Posts Tagged ‘desafios’

Shopper mais exigente força adaptação das marcas

segunda-feira, dezembro 10th, 2012

Maturidade do brasileiro trouxe também uma cobrança maior na hora de comprar. Destaque será para grupos que entendam que comunicação é fundamental no processo de influência

Por Isa Sousa, do Mundo do Marketing | 10/12/2012

isa@mundodomarketing.com.br

A estabilização da economia brasileira refletiu diretamente na qualificação dos shoppers. Cada vez mais exigentes e menos fiéis às marcas, o perfil começou a forçar os grupos a se adaptarem às novas regras da influência, da compra e da decisão de consumir. O primeiro impacto foi operacional: preços, embalagens, prazos e formatos foram os primeiros a sofrerem mudanças significativas. O cenário, no entanto, se adaptou uma vez mais.

Antes focado em um processo que se iniciava na produção, passando pela logística, varejo, publicidade e promoções, e finalizando no consumidor, a maturidade levou a um novo momento. Hoje, a lógica se inicia no público comprador, seguindo pelo varejo, logística e produção, e sendo permeado pela publicidade e promoções. A conclusão é parte do estudo “O consumidor e o shopper no processo de compra”, da Kantar WorldPanel.

A maturidade do consumidor, no entanto, não assume o protagonismo de forma solitária. Da mesma forma que, nesse momento, as empresas estão em processo de adaptação aos seus clientes, a história indica que já foi o contrário. De acordo com a pesquisa, o amadurecimento do shopper brasileiro se deu a partir do Plano Real, com a estabilização econômica, consolidação da moeda, globalização, fusões e aquisições varejistas. “Hoje eles estão, definitivamente, no comando”, afirma Patrícia Menezes, Gerente de Comunicação e Marketing da Kantar, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Uma alteração expressiva no Brasil pode ser exemplificada pelo ticket médio dos shoppers. Ao longo dos anos, eles procuraram novos formatos e o mercado cresceu via frequência de compra e maior gasto. Os supermercados tiveram o maior destaque: enquanto em 2007 se gastava R$ 21,5; em 2011 passou-se para R$ 29,1. A frequência também aumentou, de 50 vezes ao ano para 54, assim como item por ocasião de compras subiu, de 6,8 para 7,4.

Em segundo lugar está o hipermercado, que em 2007 tinha um ticket médio de R$ 29,7, com 7,4 itens por ocasião, e passou para R$ R$ 35,7, com a mesma quantidade de produtos comprados. A frequência permaneceu a mesma, com uma média de 50 vezes ao ano. O Varejo Tradicional é o que obteve as menores mudanças: em 2007 a média de gastos era de R$ 4,5, subindo para R$ 6,0 em 2011. A frequência, no entanto, é a maior: em 2007 os shoppers foram 124 vezes e, em 2011, 129 vezes. Os itens são os menores por ocasião: 2,1 em 2007 e 2,2 em 2011.

Não há lealdade

A mudança econômica do Brasil e sua maturidade econômica também foram responsáveis para que as relações entre fabricantes, varejistas e consumidores se tornassem mais competitivas. A entrada de marcas até então inexistentes no país após a estabilização do Real, bem como a ampliação de outras já atuantes fez com que o brasileiro pudesse escolher.

Se antes as opções se encerravam entre o hipermercado mais distante de casa e o mercadinho mais próximo, hoje os canais se multiplicaram e lealdade se extinguiu. “O shopper é altamente multicanal e essa é uma tendência que deve se consolidar cada vez mais no mercado. Com o boom da economia, o brasileiro percebeu o quão poderoso pode ser e começou a se antecipar e proporcionar a ele meso novas experiências e novos produtos”, avalia Patrícia.

Em 2011, 84% dos lares brasileiros optaram por mais de três canais para se abastecer, a maior taxa de mix de produtos até então. Em 2001, esse índice era de 61%. Há também aumento expressivo de shoppers que buscam inovação e informação. O estudo aponta que 8,9% dizem ser um dos primeiros a comprar novos produtos e marcas. A taxa de experimentação prova isso: em 2010 era de 20%, em 2012 foi de 25%.

