Posts Tagged ‘ações’

Gafisa começa a analisar ofertas pela Alphaville

segunda-feira, março 25th, 2013

Segundo fontes, cerca de 20 interessados chegaram a olhar a Alphaville, mas três compradores restaram na disputa

Circe Bonatelli, do Estadão

A Gafisa é dona de 80% da Alphaville e está finalizando a compra da fatia restante de 20%, que pertence à Alphapar

São Paulo - O conselho de administração da Gafisa começará a analisar na próxima semana as opções para a venda da loteadora Alphaville. O prazo para a entrega das propostas ao banco Rothschild, contratado para fazer o levantamento das opções no mercado, terminou nesta sexta-feira. A Alphaville está avaliada em cerca de R$ 1,8 bilhão.

Segundo fontes, cerca de 20 interessados chegaram a olhar a Alphaville, mas três compradores restaram na disputa: o fundo de private equity Pátria Investimentos, em parceria com o fundo Blackstone; a gestora GP Investimentos, em dupla com a Equity International, do investidor americano Sam Zell; e a gestora Hemisfério Sul Investimentos (HSI).

O caso de Sam Zell é curioso. O investidor foi acionista relevante da Gafisa até 2010, quando vendeu sua participação, pouco antes de a companhia começar a enfrentar atrasos de obras, estouros de orçamentos e cancelamentos de vendas que culminaram no prejuízo total de R$ 1,1 bilhão em 2011.

Conhecido por comprar empresas em dificuldade nos Estados Unidos, Zell chegou a cogitar a compra da problemática Tenda - braço de moradias populares do grupo -, mas o negócio acabou não se concretizando por desacordo sobre o preço. Agora, tenta voltar à Gafisa com a Alphaville, considerada um ativo de qualidade pelo mercado.

O que se comenta nos bastidores da negociação é que os potenciais compradores buscam o controle da loteadora, com interesse em aquisição de uma fatia de pelo menos 60%. A participação minoritária estaria descartada. Fontes dizem também que os candidatos à compra condicionaram as propostas à saída da Alphapar Empreendimentos e Participações da loteadora.

Negociação interna

A Gafisa é dona de 80% da Alphaville e está finalizando a compra da fatia restante de 20%, que pertence à Alphapar, fundadora da empresa de loteamentos. No entanto, as partes não chegaram a um acordo sobre o número de ações que a Gafisa deveria transferir à Alphapar como forma de pagamento pela fatia adicional.

O caso foi encaminhado para arbitragem no ano passado, e ainda não chegou a uma definição. Se a venda da Alphaville for confirmada, o pagamento pelos 20% seria feito pela Gafisa em dinheiro para a Alphapar, excluindo a antiga dona do quadro de acionistas relevantes.

A decisão pela venda da loteadora, porém, ainda não está completamente fechada. Parte do conselho de administração da Gafisa é a favor do negócio, como forma de reduzir o endividamento do grupo, enquanto uma outra parte prefere manter a loteadora e cogita uma abertura de capital no futuro.

A venda serviria para reduzir a dívida do grupo, que tem uma das mais altas alavancagens (relação entre débitos e Ebitda - lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) do setor. Procurados, nem a Gafisa nem os potenciais compradores se pronunciaram sobre o tema.

Camargo tem sucesso e oferta por CCDI movimenta R$190,4 mi

terça-feira, outubro 9th, 2012

A Camargo Corrêa está pagando 5,52 reais por ação da CCDI

REUTERS
São Paulo - A Camargo Corrêa foi bem-sucedida em sua oferta nesta terça-feira para tirar a controlada Camargo Corrêa Desenvolvimento Imobiliário (CCDI) da Bovespa, com adesão de cerca de 90 por cento dos acionistas minoritários.

O giro financeiro do leilão de compra das ações da CCDI foi de 190,4 milhões de reais, e envolveu 34,49 milhões de papéis, segundo informações da bolsa paulista. A Camargo Corrêa está pagando 5,52 reais por ação da CCDI.

A Camargo Corrêa anunciou em março que faria uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) pelas ações da CCDI, que atua no ramo de construção civil, informando que pagaria 4,70 reais por papel, mas o valor foi elevado.

No mês passado, a Camargo Corrêa –que já tinha participação de cerca de 66 por cento na CCDI– afirmou que a OPA representaria “uma oportunidade de liquidez” aos minoritários da CCDI, já que as ações tinham, historicamente, liquidez reduzida em bolsa.

Às 16h33, a ação da CCDI era cotada 5,50 reais, com queda de 0,36 por cento, com volume financeiro de quase 1,3 milhão de reais. O papel não faz parte do Ibovespa, que tinha baixa de 0,52 por cento.

