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Setor de construção civil está mais pessimista

quarta-feira, abril 3rd, 2013

Valor Econômico - 03/04/2013

A confiança do setor de construção civil segue em baixa, de acordo com a pesquisa “Sondagem Conjuntural do Setor de Construção”, da Fundação Getulio Vargas (FGV). Pioraram as avaliações dos empresários sobre as condições para os negócios tanto no presente quanto no futuro. O Índice de Confiança da Construção (ICST) registrou queda de 7,9% no trimestre encerrado em março, na comparação com o mesmo período do ano passado. No trimestre terminado em fevereiro, o recuo tinha sido de 6,9%. “O resultado mostra que a desaceleração do nível de atividade econômica do setor percebida desde o final de 2012 vem se mantendo neste início de ano”, diz a FGV na nota sobre a pesquisa.

Praticamente todos os segmentos mostraram confiança menor na comparação com o mesmo período em 2012. O segmento obras de acabamento registrou a retração mais forte, de -7,3%, ante -1,5% em fevereiro. Outras quedas ocorreram em aluguel de equipamentos de construção e demolição, cuja variação passou de 5,1%, em fevereiro, para -0,5%, em março, e preparação do terreno, com -12,7% e -14,8%, respectivamente. A exceção positiva foi obras de infraestrutura para engenharia elétrica e de telecomunicações, que passou de -6,0%, em fevereiro, para 5,3% em março.

Nas avaliações sobre o presente, o Índice da Situação Atual (ISA) registrou queda de 9,9%, em março, ante recuo de 7,9%, em fevereiro. O quesito que mede o grau de satisfação com a situação atual dos negócios foi o que mais pressionou negativamente o ISA, com queda de 10,1%, em março, ante recuo de 9,1%, em fevereiro. Das 687 empresas consultadas, apenas 25,0% avaliaram a situação atual como boa no trimestre findo em março, ante 33,8% no mesmo período de 2012, enquanto 13,6% a consideraram ruim, ante 9,9%, há um ano.

O Índice de Expectativas (IE-CST) passou de -6,0% em fevereiro para -6,3%, em março. O grau otimismo de com a tendência dos negócios nos seis meses seguintes foi o que exerceu maior influência na piora desse índice.

Cai diferença entre o rendimento de SP e das demais regiões metropolitanas do país

segunda-feira, março 18th, 2013

Valor Econômico - 18/03/2013

São Paulo continua sendo a região metropolitana em que a população ocupada tem o maior rendimento médio real, mas a diferença entre o valor médio pago nesse mercado e nas demais cinco regiões analisadas pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME), do IBGE, diminuiu bastante nos últimos dez anos.

Em Recife, cidade que segue com a remuneração mais baixa, a renda real representava 63,3% da de São Paulo em 2003, percentual que subiu para 68,8% em 2012. Na outra ponta, o rendimento dos ocupados no Rio, que equivalia a 86,9% do salário em São Paulo há nove anos, quase se equiparou no ano passado, ao alcançar a proporção de 98%. No mesmo período, igual trajetória foi observada nos rendimentos da população ocupada de Salvador, Belo Horizonte e Porto Alegre, que atingiram, respectivamente, 78,5%, 92,4% e 89,2% dos de São Paulo em 2012.

Para João Saboia, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a redução de disparidades está relacionada ao grau de escolaridade. Na região metropolitana de São Paulo, 63,8% da população economicamente ativa (PEA) possui 11 anos ou mais de estudo, acima da média de 62% das seis regiões analisadas. Esse grupo mais escolarizado, diz Saboia, puxou para baixo o rendimento médio dos ocupados da região.

Segundo o IBGE, os ocupados com nível superior viram a renda real diminuir 6,6% em São Paulo de 2003 a 2012, ao passo que, na média das seis regiões, a remuneração desse grupo subiu 0,7%. “As pessoas que tiveram os maiores ganhos reais nos últimos anos têm menor nível de escolaridade”, observa Saboia.

Além da maior presença de pessoas com formação universitária na PEA de São Paulo, o diretor-técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Clemente Ganz Lúcio, relaciona a crise da indústria, que tem forte peso no Estado e paga salários maiores, à perda de ímpeto da renda dos ocupados nessa região. O parque industrial paulista, diz Lúcio, é bastante diversificado e, por isso, reflete mais do que outras regiões a má situação que o setor atravessa.

A Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salário (Pimes), também do IBGE, aponta que o estoque de ocupados assalariados na indústria do Estado de São Paulo encolheu 2,6% entre 2011 e 2012, redução maior do que o 1,4% observado na média dos 14 locais pesquisados. No Rio, por outro lado, a indústria vive movimento diferente, diz o diretor do Dieese, com o impulso dos setores naval e de petróleo e gás.

Rodrigo Leandro de Moura, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), avalia que a redução da diferença de rendimento entre as seis regiões metropolitanas reflete a queda da desigualdade social no país nos últimos anos, movimento associado às políticas de valorização do salário mínimo e de transferências de renda. O piso nacional e programas como Bolsa Família, diz Moura, têm menos representatividade em São Paulo.

O teste da economia

sexta-feira, dezembro 28th, 2012

Carlos José Marques
Isto é Dinheiro - 26/12/2012

Um grande desafio econômico se apresenta ao Brasil nessa virada de ano: provar, através de resultados consistentes do PIB em 2013, que a retomada está em curso.

Um grande desafio econômico se apresenta ao Brasil nessa virada de ano: provar, através de resultados consistentes do PIB em 2013, que a retomada está em curso. Embora tímidos e abaixo das expectativas, os números de crescimento da produção e consumo voltaram a aparecer nos últimos meses. Decidido a acelerar o processo, o governo tomou uma série de medidas estimuladoras como a desoneração da folha de pagamentos do varejo e a prorrogação do IPI reduzido para carros, linha branca e móveis. A presidenta Dilma já estabeleceu como maior bandeira de luta a queda dos impostos. Determinou também que o BNDES abra as torneiras do crédito no início de 2013, propiciando liquidez ao mercado.

O pacote de bondades oficiais almeja incrementar consumo, produção e competitividade do parque nacional. Os incentivos fiscais já somam cerca de R$ 40 bilhões e novas medidas estão a caminho. A reforma do ICMS, com a proposta de uniformização de alíquotas em 4% num prazo de 12 anos, será encaminhada ainda no apagar das luzes de 2012. Dois fundos, de Desenvolvi­mento Regional e de Compen­­sação, virão atrelados no projeto, bem como a troca de indexador de dívida dos Estados. O ministro Guido Mantega, durante o anúncio das medidas, disse que a alta carga tributária e os juros altos são “dois malefícios, duas faces da mesma moeda”. E prometeu combate sem trégua a esses problemas.

Ao menos no campo dos juros o retorno já vem sendo sentido. Bancos públicos e privados engajaram-se na cruzada do governo e recuaram o percentual de suas taxas, aliviando tomadores de empréstimos e clientes em geral. Para aumentar o fôlego da iniciativa privada estão sendo pensadas reformas em diversas áreas – da logística de transportes ao investimento no setor de energia, que, recentemente, apresentou casos sucessivos de blecaute por todo o País. O mais importante nessa safra de decisões é verificar que as autoridades estão se movimentando para uma mudança de cenário e a confirmação de que o Brasil, dessa vez, avançará firme na rota do desenvolvimento e da estabilidade. O grande teste de consistência da economia começou.

Índice que reajusta o aluguel acelera em dezembro e fecha o ano em 7,82%

quinta-feira, dezembro 27th, 2012

Folha de São Paulo

DE SÃO PAULO

O IGP-M (Índice Geral de Preços-Mercado, usado como referência na maioria dos contratos de aluguel, acelerou em dezembro para 0,68%, ante variação de -0,03% em novembro, segundo a FGV.

Com o resultado do mês, o índice fecha o ano em 7,82% em 2012, acima do registrado em 2011, quando a variação foi de 5,10%.

Analistas de mercado ouvidos pela Reuters esperavam uma variação de 0,78% para o índice em dezembro. Já para o ano, a expectativa era de um IGP-M de 7,71%, segundo o último boletim Focus, do Banco Central.

Após mostrarem deflação, os preços no atacado voltaram a subir neste final de ano. O IPA (Índice de Preços ao Produtor Amplo), que responde por 60% do índice geral, teve alta de 0,73% neste mês. Em novembro, houve queda de 0,19%.

A alta foi puxada sobretudo pelos produtos agropecuários, cujos preços subiram 1,40%, enquanto os produtos industriais avançaram 0,46%.

