R$ 6.645 a R$ 8.143, em alta de 22,5%.

Histórias de quem teve que mudar de cidade

A mudança nos preços tem sido sentida por quem deixa o Planalto Central para morar na Cidade Maravilhosa. E vice e versa. O funcionário público Rogério Klein é um exemplo. Em 2007, quando saiu da Asa Sul de Brasília para morar na Zona Sul do Rio, considerava os preços dos imóveis na capital fluminense bem abaixo dos que eram cobrados no Plano Piloto:

— Em 2011, quando resolvi comprar o meu apartamento, em Copacabana, os preços já tinham triplicado. Passaram a ficar bem próximos dos valores do Plano Piloto.

Já o engenheiro João Marcelo Moreira fez o caminho contrário. Em 2010, o carioca se mudou para Brasília, mas por falta de dinheiro para comprar um apartamento no Plano Piloto, acabou fazendo de Águas Claras, a 19km da capital, seu endereço residencial. Depois de dois anos, resolveu voltar para o Rio. E se assustou:

— Os preços tinham subido tanto, que, para voltar para Jacarepaguá, tive que comprar um apê na planta, pelo dobro do valor do antigo.

Rio registra variações de preços maiores do que os de Brasília

A alta dos preços no Rio tende a permanecer em ritmo mais acelerado do que a de Brasília. O consultor do Fipe, Roberto Zac, chama a atenção para a taxa de valorização nas duas capitais de 2010 para cá: enquanto o preço do metro quadrado na capital fluminense sofreu uma valorização média mensal de 2,2%, o de Brasília registrou variação de 1%.

— Apesar da estabilidade da variação das taxas no Rio, no acumulado, ela continua alta, ainda não mostra um cenário de redução — explica Zac.

O resultado mensal explica a grande disparidade entre as duas capitais no acumulado de 12 meses. Entre setembro de 2012 e setembro de 2011, o índice FipeZap registrou uma variação positiva de 16,9% no Rio e de 4,60% em Brasília. Entre os meses de setembro imediatamente anteriores, a alta do indicador foi ainda maior: de 41,3% e 18,3%, respectivamente.

A variação de preços na capital fluminense começou a ser maior do que a de Brasília a partir do mês de outubro de 2010. E, desde agosto do ano passado, passou a apresentar um valor médio de metro quadrado mais próximo do registrado na capital federal.

— Os imóveis em Brasília sofreram uma valorização muito grande em 2007 e 2010, mas a partir de 2011, o mercado começou a se acomodar. O Plano Piloto inteiro dobrou de preço, mas manteve uma progressão razoável dentro da média histórica — afirma o presidente do Secovi-DF, Carlos Hiram Bentes David.

O diretor-regional da Rossi, no Rio e em Brasília, Rafael Cardoso, diz que esta alta do preços coloca a capital fluminense no patamar internacional. Ao contrário do pensamento do presidente do Cofeci, para quem depois dos Jogos os preços dos imóveis sofrerão uma retração, Cardoso acredita que o mercado da Cidade Maravilhosa, deve estar, atualmente, no mesmo patamar das grandes capitais do mundo.

— O Rio, há duas décadas, sofria um processo de degradação. Mas, hoje, a cidade está vivendo um movimento de retomada. Isso fez com que até o metro quadrado mais barato começasse a ganhar mais valor.

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