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Camargo tem sucesso e oferta por CCDI movimenta R$190,4 mi

terça-feira, outubro 9th, 2012

A Camargo Corrêa está pagando 5,52 reais por ação da CCDI

REUTERS
São Paulo - A Camargo Corrêa foi bem-sucedida em sua oferta nesta terça-feira para tirar a controlada Camargo Corrêa Desenvolvimento Imobiliário (CCDI) da Bovespa, com adesão de cerca de 90 por cento dos acionistas minoritários.

O giro financeiro do leilão de compra das ações da CCDI foi de 190,4 milhões de reais, e envolveu 34,49 milhões de papéis, segundo informações da bolsa paulista. A Camargo Corrêa está pagando 5,52 reais por ação da CCDI.

A Camargo Corrêa anunciou em março que faria uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) pelas ações da CCDI, que atua no ramo de construção civil, informando que pagaria 4,70 reais por papel, mas o valor foi elevado.

No mês passado, a Camargo Corrêa –que já tinha participação de cerca de 66 por cento na CCDI– afirmou que a OPA representaria “uma oportunidade de liquidez” aos minoritários da CCDI, já que as ações tinham, historicamente, liquidez reduzida em bolsa.

Às 16h33, a ação da CCDI era cotada 5,50 reais, com queda de 0,36 por cento, com volume financeiro de quase 1,3 milhão de reais. O papel não faz parte do Ibovespa, que tinha baixa de 0,52 por cento.

A CCDI fez sua estreia na Bovespa em janeiro de 2007, com uma oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) primária e secundária de cerca de 600 milhões de reais.

Acionistas da Rossi aprovam aumento de capital de R$ 500 mi

terça-feira, outubro 9th, 2012

A aprovação se deu na segunda convocação de assembleia geral extraordinária, após a primeira não ter sido instalada por falta de quórum

Vivian Pereira, da Reuters

A Rossi anunciou no início de setembro que estava negociando uma operação de aumento de capital junto aos acionistas controladores

São Paulo - Os acionistas da Rossi Residencial aprovaram em assembleia na segunda-feira um aumento de capital de até 500 milhões de reais para adequar a estrutura de capital da construtora e incorporadora.

A aprovação se deu na segunda convocação de assembleia geral extraordinária, após a primeira não ter sido instalada por falta de quórum.

A Rossi anunciou no início de setembro que estava negociando uma operação de aumento de capital junto aos acionistas controladores e potenciais investidores .

A empresa divulgou na semana passada novo balanço de segundo trimestre em que mostra lucro de 51 milhões de reais ante prejuízo de 9,1 milhões divulgado em agosto para o período.

Minoritário da Rossi deve ficar ligado a detalhes de oferta

quinta-feira, setembro 6th, 2012

Acionistas podem perder 30% de poder com oferta; participação dos controladores está em xeque
Gustavo Kahil, de Exame.com

As ações da Rossi têm queda de 34% em 2012

São Paulo – Os acionistas da Rossi Residencial (RSID3) podem ter a sua participação na empresa diluída em 30% caso escolham não aderir à oferta de ações anunciada pela empresa na quarta-feira e que pretende arrecadar até 500 milhões de reais. A operação será feita com a emissão de papéis ao preço de 4,50 reais, que corresponde à média ponderada por volume dos últimos 60 pregões e mais um desconto de 11,3%.

As ações da construtora despencaram 16% em dois com as notícias sobre a emissão e terminaram a quarta-feira negociadas a 5,07 reais. “Segundo nossos cálculos, assumindo que os recursos serão usados apenas para reforçar o caixa da companhia e, portanto, não empregados de forma rentável, a diluição potencial para o acionista que não aderir é de 30%”, explica a Fator Corretora em um relatório. Além da perda de participação na companhia, outros pontos da oferta chamam a atenção do mercado.