Desafios pela frente

Apesar da falta de fidelização dos shoppers ser uma tendência quase inevitável, a capacidade das marcas desenvolverem estratégias de Marketing e Comunicação é uma saída viável para atrair clientes e criar formas de relacionamento mais duradouro. Para tanto, cabem aos próprios grupos entenderem quem é seu público alvo, o que eles querem e, mais importante ainda, se esse consumidor é significativo para seu negócio.

Uma certeza, segundo a Kantar, a hora da compra é solitária e, em casos de compras conjuntas, dependendo com quem é feita, é totalmente mutável. Enquanto o ticket médio de uma mulher comprando sozinha é de R$ 12,25; o do homem sozinho é de R$ 10,15. Juntos o aspecto é modificado: um homem e uma mulher comprando juntos chegam a gastar R$ 53,14. A família com criança também tem sua parcela de mudança: os pequenos influencia e fazem os pais gastarem em médiaR$ 45,79. Já os adolescentes sozinhos são econômicos: a média é de R$ 4,14.

A explicação para diferenças tão expressivas, de acordo com a Kantar, é que sozinhos os consumidores suprem a necessidade de urgência, comprando categorias de interesse próprio, e acompanhados priorizam o abastecimento. Enquanto em casal a despensa representa 69% da compra, para o homem significa 28% e para a mulher 33%. (falar gráfico todo)

Em relação ao gênero, as mudanças também são significativas. As mulheres, com um ticket médio por item de R$ 3,60, são maioria nos pontos de venda. Elas também são mais racionais, segundo a Kantar. Os homens, com uma média de gasto por item de R$ 2,7, tem menos planejamentos e, de forma geral, gastam mais que elas.

Os itens também mudam. Elas priorizam: creme e loções, tintura para cabelos, pães, pós-shampoo, leite pasteurizado, sabonete, biscoito, leite fermentado, leite aromatizado e cera para assoalho. Eles preferem: cerveja, deo colônia, fraldas descartáveis, longa vida, manteiga, suco pronto para beber, cereal tradicional, cereal matinal, sopa e leite em pó.

Banal para alguns, fundamental para outros, a segmentação e a compreensão do que os shoppers querem é a saída para um mercado tão instável do ponto de vista da preferência. “Não existe fórmula mágica ou certa, mas nesse momento as marcas precisam se aproximar cada vez mais de seu público. Os programas de fidelização, as redes sociais e as ações de Marketing estão aí para serem utilizadas. É preciso fazer eventos, criar novas experiências, melhorar os pontos de venda. As marcas precisam deixar claro ‘estou aqui’. E estar mesmo”, pontua afirma Patrícia Menezes, Gerente de Comunicação e Marketing da Kantar.

Economia brasileira amadureceu desde a crise de 1982

quarta-feira, setembro 5th, 2012

O Globo - 05/09/2012

Os anos 70 foram de profunda transformação não só no Brasil mas na economia mundial. Nos primeiros anos da década houve um crescimento fortíssimo, e esse período chegou a ser conhecido como milagre brasileiro. A expansão econômica contrastava com o ambiente político fechado. Somente a partir de 1974 teria início uma “lenta e segura” abertura, na definição do então presidente, general Ernesto Geisel - que se completaria apenas em 1985, com a eleição de Tancredo Neves (por via indireta) para a Presidência da República.

O crescimento da economia na década de 70 foi marcado também por um progressivo endividamento externo. Dependente do petróleo importado, o Brasil passou a registrar expressivos déficits em sua balança comercial motivados por dois choques nas cotações internacionais do óleo cru (1973/74 e 1979).

No início dos anos 80, o endividamento externo deu mais um salto, com o choque de juros decorrente da política monetária restritiva adotada pelos Estados Unidos para segurar a inflação que fora desencadeada pela alta dos preços dos combustíveis. Polônia e México foram os primeiros países a não conseguir rolar as dívidas. Em seguida, outras nações endividadas, como o Brasil, foram arrastadas pela crise.