A CCDI fez sua estreia na Bovespa em janeiro de 2007, com uma oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) primária e secundária de cerca de 600 milhões de reais.

Gafisa sobe 2,78%, a R$ 4,06, segunda maior alta do Ibovespa

terça-feira, setembro 11th, 2012

DO VALOR

As ações da Gafisa subiram 2,78% no pregão da BM&FBovespa, a R$ 4,06, enquanto o Ibovespa tinha alta de 0,5%, a 58.691 pontos.

Na noite de ontem, a companhia informou que está estudando opções estratégicas para a Alphaville Urbanismo. Entre as opções, considera a abertura da capital da subsidiária e a venda de participação, além da manutenção da situação atual.

Segundo André Bergstein, diretor financeiro e de relações com investidores da companhia, o valor de Alphaville não está refletido na atual avaliação de Gafisa pelo mercado.

No processo de aquisição, a Alphaville foi avaliada em R$ 1,85 bilhão. O montante é superior ao atual valor de mercado da Gafisa em Bolsa, de R$ 1,7 bilhão.

Minoritário da Rossi deve ficar ligado a detalhes de oferta

quinta-feira, setembro 6th, 2012

Acionistas podem perder 30% de poder com oferta; participação dos controladores está em xeque
Gustavo Kahil, de Exame.com

As ações da Rossi têm queda de 34% em 2012

São Paulo – Os acionistas da Rossi Residencial (RSID3) podem ter a sua participação na empresa diluída em 30% caso escolham não aderir à oferta de ações anunciada pela empresa na quarta-feira e que pretende arrecadar até 500 milhões de reais. A operação será feita com a emissão de papéis ao preço de 4,50 reais, que corresponde à média ponderada por volume dos últimos 60 pregões e mais um desconto de 11,3%.

As ações da construtora despencaram 16% em dois com as notícias sobre a emissão e terminaram a quarta-feira negociadas a 5,07 reais. “Segundo nossos cálculos, assumindo que os recursos serão usados apenas para reforçar o caixa da companhia e, portanto, não empregados de forma rentável, a diluição potencial para o acionista que não aderir é de 30%”, explica a Fator Corretora em um relatório. Além da perda de participação na companhia, outros pontos da oferta chamam a atenção do mercado.

Controladores

O comunicado enviado pela Rossi destaca que a empresa está em “tratativas com os acionistas controladores e potenciais investidores, objetivando garantir a subscrição do aumento de capital”. Ou seja, isso indica que os controladores não possuem recursos para garantir a compra de eventuais sobras da subscrição aos acionistas existentes ou que não têm interesse em aumentar a participação. Daí viria a participação dos tais “potenciais investidores”.

Uma notícia publicada pela agência de notícias DebtWire na terça-feira, a primeira a ventilar a oferta, ressalta que a “família está em conversas com um investidor internacional”. João Rossi Cuppoloni e a família detêm aproximadamente 36% das ações da empresa diretamente ou por meio de fundos e empresas.

As 10 ações que mais subiram e caíram em agosto

segunda-feira, setembro 3rd, 2012

Mês foi de alta para a bolsa, mas matador para as empresas elétricas; Gafisa vive redenção

Gustavo Kahil, de Exame.com
Gafisa dispara 61% em agosto, mas ainda amarga queda de 1,7% em 2012

“Neste mês de agosto, as especulações de ações dos Bancos Centrais ficaram em voga. A cada dado econômico divulgado em algum dos principais mercados internacionais, as especulações aumentavam ou diminuíam, gerando diversas repercussões”, resume a equipe de análise da UM Investimentos em um relatório assinado por Ignacio Fravega e outros analistas.

A sexta-feira terminou sem o tão esperado anúncio de um novo estímulo econômico pelo presidente do Banco Central americano, Ben Bernanke. As apostas agora se concentram para as próximas reuniões oficiais de política monetária do Banco Central Europeu (BCE) – 6 de setembro - e do BC americano (Federal Reserve) – em 12 de setembro.

As ações da Gafisa (GFSA3) dispararam 61,35% neste mês após a apresentação dos resultados do segundo trimestre e a diminuição do impacto da Tenda sobre o balanço da companhia. Para a surpresa dos analistas, o Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) chegou a 149 milhões de reais, bem a frente da expectativa consensual de 97 milhões de reais. Os números incentivaram uma forte disparada das ações na bolsa.

O bom resultado é consequência da contribuição positiva da Tenda, que vinha dando prejuízos. A margem bruta teve um bom incremento também, de 27%, dado ao aumento na participação da Gafisa e de Alphaville na receita. Além disso, a empresa obteve uma geração de caixa operacional positiva de 231 milhões de reais no trimestre. Rumores também consideraram a possibilidade da venda da Tenda para o governo federal.

