Posts Tagged ‘ações’

JP Morgan corta recomendação para as ações de Gafisa, PDG e MRV

quinta-feira, maio 31st, 2012

Info Money
Lara Rizério

SÃO PAULO - Acreditando que ainda é cedo demais para ser otimista com o setor de construção civil, o JP Morgan rebaixou as recomendações de três imobiliárias brasileiras: Gafisa (GFSA3), PDG (PDGR3) e MRV (MRVE3). A instituição ressalta ainda a preferência por ativos do segmento de shopping em relação ao imobiliário.

Os analistas Adrian Huerta e Marcelo Motta reclassificaram os papéis MRVE3 e PDGR3 de overweight (desempenho acima da média do mercado) para neutro, enquanto rebaixou os papéis GFSA3 de neutro para underweight (desempenho abaixo da média do mercado). Para os analistas, as companhias precisam mostrar que têm capacidade para gerir o seu modelo de negócios e que podem gerar caixa. Caso elas não consigam, o JP revela que pode reduzir novamente os ativos.

Segundo os analistas, as companhias do setor de construção civil não foram capazes de gerar caixa nos últimos anos apesar do crescimento na receita bruta. Entretanto, em um ambiente mais positivo para o mercado brasileiro, as construtoras devem ter uma boa performance.

Caso um cenário de aceleração nas vendas se concretize nos próximos trimestres, as consequências serão uma alta maior do que a esperada nas receitas e nos lucros, levando a uma maior geração de caixa. “Entretanto, nós ainda vemos que há pouca visibilidade na habilidade das companhias em converter ganhos na geração de caixa já que as companhias terão que investir mais nos próximos anos.

Resultados ruins e baixa geração de caixa
Os analistas apontam o corte de recomendação da MRV devido aos fracos resultados observados recentemente, com a companhia apresentando pela primeira vez dois trimestres seguidos com margens abaixo das expectativas. Entretanto, Huerta e Motta mantêm a companhia como uma das preferidas do setor.

Já a PDG tem pouca visibilidade de ganhos, apontam os analistas, devido aos resultados fracos, além de surpresas negativas nos últimos trimestres. “Além disso, a PDG é a companhia com o maior risco de baixa nas estimativas, com a revisão dos ganhos para R$ 481 milhões, 46% abaixo da estimativa consensual dos analistas”, apontam Huerta e Motta.

O corte de recomendação das ações da Gafisa, por sua vez, foi motivado pelo pagamento dos 20% de participação da Alphaville, esperado para os próximos meses, mantendo-se como um dos principais motivos para a desvalorização dos ativos da companhia. Os analistas avaliam que, mesmo com a maior participação dos acionistas minoritários, o corte foi motivado pelos piores resultados e pela queda nas margens.

Alta em empréstimo de ações de construtoras indica mais quedas

segunda-feira, maio 28th, 2012

Construtoras podem festar adadas a continuar caindo na bolsa depois que o preço dos imóveis aumentou mais de duas vezes comparado com a renda

Fabiola Moura e Denyse Godoy, da Bloomberg

A PDG Realty, maior construtora do país em vendas, caiu 52% nos últimos três meses

São Paulo - Operadores estão apostando que as construtoras, grupo de pior desempenho do Ibovespa nos últimos três meses, estão fadadas a continuar caindo depois que o preço dos imóveis aumentou mais de duas vezes mais do que a renda.

A proporção de ações emprestadas de construção civil, uma indicação de vendas a descoberto, é a maior entre todos os setores, segundo dados da Bloomberg. Mais de dez por cento das ações em circulação de MRV Engenharia e Participações SA, Brookfield Incorporações SA, Rossi Residencial SA e PDG Realty SA Empreendimentos e Participações estão emprestadas.

“Não há bem que sempre dure”, disse Gary Garrabrant, fundador e presidente da Equity International, em entrevista por telefone. “Em sete anos, o que conseguimos foi quase a criação e destruição do setor.”

A PDG Realty, maior construtora do país em vendas, caiu 52 por cento nos últimos três meses, enquanto a Gafisa, quarta maior, despencou 46 por cento, a Rossi recuou 45 por cento e a Brookfield, 39 por cento. O Ibovespa apresentou queda de 17 por cento.

