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Brasil perde posto de 6ª maior economia para Reino Unido

quarta-feira, dezembro 26th, 2012

O Brasil deve terminar o ano com Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 2,282 trilhões, pouco abaixo dos US$ 2,443 trilhões previstos para o Reino Unido

Fernando Nakagawa, do Estadão

A desvalorização do real nos últimos meses fará com que o Brasil perca o posto recém-conquistado e volte ao sétimo lugar em 2012

Londres - Um ano após desbancar o Reino Unido na posição de sexta maior economia do mundo, a desvalorização do real nos últimos meses fará com que o Brasil perca o posto recém-conquistado e volte ao sétimo lugar em 2012. A previsão foi feita nesta quarta-feira pelo britânico Centro de Pesquisas Econômicas e de Negócios (CEBR na sigla em inglês). A consultoria, porém, aposta que o Brasil voltará a crescer mais rapidamente e deve voltar a ultrapassar os britânicos em 2014.

Segundo o levantamento, o Brasil deve terminar o ano com Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 2,282 trilhões, pouco abaixo dos US$ 2,443 trilhões previstos para o Reino Unido. “Estamos na disputa cabeça a cabeça com o Brasil há algum tempo. No ano passado, os brasileiros nos ultrapassaram. Este ano, vamos superá-los. A partir de 2014, no entanto, o dinamismo da economia brasileira deve levar o Brasil decisivamente para uma posição acima do Reino Unido”, disse o responsável pela pesquisa e diretor-executivo do CEBR, o inglês Douglas McWilliams.

Mesmo com a previsão de que a economia do Reino Unido deve terminar o ano com crescimento perto de zero ou até uma pequena queda, o Brasil perdeu o posto especialmente pela taxa de câmbio. Como o PIB na pesquisa é calculado em dólares, a subida do dólar de mais de 11% no ano faz com que o tamanho da economia brasileira fique menor quando convertido para dólares. Para piorar o fenômeno, o fraco crescimento da economia nacional também deve ser levado em conta, o que acaba potencializando o efeito do câmbio.

Na pesquisa do CEBR, os cinco primeiros da lista são Estados Unidos (PIB de US$ 15,643 trilhões), China (US$ 8,249 trilhões), Japão (US$ 5,936 trilhões), Alemanha (US$ 3,405 trilhões) e França (US$ 2,607 trilhões).

Brasileiro é conservador na aplicação e agressivo no crédito

terça-feira, dezembro 18th, 2012

Fernando Torres | Do blog “Casa das Caldeiras”
Valor Econômico - 18/12/2012

Uma pesquisa divulgada na semana passada confirmou, quantitativamente, o conservadorismo do brasileiro com relação aos seus investimentos. Segundo o estudo, feito pelo Instituto de Pesquisas Rosenfield, a pedido da BM&FBovespa, 52,6% dos brasileiros preferem investimentos com baixo risco e alta rentabilidade. Outros 26% também afirmam ter um perfil ” moderado” e apenas 7% têm propensão a fazer aplicações com alto risco e alta rentabilidade (os demais não souberam ou não quiseram responder).

Os dados mostram, na prática, o desenho do mercado de investimentos brasileiro, com concentração de aplicações como a poupança, que aparece como a principal opção de investimento para 44,4%. Cerca de 53% dos entrevistados afirmaram que não sobra dinheiro para investir.

Não deixa de ser intrigante que o brasileiro seja bastante conservador com seus investimentos, mas não tanto assim com seus financiamentos e empréstimos. Uma pessoa conservadora tomaria um empréstimo de 20, 30 anos, com a parcela estourando o limite da sua renda - e sem qualquer garantia de que ficará empregado ao longo do período?

Como se sustentaria o mercado de financiamento de aquisição de bens, com juros elevadíssimos, se houvesse conservadorismo também no endividamento? Uma parte dessa diferença de comportamento tem a ver com a renda. Mesmo sendo conservadora e sabendo dos riscos, a pessoa não teria alternativa, a não ser se endividar para comprar o bem necessário.