10 - do mês

O governo brasileiro está disposto a baixar as tarifas do setor elétrico, o que pode afetar a geração de caixa de parte das companhias. Além disso, uma Medida Provisória editada ontem deu calafrios às empresas que têm concessões para vencer em breve, como são os casos da Cesp, Cemig, Eletrobras e Transmissão Paulista (TRPL4). E foi justamente essa última companhia que mais agonizou na bolsa em agosto, com uma forte desvalorização de 21,6%.

O banco Santander estima uma redução média das tarifas em 13%. “Além disso, acreditamos numa redução de 35% nas tarifas de geração e distribuição cujas concessões estejam vencendo. Atualmente, as empresas que mais seriam afetadas negativamente por essa nova política de concessão do governo são Cesp, Eletrobras e Transmissão Paulista”, mostra a análise assinada por Leonardo Milane, estrategista de pessoa física.

“O fato é que o momento serviu como gatilho para a realização de lucros em todas as empresas do setor, pois a atual incerteza e a forte performance verificada nos últimos anos na comparação com o Ibovespa corroboraram essa decisão”, ressalta o analista da Ágora Corretora, Filipe Acioli.
grafico01
grafico02

Ações da Gafisa continuam subindo nesta quarta-feira

quarta-feira, julho 11th, 2012

Redução nos lançamentos no segundo trimestre reflete nos papéis
Sobral, de Exame.com

São Paulo – Após a alta registrada no pregão da terça-feira, as ações da Gafisa (GFSA3) começaram esta quarta-feira com nova valorização, subindo 4% na máxima do dia. No pregão de ontem, os papéis da empresa chegaram a subir mais de 8% durante o dia e terminaram com uma valorização de 1,23%.

As ações refletem a notícia dos lançamentos menores da empresa, divulgada na noite de segunda-feira, quando o mercado não operou por conta de um feriado em São Paulo. A Gafisa informou na ocasião que seus lançamentos alcançaram 546,5 milhões de reais no segundo trimestre, queda de 60% ante o mesmo período de 2011.

O mercado gostou da notícia. “A Gafisa demonstrou neste trimestre, que está em fase de recuperação, após ter sofrido fortemente nos dois últimos trimestres”, destacam os analistas Leonardo Zanfelicio e Karina Freitas, da corretora Concórdia, em relatório.

Segundo a empresa informou em seu comunicado, a diminuição nos lançamentos acontece por uma mudança que inclui a redução da área de atuação da marca Gafisa e interrupção de lançamentos da Tenda.

A Tenda tem sido um dos principais pontos de resistência do mercado as ações da empresa. Com atrasos e obras entregas fora das conformidades, a compra da companhia acabou não fazendo bem para os papéis da Gafisa na bolsa. No ano, a queda das ações chega a 40% até o pregão de terça-feira.

Apesar dos números, os analistas da Concórdia lembram que a Gafisa ainda segue com um volume de estoques bastante elevado, que representa mais que cinco trimestres de vendas.

A PDG está sem dono — e sem brilho

quinta-feira, junho 28th, 2012

A PDG, maior incorporadora do país, era comandada por um presidente que queria sair e um sucessor que não queria ficar — e seu valor de mercado caiu 60% em um ano

Carolina Meyer, de Exame

São Paulo - Por quase seis anos, a dupla formada pelos cariocas José Antonio Gra­bowsky e Michel Wurman virou o mercado imobiliário brasileiro de pernas para o ar. Fundadores da incorporadora PDG, ambos vindos do mercado financeiro, os executivos imprimiram à empresa um ritmo de tirar o fôlego.

Quatro anos e uma série de aquisições depois, já comandavam a maior incorporadora do país — Gra­bowsky na presidência e Wurman no departamento financeiro. Foi um fenômeno. Entre 2007 e 2011, as ações da PDG na Bovespa valorizaram 124%, o triplo do Índice Bovespa, que reúne as maiores empresas listadas do país.

A PDG faturou 6,8 bilhões de reais no ano passado. Tudo correu às mil maravilhas até que, de repente, a sintonia que regia a dupla foi-se embora. De um ano para cá, o valor de mercado da PDG caiu 60%. Em abril, a empresa anunciou que as obras estavam custando mais caro que o previsto.

No primeiro trimestre, o lucro caiu 79%. E, para completar o enredo, Wurman deixou a empresa de maneira surpreendente em maio. As ações caíram tanto que, no final daquele mês, o fundo de investimentos Vinci anunciou uma oferta para voltar ao controle da PDG (posição ocupada pela Vinci até fevereiro de 2010).

