Posts Tagged ‘bolsa’

As 10 ações que mais subiram e caíram em agosto

segunda-feira, setembro 3rd, 2012

Mês foi de alta para a bolsa, mas matador para as empresas elétricas; Gafisa vive redenção

Gustavo Kahil, de Exame.com
Gafisa dispara 61% em agosto, mas ainda amarga queda de 1,7% em 2012

“Neste mês de agosto, as especulações de ações dos Bancos Centrais ficaram em voga. A cada dado econômico divulgado em algum dos principais mercados internacionais, as especulações aumentavam ou diminuíam, gerando diversas repercussões”, resume a equipe de análise da UM Investimentos em um relatório assinado por Ignacio Fravega e outros analistas.

A sexta-feira terminou sem o tão esperado anúncio de um novo estímulo econômico pelo presidente do Banco Central americano, Ben Bernanke. As apostas agora se concentram para as próximas reuniões oficiais de política monetária do Banco Central Europeu (BCE) – 6 de setembro - e do BC americano (Federal Reserve) – em 12 de setembro.

As ações da Gafisa (GFSA3) dispararam 61,35% neste mês após a apresentação dos resultados do segundo trimestre e a diminuição do impacto da Tenda sobre o balanço da companhia. Para a surpresa dos analistas, o Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) chegou a 149 milhões de reais, bem a frente da expectativa consensual de 97 milhões de reais. Os números incentivaram uma forte disparada das ações na bolsa.

O bom resultado é consequência da contribuição positiva da Tenda, que vinha dando prejuízos. A margem bruta teve um bom incremento também, de 27%, dado ao aumento na participação da Gafisa e de Alphaville na receita. Além disso, a empresa obteve uma geração de caixa operacional positiva de 231 milhões de reais no trimestre. Rumores também consideraram a possibilidade da venda da Tenda para o governo federal.

10 - do mês

O governo brasileiro está disposto a baixar as tarifas do setor elétrico, o que pode afetar a geração de caixa de parte das companhias. Além disso, uma Medida Provisória editada ontem deu calafrios às empresas que têm concessões para vencer em breve, como são os casos da Cesp, Cemig, Eletrobras e Transmissão Paulista (TRPL4). E foi justamente essa última companhia que mais agonizou na bolsa em agosto, com uma forte desvalorização de 21,6%.

O banco Santander estima uma redução média das tarifas em 13%. “Além disso, acreditamos numa redução de 35% nas tarifas de geração e distribuição cujas concessões estejam vencendo. Atualmente, as empresas que mais seriam afetadas negativamente por essa nova política de concessão do governo são Cesp, Eletrobras e Transmissão Paulista”, mostra a análise assinada por Leonardo Milane, estrategista de pessoa física.

“O fato é que o momento serviu como gatilho para a realização de lucros em todas as empresas do setor, pois a atual incerteza e a forte performance verificada nos últimos anos na comparação com o Ibovespa corroboraram essa decisão”, ressalta o analista da Ágora Corretora, Filipe Acioli.
grafico01
grafico02

Alta das construtoras não evita queda da bolsa

sexta-feira, maio 25th, 2012

Téo Takar | De São Paulo
Valor Econômico - 25/05/2012

A forte volatilidade mudou a cara da bolsa brasileira no fim do pregão pelo terceiro dia seguido. Ontem, além de uma leve melhora nas bolsas americanas na reta final, houve um movimento de recuperação das ações de construção aqui.

Ao longo da quinta-feira, no entanto, o que prevaleceu foi a aversão ao risco. A incerteza sobre o futuro da Europa permanece e a possível saída da Grécia da zona do euro já teria até data para acontecer: 1º de janeiro de 2013. Foi o que disse o Citigroup em um relatório. A nova moeda grega deve imediatamente apresentar uma queda de 60% em relação ao euro, desencadeando uma onda de contágio “massiva, porém gerenciável” para outros países do bloco. O Citi afirmou ainda que as eleições de 17 de junho não devem reverter o impasse político da Grécia e chegar a um governo viável para aderir aos programas de austeridade. Isso, consequentemente, acentuará os conflitos entre o governo grego e credores.