Mas parece haver também outra razão, ligada à própria percepção sobre o risco. O medo de perder o dinheiro principal acumulado ao longo do tempo - mesmo que a quantia seja pequena - é muito maior do que o de ficar inadimplente de uma dívida “n” vezes maior. Assim como ocorre com as pessoas que têm dinheiro na caderneta de poupança, mas devem no cartão de crédito ou cheque especial.

Se entender sobre finanças parece difícil, a mente humana é muito mais complexa.

Imigrantes buscam emprego no Brasil

segunda-feira, novembro 12th, 2012

Marcelo Rehder
O Estado de S. Paulo - 12/11/2012

Estrangeiros deixam a terra natal também interessados em abrir aqui um negócio próprio

No fim de 2011, o economista espanhol Sergio Furio decidiu trocar Nova York por São Paulo. Chegou ao Brasil em março com plano de abrir um negócio próprio voltado para facilitar a vida dos clientes bancários. Virou sua especialidade depois de 15 anos trabalhando em assessoria estratégica aos principais bancos de varejo na Europa e nos EUA. Sua trajetória teve início em Madri, onde trabalhou no banco de investimento Deutsche, mudando em 2008 para o Boston Consulting Group, em Nova York, onde ficou até o ano passado. Não demorou dois meses para Furio lançar o bank Facil, uma página na internet cuja proposta é ajudar os brasileiros a melhorar suas escolhas relacionadas aos produtos bancários. “Os negócios vão indo muito bem, temos mais tráfego do que prevíamos”, diz o economista. Casado com uma brasileira, também economista, que ele conheceu nos EUA, Furio conta que o motivo da escolha do País foi mais profissional do que pessoal. “O Brasil é um mercado com grande potencial na área de serviços bancários”, diz ele. “O consumidor brasileiro é carente de educação financeira e quer encontrar uma fonte objetiva que o ajude a tomar as decisões.” Furio faz parte de um batalhão de estrangeiros que deixa a terra natal em busca de um emprego ou bons negócios no Brasil. Desde 2005, vem crescendo o número de pedidos de vistos de trabalho para estrangeiros no País.

Com a crise nos EUA e na Europa, o Brasil se tornou atraente para os profissionais de lá. Andrezza Santana, gerente de marketing da Monster Brasil, especializada em recrutamento e gerenciamento de carreiras online, diz que há mais de 420 mil estrangeiros cadastrados nos sites da empresa no mundo todo que querem trabalhar no Brasil. “A maioria é de americanos, espanhóis e italianos.” Só nos últimos quatro anos, o italiano Marco Barbieri, de 31 anos, engenheiro industrial, morou em seis países antes de vir para o Brasil em abril. Consultor da A.T.Kearney, Barbieri já havia estado por aqui algumas vezes, em projetos pontuais. Ele morou em Milão até 2008, quando se mudou para Madri, onde fez um MBA. Nesse curso, que durou um ano, o italiano fez um intercâmbio de seis meses na China. Ele queria ter a experiência de conhecer um país emergente, mas não gostou da cultura chinesa, “muito fechada aos estrangeiros”. Então voltou para a Itália no escritório da A.T. Kearney de lá. Foi nessa época, em2010, que veio ao Brasil pela primeira vez, para um projeto que durou sete semanas. “A primeira impressão que tive de São Paulo foi totalmente diferente da experiência em Hong Kong, e eu me senti em casa”, diz o italiano, que não estudou português, mas fala bem o idioma. Em janeiro de 2011, ele foi para o escritório de Nova York, onde ficou até abril de 2012, quando pediu para ser transferido para o Brasil. Ao chegar ao País, o enviaram para um projeto no México, onde permaneceu por seis meses. De volta a São Paulo, Barbieri espera ser promovido a gerente do escritório local.

Consultoria.