Dentro do IPA, as maiores influências foram aves (de 2,30% em novembro para 8,91% em dezembro), milho em grão (de 4,11% para 5,90%), feijão em grão (de -4,09% para 9,42%) e aves abatidas e frigorificadas (de -2,64% para 5,28%). Soja em grão desacelerou a deflação, de -3,50% para -1,65% no período.

VAREJO

O IPC (Índice de Preços ao Consumidor), com peso de 30% no IGP-M, também avançou 0,73%, ante variação de 0,33% no mês anterior.

A principal contribuição partiu do grupo alimentação (de 0,08% para 1,29%). Nessa classe de despesa, a FGV destacou o comportamento das hortaliças e legumes (-11,98% para 1,85%) e carnes bovinas (-1,06% para 1,63%).

Também subiram as taxas de variação dos grupos educação, leitura e recreação (0,50% para 1,04%), habitação (0,47% para 0,63%), despesas diversas (0,20% para 1,11%), vestuário (0,77% para 0,90%) e transportes (0,25% para 0,27%).

Nessas classes de despesa, destacaram-se passagens aéreas (3,59% para 22,97%), tarifa de eletricidade residencial (0,97% para 1,68%), cigarros (zero para 2,78%), roupas (0,67% para 1,16%) e tarifa de táxi (zero para 5,51%), respectivamente.

Já o INCC (Índice Nacional de Custo da Construção), com peso de 10% no índice geral, registrou elevação de 0,29%, após um avanço de 0,23% em novembro.

O IGP-M calcula as variações de preços no período entre os dias 21 do mês anterior e 20 do mês de referência. Além dos contratos de aluguel, o índice também é usado como referência para os contratos de energia.

Com agências de notícias

Brasil perde posto de 6ª maior economia para Reino Unido

quarta-feira, dezembro 26th, 2012

O Brasil deve terminar o ano com Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 2,282 trilhões, pouco abaixo dos US$ 2,443 trilhões previstos para o Reino Unido

Fernando Nakagawa, do Estadão

A desvalorização do real nos últimos meses fará com que o Brasil perca o posto recém-conquistado e volte ao sétimo lugar em 2012

Londres - Um ano após desbancar o Reino Unido na posição de sexta maior economia do mundo, a desvalorização do real nos últimos meses fará com que o Brasil perca o posto recém-conquistado e volte ao sétimo lugar em 2012. A previsão foi feita nesta quarta-feira pelo britânico Centro de Pesquisas Econômicas e de Negócios (CEBR na sigla em inglês). A consultoria, porém, aposta que o Brasil voltará a crescer mais rapidamente e deve voltar a ultrapassar os britânicos em 2014.

Segundo o levantamento, o Brasil deve terminar o ano com Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 2,282 trilhões, pouco abaixo dos US$ 2,443 trilhões previstos para o Reino Unido. “Estamos na disputa cabeça a cabeça com o Brasil há algum tempo. No ano passado, os brasileiros nos ultrapassaram. Este ano, vamos superá-los. A partir de 2014, no entanto, o dinamismo da economia brasileira deve levar o Brasil decisivamente para uma posição acima do Reino Unido”, disse o responsável pela pesquisa e diretor-executivo do CEBR, o inglês Douglas McWilliams.

Mesmo com a previsão de que a economia do Reino Unido deve terminar o ano com crescimento perto de zero ou até uma pequena queda, o Brasil perdeu o posto especialmente pela taxa de câmbio. Como o PIB na pesquisa é calculado em dólares, a subida do dólar de mais de 11% no ano faz com que o tamanho da economia brasileira fique menor quando convertido para dólares. Para piorar o fenômeno, o fraco crescimento da economia nacional também deve ser levado em conta, o que acaba potencializando o efeito do câmbio.

Na pesquisa do CEBR, os cinco primeiros da lista são Estados Unidos (PIB de US$ 15,643 trilhões), China (US$ 8,249 trilhões), Japão (US$ 5,936 trilhões), Alemanha (US$ 3,405 trilhões) e França (US$ 2,607 trilhões).

Trabalho: Empreender é a arma de jovens da classe C

quarta-feira, dezembro 26th, 2012

Empreender é bom negócio desde cedo
Autor(es): SIMONE CALDAS
Correio Braziliense - 26/12/2012

A maioria ainda prefere o emprego, mas cresce um grupo diferente: o dos empreendedores. Eles são ousados e aliam planejamento a intuição. Mas, para montar um negócio, é necessário quebrar várias barreiras.

