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Arquitetura medida em séculos

sexta-feira, dezembro 7th, 2012

Sylvia Ficher
Correio Braziliense - 07/12/2012
Arquiteta, é professora da Universidade de Brasília

Niemeyer, eis um arquiteto cuja obra e influência se estendem de um século a outro. Em termos quantitativos, difícil encontrar outro com mais projetos executados em toda a história. Em termos de metros quadrados construídos, a sua obra é incomensurável. Em termos temporais, é ele quem — na companhia de poucos — determinou a arquitetura mundial nos últimos 70 anos.

A criatividade demonstrada desde o início da carreira, no Ministério da Educação (1936), seguiria em um crescendo, passando pela Pampulha, até as realizações para a Brasília dos primeiros anos. Do Palácio da Alvorada (1956) ao Instituto Central de Ciências da UnB (1962), Niemeyer está no auge da inventiva — para a sorte da jovem cidade.

Mesmo assim, apesar de todo o renome e do forte impacto de seu estilo formalista, Niemeyer tem sido injustiçado quando se trata de reconhecer a sua ascendência sobre outros profissionais mundo afora. No entanto, já nos anos 1940, o seu escritório havia se tornado local de peregrinação. Por lá passavam profissionais de destaque, como Norman Eaton, autor do Ministério de Transportes da África do Sul (1944), descrito como “o primeiro edifício público de orientação moderna na África do Sul e também o primeiro que foi diretamente influenciado pela nova arquitetura brasileira, devendo muito ao Ministério da Educação e Saúde no Rio de Janeiro”.

Em 1948 foi a vez de Helmut Stauch, que “…viajou ao Rio de Janeiro com a principal intenção de conhecer Oscar Niemeyer e ver o seu trabalho… Quando, pouco depois, foi encarregado do projeto da sede do Meat Board, em Pretória, a influência de Niemeyer ficou clara”.

O vienense Harry Seidler lá estagiou também em 1948, mudando-se em seguida para Sydney, onde iria se tornar um dos mais prestigiados profissionais da Austrália. Em suas palavras: “Primeiro, e antes de mais nada, deve vir o meu reconhecimento pela inspiração e orientação que recebi na minha juventude de meus mentores Walter Gropius, Marcel Breuer, Josef Albers e Oscar Niemeyer. Eles me deram a fundação sobre a qual desenvolvi meus trabalho ao longo dos anos”.

Dos Estados Unidos, veio Morris Lapidus. Conforme relatou: “Eu fui ao Brasil em 1949 e, claro, o homem que tinha que ver era Oscar Niemeyer, porque ele estava fazendo as coisas do jeito que eu pensava que deveriam ser feitas… E tenho certeza de que sua influência muito forte está lá no Fontainebleau”. Atenção, trata-se do célebre Hotel Fontainebleau de Miami, concebido três anos depois.

A digital de Niemeyer está impressa até em obras icônicas de Nova York, como o Edifício Lever (1951). Primeiro arranha-céu da cidade a ter uma fachada toda de vidro, “este esplêndido projeto dos arquitetos da Skidmore, Owens e Merrill… foi pioneiro na forma dos edifícios de escritórios comerciais… Um volume simples vertical, com aproximadamente a mesma forma do Ministério da Educação no Rio”.

Sempre em Nova York, veja-se o não menos icônico Lincoln Center (1959-78), de Wallace Harrison. Nada surpreendente a clara referência a Brasília, uma vez que Harrison conhecia a obra de longa data, tendo sido o responsável pela finalização do projeto das Nações Unidas (1947-53), em cuja concepção Niemeyer teve papel de relevo.

Para lembrar um arquiteto português, considere-se Pancho Guedes, que desenvolveu obra originalíssima em Moçambique. Sobre suas preferências: “…Apesar de admirar o compromisso de Le Corbusier com a pintura e as formas dos edifícios, ele não se sentia atraído pela estética da máquina do estilo internacional… Seu temperamento latino respondia mais às formas esculturais e expressivas mais livres dos arquitetos brasileiros como Alfonso Reidy e Oscar Niemeyer”.

