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Trabalho: Empreender é a arma de jovens da classe C

quarta-feira, dezembro 26th, 2012

Empreender é bom negócio desde cedo
Autor(es): SIMONE CALDAS
Correio Braziliense - 26/12/2012

A maioria ainda prefere o emprego, mas cresce um grupo diferente: o dos empreendedores. Eles são ousados e aliam planejamento a intuição. Mas, para montar um negócio, é necessário quebrar várias barreiras.

Os jovens estão investindo cada vez mais na própria empresa. Esse interesse é maior entre os de classe C, que preferem o setor de serviços

Campeão de hipismo, treinador de cavalos e de cavaleiros, Rafael Daher Jardim, 24 anos, aposta no crescimento desse esporte no país para incrementar o próprio negócio. Como o investimento é alto, ele mantém o emprego no Centro Hípico Alterosa, em Ceilândia. Às segundas-feiras e no horário de almoço, corre para o sítio da família, onde está construindo a infraestrutura para adestramento, pensão e venda de animais.

Rafael é o exemplo do jovem empreendedor brasileiro. Alia ousadia, planejamento e intuição para construir o que considera um bom negócio. “Quero aproveitar que o mercado está crescendo e crescer junto”, diz. Assim como ele, 12,8% das pessoas com idade entre 18 e 24 anos estão empreendendo no país. Esse percentual, em 2002, era de 10%. Teve um pico no ano passado, quando chegou a 17,4%, de acordo com a Taxa de Empreendedorismo em Estágio Inicial (TEA), pesquisada pela Global Entrepreneurship (GEM). A queda, de acordo com técnicos, deve-se ao alto nível de empregabilidade no país.

A maioria dos jovens brasileiros ainda prefere investir em carreiras dentro das grandes empresas. Estudo da Page Talent em São Paulo indica, por exemplo, que apenas 11% dos estudantes que estão finalizando o curso universitário querem abrir o próprio negócio. Ainda longe do universo acadêmico, rapazes e moças da nova classe média estão empreendendo cada vez mais. A gerente de Capacitação de Empreendedores do Sebrae, Mirela Malvestiti, explica que os jovens da classe C preferem investir no setor de serviços. A área de beleza é das mais disputadas, assim como a de construção civil.

Caso de sucesso
É o caso de Deane Pereira da Silva, 21 anos, feliz proprietária do salão Glamour, no Paranoá. Nascida na Bahia, chegou a Brasília na adolescência. Aos 13, já trabalhava como babá para ajudar no sustento da família — a mãe e os três irmãos. Foi em casa, treinando nas mãos da mãe, que aprendeu a ser manicure. Em pouco tempo, passou a atender as mulheres da vizinhança e a patroa. A renda adicional animou a jovem a se dedicar à beleza. Arrumou emprego na área, mas não recebia salário, apenas comissão por serviço prestado.

Em pouco tempo, percebeu que, para conseguir progredir, teria que dar passos mais largos. Ao saber que uma microempresária da região havia colocado um de seus salões à venda, não pensou duas vezes. Sem poupança, capital de giro ou crédito, fechou o negócio por R$ 10 mil, para pagar em 10 vezes. “No início ficava pensando “Será que vou conseguir?”. Mas, no fundo, eu sabia que sim”, diz. Menos de dois anos depois, Deane resolveu ampliar o empreendimento. Montou, no fundo do estabelecimento, uma loja de roupas e acessórios femininos. Investiu cerca de R$ 6 mil em mercadorias e mais R$ 4 mil na infraestrutura. “As clientes entram para fazer as unhas e acabam levando mais alguma coisinha”, comemora.

Qualificação e esforço

Para tocar um negócio, é preciso reunir uma série de características, dizem os especialistas. De acordo com um manual do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), “ter um espírito criativo e pesquisador é uma das qualidades fundamentais de um empreendedor”. Não é fácil colocar no mercado um produto ou um serviço inovador e competitivo. Além disso, a burocracia, muitas vezes, faz o candidato a empresário desistir no meio do caminho. Por isso, antes de apostar em um ramo, deve-se pesquisar bem o setor, saber quem é o público-alvo e atendê-lo com qualidade.

Rafael Jardim investiu pesado na capacitação. Praticante de hipismo desde os 11 anos, ele fez curso superior de ciências equinas, na Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Curitiba. De lá, partiu para a Inglaterra e para a Bélgica para “aprender a lidar com cavalos esportivos top de linha”, afirma. Segundo Mirela Malvestiti, do Sebrae, ele está no caminho certo. “O melhor é que os jovens empreendedores apostem nas áreas que conhecem e onde enxergam oportunidades.”

Jovens como Rafael e Deane estarão no comando do país em um futuro não muito distante. São eles que azeitarão as molas propulsoras da economia. Uma delas, a criação de empregos, já é acionada por 468 mil empresários de 18 a 24 anos, segundo dados de 2009 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD), elaborada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os que abriram negócios individuais (sem empregados) somam 2,9 milhões.

Se a política econômica colaborar, eles poderão crescer e multiplicar o número de vagas. Para isso, é preciso também criar leis de incentivo e ampliar os cursos de capacitação. Como tocar o próprio negócio é um desafio árduo, as taxas de empreendedorismo jovem que vinham crescendo tiveram uma queda. Os empresários entre 18 e 24 anos de idade que contrataram empregados em 2001 somavam 13% da população nessa faixa etária. Em 2009, foram 12%. Os individuais tiveram redução maior: passaram de 19% para 16%, no mesmo período.