Os jovens estão investindo cada vez mais na própria empresa. Esse interesse é maior entre os de classe C, que preferem o setor de serviços

Campeão de hipismo, treinador de cavalos e de cavaleiros, Rafael Daher Jardim, 24 anos, aposta no crescimento desse esporte no país para incrementar o próprio negócio. Como o investimento é alto, ele mantém o emprego no Centro Hípico Alterosa, em Ceilândia. Às segundas-feiras e no horário de almoço, corre para o sítio da família, onde está construindo a infraestrutura para adestramento, pensão e venda de animais.

Rafael é o exemplo do jovem empreendedor brasileiro. Alia ousadia, planejamento e intuição para construir o que considera um bom negócio. “Quero aproveitar que o mercado está crescendo e crescer junto”, diz. Assim como ele, 12,8% das pessoas com idade entre 18 e 24 anos estão empreendendo no país. Esse percentual, em 2002, era de 10%. Teve um pico no ano passado, quando chegou a 17,4%, de acordo com a Taxa de Empreendedorismo em Estágio Inicial (TEA), pesquisada pela Global Entrepreneurship (GEM). A queda, de acordo com técnicos, deve-se ao alto nível de empregabilidade no país.

A maioria dos jovens brasileiros ainda prefere investir em carreiras dentro das grandes empresas. Estudo da Page Talent em São Paulo indica, por exemplo, que apenas 11% dos estudantes que estão finalizando o curso universitário querem abrir o próprio negócio. Ainda longe do universo acadêmico, rapazes e moças da nova classe média estão empreendendo cada vez mais. A gerente de Capacitação de Empreendedores do Sebrae, Mirela Malvestiti, explica que os jovens da classe C preferem investir no setor de serviços. A área de beleza é das mais disputadas, assim como a de construção civil.

Caso de sucesso
É o caso de Deane Pereira da Silva, 21 anos, feliz proprietária do salão Glamour, no Paranoá. Nascida na Bahia, chegou a Brasília na adolescência. Aos 13, já trabalhava como babá para ajudar no sustento da família — a mãe e os três irmãos. Foi em casa, treinando nas mãos da mãe, que aprendeu a ser manicure. Em pouco tempo, passou a atender as mulheres da vizinhança e a patroa. A renda adicional animou a jovem a se dedicar à beleza. Arrumou emprego na área, mas não recebia salário, apenas comissão por serviço prestado.

Em pouco tempo, percebeu que, para conseguir progredir, teria que dar passos mais largos. Ao saber que uma microempresária da região havia colocado um de seus salões à venda, não pensou duas vezes. Sem poupança, capital de giro ou crédito, fechou o negócio por R$ 10 mil, para pagar em 10 vezes. “No início ficava pensando “Será que vou conseguir?”. Mas, no fundo, eu sabia que sim”, diz. Menos de dois anos depois, Deane resolveu ampliar o empreendimento. Montou, no fundo do estabelecimento, uma loja de roupas e acessórios femininos. Investiu cerca de R$ 6 mil em mercadorias e mais R$ 4 mil na infraestrutura. “As clientes entram para fazer as unhas e acabam levando mais alguma coisinha”, comemora.

Qualificação e esforço

Para tocar um negócio, é preciso reunir uma série de características, dizem os especialistas. De acordo com um manual do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), “ter um espírito criativo e pesquisador é uma das qualidades fundamentais de um empreendedor”. Não é fácil colocar no mercado um produto ou um serviço inovador e competitivo. Além disso, a burocracia, muitas vezes, faz o candidato a empresário desistir no meio do caminho. Por isso, antes de apostar em um ramo, deve-se pesquisar bem o setor, saber quem é o público-alvo e atendê-lo com qualidade.

Rafael Jardim investiu pesado na capacitação. Praticante de hipismo desde os 11 anos, ele fez curso superior de ciências equinas, na Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Curitiba. De lá, partiu para a Inglaterra e para a Bélgica para “aprender a lidar com cavalos esportivos top de linha”, afirma. Segundo Mirela Malvestiti, do Sebrae, ele está no caminho certo. “O melhor é que os jovens empreendedores apostem nas áreas que conhecem e onde enxergam oportunidades.”