Controladores

O comunicado enviado pela Rossi destaca que a empresa está em “tratativas com os acionistas controladores e potenciais investidores, objetivando garantir a subscrição do aumento de capital”. Ou seja, isso indica que os controladores não possuem recursos para garantir a compra de eventuais sobras da subscrição aos acionistas existentes ou que não têm interesse em aumentar a participação. Daí viria a participação dos tais “potenciais investidores”.

Uma notícia publicada pela agência de notícias DebtWire na terça-feira, a primeira a ventilar a oferta, ressalta que a “família está em conversas com um investidor internacional”. João Rossi Cuppoloni e a família detêm aproximadamente 36% das ações da empresa diretamente ou por meio de fundos e empresas.

PDG corta metas e cria incertezas

quarta-feira, julho 11th, 2012

Por Chiara Quintão | De São Paulo
Valor Econômico - 11/07/2012

O mercado reagiu, negativamente, ao anúncio da PDG Realty de corte de sua meta de lançamentos para 2012 praticamente pela metade. Ontem, os papéis da maior incorporadora do país tiveram queda de 10,06% na BM&FBovespa, fechando cotados a R$ 3,04. O índice caiu 3,05 % ontem. A combinação da redução do que a PDG projeta lançar no ano com a expectativa do mercado de aprovação, amanhã, em assembleia de acionistas, de aumento de capital de quase R$ 800 milhões, suscitou dúvidas se há problemas na incorporadora além dos já conhecidos.

A possibilidade de a PDG revisar para baixo sua estimativa de lançar entre R$ 8 bilhões e R$ 9 bilhões era considerada pelo mercado, mas não na proporção em que o corte foi feito, para a faixa de R$ 4 bilhões a R$ 5 bilhões. O ponto médio da estimativa foi reduzido em 47%.

“A PDG passou a ser uma incorporadora de R$ 5 bilhões ou terá esse tamanho, temporariamente, e depois voltará a ser uma empresa de R$ 9 bilhões?”, questiona o analista do setor imobiliário da CGD Securities, Flávio Conde. Essa definição é determinante, segundo Conde, para que analistas revisem as projeções somente para 2012 ou para “a perpetuidade”.

Ontem, o Credit Suisse reduziu o preço-alvo das ações da PDG de R$ 6,5 para R$ 4,5, mas manteve a classificação de “neutral”. O banco rebaixou suas projeções de lucro por ação da companhia para 2012 e 2013 em 36% e 45%, respectivamente.

Um analista que acompanha o setor ressalta que a rentabilidade por ação da PDG ficará menor, devido à redução dos lançamentos, ainda mais quando se considera que deve haver aumento de capital, por meio da emissão de ações da companhia.

Embora não se esperasse um ajuste de meta de lançamentos na dimensão ocorrida, analistas citam que a medida foi necessária devido à situação da PDG. Conforme outro analista que pediu para não ser identificado, sem a redução, a companhia continuaria a apresentar margens mais baixas por um período maior. Ele acrescenta que o corte da projeção pode contribuir para que a companhia comece a gerar caixa, ainda que não em 2012.

Justamente por essa possibilidade de geração de caixa mais rápida, há quem avalie que a reação do mercado ao anúncio da PDG não fez sentido. Outra razão citada para que a queda do preço das ações no pregão de ontem tenha sido desproporcional é que as cotações da PDG já não estavam refletindo perspectiva de crescimento da empresa.

No segundo trimestre, a PDG lançou R$ 404 milhões, 80,3% a menos do que no mesmo período do ano passado. Se considerado o período a partir do lançamento inicial de ações (IPO) da PDG, no início de 2007, até agora, esse patamar só não foi inferior ao dos três primeiros trimestres daquele ano. No semestre, a redução dos lançamentos da PDG foi de 60,1%, para R$ 1,52 bilhão, ante os primeiros seis meses de 2011.