O declínio nas ações da MRV está relacionado à aversão dos investidores aos riscos da crise na Europa e não reflete os fundamentos da empresa, disse Leonardo Correa, diretor financeiro, em entrevista por telefone de Belo Horizonte.

As condições de crédito do Brasil são favoráveis, o emprego está estável e as vendas estão em um “bom nível”, disse o diretor financeiro da Brookfield, Cristiano Machado, em entrevista por telefone de São Paulo.

A assessoria de imprensa da PDG não quis comentar e a da Rossi não respondeu aos pedidos de entrevista da Bloomberg.

Por que a Cyrela sobe e a MRV despenca após os números do início de 2012

quarta-feira, maio 16th, 2012

As empresas de construção civil são mais uma vez destaque de queda no pregão

Lilian Sobral, de Exame.com

São Paulo – Em outro dia de pregão tenso, a ponta de queda do Ibovespa volta a ter empresas imobiliárias e de construção civil como destaque. O índice IMOB, que acompanha as principais companhias do setor, cai 1,13% e tem a maior queda do dia. As ações têm sofrido com uma temporada com balanços que têm decepcionado os investidores e analistas.

A Rossi Residencial (RSID3), que divulgou queda de 43,8% no lucro hoje, perde quase 4%. PDG, Brookfield, Tecnisa e Gafisa também caem. Mas o destaque principal fica para a MRV. Os papéis despencam e ocupam o incômodo lugar de pior desempenho da bolsa. Na mínima do dia, a desvalorização chegou a ficar acima de 14,6%.

MRV

Em relatório, o analista Flávio Ramalho Conde, do Banif, destacou que o resultado da MRV (MRVE) foi afetado por pontos como custos adicionais referentes a mais contrapartidas dadas para prefeituras e gastos com empreendimentos em fase mais avançada de construção. O lucro líquido recuou 23,9%, para 116 milhões de reais.

“O primeiro trimestre de 2012 foi um período de muitos desafios e resultados financeiros inferiores ao padrão e expectativas de nossa companhia”, admitiu a própria empresa nos comentários sobre o balanço. Os números também sofreram com a estratégia de manter seu cronograma e revisão nas premissas para o orçamento.

Além disso, as provisões para manutenção de imóveis subiram 12% em relação ao trimestre encerrado em dezembro, para 163 milhões de reais. “Acreditamos que os resultados operacionais (lançamentos e vendas contratadas) já irão crescer bem no segundo trimestre, em virtude do Feirão da Caixa, sendo que o econômico-financeiro deve melhorar somente a partir do terceiro trimestre”, afirmou o analista.

Apesar da perspectiva de melhora, como os resultados atuais vieram muito abaixo do previsto, ele reforçou a recomendação neutra para os papéis, mas com chances de forte alta. O preço-alvo é de 18,10 reais, o que sugere um potencial de valorização de 63% sobre o fechamento de segunda-feira.

Cyrela respira

Entre tantas quedas, uma das empresas ‘sobreviventes’ do setor no pregão de hoje é a Cyrela (CYRE3), que já chegou a subir 4,53% na máxima do dia.

Embora não tenha surpreendido analistas, os números do primeiro trimestre da companhia agradaram o mercado. A empresa informou na noite de segunda-feira um lucro líquido de 118 milhões de reais, quase 60% maior que o mesmo valor do ano anterior.

Atrás apenas da Marfrig, a empresa se destacava entre as principais altas do Ibovespa nesta terça-feira.

Um dos destaques positivos do balanço, segundo analistas do HSBC, foi o consumo de caixa da companhia, que diminuiu 96% no trimestre e ficou abaixo das expectativas, contrário do que aconteceu com outras empresas do setor.

Em relatório enviado para clientes, os analistas Felipe Rodrigues e Leonardo Martins mantém a classificação neutra para os papéis, com preço-alvo estimado em 20 reais.

