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Cultura do autosserviço avança no país

terça-feira, dezembro 18th, 2012

Por Bruna Cortez e Cibelle Bouças | De São Paulo
Valor Econômico - 18/12/2012

A pedagoga Leyla Mariza de Castro utiliza pela primeira vez um terminal de autosserviço da loja Memove, no shopping Mooca Plaza, para comprar roupas

A boa e velha expressão “em que posso ajudá-lo?” tende a ser menos ouvida nos próximos anos. Para comprar uma peça de roupa na varejista de moda Memove, por exemplo, não é mais imprescindível ser atendido por um vendedor. Nas lojas da marca, o cliente tem a opção de usar um terminal de autosserviço para realizar a compra. O uso desse tipo de equipamento no atendimento ao consumidor, no entanto, é uma tendência que vai muito além do varejo de moda.

Na esteira de um processo iniciado pelos bancos há décadas, empresas dos mais diversos segmentos - de supermercados a companhias aéreas - estão investindo na aquisição de terminais de autosserviço que ajudem a diminuir filas, além de reduzir o peso dos custos operacionais. No caso da Memove, há entre dois e três equipamentos por loja. Em média, 20% das compras são feitas através de um terminal de autosserviço, disse Alexander Dattelkremer, diretor de operações e negócios da Valdac Global Brands (VGB), controladora da Memove.

As vendas de equipamentos de autosserviço em geral crescem duas vezes mais que a demanda só no setor financeiro, segundo Elias Silva, vice-presidente da NCR para América Latina e Caribe. Fabricante de caixas de atendimento automático (ATMs), a NCR é uma das companhias que enxerga um grande potencial para vendas de equipamentos de autosserviço no Brasil. Esse coro é engrossado por companhias como Itautec e Motorola Solutions, que vêm reforçando a atuação no segmento.

Do ponto de vista do consumidor, é difícil deixar de notar a adoção crescente dos terminais de autosserviço pelas empresas. No eixo Rio-São Paulo é raro encontrar, por exemplo, uma sala de cinema que não ofereça a opção de comprar os ingressos sem contato com um vendedor. Na rede Kinoplex, apenas 2 das 29 salas não estão equipadas com terminais desse tipo. A companhia investiu cerca de R$ 1,6 milhão na compra de 80 máquinas de autosserviço e atualmente 11% das vendas de ingressos são feitas por meio desse canal, segundo informou a Kinoplex. Em 2011, essa participação era de 9%.

No mês passado, o grupo Muffato, dono da maior rede de supermercados do Paraná, colocou em operação quatro autocaixas em uma loja na cidade de Londrina. De acordo com a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), trata-se da primeira varejista a utilizar equipamentos do tipo no país. Cada máquina exigiu um investimento de R$ 125 mil. Segundo Everton Muffato, diretor do grupo varejista, 4% das vendas da loja de Londrina são realizadas pelo terminal de autosserviço, mas a expectativa é que essa participação aumente para 10% no prazo de um ano. O grupo Muffato planeja instalar equipamentos em uma loja de Curitiba no próximo ano.

Outro segmento que vem se destacando pelo uso de terminais de autosserviço é o de companhias aéreas. TAM e Gol têm terminais distribuídos pelos principais aeroportos do Brasil. No caso da TAM, são 166 máquinas disponíveis, enquanto a Gol tem 108 terminais, segundo informaram as empresas. As principais funções disponíveis nesses equipamentos para os passageiros são “self check-in”, consulta de pontuação do programa de fidelidade e marcação de assento. A Gol informou, em nota, que “avalia projetos para ampliar as funções desse canal”.

Para as companhias aéreas, a adoção de terminais de autosserviço é uma estratégia paralela à criação de ferramentas que permitam o “self ckeck-in” e outras funções via internet, incluindo aplicativos para dispositivos móveis.

Segundo Tony Luna, gerente de tráfego de passageiros da TAM, o principal fator de estímulo ao investimento em terminais de autosserviço é o ganho de eficiência, sobretudo frente ao aumento de demanda esperado em decorrência da Copa do Mundo e da Olimpíada.

Os grandes eventos esportivos que serão realizados no país, por sinal, também podem impulsionar a demanda por terminais de autosserviço em outro ambiente: os estádios. Silva, da NCR, disse que a companhia já tem encomendas de estádios que estão em fase de construção, mas não revelou nomes. Ao lado dos hotéis, os estádios também representam uma oportunidade de mercado para a Itautec, afirmou Wilton Ruas, vice-presidente de automações da companhia.

Embora haja um esforço conjunto de fabricantes e companhias de diversos segmentos para incentivar o uso dos terminais, o consumidor ainda parece receoso. Não é raro ver filas enormes para comprar o ingresso com um vendedor, enquanto as máquinas de autosserviço estão desocupadas. É por isso que boa parte das empresas ainda escolhe com atenção as localidades onde vai implantar seus terminais.

