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O deserto das letras

terça-feira, abril 3rd, 2012

Carlos Alexandre
Correio Braziliense - 03/04/2012

O brasileiro lê em média quatro livros por ano, segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, divulgada na semana passada pelo Instituto do Livro. As razões para esse quadro desolador são fartamente conhecidas — baixa qualidade da educação, tradição oral na cultura brasileira, preços proibitivos dos livros, apelo da tecnologia, etc. — e permanecem intocadas por gerações.

A pesquisa sobre nossos parcos hábitos de leitura se associa a outro dado relevante, mais antigo, para diagnosticar a delicada situação nacional. Segundo informações publicadas em 2010, o país ocupa a 88ª posição no Índice de Desenvolvimento de Educação para Todos, ranking elaborado pela Unesco a fim de medir a capacidade e o compromisso das nações com o trabalho desenvolvido nas escolas. A sexta economia mundial está em posição inferior ao Equador, à Bolívia e ao Paraguai; e muito longe de Argentina, Uruguai e Chile, para ficar apenas na América do Sul.

Mais grave do que analisar os antecedentes históricos e fazer estudos comparativos, porém, é verificar a perspectiva do problema. A pouca intimidade do brasileiro com o conhecimento guardado nos livros projeta situações preocupantes. O grave deficit educacional acarreta dificuldades nas escolas, no mercado de trabalho, na economia internacional, nas políticas públicas, no exercício da cidadania. Enquanto o país mantiver indicadores tão precários na formação intelectual dos brasileiros, encontraremos sérios limites para qualificar nossa pauta de exportação, aprofundar o estudo científico, encontrar soluções inovadoras, acelerar o ritmo de crescimento, ser uma sociedade mais justa.

Estatísticas econômicas indicam que o brasileiro demonstra grande interesse em comprar carro, televisão, geladeira, celular. Não se observa, porém, a mesma voracidade no consumo de livros, instrumentos poderosos para alcançarmos um grau de desenvolvimento mais avançado. No mundo pós-industrial, apenas a valorização da leitura permitirá atravessar o deserto das letras.

Brasileiros lideram compra de imóveis caros em Miami

sexta-feira, março 30th, 2012

Consumidores do País foram o que mais compraram, em 2011, empreendimentos na faixa entre US$ 1 milhão e US$ 3 milhões
Márcia De Chiara, de O Estado de S. Paulo

Os brasileiros foram, entre os estrangeiros, os que mais compraram imóveis acima de US$ 1 milhão em Miami, nos Estados Unidos, no ano passado. Eles também ficaram na vice-liderança do ranking de compradores internacionais na região para todas as faixas de preço de imóveis, com 12% dos negócios, atrás somente dos venezuelanos (15%), revela uma pesquisa feita pelo sindicato dos corretores de Miami (Miami Realty Association).

Em números redondos, os brasileiros adquiriram em 2011 cerca de 150 imóveis avaliados entre US$ 1 milhão e US$ 3 milhões, em Miami e Fort Lauderdale. É exatamente atrás desses compradores que o diretor da filial da Flórida (EUA) da ONE Sotheby’s International Realty, Daniel de la Vega, está desde segunda-feira no País.

Ele busca compradores para um empreendimento residencial de alto padrão em Miami, chamado Bellini, que fica em Williams Island. São 70 apartamentos distribuídos por 24 andares. Com área que varia entre 208 metros quadrados e 406 metros quadrados, os preços dos apartamentos oscilam entre US$ 1,050 milhão e US$ 4,250 milhões, respectivamente.

O empreendimento começou a ser construído em outubro de 2011 e deve ser concluído em junho de 2013. O projeto tem área de lazer com 16 quadras de tênis, marina para ancoragem de barcos e elevador privativo para cada residência.

“Estamos muito contentes com o resultado de vendas obtido até agora”, afirma Vega, sem revelar números. Os negócios fechados do empreendimento até o momento não incluem os brasileiros, segmento de mercado que começará a ser garimpado a partir de agora.

Vega conta que a estratégia da imobiliária é vir a cada três meses ao Brasil para vender o empreendimento. Nesta semana, ele se reuniu com os corretores brasileiros, mas houve encontros com clientes interessados no empreendimento. Segundo ele, o desempenho da economia do País, associado à preferência do brasileiro por Miami, é o motivo que o trouxe até aqui.