Gafisa ainda não sabe como vai quitar dívida com AlphaVille

sexta-feira, maio 11th, 2012

Aquisição de 100% da companhia deve ser concluída neste ano; valor da última parcela, no entanto, ainda é discutido entre as duas empresas

Daniela Barbosa, de Exame.com

São Paulo - O plano da Gafisa de ser a única dona da AlphaVille Urbanismo está próximo de ser concluído. A incorporadora só não definiu ainda como será feito o pagamento pela compra dos 20% restantes da companhia.

De acordo com Duílio Calciolari, diretor-presidente da Gafisa, o valor da última parcela da compra está em processo de avaliação e deve ser finalizado no final do mês e só então, divulgado ao mercado.

“Temos duas alternativas: uma seria usar dinheiro de caixa, outra pagar com ações da companhia. Obviamente, as duas, neste momento, não são adequadas. Por isso, podemos optar por um mix das duas, ou até mesmo buscar uma terceira opção. Essa decisão vai sair ao longo do mês de junho”, afirmou o executivo, em teleconferência com analistas, nesta quarta-feira.

Em 2006, a Gafisa comprou 60% da AlphaVille e se comprometeu a adquirir os 40% restantes em duas parcelas, sendo um concluída em 2010 e os 20% restantes adiados para este ano.

A compra da fatia inicial foi fechada por 383 milhões reais, sendo 20 milhões de reais pagos em dinheiro e o restante em ações da própria Gafisa. A segunda parcela, de 20%, na ocasião foi avaliada em 126,4 milhões de reais.

O braço voltado para segmento premium da incorporadora já tem maior participação no mix de produtos, com 54% do total de lançamentos. No primeiro trimestre, o total de lançamentos do grupo somou 464 milhões de reais.

Resultados do trimestre

A Tenda, braço voltado para a baixa renda da Gafisa, mais um vez impactou negativamente os resultados da companhia no primeiro trimestre. No período, a companhia registrou prejuízo líquido de 31,5 milhões de reais, montante 27,2% menor na comparação com as perdas da companhia registradas um ano antes.

Já a receita líquida da companhia no primeiro trimestre deste ano cresceu 27%, totalizando 927,8 milhões de reais.

Ação da Gafisa cai 3,80% após Sam Zell adquirir fatia do Grupo Thá

quinta-feira, março 29th, 2012

Infomoney

SÃO PAULO - Destoando do restante do setor, as ações da Gafisa (GFSA3) apresentaram forte queda no pregão dessa quarta-feira (28). Os papéis recuaram 3,80%, cotados a R$ 4,56. Mais cedo, esses ativos chegaram a ter queda ainda mais acentuada, de 4,22%, quando atingiram a cotação mínima do intraday, de R$ 4,54.

Já o Ibovespa caiu 1,45%, aos 65.079 pontos, enquanto o IMOB - índice da bolsa que acompanha as ações do setor imobiliário - mostrou um recuo ainda mais ameno, de 0,47%, indo a 886 pontos. Outras ações do setor apresentaram um desempenho muito melhor neste pregão, como é o caso da PDG (PDGR3, R$ 6,51, +2,52%), MRV (MRVE3, R$ 13,35, +1,14%), e Rossi (RSID3, R$ 10,33, +0,68%). O volume financeiro movimentado pelos papéis GFSA3 também foi bastante expressivo, totalizando R$ 60,18 milhões, bem acima da média dos últimos 21 pregões, de R$ 48,73 milhões.

Sam Zell desistiu da Gafisa?
Essa forte queda acompanha o anúncio do investimento da gestora Equity International, do bilionário norte-americano Sam Zell no Grupo Thá. A construtora e incorporadora sediada em Curitiba e com atuação no Paraná e em Santa Catarina. A gestora não informou qual foi a fatia de participação na companhia, apenas que foi bastante significativa.

De acordo com Eduardo Machado, analista da Amaril Franklin, a notícia da aquisição de parte do Grupo Thá está sendo interpretada como negativa para a Gafisa, já que ela se encontra em uma situação complicada e não seria considerada mais tão atrativa para o bilionário. Vale lembrar que em outubro de 2010, a Equity Internacional vendeu a sua participação na Gafisa e na BR Malls (BRML3), mas voltou a oferecer uma proposta de compra para a construtora em fevereiro de 2012.