E hoje o quadro do mercado não deve ser muito diferente. “A expectativa para a Bovespa continua sendo de baixa. Não há nenhum dado novo e a agenda desta sexta é fraca. A cautela deve persistir até que haja alguma decisão sobre a Grécia”, avalia o analista William Castro Alves, da XP Investimentos. Na agenda externa de indicadores, apenas os dados de confiança dos consumidores americano e alemão.

O Ibovespa encerrou a quinta-feira em baixa de 1,02%, aos 54.063 pontos, com volume de R$ 7,261 bilhões. Entre as ações mais negociadas, Petrobras PN recuou 2,75%, para R$ 18,70. Vale PNA caiu 1,30%, a R$ 36,32; e OGX ON fechou em baixa de 3,47%, para R$ 11,11.

A Petrobras informou ontem uma estimativa para o bloco BM-C-33, que fica no pré-sal da Bacia de Campos, de 1,2 bilhão de barris, confirmando o alto potencial da área. A estatal é minoritária no consórcio de exploração, com fatia de 30%. Outros 35% são da Repsol e 35%, da Statoil.

Apesar de positiva, a notícia não foi suficiente para reverter a queda das ações no atual momento de aversão ao risco. Segundo Júlio Medeiros, operador de mesa da Prosper Corretora, o mercado ainda está muito cauteloso em relação ao pré-sal. “Existe uma dificuldade muito grande de tecnologia para extração, apesar de a Petrobras ser a melhor em águas profundas.”

A lista de maiores altas do Ibovespa trouxe as construtoras PDG Realty ON (11,07%), Rossi ON (5,09%), Brookfield ON (3,64%), Gafisa ON (1,47%) e Cyrela ON (0,92%). A maioria operou em baixa durante o dia, mas se recuperou no fechamento.

Santander Unit perdeu 4,87%, quarta maior baixa do Ibovespa, enquanto Banco do Brasil ON subiu 0,53%. Depois do boato de venda das operações do banco espanhol para o BB, circulou nova versão, de que a presidente Dilma teria vetado o negócio. (Colaborou Daniela Meibak)

Bolsa estuda índice para fundo imobiliário

terça-feira, abril 24th, 2012

Crescimento do volume negociado e do número de investidores leva BM&FBovespa a preparar indicador para servir de termômetro desse mercado
Yolanda Fordelone, do Economia & Negócios

SÃO PAULO - O “boom” imobiliário dos últimos anos não se deu somente na economia real. Na Bolsa de Valores de São Paulo, o mercado de fundos imobiliários atraiu tantos investidores e novas ofertas que a BM&FBovespa estuda lançar um índice com as cotas desses fundos, para servir de referência do desempenho dessa aplicação.

“É uma demanda que captamos do mercado. Estamos em processo de estudo, de elaboração desse índice”, disse o gerente de produtos imobiliários da BM&FBovespa, Paulo Cirulli. Ele lembrou que, nos últimos dois anos, a Bolsa tem participado dos principais fóruns do mercado imobiliário. “Além das discussões com o mercado, precisamos fazer um levantamento histórico para desenvolver a metodologia a ser utilizada, para que o índice seja apresentado de forma consistente. É justamente nessa fase que estamos”, comentou. Segundo Cirulli, não há data para o lançamento, mas a bolsa espera que nos próximos meses possa trazer a novidade ao mercado.

O momento é propício para o fomento do produto por meio de um índice. Em busca de novas formas de captação de recursos, foram muitos os projetos que fizeram ofertas de cotas. Em março de 2011, eram 49 fundos imobiliários negociados em bolsa, número que cresceu 43%, para 70 fundos, no fechamento de março deste ano.

O volume negociado também evoluiu, de R$ 64,9 milhões em março do ano passado, para R$ 179,3 milhões no mesmo mês em 2012. Em fevereiro, bateu o recorde de R$ 309 milhões negociados, valor superior até mesmo ao de volume de compras de títulos públicos do Tesouro Direto no mesmo mês (R$ 286 milhões).

“Hoje, 8,7% dos nossos clientes investem em fundos imobiliários, o que representa um crescimento de 74% nos últimos seis meses”, afirmou o diretor da Rico (home broker da Octo Investimentos), Ricardo da Costa de Moraes Filho. “Foi uma combinação de fatores que impulsionou o mercado: estabilidade econômica, busca de alternativas mais rentáveis para compensar a queda do juro na renda fixa, crescimento do mercado imobiliário e o histórico do brasileiro de gostar de investir em ativos reais”, resume.