Foi para aproveitar o aumento da “importação” de mão de obra que a advogada Marta Mitico abriu, em janeiro deste ano, a BR-Visa Immigration Solutions, que presta consultoria a empresas brasileiras que contratam mão de obra estrangeira ou multinacionais que enviam profissionais para o País. “Boa parte são companhias estrangeiras que estão chegando ao País e trazem mão de obra especializada do exterior”, diz Mitico. O português Rui Felipe Rodrigues Gonçalves deixou para trás 18 anos de funcionalismo público na terra natal para ser diretor-geral da Espobras Construção e Incorporação. Formado em filosofia e advocacia, ele não se arrepende de ter trocado Lisboa por Brasília: “A situação lá está muito complicada. Em oito anos, eu não tive aumento de salário.”

Jornal New York Times planeja site brasileiro em 2013

segunda-feira, outubro 15th, 2012

Site nacional terá entre 30 e 35 notícias e artigos por dia, além de dois terços do conteúdo traduzido do site americano, informou o jornal ao britânico Financial Times

Pedro Zambarda, de Exame.com

A versão brasileira do New York Times será sediada em São Paulo e terá uma operação muito parecida com o site chinês do jornal, lançado em junho

São Paulo - O jornal americano “The New York Times” planeja lançar um site em português no Brasil, a partir da segunda metade de 2013, afirma o jornal britânico Financial Times nesta segunda-feira. Denise Warren, diretora-geral do NYT.com e chefe de publicidade do site, disse ao FT o site não terá o modelo pago que é utilizado na versão dos Estados Unidos e dependerá de publicidade.

A versão brasileira do site, ainda de acordo com o Financial Times, será sediada em São Paulo e terá uma operação muito parecida com o site chinês do jornal, lançado em junho. O novo site terá entre 30 e 35 notícias e artigos por dia, sendo que dois terços do conteúdo será traduzido da página americana.

Segundo o FT, o NYT preferiu lançar uma versão em português antes de uma versão espanhola do site porque o espanhol é diferente em países como México e Argentina.

O publisher do New York Times, Arthur Ochs Sulzberger Jr., está no Brasil e dará uma palestra nesta segunda, em São Paulo, na 68ª Assembleia Geral da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP).

Suecos investem para fazer do Brasil um polo de inovação

terça-feira, setembro 18th, 2012

Virgínia Silveira | Para o Valor, de Gotemburgo e Linköping, Suécia
Valor Econômico - 18/09/2012

Conhecidas pelo trabalho que desenvolvem para se manterem na vanguarda da tecnologia, empresas e instituições suecas de pesquisa e desenvolvimento querem replicar no Brasil o sistema de inovação aberta que ajudou a Suécia a conquistar as primeiras posições no ranking mundial entre as nações mais inovadoras. A Saab, uma das empresas que integra o projeto, já investiu US$ 15 milhões no Brasil e estima mais US$ 50 milhões para os próximos cinco anos.

No modelo de inovação aberta, laboratórios de pesquisa e desenvolvimento de grandes empresas, universidades, institutos de tecnologia, empreendedores e investidores de capital de risco trabalham juntos nos parques de ciência e tecnologia instalados em pontos estratégicos, um ambiente propício à colaboração para a inovação, disse Bruno Rondani, diretor do Centro de Pesquisa e Inovação Sueco-Brasileiro (Cisb) no Brasil.

Esse modelo começou a ser testado no Brasil há um ano, por meio do Cisb, que se apoia no tripé formado por universidade, empresa e governo. Os testes incluem o desenvolvimento de projetos na área de redes elétricas urbanas inteligentes e de biocombustíveis de segunda geração, visando a produção de polímeros verdes. São diversos setores beneficiados pelos projetos, que dependem da tecnologia para conquistar inovações. O Cisb foi fundado pela Saab e conta com 11 membros e 40 parceiros, entre suecos e brasileiros.

Um laboratório de alta tecnologia, por exemplo, inspirado em uma experiência bem-sucedida da sueca Saab, na África do Sul, será montado na Universidade do ABC com o objetivo de abrigar pesquisas sobre demandas complexas da sociedade, especialmente nas áreas de segurança e transporte.