Nas últimas semanas, EXAME ouviu conselheiros, executivos e ex-funcionários da PDG para reconstruir a história de seu espetacular tropeço recente. Não é de surpreender que essa história gire em torno dos dois mandachuvas.

A dupla viveu um período conturbado, e no pior momento possível — foi no último ano, afinal, que os resultados se deterioraram e ficou claro que haveria pela frente um árduo processo de reestruturação. O estopim da crise, que acabaria com a parceria e destruiria anos de amizade, foi a sucessão de poder na maior incorporadora do país.

Em novembro, Grabowsky avisou o conselho de administração da PDG que deixaria a presidência da empresa em 2012, ocuparia um assento no conselho e passaria o bastão a seu braço direito.

O plano estava tão adiantado que Grabowsky acertava os detalhes finais de sua ida para a Vinci, onde participaria da gestão de um fundo imobiliário. Em um semestre, tudo foi por água abaixo. Wurman deixou a empresa e Gra­bowsky teve de adiar sua saída. Hoje, os dois mal se falam.

Por que a sucessão da PDG deu errado? Segundo EXAME apurou, Wurman desistiu do acordo (nas palavras de um conselheiro, “aos 47 minutos do segundo tempo”) ao constatar que a presidência da empresa lhe traria problemas de mais e dinheiro de menos. Se o período de Grabowsky à frente da PDG seria conhecido como a “época de ouro”, a gestão de Wurman seria a do ajuste.

Com custos em alta e lançamentos em baixa, a PDG entra agora, assim como quase todas as construtoras do país, numa fase menos exuberante. Seria necessário, segundo Wurman tem dito a amigos, cortar custos drasticamente — algo que só os executivos sádicos gostam de fazer.

Segundo um conselheiro ouvido por EXAME, o executivo até topava a tarefa — desde que fosse muito bem recompensado e que seu mandato fosse de um ano. Wurman alegou que a PDG passaria por um teste de credibilidade no mercado motivado por aquilo que ele via como um conflito de interesses nascido a partir da relação da Vinci com a PDG.

Mesmo depois de ter vendido sua participação em 2010, o fundo tem dois representantes no conselho de administração — cujo presidente é Gilberto Sayão, fundador da Vinci. A ida de Gra­bowsky da presidência da PDG para o fundo poderia, na visão de Wurman, pegar mal.

Afinal, a Vinci ia querer o melhor para a PDG, onde tem uma participação irrisória, ou para seu próprio fundo imobiliário? Para os defensores da Vinci, o conflito de interesses não existe — o fundo imobiliário seria dedicado à compra e à administração de imóveis comerciais, e a principal atividade da PDG é a incorporação de imóveis residenciais (a PDG deixou o mercado de imóveis comerciais em novembro de 2011).

Como no mercado financeiro tudo tem seu preço, Wurman condicionou sua permanência à aprovação, pelo conselho, de um novo e gordo pacote de remuneração. A proposta não foi bem recebida, já que a empresa estava para anunciar seus maus resultados do primeiro trimestre.

Como a ideia não vingou, Wurman desistiu. No final de março, comunicou ao conselho que deixaria a empresa. Ele tem em mãos uma proposta de trabalho do banco de investimento BTG Pactual — o que gerou, entre seus novos inimigos, a versão de que a saída já estava acertada há tempos.

Sua atitude é descrita por conselheiros como “irresponsável”. Já Gra­bowsky abandonou, pelo menos por enquanto, os planos de voltar ao mercado financeiro. Na conferência de resultados do dia 11 de maio, ele atribuiu a saída de Wurman a uma decisão do conselho da PDG, que entendeu que o executivo não era o nome mais indicado para o cargo.

Na segunda-feira seguinte, as ações caíram 10%. Procurados, Wurman, Grabowsky e os executivos da Vinci não quiseram se pronunciar.

Enquanto era tocada por um presidente que não queria ficar e um substituto doido para sair, a PDG se transformou num estudo de caso dos limites do modelo das “corporations”, empresas sem bloco de controle definido. Apenas sete companhias listadas na Bovespa têm essa estrutura de comando.

Nos Estados Unidos, o comum é que os conselhos de administração sejam compostos por acionistas, que têm muito a perder quando a companhia vai mal. Na PDG, os membros do conselho detêm apenas 0,53% das ações. O dia a dia da companhia acaba, portanto, nas mãos dos principais executivos — que, como se viu, estavam com a cabeça um tanto distante.

Além do bafafá sucessório, a empresa passou por momentos constrangedores. Em março, a PDG divulgou, em um relatório enviado à Comissão de Valores Mobiliários, que três diretores utilizaram derivativos para se proteger de possíveis quedas no valor das ações — em uma dessas operações, o diretor ganhava mais à medida que os papéis desvalorizassem.