Para adquirir a cota de um fundo imobiliário basta comprá-la por meio de uma corretora ou na própria plataforma online dessas empresas, chamado o home broker. O fundo investe em projetos imobiliários, seja na construção de algum empreendimento ou na administração de shopping centers. A grande vantagem, dizem especialistas, é que a aplicação permite uma previsibilidade de retorno do investimento. Todo mês o cotista recebe os rendimentos do fundo, vindos do aluguel dos imóveis, em sua conta. Além disso, ainda há a valorização da cota que pode ocorrer com o tempo.

“Outro ponto que pesou no aumento do interesse é a isenção de Imposto de Renda nos rendimentos mensais para a pessoa física”, disse a gerente de investimentos imobiliários da Rio Bravo, Anita Spichler Scal. Sobre a valorização da cota há IR de 20% cobrado na venda do fundo. A Rio Bravo hoje administra 26 fundos, dos quais oito são listados em bolsa. Anita conta que a base de cotistas é bem pulverizada: varia de 800 a 2 mil pessoas por fundo.

O rendimento, que tem chamado a atenção dos investidores, varia conforme o fundo, mas a gerente da Rio Bravo conta que, entre os fundos corporativos mais rentáveis, que recebem aluguel de lojas comerciais, o retorno com os pagamentos mensais chegou a 12% ao ano. O valor já é livre da taxa de administração, que varia de 0,5% a 1%.

A vantagem, disse Moraes Filho, é a diversificação de carteira que os fundos imobiliários permitem com um valor muito inferior do que seria comprar imóveis. No mercado secundário, as cotas são negociadas em geral a partir de R$ 100. “Além disso, se o investidor precisar de dinheiro, pode vender apenas uma parte da carteira. No imóvel não há fracionamento.”

A expectativa é de que este mercado ainda cresça, pois é pequeno se comparado ao de outras bolsas. O patrimônio líquidos dos fundos imobiliários da BM&FBovespa soma aproximadamente R$ 13 bilhões. Nos EUA, são aproximadamente US$ 300 bilhões.

“Se pudesse, compraria uma cota por mês”

O boca a boca ainda costuma funcionar na divulgação dos investimentos. Foi por meio de um colega de trabalho que já aplicava em fundos imobiliários, que o engenheiro Felipe Nascimento Silva, de 24 anos, tomou conhecimento da modalidade. “Ele estava descrevendo opções de investimentos de baixo risco mais interessantes que a poupança, em uma das nossas conversas sobre finanças”, lembra.

Felipe comprou duas cotas em novembro do ano passado e garante que elas têm lhe rendido cerca de 1% ao mês nos pagamentos mensais. “Outro fator que achei super interessante foi investir em um mercado que atualmente não apresenta ‘desvalorização’ e os valores de aluguel estão aumentando”, diz. Antes, o engenheiro só aplicava em investimentos tradicionais: poupança, CDB e fundos de renda fixa.

Na Bolsa da Valores, também houve ganhos. A cota do fundo imobiliário do Shopping Higienópolis, que em novembro valia R$ 404, atualmente está em R$ 620. A do fundo Água Branca passou de R$ 306 para R$ 385. O investidor não comprou mais cotas desde a primeira aplicação porque está poupando dinheiro para um negócio próprio, mas ainda mantém o interesse. “Caso contrário, estaria comprando uma cota por mês”, diz.

Proposta de investidores estrangeiros desagrada Gafisa e ações caem 7%

quinta-feira, março 1st, 2012

InfoMoney
Mariana Mandrote
SÃO PAULO - As ações da Gafisa (GFSA3) lideraram a ponta vendedora do Ibovespa no pregão desta quarta-feira (29), após a companhia mostrar insatisfação com uma proposta preliminar de investidores para aquisição de ativos da empresa.

Os papéis da incorporadora registraram forte queda de 7%, ao preço de R$ 4,78, enquanto o principal índice da bolsa brasileira teve queda de 0,22% aos 65.811 pontos. Vale ressaltar que o volume financeiro dos papéis foi bastante expressivo no dia, com movimentação de R$ 147,71 milhões. Esse montante é bem superior à média dos últimos vinte e um dias, de R$ 88,53 milhões.