De acordo com a PDG, as reduções dos lançamentos e da projeção para o ano resultam da decisão de focar as atenções em vendas, na entrega de unidades e na reestruturação interna. Mais que lançar produtos, a companhia optou por vender estoques. Do R$ 1,24 bilhão comercializado no segundo trimestre, R$ 1,14 bilhão se refere à venda de imóveis lançados nos trimestres anteriores e R$ 99 milhões, a lançamentos realizados no período.

No trimestre, as vendas contratadas encolheram 32% ante o intervalo equivalente de 2011, o que a companhia atribui à queda da venda de lançamentos. No semestre, a comercialização diminuiu 14%, para R$ 3,03 bilhões. A velocidade de vendas do segundo trimestre medida pelo indicador vendas sobre oferta (VSO) foi de 23%, ante 29% no mesmo período do ano passado e de 27% no primeiro trimestre de 2012.

A PDG informou que está mais conservadora em relação à expectativa de demanda no segundo semestre, em função do menor crescimento da economia. Há perspectiva também que a proximidade das eleições municipais possa contribuir para que as aprovações de projetos fiquem mais lentas.

A equipe de pesquisas da Planner Corretora avalia que a redução das vendas e a postura mais conservadora da PDG em relação a lançamentos apontam que “o mercado já não é o do passado em termos de demanda”. A queda da velocidade de vendas também sinaliza a acomodação do mercado, segundo a Planner.

Ontem, a decisão da PDG de reduzir sua meta de lançamentos mesmo quando se espera que o aumento de capital proposto pela Vinci Partners seja aprovado reforçou a dúvida do mercado sobre qual a real situação de caixa da companhia. A PDG, que encerrou o primeiro trimestre com caixa de R$ 1,72 bilhão, diz não ter problemas de caixa e que a parcela de recursos consumida no momento de um lançamento não é expressiva, abrangendo apenas despesas de marketing e corretagem, pois já possui os terrenos para os projetos de 2012.

A proposta da Vinci prevê aumento de capital da PDG de R$ 799,9 milhões, por meio de emissão privada de 199 milhões de bônus de subscrição. Cada bônus dará direito a uma nova ação e a uma debênture conversível em ação. A Vinci se compromete a subscrever 81,4% dos bônus, desde que consiga o mínimo de 54,8% do total, após a primeira rodada de sobras.

Ontem, a agência de classificação de risco Fitch Ratings, divulgou, em relatório, que o grande desafio das construtoras brasileiras continua sendo o controle de custos e a melhora de margens de eficiência. A Fitch avalia, porém, que cancelamentos de contratos e as revisões de orçamentos continuarão para afetar o fluxo de caixa do setor neste ano e no próximo. Apesar de as empresas estarem cortando projeções e reduzindo sua atuação, o cenário ainda é positivo para o setor, de acordo com a Fitch, e a liquidez das empresas continua forte. Algumas têm uma forte posição de caixa, apesar de as incorporadoras, em geral, dependerem muito de ofertas de crédito de longo prazo. (Colaborou Renato Rostás)

A PDG está sem dono — e sem brilho

quinta-feira, junho 28th, 2012

A PDG, maior incorporadora do país, era comandada por um presidente que queria sair e um sucessor que não queria ficar — e seu valor de mercado caiu 60% em um ano

Carolina Meyer, de Exame

São Paulo - Por quase seis anos, a dupla formada pelos cariocas José Antonio Gra­bowsky e Michel Wurman virou o mercado imobiliário brasileiro de pernas para o ar. Fundadores da incorporadora PDG, ambos vindos do mercado financeiro, os executivos imprimiram à empresa um ritmo de tirar o fôlego.

Quatro anos e uma série de aquisições depois, já comandavam a maior incorporadora do país — Gra­bowsky na presidência e Wurman no departamento financeiro. Foi um fenômeno. Entre 2007 e 2011, as ações da PDG na Bovespa valorizaram 124%, o triplo do Índice Bovespa, que reúne as maiores empresas listadas do país.