Jovens como Rafael e Deane estarão no comando do país em um futuro não muito distante. São eles que azeitarão as molas propulsoras da economia. Uma delas, a criação de empregos, já é acionada por 468 mil empresários de 18 a 24 anos, segundo dados de 2009 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD), elaborada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os que abriram negócios individuais (sem empregados) somam 2,9 milhões.

Se a política econômica colaborar, eles poderão crescer e multiplicar o número de vagas. Para isso, é preciso também criar leis de incentivo e ampliar os cursos de capacitação. Como tocar o próprio negócio é um desafio árduo, as taxas de empreendedorismo jovem que vinham crescendo tiveram uma queda. Os empresários entre 18 e 24 anos de idade que contrataram empregados em 2001 somavam 13% da população nessa faixa etária. Em 2009, foram 12%. Os individuais tiveram redução maior: passaram de 19% para 16%, no mesmo período.

Em família
No caso de Deane, com a rápida expansão do salão de beleza, ela logo percebeu que precisava de ajuda. Por isso, contratou dois de seus irmãos. Gil, 22, é cabeleireiro e Gilberto, 13 — mesma idade em que ela começou na labuta —, está aprendendo a lavar os cabelos das freguesas. “Não é trabalho infantil. Ele estuda e está apenas em treinamento”, argumenta. O garoto concorda. A troca de olhares denuncia a cumplicidade dos que perseguem os mesmos objetivos. No caso, o de vencer na vida.

O sucesso experimentado por Deane até aqui inclui coragem e muito trabalho. Ela começa às 9h e encerra às 18h, todos os dias, inclusive aos domingos. Folga na segunda. No mês de dezembro, quando as festas multiplicam o movimento, a jornada começa às 8h e só é encerrada às 23h. “Neste ano, o faturamento foi menor do que em 2011, estamos aproveitando este mês para recuperar o caixa”, afirma. Talhada no trabalho, ela se permite até alguns mimos, como roupas e bens que sempre quis ter. As conquistas são fruto do talento e, sobretudo, do esforço dela.

Atividade da construção teve queda em novembro

sexta-feira, dezembro 21st, 2012

ECONOMIA
Isto é Dinheiro

Por Ayr Aliski

O mês de novembro não foi bom para a indústria da construção civil, com queda do indicador que mede o nível de atividade do setor para 49,1 pontos. Em outubro, esse indicador havia registrado 50,1 pontos. O dado está presente na “Sondagem Indústria da Construção”, estudo divulgado na manhã desta terça-feira pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O estudo é realizado em parceria com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). O indicador de nível de atividade do setor no mês passado ficou, inclusive, abaixo do que foi registrado em novembro de 2011 (49,4 pontos). Os valores da pesquisa variam de zero a cem. Acima de 50 indicam atividade acima do usual.

O nível de atividade em relação ao usual marcou 46,3 pontos em novembro, o que também representa queda em relação a outubro, quando ficou em 47,3 pontos. De acordo com o estudo, o baixo nível de atividade em relação ao usual é comum a todos os portes de empresas em novembro: 44,8 pontos para as pequenas; 47,8 para as médias e 45,9 para as grandes. A Utilização da Capacidade de Operação (UCO) ficou em 71% em novembro, ante 70% em outubro. De acordo com o economista da CNI Danilo Garcia, o comportamento do setor da construção reflete o desaquecimento da economia como um todo. “A indústria da construção não está imune à desaceleração do restante da economia”, avalia.

Além disso, o número de empregados caiu em novembro. O indicador de evolução do número de empregados situou-se em 47,6 pontos, abaixo da linha dos 50 pontos, o que indica retração. Em outubro, o indicador sobre o número de empregados havia alcançado 49,6 pontos. Desde abril o número de empregados da construção não cresce, alertam a CNI e a CBIC. Essa queda reflete a situação das pequenas e grandes empresas (47,2 e 46,2 pontos, respectivamente), uma vez que as médias empresas apresentaram estabilidade no número de empregados (50,3 pontos).

