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A ainda frágil ascensão da nova classe média

sexta-feira, novembro 23rd, 2012

Valor Econômico - 23/11/2012

O crescimento da classe média brasileira nos últimos anos, alardeado como uma conquista da série “nunca antes na história deste país”, é na verdade um fenômeno que aconteceu em toda a América Latina e Caribe a partir do ano 2000, revela o estudo “Mobilidade econômica e a ascensão da classe média latino-americana”, que acaba de ser divulgado pelo Banco Mundial. Algo semelhante aconteceu em outros países emergentes como a Rússia, onde a classe média é atualmente mais da metade da população; e na China, onde cresceu oito vezes em uma década.

Uma combinação de estabilidade econômica, crescimento e redução da desigualdade foi a responsável pelo aumento de 50% da classe média na América Latina e Caribe, entre 2003 e 2009, segundo o estudo do Banco Mundial. A classe média passou de 103 milhões para 152 milhões de pessoas nesse período e passou a constituir 30% da população do continente. No mesmo espaço de tempo, o percentual de pobres na população caiu de 44% para 30,5%, praticamente igualando-se à classe média. Pela primeira vez na história há quase tantas pessoas da classe média na América Latina (152 milhões) quanto na pobreza (158 milhões) depois de décadas de persistente desigualdade. Na década anterior, o número de pobres era duas vezes e meia maior.

Mas entre os pobres e a classe média está a maior fatia da população, 37,5% do total, que o Banco Mundial qualificou de vulneráveis, grupo com risco elevado de cair na pobreza, mas que pode, porém, ascender, caso as condições adequadas se apresentem. A classe alta representa apenas 2% da população.

O Banco Mundial usou a renda per capita como critério de classificação. Os pobres ganham até US$ 4 por dia; os vulneráveis, de US$ 4 a US$ 10; a classe média, de US$ 10 a US$ 50; e a elite, acima disso. Os vulneráveis têm mais de 10% de chance de voltar à pobreza.

As famílias latino-americanas que ascenderam vivem, tipicamente, nas cidades, têm um chefe com maior escolaridade e emprego formal, e encolheu de 3,3 para 2,9 pessoas, de 1999 a 2009.

Para os economistas do Banco Mundial, o crescimento econômico, traduzido na elevação da renda per capita média, foi o principal responsável pela redução da pobreza e aumento da classe média neste século na América Latina e Caribe. O Produto Interno Bruto (PIB) per capita da América Latina e Caribe aumentou a taxas anuais de 2,2% entre 2000 e 2010, depois de ter crescido apenas 1,2% nos anos 1990 e encolhido 0,2% na década de 1980. Neste século, a desigualdade de renda diminuiu em 12 dos 15 países da região pesquisados.

Já os especialistas brasileiros afirmam que a redução da desigualdade é o que principalmente explica o que ocorreu no Brasil. O Banco Mundial reconhece em parte essa influência e vê uma “clara associação” entre crescimento mais rápido do PIB e maior mobilidade de renda.

A diretora do Banco Mundial para o Brasil, América Latina e Caribe, Deborah Wetzel, disse que o país é um dos que apresentaram maiores mudanças e foi responsável por 40% do crescimento da classe média na América Latina. Mas as estatísticas apresentadas pela instituição são menos favoráveis que as feitas pelo governo brasileiro. Em setembro, a Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) divulgou que a maioria da população brasileira já era classe média. Estudo apresentado pela SAE registrou que, nos últimos dez anos, a classe média saltou de 38% para 53% da população brasileira, enquanto a baixa recuava de 49% para 28%; e a alta aumentava de 13% para 20%.

Para o Banco Mundial, porém, a maior parte da população brasileira está na zona cinzenta dos vulneráveis, que representam aproximadamente 38% e somados aos pobres (28%) constituem dois terços da população. A classe média chega a 32%; e a classe alta, cerca de 3% (Valor, 14/11). As contas divergem principalmente por causa dos critérios diferentes para classificar as classes sociais. A classificação brasileira para classe média engloba parcela da população que o Banco Mundial considera na faixa dos vulneráveis.

Mais importante do que uma disputa em torno de critérios, porém, é conclusão de que essas conquistas ainda são frágeis e podem ser revertidas pela persistência da crise internacional. Não basta tirar a população da pobreza. É preciso garantir que ela não volte a essa condição. Não se pode esquecer que um terço da população pelos dois critérios ainda está na pobreza.

Minha Casa, Minha Vida muda para atingir classe média

terça-feira, setembro 25th, 2012

FSP
TONI SCIARRETTA DE SÃO PAULO
NATUZA NERY DE BRASÍLIA

O governo Dilma prepara mudanças para expandir o foco do programa Minha Casa, Minha Vida, cujo limite de financiamento habitacional nas capitais chega a R$ 170 mil e pouco atende a classe média devido ao aumento nos preços dos imóveis.

Segundo o presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Hereda, a proposta é reduzir os juros e aumentar os limites de renda familiar que podem acessar o programa e os valores financiados.