Em família
No caso de Deane, com a rápida expansão do salão de beleza, ela logo percebeu que precisava de ajuda. Por isso, contratou dois de seus irmãos. Gil, 22, é cabeleireiro e Gilberto, 13 — mesma idade em que ela começou na labuta —, está aprendendo a lavar os cabelos das freguesas. “Não é trabalho infantil. Ele estuda e está apenas em treinamento”, argumenta. O garoto concorda. A troca de olhares denuncia a cumplicidade dos que perseguem os mesmos objetivos. No caso, o de vencer na vida.

O sucesso experimentado por Deane até aqui inclui coragem e muito trabalho. Ela começa às 9h e encerra às 18h, todos os dias, inclusive aos domingos. Folga na segunda. No mês de dezembro, quando as festas multiplicam o movimento, a jornada começa às 8h e só é encerrada às 23h. “Neste ano, o faturamento foi menor do que em 2011, estamos aproveitando este mês para recuperar o caixa”, afirma. Talhada no trabalho, ela se permite até alguns mimos, como roupas e bens que sempre quis ter. As conquistas são fruto do talento e, sobretudo, do esforço dela.

Marcas estão longe da classe C, diz estudo

quinta-feira, setembro 6th, 2012

Letícia Casado | De São Paulo
Valor Econômico - 06/09/2012

As empresas precisam investir no marketing para o consumidor da classe C, com campanhas específicas para esse público. Esta é a avaliação feita por Renato Meirelles, sócio-diretor do instituto Data Popular, a partir de pesquisa realizada com 22 mil pessoas em 153 cidades de todos os Estados do país durante os meses de julho e agosto.

O objetivo do levantamento foi descobrir qual marca, entre 17 categorias de produtos, “conquistou o coração” do consumidor da classe C. O resultado: 46% dos entrevistados responderam “nenhuma”.

As empresas usam a verba de marketing “para filmes de 30 segundos”, diz Meirelles, referindo-se aos comerciais na TV. O investimento acaba sendo mal-direcionado, se dispersa e deixa de fora a classe C, avalia ele, pois é elaborado para um público de alto poder aquisitivo.

Em sua opinião, ações de merchandising são mais eficientes, pois permitem apresentar as características do produto para o telespectador. Meirelles dá como exemplo as inserções em novelas ou em programas como o do apresentador Luciano Huck. “Mas isso [merchandising] custa dinheiro e não dá Leão [prêmio] em Cannes”, diz ele, sobre o mais importante festival que premia a publicidade.

Entre as marcas mais citadas, a Nestlé ficou em primeiro lugar com 4,1% das respostas, seguida por Samsung (3,9%). Em automóveis, a Fiat liderou (21,2%); em cervejas, foi a Skol (27,1%). Em higiene, a mais citada foi Dove, “e vale lembrar que foi a primeira a falar de vários padrões de beleza. O da mulher da classe C é muito diferente [do padrão] da classe A”, diz Meirelles.

Mais de 5 mil marcas foram citadas nas entrevistas feitas pelo Data Popular. O estudo, aponta o consultor, contribui para mostrar às empresas caminhos para se comunicar com o consumidor. E um deles é saber que a classe C dá mais importância às marcas hoje do que há dez anos.

Ele ressalta que a nova classe média confia mais em produtos de marcas líderes, porque os associa à qualidade. “Quem compra marca própria de supermercado no Brasil é classe A e B. E isso acontece porque não é ela que lava a louça, é a empregada”, diz.

A classe C representa 53,9% da população brasileira, o equivalente a 104 milhões de pessoas, informa o instituto, e movimenta R$ 1 trilhão ao ano.

Classe C quer atendimento de qualidade e preços competitivos

terça-feira, agosto 21st, 2012

Pesquisa aponta para o perfil de consumidor “mais por menos”, aquele que exige bons serviços no varejo, valores mais baixos nos produtos e sabe das marcas que deseja

Leticia Muniz, do Mundo do Marketing

Rio de Janeiro - O consumidor de Classe C está cada vez mais exigente com relação ao atendimento que recebe no varejo e mais consciente quanto às marcas que deseja. Em contrapartida, apesar de apresentar uma renda maior, ainda apresenta uma cultura conservadora com relação aos preços e prefere pesquisar nas lojas físicas.

Especialistas já classificam o consumidor emergente como “mais por menos”, ou seja, aquele que possui condições de compra, exige mais do atendimento, melhores serviços e quer pagar menos por isso. Esse é o perfil traçado pela pesquisa “Classes em movimento: O consumidor mais por menos redefine o varejo”, apresentado pela consultoria Gouvêa de Souza durante o 15º Fórum de Varejo da América Latina.

O estudo ouviu 360 pessoas que migraram de classe social nos últimos cinco anos em São Paulo e mostra que, apesar de ter tido um acréscimo em sua renda, essa parcela da população traz a chamada herança do preço baixo. Para 91% dos entrevistados, o valor dos produtos foi apontado como principal atributo na decisão de compra. “Foi um consumidor que cresceu e amadureceu dentro de um contexto de contenção. Hoje ele possui uma condição de compra melhor, mas não abandonou o valor que dá ao preço”, explica o sócio sênior da GS&MD, Luiz Goes.