Em referência ao fato relevante divulgado em 2 de fevereiro, a Gafisa confirmou que recebeu da GP Investimentos e da Equity International uma proposta preliminar para aquisição de certos ativos, a qual foi avaliada por um comitê especial de conselhores e assessores contratados.

Proposta subavalia ativos
“Após análise cuidadosa, o conselho, reunido nesta manhã, concluiu que a proposta indicativa subavalia significativamente os ativos e negócios envolvidos e implica em substanciais custos de transação e em altos riscos de execução”, diz a Gafisa em nota.

A empresa afirmou, no entanto, que continuamente avalia novas oportunidades de desenvolver seus negócios e ativos e avaliará com a mesma diligência qualquer futura oferta apresentada por esses investidores ou por qualquer terceiro.

Dá para apostar nas ações de construtoras, diz Credit Suisse

quarta-feira, novembro 30th, 2011

Exame.com
Thiago Bronzatto

Apesar de o setor de construção civil ser um dos mais afetados da bolsa, os analistas do Credit Suisse afirmam que algumas ações são bons investimentos para um horizonte de 12 meses. Em relatório enviado a clientes, o banco destacou seus papéis preferidos:

PDG: segundo os analistas do CS, a maior incorporada do Brasil tem uma gestão qualificada, vem apresentando um bom volume de vendas e deve manter uma forte geração de caixa no próximo ano. Após a divulgação dos resultados do terceiro trimestre, que mostram um crescimento tímido de 2% no lucro líquido, o banco adotou uma expectativa conservadora e revisou o preço-alvo das ações da companhia de 11,5 reais para 10 reais até o fim de 2012 – mas isso ainda indica uma valorização de 55% em relação ao preço atual.

MRV: a empresa, segundo o banco, se destaca de seus concorrentes porque tem uma gestão qualificada e focada em baixo custos. A companhia, que é beneficiada pela construção de casas populares do programa popular Minha Casa Minha Vida, também vem apresentando uma forte geração de caixa e conta com uma história sólida de crescimento no setor nos últimos anos. A expectativa dos analistas é que o papel valorize 35%, para 15,5 reais.

Even: de acordo com o relatório, a companhia está bem posicionada para o último trimestre do ano – falta cumprir apenas 30% da meta de lançamentos anunciada para 2011. “A empresa melhorou de forma significativa os seus estoques no terceiro trimestre, reduzindo os riscos de descontos para acelerar as vendas”, escrevem os analistas. O preço da ação em relação ao lucro da empresa (P/L) estimado para 2012 é de 5,3 vezes, um desconto de 15% em relação à média do setor. O preço-alvo é de 10 reais para o fim do próximo ano. Atualmente, a ação da Even é negociada a 6 reais.

Tecnisa: a expectativa dos analistas do Credit Suisse é que a primeira fase do projeto de construção de um megaconglomerado de 30 edifícios com 3 500 apartamentos de 180 metros quadrados, num terreno que pertencia à Telefônica, em São Paulo, seja lançado no primeiro semestre de 2012. O porte do loteamento e da incorporação deverá ter um impacto positivo nas receitas da companhia. O banco espera que a ação da Tecnisa termine o ano que vem valendo 17,50, ou seja, 61% de valorização em relação ao preço atual.

BR Brokers: os analistas do CS dizem que investir nas ações da imobiliária é uma maneira de apostar nesse mercado o sem correr os riscos inerentes às construtoras, como a alta da inflação que pressiona o custo das obras. O banco afirma que a companhia apresenta uma ótima perspectiva operacional, tem margens elevadas e possui potencial de crescimento nos próximos meses, graças ao setor de corretagem que continua aquecido no país. A expectativa de alta das ações para o fim de 2012 é de 67%.

Em 2011, o Índice de Desenvolvimento Imobiliário caiu 25%, enquanto o Ibovespa teve queda de 19%. Nenhuma companhia escapou ilesa – a ação da Gafisa foi a mais castigada, com desvalorização de 55%, enquanto o papel da Even, o menos afetado, caiu 25%

Rio quer ressurgir como centro financeiro

terça-feira, novembro 22nd, 2011

Bolsa americana quer instalar um novo mercado de ações na cidade, o primeiro desde 2002

Gustavo Kahil, de Exame.com

São Paulo – O Rio de Janeiro quer ressurgir como um centro financeiro para o Brasil, algo que não vive desde 2002 quando a Bolsa do Rio foi incorporada pela BM&FBovespa (BVMF3). A americana Direct Edge Holdings anunciou nesta segunda-feira a sua intenção de criar um novo mercado de ações no país com a sua sede na capital fluminense. A intenção é oferecer uma plataforma que negocie ações, ETFs (fundos de ações que negociam em bolsa), e também certificados de depósitos de ações.