A PDG faturou 6,8 bilhões de reais no ano passado. Tudo correu às mil maravilhas até que, de repente, a sintonia que regia a dupla foi-se embora. De um ano para cá, o valor de mercado da PDG caiu 60%. Em abril, a empresa anunciou que as obras estavam custando mais caro que o previsto.

No primeiro trimestre, o lucro caiu 79%. E, para completar o enredo, Wurman deixou a empresa de maneira surpreendente em maio. As ações caíram tanto que, no final daquele mês, o fundo de investimentos Vinci anunciou uma oferta para voltar ao controle da PDG (posição ocupada pela Vinci até fevereiro de 2010).

Nas últimas semanas, EXAME ouviu conselheiros, executivos e ex-funcionários da PDG para reconstruir a história de seu espetacular tropeço recente. Não é de surpreender que essa história gire em torno dos dois mandachuvas.

A dupla viveu um período conturbado, e no pior momento possível — foi no último ano, afinal, que os resultados se deterioraram e ficou claro que haveria pela frente um árduo processo de reestruturação. O estopim da crise, que acabaria com a parceria e destruiria anos de amizade, foi a sucessão de poder na maior incorporadora do país.

Em novembro, Grabowsky avisou o conselho de administração da PDG que deixaria a presidência da empresa em 2012, ocuparia um assento no conselho e passaria o bastão a seu braço direito.

O plano estava tão adiantado que Grabowsky acertava os detalhes finais de sua ida para a Vinci, onde participaria da gestão de um fundo imobiliário. Em um semestre, tudo foi por água abaixo. Wurman deixou a empresa e Gra­bowsky teve de adiar sua saída. Hoje, os dois mal se falam.

Por que a sucessão da PDG deu errado? Segundo EXAME apurou, Wurman desistiu do acordo (nas palavras de um conselheiro, “aos 47 minutos do segundo tempo”) ao constatar que a presidência da empresa lhe traria problemas de mais e dinheiro de menos. Se o período de Grabowsky à frente da PDG seria conhecido como a “época de ouro”, a gestão de Wurman seria a do ajuste.

Com custos em alta e lançamentos em baixa, a PDG entra agora, assim como quase todas as construtoras do país, numa fase menos exuberante. Seria necessário, segundo Wurman tem dito a amigos, cortar custos drasticamente — algo que só os executivos sádicos gostam de fazer.

Segundo um conselheiro ouvido por EXAME, o executivo até topava a tarefa — desde que fosse muito bem recompensado e que seu mandato fosse de um ano. Wurman alegou que a PDG passaria por um teste de credibilidade no mercado motivado por aquilo que ele via como um conflito de interesses nascido a partir da relação da Vinci com a PDG.

Mesmo depois de ter vendido sua participação em 2010, o fundo tem dois representantes no conselho de administração — cujo presidente é Gilberto Sayão, fundador da Vinci. A ida de Gra­bowsky da presidência da PDG para o fundo poderia, na visão de Wurman, pegar mal.

Afinal, a Vinci ia querer o melhor para a PDG, onde tem uma participação irrisória, ou para seu próprio fundo imobiliário? Para os defensores da Vinci, o conflito de interesses não existe — o fundo imobiliário seria dedicado à compra e à administração de imóveis comerciais, e a principal atividade da PDG é a incorporação de imóveis residenciais (a PDG deixou o mercado de imóveis comerciais em novembro de 2011).

Como no mercado financeiro tudo tem seu preço, Wurman condicionou sua permanência à aprovação, pelo conselho, de um novo e gordo pacote de remuneração. A proposta não foi bem recebida, já que a empresa estava para anunciar seus maus resultados do primeiro trimestre.

Como a ideia não vingou, Wurman desistiu. No final de março, comunicou ao conselho que deixaria a empresa. Ele tem em mãos uma proposta de trabalho do banco de investimento BTG Pactual — o que gerou, entre seus novos inimigos, a versão de que a saída já estava acertada há tempos.