Cenário difícil da empresa
A companhia vem passando por um momento difícil desde que comprou a Tenda, construtora voltada para os segmentos de baixa renda, avalia o analista. Desde a aquisição, realizada em 2008, a companhia vem passando por diversos problemas, como o cancelamento de obras e perda da credibilidade dos consumidores. Recentemente, fornecedores da construtora foram chamados para renegociar as dívidas, o que indica a situação complicada em que vive a companhia atualmente.

Com uma possível aquisição da Gafisa pela gestora de Sam Zell, afirma Machado, a companhia teria mais condições para se reestruturar. Entretanto, essa nova aquisição indica que o executivo está realizando novas aquisições, deixando em segundo plano a compra da construtora.

TRÂNSITO

Por conta do início das obras, a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) vai interditar uma faixa da avenida Roberto Marinho, no sentido marginal, a partir das 17h de domingo (1º).

A faixa a ser fechada fica junto ao canteiro central, entre as ruas Constantino de Souza e Princesa Isabel. A interdição deve durar dois anos.

Os veículos serão desviados à direita para as outras quatro faixas da avenida.

Camargo Corrêa vai fechar o capital da CCDI, seu braço imobiliário

segunda-feira, março 19th, 2012

Por Chiara Quintão e Ana Paula Ragazzi | De São Paulo
Autor(es): alor Econômico - 19/03/2012

O grupo Camargo Corrêa quer fechar o capital da CCDI, seu braço de desenvolvimento imobiliário listado na bolsa, pagando aos acionistas minoritários um preço inferior ao valor patrimonial da companhia. Após o fechamento do pregão na sexta-feira, o controlador anunciou uma oferta pública de aquisição (OPA) para comprar 33,9% das ações da CCDI que estão no mercado a R$ 4,70 cada uma. Esse valor equivale 91% do valor patrimonial por ação da empresa, que é de R$ 5,18.

A CCDI chegou à bolsa em janeiro de 2007, avaliada em R$ 1,16 bilhão. Seus resultados têm decepcionado os investidores. A empresa está avaliada atualmente na bolsa em R$ 478,9 milhões, quase 59% menos do que na estreia e abaixo do patrimônio líquido, de R$ 584,7 milhões. O valor patrimonial (ativos menos dívidas), ou contábil, costuma ficar abaixo do valor de mercado, que inclui a expectativa de ganhos futuros da companhia.

No pregão de sexta-feira, antes do anúncio, as ações da CCDI tiveram um giro atípico, de R$ 1,443 milhão, ou três vezes mais do que a média diária deste ano. Os papéis subiram 5,74% para R$ 4,24. Em relação ao fechamento de sexta-feira, o prêmio ofertado pelo controlador é de 10,85%.

No comunicado, a Camargo Correa informou que se a OPA não tiver adesão suficiente para o cancelamento de registro de companhia aberta da CCDI, esta deverá sair do Novo Mercado. Repete, neste ponto, a mensagem do ItaúUnibanco para fechar o capital da Redecard. O banco lançou a oferta quando a ação da operadora de cartões estava na máxima histórica e acrescentou prêmio de 10%. O banco está sendo questionado por alguns investidores pelo discurso de que poderá esvaziar o negócio da Redecard se o fechamento não for aprovado. O caso da CCDI também poderá dar margem a questionamentos dos minoritários.

Ao valor proposto, a operação custará à controladora perto de R$ 180 milhões. Ano passado, a empresa teve prejuízo líquido de R$ 192,8 milhões, ante lucro líquido de R$ 93,8 milhões em 2010. O Ebitda ficou negativo em R$ 121 milhões em 2011. A empresa fez atualizações de orçamento, com impacto de R$ 171,8 milhões no resultado. Informou que os desvios de orçamento ocorreram no segmento tradicional, ou seja, fora da produção para a baixa renda ou das grandes lajes corporativas. Outra revisão havia ocorrido no segundo trimestre de 2011.