Para incentivar a formação de pessoal especializado, a Saab, segundo o vice-presidente de tecnologia, Pontus de Laval, cofinanciou em parceria com o CNPq cem bolsas de estudos para o programa Ciência sem Fronteiras, com foco nas áreas de segurança e defesa. No total, o governo sueco ofereceu 1.800 bolsas para realizar projetos em diferentes áreas.

Para que os pesquisadores brasileiros possam interagir entre si, com a comunidade científica sueca e com os engenheiros da Saab, foi desenvolvido pelo Cisb e pela Saab um sistema que permite a colaboração entre todos os integrantes do projeto.

O matemático brasileiro Joni Amorim está se beneficiando dessa integração. Ele já está preparando as malas para iniciar um pós-doutorado de um ano na Suécia, em 2013. Doutor em engenharia da computação pela Unicamp, Amorim disse que terá oportunidade de desenvolver uma metodologia de treinamento em segurança cibernética, para ser aplicada no treinamento de civis e militares no Brasil, voltada para grandes eventos, como a Copa do Mundo e a Olimpíada.

Apoio inclui alianças com institutos, empresas e governo, e laboratório de alta tecnologia na Universidade do ABC

“A bolsa era de € 2.100, mas como o valor seria insuficiente para o custo de vida da Suécia, a Saab aumentou 100%”, disse Amorim. O pós-doutorado será na Universidade de Skövde, especializada em tecnologia da informação. O campus está integrado a um parque tecnológico, onde a Saab tem uma unidade para interagir com a área de pesquisa de interesse da empresa.

Além da Saab, oito empresas e instituições suecas de pesquisa e desenvolvimento participam do Cisb, como as montadoras de veículos Scania e Volvo; a Stora Enso, da área de papel e celulose; empresas de tecnologia, além do SP Technical Institute, Innventia, Chalmers-Frauhoferg, KTH (Royal Institute of Technology) e as universidades de Linköping e de Chalmers.

Por ser um país pequeno, a Suécia concentra seus projetos de inovação em soluções que visam negócios globais, disse Rondani, do Cisb no Brasil.

Laval, da Saab, disse que a empresa desenvolveu uma gama de radares de curto alcance (até um quilômetro), com aplicações diversas em segurança, gestão de tráfego e minas. A empresa investiu € 30 milhões no projeto do radar e agora procura um parceiro no Brasil que tenha interesse em adaptar essa tecnologia às necessidades locais, disse o executivo. A companhia já está trabalhando com uma empresa que fornece tecnologia para a Companhia Vale do Rio Doce e existe uma oportunidade de fazer o mesmo com a Petrobras, segundo Laval.

Na inovação aberta, os parceiros precisam estar dispostos a abrir seus planos e ideias aos demais. “Isso funciona bem com as universidades brasileiras, mas ainda vemos certa hesitação por parte das empresas e também alguns problemas com os órgãos públicos, devido à existência de lei mais rigorosa, em comparação com a Suécia”, disse ele, referindo-se às normas para pesquisa e desenvolvimento no Brasil.

Para o vice-presidente de pesquisa e desenvolvimento da Scania, Lars Stenqvist, os projetos feitos em colaboração com diferentes empresas e universidades permitem um fluxo maior de conhecimento. “Nem sempre somos os melhores em determinadas áreas, e essa troca é extremamente rica.”

A Scania investe 550 milhões de coroas suecas por ano (US$ 83,5 milhões) em pesquisa e desenvolvimento e considera o Brasil seu maior mercado no mundo. “Nosso maior desafio é encontrar soluções para a redução do consumo de combustível e das emissões de gases”, disse.

A Scania desenvolve um projeto pelo sistema de inovação aberta na área de segurança do tráfego. Batizado de Safer, o projeto reúne 26 parceiros na Suécia, entre eles o Parque de Ciências de Lindholmen, em Gotemburgo, a empresa Autoliv e a Volvo. O objetivo é reduzir a zero o número de mortes e lesões graves nas estradas do país. “A combinação de pessoas da indústria, da academia e do setor público gera muitos resultados interessantes e valiosos”, disse Lotta Jakobsson, da Volvo Car Corporation.