Vale lembrar a releitura de soluções inequivocamente de Niemeyer pelo próprio mestre Le Corbusier. Assim como Niemeyer costumeiramente “niemeyerizava” Corbusier, este também “corbusierizou” Niemeyer. Essa via de mão dupla se estabelece já na Unidade de Habitação de Marselha (1945), alcançando a Maison de la Culture de Firminy (1956) e o Pavilhão da Philips na Exposição Internacional de Bruxelas (1958).

Arrolando nomes, chega-se até ao star system dos dias de hoje. Nele, Niemeyer não só preservou a liderança, como também tem seguidores de peso. Zaha Hadid, Frank Gerhy, Santiago Calatrava, Arata Isozaki, Coop Himmelblau, David Libeskind, todos compartilham do seu formalismo, têm todos um débito estético com ele. Bernini ditou o estilo da Roma barroca, deixando sua marca na cidade eterna. Niemeyer não apenas ditou o estilo de Brasília. Ele dita o tempo para o mundo.

Empresas apostam em imóveis customizados para atrair cliente

quarta-feira, outubro 31st, 2012

TERRA
Construtoras, incorporadoras e imobiliária oferecem serviços personalizados para atender as necessidades mais pontuais de cada cliente

Uma das grandes tendências do mercado imobiliário hoje é a customização. Cada vez mais, as empresas buscam oferecer produtos e serviços feitos sob medida para cada tipo de comprador.

Algumas empresas permitem que o cliente escolha para seu apartamento uma planta aberta, que pode ser moldada conforma à necessidade; outras abrem a possibilidade de o interessado optar pelo tipo de revestimento que será utilizado, antes da entrega das chaves; uma incorporadora oferece até prédios que se adaptam ao urbanismo do entorno; e uma corretora trabalha só com imóveis voltados para perfis específicos.

Veja as ideias de algumas empresas para satisfazer as necessidades de cada cliente.

Arquitetura aberta

O serviço de customização mais conhecido do mercado é oferecido pela incorporadora MaxCasa, que criou a linha MaxHaus. Esses empreendimentos se baseiam em um conceito chamado ArquiteturaAberta®, que permite ao proprietário personalizar a planta de seu apartamento, escolhendo a quantidade e a disposição dos cômodos.

“Ao contrário das plantas convencionais, o conceito de ArquiteturAberta permite que o produto se adapte às necessidades do morador e evite insatisfação com reformas e custos indesejados. O comprador recebe um espaço totalmente em branco, sem divisórias, proporcionando total flexibilidade para mudar o desenho da planta, expressando a decoração e arquitetura da época”, explica Luana Rizzi, diretora de marketing da MaxCasa.

A gerente de contas Patrícia de Fátima Carvalho, 47 anos, afirma que as várias opções de planta disponíveis permitiu que ela escolhesse um apartamento com o número de cômodos e com a configuração interna que desejava.

“O apartamento vem com poucos acabamentos, o que possibilita uma obra menor e mais barata na hora de instalar os revestimentos escolhidos por mim, e não previamente pela construtora”, explica Carvalho.

Materiais à la carte

A escolha dos materiais que serão utilizados em um apartamento é o grande diferencial oferecido pela construtora e incorporadora Gafisa. A empresa criou o serviço de Personal Line, que visa customizar o imóvel antes da entrega das chaves, evitando reformas posteriores.

Os projetos da Gafisa também apresentam diferentes opções de plantas, mas o mais interessante é que o cliente pode escolher os materiais que serão utilizados na obra, desde pisos e revestimentos das áreas frias até cubas, metais e bancadas, e outros itens que interferem na decoração e na praticidade dos ambientes.

“O cliente pode personalizar sua unidade ainda na etapa da obra, o que gera comodidade e praticidade. O consumidor é atendido por um arquiteto que o auxilia na definição da planta e dos acabamentos”, explica Katia Varalla, diretora de desenvolvimento de produto da Gafisa.

O processo de customização começa durante a construção do imóvel, dentro de limites e prazos que respeitam as normas de segurança para viabilização do empreendimento, e é acompanhado por uma equipe de arquitetos especializados. Assim, a unidade é entregue com todas as alterações e soluções instaladas, pronto para morar e do jeito que o cliente gostaria.

