Cai diferença entre o rendimento de SP e das demais regiões metropolitanas do país

Valor Econômico - 18/03/2013

São Paulo continua sendo a região metropolitana em que a população ocupada tem o maior rendimento médio real, mas a diferença entre o valor médio pago nesse mercado e nas demais cinco regiões analisadas pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME), do IBGE, diminuiu bastante nos últimos dez anos.

Em Recife, cidade que segue com a remuneração mais baixa, a renda real representava 63,3% da de São Paulo em 2003, percentual que subiu para 68,8% em 2012. Na outra ponta, o rendimento dos ocupados no Rio, que equivalia a 86,9% do salário em São Paulo há nove anos, quase se equiparou no ano passado, ao alcançar a proporção de 98%. No mesmo período, igual trajetória foi observada nos rendimentos da população ocupada de Salvador, Belo Horizonte e Porto Alegre, que atingiram, respectivamente, 78,5%, 92,4% e 89,2% dos de São Paulo em 2012.

Para João Saboia, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a redução de disparidades está relacionada ao grau de escolaridade. Na região metropolitana de São Paulo, 63,8% da população economicamente ativa (PEA) possui 11 anos ou mais de estudo, acima da média de 62% das seis regiões analisadas. Esse grupo mais escolarizado, diz Saboia, puxou para baixo o rendimento médio dos ocupados da região.

Segundo o IBGE, os ocupados com nível superior viram a renda real diminuir 6,6% em São Paulo de 2003 a 2012, ao passo que, na média das seis regiões, a remuneração desse grupo subiu 0,7%. “As pessoas que tiveram os maiores ganhos reais nos últimos anos têm menor nível de escolaridade”, observa Saboia.

Além da maior presença de pessoas com formação universitária na PEA de São Paulo, o diretor-técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Clemente Ganz Lúcio, relaciona a crise da indústria, que tem forte peso no Estado e paga salários maiores, à perda de ímpeto da renda dos ocupados nessa região. O parque industrial paulista, diz Lúcio, é bastante diversificado e, por isso, reflete mais do que outras regiões a má situação que o setor atravessa.

A Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salário (Pimes), também do IBGE, aponta que o estoque de ocupados assalariados na indústria do Estado de São Paulo encolheu 2,6% entre 2011 e 2012, redução maior do que o 1,4% observado na média dos 14 locais pesquisados. No Rio, por outro lado, a indústria vive movimento diferente, diz o diretor do Dieese, com o impulso dos setores naval e de petróleo e gás.

Rodrigo Leandro de Moura, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), avalia que a redução da diferença de rendimento entre as seis regiões metropolitanas reflete a queda da desigualdade social no país nos últimos anos, movimento associado às políticas de valorização do salário mínimo e de transferências de renda. O piso nacional e programas como Bolsa Família, diz Moura, têm menos representatividade em São Paulo.

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