“Algumas pessoas ainda têm medo de utilizar meios eletrônicos para fazer compras, seja pela dificuldade de uso ou pela falta de confiança”, disse Patrícia Cotta, gerente de marketing da Kinoplex. Segundo ela, a empresa faz pesquisas constantes para tornar o uso dos terminais mais amigável.

Setor cresce em carteira imobiliária de fundações

sexta-feira, novembro 30th, 2012

Por Felipe Datt | Para o Valor, de São Paulo
Valor Econômico - 30/11/2012

As contínuas reduções da taxa básica de juros e a busca por maior rentabilidade nos investimentos, o aumento do crédito e a consequente elevação no poder de consumo da população e, na maioria dos casos, a possibilidade de obter ganhos mais atraentes do que os proporcionados por outros ativos imobiliários, como torres comerciais, são algumas das razões que estimulam os fundos de pensão a incluir a participação de shopping centers nas suas carteiras de imóveis.

“Por se tratar de um ativo com muita previsibilidade e pouca volatilidade, sempre acreditamos que os centros comerciais são investimentos com potencial de crescimento no longo prazo. Somos investidores de shopping e continuaremos focando nesse segmento nos próximos anos”, avalia Ivan Schara, gerente de participações imobiliárias da Previ, o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil.

O executivo explica que, desde 2009, a fundação busca incrementar a participação da carteira imobiliária no seu portfólio de investimentos. Pelo grande potencial de valorização, o shopping center é um alvo natural.

Atualmente, os investimentos da Previ no segmento imobiliário somam aproximadamente R$ 8 bilhões - ou 5% do portfólio de investimentos da fundação. Os 14 shopping centers em que detém participação já abocanham 33% desse montante. Schara conta que, com uma participação média que varia de 30% a 35% em cada empreendimento, e com uma média de 35 mil m2 de área bruta locável (ABL) por centro comercial, a Previ transita entre a quinta e a sexta colocação, em ABL, entre os maiores investidores de shopping centers do país.

O mais recente investimento, que abrangeu o desembolso de R$ 817 milhões em um shopping e uma torre comercial no complexo Parque da Cidade, na Zona Sul da capital paulista, mantém a concentração dos investimentos em empreendimentos de médio e alto padrão em mercados selecionados, como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. O aporte também indica uma nova estratégia da fundação, que abriu mão de investir em um centro de compras mais maduro e gerando renda para antecipar sua participação em um empreendimento que será entregue apenas em 2016.

“Ainda há espaço nas capitais, mas miramos também outras cidades de grande porte e não necessariamente para investimento direto. Para as cidades médias, a estratégia é possivelmente investir indiretamente, via fundos ou outros veículos”, diz Schara.

A Funcef, fundo de pensão dos funcionários da Caixa, aposta no crescimento de crédito e renda em regiões periféricas de grandes capitais e o processo de interiorização dos centros de compras para elevar a participação de shopping centers de porte médio em sua carteira imobiliária. Nessas categorias encontram-se o Pátio Mix Costa Verde, em Itaguaí, na região Oeste do Rio de Janeiro, e o Shopping Praça da Moça, em Diadema, na Grande São Paulo.

No total, a fundação detém participação em 16 shoppings, que representam 38,11% dos ativos de sua carteira imobiliária, e que tiveram rentabilidade contábil de 29,73% no ano passado - como base de comparação, a carteira de imóveis rendeu 24,46% em 2011. Em área bruta locável, a participação da Funcef nesses centros de compras totaliza 184 mil m2. O paradoxo é que novos investimentos diretos estão descartados no curto prazo. Tudo porque os R$ 3,58 bilhões na carteira imobiliária representam 7,9% do patrimônio da fundação, percentual muito próximo do teto máximo de 8% permitido para a aplicação direta em imóveis.

“A Funcef experimenta dificuldades de natureza normativa. Não podemos aumentar nossos investimentos diretos, mas não descartamos utilizar outros veículos, como fundos de investimento imobiliário. Recebemos propostas o ano todo para investimentos em shoppings”, relata o gerente de administração e empreendimentos imobiliários da Funcef, Paulo Cesar Campos, que explica que o interesse da fundação nesse tipo de ativo, além da rentabilidade atraente, recai na possibilidade de unir em um mesmo investimento dois segmentos bastante atrativos, o imobiliário e o varejista.

A Valia, fundo de pensão dos funcionários da Vale, segue em sintonia com o surgimento de uma classe média emergente com poder de compra também em cidades do interior, nas palavras do diretor de investimentos e finanças, Maurício da Rocha Wanderley. “A penetração do mercado de shopping centers é relativamente baixa no Brasil, na comparação com outros mercados, e a exploração do aumento de renda através dos centros de compras é uma oportunidade para os investidores. Há espaço para que o setor cresça e se consolide”, afirma o executivo.

Mas, ao contrário de outras fundações, a exposição ao segmento se dá de uma maneira um pouco diferente, através de empresas listadas. As companhias com capital aberto são a BR Malls (a Valia tem 4,17% de participação) e a JHSF (5,56% de participação). Em valores, os percentuais significam R$ 511 milhões e R$ 202 milhões, respectivamente. Conforme Wanderley, a decisão por não optar por investimentos diretos não tem relação com o limite de 8%, ainda que a carteira imobiliária da Valia - basicamente focada em edifícios comerciais - já tenha atingido o teto máximo permitido pela legislação.