“Se tivéssemos vendendo um empreendimento no Alasca, não estaríamos aqui. O brasileiro está comprando é em Miami”, diz Vega. Ele explica que, além de ser um destino internacional de fácil acesso, vários outros fatores atraem os brasileiros para lá: grandes shoppings, praias belíssimas e as pessoas falando espanhol e até português.

“Miami é uma cidade quase latina e muito familiar para os brasileiros.” Ele observa que nem precisa fazer muito esforço para vender os imóveis. “Os brasileiros, quando vêm procurar um imóvel em Miami, já estão vendidos”, brinca.

Preços. Vega observa que não é possível comparar os preços do metro quadrado em São Paulo com os de Miami por causa da localização dos imóveis, mas afirma que as cotações de lá estão mais em conta. No caso do empreendimento que ele está vendendo, o preço do metro quadrado de área total varia entre US$ 4,2 mil e US$ 7,4 mil, dependendo do tipo de apartamento.

Ele também ressalta que, depois da crise imobiliária que atingiu os Estados dos Unidos em setembro de 2008, com a quebra do Lehman Brothers, a tendência dos preços é de alta. Em dólar, os preços dos imóveis em Miami estão 50% menores em relação ao pico, atingido em 2006. Também as cotações estão no mesmo nível de dez anos atrás.

No ano passado, Vega já esteve no País vendendo outros empreendimentos e obteve resultados positivos. De um total de 120 clientes atendidos, 60% fecharam negócios e os 40% restantes estão em fase de negociação. Ele explica que há uma fatia de compradores brasileiros que ainda tem uma certa insegurança de comprar um imóvel no exterior. “Eles consultam advogados e demoram mais tempo para fechar o negócio.”

De qualquer forma, Vega já identificou três perfis de compradores brasileiros em Miami. O primeiro grupo é formado por investidores que adquirem o imóvel para alugar. O segundo grupo é de jovens executivos solteiros, que procuram apartamentos com um único quarto e que oferecem serviços.

O último grupo reúne famílias que já frequentam Miami, possuem um imóvel lá e querem comprar outro melhor. Ele observa que, normalmente, quando um brasileiro adquire um imóvel em Miami, aparecem outros brasileiros, amigos ou parentes,querendo comprar imóveis. A preferência é pela compra de um imóvel no mesmo bairro e, se possível, no mesmo prédio no qual os parentes e amigos já têm uma propriedade.

Classe C chega a 54% da população e tem renda média de R$ 1.450

quinta-feira, março 22nd, 2012

FSP - MARIANNA ARAGÃO

Embora em ritmo menos acelerado, a classe C continuou a crescer no Brasil em 2011. A participação desse estrato social no total da população brasileira foi de 54% no ano passado, segundo pesquisa divulgada nesta quinta-feira pela Cetelem, financeira do grupo francês BNP Paribas em parceria com o instituto Ipsos.

Em 2010, ela representava 53% da população.

De acordo com a pesquisa “O Observador Brasil 2011″, a classe C recebeu 2,7 milhões de brasileiros em 2011, vindos da classe DE. Hoje, 103 milhões de pessoas fazem parte dessa classe social. A classe DE, por sua vez, encolheu no ano passado, representando 24% da população, num total de 45,2 milhões de brasileiros. Em 2010, eram 47,9 milhões de pessoas, ou 25% da população.

“Essas mudanças marcam a consolidação da mobilidade social que vimos ocorrer no Brasil nos últimos anos”, diz Marcos Etchegoyen, diretor-presidente da Cetelem BGN. A pesquisa, realizada desde 2005, mostra que 63,7 milhões de brasileiros ascenderam socialmente no Brasil nos últimos sete anos. “É o equivalente a toda a população da Itália”, comenta Etchegoyen.

O grupo que mais contribuiu para essa evolução foi a classe C, que representava 34% da população em 2005, e hoje está em 54%.

As classes sociais utilizadas no estudo são as definidas pelo CCEB (Critério de Classificação Econômica Brasil), fornecida pela Abep (Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa).

O conceito não considera a renda, mas a posse de itens como eletrodomésticos, veículos, quantidade de cômodos na casa e grau de instrução do chefe de família.