Integração com a comunidade

A incorporadora Idea!Zarvos leva tão a sério a ideia de imóvel customizado que o conceito não se restringe ao interior dos apartamentos.

Além de criar projetos que permitem reconfigurar com facilidade a área interna de cada unidade, os empreendimentos da empresa buscam se adaptar da melhor maneira possível ao seu entorno.

Por um lado, ¿a ideia é que as pessoas possam, ao longo dos anos, alterar a planta de acordo com a sua necessidade¿, explica o empresário Otávio Zarvos, fundador da incorporadora. Por outro, afirma Zarvos, antes que um projeto seja pensado é feita uma avaliação da região, para que o prédio se insira da forma mais natural possível nos aspectos urbanos do bairro.

“Os moradores das ruas em que atuamos gostam muito do resultado, pois integramos o prédio ao bairro, ou seja, criamos soluções que unem o projeto à comunidade local, por meio de medidas simples, como a criação de um jardim em frente do prédio aberto para todos da rua”, diz o empresário.

Boutique de imóveis

E não são só as incorporadoras que buscam atender as demandas específicas de cada cliente. Depois de trabalhar por anos no mercado imobiliário o empresário Marcelo Montoro identificou a necessidade de oferecer um serviço de corretagem mais exclusivo, voltado para compradores especiais. Foi assim que, há quatro anos, ele fundou a Marcelo Montoro ¿ Imóveis Diferenciados, corretora que ele considera uma “boutique de imóveis”.

“Ajudamos nossos cliente a encontrar o imóvel ideal sem cobrar nada a mais por isso. Temos no momento em nossa carteira apenas 100 unidades, que foram selecionadas pela nossa equipe”, explica o empresário.

Segundo Montoro, há duas condições para o imóvel entrar em sua carteira: a localização e algum ¿diferencial¿. Por um lado a casa ou apartamento precisa estar em bairros da Zona Oeste, como Pinheiros, Alto de Pinheiros, Vila Madalena, Jardim Paulista, Jardim América, Jardim Paulistano e Itaim Bibi e Higienópolis, no Centro. Por outro, tem que ter uma vista espetacular, ser vintage, ter um projeto assinado por um arquiteto renomado ou ser decorado por um profissional famoso.

“Um imóvel antigo e espaçoso, onde existe um potencial interessante, também pode fazer parte da nossa carteira. Além dos requisitos estruturais, ajudamos a achar a melhor localização. Claro que não dá para atender todos os requisitos, mas garanto que chegaremos perto”, promete Montoro.

Philippe Starck de mala e cuia no Brasil

terça-feira, outubro 30th, 2012

Escritório do designer francês está abrindo filial em São Paulo e busca incorporadores para executar projetos de luxo no país
Luciana Calaza Morar Bem - O Globo

Surrealismo no Barkli Park, primeiro projeto do yoo assinado por Philippe Starck na Rússia. Localizado no coração de Moscou, tem 130 apartamentos de luxo projetados com os temas clássico, cultura, minimalista e natureza Divulgação

RIO - Até o fim do ano, deverão ser abertas as portas da filial paulistana do yoo, escritório de design do francês Philippe Starck e do britânico John Hitchcox, com sede em Londres. Mas São Paulo não é a única cidade brasileira no seu radar. A diretora da companhia na América Latina, Carina Bendeck, adianta que já está conversando com incorporadoras que vão iniciar empreendimentos no Rio de Janeiro, em Curitiba e na Região Nordeste.

O escritório de Starck, conhecido pela arquitetura de interiores com jogos de luzes coloridas, objetos surrealistas e toques rococós, está se especializando em desenvolver projetos residenciais e comerciais de grife por todo o mundo. Desde a criação do yoo, em 1999, a empresa já projetou 49 empreendimentos pelo mundo que, juntos, valem US$ 7 bilhões. Estão em países como EUA, Dinamarca, Emirados Árabes, Inglaterra, Argentina, Uruguai, Panamá e México. O yoo enxerga uma oportunidade de ampliar esses números junto com a expansão econômica do Brasil, principalmente no segmento de luxo. De todos os países dos Brics (Brasil, Rússia, Índia e China), a direção do yoo acha o Brasil o mais promissor.