A estratégia de buscar exposição com empresas listadas continuará a ser adotada nos próximos anos, mas a Valia não descarta novos investimentos por meio de operações estruturadas, como os fundos imobiliários. “Montamos as posições nas empresas listadas em um bom momento do mercado”, afirma Wanderley.

Shopping faz estudos para dobrar de tamanho

sexta-feira, novembro 9th, 2012

Valor Econômico - 09/11/2012

O Shopping Metrô Itaquera fica a 200 metros do estádio do Corinthians e sua direção faz estudos para dobrar de tamanho para suprir a nova demanda. Com 200 lojas, o centro comercial emprega 3,5 mil pessoas e atende outras 65 mil por dia, sendo 70% delas provenientes do metrô.

A expectativa do superintendente do shopping, Bruno Câmara, é de que até julho de 2014 o movimento cresça cerca de 40%. “Isso não tem a ver só com a Copa, mas com as transformações da região e do aumento do poder aquisitivo das pessoas”, afirma.

Hoje a renda média familiar do público do shopping é de R$ 2.898, segundo pesquisa da administradora, enquanto a média em São Paulo chega a R$ 5.544. Além de dobrar o número de lojas, o estacionamento do shopping, que também poderá ser utilizado por torcedores, passará de 2,5 mil vagas para 3,3 mil. “Caso o plano se concretize, abriríamos 2,5 mil postos de trabalho”, afirma Câmara.

Desde a inauguração em 2007, o crescimento do movimento no shopping é constante e chega a 20% ao ano. “É uma região carente de entretenimento e somos a única opção”, diz. Hoje o centro comercial dá curso de inglês para funcionários e lojistas e pretende, durante o mundial, montar uma estrutura de “fan fest” para que torcedores assistam aos jogos. “Seremos uma opção para quem for acompanhar alguém que vem ao estádio”, afirma.

Na principal rua de comércio de Itaquera, a Gregório Ramalho, os comerciantes também esperam melhora do movimento. A via é marcada pela presença de locutores de loja e por uma ponto de ônibus, onde há grande movimentação de pessoas. O comércio, no entanto, ainda se ressente da mudança de endereço, no fim de 2011, da subprefeitura, que ficava na rua, e atraía milhares de pessoas para o local. Com a transferência do prédio público, o movimento, segundo os comerciantes ouvidos pelo Valor, caiu cerca de 30%.

Na loja de Leandro Ferrari há produtos com a data de validade expirando, vendidos, de acordo com ele, a até 70% do preço de supermercados. “Só vendo o que é de graça”, diz ele, que também conta com um locutor que atrai os clientes na calçada e destaca as promoções da loja. Para a gerente de uma loja de malas, Cristiana dos Santos, a queda do movimento após a saída da subprefeitura da rua deve ser compensada pelo mundial de futebol. “Vamos receber muitos turistas, que vão querer comprar malas de melhor qualidade”, almeja.

Já o taxista Carlos Emídio, que trabalha em um ponto da rua, não acredita em maior movimentação por causa da presença de turistas na região. “Isso vai beneficiar só a região do estádio. Há muita ilusão com a Copa e para nós isso não vai mudar nada.”

Em busca de novos consumidores, redes varejistas vão às favelas

quarta-feira, novembro 7th, 2012

VINICIUS NEDER
O Estado de S. Paulo - 07/11/2012

Comércio. Com comunidades pacificadas, Casas Bahia e Ricardo Eletro já disputam o cliente da Rocinha, maior favela da zona sul do Rio, e preveem lojas no Complexo do Alemão nos próximos meses; redes de franquias também avaliam potencial das favelas

A busca das empresas de varejo pelos consumidores das classes C e D se intensifica. No Rio de Janeiro, a nova fronteira são as comunidades carentes onde as Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) estão instaladas e, aos poucos, um ar de normalidade substitui o cenário de traficantes circulando armados pelas ruas.

A Casas Bahia inaugurou ontem sua primeira filial na Rocinha, mais conhecida favela do Rio - com 69,3 mil habitantes, segundo o Censo de 2010. Chegaram ao local já encontrando uma concorrente: a Ricardo Eletro, instalada há um ano na maior favela da zona sul carioca.

O grupo Viavarejo, dono da Casas Bahia, do Ponto Frio e dos sites de comércio eletrônico dessas redes, já negocia um ponto comercial para uma loja no Complexo do Alemão, zona norte do Rio, onde uma UPP foi montada em abril do ano passado.

Segundo o presidente do conselho de administração da Viavarejo, Michael Klein, estar próximo do consumidor facilita a vida da clientela. “Na medida em que temos a loja mais próxima da residência do cliente, ele pode fazer as compras sem gastar com condução”, disse Klein, na festa de inauguração da unidade de 1.427 metros quadrados.