RENDA

A pesquisa mostrou ainda que a classe C foi a única camada da população cuja renda média familiar cresceu em 2011. A evolução foi de 8%, para R$ 1.450. Já as classes AB e DE tiveram uma ligeira queda na renda. No caso da AB, a renda caiu de R$ 2.907 em 2010 para R$ 2.893 no ano passsado. A renda da classe DE diminuiu de R$ 809 para R$ 792 no mesmo período.

A renda disponível, que corresponde à renda da família após os gastos, cresceu em todas as classes sociais no ano passado, o que indica que houve uma maior contenção dos gastos. “As pessoas gastaram menos no ano passado,influenciadas pela piora no ambiente econômico, especialmente no segundo semestre”, diz Miltonleise Filho, vice-presidente da Cetelem BGN.

A preocupação com o futuro da economia apareceu em outro dado levantado pela pesquisa, sobre intenção de compra para 2012. Em comparação com o ano anterior, os brasileiros mostraram-se mais cautelosos para consumir itens como carros, computadores e eletrodomésticos.

O percentual de pessoas com intenção de comprar um automóvel este ano, por exemplo, caiu de 18% para 15% em 2011. Apenas 25% da população declarou ter pretensão de comprar algum serviço relacionado a lazer ou viagem, ante 32% na pesquisa anterior. “Devido a essa cautela, em 2012 podemos não ter o mesmo nível gasto visto no ano passado”, diz Miltonleise Filho.

Ainda assim, o brasileiro ainda é o povo mais otimista, dentre os 13 países onde a pesquisa é realizada anualmente. A nota média dada pelos entrevistados à situação do país foi de 6,3 em 2011, a maior avaliação nos mercados pesquisados. Os alemães têm a segunda melhor avaliação sobre seu país: a nota média no país foi de 6,2.

A pesquisa ouviu 1.500 pessoas em 70 cidades brasileiras, em dezembro do ano passado.

IBGE: Casas Equipadas

quinta-feira, novembro 17th, 2011

Correio Braziliense - 17/11/2011

 

Quatro em cada 10 famílias brasileiras têm computador em casa. Em 2000, essa proporção era de uma para 10. Depois do equipamento, o outro bem que mais entrou na casa da população, na última década, foi a máquina de lavar roupas, presente em 47% dos lares. Televisão e geladeira, que já eram comuns nas residências do país, chegaram a 95% e 93% dos domicílios, respectivamente, ano passado. Em baixa estão o rádio, que caiu de 87% para 81% das casas, e o telefone fixo, de 39% para 36%. Em compensação, o número de famílias que usam apenas o telefone celular é de 47,1%, contra a utilização exclusiva da linha fixa em apenas 4,7% dos lares no país.

Os dados, apresentados ontem pelo IBGE como parte do Censo 2010, mostram que os eletrodomésticos estão sendo cada vez mais acessíveis aos brasileiros. Carro particular é outro produto bem mais comum a cada levantamento. Se, em 2000, 32,6% das famílias contavam com um automóvel para uso pessoal, hoje, o índice chega a 39,4%. A evolução dos equipamentos tem sido tão veloz que informações levantadas pelo censo de 10 anos atrás foram desprezadas no do ano passado, como a presença de videocassete nas casas.

Solteiros brasileiros movimentam R$ 418 bi por ano

terça-feira, junho 14th, 2011

Jovens da classe C são responsáveis por 46% deste total

Cláudio Martins, do Mundo do Marketing

São Paulo - Os solteiros brasileiros movimentam R$ 418,7 bilhões por ano, segundo pesquisa do Data Popular. Deste total, os jovens emergentes possuem quase metade de participação (46%).

No Brasil, o número de pessoas maiores de 18 anos que mantêm este estado civil é de 47,1 milhões, e a faixa etária é de, em média, 32 anos.

Cerca de 3,7 milhões vivem sozinhos, o que corresponde a 8% do total. Nas classes D e E, a maior parte dos solteiros são mulheres, que totalizam 52% dos 15,4 milhões de brasileiros deste grupo.

Já nas classes AB e C, a maioria dos solteiros são homens, com percentuais de 49% e 47%, respectivamente. A região Norte do país possui a maior concentração de pessoas desse grupo (50,4%) e o Sul brasileiro tem menor distribuição, com 31,9% dos solteiros.