— O setor imobiliário brasileiro é um dos poucos capazes de sustentar mais de um projeto do escritório em uma mesma cidade, com destaque para a capital paulista. Achamos que o Brasil tem um espaço bem amplo, porém o nosso estilo de luxo é algo que aqui ainda não foi sido visto em prédio nenhum. O que mais se aproxima é o hotel Fasano no Rio (projetado por Starck). Nós montamos uma estratégia de penetração no mercado brasileiro baseada na combinação de fatores como o tamanho da economia, o apetite pelo luxo do consumidor e a carência de desenvolvimentos de prédios de grife internacional.

E, além dos projetos residenciais e comerciais, a empresa aqui vai apostar no segmento de shopping centers. O Brasil registrou nos últimos cinco anos um aumento de 22,5% em inaugurações desse tipo de empreendimento, segundo dados da Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers).

Para conquistar o público, Starck e Hitchcox se fortalecem com os nomes de seus conhecidos designers, dentre eles Marcel Wanders, Jade Jagger (filha de Mick) e Kelly Hoppen, famosa por projetar as casas de Elton John, David Beckham e o Príncipe William. Mas o yoo trabalha com a ideia de agregar um designer brasileiro ao seu time, conta Carina, sem dar pistas concretas de quem seria o escolhido.

— A gente está falando com designers brasileiros para incorporar um deles na equipe do yoo e, assim, poder oferecer uma opção para o público que se ajuste mais aos regionalismos brasileiros. O país tem uma riqueza incrível de conceitos criativos que são únicos no mundo, desde a combinação das cores fortes até o estilo eclético e aconchegante que se pode observar até nas pousadas e casas comuns no litoral — afirma a executiva.

Construção de mais dois edifícios na Bela Vista prejudica vista do Masp

quarta-feira, outubro 24th, 2012

Folha de S. Paulo
VANESSA CORREA
DE SÃO PAULO

Dois grandes motivos fizeram a arquiteta italiana Lina Bo Bardi (1914-1992) projetar o Masp com um vão-livre de 74 metros de largura. Um deles foi a possibilidade de abusar do concreto armado, técnica explorada pelos modernistas para vencer grandes dimensões sem a necessidade de colunas de sustentação.

A outra razão foi uma exigência feita por Joaquim Eugênio de Lima, doador do terreno à prefeitura. Uma das cláusulas estipuladas pelo engenheiro, que idealizou a av. Paulista no século 19, era a manutenção da vista do Belvedere do Trianon, cuja paisagem dava para a serra da Cantareira, limite norte da capital.

Mas hoje, 44 anos após a inauguração do Masp, pouco se vê da serra. Dois prédios recentes, um deles ainda em construção, obstruíram ainda mais o que havia sobrado de vista.

“Até há pouco tempo, se via a topografia e, ao longe, a serra. Agora, a gente só consegue ver um pouquinho dela”, diz Regina Monteiro, diretora da CPPU (Comissão de Preservação da Paisagem Urbana) da Prefeitura de São Paulo.

PAISAGEM SOB CONTROLE

Para evitar que a perda de paisagens importantes continue a ocorrer, a arquiteta planeja elaborar um Plano Diretor da Paisagem com a participação da população. “Mas é um projeto polêmico, que vai mexer com alguns gabaritos da cidade”, afirma Regina, a “mãe” da Lei Cidade Limpa.

A ideia é que as diretrizes para a paisagem sejam elaboradas e aprovadas junto com o novo PDE (Plano Diretor Estratégico). O plano vigente venceu neste ano e a sua revisão é uma das prioridades para os vereadores que tomam posse em janeiro.

Regras semelhantes já existem em grandes cidades. Em Paris, a prefeitura protege a vista da torre Eiffel e da basílica de Sacré Coer. Em Londres, o mesmo é feito com o Big Ben. Por aqui, Florianópolis protegeu de futuras obras a vista da lagoa da Conceição a partir do mirante do morro da Lagoa.