Freguesa da rede e moradora da Rocinha, a aposentada Maria de Lourdes de Oliveira, 63 anos, usava com mais frequência as lojas de Copacabana, na zona sul, e da Barra da Tijuca, na zona oeste. “Vou direto na loja de Copacabana, mas aqui é muito melhor.”

Para Klein, além da estratégia da proximidade, juros em queda e a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para a linha branca e móveis impulsionam as vendas. Sua estimativa é de crescimento de 9% a 9,5% no quarto trimestre, em relação a igual período de 2011. Para o ano, o crescimento das vendas pode chegar a 8%.

A filial da Rocinha foi a 16.ª inauguração da empresa no ano. Contando a rede Ponto Frio, a Viavarejo inaugurou 23 unidades. Segundo Klein, entre 10 e 12 lojas ainda serão abertas até o fim do ano.

No entanto, a estratégia também inclui desafios. A nova loja da Rocinha funciona com gerador de energia, por causa da falta de capacidade da rede elétrica. No Complexo do Alemão, a empresa vai reforçar a segurança para evitar furtos de material de construção durante a reforma necessária para a inauguração.

A Ricardo Eletro abriu sua loja na Rocinha em outubro de 2011, um mês antes da megaoperação de ocupação que abriu espaço para a UPP na comunidade. Em dezembro, a filial foi assaltada. Mas a rede mantém a estratégia de se aproximar do consumidor, com uma filial também em Rio das Pedras, comunidade na zona oeste, e previsão de chegar ao Alemão em 2013.

“A entrada da Casas Bahia na Rocinha vai melhorar (as vendas na região). O consumidor gosta de ter uma segunda opção”, afirmou Ricardo Nunes, presidente da Máquina de Vendas, grupo dono das redes Ricardo Eletro e Insinuante.

O executivo ainda vê muito potencial de consumo no País. Segundo Nunes, a Máquina de Vendas deve crescer de 4% a 4,5% em vendas neste ano, considerando apenas as mesmas lojas. O faturamento do grupo deverá fechar o ano em R$ 9 bilhões - em 2011, foram R$ 7,2 bilhões -, incluindo a aquisição da Salfer, rede com presença na região Sul do País e 178 unidades.

Franquias. As redes de franquia também veem potencial nas comunidades. Quatro marcas - Mega Matte, Spoleto, Spa da Sobrancelha e o curso de inglês Yes - farão palestras em parceria com a Associação Comercial e Empresarial do Novo Alemão (Acenape). Uma das metas, diz Fátima Rocha, presidente da ABF no Rio, é buscar possíveis interessados em abrir unidades.

Brasileiro está otimista e planeja compras

quarta-feira, novembro 7th, 2012

Por Cynthia Malta | De São Paulo
Valor Econômico - 07/11/2012

A maioria da população, entre 18 e 65 anos, está otimista e planeja as próximas compras. A percepção, em todas as classes de renda, é de que a vida melhorou e que vai melhorar ainda mais nos próximos 12 meses. E na lista dos objetos de desejo, o topo é ocupado por celular, televisão e carro.

O brasileiro, em geral, é otimista, mas uma pesquisa realizada pela Data Popular no terceiro trimestre mostra que o grau de satisfação está bem alto. “A classe A é mais otimista quando perguntamos sobre o último ano e a as classes C e D apostam mais no futuro”, diz Renato Meirelles, sócio-diretor da consultoria.

Para 93% da população entre 18 e 34 anos, em todas as faixas de renda, o futuro próximo é cor-de-rosa. O percentual também chama atenção entre os brasileiros de 35 a 49 anos (91%) e 50 a 65 anos (84%). Foram ouvidas 4 mil pessoas, nas ruas de 71 cidades, nas cinco regiões do país. E com 100 pessoas foram feitas entrevistas mais longas, informou Meirelles.

O otimismo tem fundamento: a renda continua subindo, o desemprego está baixo e há sinais de que o ritmo de expansão da economia em 2013 será maior. O economista Luiz Carlos Mendonça de Barros, estrategista-chefe da Quest Investimentos e ex-ministro das Comunicações, disse recentemente que a renda média do brasileiro terá crescido 4,5% ao ano, entre 1994 e 2014, quando termina o mandato da presidente Dilma Rousseff. A presidente tem justamente ancorado a estratégia de expansão da economia com estímulos ao consumo - de carros de passeio a fogões, geladeiras e máquinas de lavar roupa, por exemplo.

O consumidor tem respondido. A estimativa dos fabricantes de veículos é de um crescimento de 5% nas vendas deste ano, em relação a 2011. O presidente da Electrolux na América Latina, Ruy Hirschheimer, disse recentemente ao Valor que espera um Natal com vendas entre 8% e 10% maiores no país.