As pessoas emergentes que não são casadas detêm 46,3% da massa de renda do grupo, movimentando R$ 193,9 bilhões.

A participação das classes A e B nesse montante equivale a 18,1% (R$ 75,6 bi) e 21,6% (R$ 90,5 bi), respectivamente. Os solteiros da base da pirâmide contribuem com apenas 0,8% do total, movimentando R$ 3,3 bilhões.

Habitação responde por 26% das despesas

terça-feira, maio 10th, 2011

Aluguéis, impostos, taxas e contas relacionadas à moradia são o principal gasto do brasileiro, diz estudo
Julia Wiltgen, de Exame.com
Os brasileiros de todas as classes sociais estão consumindo mais. De acordo com o IPC Maps 2011, o consumo dos brasileiros deve chegar a 2,452 trilhões de reais, um crescimento superior a 250 bilhões de reais quando comparado a 2010 (cerca de 2,2 trilhões). Desse gasto, 26,4% corresponde a despesas relacionadas à moradia.

O estudo aponta que os brasileiros gastam seu dinheiro, principalmente, com ítens básicos. A manutenção do lar, que incorpora despesas com aluguéis, impostos e taxas, luz-água-gás correspondem a 26,4% do total. Em seguida vêm os gastos com alimentos e bebidas (17,1%), higiene/cosméticos e saúde (8,0%), transportes/veículos (7,5%), vestuário e calçados (4,7%), seguidos de recreação e viagens (3,4%), educação (2,4%), eletrônicos-equipamentos (2,2%), móveis e artigos do lar (1,8%), e fumo (0,5%).

O viés do consumidor mostra que a sociedade economicamente ativa brasileira conta atualmente com 89,7 milhões de pessoas - exatos 46,5%, na faixa etária dos 20 aos 49 anos -, e que outros 20,5% (39,6 milhões) já estão com 50 anos ou mais. A população de jovens e adolescentes vem em seguida, com uma população de 34,6 milhões de pessoas na faixa etária de 10 a 19 anos. A população infantil, compreendida pelas faixas etárias de 0 a 4 anos e de 5 a 9 anos é a menos populosa, evidenciando o envelhecimento gradativo da população brasileira. Nestas 2 faixas etárias teremos 29,1 milhões de crianças em 2011, correspondente a 15,1% da população estimada para 2011.

Classe C

De acordo com o IPC Maps de 2011, mesmo segmentada, a classe C (C1 e C2) tem potencialidade evidente de consumo ao concentrar o maior contingente de domicílios urbanos: são mais de 24 milhões, ou seja, 49,3% dos domicílios brasileiros, respondendo por 29,6% de tudo que será consumido no País. Marcos Pazzini, diretor da IPC Marketing Editora e responsável pelo estudo, calcula que a classe C vai absorver um valor próximo de 690 bilhões de reais do consumo nacional, elevando o seu poder de compra em 19%, em relação a 2010, quando essa cifra era de 579,7 bilhões de reais.

Mais de R$ 1 tri, na classe média

A classe média teve um crescimento significativo de 2010 para 2011, da ordem de 20%, superando o patamar de 1 trilhão de reais de consumo puxados pelas classes B2 - com cerca de 592,5 bilhões de reais - e C1 (cerca de 440,4 bilhões de reais). Responde por 44,3% do total previsto para o País, em 2011, percentual significativamente superior a demanda de 2010, quando a participação foi de 41,4%. Já as classes A1, A2 e B1 (topo da pirâmide social) disputarão o poder de compra com a classe média com outros 929,4 bilhões de reais, ou seja, 39,9%.

Interiorização e consumo das regiões Sul e Centro-Oeste

O IPC Maps aponta perda de potencial de consumo entre as 27 capitais quando comparado a 2010, revelando uma tendência à descentralização do consumo para o interior. A participação das capitais será de 32,7% em 2011, ante os 34,5% registrados em 2010. Em valor, a participação das 27 capitais brasileiras será equivalente a 802,8 bilhões de reais.

A região Sudeste mantém a liderança, apesar de ter sido a única a ter perda de participação no consumo nacional entre 2010 e 2011. O Sudeste projeta uma participação de 52,2% em 2011. Registrou 52,7%, em 2010.