Adaptação do Varejo

Esse perfil vem ditando o comportamento do varejo, que precisa se adaptar para oferecer bons serviços, atendimento de qualidade aliado ao preço competitivo. A pesquisa aponta que, entre os consumidores “mais por menos”, 66% não abandonaram as lojas nas quais estavam acostumados a comprar no passado. Dos que mudaram, os principais motivos foram, em primeiro lugar, a qualidade do atendimento seguida pela alta nos preços. “Isso mostra que muitas lojas se aproveitaram dessa condição de aumento da renda para subir os preços. Isso fez com que muitas perdessem esses clientes”, conta Luiz Goes.

Outra mudança apontada pela pesquisa diz respeito à forma como esse consumidor busca pelos produtos nas lojas. Enquanto antes o maior peso era dado para o relacionamento com o estabelecimento e ofertas de crédito, hoje, a principal busca é pelas marcas. Entre os pesquisados, 61% apontaram a marca como ponto fundamental na escolha de um produto. Já as formas de pagamento foram citadas por 39% das pessoas.

A pesquisa também levantou que a casa é o epicentro do convívio das famílias do consumidor Mais por Menos e o comportamento dita o consumo no varejo. Entre os principais serviços contratados nos últimos dois anos aparecem, em primeiro lugar, TV por assinatura (32%) e, em terceiro, Internet (28%). Em segundo lugar, estão os celulares pré-pagos (30%) que não são associados diretamente à casa.

Do total, 49,5% dizem passar o tempo com a família em casa, 40% assistem TV/filmes em casa, e a média cai para 29% quando falamos em sair com amigos ou namorado. “Tudo gira em torno da casa, que é o local preferido para gastar as horas de lazer. Eles preferem ficar assistindo a um filme com a família ou convidar os amigos. Por isso houve uma explosão grande nas vendas de eletroeletrônicos nos últimos anos. A casa é tão importante que esse consumidor deseja ver na loja física o reflexo do aconchego da casa”, afirma Goes.

Aspirações futuras

Com relação às aspirações para o futuro, a casa também está nos principais planos dessa parcela da população. O grande sonho de consumo da classe emergente é um imóvel novo, maior ou melhor localizado, questão apontada por 45% dos homens e 40% das mulheres. Em segundo lugar na lista de desejos vem o carro, com 32% e educação, com 27%.

A educação aparece nas citações como uma forma de buscar uma melhor remuneração e, consequentemente, melhores condições de vida. “As pessoas buscam a educação como forma de conseguir um emprego melhor e ganhar mais. O estudo não é uma finalidade, mas um meio. Uma forma de galgar socialmente. São pontos que estão impactando e vão impactar as marcas e os produtos daqui para a frente”, conta o Sócio Sênior da GS&MD.

O estudo mostra que as marcas precisam, cada vez mais, estar atentas ao atendimento nas lojas físicas, já que o consumidor Mais por Menos não possui a cultura de comprar por meio do e-commerce. Entre os ouvidos, 55% não se veem comprando pela internet no futuro.

“Esse é um desafio que as marcas têm de inserir esse consumidor dentro do universo do e-commerce. Entre os fatores principais para este impedimento está uma barreira mundial que é a questão de inserir os seus dados bancários ou de cartão na rede. O segundo motivo alegado foi a falta do acesso à internet”, diz Goes.

Para se adaptar a essa tendência de consumo, o varejo precisa entender o novo perfil de consumidor, investindo em melhores ofertas de preço e em um atendimento de qualidade. “Esses são aspectos que precisam ser incorporados no dia a dia do varejo. Não dá mais para continuar atendendo do mesmo jeito e as marcas precisam compreender isso”, explica Luis Goes.

Quem é o jovem da Classe C e como muda a forma de consumir

segunda-feira, julho 23rd, 2012

Projeto Riologia lança pesquisa “CDFs – Construtores do Futuro” e traça o perfil de pessoas que trocaram o consumo imediato por bens duráveis e não-duráveis por educação

Isa Sousa, do Mundo do Marketing

Rio de Janeiro - A evolução de consumo da Classe C despertou sonhos antes impossíveis. A principal mudança no padrão de comportamento está no perfil do jovem brasileiro: se antes o sonho era o tênis ou a roupa da moda, hoje a educação é vista como uma moeda capaz de bancar o desejo de um futuro melhor. Diferenciando-se da massa que forma a nova classe média, os jovens começaram a revolucionar as formas de consumir e devem mudá-las ainda mais.

O perfil desse novo consumidor foi traçado por meio do projeto Riologia, no estudo “CDFs – Construtores do Futuro”, coordenado pela Agência Quê e pela Casa 7 Núcleo de Pesquisa, que juntas estão traçando personalidades do carioca. Representada por 54% da população brasileira, no Rio de Janeiro, a Classe C possui 79% de jovens entre 24 e 38 anos engajados em mudar o futuro.

Enquanto boa parte dessa classe se preocupa com o consumo de bens duráveis e não-duráveis, e nesse ponto encontram marcas prontas para atenderem suas vontades, o jovem se compromete a gastar pensando no futuro. “É como se a massa estivesse olhando para o presente e os CDFs para o amanhã. Eles têm menos propensão para o endividamento e as decisões são mais precisas. A maneira como constroem a relação de compra também é diferente”, afirma Adriana Hack, diretora geral da Casa 7 Núcleo de Pesquisa.

Educação como saída

Um dos fatores responsáveis pela mudança no perfil e engajamento dos jovens está relacionado à banda larga. De acordo com a pesquisa, a possibilidade de acesso à internet e, por consequência, às redes sociais gerou oportunidades de informação e comunicação. Ao se atualizarem, eles descobriram que outro mundo é possível e só pode ser construído agora.