Hoje, só famílias com renda de até R$ 5.400 mensais se enquadram no programa, que utiliza recursos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e tem juros máximos de 8,16% ao ano.

Para a faixa que ganha de R$ 3.101 a R$ 5.400 (faixa 3), a nova taxa deve cair de 8,16% ao ano para 7,16%.

Hereda não disse qual a taxa será dada para as famílias com renda entre R$ 1.600 e R$ 3.100 (faixa 2), que hoje têm juros de 6% ao ano.

Para as famílias com renda de até R$ 1.600, o governo compra o imóvel e subsidia até 95% do valor.

REAJUSTE NOS LIMITES

“O governo, através do Ministério das Cidades, está propondo reajuste tanto nos juros quanto nos limites. Recentemente tivemos alteração nos valores do Minha Casa, Minha Vida na faixa 1 [renda até R$ 1.600]. É natural que a faixa 2 e 3 tenham também reajuste”, disse.

Na sexta, a Caixa anunciou uma injeção de R$ 13 bilhões do governo, sendo que R$ 3 bilhões serão destinados ao financiamento de material de construção, dentre outros, para clientes ligados ao Minha Casa, Minha Vida.

Para João Crestana, ex-presidente do Secovi (Sindicato da Construção), as mudanças estudadas devem ampliar a participação da classe média urbana no programa.

“Está começando a ficar difícil utilizar o programa, porque a classe média subiu de patamar. Ou você retira a classe média, o que é uma temeridade, ou ajusta para que possa atender mais gente. O governo está muito sensível a isso”, disse Crestana.

A nova cara do consumo

terça-feira, setembro 25th, 2012

Carla JIMENEZ e Denize BACOCCINA
Isto é Dinheiro - 24/09/2012

Os 104 milhões de brasileiros, que compõem a classe média, devem movimentar R$ 1 trilhão neste ano, um quarto do PIB brasileiro. Detalhe: o maior crescimento é dos consumidores negros.

Luiza Trajano, presidente do Magazine Luiza, não perde a oportunidade de visitar a favela de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, onde abrirá uma loja, em breve. Bem-humorada, a empresária aproveitou o encontro com o presidente da Whirlpool, João Carlos Brega, durante um evento em São Paulo, na quinta-feira 20, para contar o que as moradoras da favela, que têm comprado pela loja online do Magazine, cobram dela, enquanto a loja física não é inaugurada. “Brega, pelo amor de Deus, me manda geladeiras de duas portas, inox e com a função frost free”, enfatizou Luiza, pedindo ao executivo para acelerar a entrega de um lote extra das geladeiras mais sofisticadas, que atenda à demanda dos consumidores emergentes.

“Essa classe média é diferente!” Como comerciante nata, é no tête-à-tête com a comunidade que Luiza sente a temperatura do mercado. “O Brasil é outro”, afirma. Sua percepção foi confirmada pelo estudo “Vozes da Classe Média”, divulgado, coincidentemente, na mesma quinta-feira, em Brasília, pela Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE). A exigência de produtos e serviços mais sofisticados é uma característica marcante dessa camada, que já soma 104 milhões de pessoas, ou 53% da população brasileira ( há 10 anos, representava 38%). “A classe média já cumpriu seus anseios mais básicos de consumo e agora começa a mudar seus hábitos e exigir mais”, diz Renato Meirelles, sócio do Instituto Data Popular, que consolidou a pesquisa “Vozes da Classe Média”.

Segundo o estudo, em 2012, os consumidores emergentes devem movimentar R$ 1 trilhão em compras, um número que salta aos olhos em qualquer lugar do mundo. Caso fosse um país, esse grupo, que reúne consumidores com renda per capita de R$ 291 a R$ 1.019 mensais, seria o 18º em poder aquisitivo. Essa dinheirama nas mãos de uma população, que até pouco tempo estava praticamente alijada do mercado, traz um desafio formidável para as empresas, acostumadas a atender a metade mais rica da pirâmide. “É mais difícil vender para a classe emergente”, diz José Fuentes Molinero Jr., vice-presidente de eletrônicos da Samsung. “É preciso colocar toda a tecnologia disponível nos nossos produtos, sem descuidar dos custos.” A necessidade de oferecer mais por menos torna-se cada vez maior para as empresas no Brasil, mas o investimento nesse binômio será tremendamente lucrativo.

Segundo o trabalho da SAE, a renda da nova classe média cresceu 3,5% ao ano na última década, contra os 2,4% anuais do resto da população. Ao todo, 35 milhões de pessoas ascenderam a esse grupo na última década, o equivalente à população da Argélia. Importante: 80% desse contingente de novos consumidores são negros. Ao mesmo tempo, essa mudança na escala social foi liderada, em especial, por famílias chefiadas por mulheres. “Elas são as grandes protagonistas dessa classe média”, diz Meirelles, do Data Popular. A renda da população feminina nesse grupo cresceu 79%. A projeção generosa feita pelo levantamento divulgado na semana passada está levando setores que ainda não haviam despertado para o potencial desse estrato a planejar estratégias específicas para conquistá-lo.