A renegociação da dívida externa, ao fim de 1982, exigiu um rigoroso ajuste da economia brasileira nos anos posteriores. A partir de documentos internos do governo, agora revelados, e de depoimentos de autoridades da época, uma série de reportagens do GLOBO reconstituiu aquele momento delicado.

Os reflexos da crise da dívida perduraram por mais de dez anos. Somente a partir de 1992, quando uma renegociação permitiu que o Brasil retomasse os pagamentos e regularizasse sua situação com os credores, foram criadas as condições para o país debelar um dos seus mais graves problemas econômicos, a inflação crônica e aguda. Outras situações críticas tiveram que ser enfrentadas em 1994, 1998, 1999 e 2003, mas em um contexto que reformas estruturais já haviam sido implementadas ou estavam em curso. A economia pôde enfrentá-las em melhor situação que em 1982.

Hoje, o conceito da economia brasileira é de “grau de investimento” na classificação das agências de avaliação de risco. A vulnerabilidade externa diminuiu consideravelmente, porque as exportações se multiplicaram e já não há dependência energética do passado. A inflação tem sido mantida sob controle por um regime de metas, e o câmbio flexível permite que a economia se ajuste rapidamente no caso de turbulências no mercado internacional. Além disso, reservas da ordem de US$ 380 bilhões afugentam o fantasma de nova crise da dívida. O Brasil virou credor do próprio FMI.

Os desafios atuais são outros. O maior deles é impulsionar investimentos, públicos e privados, capazes de sustentar a retomada do crescimento. Para isso, há necessidade de novas reformas.

Ainda há o que inovar no jornal impresso

quarta-feira, novembro 23rd, 2011

 Segundo executivos dos principais jornais do País, 90% da receita ainda vem do impresso

22 de novembro de 2011 | 23h 06
 
Marili Ribeiro, de O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO -

O saldo do encontro de profissionais de jornais no seminário promovido pela International Newsmedia Marketing Association (Inma), encerrado ontem em São Paulo, é um alerta: a tentativa de se achar a melhor maneira de incorporar as novas mídias digitais ao negócio não deve provocar o abandono da versão impressa. A razão é simples: 90% do faturamento das empresas jornalísticas ainda vêm do papel.

Três dos quatro executivos dos maiores veículos da área - Ricardo Gandour, diretor de conteúdo do Grupo Estado, Sérgio D’Ávila, editor executivo da Folha de S.Paulo e Paulo Motta, editor executivo de produção de O Globo - bateram na mesma tecla. Para eles, apesar do momento de transição vivido com o crescimento do número de leitores no canal online, não se pode deixar de lado a relevância da versão impressa.

“Há uma obviedade na qual todos nós desembocamos”, disse Ricardo Gandour. “Conteúdo de qualidade é o que faz os leitores buscarem o meio jornal para se informarem. Talvez, no futuro, o faturamento das empresas do setor não seja tão robusto quanto nos tempos em que os serviços analógicos predominavam. Mas a rentabilidade pode até ser maior, porque as condições serão outras, com gastos menores de distribuição.”

O diretor do Grupo Estado recorreu à evolução das mídias para lembrar que, sempre que um novo meio surge, há um abalo nos canais existentes e um período natural de deslumbramento com a novidade que aporta no mercado. “Ainda não encontramos uma plataforma de aceitação estável para amparar as necessidades de consumo e as de comercialização no meio digital. Mas, quando esse novo canal se sedimentar, o que vai prevalecer é o conteúdo”, disse.

Por isso mesmo, Paulo Motta não deixou por menos e brincou com as previsões catastróficas dos consultores que anunciaram a morte do jornal impresso em dez anos. Lembrou que o período já passou e o papel continua relevante. “A receita que vem do site é ainda 4% do faturamento do jornal impresso”, ressaltou. “Não dá para correr atrás do canto da sereia do digital, que é muito forte, e, com isso, matar a galinha dos ovos de ouro desse negócio. Há muitas oportunidades no impresso e acho que não estamos investindo nelas.”