“Estamos pensando em levar esse projeto para o Brasil. A Scania já ofereceu um caminhão equipado com sensores e medidores para analisar o comportamento do caminhoneiro nas estradas”, revelou o diretor de Engenharia da Scania, Lars-Henrik Jörnving.

A Universidade de São Paulo (USP) e o Centro Universitário da FEI, segundo ele, também deverão participar do projeto. “Queremos ampliar os campos de testes de veículos no Brasil, tendo em vista as particularidades do país em relação a umidade e calor”, afirmou Stenqvist.

A companhia trabalha também em cooperação com as Universidades de Estocolmo e de Linköping e com o instituto KTH nas área de testes, simulação de impacto e redução de ruído.

A repórter viajou a convite do Centro de Pesquisa e Inovação Sueco-Brasileiro

‘Forbes’: Brasil tem duas empresas entre 100 mais inovadoras do mundo

quarta-feira, setembro 12th, 2012

Radar Econômico
Sílvio Guedes Crespo

A revista Forbes elaborou uma lista das empresas mais inovadoras do mundo. Das cem companhias citadas, duas são brasileiras: a Brasil Foods (em 54º lugar), criada a partir da fusão entre Perdigão e Sadia, e a Ultrapar Participações (56º), que é dona de parte da Ultragaz, da Ipiranga e da Ultracargo.

A americana Salesforce lidera o ranking, que provê aplicativos para computação em nuvem – aqueles que são operados pela internet, e não instalados na máquina de cada usuário.

A revista classifica as empresas pelo indicador que ela chama de “prêmio de inovação”. Esse índice busca calcular quanto a expectativa de inovações de uma empresa aumenta o preço de suas ações. No caso da Salesforce, por exemplo, o prêmio de inovação é de 73%, segundo a Forbes. Ou seja, a expectativa dos investidores de que a companhia melhore seus resultados por meio de inovações, diz a revista, elevou em 73% o preço das ações.

A primeira empresa não americana da lista é a chinesa Baidu, um site de buscas que permite aos usuários encontrar páginas, imagens e vídeos em língua chinesa. Enquanto o Baidu aparece em 5º lugar no ranking, o Google está em 24º. A Apple vem em 26º. A Microsoft não se encontra na relação.

Fora do setor de tecnologia, o ranking contempla companhias de diversas outras áreas, incluindo os setores de bebidas (liderado pela AB InBev, sediada na Bélgica), processadores de alimentos (Danone) e restaurantes (Starbucks).

Economia brasileira amadureceu desde a crise de 1982

quarta-feira, setembro 5th, 2012

O Globo - 05/09/2012

Os anos 70 foram de profunda transformação não só no Brasil mas na economia mundial. Nos primeiros anos da década houve um crescimento fortíssimo, e esse período chegou a ser conhecido como milagre brasileiro. A expansão econômica contrastava com o ambiente político fechado. Somente a partir de 1974 teria início uma “lenta e segura” abertura, na definição do então presidente, general Ernesto Geisel - que se completaria apenas em 1985, com a eleição de Tancredo Neves (por via indireta) para a Presidência da República.

O crescimento da economia na década de 70 foi marcado também por um progressivo endividamento externo. Dependente do petróleo importado, o Brasil passou a registrar expressivos déficits em sua balança comercial motivados por dois choques nas cotações internacionais do óleo cru (1973/74 e 1979).

No início dos anos 80, o endividamento externo deu mais um salto, com o choque de juros decorrente da política monetária restritiva adotada pelos Estados Unidos para segurar a inflação que fora desencadeada pela alta dos preços dos combustíveis. Polônia e México foram os primeiros países a não conseguir rolar as dívidas. Em seguida, outras nações endividadas, como o Brasil, foram arrastadas pela crise.