Fabricantes de produtos de higiene, cosméticos, limpeza doméstica - como a brasileira Natura e as multinacionais Unilever e Procter & Gamble - já vêm registrando expansão nas vendas e anunciaram resultados expressivos no terceiro trimestre no país. E mesmo as varejistas de moda - Renner, Arezzo e Marisa, por exemplo -, que haviam mostrado balanços mais fracos no segundo trimestre, voltaram a mostrar desempenho vigoroso de julho a setembro. A inadimplência do consumidor, cuja taxa chegou a inibir novas compras neste ano, dá sinais de recuo. “Sentimos que a renda continua a crescer e a inadimplência está caindo”, disse José Galló, em teleconferência com analistas na quarta-feira da semana passada.

Para os próximos 12 meses, segundo a pesquisa da Data Popular, a maior parte dos consumidores planeja comprar telefone celular, TV ou carro.

Os objetos de desejo variam conforme a faixa etária, mas não muito. Viagens pelo Brasil e para o exterior, notebooks e tablets aparecem nos planos de intenção de compras dos consumidores de todas as idades, em maior ou menor grau. Meirelles vai apresentar a pesquisa no 1º Fórum Novo Brasil: Vozes da Classe Média, na próxima semana em São Paulo.

ENTREVISTA-BR Brokers quer dobrar participação de imóveis usados em 5 anos

segunda-feira, outubro 22nd, 2012

REUTERS
Por Vivian Pereira

SÃO PAULO, 19 Out (Reuters) - De olho em um segmento ainda muito fragmentado mas com forte potencial para avançar, o grupo imobiliário Brasil Brokers espera mais que dobrar a participação dos imóveis usados nas vendas da companhia em até cinco anos.

“O mercado secundário é a bola da vez do setor de corretagem”, disse à Reuters o presidente-executivo da BR Brokers, Sergio Freire. “Existe uma grande oportunidade de consolidação desse mercado.”

A empresa de intermediação e consultoria imobiliária, que disputa com a Lopes a liderança do segmento em imóveis novos, ainda tem uma participação pequena no mercado secundário que, segundo o executivo, é três vezes maior que o de lançamentos. “É um mercado muito fragmentado, que ninguém conseguiu consolidar.”

Hoje, a BR Brokers tem 15 por cento de suas vendas vindas do segmento de usados. “A meta é em quatro ou cinco anos ter um terço das vendas no mercado secundário… Já estamos bem consolidados no primário (de imóveis novos) e estrategicamente nosso foco está em aumentar penetração no secundário.”

No segundo trimestre, as vendas contratadas da companhia somaram 4,6 bilhões de reais, sendo que a comercialização de usados cresceu 18 por cento ano a ano.

Para mais que dobrar essa fatia, uma das apostas da BR Brokers está na aquisição de imobiliárias menores. “Como não existe uma empresa com participação relevante, tenho que comprar várias pequenas, mas temos que ser seletivos”, assinalou Freire.

No fim de agosto, a empresa comprou 55 por cento da Libório Imóveis, em Jundiaí, no interior de São Paulo e, segundo o executivo, outras aquisições estão previstas ainda em 2012. “Temos espaço para mais aquisições este ano, temos memorandos de entendimento assinados”, disse ele.

A estratégia para avançar em usados prevê ainda a abertura de novas lojas e investimento em vendas online e em franquias.
VENDAS MENORES NO 3o TRI

O cenário mais desafiador para o mercado imobiliário, que vem persistindo desde o início de 2012, ainda se refletiu no desempenho do terceiro trimestre, segundo Freire, que projeta uma maior recuperação para os últimos três meses de 2012.

“Com menos lançamentos, as vendas foram menores… As vendas este ano estão mais difíceis pelo esforço para vender estoques.”

O executivo ressaltou, contudo, que “a demanda existe e o acesso a financiamento está tranquilo, mas o consumidor está mais seletivo”.

“O segundo semestre ainda não se mostrou melhor que o primeiro, mas vai ser, principalmente no quarto trimestre que sazonalmente é o mais forte do ano… Existe uma recuperação natural”, concluiu.

Juristas querem regras mais claras para comércio eletrônico

quarta-feira, outubro 17th, 2012

Três projetos de lei, sobre temas que não estão contemplados na lei atual, foram elaborados por sugestão da comissão de juristas
Karine Melo, da Agência Brasil

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo fala sobre Defesa do Consumidor: o ministro disse que as mudanças no Código de Defesa do Consumidor são bem-vindas

Brasília - Depois de 22 anos, o Código de Defesa do Consumidor (CDC) vai sofrer alterações. As mudanças foram discutidas hoje (16) em uma audiência pública na Comissão Temporária de Modernização do Código de Defesa do Consumidor com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e presidente da comissão de juristas encarregada de emitir parecer sobre o CDC, Herman Benjamin.

Três projetos de lei, sobre temas que não estão contemplados na lei atual, foram elaborados por sugestão da comissão de juristas. O primeiro inclui no código a regulamentação do comércio eletrônico, com foco na preservação do sigilo e da segurança jurídica. A segunda proposta trata da proteção contra o superendividamento, e a terceira garante prioridade e agilidade para as ações coletivas na Justiça.

O Código de Defesa do Consumidor é considerado por especialistas uma das legislações mais avançadas do mundo. “Em time que se está ganhando não se faz alteração. A preocupação da comissão de juristas teve um caráter cirúrgico voltado a essas três matérias”, ressaltou Benjamin.