Sérgio D’Ávila reforçou essas interpretações do atual momento da atividade ao apresentar uma ampla pesquisa de hábitos de consumo realizada em abril deste ano pelo instituto Datafolha. Entre os números relevantes, está o de que 52% da população que consome notícias se informa lendo jornais. Um índice que sobe ainda mais nas classes A, B e C, chegando a 66%. O meio jornal perde apenas para a TV, que é onde 90% se informam.
O dado mais animador para os profissionais do setor é a constatação da pesquisa que 73 milhões de pessoas dizem ler jornal impresso no Brasil, sendo que 21 milhões leem todos os dias. “O papel tem mais penetração do que a internet, que atinge 44 milhões de leitores de notícias”, disse.

Laboratório

Marta Gleich, diretora de internet do grupo de mídia gaúcho Zero Hora, fez parte desse painel de debate, que tinha a missão de mostrar como vai a harmonização das estratégias impressas e digitais. Logo de cara, não escondeu que experimenta a vida digital há apenas quatro anos, mas que fez toda a sua carreira no impresso. Dito isso, salientou que “não está no DNA das redações de jornais ou nos departamentos comerciais saber lidar com demandas virtuais. Precisamos incorporar a tecnologia ao nosso cotidiano”.

Diante dessa dificuldade em se desvendar o novo mundo, a executiva apresentou a experiência do grupo gaúcho de manter uma unidade de pesquisa tecnológica dentro do centro universitário da PUC, no parque tecnológico denominado Tecnopuc, em Porto Alegre.

“Ocupamos todo o 5.º andar, onde 85 profissionais de diferentes perfis - temos engenheiros, matemáticos e designers, entre outros - trabalham num ambiente ‘meio Google’, em busca de ferramentas e soluções para o jornal implantar no site, nas versões para celulares, assim como aplicativos e até games.Reconhecendo sua dificuldades em lidar com a flexibilidade e informalidade desse novo ambiente, ela considera que “pesquisa e inovação” viraram o centro do negócio da comunicação e precisam ser incorporadas às redações. “Não basta as empresas de comunicação parecerem digitais. Elas têm de ser digitais.”

Para ONU, marca de 7 bilhões de habitantes traz ‘desafios formidáveis’

quarta-feira, outubro 26th, 2011

Órgão vê necessidade de ações no planejamento familiar, educação feminina, consumo, urbanização e meio ambiente

26 de outubro de 2011 
Daniela Milanese, correspondente - O Estado de S. Paulo


LONDRES - O crescimento da população mundial traz “desafios formidáveis”, na avaliação do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA, na sigla em inglês). Depois de atingir 7 bilhões na próxima segunda-feira, 31, o número de habitantes seguirá avançando. A ONU estima que o planeta terá 9,3 bilhões de pessoas em 2050 e mais de 10 bilhões no fim deste século. A maior parte desse aumento virá de países com alta taxa de fertilidade, sendo 39 africanos, nove asiáticos, quatro latino-americanos e seis da Oceania.

“A marca (de 7 bilhões) é uma chamada de despertar, é um lembrete de que precisamos agir agora”, disse Babatunde Osotimehin, diretor-executivo da UNFPA, em entrevista coletiva realizada nesta quarta-feira, 26, em Londres. A agência de cooperação internacional para o desenvolvimento da ONU é responsável por questões populacionais. “Não é uma questão de espaço, mas de distribuição social justa.”

Osotimehin vê a necessidade de ações principalmente no campo do planejamento familiar, educação feminina, consumo, urbanização e meio ambiente. “A educação de meninas e mulheres permite que elas tenham menos filhos do que suas mães e avós tiveram e que escolham esse caminho quando e se puderem.”

Embora as mulheres tenham hoje, em média, menos filhos do que na década de 1960, a população continua a crescer - a taxa de fertilidade passou de 6 para 2,5. Em países pobres, como alguns da África, muitas adolescentes não têm condições de determinar seu destino, daí a necessidade de iniciativas para que o sexo feminino tenha mais poder. “O homem não dará poder para a mulher voluntariamente, ela terá de lutar”, disse, citando o Brasil como um dos países onde as mulheres avançam.