“Numa empresa normal, esses executivos teriam sido demitidos”, diz um conselheiro que pediu para não ser identificado. “A manutenção dos três só mostra como ninguém aqui dentro se importa com o que acontece na PDG.” O tipo de operação financeira feita pelos executivos, embora não seja ilegal, foi proibido pelo conselho dois meses depois.

Em maio, com as ações da PDG próximas de seu menor valor desde 2009, a Vinci anunciou sua intenção de voltar ao comando da companhia com um investimento de 800 milhões de reais. Se aprovado, o negócio dará ao fundo uma série de direitos. Na prática, a Vinci terá o controle da empresa.

A manobra, que ameaça diluir os demais acionistas num momento em que as ações já estão deprimidas, não foi bem recebida pelo mercado. Mesmo assim, alguns analistas celebraram a possível volta da figura de um “dono”. Segundo executivos ligados à PDG, o plano da Vinci é aproveitar as sinergias entre as três construtoras compradas nos últimos anos, Goldfarb, CHL e Agre.

Até maio, essas construtoras funcionavam como entidades independentes. Executivos da PDG afirmam que há pelo menos 100 milhões de reais em custos para cortar. O aporte de capital prepararia a empresa para uma eventual deterioração no mercado de crédito em função da crise europeia. Os acionistas da PDG decidirão em julho se querem voltar a ter um controlador para chamar de seu.

Como a Gafisa subiu 30% em dois dias - e por que a festa pode ser curta

terça-feira, junho 12th, 2012

Mercado gostou da maneira como deve ser feita a aquisição dos 20% restantes da Alphaville Urbanismo, mas continua cético sobre os fundamentos

Lilian Sobral, de Exame.com

São Paulo – Ao lado de outras construtoras, as ações da Gafisa (GFSA3) vinham amargando constantes quedas e se destacando entre as baixas do Ibovespa. Na sexta-feira, porém, a empresa teve um pregão de forte alta e os papéis subiram 16,43% naquele dia. Depois de disparar desta maneira, muitos poderiam esperar uma valorização leve ou até queda no pregão de hoje, mas os papéis estão passando bem longe disso. No maior preço registrado até agora durante o pregão, a alta das ações já chega a 12,9%.

A empresa anunciou no início do mês que compraria 20% restantes da Alphaville Urbanismo, assumindo 100% da empresa. Até ai, nenhuma surpresa. Isso porque o processo de aquisição da companhia começou em 2006, com uma fatia de 60% comprada pela Gafisa, continuou em 2010, com mais 20% adquiridos, e, como a própria empresa já havia sinalizado, deve terminar neste ano, com a conclusão da compra anunciada dos 20% restantes.

Tanto não foi surpresa que nos pregões após o anúncio, as ações da Gafisa caíram, como vinha acontecendo há um tempo. Na noite do dia 6 de junho, porém, a empresa informou como faria para pagar a nova fatia comprada.

A Gafisa vai emitir 70,25 milhões de ações para completar a operação, valor estimado com base no preço de 5,11 reais por ação, apurado pela média diária da cotação de um determinado período.

O mercado recebeu bem a notícia e no dia seguinte, feriado no Brasil, os papéis da empresa em Nova York subiram 9%. O primeiro pregão aqui no país após a notícia foi o da última sexta-feira, que terminou com a alta de 16,43%.

O preço por ação foi contestado por acionistas da Alphaville Urbanismo, que acreditam que a compra deveria ser feita por um valor de emissão de 3,70 reais, com a emissão de 97.055.876 ações, o que elevaria a diluição dos acionistas da Gafisa. A Gafisa, por sua vez, acredita que o valor pedido por esses acionistas é contratualmente equivocado, conforme aponta comunicado.

Preço final

“Acreditamos que os detalhes sobre o financiamento da operação descartam uma diluição significativa para as ações, pois os investidores estavam preocupados com o possível aumento na alavancagem se a Gafisa optasse por pagamento em dinheiro”, afirmaram os analistas do Santander Alexandre Amson e Fabiola Gama.

Os analistas David Lawant e Enrico Trotta, do Itaú BBA, também acreditam que a Gafisa finalizará o negócio com o preço anunciado e consideram a notícia boa para os acionistas da empresa.

“Considerando que a estimativa para Alphaville indica um valor total para a companhia que é aproximadamente o dobro do atual valor de mercado da Gafisa, acreditamos que o fato das ações terem sido emitidas com um amplo prêmio (de 140%) em relação ao preço atual de mercado tenha tornado o negócio favorável para os acionistas da Gafisa, apesar de uma diluição de 14%”, afirmaram em relatório para clientes.