É o caso da mineira Localiza, a maior locadora brasileira de automóveis. “É uma oportunidade para nós”, diz Roberto Mendes, diretor financeiro da Localiza. “A renda está aumentando, as pessoas vão viajar cada vez mais e, consequentemente, alugar carros.” Mesmo em setores tradicionais, como o de eletrodomésticos e eletrônicos, subsiste uma demanda reprimida. “Metade dos lares brasileiros ainda não tem máquina de lavar roupa”, diz Renato Meirelles, do Data Popular. No caso de tevês e geladeiras, produtos que têm mais de 90% de penetração, a demanda virá pela troca por aparelhos mais modernos. Isso explica a reclamação feita por Luiza Trajano ao seu colega Brega, da Whirlpool: “Estamos perdendo vendas!”.

Classe média chega a 53% da população

quarta-feira, setembro 19th, 2012

Mariana Mainenti
Correio Braziliense - 19/09/2012

Segundo a Secretaria de Assuntos Estratégicos, 104 milhões de pessoas estão nessa categoria. Estudo visa traçar políticas para atender as necessidades da camada emergente

Se a classe média brasileira fosse um país, seria o décimo-segundo maior. De acordo com a Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), ligada à Presidência da República, 53% da população — um contingente de 104 milhões de pessoas — estão nesse nível sócioeconômico. Dez anos atrás, somente 38% encontravam-se no mesmo patamar. A maior parte desse crescimento foi decorrente da ascensão de 29 milhões de pobres; outros 8 milhões engrossaram as estatisticas devido à expansão natural da população do país.

As informações fazem parte da primeira etapa da pesquisa Vozes da Classe Média, que está sendo realizada pela SAE, com o intuito de produzir conteúdo para que o governo consiga reformular suas políticas, de forma a atender às necessidades desse público emergente. Pelos critérios da Secretaria, são de classe média famílias que vivem com renda per capita entre R$ 291 e R$ 1.019 por mês. Abaixo de R$ 291, encontra-se a classe baixa e acima de R$ 1.019, a alta.

O documento, o primeiro de uma série que será publicada trimestralmente pela SAE, apresenta dados que surpreenderam o próprio governo. A diferença entre o percentual de brasileiros em cada camada da população que possuem casa própria não é grande: corresponde a 72% da classe baixa, a 75% da média e a 80% da alta. “Se a maioria das pessoas em todas as classes já possui uma casa, faz mais sentido que se aumente a oferta de crédito para reforma do que para aquisição do primeiro imóvel. Também se torna mais importante investir em saneamento e energia”, avaliou a diretora da SAE Diana Grosner.

Serviços
Outro aspecto que surpreendeu os técnicos é que a classe média, que vem investindo em educação — especialmente, priorizando os cursos de nível superior —, não considera que a elevação do nível de escolaridade vá produzir uma melhora de renda. “Isso pode significar que as pessoas consideram mais importante ter uma rede de relacionamentos do que uma formação, como alguém que desiste de fazer medicina porque não está numa família de médicos”, afirmou Grosner.

Segundo a diretora, os dados indicam que essa parcela da população irá precisar de novos serviços num futuro próximo. “Os produtos financeiros serão mais demandados. Não é à toa que o Tesouro já está vendendo títulos públicos a R$ 30 e as seguradoras estão desenhando apólices para esse público”, disse Grosner.

Classe média ascendente exige lazer e conforto por baixo preço

quarta-feira, agosto 29th, 2012

Radar Imobiliário - O Estado de São Paulo
Claudio Marques

GUSTAVO COLTRI

Antes presa ao aluguel, a classe média ascendente hoje tem mais poder de compra no mercado imobiliário graças a fatores como o barateamento do crédito e o aumento de renda da população brasileira. E, nem de longe, esses consumidores se contentam com pouco.

Os itens de lazer, tradicionalmente peças de edifícios residenciais de padrão um pouco mais elevado, têm figurado em condomínios da linha econômica. “Essa classe média deseja ter qualidade de vida”, diz o diretor comercial e de marketing da MZM Construtora, Helio Korehisa. A empresa acaba de realizar uma pesquisa sobre suas ofertas online de imóveis e constatou que 719 entre mil visitas foram motivadas pelos itens de conforto e lazer dos lançamentos.

Como o preço final dos imóveis não pode estar fora do orçamento familiar dos compradores, a MZM procura adotar medidas para controlar os custos finais dos produtos. A principal estratégia é oferecer condomínios-clube com variadas torres e muitas unidades em cidades vizinhas a São Paulo.

O grande adensamento permite que a taxa condominial, dividida por todos os proprietários, não fique com valores altos demais. A localização também seria uma vantagem, porque o preço do metro quadrado fora da capital é, em geral, mais baixo. Em Santo André, por exemplo, a área útil dos lançamentos deste ano custa R$ 4.792 frente a R$ 7.037 cobrados nos empreendimentos paulistanos.