A renegociação da dívida externa, ao fim de 1982, exigiu um rigoroso ajuste da economia brasileira nos anos posteriores. A partir de documentos internos do governo, agora revelados, e de depoimentos de autoridades da época, uma série de reportagens do GLOBO reconstituiu aquele momento delicado.

Os reflexos da crise da dívida perduraram por mais de dez anos. Somente a partir de 1992, quando uma renegociação permitiu que o Brasil retomasse os pagamentos e regularizasse sua situação com os credores, foram criadas as condições para o país debelar um dos seus mais graves problemas econômicos, a inflação crônica e aguda. Outras situações críticas tiveram que ser enfrentadas em 1994, 1998, 1999 e 2003, mas em um contexto que reformas estruturais já haviam sido implementadas ou estavam em curso. A economia pôde enfrentá-las em melhor situação que em 1982.

Hoje, o conceito da economia brasileira é de “grau de investimento” na classificação das agências de avaliação de risco. A vulnerabilidade externa diminuiu consideravelmente, porque as exportações se multiplicaram e já não há dependência energética do passado. A inflação tem sido mantida sob controle por um regime de metas, e o câmbio flexível permite que a economia se ajuste rapidamente no caso de turbulências no mercado internacional. Além disso, reservas da ordem de US$ 380 bilhões afugentam o fantasma de nova crise da dívida. O Brasil virou credor do próprio FMI.

Os desafios atuais são outros. O maior deles é impulsionar investimentos, públicos e privados, capazes de sustentar a retomada do crescimento. Para isso, há necessidade de novas reformas.

Brasil só recupera 6º lugar entre os ricos em 2015

terça-feira, setembro 4th, 2012

DANIELA AMORIM
O Estado de S. Paulo - 04/09/2012

Levantamento da Austin Rating leva em conta as estimativas do FMI para a expansão do PIB e para o câmbio de 2012 a 2015

O Brasil só deve recuperar a sexta posição no ranking das maiores economias do mundo em 2015. Até lá, o Reino Unido mantém o sexto lugar e o Brasil permanece um passo atrás, em sétimo, segundo levantamento da Austin Rating, preparado a pedido da Agência Estado. O estudo levou em consideração as estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI) tanto para a expansão do PIB quanto para o câmbio, de 2012 a 2015.

A economia brasileira cresceu menos do que o esperado em 2012, mas o câmbio teve um papel considerável na perda de posição do País no ranking das principais economias do planeta. Enquanto houve forte desvalorização do real frente ao dólar, a libra esterlina sofreu valorização em relação à moeda americana.

O cenário não deve se alterar até o fim do ano, a menos que haja uma inversão na tendência do câmbio ou que a economia brasileira cresça mais do que os 2,5% esperados pelo FMI, e a economia britânica fique abaixo dos 0,2% de expansão no ano.

“A diferença entre o PIB do Reino Unido e do Brasil é bem pequena, de US$ 2,929 bilhões. O FMI fará uma revisão nas estimativas no fim de setembro. O Brasil até pode manter a posição conquistada (a 6ª posição), mas desde que o câmbio mude ou que a previsão para o crescimento do Reino Unido também”, calculou Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, responsável pelo levantamento.

Agostini explica que o FMI estima uma desvalorização de 10% do real frente ao dólar em 2012, seguida de uma desvalorização média de 3,5% até 2015. Já para o Reino Unido, o FMI projeta uma valorização de 2% da libra esterlina sobre o dólar em 2012, seguida de uma desvalorização média de apenas 0,1% até 2015.

Paralelamente, o fundo estima um crescimento de 2,5% do PIB brasileiro em 2012, e de 0,2% para o Reino Unido no ano.

Entretanto, para o período de 2013 em diante, enquanto a projeção do Brasil fica relativamente estável, em 4,1%, a estimativa de avanço no PIB para o Reino Unido sobe.