Diferente da maior parte da Classe C, o jovem CDF tem a consciência de que a formação universitária é uma facilitadora para a entrada no mercado de trabalho e um fator de incentivo para aprimorar o conhecimento, seja por meio de cursos de pós-graduação ou de extensão. Hoje, 17% deles fazem faculdade e 49% desejam cursar alguma nos próximos anos.

Além disso, 93% acreditam que o esforço feito no dia a dia garantirá um futuro melhor. “Essas pessoas se destacam com uma possibilidade enorme de programar o futuro. Obstinados, disciplinados, focados, batalhadores e ocupados eles têm características muito diferentes da outra parte da Classe C. Eles usam todas as possibilidades que têm para investir neles mesmos”, avalia Tatiana Soter, diretora de planejamento e atendimento da Agência Quê.

Outro ponto que determina os pés no chão é a escolha racional e prática da faculdade: 44% valorizam a proximidade geográfica, 43% o valor da mensalidade e 39% o curso oferecido. Na hora de escolherem o que estudar, 75% definem a carreira não pela vocação, mas pelas oportunidades no futuro. Para 30% a área que escolhem é a que já estão trabalhando e o curso mais em voga é administração, com índice de 14%.

Futuro sustentável

Ainda que a definição do novo jovem da Classe C seja específica, o futuro dos CDFs mudará o consumo do brasileiro de forma geral. Segundo o estudo Riologia, a capacidade de transformação ajuda na compreensão das relações que têm sido criadas. “Eles são o arquétipo do guerreiro brasileiro, a prova de que a condição social pode ser modificada e isso refletirá em todos nós”, afirma Adriana.

A rotina extenuante de aliar trabalho, criação dos filhos e estudo faz com que esse jovem não seja estimulado para comprar por impulso. Pouco endividados, a base da pirâmide de consumo deles é formada prioritariamente por educação. A massa, por sua vez, prioriza gastos com eletrodomésticos e artigos para casa, justamente itens que são ofertados a cada olhada na TV ou caminhada pelas ruas.

A longo prazo, a solidez na maneira de consumir encontrará lugar ao lado dos jovens. Ao assumirem compromissos, eles agem de forma mais segura e sustentável, querendo garantir que terão uma vida melhor que a de seus pais. Tanto é que grande parte dessas pessoas são as primeiras da família a entrarem em uma faculdade.

“A princípio rejeitados por alcançarem um posto nunca antes visto entre os familiares, logo eles se tornam mais admirados e exemplos a seguir. Em breve, os CDFs cruzarão as fronteiras da classe média e vão consumir bastante, mas de forma muito particular. Eles consumirão o que tem a ver com eles, com seu estilo, valorizando o que é essencial para sua língua. Certamente são passos a serem refletidos e seguidos”, pontua Tatiana.

Classe C já tem mais casas de praia e de campo do que a classe A

quarta-feira, abril 11th, 2012

CLAUDIA ROLLI
FOLHA DE SÃO PAULO

Os brasileiros que integram a nova classe média já são donos de mais de um terço das casas de praia e de campo do país. A renda mensal dessas famílias é de R$ 2.374.

Porto Alegre, Curitiba e São Paulo são as capitais com o maior número de pessoas com casas na praia ou no campo utilizadas como segundo lar.

Os dados constam de levantamento do Instituto Data Popular, especializado no mercado de baixa renda.

De acordo com o estudo, a classe C é dona de 1,46 milhão (37,1%) de casas e apartamentos de veraneio, enquanto a classe A possui 1,25 milhão (ou 31,8%). Já a classe B possui 1,23 milhao (31,1%) de residências como essas.

O levantamento foi feito a partir de dados coletados da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios) e dos censos de 2000 e 2010, realizados pelo IBGE.

“Com mais dinheiro no bolso, a classe média começa a investir em uma segunda casa, pensando em constituir patrimônio e investir no lazer da família”, diz Renato Meirelles, sócio e diretor do instituto.

CASA DE PRAIA

O Brasil ganhou em uma década 1,25 milhão de casas usadas para temporada de recreação e descanso das famílias, segundo dados dos censos.

Em 2000, o país tinha 45,8 milhões de moradias fixas e 2,69 milhões de residências de veraneio.

Dez anos mais tarde, esses números passaram para 57 milhões e 3,94 milhões, respectivamente.

O percentual de crescimento das casas de praia (46,45%) é quase o dobro do de moradias fixas (24,35%).

“O aumento do trabalho formal, além de impactar na renda dos brasileiros, possibilita o recebimento de férias e 13º salário. Isso contribui substancialmente para a busca de soluções de lazer para toda família”, diz Meirelles.

Classe C volta-se para investimento em imóvel

terça-feira, janeiro 31st, 2012

DCI , Milton Paes

A classe “C” que representa atualmente 95 milhões de habitantes no Brasil tem sido cada vez mais disputada por diversos segmentos econômicos do Brasil devido a sua capacidade de consumo que cresce ano a ano em função das facilidades na aquisição de crédito, aumento de renda das famílias e estabilidade no emprego proporcionado pelo aquecimento da economia brasileira. O mercado imobiliário tem identificado, nos últimos anos, nessa classe um novo perfil de investidor. Após adquirir a casa própria, a Classe C investe em imóveis na planta e prontos para ampliar a renda com aluguéis. Em Campinas o aumento em investimento desse público cresceu 40% em 2011.