Ainda assim, o diretor-executivo acredita que também é preciso trabalhar a educação masculina sobre o assunto. “É importante que os homens se vejam como pais responsáveis, que tenham crianças que possam sustentar”, afirmou. A queda da mortalidade infantil reduz a percepção de que é preciso ter diversos filhos porque nem todos irão sobreviver, avalia. E políticas de seguridade social também são relevantes para que as famílias sintam-se confortáveis sobre o futuro.

Os avanços tecnológicos, o desenvolvimento da medicina e as campanhas de imunização mudaram o panorama demográfico. A mortalidade infantil recuou de 133 em mil nascimentos nos anos 1950 para 46 em mil entre 2005 e 2010. A expectativa de vida subiu de 48 anos para 68 anos no período. “O tamanho recorde da nossa população pode ser visto como um sucesso para a humanidade, mas nem todos estão se beneficiando”, conclui relatório divulgado hoje pela organização.

Em nações de renda média, a questão da urbanização pesa fortemente sobre a dinâmica da população. O ONU prevê que, até 2050, 70% dos habitantes do planeta viverão nas cidades. Daí a necessidade de fortalecer ações de preservação do meio ambiente, combate ao aquecimento global e busca de cidades mais sustentáveis.

Já em países ricos, principalmente na Europa e o Japão, prevalece a questão do envelhecimento da população. Os governos se veem diante do desafio da falta de mão de obra, o que potencialmente afeta a qualidade de vida da geração mais velha.

“Em qualquer país que você vá, tanto desenvolvido como em desenvolvimento, as questões de acesso justo aos recursos são aquelas com as quais sempre nos confrontamos, especialmente entre os jovens”, disse Osotimehin. “Da Primavera Árabe aos acampamentos em Wall Street, as pessoas estão pedindo mudanças. Eles são jovens, parte da mais jovem geração que o mundo conheceu, e eles são determinados.”

Panorâmica - O Estado de S.Paulo

quinta-feira, julho 14th, 2011
Primeira pessoa

Alceu Duilio Calciolari, Presidente da Gafisa

“Foi mais difícil do que imaginávamos”

O senhor assume a Gafisa num período delicado não só para a companhia como para todo o setor, que sofre com a falta de mão de obra qualificada e, consequentemente, com atrasos na entrega das obras. Como o sr. enxerga esse momento?

É desafiador. A boa notícia é que as empresas estão mais maduras, mais planejadas, enxergando melhor os riscos da operação. A Gafisa ainda tem um passivo a ser entregue, mas, ao mesmo tempo, ganhou novo status, se preparou para isso.

A Tenda (adquirida em 2008) é responsável por parte desse passivo?

Em termos de volume, sem dúvida. Em 2011, das 25 mil unidades que vamos entregar, 15 mil são da Tenda. Encontramos mais dificuldades do que imaginávamos. Achávamos que a integração levaria dois anos, mas vai demorar mais do que três.

Foi um erro comprar a Tenda?

Não, foi um acerto estratégico.

Pela demora em entregar resultados, a Gafisa ficou conhecida no mercado como a empresa “do ano seguinte”. Como mudar essa imagem?

Ao longo dos últimos três anos, nossa margem Ebitda cresceu, mas ela ainda é menor que a do mercado. A Tenda e a expansão geográfica trouxeram custos que não estavam previstos. A gente tem esse estigma, mas é preciso uma análise mais profunda. Fizemos uma lição de casa grande. É uma questão de tempo para os resultados aparecerem. No setor, o ciclo é de três anos. Talvez não sejamos a empresa do ano seguinte, mas da década seguinte.

A saída do megainvestidor Sam Zell contribuiu para isso?

No momento em que o âncora da companhia sai, o mercado fica receoso. Por outro lado, a Gafisa não tem problema de sucessão.