A MZM prepara para outubro, em Diadema, o lançamento do Residencial Conquista Alda, com três torres. O conjunto terá mais de 20 opções de lazer e 348 unidades ao todo, todas variando de 59,3 m² a 67,3 m².

Na capital, os imóveis de padrão médio mais econômico podem ser encontrados em bairros em desenvolvimento e, na maioria das vezes, com metragens reduzidas. No bairro de Pirituba, a incorporadora You, Inc deve lançar, no início de setembro, o residencial You Parque São Domingos, que terá unidades a partir 57,3 m² ao custo estimado de aproximadamente R$ 295 mil. “Percebemos que o consumidor se encanta, porque vê que há varandinha e lazer completo.

A região tem prédios mais simples”, diz o gerente de vendas da companhia. Daniel Berettini.
Outras empresas, como a Requadra Desenvolvimento Imobiliário, investem em bairros em recuperação na área central de São Paulo. Este mês, ela lançou o Sampa, no Brás, com unidades de 32 m² a 52 m².

“O público que compra o primeiro imóvel quer que ele seja o mais perfeito possível. Um dos reflexos disso é a arquitetura. Os apartamentos têm cozinha integrada e churrasqueira no terraço”, diz o diretor comercial da Requadra, Marcos França.

No momento da venda, imobiliárias e empresas de marketing especializado valorizam os aspectos mais marcantes dos produtos, sem descuidar da sofisticação. “Nos decorados dos empreendimentos econômicos, usamos os mesmos decoradores de apartamentos de alto padrão. Essas pessoas são exigentes e não querem ver móveis que não são de desejo”, diz a diretora de marketing da Abyara Brasil Brokers, Paola Almabert.

O casal Fernando e Carolina Marinello compraram em março um apartamento de 47 metros quadrados no Jaraguá. “A única coisa que ele não tem é piscina. Há playground, salão de festas, salão de jogos”, conta Fernando, que considera a localização um diferencial – o prédio ficará próximo a uma estação de trem. Eles deixarão o aluguel quando o edifício estiver pronto, o que está previsto para 2014.

Ascensão. Segundo o presidente da Eugênio Marketing Imobiliário, Carlos Valladão, a exigência tende a crescer com o aumento da condição financeira do consumidor. “Se ele mora em casa própria, vai buscar uma localização que represente ascensão: próxima ao trabalho, ao metrô ou a uma área de lazer.”

O desejo de viver com mais conforto foi decisivo para que a arquiteta Patrícia Dada, de 27 anos, adquirisse sua segunda unidade, com três dormitórios em São Caetano do Sul. “A localidade pesou na nossa decisão, porque é uma cidade melhor”, disse Patrícia, que mora em Santo André. Com casamento marcado para sábado, ela também se prepara para o possível crescimento da sua futura família.

Avanço da nova classe média prossegue, diz especialista

sexta-feira, agosto 17th, 2012

Apesar da desaceleração da economia, pesquisador da FGV Marcelo Neri reafirma projeção de que a classe C terá mais 12 milhões de pessoas até 2014

Keila Cândido, de Veja

São Paulo - A expansão da classe média brasileira segue robusta, conforme dados apurados até junho, afirma o economista e coordenador do Centro Políticas Sociais (CPS) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Marcelo Neri. Em debate na 22ª Bienal do Livro, em São Paulo, ele reafirmou a projeção de que mais 12 milhões de pessoas ascenderão para esse segmento até 2014. Nas classes A e B, o número de entrantes chegará a 7,7 milhões. Neri não arrisca dizer, contudo, como será o comportamento dessas classes sociais de 2015 em diante. Entre 2003 e 2011, a nova classe média – que tem renda familiar de 1.700 reais – incorporou 40 milhões de pessoas.

Para Neri, foi a nova classe média que estabilizou a economia brasileira e fez crescer o Produto Interno Brunto (PIB) nos últimos anos em que tônica foi a crise internacional. “A classe média é o amortecedor interno da economia. Se ela quebrar, não sabemos para onde vai o país”, disse. O economista, autor do livro “A Nova Classe Média - O Lado Brilhante da Base da Pirâmide”, participou nesta quinta-feira de debate sobre o assunto.

2014 – Após a renda do brasileiro ter aumentado nos últimos anos, na esteira do crescimento econômico, o pesquisador não se arrisca a dizer como será sua evolução num intervalo de tempo mais extenso, a partir de 2014. “Estamos em um momento de pleno emprego, mas é arriscado dizer qual será a renda real das famílias da nova classe média”, disse.

Para Neri, por ora, não há sinal de que haverá reversão da ascensão social dos mais pobres. A classe média, aliás, ganhou força, segundo dados apurados até junho. De acordo com o economista, o mercado de trabalho faz mais diferença para o consumo destas pessoas do que o acesso crédito. “O que importa para elas é trabalhar e ter dinheiro no bolso para consumir”, explicou.