“Ter uma das maiores bolsas de valores dos Estados Unidos operando aqui irá promover um incentivo para outros participantes do mercado financeiro global e provavelmente irá atrair serviços de corretoras e outras empresas de tecnologia”, disse Eduardo Paes, prefeito da cidade do Rio de Janeiro, em uma nota.

A Direct Edge, quarta maior bolsa americana com uma participação de mercado de 10% nos EUA, pretende iniciar as operações no último trimestre de 2012. O JPMorgan Chase e a Citadel Investment Group são sócios da empresa. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) ainda está avaliando o plano. Um CEO para o Brasil será apontado para estreitar o relacionamento com os participantes locais. 

A empresa lançou um hot site para hospedar as informações do projeto Direct Edge Brasil.

 “A economia brasileira está entre as de crescimento mais acelerado no mundo e acreditamos que uma segunda bolsa no país irá impulsionar ainda mais a participação por meio da competição que leva a inovação e a melhora nos preços”, ressalta William O’ Brien, CEO da Direct Edge. 

A ideia, segundo ele, é customizar a tecnologia às necessidades do mercado brasileiro.

“Este é um grande dia para o Rio”, comemorou Marcelo Haddad, diretor executivo da Rio Negócios, a agência de promoção de investimentos da cidade que apoiou o desenvolvimento do projeto da Direct Edge.

O Brasil já foi um país com vinte ambientes de negociações de ações e outros ativos financeiros. Esse era o cenário brasileiro na década de 1990. Porém, ao longo dos anos seguintes o mercado se consolidou e, depois da quase quebra da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, então a maior do País, hoje só se fala na BM&FBovespa, fusão entre o ambiente de negociações de derivativos e commodities com o de ações, realizada em 2008.

Outras bolsas

A BATS Global Markets, terceira maior bolsa americana, anunciou em fevereiro que também pretende criar um ambiente alternativo de negociações no Brasil em parceria com a gestora brasileira Claritas. A sede, contudo, provavelmente seria baseada em São Paulo. A BRIX, bolsa de comercialização de energia que tem Eike Batista como sócio, tem as operações em São Paulo, mas a sede também é no Rio de Janeiro.

Obstáculos

Uma das principais barreiras para a chegada de um concorrente, segundo analistas, é o modelo integrado da BM&FBovespa. Além de bolsa, ela detém também a CBLC (Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia), que é a contraparte para o mercado de ações e de renda fixa e responsável pela fiscalização dos pagamentos e recebimentos.

Em um relatório publicado nesta segunda-feira, a analista Regina Longo Sanchez avalia que a Direct Edge enfrentará “dificuldades” em seu plano de iniciar uma plataforma de negociação de ações no Brasil já que a BM&FBovespa não deve permitir que a empresa use seus serviços de compensação. Segundo ela, o plano não afeta o preço-alvo de 11,50 reais para as ações da bolsa porque o aumento da concorrência já está incluído na projeção.

Mercado irracional

sexta-feira, agosto 5th, 2011

Angelo Pavini, Luciana Monteiro e Daniele Camba | De São Paulo

Valor Econômico - 05/08/2011

    

Ibovespa tem maior queda em um dia desde a crise de 2008 e analistas veem espaço para novas perdas, apesar de considerarem preços das ações atrativos.

 

O pessimismo voltou a tomar conta do mercado mundial de ações ontem, levando o Índice Bovespa a perder 5,72%, a maior queda em um dia deste 21 de novembro de 2008, ecoando as lembranças da grande crise global iniciada com a quebra do banco Lehman Brothers. O índice recuou para 52.811 pontos, o menor nível desde 17 de julho de 2009. Outro sinal ruim foi o volume negociado, de R$ 9,6 bilhões, o dobro do habitual, indicando apostas pesadas na queda.