O diretor de Marketing da Rede Imobiliária Campinas, Antônio De Lucca Júnior, acredita que a Região Metropolitana de Campinas tem como diferencial a situação de migração.

“Nossa região recebe muitos executivos e profissionais devido a instalação de multinacionais, grandes e médias empresas brasileiras que estão migrando muitos profissionais que anteriormente não vinham para Campinas. A classe média apresenta uma estabilidade melhor no emprego e também oportunidade de novas mudanças na vida profissional”, avalia.

A disponibilidade nas linhas de créditos oferecidas pelos bancos, também têm contribuído, segundo De Lucca, para a facilidade de investimento em imóveis na planta e prontos por parte da classe C. “Os bancos estão bem competitivos em relação às taxas,” afirma.

O caminho traçado por investidores iniciantes é basicamente num primeiro momento conquistar o imóvel próprio, procurando diretamente com a construtora ou no mercado de terceiros, por novas opções de negócio na planta. “No caso do imóvel na planta, o cliente paga à construtora de 20% a 30% do valor total durante a obra”, explica.

Depois da aquisição, a valorização média até a conclusão da obra pode variar de 25% a 35%. Por isso, quando o imóvel entra na fase do financiamento, o investidor costuma optar pela venda. “Em alguns casos, o cliente assume o financiamento e aluga para geração de renda e também para cobrir a parcela do financiamento”, coloca.

De Lucca lembra ainda que o perfil do investidor está começando cada vez mais jovem.

“De 20 a 50 anos tem muita vontade de investir. Antigamente quando a gente falava de investidor era acima de 45 anos. Hoje diminuiu. Hoje o primeiro bem está muito possível e o mercado está muito cheio de dinheiro para habitação”, justifica. Antônio De Lucca orienta que o consumidor tem que ficar atento a detalhes importantes na busca do crédito para o financiamento imobiliário.

“O que deixou de ser um problema que era a taxa do banco, o momento é o quanto vamos pagar de seguro, pois dentro de cada financiamento existe a figura do seguro, que é onde nosso cliente tem que se atentar. Tem que se conhecer o todo, então precisa saber quanto é a taxa, quanto é o seguro e qual a taxa de abertura de crédito. Se o consumidor for atento a esses detalhes ele ganha no final”, diz.

O boom de investimento da classe C de 40% registrado no ano passado e que tem crescido desde 2009 na aquisição de imóveis pode apresentar uma certa redução neste ano, pois, segundo de Lucca a instabilidade política que se instalou na cidade a partir do segundo semestre de 2011 acabou por gerar uma certa insegurança no mercado imobiliário por conta que algumas questões importantes precisam ser definidas, principalmente no que tange ao projeto das macrozonas que fizeram com que as construtoras colocassem o “pé no freio” devido a alta de definição com relação a esses projetos importantes para a cidade. “Em razão de tudo que está acontecendo em Campinas do segundo semestre do ano passado pra cá não vai mais ser esse boom, pois diminuiu o número de compras, as construtoras estão tímidas e Campinas deve ter um declínio em 2012. Se Campinas definir macrozonas, as construtoras voltam. Se Campinas definir sustentabilidade para cada bairro a gente consegue aumentar. Imagina que em alguns bairros existem avenidas nas quais 99% são comércios. Se você for ver na prefeitura não consegue alvará porque aquela avenida ainda é residencial, portanto, todo mundo que está naquela avenida está no risco só que está desenvolvendo a região”, comenta.

Imóveis comerciais

Antônio de Lucca diz que a classe média ainda pensa em quando do investimento em um segundo imóvel em residencial, no entanto, na sua avaliação é importante para o pequeno e médio investidor pulverizar a cesta, ou seja, se já tem um apartamento onde mora a ideia é tentar comprar uma casa comercial e depois tentar comprar um terreno pulverizando o risco.

Segundo De Lucca, em uma situação na qual há muitas salas comerciais disponíveis no mercado a lei de oferta e procura pode fazer com que ocorra uma desvalorização do aluguel. Os investidores que procuram imóveis com maior geração de renda têm a opção de aplicar as finanças em imóveis comerciais. “Um residencial tem rendimento de 0,5% a 0,6 %, enquanto um comercial varia de 0,7 a 1%.”, aponta.

Classe C começa a vencer a resistência aos plásticos

sexta-feira, setembro 30th, 2011

Por Lázaro de Souza | Para o Valor, de São Paulo

Valor Econômico - 29/09/2011

 

 

 

Embora ainda tenham certa resistência ao uso de cartão de crédito, as classes C, D e E vêm mudando esse comportamento. A estabilidade econômica e o fim da inflação, aliadas ao aumento da renda dos últimos anos, fizeram com que esse público passasse a enxergar no cartão um instrumento confiável de crédito. “Hoje, a cada 12 cartões de crédito expedidos pelas administradoras, sete estão nas mãos de pessoas da classe C”, afirma Renato Meirelles, diretor do Instituto Data Popular, especializado em estudos das camadas C, D e E.

 

Diferentemente das classes A e B que usam o cartão por uma questão de comodidade, para o consumidor das classes C, D e E, o cartão é efetivamente um instrumento de crédito. “O cartão funciona como um tapa buraco. Esse mecanismo permite parcelar a compra em três vezes sem juros”, explica Meirelles

 

O levantamento da Data Popular mostra que 49% dos consumidores das classes C e D sentem-se confortáveis com o uso de cartão de crédito, ante 67% das pessoas das classes A e B. Para Meirelles, algumas pessoas das classes mais populares tiveram experiências ruins com esse instrumento de crédito e isso criou resistências ao cartão. Isso sem falar no fato de que algumas delas compraram compulsivamente e depois enfrentaram dificuldade na hora do pagamento, o que contribuiu para gerar uma percepção negativa do meio de pagamento. “Há casos de pessoas que chegam ao extremo de pedir aos familiares para esconder o cartão para não “cair na tentação” de usá-lo de forma descontrolada”, conta o diretor do Data Popular.