Novo consumidor – A nova classe média, hoje com maior poder de compra, tem tido acesso a bens e serviços que, anteriormente, eram restritos às classes A e B, tais como planos de saúde, escolas particulares e previdência privada. Neri lembrou que a má qualidade na oferta de serviços tem gerado nesse novo consumidor uma sensação de frustração. Na avaliação do especialista, é para essa insatisfação que as empresas têm de olhar. “Esta é a nova agenda no Brasil. As pessoas estão consumindo fortemente, e são exigentes”, afirmou.

Segundo Neri, os pacotes do governo para melhorar a infraestrutura do país – tal o programa de investimento de ferrovias e rodovias anunciado nesta quarta-feira – são de “extrema importância” porque esses novos consumidores aumentam os desafios do país. Em outras palavras, as pessoas estão consumindo o que antes não tinham acesso, como viajar de avião, por exemplo, o que tem aprofundado os gargalos dos aeroportos do país.

A alta da inadimplência verificada nos últimos meses não deve ser considerada o pior problema da classe C, na visão do economista. “O problema no Brasil não é de endividamento, mas sim as altas taxas de juros”, declarou. Outro problema, na opinião do pesquisador, é baixa taxa de poupança do brasileiro.

Comparações – Para o pesquisador, não é possível comparar a classe média americana à brasileira porque os perfis são muito diferentes. A renda das famílias e o tipo de consumo são bastante distintos. Neri relata que, desde 2004, quando houve o início da ascensão da classe média, o Brasil teve três saltos: mais pessoas tiveram acesso a cursos técnicos, houve aumento do número de pessoas com carteira assinada e a qualificação profissional também melhorou. Para o pesquisador, o acesso à educação é um avanço muito importante que contribui para a ascensão da classe C. “Quem olha para a classe média com olhar estrangeiro – de fora para dentro – não percebe o valor do que tem acontecido”, disse. Essas particularidades representam outros elementos que não permitem equiparar a realidade brasileira com a americana.

O coordenador do CPS/FGV preferiu comparar o crescimento brasileiro ao de China e índia, que classificou como “invejáveis”. Contudo, na opinião do economista, no Brasil há um fator qualitativo: a redução da desigualdade. “No Brasil, o crescimento é mais sustentável porque temos a redução da desigualdade, que vem caindo nos últimos onze anos”, disse. “Este é o ingrediente brasileiro do crescimento”, comemorou.

“Nova” classe média ganha até R$ 1.019 per capita

quarta-feira, maio 30th, 2012

Por Rodrigo Pedroso | De São Paulo
Valor Econômico

A Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) divulgou ontem estudo que estabelece novos critérios para a identificação da classe média brasileira e a define como o grupo composto por famílias com renda per capita entre R$ 291 e R$ 1.019, segundo dados da composição da renda em 2009. Atualmente, esse universo representa 54% da população do país.

Em parceria com um corpo de especialistas nas áreas de economia, sociologia e pesquisas de opinião, foram adotados diversos critérios para definir as faixas de renda da classe média, que foi dividida em três subgrupos, como a alocação e a composição da renda. Segundo a SAE, o principal critério observado foi o da vulnerabilidade, ou seja, a chance que a população tem de sofrer decréscimo na renda, e assim retornar à condição de pobreza.

A nova classificação vai servir para o governo tomar medidas que sustentem a emergência da classe média na sociedade brasileira. Em 2001, o percentual da população que se encaixava nesse perfil era de 38%. Já em 2009, a classe alta representava 18%, enquanto a baixa correspondia a 34%. “A expectativa é que a gente entenda melhor e mapeie essa nova classe, que ascendeu nos últimos dez anos e se transformou na maioria da população brasileira”, afirmou Moreira Franco, ministro da secretaria.

A nova classe média foi dividida entre a “baixa classe média”, com renda per capita entre R$ 291 a R$ 441, “classe média”, com ganho entre R$ 441 a R$ 641, e “classe média alta”, com rendimento entre R$ R$ 641 a R$ 1.019.

Os trabalhos para realizar a nova medição começaram em dezembro último, com o último encontro sendo realizado ontem para definir as diretrizes finais. A intenção do governo é fazer com que a nova classe média permaneça como maioria na população brasileira e tenha mais estabilidade, segundo o secretário de Ações Estratégicas da secretaria, Ricardo Paes de Barros.

“A inserção na nova classe média se deu pela expansão do emprego formal. Agora queremos garantir um segundo empurrão nesse mercado de trabalho: a geração de empregos mais estáveis”, afirmou para depois explicar que o foco é o aumento da produtividade do grupo. “Hoje há muita rotatividade nas empresas, o que é ruim tanto para o empregador como para o empregado. O primeiro não investe no funcionário e o segundo dá um retorno menor, pois fica pouco tempo.” Para tanto, o governo estuda políticas específicas, como a criação de incentivos a funcionários e empresas que mantenham vínculos mais longos.