 

Só na semana, o Ibovespa acumula uma perda de 10,2%, ou 23,8% no ano. O que significa que R$ 395 bilhões em valor de mercado das empresas brasileiras foram pulverizados no ano, dos quais R$ 160 bilhões apenas nesta semana.

 

A queda da bolsa tem fundamentos econômicos claros, baseados na piora das expectativas para as economias americana e europeia e que trazem o risco de uma nova recessão. Isso afetaria a demanda por commodities, setor com forte presença na bolsa brasileira. Ontem, o índice de matérias-primas CRB Reuters caiu 2,77%, acumulando no mês queda de 4,12%.

 

Assim, papéis importantes no Ibovespa e na carteira dos investidores como Petrobras e Vale fecharam ontem acumulando perdas de 11,37% e 9,53% nesta semana, respectivamente. Outra empresa de commodities, MMX, lidera os prejuízos, com 24,75%.

 

Mas o lado emocional amplificou os sinais ruins da economia, afirmam analistas. Ontem, o catalisador da forte queda foi a decisão do Banco Central do Japão de vender ienes e derrubar a moeda como forma de conter a valorização provocada pela busca por segurança dos investidores. Anteontem, a Suíça agiu na mesma linha cortando os juros.

 

A falta de coordenação global contra a crise e a busca irracional por proteção fizeram os juros de papéis de curtíssimo prazo americanos despencarem, levando o título do Tesouro de um mês a ser negociado com ágio, ou seja, o investidor pagaria para aplicar no papel. E o Bank of New York Mellon anunciou que vai cobrar taxa de 0,13% de quem tiver mais de US$ 50 milhões em conta.

 

A má notícia é de que esse movimento de queda da bolsa pode continuar. Segundo o operador de um importante banco estrangeiro no Brasil, vem aí “mais uma pernada” de baixa, que pode durar mais um ou dois meses. “Devemos ter agora saques em fundos globais dedicados a mercados emergentes, América Latina e Brasil, e esses fundos terão de vender papéis aqui”, afirma o operador, que pediu para não ter seu nome citado.

 

Segundo ele, apesar de as perspectivas de longo prazo para o Brasil serem boas, é o lado emocional que está dirigindo os investidores. Ontem, houve um movimento forte de zeragem (”stop loss”), em que os preços das ações atingem limites de baixa que acionam vendas automáticas e ampliam ainda mais a queda do mercado. “Mas os preços das ações brasileiras estão ficando muito convidativos, apesar das previsões de menor crescimento mundial”, acrescenta.

 

A falta de espaço fiscal e monetário para novos incentivos nos EUA e na Europa cria insegurança sobre o futuro da economia mundial e isso tem reflexos em todas as bolsas, diz Dório Ferman, do Opportunity, gestor do fundo Lógica II, que reúne R$ 2,6 bilhões. “Mas minha única convicção é que a Vale está muito barata, assim como Banco do Brasil, Bradesco e Itaú “, diz. Redecard e Cielo também aparecem na lista de Ferman. Mesmo Petrobras, com seus investimentos polêmicos, também está atrativa, diz.

 

Ferman observa que estamos vivendo uma situação totalmente nova, com risco de uma recessão nos países desenvolvidos, mas que pode ser compensada pelo crescimento chinês. Ao investidor, ele aconselha que se concentre no conteúdo e no fundamento das empresas, sem perder a racionalidade, escolhendo o que está barato no mercado. “Salvo uma catástrofe mundial, quem tem sangue-frio nesses momentos é que consegue ganhar dinheiro”, diz.

 

O momento é de reversão, de ajuste dos preços dos ativos a um crescimento mais moderado e dúvidas se a economia americana vai se recuperar, afirma Raphael Martello, economista da Tendências Consultoria. “É essa incerteza que permeia o mercado; não se sabe o fundo do poço.”

 

No início do ano, havia uma perspectiva positiva com a economia americana. Mas, recentemente, o desempenho econômico dos EUA se mostrou mais fraco. O economista diz que não trabalha, porém, com cenário de recessão nos Estados Unidos e projeta crescimento de 1,5% do PIB.