No que se refere ao comércio eletrônico, Herman Benjamin, destacou que o consumidor precisa de algumas garantias de segurança nas transações. “Nenhum consumidor vai entregar o seu número de cartão de crédito, a sua conta bancária a um meio que pode usar de forma prejudicial essas informações, que são muito pessoais”, disse.

Ele também lembrou a preocupação dos consumidores com a privacidade, pois, ao fornecer dados pessoais para uma compra, os clientes estão informando os dados para uso específico e não para divulgação nas redes sociais. A ideia é garantir que a relação entre cliente e fornecedor se dê com informações corretas, precisas e amplas, especialmente as sobre prazo de validade e data de entrega dos produtos.

As mensagens de spam também estão entre as discussões. Pela proposta, o consumidor só vai receber esse tipo de e-mail em duas situações: quando já haja relação com o setor como no caso de mensagens de fidelidade de empresas aéreas ou quando autorizar. No caso de spans criminosos ou de outros países, o presidente da comissão de juristas reconheceu que não há como resolver o problema, por falta de ferramentas para isso.

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse que as mudanças no Código de Defesa do Consumidor são bem-vindas e ressaltou que o grande desafio nas discussões sobre comércio eletrônico, que é um mercado que está em constante mutação, é criar uma lei que não fique ultrapassada em pouco tempo. “Valerá a pena termos um conjunto de regras mais detalhadas sobre os contratos dessa natureza ou valerá mais a pena trabalharmos mais no campo dos princípios. Essa é uma discussão que precisa ser feita” , alertou o ministro.

A nova cara do consumo

terça-feira, setembro 25th, 2012

Carla JIMENEZ e Denize BACOCCINA
Isto é Dinheiro - 24/09/2012

Os 104 milhões de brasileiros, que compõem a classe média, devem movimentar R$ 1 trilhão neste ano, um quarto do PIB brasileiro. Detalhe: o maior crescimento é dos consumidores negros.

Luiza Trajano, presidente do Magazine Luiza, não perde a oportunidade de visitar a favela de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, onde abrirá uma loja, em breve. Bem-humorada, a empresária aproveitou o encontro com o presidente da Whirlpool, João Carlos Brega, durante um evento em São Paulo, na quinta-feira 20, para contar o que as moradoras da favela, que têm comprado pela loja online do Magazine, cobram dela, enquanto a loja física não é inaugurada. “Brega, pelo amor de Deus, me manda geladeiras de duas portas, inox e com a função frost free”, enfatizou Luiza, pedindo ao executivo para acelerar a entrega de um lote extra das geladeiras mais sofisticadas, que atenda à demanda dos consumidores emergentes.

“Essa classe média é diferente!” Como comerciante nata, é no tête-à-tête com a comunidade que Luiza sente a temperatura do mercado. “O Brasil é outro”, afirma. Sua percepção foi confirmada pelo estudo “Vozes da Classe Média”, divulgado, coincidentemente, na mesma quinta-feira, em Brasília, pela Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE). A exigência de produtos e serviços mais sofisticados é uma característica marcante dessa camada, que já soma 104 milhões de pessoas, ou 53% da população brasileira ( há 10 anos, representava 38%). “A classe média já cumpriu seus anseios mais básicos de consumo e agora começa a mudar seus hábitos e exigir mais”, diz Renato Meirelles, sócio do Instituto Data Popular, que consolidou a pesquisa “Vozes da Classe Média”.

Segundo o estudo, em 2012, os consumidores emergentes devem movimentar R$ 1 trilhão em compras, um número que salta aos olhos em qualquer lugar do mundo. Caso fosse um país, esse grupo, que reúne consumidores com renda per capita de R$ 291 a R$ 1.019 mensais, seria o 18º em poder aquisitivo. Essa dinheirama nas mãos de uma população, que até pouco tempo estava praticamente alijada do mercado, traz um desafio formidável para as empresas, acostumadas a atender a metade mais rica da pirâmide. “É mais difícil vender para a classe emergente”, diz José Fuentes Molinero Jr., vice-presidente de eletrônicos da Samsung. “É preciso colocar toda a tecnologia disponível nos nossos produtos, sem descuidar dos custos.” A necessidade de oferecer mais por menos torna-se cada vez maior para as empresas no Brasil, mas o investimento nesse binômio será tremendamente lucrativo.

Segundo o trabalho da SAE, a renda da nova classe média cresceu 3,5% ao ano na última década, contra os 2,4% anuais do resto da população. Ao todo, 35 milhões de pessoas ascenderam a esse grupo na última década, o equivalente à população da Argélia. Importante: 80% desse contingente de novos consumidores são negros. Ao mesmo tempo, essa mudança na escala social foi liderada, em especial, por famílias chefiadas por mulheres. “Elas são as grandes protagonistas dessa classe média”, diz Meirelles, do Data Popular. A renda da população feminina nesse grupo cresceu 79%. A projeção generosa feita pelo levantamento divulgado na semana passada está levando setores que ainda não haviam despertado para o potencial desse estrato a planejar estratégias específicas para conquistá-lo.

