Posts Tagged ‘censo’

Com fecundidade baixa, Brasil deve ser tornar país de idosos

quarta-feira, outubro 17th, 2012

Dados do Censo 2010 revelam que o número de filhos por mulher, de 1,9 filho, está abaixo da taxa de reposição da população
Isabela Vieira, da Exame.com

Anticoncepcional a queda foi influenciada por práticas contraceptivas, entre as quais, a esterilização feminina

Rio de Janeiro - Dados do Censo 2010 divulgados hoje (17) pelo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirmam que a taxa de fecundidade no país (número de filhos por mulher), de 1,9 filho, está abaixo da taxa de reposição da população – de 2,1 filhos por brasileira. Têm mais filhos mulheres do Norte e Nordeste, além de pretas e pardas, pobres e menos instruídas.

O dado consolida a trajetória de queda da fecundidade, a partir da década de 1970 e influencia o perfil etário da população: o Brasil tende a ser tornar um país de idosos. O número de filhos por mulher chegou a 6,28 em 1960, antes de cair para 2,38, em 2000. Atualmente, com 193 milhões de pessoas, o Brasil é um país jovem, cuja população cresceu 1,7% na última década.

O número de filhos na área rural influenciou a menor diminuição da taxa de fecundidade. Embora tenha diminuído de 3,4 filhos para 2,6, entre 2000 e 2010, é maior do que o verificado nas áreas urbanas (de 2,18 para 1,7). Por isso, a taxa final difere da divulgada recentemente pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), de 1,7 filho, que não ouve mães camponesas.

A queda no número de filhos por mulher se deu de forma diferente nas regiões do país. Foi influenciada por práticas contraceptivas, entre as quais, a esterilização feminina, com forte impacto na redução de filhos no Norte e Nordeste, ressalta o IBGE. Mesmo assim, em 2010, o Norte é a única região com taxa de fecundidade acima da de reposição.

Outro fator que influenciou a queda foi a diminuição do número de filhos entre as mulheres mais jovens nas faixas de 15 a 19 anos e de 20 a 24 anos, que vivem em área urbana. Elas contribuem com maior peso no cálculo da taxa, assim como as mulheres pretas e pardas, que têm, em média 2,1 filhos por mulher. Entre as brancas, que têm filhos entre 25 e 29 anos, o índice fica em 1,6.

A diminuição da fecundidade também está relacionada à renda e ao nível educacional. Entre as menos escolarizadas, o número de filhos chega a três, enquanto fica em um, no caso das mais instruídas. Atualmente, 66% das mulheres em idade fértil no país têm ensino fundamental completo.

Ações do documento Censo 2010: Um retrato de desigualdades e progresso

quinta-feira, novembro 17th, 2011

Ações do documento  Censo 2010: Um retrato de desigualdades e progresso

Desordens de um país em progresso 

 Helena Mader » Renata Mariz

Correio Braziliense - 17/11/2011

 

 

Mesmo com a redução da pobreza nos últimos 10 anos, o Brasil ainda mostra enormes contradições. Enquanto no DF a renda média dos domicílios chega a R$ 4.635, a maior do país, no Maranhão ela é de R$ 1.274, Ainda há 14,5 milhões de analfabetos

 

Dados do IBGE mostram que, apesar de a desigualdade social ter reduzido nos últimos 10 anos, as contradições persistem. Crianças sem certidão de nascimento e idosos que não aprenderam a ler ainda são problemas nacionaisNotíciaGráfico

 

A miséria extrema e a pujança econômica dividem o país em dois Brasis. A desigualdade social diminuiu, mas os dados do Censo 2010 divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) comprovam que ainda existe um abismo social entre ricos e pobres. Na última década, o índice que mede a concentração de renda do país caiu de 0,611 para 0,526 — quanto mais próximo de 1, mais desigual. Mas as discrepâncias entre a riqueza de diferentes parcelas da população continuam graves. O Distrito Federal concentra o maior rendimento médio do país ao mesmo tempo em que lidera o ranking da desigualdade. A capital federal é o lugar com a maior diferença entre a renda de pobres e ricos.

 

No DF, a renda mensal dos domicílios é de R$ 4.635, quase o dobro da de São Paulo, segunda Unidade da Federação com os maiores ganhos familiares. O Piauí, com R$ 1.354, e o Maranhão, com R$ 1.274, estão na lanterna do ranking. Em meio à aparente riqueza local, porém, estão os extremos, que conferem à cidade o título de capital da desigualdade. No Lago Sul, por exemplo, a renda média é de R$ 6 mil mensais. Em Planaltina, o valor é quase 10 vezes menor. Lá, a população tem rendimento de R$ 645. As diferenças por cor também continuam gritantes. Em todo o país, brancos recebem mais que o triplo de negros e pardos, enquanto mulheres ganham quase 50% a menos que homens.

 

Na esteira das diferenças monetárias, também estão as contradições nos indicadores sociais. Embora o analfabetismo tenha caído, 670 mil crianças de 10 a 14 anos não sabem ler nem escrever. Meio milhão de brasileiros vivem sem certidão de nascimento e 35 mil bebês morreram antes de 1 ano nos últimos 12 meses, sobretudo por falta de serviços essenciais. A aquisição de bens melhorou. Depois de geladeira e tevê, já consolidados, as famílias começam a adquirir computador, máquina de lavar e carros. Mas todos os indicadores são mais baixos na zona rural, que em muito lembra o Brasil de uma década atrás.

 

IBGE: Casas Equipadas

quinta-feira, novembro 17th, 2011

Correio Braziliense - 17/11/2011

 

Quatro em cada 10 famílias brasileiras têm computador em casa. Em 2000, essa proporção era de uma para 10. Depois do equipamento, o outro bem que mais entrou na casa da população, na última década, foi a máquina de lavar roupas, presente em 47% dos lares. Televisão e geladeira, que já eram comuns nas residências do país, chegaram a 95% e 93% dos domicílios, respectivamente, ano passado. Em baixa estão o rádio, que caiu de 87% para 81% das casas, e o telefone fixo, de 39% para 36%. Em compensação, o número de famílias que usam apenas o telefone celular é de 47,1%, contra a utilização exclusiva da linha fixa em apenas 4,7% dos lares no país.

Os dados, apresentados ontem pelo IBGE como parte do Censo 2010, mostram que os eletrodomésticos estão sendo cada vez mais acessíveis aos brasileiros. Carro particular é outro produto bem mais comum a cada levantamento. Se, em 2000, 32,6% das famílias contavam com um automóvel para uso pessoal, hoje, o índice chega a 39,4%. A evolução dos equipamentos tem sido tão veloz que informações levantadas pelo censo de 10 anos atrás foram desprezadas no do ano passado, como a presença de videocassete nas casas.