Região da Grande Rio despeja 1/3 de esgoto sem tratamento

quinta-feira, junho 16th, 2011

Região da Grande Rio despeja 1/3 de esgoto sem tratamento

DA AGÊNCIA BRASIL

A região metropolitana do Rio de Janeiro teve um avanço no que se refere à coleta e ao tratamento de esgoto nos últimos dez anos. No entanto, 31,5% do esgoto residencial produzido na Grande Rio ainda são jogados diretamente no ambiente e 19,3% das residências sequer têm acesso à rede coletora de esgoto, segundo dados de 2010.

As conclusões são do estudo “Desafios do Saneamento em Metrópoles da Copa 2014: Estudo da Região Metropolitana do Rio de Janeiro”, divulgado nesta quinta-feira pela FGV (Fundação Getulio Vargas).

Segundo o coordenador do estudo, Fernando Garcia, o número de domicílios atendidos por rede de esgoto passou de 2,08 milhões em 2000 para 3,17 milhões em 2010, ou seja, um aumento de 53%.

O ritmo de crescimento, de 4,3% por ano, é ligeiramente superior à média nacional, que foi de 4,2% por ano no período.

Apesar desse avanço, ainda há 753 mil domicílios sem acesso à rede de esgoto, ou seja, 19,3% do total das residências da Grande Rio.

Para Garcia, o quadro é ainda pior quando se avalia o tratamento do esgoto, mesmo daquele que é coletado pela rede.

O esgoto de 1,2 milhão de moradias não é tratado o que representa 31,5% do total produzido na Grande Rio.

Em 11 dos 20 municípios da região, 100% do esgoto produzido são despejados diretamente no meio ambiente.

“Isso é preocupante porque tem um impacto na saúde e um impacto ambiental muito grande. Uma parte substantiva desse esgoto não coletado corre naturalmente para a baía de Guanabara, isso tem um impacto ambiental que é muito severo, mas que pode ser recuperado num período relativamente curto de tempo”, disse.

Segundo o estudo da FGV, seriam necessários R$ 250 milhões por ano, até 2014, para universalizar a coleta e o tratamento de esgoto na região metropolitana do Rio.

O ganho seria sentido não apenas no ambiente, mas também na qualidade de vida da população. A pesquisa da FGV estima que as vidas de 400 crianças seriam salvas por ano, com a consequente melhoria na saúde pública trazida pela universalização do saneamento básico.

“Se até lá [até a Copa] conseguirmos melhorar as condições de saúde da população, do ambiente, das praias, da baía de Guanabara, os turistas que vamos receber nos próximos anos vão ter uma impressão muito melhor. Isso tem um efeito duradouro sobre o turismo e a renda. Além disso, haverá um ganho expressivo de qualidade de vida da população dessas regiões”, disse.

A universalização do saneamento na Grande Rio poderia também gerar um ganho de renda para as famílias, uma vez que, de acordo com a FGV, espera-se um crescimento da produtividade do trabalhador que vive em áreas com saneamento adequado.

Segundo o estudo, estima-se que poderá haver um aumento de 2,6% da renda média da população na região, ou seja, R$ 443 milhões por mês.

Como os consumidores reagem ao mobile marketing?