Em todas as outras regiões verifica-se leve aumento de participação, sendo as do Sul e Centro-Oeste que mais aumentaram suas presenças - o Sul fica com 16,6% (contra os 16,5, em 2010) e o Centro-Oeste marca 7,9% ante os 7,7% apresentados no ano passado. A região Norte deve participar com 5,4% (em 2010, marcava 5,3%).

No ranking, a região Nordeste continua na 2a posição, a frente da região Sul e atrás da região Sudeste, tradicionalmente a primeira colocada neste ranking.

Brasileiros lideram acesso a blogs

quinta-feira, março 3rd, 2011

De acordo com pesquisa realizada pela comScore, os brasileiros são os que mais navegam pelos blogs. Apesar de estar em declínio em países asiáticos, europeus e na maioria da América, onde o índice de visitação corresponde à 50% da população, no Brasil, em 2010, estima-se que 71% das pessoas utilizaram a ferramenta.

O bom desempenho do número de acessos foi resultado das eleições presidenciais, que ocorreram ano passado. Segundo a pesquisa, os diários on line foram muito utilizados como fonte de informação. Entre outubro e novembro, 39,3 milhões de internautas acessaram essas páginas com conteúdo sobre a disputa política. Assim como no sudeste, as regiões Norte e Sul tiveram elevação de 3 pontos percentuais. No Centro-Oeste, o índice subiu cerca de 4 pontos e, no Nordeste, 7 pontos, o maior aumento nacional.

Nas redes sociais, consideradas as principais causas da perda da popularidade dos blogs, o Brasil também fica na frente e ainda teve aumento de 10% em relação a 2009. O país abrange 85,3% dos internautas contra 70% da média internacional.

As informações são do Comunique-se

Redação Adnews

Exame.com: Impostos pagos por brasileiros quebram recorde histórico

segunda-feira, dezembro 13th, 2010

Marca de R$ 1,2 trilhão de tributos federais, estaduais e municipais será atingida na terça-feira (14)

São Paulo - Após alcançar um trilhão de reais com 49 dias de antecedência em relação ao ano passado, o Impostômetro vai superar a marca inédita de um trilhão e 200 milhões de reais nesta terça-feira (14), às 11h45. O montante inclui tributos federais, estaduais e municipais.

LO Impostômetro é uma ferramenta criada em 2005 pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP) em parceria com o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT). É possível acompanhar a evolução total da arrecadação na página de Economia de EXAME.com.

O software permite ainda visualizar cada tributo e a divisão de recursos entre Estados e União. A área específica para municípios está em manutenção. O usuário pode também ver quanto cada habitante paga de impostos e quanto o governo arrecada por mês, por dia, por hora, por minuto e por segundo, além de fazer consultas em datas e períodos específicos.

Veja a evolução da arrecadação desde 2006:

Fonte: Impostômetro Ano Arrecadação

2006: R$ 816 bilhões
2007: R$ 925 bilhões
2008: R$ 1,054 trilhão
2009: R$ 1,088 trilhão
2010: R$ 1,265 trilhão

Saiu na imprensa: Decorando a nova casa dos brasileiros

terça-feira, novembro 16th, 2010

Fabricantes e lojas de móveis investem em design e praticidade para atrair o cada vez mais exigente consumidor das classes C e D 

15 de novembro de 2010
Marisa Vieira da Costa e Aiana Freitas, de O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO - A casa do brasileiro das classes C e D está mais bonita. O mobiliário, que até alguns anos atrás se resumia ao pouco que o mercado popular tinha a oferecer, agora é escolhido com critério. De olho nesse público, que nos últimos anos ganhou informação e viu aumentar seu poder de compra, as grandes redes passaram a facilitar o crédito e a investir pesado em móveis, que, se não competem em qualidade e tecnologia com o que de melhor existe na praça, pelo menos buscam se aproximar de um modelo mais bonito, copiando o design feito para as classes mais altas.

Seguro pelo crescimento da renda e pela possibilidade de longos parcelamentos, esse público quer ter o que ver na propaganda maciça. A cozinha tem de ser planejada. A linha branca, que, com a política do governo, ganhou preços mais acessíveis, enterrou de vez fogões e geladeiras azuis, beges e vermelhos. O jantar ganhou mesas mais leves, em que o vidro se impõe. O guarda-roupa deu lugar a armários com portas de correr e as camas box viraram mania e são vendidas até em redes de supermercado. Surgiram os home offices e os home theaters e até os banheiros planejados entraram na onda.