 

Há também uma mensagem equivocada por parte das administradoras. “Em alguns casos, elas desqualificam o usuário pobre, com as classificações de classe “platinum”, “ouro” e outras denominações. Assim, dão a entender que quem não tem aquelas categorias de cartões estão alijados do processo consumidor”, diz. “Isso está mudando com as classificações por afinidades e grupos, não mais focados na renda e, sim, em categorias”.

 

Outra pesquisa recente da Visa confirma o expressivo aumento no uso dos cartões entre as classes de renda mais baixas. Em 2010, 71% das compras feitas pela classe C na internet e 54% dos pagamentos de passagens aéreas foram feitos com cartão de crédito. O estudo aponta ainda que os hábitos de utilização dos cartões são bem semelhantes aos das demais classes sociais.

 

O estudo da Visa aponta a existência de um amplo espaço para crescimento. Nas áreas de restaurantes e lojas de conveniências, por exemplo, os pagamentos em dinheiro pela classe C ainda são maioria: 69% e 76%, respectivamente. “Gradativamente, as classes de renda mais baixas abandonarão dinheiro e cheques como meio de pagamento”, avalia Percival Jabotá, diretor de produtos sênior da Visa do Brasil

 

Mulheres da Classe C: cada vez mais poderosas

terça-feira, setembro 13th, 2011
porpmark
De acordo com pesquisa, as mulheres da nova classe média respondem por R$41,00 de cada R$ 100,00; na classe A, o valor é de R$ 25,00

Como na famosa frase “Vocês vão ter que me engolir”, de Zagallo, ex-técnico da seleção brasileira de futebol, assim será o futuro do debate em torno da classe C, ou nova classe média. O certo é que a classe C veio para ficar, e principalmente a mulher, e as empresas precisam aprender e entender a correta comunicação, como afirma o sócio-diretor do instituto Data Popular, Renato Meirelles.

“Se é verdade que o poder mudou de mão no Brasil, é também verdade que as mulheres protagonizaram este processo”, afirmou, durante evento promovido pelo instituto e a Abril Mídia para o lançamento da pesquisa “As poderosas da nova classe média brasileira”. As mulheres da classe C movimentam um montante de R$ 400 bilhões, respondendo por R$ 41,00 de cada R$ 100 da rrenda familiar.

Caberia também a inigmática: “Decifra-me ou devoro-te”, da obra Édipo Rei, de Sófocles. E é isso que o estudo procura fazer. “Não dá para pensar em ser líder de mercado sem conquistar as mulheres da nova classe C, acrescenta Meirelles. Como exemplo, ele cita que 56% dos perfumes importados sobre comprados por este público, com um tícket médio de R$ 300,00. “Pode não caber no bolso o valor cheio, mas R$ 30 em 10 vezes dá”.

Para ele, o momento é de “opportunities of mind”, ao invés de “top of mind”, qual a classe C exigindo cada vez mais qualidade. De acordo com a pesquisa, a importância dada às marcas é crescente. O segmento em que é marca é mais levado em conta é alimentação, seguido de personal care, eletrodomésticos, home care e maquiagem. Como consequência, também são mais fiéis às marcas. “Além da qualidade, a marca tangibiliza a ascensão dela nos últimos anos”, explica o executivo do Data Popular.

A nova mulher identificada na pesquisa é cada vez mais independente. 70% almejam uma carreira, e não um trabalho; e 56% afirmam não sacrificar o tempo com o família pelo trabalho. Ou seja, é uma mulher que sabe lidar com os mundos. 72% dizem ser cuidadosas com o dinheiro, enquanto 71% planejam antes de comprar. Outra característica é poupar para os momentos de urgência e só parcelar se o valor for alto.

Uma das explicações para o empoderamento feminino está no acesso à tecnologia: a penetração de jovens até 24 anos na internet é igual em todas as classes, aponta a pesquisa. Diferentemente dos homens, as mulheres da nova classe média perguntam antes de comprar, estão “doidas por um notebook” e 60% pretendem comprar um celular de 2 ou 4 chips. Afinal, para que gastar dinheiro pagando caro a uma só operadora. “Na classe C nome de operadora virou sobrenome”, explica o executivo.

por Marcos Bonfim

Boom de imóveis de alto padrão “expulsa” a classe C de Santos

quinta-feira, junho 16th, 2011

Fernanda Pires | Para o Valor, de Santos

Valor Econômico - 16/06/2011

 

Cidades: Valorização imobiliária é resultado da escassez de espaço e da disponibilidade de poupança

 

A falta de áreas no município em Santos, no litoral de São Paulo, tornou a cidade o paraíso da construção civil de alto padrão nos últimos anos e está expulsando a classe C, principalmente para cidades vizinhas. Com dinheiro em caixa depois da abertura de capital na Bolsa, e aproveitando a volta do financiamento imobiliário, grandes empresas do setor desembarcaram em Santos e encontraram terreno fértil na cidade, que tem uma das maiores médias de poupança por habitante do país.

