Mudanças culturais e econômicas afetam setor imobiliário

CAMILA CARINGE - FSP
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

A mudança no perfil da população brasileira é um dos fatores que pressiona o deficit habitacional do país, segundo Marcelo Borges de Oliveira, diretor-presidente da Rodobens Negócios Imobiliários.

Estudos indicam que faltam cerca de 6 milhões de moradias no país. Mas Oliveira diz acreditar que esse número seja maior:

“Não há um número exato, mas sabemos que o deficit parece ser até maior, principalmente por causa da mudança de característica das famílias. As pessoas estão saindo da casa dos pais mais cedo e indo morar sozinhas. Isso alimenta o mercado.”

José Roberto Federighi, diretor da Brasil Brokers, explica que a nova classe média, que é hoje 53% da população brasileira, cresceu diminuindo a pobreza, mas sem reduzir as classes mais privilegiadas.

Os executivos participaram da sexta edição do Cityscape Latin America, evento voltado para investidores do setor imobiliário, realizado em São Paulo entre os dias 29 e 31 de outubro.

“O Brasil é o 5º país mais populoso do mundo e a nossa classe média seria o 12º país. Ou seja, a gente tem uma classe média aqui maior do que Alemanha, do que Turquia ou Vietnam. É quase o tamanho da população do México”, afirma Federighi.

O poder de consumo da população cresceu. Além de aumentar o número de habitações com apenas um morador, a oferta de mão-de-obra especializada decresceu, tornando a padronização dos projetos uma estratégia fundamental das construtoras, que visam diminuir os riscos na execução das obras.

CRÉDITO

Federighi aponta que o programa Minha Casa Minha Vida foi criado para ajudar o setor imobiliário a resolver o deficit habitacional. Na primeira fase foram contratadas mais de um milhão de moradias. Em sua segunda fase, o programa pretende construir dois milhões de casas e apartamentos até 2014.

“Mesmo assim o setor precisa de muito mais incentivo governamental para resolver o problema. Em 2005, o nosso mercado atingia no máximo 10% da população brasileira. Com o programa, conseguimos chegar a 67%. Mas oferecer casas para famílias cuja renda varia de 0 a 3 salários mínimos não é possível sem incentivo.”

Ele diz ainda que a demanda por imóveis também foi viabilizada pelo aumento do crédito. Em 2008, menos de 50 milhões de financiamentos foram registrados. Já as projeções para 2012 é que o país atinja 200 milhões de imóveis financiados. Mas Federighi diz acreditar que o país esteja muito longe de ter uma bolha imobiliária em função do crédito.

“Vemos uma confusão muito grande entre diminuição de velocidade de crescimento e diminuição de mercado, que são coisas completamente diferentes. Nosso mercado não está diminuindo. Ele está perdendo velocidade. O mercado imobiliário não tende a diminuir.”

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