Sua atitude é descrita por conselheiros como “irresponsável”. Já Gra­bowsky abandonou, pelo menos por enquanto, os planos de voltar ao mercado financeiro. Na conferência de resultados do dia 11 de maio, ele atribuiu a saída de Wurman a uma decisão do conselho da PDG, que entendeu que o executivo não era o nome mais indicado para o cargo.

Na segunda-feira seguinte, as ações caíram 10%. Procurados, Wurman, Grabowsky e os executivos da Vinci não quiseram se pronunciar.

Enquanto era tocada por um presidente que não queria ficar e um substituto doido para sair, a PDG se transformou num estudo de caso dos limites do modelo das “corporations”, empresas sem bloco de controle definido. Apenas sete companhias listadas na Bovespa têm essa estrutura de comando.

Nos Estados Unidos, o comum é que os conselhos de administração sejam compostos por acionistas, que têm muito a perder quando a companhia vai mal. Na PDG, os membros do conselho detêm apenas 0,53% das ações. O dia a dia da companhia acaba, portanto, nas mãos dos principais executivos — que, como se viu, estavam com a cabeça um tanto distante.

Além do bafafá sucessório, a empresa passou por momentos constrangedores. Em março, a PDG divulgou, em um relatório enviado à Comissão de Valores Mobiliários, que três diretores utilizaram derivativos para se proteger de possíveis quedas no valor das ações — em uma dessas operações, o diretor ganhava mais à medida que os papéis desvalorizassem.

“Numa empresa normal, esses executivos teriam sido demitidos”, diz um conselheiro que pediu para não ser identificado. “A manutenção dos três só mostra como ninguém aqui dentro se importa com o que acontece na PDG.” O tipo de operação financeira feita pelos executivos, embora não seja ilegal, foi proibido pelo conselho dois meses depois.

Em maio, com as ações da PDG próximas de seu menor valor desde 2009, a Vinci anunciou sua intenção de voltar ao comando da companhia com um investimento de 800 milhões de reais. Se aprovado, o negócio dará ao fundo uma série de direitos. Na prática, a Vinci terá o controle da empresa.

A manobra, que ameaça diluir os demais acionistas num momento em que as ações já estão deprimidas, não foi bem recebida pelo mercado. Mesmo assim, alguns analistas celebraram a possível volta da figura de um “dono”. Segundo executivos ligados à PDG, o plano da Vinci é aproveitar as sinergias entre as três construtoras compradas nos últimos anos, Goldfarb, CHL e Agre.

Até maio, essas construtoras funcionavam como entidades independentes. Executivos da PDG afirmam que há pelo menos 100 milhões de reais em custos para cortar. O aporte de capital prepararia a empresa para uma eventual deterioração no mercado de crédito em função da crise europeia. Os acionistas da PDG decidirão em julho se querem voltar a ter um controlador para chamar de seu.

Como a Gafisa subiu 30% em dois dias - e por que a festa pode ser curta

terça-feira, junho 12th, 2012

Mercado gostou da maneira como deve ser feita a aquisição dos 20% restantes da Alphaville Urbanismo, mas continua cético sobre os fundamentos

Lilian Sobral, de Exame.com

São Paulo – Ao lado de outras construtoras, as ações da Gafisa (GFSA3) vinham amargando constantes quedas e se destacando entre as baixas do Ibovespa. Na sexta-feira, porém, a empresa teve um pregão de forte alta e os papéis subiram 16,43% naquele dia. Depois de disparar desta maneira, muitos poderiam esperar uma valorização leve ou até queda no pregão de hoje, mas os papéis estão passando bem longe disso. No maior preço registrado até agora durante o pregão, a alta das ações já chega a 12,9%.

A empresa anunciou no início do mês que compraria 20% restantes da Alphaville Urbanismo, assumindo 100% da empresa. Até ai, nenhuma surpresa. Isso porque o processo de aquisição da companhia começou em 2006, com uma fatia de 60% comprada pela Gafisa, continuou em 2010, com mais 20% adquiridos, e, como a própria empresa já havia sinalizado, deve terminar neste ano, com a conclusão da compra anunciada dos 20% restantes.