 

A escassez de espaço e o alto preço da fundação - o solo é considerado um dos piores do mundo - obrigam os construtores a direcionar as ofertas às classes altas para maximizar o lucro. “Em Santos, não dá para lançar apartamento abaixo de R$ 200 mil”, afirma Celso Petrucci, economista-chefe do Secovi-SP, entidade que representa as empresas do setor imobiliário no Estado de São Paulo.

 

“Para mim, Santos é a Vila Nova Conceição da Baixada Santista”, compara Petrucci, referindo-se aos dos bairros mais caros da cidade de São Paulo. “Os apartamentos mais baratos estarão na periferia, como Praia Grande, São Vicente e Guarujá”, afirma, citando outras cidades da Baixada Santista, que também já verificam valorização imobiliária.Desde 2007, Santos passou a receber uma enxurrada de empreendimentos e, hoje, disputa o terceiro lugar no ranking dos municípios com maior concentração de lançamentos no Estado. A lista é encabeçada pela cidade de Campinas.

 

O Secovi divulgou nesta semana o primeiro estudo sobre o perfil da região. A pesquisa analisou 20.542 unidades construídas nos municípios de Santos, São Vicente, Guarujá e Praia Grande, entre fevereiro de 2007 e abril deste ano. O segmento acima de R$ 500 mil liderou os lançamentos, com 28% do total. O mercado de apartamentos de quatro dormitórios apresentou a melhor performance de vendas no período. Santos concentra quase 90% dessas unidades.

 

Segundo o autor do estudo do Secovi, o pesquisador Robert Zarif, o único vazio urbano que ainda consegue absorver a classe C em Santos é a zona noroeste, região mais afastada da orla. “Para viabilizar um empreendimento, é preciso ter uma área muito grande para conseguir economia de escala e produzir muitas unidades. A cidade de Santos não tem mais espaço para isso”, explica Zarif.

 

É por essa razão que o programa do governo federal destinado à habitação popular, o Minha Casa, Minha Vida, não decolou na cidade. “Mas haverá alguns projetos. Estamos criando novas áreas de Zona Especial de Interesse Social”, afirma o prefeito João Paulo Papa (PMDB). O déficit habitacional em Santos é de 12.115 moradias, segundo estatísticas da Cohab e da Secretaria de Planejamento do município.

 

A saturação da ilha, que tem 39 quilômetros quadrados, faz qualquer terreno à venda parecer “mosca branca”. Regiões antes extremamente degradadas, como o bairro Valongo, situado na entrada da cidade, tornaram-se supervalorizadas. O preço do metro quadrado aumentou mais de 12 vezes nos últimos quatro anos. “Hoje, você paga de R$ 5 mil a R$ 6 mil”, diz o secretário de Infraestrutura e Edificações, Antonio Carlos Gonçalves.

 

No caso do Valongo, é preciso levar em conta o efeito Petrobras. A estatal decidiu construir sua sede no bairro, o que provocou a valorização e atraiu uma série de empreendimentos para o entorno. Quando as obras estiverem prontas, a empresa terá três torres, cada uma delas ocupada por 2.200 funcionários.

 

“Existe uma procura muito grande e carência de terrenos. Há quatro anos, o metro quadrado de um terreno na praia do Gonzaga estava em R$ 2.500. Hoje, está em R$ 7 mil. Essa é a solicitação de quem é dono, não significa que exista negócio”, afirma o diretor regional do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon), Ricardo Beschizza.

 

“Isso acontece em Santos, como em toda região metropolitana, em cidades-polo. A tendência do crescimento populacional da Baixada Santista está fora de Santos”, diz Papa.

 

De acordo com Zarif, mesmo com o alto índice de valorização dos imóveis, não se pode dizer que o mercado se estabilizou. Muito pelo contrário. “Acho que, a partir de agora, a riqueza irá circular, com a duplicação do porto e o pré-sal”, cuja produção ainda está no início.

 

Estudo feito pelo professor doutor João Meyer, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, identifica o início dessa elitização. Em 2007, no começo do boom imobiliário, não houve oferta de lançamentos para famílias com renda até 15 salários mínimos em Santos, apesar de haver demanda dessa faixa por 2.380 unidades. O mercado só começou a produzir para famílias no segmento entre 15 e 20 salários mínimos.

 

Para a faixa de mais de 30 salários mínimos, houve uma superoferta de moradia, quase cinco vezes superior à demanda. “O mercado prefere apostar em lançamentos de alto padrão, mesmo sem a garantia de liquidar as vendas ainda na planta”, explica Petrucci, do Secovi.

 

O maior comprador é o próprio habitante da cidade, afirmam as construtoras. Segundo o Banco Central, a média de poupança por habitante em Santos foi de R$ 6.904,77 em março, quase 41% acima do padrão da cidade de São Paulo. Municípios paulistas com população semelhante à de Santos (419 mil habitantes) registraram valores bem menores, como São José do Rio Preto (R$ 3.138,66) e Sorocaba (R$ 2.716,94).

 

“O perfil santista é de maior poder de poupança, o que permite maior poder de compra”, explica o diretor da consultoria Amaral & Associados, Rodolfo Amaral. Não à toa, o nível de endividamento pessoal também é o maior. Em março, ficou em R$ 18.520,52 - em São José do Rio Preto atingiu R$ 11.017,47, e em Sorocaba, R$ 7.006,90.