segunda-feira, abril 4th, 2011

Estudo apresenta panorama do mercado nacional e perspectivas para o futuro

Cláudio Martins, do Mundo do marketing
Brasil conta hoje com 205,15 milhões de usuários de telefonia móvel
Rio de Janeiro - Os consumidores brasileiros estão receptivos ao mobile marketing. É o que aponta a 7ª edição do Monitor Acision de Valor Agregado Móvel (MAVAM).
Cerca de 79,1% dos entrevistados afirmam estarem dispostos a receber mensagens em seus celulares, desde que sua privacidade seja respeitada. O estudo traz ainda as principais oportunidades e desafios para o desenvolvimento do mobile marketing no Brasil, mas caberá às empresas entender o que é relevante na comunicação com os consumidores para ganhar mais espaço no mercado.
O levantamento coletou dados de 1.206 consumidores via web e telefone no Brasil, no período de 9 a 21 de fevereiro. O perfil dos entrevistados está na faixa etária de 18 a 65 anos, das classes A, B e C e usuários de telefonia celular. Esta edição apresenta o crescimento do setor no país, que encerrou o ano de 2010 com receita de quase R$ 10 bilhões, representando um aumento de 42% em relação a 2009.
Atualmente, o Brasil conta com 205,15 milhões de usuários de telefonia móvel. No início de 2011, a densidade chegou a 105,74 aparelhos por 100 habitantes. As empresas que dominam este mercado são as Operadoras de Telefonia Móvel, que tem participação de 78,7%. O que sobra, fica dividido entre as empresas de bens de consumo (13%) e serviços (8,8%). Com base nesse cenário, a maior parte das mensagens de mobile marketing é de produtos e serviços das próprias companhias de telefonia (34,7%).
Desafios do mercado
O estudo indica que o SMS ainda é a plataforma tecnológica mais eficaz na comunicação móvel com os consumidores. Segundo dados do MAVAM, nos últimos três meses, 88% dos brasileiros utilizaram o serviço. “Quase todas as mensagens enviadas via SMS são lidas. Há mais gente tendo contato com o SMS do que com jornais ou revistas”, afirma Marcelo Castelo, CEO da agência digital F.Biz.
Embora essa perspectiva seja otimista, ainda há um contingente de 31,3% de consumidores que quase não utilizam a tecnologia. Dentro deste total, a falta de interesse é o principal obstáculo mencionado por 77,8% dos entrevistados. Já o preço é uma preocupação para apenas 9,5% dos brasileiros. Este dado apresenta o potencial do mercado nacional, que mesmo operando com uma base de 83% de linhas pré-pagas, demonstra um interesse do consumidor em relação ao serviço.
Há também uma questão cultural a ser vencida. O brasileiro prefere realizar uma chamada a digitar um texto. Para 36,5% dos entrevistados, o SMS irá crescer no próximo ano. Já para mais da metade dos consumidores, 52,5%, o uso da tecnologia se manterá estável. A pesquisa aponta que as empresas terão de oferecer mais do que ofertas e serviços e investir em estratégias de aproximação para conquistar esta parcela do mercado.
Descontos e segmentação geográfica geram mais interesse
Relevância é uma palavra chave na relação com os consumidores. As mensagens que têm se mostrado mais eficientes são as de descontos em roupas e eventos, com 64% de interesse. Este dado mostra que mesmo com a maior parte do mercado na mão das operadoras, o setor de serviços sabe como se posicionar frente à concorrência.
A distribuição de prêmios também é um item mencionado na pesquisa pelos consumidores. Um total de 44% deseja receber estes conteúdos em troca de prêmios ou presentes. Já 49% dos entrevistados estão dispostos a aceitar ações de mobile marketing, desde que recebam créditos de SMS ou minutos de voz em troca.
Outro critério destacado pelo estudo como relevante é a localização geográfica. Para 61% dos entrevistados, as mensagens deveriam conter informações sobre shows e eventos próximos aos seus domicílios e locais de trabalho. Já 54% gostariam de receber informações sobre descontos em lojas ou serviços em suas vizinhanças. Esses dados apontam para a necessidade de um investimento em estratégia de segmentação de conteúdos por território.
Smartphones colaboram para expansão do setor
Um dos fatores que impulsionaram o crescimento do mobile marketing no Brasil é o aumento do uso de smartphones, seguido pela maior oferta de internet móvel. Um total de 56,5% dos entrevistados acessa a internet pelo celular. “Esse é o ano do mobile marketing em nosso país. Com os smartphones compondo 15% da base de telefonia haverá espaço para o surgimento de novos modelos de comunicação, aplicativos e aperfeiçoamento da tecnologia de SMS.”, afirma o executivo da F.Biz.
Apesar das oportunidades, o mobile marketing não parece ser o melhor meio para inovações. O levantamento aponta que 65,3% dos consumidores são mais receptivos a mensagens que ofereçam serviços ou produtos usados por eles habitualmente.
O estudo conclui que, para conquistar espaço neste mercado, as empresas devem investir suas ações de mobile marketing em estratégias que foquem a personalização do conteúdo e a segmentação dos usuários. Os consumidores estão abertos a se relacionar com as empresas, desde que vejam seus limites respeitados.