Tanto não foi surpresa que nos pregões após o anúncio, as ações da Gafisa caíram, como vinha acontecendo há um tempo. Na noite do dia 6 de junho, porém, a empresa informou como faria para pagar a nova fatia comprada.

A Gafisa vai emitir 70,25 milhões de ações para completar a operação, valor estimado com base no preço de 5,11 reais por ação, apurado pela média diária da cotação de um determinado período.

O mercado recebeu bem a notícia e no dia seguinte, feriado no Brasil, os papéis da empresa em Nova York subiram 9%. O primeiro pregão aqui no país após a notícia foi o da última sexta-feira, que terminou com a alta de 16,43%.

O preço por ação foi contestado por acionistas da Alphaville Urbanismo, que acreditam que a compra deveria ser feita por um valor de emissão de 3,70 reais, com a emissão de 97.055.876 ações, o que elevaria a diluição dos acionistas da Gafisa. A Gafisa, por sua vez, acredita que o valor pedido por esses acionistas é contratualmente equivocado, conforme aponta comunicado.

Preço final

“Acreditamos que os detalhes sobre o financiamento da operação descartam uma diluição significativa para as ações, pois os investidores estavam preocupados com o possível aumento na alavancagem se a Gafisa optasse por pagamento em dinheiro”, afirmaram os analistas do Santander Alexandre Amson e Fabiola Gama.

Os analistas David Lawant e Enrico Trotta, do Itaú BBA, também acreditam que a Gafisa finalizará o negócio com o preço anunciado e consideram a notícia boa para os acionistas da empresa.

“Considerando que a estimativa para Alphaville indica um valor total para a companhia que é aproximadamente o dobro do atual valor de mercado da Gafisa, acreditamos que o fato das ações terem sido emitidas com um amplo prêmio (de 140%) em relação ao preço atual de mercado tenha tornado o negócio favorável para os acionistas da Gafisa, apesar de uma diluição de 14%”, afirmaram em relatório para clientes.

A operação aprovada vai resultar numa diluição de 14% dos acionistas da Gafisa e, na opinião da corretora Ativa, o desenrolar do que pedem os acionistas da Alphaville deve ser acompanhado de perto. “Vemos como necessário o acompanhamento do desenrolar da questão acerca da contestação por parte dos acionistas da Alphaville, que pode retardar o processo e elevar para cerca de 18% a diluição para os acionistas de Gafisa”, afirma a analista-chefe da Atvia, Daniella Maia, em relatório para clientes . “No entanto, mesmo com a contestação o preço de 3,70 reais por ação significaria um upside de 73,7% ante o fechamento da última quarta-feira, ainda positivo para os investidores”, pondera.

Fundamentos

Longe de ser a queridinha dos analistas no setor, o que vem prejudicando as ações da Gafisa é justamente outra aquisição. A compra da Tenda levou de brinde para a empresa problemas com obras entregues fora das conformidades e atrasos na execução.

A Alphaville Urbanismo pode salvar a empresa e reverter o quadro? Embora ajude, apontam os analistas, não resolve os problemas da Gafisa. “Mantemos nossa opinião de que os fracos fundamentos da Gafisa continuam a ser um importante desafio para a empresa no curto prazo”, afirmam Alexandre Amson e Fabiola Gama, analistas do Santander, em relatório enviado para clientes.

Para eles, a empresa ainda deve ter problemas relativos a cancelamentos de contratos na Tenda, baixa lucratividade dos projetos fora das áreas metropolitanas de São Paulo e Rio de Janeiro, e a alta alavancagem e possíveis problemas de liquidez representam preocupação no curto prazo.

“Apesar da notícia ser bem recebida pelo mercado, como observado sobre o desempenho das ações no pregão de sexta, nos mantemos relutantes sobre a companhia, dado seus fracos fundamentos reportados recentemente”, afirmou a analista-chefe da Ativa Corretora.