Para o historiador Alex Miyoshi, autor do livro “Arquitetura em Suspensão” (ed. Autores Associados), sobre a história do Masp, a paisagem deveria ter sido preservada, mas o impacto dos novos edifícios no belvedere não é tão importante.

“Será apenas um edifício a mais nesse ’skyline’ que se vê do Masp, pouco perturbador diante do que já existe”, afirma Miyoshi.

PRETEXTO

A história do vão-livre envolve uma intricada relação de interesses. Segundo Miyoshi, o terreno foi cedido ao Masp por um acordo entre Assis Chateaubriand (1892-1968), fundador do museu e publisher dos Diários Associados, e o então prefeito e candidato à reeleição, Adhemar de Barros (1901-1969).

Ficou acertado entre os dois que os jornais do grupo de Chateaubriand fariam a campanha do político. A condição era que ele aprovasse a doação do terreno para o Masp em detrimento do MAM (Museu de Arte Moderna), projeto de Ciccillo Matarazzo que acabou sendo construído no parque Ibirapuera.

“A justificativa [para manter a vista com um grande vão-livre], embora verdadeira, foi exagerada pela Lina Bo Bardi para legitimar o uso de uma tecnologia [concreto armado] que na época era rara e muito cara. Assim ela conseguiu deixar o MAM fora da disputa”, afirma Miyoshi.

Contatada pela sãopaulo, a direção do Masp preferiu não se manifestar sobre a perda da vista a partir de seu vão-livre

Megacomplexos flertam com a vizinhança

quinta-feira, outubro 18th, 2012

Áreas de livre circulação e convivência devem transformar novos empreendimentos em polos de atração para o mercado imobiliário

Gustavo Coltri, de O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO - Dois dos maiores empreendimentos de São Paulo nos próximos anos começam a tomar forma, trazendo consigo - e em gigantesca escala - a ideia de integração urbana. Com áreas de acesso público, esses projetos podem, segundo especialistas, contribuir para o desenvolvimento imobiliário de suas respectivas regiões.

Na zona sul, um parque linear de 62 mil metros quadrados - 22 mil m² de áreas verdes - é o principal destaque do Parque da Cidade, megaprojeto da OR - Odebrecht Realizações Imobiliárias lançado este mês na Chácara Santo Antônio. O espaço, aberto ao entorno, abrigará todos os edifícios do conjunto, que contará com cinco torres corporativas, uma de salas comerciais, hotel, shopping e dois residenciais - os únicos isolados por muros.

“Esse não é um projeto de arquitetura, mas de urbanismo”, disse o diretor de incorporação da companhia, Saulo Nunes, durante coletiva de lançamento do complexo, no último dia 3. Por enquanto, apenas a torre de salas comerciais foi colocada à venda. O projeto tem previsão de encerramento em oito anos.

Na Barra Funda, as incorporadoras Tecnisa e PDG Realty cederam à Prefeitura um parque de 45,9 mil m² no meio do loteamento Jardim das Perdizes. O espaço verde deve ser inaugurado no primeiro trimestre de 2013.

Ao redor da área, a Tecnisa prevê lançar dez dos cerca de 30 edifícios programados até 2017 para o loteamento, que tem 250 mil m². Haverá, na área, ainda um lote com hotel e torres corporativas e comerciais.

“Costumamos brincar que é como se nosso projeto fosse uma loja âncora de um shopping. Ele acaba criando uma atratividade local”, diz o diretor executivo técnico da Tecnisa, Fabio Villas Bôas. Ele acredita que o lançamento de unidades de padrão elevado possa mostrar a viabilidade de projetos residenciais na região, tradicionalmente ocupada por galpões industriais.

As áreas verdes também devem ter impacto nas vizinhanças, na opinião do presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo (Creci-SP), José Augusto Viana Neto. “São espaços de lazer e contemplação que trazem valor para todas as áreas que têm acesso livre a eles”, diz.

Atuante na zona sul, a corretora Marisol Pestana considera importante a instalação de um parque nas proximidades do Morumbi Shopping, carente de áreas como essa. “Temos o parque Severo Gomes e a Hípica de Santo Amaro, mas, para o lado de cá, não há nada.” A Barra Funda também não tem áreas verdes nas imediações da Avenida Marques de São Vicente.