 

Na avaliação de Martello, a bolsa brasileira vem sofrendo mais porque havia gordura para queimar. Em 2009, por exemplo, o desempenho da bolsa brasileira foi muito bom, com alta de 82,66%. Para o investidor, comprar ações agora é entrar num momento de altíssima volatilidade. “Se a pessoa tiver horizonte para daqui a cinco anos, talvez faça sentido, pois várias janelas de oportunidade vêm se abrindo”, afirma Martello. “Mas o cenário continua extremamente incerto e a bolsa pode cair mais; o investidor deve estar preparado para perder 10% ou 15% num único dia.”

 

A bolsa deve continuar a sofrer nos próximos dias por conta de novos movimentos de zeragem de perdas, mas sem mudar para um novo nível de preços muito abaixo do atual, acredita Demosthenes Madureira de Pinho Neto, ex-diretor do Banco Central e diretor-executivo da Itaú Asset Management. “Mas em termos de fundamentos, os preços das empresas estão interessantes, apesar das incertezas todas”, diz.

 

Ele alerta, porém, que as crises nos EUA e na Europa devem ser muito mais longas do que a que se viu logo após 2008, e que fragilizou muito as economias desenvolvidas, o que adiará uma recuperação dos mercados. Demosthenes observa que, nos EUA, não há problema no setor financeiro. “Mas na Europa não se sabe a exposição dos bancos a papéis governamentais, que estão se desvalorizando fortemente, um problema que se soma à crise fiscal.”

 

Se os pessimistas de plantão estiverem certos e de fato houver recessão mundial, essa queda dos mercados estará longe de ser algo irracional, diz o economista-coordenador do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco, Fernando Honorato Barbosa. Ele acredita, no entanto, que a desaceleração da economia global não chegará a tanto, portanto, os mercados parecem estar exagerando na dose de pessimismo.

 

Mas não existem apenas pessimistas no mercado. O presidente da Citi Corretora, Roberto Serwaczak, acha que as quedas desta semana se mostram como uma oportunidade. “Já existem vários papéis superdepreciados e de empresas que possuem fundamentos sólidos”, diz Serwaczak. Segundo ele, os investidores estrangeiros estão percebendo essas oportunidades e vêm comprando algumas dessas ações. “Nos últimos dias, o saldo na Citi e em outras corretoras bastante atuantes entre estrangeiros tem sido positivo”, diz o executivo.

 

Serwaczak afirma também que o mercado esquece que uma desaceleração mundial e nas commodities pode fazer a taxa Selic no Brasil passar a cair. “E as quedas de juros costumam ser positivas para a renda variável.”

 

(Colaboraram Beatriz Cutait, Silvia Fregoni e Silvia Rosa)

Gafisa lidera reviravolta do setor na bolsa e dispara 15%

sexta-feira, julho 22nd, 2011

Ações de construtoras voltam a subir após BC sinalizar interrupção na alta dos juros

 

Gustavo Kahil de Exame.com

 

São Paulo – A Gafisa (GFSA3) liderou a reviravolta do setor imobiliário na bolsa brasileira esta semana com uma disparada de aproximadamente 15%. Os papéis das construtoras e incorporadoras subiram forte após o Banco Central indicar que pode não subir mais o juro ao alterar o tom do breve comunicado publicado na quarta-feira, quando elevou a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 12,5% ao ano.

 

O índice Imob, que acompanha as ações do setor, avançou 6% no mesmo período em que o Ibovespa registrou ganhos de apenas 1,3%. Os papéis da MRV (MRVE3), Rossi (RSID3), PDG (PDGR3) e Cyrela (CYRE3), todas do setor, figuraram entre as 10 maiores altas do índice nos últimos cinco dias. Apesar da recuperação, o Imob ainda apresenta uma desvalorização de 15% em 2011.

 

As 10+ do Ibovespa nesta semana:

 

Empresa

Código

Preço

Var. (%) 7 dias

Var. (%) ano

Gafisa

GFSA3

7,71

15,42

-34,4

Rossi

RSID3

12,57

9,49

-13,17

MRV

MRVE3

12,24

9,09

-20,57

PDG

PDGR3

8,75

8,97

-12,36

Cyrela

CYRE3

15,76

8,09

-26,37

B2W

BTOW3

16,15

7,24

-48,07

Redecard

RDCD3

24,24

5,39

19,93

Banco do Brasil

BBAS3

26,98

4,7

-11,09

Itaú

ITUB4

32,83

3,6

-16

Brookfield

BISA3

7,03

3,53

-16,14

 

A Gafisa apresentou na semana passada a prévia do seu resultado trimestral do segundo trimestre, o que também agradou o mercado. Os lançamentos da empresa chegaram a 1,4 bilhão de reais no período, um aumento de 37% sobre o segundo trimestre do ano passado. As vendas contratadas chegaram a 1,1 bilhão de reais, um crescimento de 29% na mesma comparação.