O Itaú BBA também não vê uma mudança muito significativa no horizonte da empresa e os analistas David Lawant e Enrico Trotta mantiveram a recomendação de market-perform (desempenho em linha com a média do mercado), com um valor justo para o final de 2012 de 6,00 reais por ação. “Preferiríamos nos manter à margem e focar em companhias com um ambiente operacional mais estável e menor alavancagem”, afirmaram.

A prova dos nove da Gafisa

segunda-feira, maio 7th, 2012

Uma das poucas empresas brasileiras sem controlador, a Gafisa tenta sair da má fase — a missão cabe ao conselho de administração mais pressionado do país

Naiana Oscar, de Exame

Obra da Gafisa em São Paulo: no Brasil, são apenas sete empresas sem controlador

São Paulo - “Você acha que eu não me pergunto o que estou fazendo aqui?”, diz, com uma dose incomum de sinceridade, Caio Mattar, presidente do conselho de administração da Gafisa, sexta maior construtora do país. Sua vida, de fato, não tem sido fácil. A empresa anunciou em abril um prejuízo de quase 1 bilhão de reais referente a 2011.

Os investidores não estão gostando nada do que veem: as ações perderam 60% do valor nos últimos 12 meses, o segundo pior resultado da Bovespa. O que torna sua situação ainda mais complexa é que Mattar desempenha um tipo de papel inédito na história brasileira: o homem responsável por guiar a Gafisa trabalha, na verdade, no Pão de Açúcar.

Ele é vice-presidente e despacha diariamente na sede do grupo, em São Paulo. É Abilio Diniz, portanto (ou os franceses do Casino, sabe-se lá), que paga seus salários. Ao mesmo tempo que é cobrado para achar uma solução para a Gafisa, Mattar tem de entregar os resultados exigidos por seu chefe.

Eis, aqui, a explicação para o papel desempenhado por ele — a Gafisa é, hoje, uma das poucas empresas brasileiras sem controlador. Suas ações estão espalhadas por milhares de acionistas, e nenhum deles tem participação suficiente para mandar. Apenas sete das 465 companhias listadas na Bovespa têm estrutura semelhante.

Nos Estados Unidos, mais da metade é assim. Por aqui, o padrão é que as empresas tenham um controlador. Desse jeito, o conselho de administração pode acabar tendo uma atuação mais de conselheiro, menos de administrador: é o dono que decide, e os membros podem se dar ao luxo de simplesmente concordar.

Já em empresas pulverizadas quem manda, de verdade, é o conselho de administração — que também será responsabilizado por uma eventual barbeiragem. É isso que faz do conselho de administração da Gafisa o mais pressionado do Brasil.

Seus nove membros singram por mares nunca navegados. Têm de tomar, de forma colegiada, decisões vitais para a empresa, sabendo que os acionistas estão sedentos por uma solução para seu investimento.

O que está em jogo não é apenas o futuro da construtora, mas a reputação (e o patrimônio) dos nove conselheiros. Desde 2003, membros de conselhos podem responder legalmente por decisões que desrespeitam os direitos de fornecedores, funcionários, clientes ou acionistas.

A punição pode vir em forma de multa ou até de bloqueio dos bens pessoais. No escândalo financeiro que levou a Sadia às cordas, nove conselheiros foram condenados a pagar multas que variavam de 200 000 a 400 000 reais (todos recorreram).

“Eles podem ser responsabilizados não apenas por fraude mas também por má gestão”, diz Marcelo Coimbra, especialista em governança corporativa da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis. Para protegê-los, as empresas oferecem aos conselheiros seguros que cobrem até mesmo gastos com o dia a dia em caso de bloqueio de bens.