Para o professor da pós-graduação em negócios imobiliários da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) Ricardo Rocha Leal, as duas regiões são as principais vertentes de crescimento da cidade por estarem na abrangência de duas operações urbanas - Água Espraiada e Água Branca -, que preveem uma série de intervenções viárias e de ocupação para as áreas beneficiadas.

“E, pelo tamanho, esses grandes empreendimentos trazem uma quantidade de outros junto com eles”, diz. De acordo com a OR, 65 mil pessoas circularão diariamente pelo Parque da Cidade, 25 mil delas como população fixa do complexo imobiliário.

A conceituação dos empreendimentos tem se tornado tendência crescente no mercado, de acordo com Leal, para atender aos anseios de qualidade de vida dos consumidores. “Além de comprar um apartamento, as pessoas adquirem o condomínio, os itens de lazer e o que a região tem a oferecer.”

O desenvolvimento misto dos projetos também reflete a fuga de empresas e compradores das dificuldades de mobilidade da cidade, segundo o presidente do Sindicato da Habitação (Secovi-SP), Claudio Bernardes. “Esse é um modelo que deve vir numa forma de indução do planejamento urbano, em que pequenos empreendimentos formariam esses polos. E esses grandes seriam células pequenas em um bairro maior.”

Módulos pré-fabricados é aposta de escritório sueco para reformas

segunda-feira, outubro 15th, 2012

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

O escritório sueco Visiondivision desenvolveu uma forma inusitada de realizar reformas e modificações em propriedades.

A solução apresentada pelos arquitetos para quem deseja expandir a metragem da casa é simples e econômica: módulos pré-fabricados de madeira que podem ser moldados de várias maneiras diferentes.

Cada unidade, de 15 metros quadrados, custa 2.000 euros e algunss dos módulos incluem escadas, janelas panorâmicas e terraços. Outro diferencial: o módulo pode ser transportado com facilidade para regiões afastadas e de difícil acesso.

A firma ainda sugere que as estruturas sejam agrupadas para formarem pequenas vilas, comerciais ou residenciais, mas com entradas independentes para preservar a privacidade dos moradores.

“Esta proposta tenta capturar a essência de uma vila. Queremos utilizar um campo da indústria de construção ainda não aproveitado, dos galpões e dos chalés”, explica em seu site.

Projeto brasileiro está entre ganhadores de prêmio internacional

quinta-feira, setembro 6th, 2012

Folha de São Paulo
DE SÃO PAULO

O projeto para a reformulação da comunidade Cantinho do Céu, em São Paulo, recebeu o prêmio Future Cities:Planning for the 90 per cent, juntamente com mais duas propostas internacionais –uma do escritório Ateliermob, de Portugal, e outra da ONG Interazioni Urbane, da Itália.

O plano habitacional assinado pelos arquitetos Marcos Boldarini e Melissa Matsunaga, em parceria com a Sehab (Secretaria Municipal de Habitação), já havia sido exposto na Bienal Internacional de Arquitetura de Roterdã.

O concurso é um dos eventos paralelos à 13ª Bienal de Arquitetura de Veneza e tinha como principal objetivo incentivar planos arquitetônicos de baixo custo com capacidade de causar mudanças efetivas no espaço urbano.

Das cem propostas inscritas, provenientes de várias partes do mundo, dez foram exibidas durante a Bienal e apenas três delas conquistaram o prêmio.

Arquiteto da USP sugere que Bradesco patrocine o Copan

quarta-feira, junho 6th, 2012

Tradicional edifício do Centro de São Paulo, o Copan está precisando de uma reforma. Os blocos de pastilha que compõem sua fachada caem, oferecendo risco a quem trafega pela região. Só que mexer nisso não sai barato, custaria milhões de reais trocar o material, o que seria possível apenas por meio de patrocínio.

Em texto publicado na edição desta quarta-feira, 6, da Folha de S.Paulo, o professor de pós-graduação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo Carlos Alberto Cerqueira Lemos expõe a situação e sugere uma saída para a reforma do edifício.