Para um executivo do setor, a operação de fechamento de capital da CCDI não deve ser seguida por outras empresas. “A CCDI é muito pequena, com ativo muito barato em bolsa e controlada por um grupo bem rico”, diz. Outro executivo diz que a operação não era esperada, mas faz sentido. “Os resultados da CCDI não são os melhores, a empresa não estava indo a lugar nenhum. Existe o custo de ter uma empresa aberta e, para o acionista controlador da CCDI, não há nenhum benefício.”

Em assembleia geral, a ser convocada, os acionistas da CCDI vão votar sobre a contratação da empresa que vai elaborar o laudo de avaliação para definir o valor econômico das ações, a partir de lista tríplice apresentada pelo conselho de administração. Caso o preço definido pelo laudo de avaliação seja maior que o máximo de R$ 4,70, a Camargo Corrêa pode optar por não fazer a OPA. Se o valor definido for menor, a opção será por esse preço e não pelos R$ 4,70.

Por que PDG se tornou a queridinha do setor, mesmo com seus tropeços

segunda-feira, março 5th, 2012

Para os analistas, há alguns motivos para que a empresa tenha uma imagem melhor que as demais

Tatiana Vaz, de Exame.com

PDG: uma das poucas que divulgou guidance para 2012 e bateu as metas de 2011

São Paulo – Atrasos de entrega, custos mais altos, desconfiança dos investidores… foram vários os motivos que fizeram com que a grande maioria das incorporadoras não atingisse as metas estabelecidas para 2011. Entre as poucas que cumpriram o prometido, a PDG se destacou como sendo a queridinha dos analistas do setor – mesmo tendo cometido os mesmos tropeços de gestão e atrasos de entrega que as demais.

Para os analistas, há alguns motivos para que a empresa tenha uma imagem melhor que as demais. Veja, a seguir, alguns deles – e as advertências dos especialistas para que a PDG não repita os erros de suas rivais:

Metas atingidas e retraçadas

Com tantos imprevistos em 2011, bater o guidance (conjunto de metas elaborado pela empresa e divulgado ao mercado) ficou difícil para as incorporadoras. Muitas, como Gafisa, Cyrella e Trisul, tiveram de revisar seus números para baixo no meio do ano.

No caso da PDG, o guidande foi atingido - por pouco, mas foi. A construtora previa que os lançamentos ficassem entre 9 e 10 bilhões de reais no ano passado e, até dezembro de 2011, lançou 9,008 bilhões de reais em imóveis no ano passado – apenas 8 milhões acima do piso da estimativa. Ainda que tenha atingido a meta por um triz, o resultado é 28,6% maior que os 7,005 bilhões de reais lançados em 2010.

“Pode ter sido por um triz, mas a companhia foi uma das poucas a bater o prometido e com isso mostrar que estava preparada para assumir cenários pouco confortáveis”, diz a Planner Corretora.

Neste ano, PDG e Ezetec foram as duas únicas de capital aberto a divulgarem metas de vendas também para este ano. O receio das demais é de não poder cumprir o prometido ao longo do ano. “Divulgar guidance para 2012 mostra que a PDG está confiante em atingir os resultados estipulados, mesmo que as concorrentes não queiram assumir esse compromisso”, diz a corretora.

Banco de terrenos

Uma das vantagens da PDG em relação à concorrência, aponta a Planner, é a quantidade de terrenos disponíveis em seu estoque. “Hoje, vendidos a preços altos, os terrenos tem um peso mais significativo no custo do projeto”, diz o corretor. “Leva vantagem quem tem em seu estoque terrenos comprados a preços baixos no passado”.

A PDG seria um desses casos. A companhia teria uma política de manter um banco de terrenos equivalente aos projetos de três a quatro anos e, assim, não precisar negociar terrenos a preços altos para repor o estoque vendido.

“Ela absorveu um bom banco de terrenos das empresas que comprou, com a vantagem deles estarem espalhados pelo país e terem presença forte em São Paulo”, afirma a Planner.

Foco na rentabilidade

De alguns anos para cá, muitas construtoras decidiram entrar no então promissor mercado de imóveis de baixa renda e acabaram não sabendo muito bem conciliar os volumes vendidos com a rentabilidade exigida pelo negócio. “Muitas viram que não era rentável trabalhar com uma escala tão grande de produção para ter uma margem pequena e uma exposição maior a risco”, lembra o analista.