Como se espera de empresas com a estrutura de capital da Gafisa, seu conselho de administração é um tanto estrelado. Além de Mattar, há seis membros independentes — e outros dois ligados à construtora. Entre os independentes estão nomes como Guilherme Afonso Ferreira, um dos maiores investidores do país (retratado na reportagem de capa desta edição), Leticia Costa, ex-presidente da consultoria Booz Allen, e Henri Phillippe Reichstul, ex-presidente da Petrobras.

Eles ganham, em média, 15 000 reais por mês. Até um ano atrás, era um dinheiro recebido sem suor. “Não éramos atuantes”, diz Mattar. “Tínhamos pouco acesso à diretoria e às informações da empresa.” Em abril de 2011, o investidor americano Sam Zell vendeu suas ações e, com isso, deixou de controlar a Gafisa. “Foi aí que a ficha caiu e o conselho percebeu que não haveria mais ninguém para bancar as decisões”, diz um conselheiro.

Três meses depois, a dinâmica teve de mudar na marra depois que os diretores começaram a reconhecer erros no orçamento de obras (erros estes que também afetaram os resultados de concorrentes como Cyrela e PDG). Foi a primeira pista de que algo não ia bem. Até então, os conselheiros faziam quatro reuniões presenciais por ano e oito por teleconferência (de até 40 minutos cada uma).

Agora, os conselheiros se reúnem uma vez por mês, em encontros que duram cerca de 6 horas. Alguns deles, como o ex-sócio da Deloitte José Écio Pereira da Costa, acumulam também cargos em comitês específicos — no caso dele, o de auditoria.

Pente-fino

Os nove conselheiros iniciaram, então, uma intervenção, amparada no trabalho de consultorias externas, como a Bain & Company. Eles exigiram um pente-fino em todas as obras, principalmente nas da marca Tenda, voltada para o público de baixa renda, operação executada pelo presidente executivo, Duílio Calciolari.

O resultado veio à tona em novembro, quando a empresa anunciou que ia encolher a operação para se reorganizar. No mês passado, o próprio Mattar, numa atitude rara para um presidente de conselho, abriu a conferência de apresentação dos resultados para anunciar o prejuízo (normalmente, é Calciolari que cumpre esse papel).

O perfil do conselho da Gafisa cria situações inteiramente novas. Em empresas com controlador definido, o presidente do conselho costuma ter muito a ganhar caso um período de crise seja vencido. Elie Horn, fundador da Cyrela, tem 127 milhões de ações da empresa.

Cada ponto percentual de valorização nos papéis faz seu patrimônio crescer cerca de 20 milhões de reais. Caio Mattar tem apenas uma ação da Gafisa. “Nem eu nem ninguém do conselho dependemos dessa função para viver, mas temos nomes a zelar e uma obrigação junto aos acionistas”, diz ele.

Para quem observa a atuação do conselho de perto, seus membros têm optado por uma rota mais conservadora que a normal. Todas as trocas de e-mail são impressas e estocadas (para ser usadas num eventual litígio). Em fevereiro, o conselho recebeu uma proposta de aquisição feita por seus antigos controladores — Zell e a gestora de private equity GP Investimentos.

Quando a informação vazou, revelada por Exame.com, a empresa confirmou, num fato relevante enviado à Bovespa, que havia recebido, sim, uma proposta. Do ponto de vista da transparência, uma atitude invejável. Mas, para executivos próximos à transação, a confirmação atrapalhou as negociações (empresas em situação semelhante comunicam, de forma um tanto imprecisa, que estão “constantemente avaliando oportunidades”).

No dia 11 de maio, a Gafisa elegerá dois novos conselheiros. O próprio conselho indicou seus candidatos, que serão aprovados ou não pelos acionistas. Conhecido por ser o mais barulhento entre os conselheiros, Guilherme Ferreira pediu para sair por discordar das indicações.

Um grupo de acionistas vai indicar a ex-presidente da Caixa Econômica Federal Maria Fernanda Ramos Coelho e o ex-diretor do fundo Pátria Marcelo Moreira. Os membros podem até mudar. A prova dos nove continuará a mesma.