Há na Lei Cidade Limpa, em vigor na capital paulista desde janeiro de 2007, artigo que prevê a possibilidade de se anunciar na tela translúcida que cobre fachadas em reforma. O texto, porém, diz que a peça publicitária não pode ser maior que 10% da superfície. “A nosso ver, no entanto, não deveria ser estipulada porcentagem alguma”, defende o arquiteto.

“Aquela limitação da área de propaganda não passa de atitude resultante de pruridos esteticistas inoportunos”, continua. “Por que estabelecer limites em situações efêmeras como essa, em que o tempo é limitado pela duração das obras?”

Lemos explica que a verba poderia ser proveniente de uma gama de anunciantes, assim como acontece com as camisas de clubes de futebol. “Ali comparecem, lado a lado, logotipos e nomes de variados promotores, só faltando serem ocupados os espaços embaixo das axilas, que ficariam liberados nos momentos gloriosos das comemorações do gol de letra.”

Já no caso do Copan, ele sugere que apenas uma marca se envolva, uma que tem afinidade com a história do prédio: o Bradesco. “Pois o altruísmo já demonstrado por este banco não iria deixar que seja esquecido o edifício que ele incorporou nos anos 1960″, diz.

Lemos fala sobre a época da construção do Copan, quando a obra ficou praticamente inviabilizada por conta de diversos problemas, como a falência de uma investidora e a intervenção federal no Banco Nacional Imobiliário. Em 1957, o Bradesco adquiriu os direitos de construção e ajudou a colocar a coisa de pé.

Para o professor da USP, o banco poderia dar uma forcinha novamente.

Redação Adnews

Prédios na Índia terão piscinas no lugar das varandas

terça-feira, abril 10th, 2012

Jornal Extra
ARQUITETURA E URBANISMO

Um grupo de arquitetos resolveu inovar na construção de varandas para dois prédios que serão construídos em Mumbai, na Índia. No lugar de um espaço para cadeiras e mesas, eles colocaram piscinas cercadas de vidro. Conhecido como “Aquaria Grande”, os arranha-céus de 37 andares foram o resultado de uma colaboração entre o arquiteto James Law, de Hong Kong, com a companhia indiana Wadhwa Group, informou o jornal Daily Mail.

O complexo terá 200 apartamentos, três níveis de estacionamento, um ginásio e sauna. O projeto vem dividindo opiniões, sendo batizado de “pesadelo arquitetônico” por uns e ‘complexo de prédios residenciais inacreditáveis” por outros. Se o empreendimento for um sucesso, com certeza terá interessados no calor do Brasil

 

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SP vive boom dos prédios idênticos, ‘conformistas’

segunda-feira, março 26th, 2012

Cidade tem onda de lançamentos sem criatividade, que vendem status para morador em detrimento das necessidades urbanísticas

ADRIANA FERRAZ, RODRIGO BRANCATELLI - O Estado de S.Paulo
É um bocado difícil argumentar que São Paulo seja visualmente mais bela e mais ordenada do que Paris ou Viena, claro. Não que seja despeito com a maior metrópole do Hemisfério Sul, pelo contrário. A beleza de São Paulo sempre esteve no fato de ela ser uma cidade em constante construção, um organismo mutante, um local de absurdos 1.524 quilômetros quadrados onde o tecido urbano está sempre em transformação. São Paulo é viva, acima de tudo, e não pode ser comparada com lugares congelados como… Paris, por exemplo.

O problema é que mesmo esse argumento da beleza paulistana pode perder sua força. Com o boom imobiliário que lançou 13.501 prédios e 733 mil apartamentos nos últimos 15 anos, São Paulo está ficando com a mesma cara. A arquitetura dos edifícios hoje se padronizou, quase todos têm o mesmo visual - depois de ir da taipa de pilão ao concreto armado, passando pelas residências operárias, pelas casas modernistas e também pelos prédios com inspirações brutalistas, São Paulo não segue mais linha nenhuma de arquitetura.

Ou melhor, segue, sim: é o que os próprios profissionais chamam de “arquitetura conformista”, uma ditadura dos prédios idênticos.