Além da três subdivisões de classe média, mais cinco foram feitas para enquadrar as diferenças de renda no país. A faixa “extremamente pobre”, com renda de até R$ 81, a “pobre mas não extremamente pobre”, com renda entre R$ 162 e R$ 291, a “vulnerável”, com renda entre R$ 291 e R$ 441, a “baixa classe alta”, com renda entre R$ 1.019 e R$ 2.480 e a “alta classe alta”, com renda acima de R$ 2.480. Os valores que compreendem essas denominações foram corrigidos de 2009 até abril deste ano.

A previsão de Paes de Barros é que estudos com a nova metodologia sejam anunciados nos próximos meses.

Concorrência com importados chega ao comércio online

segunda-feira, março 26th, 2012

Com foco no crescente mercado consumidor do País, os sites estrangeiros já oferecem diversas facilidades para os brasileiros

LUIZ GUILHERME GERBELLI, ROBERTA SCRIVANO - O Estado de S.Paulo
A concorrência entre produtos nacionais e importados chegou ao comércio online. Em busca de melhores preços, os brasileiros estão migrando para sites estrangeiros. De olho no crescente consumo dos internautas do País, os portais internacionais já oferecem diversas facilidades: isentam a taxa de frete e têm páginas em português.

A diferença dos valores entre os sites nacionais e os internacionais pode ser grande. Uma capa protetora para o tablet iPad, por exemplo, que no Brasil custa em média R$ 150 pode ser encontrada por R$ 25, diferença de 500%. Entre os portais, o que têm preço mais atrativo é o chinês dealextreme.com. A loja de departamento americana Macy’s também mira o consumidor brasileiro e já vende os produtos com os preços cotados em reais.

Mais do que a busca por preços, a internacionalização do comprador online brasileiro vem acompanhada da alta do e-commerce no País, que cresceu por causa da melhora de renda dos brasileiros nos últimos anos e do avanço da banda larga.

“A classe média já é maioria absoluta entre os internautas e é um movimento sem volta”, diz Renato Meirelles, diretor do Instituto Data Popular. “O comprador não tinha cartão de crédito, mas agora ele tem e o cartão é o principal meio de pagamento para das transações online”, afirma.

No ano passado, segundo a consultoria E-bit, o faturamento do setor de comércio online no País foi de R$ 18,7 bilhões, um crescimento de 26% em relação ao ano anterior. E o número de compradores pela internet chegou a 31,9 milhões, o equivalente a quase toda a população do Peru.

Os brasileiros têm se arriscado cada vez mais em compras internacionais. Dados do Banco Central mostram que os gastos dos brasileiros com cartão de crédito em compras no exterior cresceram 18% de fevereiro de 2011 para o mesmo mês deste ano - para quase US$ 1 bilhão. Especialistas lembram ainda que mesmo as compras online em sites internacionais têm incidência de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 2,38%. Alguns sites estrangeiros também costumam ofertar o produto com a taxa de importação já embutida no preço final. O imposto de importação sobre produtos que entram no Brasil é de 60%, calculado sobre o valor total com frete, mais o ICMS.

O grande inimigo de quem opta por compras em sites internacionais é o tempo de entrega. Enquanto um produto de um site nacional pode chegar no dia seguinte, a espera por um internacional chega a 40 dias - no caso do site chinês.

Expectativa. A tendência é que o comércio online amplie seu faturamento para R$ 23,4 bilhões neste ano, alta de 25% ante o resultado registrado em 2011.

Assim como no mercado doméstico, as compras internacionais devem crescer. “A tendência é avançar. Em especial porque os jovens estão cada vez mais conectados e são os que fazem mais compras onlines”, explica Meirelles, do Data Popular. “Esses jovens estão estudando mais, fazendo curso de inglês, descobrindo novas oportunidades nesse mercado”, completa.

A diferença de preços é resultados do chamado custo Brasil. As altas taxas de juros e carga tributária encarecem a produção brasileira. “O Brasil precisa atacar a falta de competitividade”, diz Silvio Laban, coordenador dos programas de MBA Executivo do Insper (ex-Ibmec SP).

Custo de vida da classe média de SP sobe 0,28% em julho

quarta-feira, agosto 17th, 2011
CIRCE BONATELLI - Agencia Estado

SÃO PAULO - O custo de vida da classe média na cidade de São Paulo ficou mais alto em julho, de acordo com pesquisa divulgada hoje pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP), em parceria com a Ordem dos Economistas do Brasil (OEB). O Índice de Custo de Vida da Classe Média (ICVM) subiu 0,28% em julho ante junho.

 

No acumulado de janeiro a julho de 2011, o índice apresentou alta de 3,64%, em relação ao mesmo período do ano anterior. Nos últimos 12 meses encerrados em julho, a elevação é de 6,23%.

Entre os sete componentes do ICVM, a maior alta nos últimos 12 meses foi registrada no setor de alimentação, com avanço de 9,15% no período. O segmento registrou aumento principalmente nas refeições realizadas fora de casa, justificado pelos comerciantes como repasse de gastos maiores com salário dos funcionários, matérias-primas e aluguel de imóvel.