É o caso da mineira Localiza, a maior locadora brasileira de automóveis. “É uma oportunidade para nós”, diz Roberto Mendes, diretor financeiro da Localiza. “A renda está aumentando, as pessoas vão viajar cada vez mais e, consequentemente, alugar carros.” Mesmo em setores tradicionais, como o de eletrodomésticos e eletrônicos, subsiste uma demanda reprimida. “Metade dos lares brasileiros ainda não tem máquina de lavar roupa”, diz Renato Meirelles, do Data Popular. No caso de tevês e geladeiras, produtos que têm mais de 90% de penetração, a demanda virá pela troca por aparelhos mais modernos. Isso explica a reclamação feita por Luiza Trajano ao seu colega Brega, da Whirlpool: “Estamos perdendo vendas!”.

Peixe grande no shopping subterrâneo

segunda-feira, setembro 24th, 2012

Nos metrôes de São Paulo e do Rio, lojinhas estão perdendo a vez para grandes marcas
Marina Gazzoni, de O Estado de S. Paulo

As estações de metrô de São Paulo e do Rio de Janeiro estão cada vez mais parecidas com um shopping center. As empresas que administram o serviço têm se esforçado para substituir as lojas de pequenos comerciantes por pontos de venda de grandes marcas e empresas, como Havaianas, TAM, O Boticário e TIM. O movimento está só no começo. A ideia é fazer com que o cliente possa comprar de tudo - de medicamentos a vestido de noiva - no subterrâneo das estações.

As áreas destinadas a lojas passaram a ficar mais atrativas à medida que o interesse das grandes empresas pelo consumidor da classe C foi crescendo. Ao mesmo tempo, as concessionárias do serviço de metrô aprimoraram suas estratégias comerciais para atrair varejistas de mais peso.

O metrô de São Paulo, por exemplo, tem uma licitação aberta para alugar cerca de 100 lojas em 2013. Hoje, há aproximadamente 200 lojas disponíveis nas estações, mas só metade está ocupada. A concessão será feita em lotes e não individualmente, formato que favorece as grandes redes. “Queremos atrair as grandes empresas para o metrô porque é melhor até para os consumidores. Fizemos pesquisas e vimos que isso é um desejo do passageiro”, disse o gerente de negócios do Metrô, Aluizio Gibson. A empresa definiu também a que segmentos se destinam cada lote -há espaço para redes de calçados, drogarias, cosméticos e até roupas de noiva.

O Metrô Rio também passa por um movimento similar. Na metade do ano passado, a empresa começou a reformular seu departamento comercial e contratou profissionais da área de shopping center. “Fizemos um planejamento comercial do espaço e passamos a visitar os grandes nomes do varejo”, disse a gerente comercial e de marketing do Metrô Rio, Eliza Santos. “Estamos em uma fase de qualificação do mix. As grandes empresas vão ocupar o espaço dos pequenos varejistas aos poucos.”

A alto fluxo de pessoas é o atrativo do espaço para o varejo. Todos os dias passam pelas estações paulistanas 4,2 milhões de passageiros. No metro carioca, são 700 mil pessoas diariamente. A intenção das empresas é fazer com que eles parem para comprar seus produtos no caminho de casa ou do trabalho.

Promoções As operadoras de telefonia móvel foram pioneiras, entre as grandes empresas, nas estações de metrô. Elas fincaram os pés nesse espaço quando lançaram seus planos de chamadas ilimitadas, em 2009. “Procuramos locais com grande acumulação de pessoas para chegar perto dos consumidores, principalmente das classes C e D, e divulgar nossas promoções”, disse Érika Cascão, diretora de vendas da TIM em São Paulo.

Como o cliente que passa pelas estações é mais apressado do que o que está nas ruas ou nos shoppings, as empresas tiveram que adaptar suas lojas para atendê-lo. A TIM, por exemplo, contrata vendedores que sejam mais dinâmicos e “descolados”, pois o atendimento precisa ser rápido. A operadora também abriu mão da venda de celulares no metrô e oferece apenas recarga e chips nos seus 16 quiosques no Metrô paulistano. “A venda de celular é consultiva. O passageiro está com pressa e não dá tempo de parar, escolher, perguntar e comprar”, disse Érika.

A Claro mantém a oferta de celulares nos seus 12 quiosques no metrô e trem paulistas. “Queremos captar a compra por impulso”, disse diretor da regional São Paulo, Marcio Nunes. Ele admite que a venda de aparelhos é menor nesses espaços do que em outras lojas, mas avalia que a estratégia vale a pena mesmo assim. “Estar no metrô é mais uma questão de marketing do que de vendas. Queremos mostrar que o produto está disponível para o cliente onde ele estiver”, disse.