A PDG também esteve entre essas empresas. Mas, atualmente, tem aumentado o ticket médio dos imóveis vendidos, o que mostra uma preocupação maior da empresa com a margem da operação, de acordo com analistas do setor.
“A PDG já vinha fazendo isso desde o ano passado e a previsão é que continue ao longo do ano”, diz a Planner. “Significa que imóveis abaixo de 120.000 reais não estarão foco da companhia para este ano.”

No acumulado do ano, os imóveis para alta renda da construtora representaram 39% dos lançamentos, à frente dos econômicos (31%), média-alta (13%), comercial (7%), alta renda (6%) e loteamento (3%).

Já em relação às vendas, a PDG somou 7,481 bilhões de reais no ano – uma cifra 14,7% maior que a de 2010. Nesse quesito, a classe econômica respondeu por 36% das vendas contratadas, seguida pela média (35%), média-alta (12%), comercial (8%), alta renda (7%) e loteamentos (2%).
“Acreditamos que por eles terem administradores com cabeça de banco (o BTG tem participação na companhia), também conseguiram evitar estouros de obras tão grandes quanto o dos concorrentes”, diz o corretor. “Tanto que eles, assim como as demais, também tiveram obras atrasadas”.

Entregas em dia

O cuidado de deixar as contas bem redondas na hora de projetar a execução dos imóveis vendidos deverá ser redobrado este ano. Para a Planner, os custos este ano devem subir um pouco mais e os preços dos imóveis deverão ficar estáveis, o que exigirá um maior controle de custos por parte das construtoras.

“Elas terão menos espaço para elevar o preço de seus imóveis no mercado, já que todos chegaram ao limite do patamar de preços, e o desaquecimento da demanda exigirá um esforço maior de vendas”, diz a corretora Planner. “Quem conseguir manter a margem estável estará bem e acreditamos que a PDG será uma delas”, afirma.

No ano passado, em que as construtoras tiveram de consumir muito caixa para manter o ritmo de obras, muitas acabaram não cumprindo o prazo de entrega. De agosto de 2011 a agosto do ano anterior, as queixas contra as construtoras no Procon de 24 estados brasileiros dobraram, com reclamações que iam de cobranças indevidas a mau atendimento de corretores.
Uma pesquisa nacional feita pelo Instituto Ibero-Brasileiro de Relacionamento com Cliente, IBRC, no ano passado, mostrava ainda que 37% dos brasileiros que compraram apartamentos nos últimos três anos tiveram problemas com atraso de entrega. Dos que receberam seus bens, 56% tiveram problemas com reparos e 63% com baixa qualidade de apartamentos.

“Atraso de obra e ajustes em imóveis entregues é prejuízo na certa, já que a empresa será punida e isso terá reflexo em sua margem”, afirma a corretora.

Gafisa recua mostrando que Calciolari não acalmou mercado

terça-feira, dezembro 20th, 2011

Bloomberg

A queda “exagerada” pode ser resultado de receios dos investidores em relação aos custos de financiamento maiores que o esperado

São Paulo - A Gafisa SA, quarta maior construtora do País em receita, recuava pelo segundo dia consecutiva após o presidente, Alceu Duilio Calciolari, não conseguir acalmar o receio de que a companhia enfrenta problemas de financiamento diante da queda de lucro.

A ação chegou a cair 7,5 por cento hoje, e recuava 1,8 por cento para R$ 4,35 às 12:50, menor cotação desde março de 2009. Ontem, o papel despencou 13 por cento, a maior queda em três anos.

A queda “exagerada” pode ser resultado de receios dos investidores em relação aos custos de financiamento maiores que o esperado em uma venda de notas promissórias, disse Calciolari ontem em entrevista por telefone. A Gafisa vai emitir R$ 230 milhões dos papéis em duas séries com prazo de 360 dias, a primeira a 126 por cento da taxa média diária de juros dos Depósitos Interfinanceiros e a segunda, a 125 por cento, de acordo com um comunicado enviado ao mercado em 5 de dezembro.