“Os dados apresentados pela Gafisa neste trimestre foram bons em nossa avaliação, apesar do volume de lançamentos ter superado o volume de vendas contratadas, o que elevou os estoques da empresa em comparação com o primeiro trimestre de 2011. Gostamos muito do desempenho das vendas da marca Gafisa, que registrou o melhor trimestre dos últimos três anos”, explica o analista Leonardo Zanfelicio, da Concórdia Corretora.

Além da sinalização do BC sobre o juro, o mercado também ficou mais otimista com a notícia de que os líderes da União Europeia chegaram a um acordo para um segundo pacote de ajuda à Grécia. O resgate será de 159 bilhões de euros, sendo que 109 bilhões virão da UE e do FMI e os 50 bilhões restantes de participação privada. As taxas de juros foram reduzidas os prazos de vencimento alongados.

PDG Realty tem forte volume na bolsa após resultados

sexta-feira, maio 13th, 2011

Analistas do Santander e do Itaú BBA destacam o crescimento na margem bruta ajustada; recomendação de compra foi mantida
Marcel Salim de Exame.com

São Paulo – As ações ordinárias da construtora e incorporadora PDG Realty (PDGR3) estão entre as mais negociadas no pregão desta sexta-feira (13) na BM&FBovespa. A empresa divulgou os resultados do primeiro trimestre do ano, com destaque para a margem bruta em nível acima do esperado.

Às 12 horas, as ações da companhia ocuparam o posto de mais negociadas da sessão, com um total de 7.177 negócios e um volume financeiro de 68,250 milhões de reais, o quarto maior do dia. No mesmo horário, os papéis da companhia operavam com estabilidade, cotados a 9,33 reais.

A companhia anunciou ontem (12) um lucro líquido ajustado de 239,1 milhões de reais no primeiro trimestre do ano, cifra 33% maior ante o visto no mesmo intervalo de 2010. O salto no lucro ocorre em meio à conclusão do processo de integração das operações da Agre, adquirida em maio de 2010.

O resultado agradou os analistas de mercado. Em relatório, Santander e Itaú BBA destacaram o bom desempenho da margem bruta ajustada da companhia, que avançou de 33,9% para 35,2% entre o quarto trimestre de 2010 e o primeiro trimestre deste ano. A velocidade de vendas da companhia, medida pela relação de venda sobre oferta (VSO), ficou em 29% entre janeiro e março, acima do esperado pela própria empresa.

“Os resultados reforçaram nossa expectativa de que a companhia irá melhorar gradualmente sua rentabilidade nos próximos trimestres”, afirmaram Vivian Salomon e David Lawant do Itaú BBA. Segundo eles, dada a recente performance da ação da companhia abaixo da média do Ibovespa, os papéis tendem hoje a serem beneficiados.

A recomendação do Itáu BBA para a PDG Realty é de desempenho acima da média do mercado (outperform), com um preço-alvo de 12,50 reais por cada ação da empresa até o fim de 2011, o que representa um potencial de valorização de 33,97% frente a cotação de 9,33 reais vista no fechamento do pregão de ontem.

A visão positiva do Itaú BBA também é compartilhada por Flavio Queiroz, Gonzalo Fernández e Fabiola Gama, analistas do Santander. “As margens brutas, somadas a robusta velocidade das vendas e dos lançamentos, indicam que a companhia está no caminho certo para sustentar seu nível de rentabilidade acima da média”, destacam.

“No geral, consideramos os resultados como positivos e esperamos um impacto favorável sobre as ações no pregão desta sexta-feira”, completam. Os analistas do Santander mantiveram a recomendação de compra para os papéis da PDG, estabelecendo um preço-alvo de 14,90 reais até o final de 2011, o que representa um potencial de valorização de 59,69% frente a cotação do fechamento do pregão de ontem