Uma das mais tradicionais marcas de móveis planejados do Brasil, a Dell Anno fabrica cozinhas, dormitórios, closets, home offices e banheiros. É a marca premium do Grupo Unicasa, que tem sede em Bento Gonçalves e existe há 25 anos. Há 14 anos o grupo decidiu ampliar seu leque de atuação e lançou a Favorita, voltada para a classe B. Há um ano e meio, criou a New para a classe C. O crescimento da nova marca é acelerado. A expectativa é que a New feche o ano com 380 lojas espalhadas pelo País, mais do que a Dell Ano (300) e a Favorita (370). O faturamento, que no ano passado foi de R$ 22 milhões, este ano deve passar para R$ 80 milhões.

O presidente do Grupo Unicasa, Frank Zietolie, acredita que esse público tinha um forte desejo por personalizar seus móveis, opção que não é oferecida nos magazines que esses consumidores costumam frequentar. “Buscamos aquilo que o consumidor da classe C desejava, mas não encontrava nas lojas voltadas para ele. As magazines costumam vender móveis com um jeito muito ‘pop’, com muitas cores. Nós oferecemos um produto mais moderno, com design e praticidade. Não é porque é direcionado para a classe C que o produto tem de ser econômico e feio.”

Os produtos da New são até 40% mais baratos do que os da Dell Anno. O tíquete médio varia de R$ 3 mil a R$ 10 mil. Na Favorita, de R$ 7 mil a R$ 15 mil e na Dell Anno, de R$ 15 mil a R$ 40 mil.

Sofisticação. Gigante no setor de móveis populares, a Indústria Bartira, pertencente ao Grupo Casas Bahia, vem se empenhando em sofisticar sua linha. Este foi o segundo ano em que os profissionais da empresa estiveram no Salão do Móvel de Milão, na Itália, em busca de tendências internacionais e novidades com relação a design, tecnologia e fabricação de móveis.

Jonas Victor Vieira, diretor de Móveis da Casas Bahia, diz que hoje, para os consumidores das classes C e D, o design, a beleza e a modernidade são tão importantes quanto a qualidade e o preço atrativo. “Antes, o campeão de vendas nas lojas era um modelo de cozinha compacta, de três peças, cujo preço girava em torno de R$ 199. Hoje, a mais vendida é uma cozinha modulada, muito similar às cozinhas planejadas disponíveis no mercado, cujo preço gira em torno de R$ 699. Este modelo tem trava de aço nas cantoneiras, puxadores, pistão a gás e verniz UV, que não deixa o produto se desgastar sob a ação de limpeza ou de sua exposição ao sol. Isso é um exemplo prático das exigências dos consumidores das classes mais populares que procuram produtos maiores, mais bonitos e de qualidade”, diz.

Oferecer produtos de maior qualidade tem sido mesmo fundamental para uma empresa se destacar num mercado em que a concorrência é cada vez maior. O arquiteto Daniel Camera, sócio do Projeto 3, estúdio de design de Bento Gonçalves - o maior polo moveleiro do País, com 370 fábricas -, trabalha para oito grandes empresas, todas com foco no mobiliário popular. A Projeto 3 planeja cozinhas, dormitórios modulados, racks e móveis para escritório. Há anos no setor, ele diz que nunca viu tanta competitividade. “Hoje, quem quer fornecer para grandes redes tem de ter o melhor maquinário, trabalhar com bons profissionais do desenho industrial e fazer um móvel ao mesmo tempo prático, com boa ergonomia e bom preço”, afirma.

Sofás, no entanto, ainda são um caso à parte, segundo Camera. Ele acredita que os modelos com muita espuma, braços grandes e arredondados, encosto mais alto e costuras ainda são clássicos para as classes C e D. “Para o público popular, o muito simples, o reto, não passa sensação de conforto. E o lojista também demora a assimilar o que a classe B está usando agora, por exemplo. O popular mesmo é fiel às formas orgânicas, ao verniz de alto brilho e aos detalhes cromados, que na sua concepção passa uma sensação de ordem e limpeza.”