Também contribuíram para o avanço do indicador nos últimos 12 meses as altas nos setores de transportes (7,07%), educação (6,92%), saúde (6,61%), despesas pessoais (6,54%), vestuário (4,38%) e habitação (4,18%). O segmento de transportes foi afetado pelas grandes variações dos preços do etanol (alta de 35,65% no período) e da gasolina (10,12%). Já o reajuste no segmento da educação foi reflexo dos reajustes semestrais feitos pelas faculdades.

Na comparação mensal, entre julho e junho de 2011, seis dos sete componentes do ICVM tiveram alta: saúde (0,60%), despesas pessoais (0,43%), habitação (0,39%), alimentação (0,25%), educação (0,20%) e transportes (0,18%). A maior alta, no setor de saúde, é explicada por aumento nos preços de planos de saúde, serviços médicos e de laboratórios, além de produtos farmacêuticos. Já a baixa entre os componentes do ICVM na comparação mensal foi verificada no setor de vestuário, com recuo de 0,67%, devido às liquidações do período.

O ICVM considera a variação dos preços médios de produtos e serviços na capital paulista para famílias com renda mensal entre R$ 3 mil e R$ 9 mil.

Como a classe C investe e toma empréstimos

quarta-feira, abril 27th, 2011

Falta educação financeira e experiência para que a classe média use o crédito de forma responsável e encontre os investimentos mais adequados na prateleira dos bancos
João Sandrini, de Exame.com

São Paulo - No Brasil, está na moda falar em classe C. O estrato da população que mais cresceu durante o governo Lula hoje já tem renda suficiente para interessar empresas de todos os segmentos. No setor financeiro, não é diferente. Os grandes bancos públicos e privados têm aumentado a competição por esses clientes com a oferta de novos produtos e serviços. Abaixo e nas próximas páginas, Eduardo Alvarez, superintendente executivo do segmento pessoa física do Santander, revela os hábitos dos clientes que ganham entre 1.200 e 4.000 reais e explica como o banco quer ganhar participação de mercado nesse segmento no Brasil:

Mais educação financeira

Nenhum banco está inteiramente preparado para lidar com a classe C. Trata-se de um volume muito grande de clientes, e é impossível dar um atendimento personalizado a todos eles. Outro problema é que a classe C não é um grupo de pessoas que possui educação financeira suficiente para tomar decisões de investimento ou que sabe escolher o crédito adequado a um propósito específico. São pessoas que, sem aconselhamento, correm um risco de se endividarem demais, por exemplo. A taxa de inadimplência da classe C é mais que o dobro da que observamos entre as pessoas mais ricas. Não estou dizendo que há mais malandros nesse estrato da população. Pelo contrário, acho que todos querem igualmente pagar suas dívidas. A classe tem uma taxa de inadimplência maior porque está menos acostumada a lidar com crédito, porque possui menor instrução financeira e porque o dinheiro que costuma sobrar no final do mês é mais curto.

Os bancos estão cientes de que precisam fazer sua parte na educação financeira dessas pessoas. O banco vai ter de fazer isso não apenas para se diferenciar e conquistar o cliente, mas também porque o cara que é desorganizado financeiramente um dia acaba gerando prejuízo. Há algum tempo, o banco achava que essa cara era o filé, é para ele que seria possível vender produtos com juros altos como o cheque especial e o crédito rotativo do cartão de crédito. Hoje os bancos já perceberam que esse cara não dá tanto dinheiro quanto parece. Pode até demorar, mas o cliente desorganizado financeiramente uma hora ou outra deixa de pagar o crédito que tomou. Então o banco tem que manter uma estrutura de cobrança cara, empregando pessoas que tenham como única função ir atrás desse dinheiro. Dívidas não-pagas sujam o balanço do banco. Para que alguém pouco organizado financeiramente consiga quitar uma dívida, muitas vezes é necessário oferecer descontos no saldo devedor. Então esse cara dá muito trabalho e gera menos ganhos do que parece. Hoje os bancos entendem que é melhor oferecer crédito na medida certa a clientes que paguem.

Mais ferramentas de crédito

O Brasil passa por um momento singular de expansão do crédito. É algo parecido com o que aconteceu na Espanha nas décadas de 80 e 90. O problema é que o crédito cresce no Brasil a uma velocidade duas vezes superior. Como leva tempo para que a população entenda como fazer um uso responsável do crédito, é necessário que sejam criados novos instrumentos para evitar o excesso de endividamento. A principal ferramenta seria o cadastro positivo, que aguarda votação do Congresso e poderia ajudar os bancos a calibrar o limite de crédito de cada cliente. Hoje o Santander empresta 10.000 reais a um correntista, mas não sabe se o mesmo consumidor já tomou 10.000 no Itaú e outros 10.000 no Bradesco. Nós não sabemos se o cliente está super endividado e não conseguimos fazer a correta avaliação de crédito.