A operação aprovada vai resultar numa diluição de 14% dos acionistas da Gafisa e, na opinião da corretora Ativa, o desenrolar do que pedem os acionistas da Alphaville deve ser acompanhado de perto. “Vemos como necessário o acompanhamento do desenrolar da questão acerca da contestação por parte dos acionistas da Alphaville, que pode retardar o processo e elevar para cerca de 18% a diluição para os acionistas de Gafisa”, afirma a analista-chefe da Atvia, Daniella Maia, em relatório para clientes . “No entanto, mesmo com a contestação o preço de 3,70 reais por ação significaria um upside de 73,7% ante o fechamento da última quarta-feira, ainda positivo para os investidores”, pondera.

Fundamentos

Longe de ser a queridinha dos analistas no setor, o que vem prejudicando as ações da Gafisa é justamente outra aquisição. A compra da Tenda levou de brinde para a empresa problemas com obras entregues fora das conformidades e atrasos na execução.

A Alphaville Urbanismo pode salvar a empresa e reverter o quadro? Embora ajude, apontam os analistas, não resolve os problemas da Gafisa. “Mantemos nossa opinião de que os fracos fundamentos da Gafisa continuam a ser um importante desafio para a empresa no curto prazo”, afirmam Alexandre Amson e Fabiola Gama, analistas do Santander, em relatório enviado para clientes.

Para eles, a empresa ainda deve ter problemas relativos a cancelamentos de contratos na Tenda, baixa lucratividade dos projetos fora das áreas metropolitanas de São Paulo e Rio de Janeiro, e a alta alavancagem e possíveis problemas de liquidez representam preocupação no curto prazo.

“Apesar da notícia ser bem recebida pelo mercado, como observado sobre o desempenho das ações no pregão de sexta, nos mantemos relutantes sobre a companhia, dado seus fracos fundamentos reportados recentemente”, afirmou a analista-chefe da Ativa Corretora.

O Itaú BBA também não vê uma mudança muito significativa no horizonte da empresa e os analistas David Lawant e Enrico Trotta mantiveram a recomendação de market-perform (desempenho em linha com a média do mercado), com um valor justo para o final de 2012 de 6,00 reais por ação. “Preferiríamos nos manter à margem e focar em companhias com um ambiente operacional mais estável e menor alavancagem”, afirmaram.

Ação da Gafisa dispara mais de 15% com diluição menor em compra de Alphaville

segunda-feira, junho 11th, 2012

Notícia de que a construtora emitirá menos ações que o esperado para concluir a aquisição da Alphaville Urbanismo agradou os investidores

Valor Online

A notícia de que a Gafisa emitirá menos ações que o esperado para concluir a aquisição da Alphaville Urbanismo agradou os investidores. Às 15h54, os papéis da incorporadora subiam 15,49%, para R$ 2,46, na maior alta do Ibovespa, que operava próximo da estabilidade no mesmo horário, com leve alta de 0,16%.

Acompanhe as cotações

Ontem, os recibos de ações da empresa negociados em Nova York, os ADRs, já haviam subido 9%. Na noite de quarta-feira, a Gafisa anunciou que emitirá 70,3 milhões de ações em favor da Alphapar para quitar o pagamento de R$ 359 milhões pela fatia restante de 20% da Alphaville Urbanismo, seu braço voltado à alta renda.

A operação embute um valor de R$ 5,11 por papel da Gafisa, 140% maior do que o preço de fechamento do último pregão, de R$ 2,13. Na prática, isso significa que a Alphapar “pagaria” mais pelas ações da Gafisa do que os papéis valem em bolsa.

Veja também: Fatia de 20% da Alphaville vale R$ 368,7 milhões, diz Gafisa

Se a emissão de ações fosse feita aos valores atuais, seria necessário emitir 168 milhões de ações pela última parcela da aquisição, o que implicaria uma diluição maior dos atuais acionistas. “Dado que a avaliação da Alphaville implica um valor total para a empresa quase duas vezes superior ao atual valor de mercado da Gafisa, consideramos que o fato, de que as ações foram emitidas a um prêmio (de 140%) em relação ao preço atual, fez o negócio favorável aos acionistas da Gafisa, apesar de uma diluição de 14%”, afirmaram analistas do Itaú BBA, em relatório enviado hoje a clientes.

Considerando também as duas parcelas do pagamento feitas em 2006 e 2010, a Alphaville foi avaliada em R$ 1,8 bilhão, quase o dobro dos R$ 919 milhões que a Gafisa vale hoje em bolsa.