Só quem está “pedindo socorro” concordaria com essa taxa “salgadíssima”, disse hoje Pedro Galdi, estrategista-chefe da SLW Corretora, em entrevista por telefone. “Onde a Gafisa vai aplicar esse dinheiro para ter um retorno acima dessa taxa?”

Liderando as quedas

A Gafisa acumula uma perda de 65 por cento no ano, a maior entre os 20 membros do índice BM&FBovespa Real Estate, que caiu 28 por cento no mesmo período. O lucro da companhia recuou 60 por cento no terceiro trimestre na comparação anual com a elevação dos custos da Construtora Tenda SA.

Os receios em torno da capacidade da Gafisa de conduzir um plano para reduzir o negócio de baixa renda na Tenda e focar mais na unidade de alta renda Alphaville Urbanismo SA podem também estar influenciando as quedas, disse o executivo.

“Apesar de comentários do presidente, acreditamos que a Gafisa ainda enfrenta problemas internos em meio a um cenário de desaceleração do crescimento”, disse o Banco BTG Pactual SA em nota enviada a clientes por e-mail.

O Produto Interno Bruto do País deve crescer 2,9 por cento neste ano, segundo a pesquisa Focus do Banco Central publicada ontem.

Apesar de a Gafisa dizer no comunicado, divulgado ontem após a entrevista com Calciolari, que os recursos obtidos com a venda das notas promissórias serão usados como capital de giro, para “usos gerais”, o executivo disse que pretende usá-los como empréstimo-ponte de um plano “estratégico”, que terá andamento nos próximos quatro meses. A companhia não está usando a venda para melhorar seu fluxo de caixa ou refinanciar dívida, já que possui R$ 800 milhões em caixa, disse Calciolari.

“Toda a história triste da Tenda é uma história super feliz na Alphaville”, disse Rodrigo Osmo, presidente da Tenda e ex-diretor financeiro da Gafisa, em entrevista por telefone em 15 de dezembro. “A perspectiva pra frente é de geração de caixa.”

Dá para apostar nas ações de construtoras, diz Credit Suisse

quarta-feira, novembro 30th, 2011

Exame.com
Thiago Bronzatto

Apesar de o setor de construção civil ser um dos mais afetados da bolsa, os analistas do Credit Suisse afirmam que algumas ações são bons investimentos para um horizonte de 12 meses. Em relatório enviado a clientes, o banco destacou seus papéis preferidos:

PDG: segundo os analistas do CS, a maior incorporada do Brasil tem uma gestão qualificada, vem apresentando um bom volume de vendas e deve manter uma forte geração de caixa no próximo ano. Após a divulgação dos resultados do terceiro trimestre, que mostram um crescimento tímido de 2% no lucro líquido, o banco adotou uma expectativa conservadora e revisou o preço-alvo das ações da companhia de 11,5 reais para 10 reais até o fim de 2012 – mas isso ainda indica uma valorização de 55% em relação ao preço atual.

MRV: a empresa, segundo o banco, se destaca de seus concorrentes porque tem uma gestão qualificada e focada em baixo custos. A companhia, que é beneficiada pela construção de casas populares do programa popular Minha Casa Minha Vida, também vem apresentando uma forte geração de caixa e conta com uma história sólida de crescimento no setor nos últimos anos. A expectativa dos analistas é que o papel valorize 35%, para 15,5 reais.

Even: de acordo com o relatório, a companhia está bem posicionada para o último trimestre do ano – falta cumprir apenas 30% da meta de lançamentos anunciada para 2011. “A empresa melhorou de forma significativa os seus estoques no terceiro trimestre, reduzindo os riscos de descontos para acelerar as vendas”, escrevem os analistas. O preço da ação em relação ao lucro da empresa (P/L) estimado para 2012 é de 5,3 vezes, um desconto de 15% em relação à média do setor. O preço-alvo é de 10 reais para o fim do próximo ano. Atualmente, a ação da Even é negociada a 6 reais.