Outra conclusão a que cheguei é que muitos brasileiros se endividam mal. Comparando com a realidade espanhola, dá para dizer que o brasileiro está muito endividado no crédito pessoal e toma muito pouco crédito para comprar imóveis. Fica claro que os empréstimos financiam um consumo de coisas menores. Essas pessoas têm condições de poupar para comprar esses mesmos bens e usar o crédito para realizar sonhos maiores.

Mais produtos e serviços

Como é impossível dar um atendimento personalizado a todos nossos clientes, vamos tentar melhorar a comunicação com a classe C de três formas. A primeira é desenvolver ferramentas e simuladores que estarão disponíveis em nosso site e que sirvam para mostrar para um correntista até que ponto é razoável se endividar com cada tipo de compra.

Também planejamos tornar os serviços oferecidos por nossos caixas eletrônicos mais simples e intuitivos. Hoje os caixas oferecem mais de 100 opções de serviços, mas quase sempre o cliente apenas saca dinheiro, verifica o saldo ou paga uma conta. Os demais produtos e serviços do banco estão escondidos atrás de nomes pouco inteligíveis. O banco precisa explicar melhor aos correntistas como pode ajudar cada um deles.

Por último, vamos lançar produtos voltados para a classe C. O Santander nunca se destacou nesse segmento porque os bancos que comprou, como o Banespa ou o Real, tinham como foco pessoas de renda um pouco mais elevada. Agora vamos mudar isso. Já lançamos um fundo de previdência privada que permite o aporte de 70 reais por mês. Temos desde março um fundo de renda fixa com aplicação inicial de 1.000 reais que cobra uma taxa de administração de 1,6% ao ano, menor que a da concorrência. O fundo cobra taxa de saída para resgates de até três anos, mas ainda assim é vantajoso para quem planeja investir no longo prazo.

As várias classes C

O grande problema de lidar com a classe C é que ela engloba diversos nichos diferentes de pessoas, desde universitários a aposentados. É por isso que pesquisas sobre os hábitos da classe C costumam apresentar resultados tão diferentes uma da outra. Quando a gente tenta entender os universitários e os jovens que acabaram de ingressar no mercado de trabalho, chegamos à conclusão que é gente que ainda ganha pouco porque está no início da carreira, mas que tende a progredir na vida.

São pessoas que vão atrás de informação e que podem se tornar extremamente exigentes com o banco. Eles querem respostas rápidas para suas dúvidas. Se não obtém uma resposta satisfatória, eles vão para as redes sociais e fazem reclamações explícitas contra o banco. Mesmo quando respondemos por e-mail qual é a área específica do banco que poderia cuidar de determinado assunto ou quando pedimos um prazo de 24 horas para encaminhar a solução acabam sendo mal-vistos.

Os jovens gostam de fazer tudo pela internet. Até mesmo a necessidade de entregar cópias de documentos e um contrato assinado numa agência para abrir a conta corrente é encarada como excesso de burocracia. Na área de crédito, os jovens ainda não conhecem todas as possibilidades existentes no mercado. Eles não sabem, por exemplo, que existem linhas de crédito com juros atrativos específicas para financiar a mensalidade da faculdade ou um MBA. No entanto, eles se interessam pelo assunto e querem conhecer mais.

Já na área de investimentos, os jovens são bastante agressivos. Eles adoram ações e já querem montar carteiras próprias com aplicações de 5.000 reais. Após muito pouco tempo de utilização do home broker, eles sentem que já são capazes de ganhar dinheiro no mercado. Só quando perdem dinheiro é que muitos voltam a se interessar por aplicações conservadoras ou decidem entregar a gestão do patrimônio a um profissional de finanças especializado.

Na outra ponta da classe C, estão os profissionais com mais de 50 anos de idade e os aposentados. São pessoas que não estão acostumadas a lidar com o internet banking nem com caixas eletrônicos e preferem ser atendidas nas agências. Aquele negócio de o aposentado sacar todo o benefício do INSS no dia do pagamento e sair com o bolo de dinheiro no bolso já está acabando. Ainda bem, porque isso é uma questão de segurança. Mas todos os meses, ainda sentimos o aumento do fluxo de pessoas nas agências no dia do pagamento dos benefícios.

Na área de investimentos, eu diria que 95% dos idosos preferem a caderneta de poupança. É algo que eles entendem como funciona e que não traz surpresas. Todos os meses, o patrimônio aumenta um pouquinho. Já na hora de tomar um empréstimo, o crédito consignado é o campeão. É muito fácil para o aposentado tomar dinheiro por meio dessa linha porque os bancos têm a garantia de recebimento das parcelas. Os juros do consignado são a metade do crédito pessoal.

Também é comum que outros integrantes da família se beneficiem dessa facilidade concedida ao aposentado. Ele toma o crédito consignado em seu nome e repassa o dinheiro ao parente para que o pagamento de juros seja reduzido. Em geral, os aposentados são ótimos pagadores. Se ele sabe que tem que pagar 200 reais por mês para o banco, já se programa para economizar essa quantia e arcar com a obrigação. São pessoas que, além de organizadas, sabem da implicância de ficar com o nome sujo.