“Ou seja, mesmo o PIB do Brasil subindo de 2,5% em 2012 para 4,2% em 2013, a perda da desvalorização do real é maior do que a da libra. Além disso, o crescimento do Reino Unido aumenta de patamar até 2015, enquanto o Brasil fica estável em 4,1%”, atentou Agostini.

Financial Times vê chance única de Brasil atacar gargalos de infraestrutura

quarta-feira, agosto 29th, 2012

Radar Econômico - O Estado de São Paulo
Sílvio Guedes Crespo

Um conjunto de fatores que se encontram neste momento dá ao Brasil uma chance única em toda uma geração de resolver parte dos problemas de infraestrutura, avalia o jornal Financial Times, que publicou extensa reportagem sobre o assunto.

“Juntos, os eventos (a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016) representam uma oportunidade que é única em uma geração para a maior economia da América Latina mostrar que pode executar grandes projetos, uma vez que o governo quer tocar um ambicioso plano para investir R$ 955 bilhões em novas rodovias, portos, aeroportos e usinas, com a participação de investidores estrangeiros.”

Além dos jogos esportivos, a taxa básica de juros em um nível historicamente baixo pode levar o capital internacional a investir menos na dívida pública e mais na infraestrutura.

“Ainda é cedo para dizer se os investidores estrangeiros terão interesse em assumir o risco de longo prazo de investir em títulos de infraestrutura em moeda local”, afirma o FT. “Se (o Banco Central) conseguir manter as taxas (de juros) em um nível baixo, investidores vão começar a olhar para investimentos de longo prazo em busca de retornos maiores”.

O jornal engrossa o coro dos que apoiam a decisão do governo de permitir que o setor privado invista R$ 166 bilhões em rodovias e ferrovias, bem como os planos, ainda não anunciados, de fazer o mesmo com portos e aeroportos. Mas alerta que, a partir de agora, a questão é se esses projetos serão executados integralmente. O diário lembra que, na primeira edição do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), “apenas um pouco mais do que a metade dos investimentos previstos para logística e serviços de utilidade pública foi concluído”.

O fato de o Brasil ter essa chance não significa que o País esteja próximo de se igualar, em termos de infraestrutura, às nações ricas ou mesmo a outras emergentes. Atualmente, apenas 6% das estradas no Brasil são pavimentadas. No México, essa proporção é de mais de 30%; na China, supera 50%; nos EUA, 80%.

Economia cresce 0,2% no primeiro trimeste, aponta IBGE

sexta-feira, junho 1st, 2012

Folha.com
PEDRO SOARES
DO RIO

Diante de uma freada do consumo e da queda da indústria, o PIB (Produto Interno Bruto) fechou o primeiro trimestre do ano com alta de 0,2% na comparação livre de influência sazonais com os três últimos meses de 2011.

Na comparação com o primeiro trimestre de 2011, a economia brasileira cresceu 0,8%. Nos últimos quatro trimestres encerrados em março, o PIB subiu 1,9%.

De janeiro a março, a economia do país produziu R$ 1,03 trilhões em bens e serviços, segundo dados do IBGE divulgados nesta sexta-feira.

Do lado da produção, o destaque negativo foi a agropecuária. O PIB do setor encolheu 1,7% em relação ao último trimestre de 2011 e 8,5% na comparação com igual período de 2011.

A indústria cresceu 1,7% em relação ao ultimo trimestre de 2011, mas teve alta de apenas 0,1% na comparação com mesmo trimestre do ano anterior.

O setor sofreu com a maior competição externa (que não refluiu ainda alta recente do dólar), a perda de ritmo do consumo interno diante dos maiores níveis de endividamento e inadimplência e estoques elevados.

Já os serviços, sob impacto do bom desempenho do mercado de trabalho (renda em alta e baixa taxa de desemprego), tiveram alta de 0,6% frente ao último trimestre de 2011 e de 1,6% na comparação anual.

Sob a óptica dos componentes da demanda, o destaque negativo foi o investimento, que caiu 1,8% na comparação com o último trimestre de 2011 e 2,1% na comparação com o mesmo trimestre de 2011.