As teles ficaram pouco tempo sozinhas no “comércio subterrâneo”. As companhias aéreas TAM e Gol também abriram lojas no metrô em 2011 para vender passagens, principalmente, a clientes que ainda têm restrições em relação às compras online. “Em um setor com margens baixas, como a aviação, não dá pra ter uma exposição só por marketing”, disse o diretor de vendas diretas da TAM, Rodrigo Trevizan. A TAM testou as lojas populares em 2010, quando lançou quiosques dentro da Casas Bahia. Cerca de 45% dos clientes das lojas físicas, segundo ele, viajam de avião pela primeira vez. “É uma porta de entrada para esse novo público. Depois da primeira viagem, muitos começam a comprar na internet.”

Publicidade Não é só com lojas que as grandes empresas tentam chamar a atenção dos consumidores que transitam pelo metrô. Os anúncios nas estações ainda são a mídia mais requisitada. Tanto que é a principal fonte de receita do Metrô paulista depois da venda de passagens. No ano passado, a publicidade respondeu por 28% dos R$ 145 milhões que o Metrô de São Paulo faturou com serviços que não incluíam a venda de bilhetes.

“O metrô é um meio de transporte, mas pode ser explorado como meio de comunicação”, disse o publicitário Juca Ferraz, sócio da Mídia e Metrô Brasil, empresa que assessora as agências em campanhas nesse ambiente. O segmento, segundo ele, sofreu um “boom” principalmente após a Lei Cidade Limpa, criada em 2006, na cidade de São Paulo. “Muitos anunciantes entraram no metrô depois das restrições a outdoors em São Paulo”, diz Ferraz.

O volume de anúncios e de lojas de grandes empresas nas estações são só a ponta do iceberg da entrada do varejo neste espaço. Todas as receitas não tarifárias são só 7,9% do que o Metrô de São Paulo faturou em 2011.

Por isso, projetos de novas linhas já preveem um peso maior para esses negócios, que, em alguns casos, devem chegar a 16% da receita com bilhetes. Isso fará com que as novas estações tenham ainda mais cara de shopping.

Percentual de famílias com dívidas chega a 59,8%

quarta-feira, agosto 29th, 2012

Em julho, esse percentual estava em 57,6%

Kelly Oliveira, da Agência Brasil

Caneta e calculadora: a pesquisa mostra ainda que 17,4% dos consultados declararam ter mais da metade de sua renda comprometida com pagamento de dívidas

Brasília - O percentual de famílias com dívidas (59,8%) aumentou em agosto de 2012 pelo terceiro mês consecutivo. A informação é da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, feita Confederação Nacional do Comércio (CNC). Em julho, esse percentual estava em 57,6%.

Apesar desse crescimento seguido, o número de famílias endividadas ficou em patamar inferior ao observado em agosto de 2011 (62,5%). A pesquisa é feita todo mês, desde janeiro de 2010. Os dados são coletados em todas capitais dos estados e no Distrito Federal, com cerca de 18 mil consumidores.

Segundo a CNC, são vários os tipos de dívidas, como cheque pré-datado, cartão de crédito, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguros.

“As políticas de estímulos ao crédito e à aquisição de bens duráveis continuam exercendo impacto moderado sobre o número de famílias endividadas”, diz relatório da CNC.

Para a faixa com renda inferior a dez salários mínimos, o percentual de famílias com dívidas alcançou 61,1% em agosto de 2012, ante 64,2% de igual mês do ano passado e 58,6% em julho deste ano.

Para as famílias com renda acima de dez salários mínimos, o percentual de endividadas passou de 50,5%, em julho de 2012, para 53,6% em agosto de 2012. Em agosto de 2011, esse percentual era 52,6%.

No caso das dívidas ou contas em atraso, houve avanço entre julho e agosto e recuo na comparação anual. O percentual de famílias inadimplentes alcançou 21,3% em agosto de 2012, ante 21% em julho de 2012 e 24,4% em agosto de 2011.

Na faixa de renda inferior a dez salários mínimos, o percentual de famílias inadimplentes alcançou 23,7% em agosto de 2012, ante 22,4% em julho de 2012 e 26,1% no mesmo mês do ano passado.

No grupo com renda superior a dez salários mínimos, o percentual de inadimplentes alcançou 10,9% neste mês, ante 11,4% em julho de 2012 e 14,5% em agosto de 2011.

A pesquisa da CNC mostra também que o percentual de famílias que declararam não ter condições de pagar suas contas ou dívidas em atraso recuou. Em agosto de 2012, 7,1% das famílias declararam não ter condições de pagar seus débitos, ante 7,3% em julho de 2012 e 8,2% em agosto de 2011.

O tempo médio de atraso foi 58,4 dias em agosto de 2012, superior aos 57,5 dias de agosto de 2011. A parcela média da renda comprometida com dívidas recuou na comparação anual, ao passar de 30% para 29,6%.

A pesquisa mostra ainda que 17,4% dos consultados declararam ter mais da metade de sua renda comprometida com pagamento de dívidas.

O cartão de crédito foi apontado como um dos principais tipos de dívida por 73,2% das famílias que atrasam o pagamento de contas, seguido por carnês (18,9%), e, em terceiro, por financiamento de carro (12,4%).