Tecnisa: a expectativa dos analistas do Credit Suisse é que a primeira fase do projeto de construção de um megaconglomerado de 30 edifícios com 3 500 apartamentos de 180 metros quadrados, num terreno que pertencia à Telefônica, em São Paulo, seja lançado no primeiro semestre de 2012. O porte do loteamento e da incorporação deverá ter um impacto positivo nas receitas da companhia. O banco espera que a ação da Tecnisa termine o ano que vem valendo 17,50, ou seja, 61% de valorização em relação ao preço atual.

BR Brokers: os analistas do CS dizem que investir nas ações da imobiliária é uma maneira de apostar nesse mercado o sem correr os riscos inerentes às construtoras, como a alta da inflação que pressiona o custo das obras. O banco afirma que a companhia apresenta uma ótima perspectiva operacional, tem margens elevadas e possui potencial de crescimento nos próximos meses, graças ao setor de corretagem que continua aquecido no país. A expectativa de alta das ações para o fim de 2012 é de 67%.

Em 2011, o Índice de Desenvolvimento Imobiliário caiu 25%, enquanto o Ibovespa teve queda de 19%. Nenhuma companhia escapou ilesa – a ação da Gafisa foi a mais castigada, com desvalorização de 55%, enquanto o papel da Even, o menos afetado, caiu 25%

Setor imobiliário: resultados apontam para uso de caixa melhor, mas ações recuam

quinta-feira, novembro 17th, 2011
Infomoney
Por: Tatiane Monteiro Bortolozi

SÃO PAULO - Entre os meses de julho e setembro, os resultados trimestrais das maiores empresas do setor imobiliário listadas na bolsa brasileira mostraram algumas similaridades. Boa parte delas reduziu o cash burn (uso do caixa pela companhia) e diminuiu a exposição ao segmento econômico, que concentra a presença da classe C, para voltar aos antigos nichos de atuação, que concentram um valor médio superior. 

Perto do final de 2011, a relação entre o guidance projetado e os volumes entregues também ganhou importância na avaliação de analistas. Enquanto a PDG Realty (PDGR3) divulgou suas estimativas para 2012, bem recebidas pelo mercado apesar do desempenho negativo da ação, a Gafisa (GFSA3) cortou em 30% suas projeções para o término deste ano e viu o papel despencar 8,5%.

Despesas financeiras mais altas, com salários crescentes e alta nos custos de terrenos, foram outro ponto de encontro e de pressão nos balanços do setor. Ao mesmo tempo, boa parte das valuations foi reafirmada, deixando com que espaços para ganhos de até 50% para algumas ações ao final do ano fossem considerados pouco atrativos, como foi o caso da MRV Engenharia (MRVE3) e da Gafisa.  

As últimas duas semanas, quando aconteceram as principais divulgações de resultados do setor, ainda trouxeram um desencontro entre projeções de analistas e o desempenho das ações. A reação positiva esperada pela Itaú Corretora após o balanço da PDG Realty, culminou em uma desvalorização de 2,52% do papel no dia seguinte. Por sua vez, o resultado da Rossi (RSID3), que não seria um driver positivo no curto prazo na opinião do Credit Suisse, levou o ativo à maior arrancada dentre as empresas do setor, com alta de 6,04% no pregão seguinte.

Após resultados majoritariamente negativos, as outras particularidades da temporada de resultados para as imobiliárias o Portal InfoMoney elenca abaixo. Confira!

PDG Realty: novo guidance não animou

Rossi: compromisso com corte de despesas traz otimismo

Gafisa: números ruins, redução do guidance e maior queda da temporada

Cyrela: tentando voltar aos trilhos

Brookfield: lucro líquido e margens ruins puxam queda de 3,65%

MRV: com baixa renda menos atrativa, papel cai 3,55%

Confira o desempenho das companhias após o resultado:

Empresa Código Data de divulgação Desempenho no pregão seguinte Avaliação dos analistas
Gafisa GFSA3 15 de novembro -8,50% abaixo do esperado
PDG Realty PDGR3 11 de novembro -2,52% acima do esperado
Rossi RSID3 10 de novembro +6,04% abaixo do esperado
MRV MRVE3 14 de novembro -3,55% dentro do esperado
Brookfield BISA3 11 de novembro -3,65% abaixo do esperado
Cyrela CYRE3 9 de novembro +0,42% dentro do esperado