 

A desconcentração populacional no município de Santos ocorre desde a década de 70. De acordo com estudo elaborado pelo Núcleo de Estudos de População (Nepo) da Unicamp, a análise da migração por renda dos censos de 1991 e 2000 (o levantamento de 2010 ainda não divulgou esses dados) já apontava aumento percentual de saída de famílias com orçamento entre dois e dez salários mínimos. O tema divide especialistas.

 

“Pode ser até que o Censo de 2010 mostre uma redução nessa tendência, mesmo assim duvido que tenha sido revertida. E não tem absolutamente nenhuma política pública preocupada com isso”, afirma o doutor em planejamento urbano regional professor dos cursos de arquitetura e urbanismo da Unisanta e da UniSantos, José Marques Carriço.

 

“A partir dos anos 80 até os 2000 houve, sim, elevada evasão da população santista, porque as pessoas tinham de sair para procurar empregos. De 2000 a 2010, houve recuperação econômica da população, o porto mudou bastante, a empregabilidade aumentou, e a população ficou mais fixada”, afirma o coordenador do programa de mestrado em direito da UniSantos, Alcindo Gonçalves.

 

O saldo migratório anual de 1991-2000 foi de 2.198 pessoas. Entre 2001-2010 foi de 1.310. “Não há expulsão da cidade, o que aconteceu, como no Brasil inteiro, é que a condição de vida da população melhorou, o salário também”, avalia Gonçalves.

 

Que estratégias dão certo para a classe C?

quinta-feira, abril 14th, 2011

Como entender o que os consumidores emergentes desejam
Por Sylvia de Sá, do Mundo do Marketing

Muito se fala sobre o consumidor emergente, mas poucas empresas conseguiram entender os seus valores, desejos e necessidades. A baixa renda não compra mais apenas o que é necessário, mas também mostra interesse em adquirir produtos e serviços aspiracionais. O que antes era um sonho distante passou a ser visto como uma meta ao alcance de todos e, por isso, o esforço para obter o desejado é maior. Esta é a oportunidade para as empresas que souberem direcionar seu foco para este público.

Mas, afinal, o que funciona para a classe C? Na hora de comprar, há características que não mudam. A principal é a preferência por produtos reconhecidos como de qualidade. Cada vez mais, o cliente da baixa renda é fiel a marcas que transmitam segurança, para não correr o risco de investir o orçamento apertado de forma errada. Para os emergentes, no entanto, consumir vai além. É sentir-se incluído, ter a chance de esquecer o passado de pobreza e vislumbrar um futuro promissor.

“Quando compra um computador, o consumidor emergente está dando para o filho a chance de ter uma vida melhor. Para a mulher, o investimento em produtos de beleza aumenta a possibilidade de dar certo no mercado profissional. Os momentos de consumo são momentos de celebração”, explica Renato Meirelles (foto), Sócio-Diretor do instituto de pesquisas Data Popular, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Compras compartilhadas
Conquistar este cliente não é fácil. É necessário entrar no universo da baixa renda, entender seus valores e falar sua língua. Há particularidades da base da pirâmide que as companhias precisam aprender para desenvolver sua estratégia de forma adequada. Uma delas é o hábito de compra compartilhada. Mais do que qualquer outro consumidor, o emergente costuma se juntar a parentes e amigos para conseguir preços mais baixos, seja no supermercado atacadista ou na loja de material escolar.

De acordo com um levantamento do Data Popular, 39% dos entrevistados das classes C e D participaram de alguma compra compartilhada no período de um mês, enquanto na AB o número cai para 10%. O resultado representa uma chance para os sites de compra coletiva que desejam atrair estes consumidores, cada vez mais conectados.

Outra característica presente no comportamento de compra da base da pirâmide é a propensão a contratos informais. Ainda de acordo com a pesquisa, 47% dos consumidores das classes C e D emprestaram o cartão de crédito para amigos ou parentes. Na classe AB, esse número cai para apenas 3%. Já o hábito de comprar fiado é comum para 72% das classes C e D, contra 6% da AB.

“É difícil concorrer. As empresas devem investir em mecanismos de crédito próprio e vantagens competitivas para quem compra com os seus meios de pagamento. Mas a tendência é que o consumidor emergente continue usando os dois meios”, acredita o Sócio-Diretor do Data Popular.

Quebrando preconceitos
Cabe também às companhias ter o papel de educadores. Muitas vezes, o consumidor emergente é alvo do discurso moral da elite. Se compra produto pirata, não tem noção de propriedade intelectual. Mas se investe todo o salário em um produto de marca original, é alienado e fútil. Para acabar com o preconceito, as empresas precisam ensinar o consumidor a usar o crédito a seu favor e fazer a escolha do melhor preço, valorizando o processo de compra.

Para isso, a construção de um relacionamento é essencial. Um dos principais meios para se aproximar são as redes sociais. “É fundamental para as marcas estar presentes nestes canais. Não necessariamente para aumentar as vendas, mas para construir uma imagem positiva ou não deixar que a crise se espalhe”, diz Meirelles. A proximidade com o consumidor emergente, entretanto, só é possível quando as empresas absorvem os símbolos característicos do universo cultural da baixa renda.

Vale desde a utilização de garotos-propaganda que dialoguem com o padrão estético à valorização da música e da cultura presentes nas periferias das grandes cidades. Além de cases clássicos como o da Casas Bahia, Fralda Mágica, da Kimberly-Clark, chocolates Arcor e Positivo Informática são exemplos de marcas que têm feito essa conexão com o popular de forma positiva. O que elas têm em comum? “Quebraram o preconceito na origem”, responde Meirelles