DCI: Os desafios do mercado imobiliário

quinta-feira, setembro 16th, 2010

dci

Luiz Armando Fairbanks

Na virada do século o mercado imobiliário mirava sua artilharia em empreendimentos voltados para as classes A e B que buscavam unidades de três ou mais dormitórios em regiões nobres das grandes cidades.

Naquela época a movimentação do setor tinha outra dinâmica, não só por trabalhar apenas com duas faixas de renda, mas também por não haver tanta demanda, o crédito ser escasso, a velocidade nas vendas ser baixa, e as opções ao consumidor, mirradas.

A partir de 2004, com o indício de uma era de estabilidade econômica e ampliação ao crédito, a classe média surge como potencial compradora.

Segundo estudo da Fundação Getulio Vargas-RJ a classe média brasileira subiu 18,72% de 2004 para 2008, um crescimento de 4% ao ano acima do da classe A B.

Dessa forma, o mercado dá início a uma transformação que mudaria toda a cadeia de negócio imobiliário brasileiro e selaria seu futuro. Afora o boom, a partir de 2005, da corrida à Bolsa, as empresas começam a disponibilizar no mercado lançamentos residenciais, principalmente nas regiões metropolitanas das grandes cidades brasileiras, a uma velocidade nunca vista antes.

O perfil do imóvel também se altera, e as unidades de dois ou três dormitórios em regiões centrais surgem a um preço mais acessível e com melhor qualidade de áreas de lazer.

Contudo, os grandes déficits ainda estavam nos empreendimentos de renda familiar até 10 salários mínimos divididas em 2 faixas: a faixa salarial entre 3 e 10 salários mínimos e a faixa salarial entre zero e 3 salários mínimos, mas conseguir incorporar empreendimentos voltados a esses perfis na periferia de importantes cidades brasileiras era economicamente inviável.

Foi apenas com a crise econômica mundial no segundo semestre de 2008 que o mercado imobiliário teve a chance de entrar nos segmentos com maior déficit habitacional e consequentemente com maior oportunidade de negócio.

Por meio de incentivos de financiamento, o mercado conseguiu dar novo fôlego a empreendimentos entre R$ 75 mil e R$ 150 mil, e mais uma vez se reinventou.

Estima-se que esses incentivos sejam responsáveis por 90% do total de unidades lançadas em 2010 na região metropolitana de São Paulo.

Agora, no início do segundo boom imobiliário em menos de cinco anos, a grande questão que norteia esse novo mercado tem sido o quanto o País está preparado para atender a demanda.

A preocupação não se resume apenas a falta de mão de obra qualificada, mas também a insumos.

Até aqui as incorporadoras e construtoras sentiram o consumidor, testaram estilos de vendas, aprenderam a lidar com novos conceitos e adequar empreendimentos, e se encantaram com a velocidade das vendas que chegam a comercializar 90% de um empreendimento de quase 300 unidades em apenas dois dias. Nesse cenário, a superação dos desafios é uma verdadeira corrida contra o tempo. No primeiro semestre de 2010 as incorporadoras aproveitaram para alinhar todo o conhecimento adquirido em seis meses de novas ofertas, entregar empreendimentos e fazer projetos que deverão ser lançados a partir de agosto.

Agora, irá ganhar quem conseguir construir com melhor custo-benefício, selar parcerias estratégicas, procurar oportunidades fora dos grandes centros, evitar a canibalização da mão de obra que pode levar à escassez da mesma e continuar a investir na classe média, mantendo o padrão e a atratividade. Estes serão apenas alguns dos muitos desafios que deverão sacudir o setor neste final de ano.

O certo é que o mercado imobiliário nunca esteve tão aquecido como agora. Com a meta de construir 1 milhão de moradias até 2011, o mercado poderá chegar a 720 mil até o fim de 2010, e, caso isso aconteça, o setor verá a utopia dos anos 90 tornar-se realidade, e a população finalmente terá conquistado o sonho da casa própria.