“O modelo dominante hoje é bastante conformista, ele reflete a preocupação constante das construtoras em agradar à maioria, assim como a rapidez com a qual as operações estão montadas por pressão financeira”, diz o arquiteto Gui Sibaud, sócio do escritório Triptyque.

“Esse sistema exclui praticamente toda forma de experimentação. Resulta disso uma clonagem de modelos. Diria que o brasileiro pode até talvez se preocupar com arquitetura, mas não é o caso das construtoras. Creio que há muita demanda por prédios diferenciados por parte do público, mas poucas incorporadoras têm a coragem de produzi-los.”

Um dos principais motivos é mesmo o financeiro. Hoje, as incorporadoras têm pequenos grupos de arquitetos em suas equipes, a maioria deles recém-formados que trabalham com modelos prontos de prédios. Os projetos são replicados em todas as regiões, sem uma preocupação com o restante da paisagem e com a demanda de cada bairro. Assim, as empresas conseguem economizar até 20% do orçamento da construção.

Terraço. Além disso, para não errar em um lançamento imobiliário, as construtoras criaram um “gosto do paulistano”, um prédio sem uma arquitetura clara, que serve mais como um símbolo de status para o comprador do que um exemplo de habitação perfeita que traga felicidade para os moradores.

O maior exemplo desse modelo é o apartamento com varanda gourmet - a sacada ampla, com churrasqueira e espaço para reunir a família e os amigos. Em São Paulo, seja qual for a região, pipocam prédios que priorizam a área externa e vendem o conceito gourmet como símbolo de conforto, qualidade de vida e status. É o novo padrão dos prédios paulistanos que atende ao modelo desejado pela classe média, mas ajuda a deixar os bairros com a mesma cara.

Exemplos desse cenário não faltam, principalmente em bairros que até a década passada eram predominantemente ocupados por casas - como Vila Mariana, Ipiranga e Vila Olímpia, na zona sul; Pinheiros e Pompeia, na zona oeste; Tucuruvi, na zona norte; e Mooca e Vila Prudente, na zona leste. No lugar do batido e contestado estilo neoclássico, que dominou as construções nos anos de 1990, reinam hoje fachadas claras, com sacadas envidraçadas e áreas comuns que prometem atrações típicas de um clube. Diante da procura, a oferta, antes destinada apenas ao mercado de alto padrão, ganhou opções variadas de plantas, a partir de 57 metros quadrados. Na zona oeste, a Vila Leopoldina é uma das campeãs nesse tipo de lançamento. Somente na Avenida Bolonha, há oito torres em construção com essa característica. Perto dali, na Avenida Mofarrej, são outras seis.

Para Ricardo Monezi, pesquisador do Instituto de Medicina Comportamental da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o novo padrão de moradia atende ao desejo da população que quer morar em casa, mas que, diante do temor da violência, acaba optando por um apartamento. “O modelo de bem-estar vai mudando com o tempo. Esse é o atual. A sacada funciona como uma espécie de quintal”, diz. “A busca pela felicidade é dinâmica, e ocorre pela pressão social.”

Futuro. O maior reflexo desse movimento é a própria perda de qualidade de vida dos moradores. Fosse a arquitetura igual a uma música, um filme ou um quadro, não haveria discussão - a beleza de um prédio sempre estaria ao gosto do morador, e ponto final. O detalhe é que os prédios de uma cidade são uma espécie de arte pública, formam o tecido urbano que une todos. Assim, a falta de preocupação com a visual da cidade se reflete no urbanismo. “Nós moldamos nossos edifícios; depois eles nos moldam”, como disse o estadista britânico Winston Churchill.

“À medida que está se generalizando esse estilo de morar, a rua fica esvaziada e se resume ao escoamento de veículos sobre rodas”, diz o arquiteto Gui Sibaud. “A grande verdade é que os arquitetos não estão convidados a opinar sobre o futuro das cidades brasileiras e participam de fato de uma fatia muito modesta do volume total das construções. O poder público tem de organizar uma grande reflexão coletiva sobre as cidades brasileiras e definir politicas viáveis, interferindo nesse modelo que vem a se impor e a se generalizar sem que ninguém aparentemente tenha decidido por isso.”