Segundo Flávio Conde, analista da Banif Corretora, o mercado esperava que a Gafisa pudesse pagar esse valor em dinheiro ou emitir novas dívidas, o que seria prejudicial, considerando a elevada alavancagem da companhia. Ele reforça o aspecto positivo da operação, pois traz para a Gafisa um ativo “valioso”, com uma boa precificação.

Leia ainda: JP Morgan rebaixa recomendação de PDG, MRV e Gafisa

A Alphaville tem sido vital para a Gafisa, nos últimos trimestres, por apresentar as melhores margens e retornos do que operações voltadas para a baixa renda. A aquisição foi fechada em 2006, quando a Gafisa levou 60% da companhia.

Em 2010, a incorporadora adquiriu outra fatia, de 20% e, por contrato, tem que finalizar, agora, a compra dos 20% restantes.

Divergência

A queda de braço entre Alphapar e Gafisa pelo número de ações a serem emitidas parece não ter abalado o otimismo dos investidores com a operação. Em fato relevante divulgado na manhã de hoje, a incorporadora informou que a Alphapar pretende receber um número maior de ações como forma de pagamento.

A ex-controladora da Alphaville quer 90,3 milhões de ações, o que equivaleria a uma fatia de 18,3% da Gafisa. Pela proposta inicial da incorporadora, a Alphapar ficaria com 14% do capital.

Em ambos os casos, a Alphapar se tornaria a maior acionista individual da Gafisa, que tem capital disperso em bolsa. No comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Gafisa informou que considera o entendimento da Alphapar “legal e contratualmente equivocado” e afirmou que “insistirá, pelos meios necessários, na aplicação correta do critério contratado”.

Em desconstrução

terça-feira, junho 5th, 2012

Aline Cury Zampieri | De São Paulo
Valor Econômico - 05/06/2012

As empresas de construção civil estão sofrendo com as dores do crescimento. Animadas com as perspectivas de expansão da economia brasileira, as companhias se endividaram e correram para lançar projetos. Agora, várias enfrentam dificuldades para executar o que planejaram e se veem às voltas com estouros de orçamento. Segundo analistas, esses são alguns dos motivos que fazem com que as cotações de algumas ações do setor listadas no Índice Bovespa estejam próximas de suas mínimas históricas.

Levantamento feito pelo Valor mostra que, no começo do mês, quatro das seis ações que estão no índice se aproximaram de seus valores mínimos: Rossi Residencial, PDG Realty, Brookfield e Gafisa. Esta última, por exemplo, chegou ao piso no dia 1º de junho, cotada a R$ 2,40. Na máxima, em maio de 2008, chegou a valer R$ 18,29. “Algumas empresas estão com situações financeiras preocupantes, pois se perderam num crescimento forte das operações, e puxam o setor como um todo”, diz o analista de construção da SLW Corretora, Erick Scott Hood.

Conforme os especialistas, as boas perspectivas da economia brasileira levaram empresas do setor a um excesso de empolgação nos idos de 2005 e 2006. “Elas cresceram demais, fizeram lançamentos demais e algumas acabaram perdendo a mão do negócio”, continua Hood. Vale lembrar que muitas companhias chegaram à bolsa por volta de 2007 e foram naturalmente pressionadas pelos novos investidores a acelerar projetos que pudessem gerar resultados.

Com isso, fica no mercado uma dúvida geral sobre a execução dos projetos das construtoras. “Os balanços do primeiro trimestre vieram bem abaixo das expectativas dos analistas e os investidores reagiram mal, punindo as ações em bolsa”, comenta o analista de construção do banco HSBC, Felipe Rodrigues. “Há muitas dúvidas sobre se as empresas estão efetivamente conseguindo executar suas obras de maneira correta e há vários estouros de orçamento. A crise deixou de ser pontual para se transformar num risco setorial”, acredita.

Essa deterioração de resultados acaba se refletindo numa piora na perspectiva do mercado em relação às empresas. “É difícil dizer se a queda das ações é exagerada. A piora reflete um momento vendedor grande”, afirma Rodrigues.

O analista de construção da BES Securities, Eduardo Silveira, diz que os estouros de orçamento vistos entre janeiro e março fizeram com que os especialistas refizessem suas projeções e o setor passasse por um rebaixamento geral. “Depois dos balanços do primeiro trimestre, ficou claro que muitos números foram superestimados pelas empresas”, afirma Silveira. “Um pouco dessa situação é culpa da expansão iniciada em 2007, quando companhias foram para segmentos que não conheciam.”

Todos esses problemas são potencializados, lembra ele, pela pressão grande de venda que vem acontecendo na própria Bovespa, em função do mau momento internacional. Apenas em maio, o Ibovespa perdeu 11,9%, com saída relevante de capital externo. Em maio, o saldo estrangeiro foi negativo em R$ 2,338 bilhões. “O investidor estrangeiro tem fatias elevadas do segmento de construção. Além disso, o beta [medida de correlação com o índice] das empresas do setor é alto, o que faz com que elas oscilem mais.”

Silveira lembra ainda que Rossi e Brookfield saíram do índice MSCI Brazil na carteira que começou a valer em 1º de junho. Essa retirada provocou vendas mais fortes das ações na semana que antecedeu a entrada em vigor do novo portfólio.

Além dos aumentos de custos, as empresas de construção civil tiveram que lidar com outra situação desfavorável: uma demanda menor. “A procura, apesar de não estar fraca, desacelerou”, diz Hood, da SLW. “No boom de vendas, prédios eram comercializados em no máximo dois dias. Agora, as empresas demoram de dois a três meses para completar as vendas”, acrescenta o analista.

O crescimento menor do PIB [Produto Interno Bruto] brasileiro também afeta negativamente o setor. “O PIB desacelerou de 7,5% em 2010 para 2,7% no ano passado. Se a economia cresce menos, o setor vai junto”, afirma Hood.

Se os preços das construtoras caíram tanto em bolsa, será que já está barato, então? Os especialistas, em geral, ainda não se arriscam a dizer que o pior já passou. “Não dá para afirmar que as cotações atuais são o piso. Se as empresas tiverem que fazer novos ajustes de custos, as ações devem cair ainda mais”, diz Silveira, da BES. Outro fator que pode piorar a situação é o cenário global. “Se a Europa piorar, haverá uma contaminação geral”, afirma Rodrigues, do HSBC.

Mas, apesar dos riscos, os especialistas acreditam em melhoras. “A tendência é de crescimento da relação entre crédito imobiliário e PIB no Brasil, que ainda é de 4%, ante quase 50% nos Estados Unidos”, diz Hood, da SLW.

Se depender apenas de seus próprios resultados, o setor deve começar a mostrar números mais atraentes durante o segundo semestre ou no fim do ano. “A recuperação não é de curto prazo. As empresas precisam melhorar a margem bruta e mostrar uma geração de caixa sequencial e não esporádica para que os investidores voltem a comprar as ações”, afirma o analista da SLW.

As empresas têm tentado sinalizar que haverá melhora gradativa nas margens na medida em que projetos lançados em 2007 e 2008 forem entregues. As que identificaram estouro de orçamento têm apontado que vêm tomando medidas para controlar melhor os custos e reduzindo a parcela de gestão de obras terceirizadas. Porém, os maus momentos vividos parecem ter deixado muitos analistas e investidores cautelosos.

Em análise recente em seu blog “O Estrategista”, no site do Valor, o analista André Rocha observou que existe uma expectativa positiva de geração de caixa para 2012 por conta da finalização das obras iniciadas entre 2007 e 2008. Ele lembra, no entanto, que, se ocorrerem atrasos na entrega das chaves, essas perspectivas podem não se materializarem. Para Rocha, as incertezas acabam tornando o setor uma opção bastante arriscada para o investidor em bolsa.

Para Silveira, da BES, este segundo trimestre ainda virá ruim, mas o próximo semestre tende a mostrar melhoras. “Tudo vai depender da execução dos projetos, mas a tendência é melhorar, pois, na medida em que entregam os projetos represados, as empresas vão limpando seus balanços”, diz. Ele está revisando as recomendações para os papéis.

Rodrigues, do HSBC, afirma que tem recomendação “underweight” (abaixo da média do mercado) para o segmento desde 2011, quando já tinha preocupações em relação a itens como inflação de mão de obra e espaço menor para ajuste de custos. A PDG era uma das preferidas, mas as margens recentes da empresa decepcionaram o analista.

A Cyrela, segundo ele, tem um dos melhores desempenhos em bolsa porque sofreu com problemas semelhantes antes das demais. “A empresa teve estouro de custos no começo de 2011, e a impressão geral é de que o pior já passou.” As ações da empresa, juntamente com as da MRV, têm a melhor performance em relação ao histórico até o momento. A mínima da Cyrela neste ano foi atingida em 22 de maio, a R$ 13,65. Bem longe do piso histórico pós-oferta de listagem no Novo Mercado, de R$ 5,38, em 2008.

Hood, da SLW, lembra que MRV atua na baixa renda, segmento no qual está a demanda futura no Brasil e para o qual o governo vem sempre acenando com incentivos. A mínima de 2012 é de R$ 8,31 (em 1º de junho), ante piso histórico de R$ 1,96. “A empresa tem experiência no setor e, mesmo atuando na baixa renda, ainda consegue margens boas”, afirma.