Apesar do cenário pouco favorável em novembro, a pesquisa apurou que, em relação aos próximos seis meses, as expectativas continuam positivas, considerando percepções dos empresários da construção em dezembro, com indicadores acima dos 50 pontos. O indicador de expectativa sobre nível de atividade marcou 56,3 pontos em dezembro, ante 55,2 pontos em novembro. O indicador de perspectiva quanto a novos empreendimentos e serviços ficou em 57,4 este mês, ante 55,5 pontos do mês passado. O indicador de expectativa sobre compras de insumos e matérias-primas ficou estável em dezembro, com os mesmos 55,4 pontos de novembro. O indicador de perspectiva sobre números de empregados alcançou 55,4 pontos este mês, ante 53,8 pontos no mês anterior.

Para a elaboração da “Sondagem Indústria da Construção” de novembro foram realizadas consultas a 455 empresas, sendo 146 pequenas, 198 médias e 111 grandes. A coleta das informações ocorreu entre os dias 3 e 13 de dezembro.

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Elevação de teto de crédito imobiliário preocupa área econômica

sexta-feira, dezembro 14th, 2012

Edna Simão | De Brasília
Valor Econômico - 14/12/2012

A proposta estudada pelo governo federal de elevar de R$ 500 mil para R$ 750 mil o valor máximo dos imóveis que podem ser comprados com os recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) ainda esbarra em resistências da área econômica para sair do papel.

Enquanto alguns defendem o reajuste desse teto como mais uma medida de estímulo à economia, outros técnicos temem que a iniciativa estimule uma concentração ainda maior dos bancos privados em financiamentos imobiliários com valores mais próximo do limite de R$ 750 mil, em detrimento de transações de cifras menores.

Essa avaliação é sustentada pela tese de que os bancos privados preferem operar com crédito imobiliário de montantes mais altos por considerarem que o risco de inadimplência é menor do que empréstimos feitos à baixa renda, concentrados na carteira da Caixa Econômica Federal.

Além disso, outro estímulo para os bancos trabalharem com financiamentos de imóveis mais caros é o fato de que essas operações aceleram o cumprimento da exigência do Banco Central (BC) de aplicação de 65% dos depósitos feitos em caderneta de poupança em financiamentos imobiliários.

Mais uma preocupação levantada pela área econômica é o impacto nos preços dos imóveis. A avaliação é de que uma mudança pode contribuir para um aumento generalizado, o que se refletiria na inflação. A percepção é que a dificuldade de se financiar um imóvel seguindo as regras do FGTS existe apenas em grandes cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Ou seja, não haveria necessidade de se elevar o teto para R$ 750 mil em todas as localidades do país.

Mas, por outro lado, as negociações serviram também para esclarecer alguns pontos. Por exemplo, parecer da Caixa estima que apenas 0,2% dos cotistas atuais se enquadrariam na faixa de renda compatível para aquisição de um imóvel desse valor. Ou seja, ao contrário do que se imaginava, não haveria uma sangria de recursos do fundo caso o teto seja ampliado.

O governo federal tem adotado uma série de medidas para estimular os investimentos necessários para garantir um crescimento econômico de pelo menos 4% no próximo ano. Entre as várias ações anunciadas após a divulgação do PIB decepcionante no terceiro trimestre - 0,6% ante trimestre anterior -, estão a desoneração da folha de pagamento para o setor de construção civil, assim como a criação de uma linha de crédito de R$ 2 bilhões destinada ao setor que reclamava de alto nível de endividamento.

Somente com a desoneração na folha, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse, à época do anúncio, que as empresas deixarão de pagar R$ 6,2 bilhões de contribuição previdenciária e, em troca, pagarão R$ 3,4 bilhões sobre o faturamento, segundo estimativas feitas para 2013. “São R$ 2,8 bilhões a menos que o setor pagará no ano. Poderá reduzir preços dos imóveis, aumentar produtividade e aumentar investimentos”, explicou Mantega ao anunciar a medida. O benefício substitui, para as construtoras e prestadoras de serviços, a contribuição de 20% por uma de 2% sobre o faturamento, recolhida ao INSS.

A desoneração atende a construção de edifícios, instalações elétricas, hidráulicas e outras instalações em construção, obras de acabamento, e outros serviços especializados - segmentos intensivos em mão de obra. Ou seja, não entra a chamada construção pesada (infraestrutura, incorporadoras).

O aumento para R$ 750 mil do teto do valor dos imóveis que podem ser comprados com os recursos do FGTS é uma reivindicação antiga dos empresários da construção. Esse número foi reajustado pela última vez em março de 2009.

Setor da construção deve crescer entre 3,5% e 4% em 2013

terça-feira, dezembro 4th, 2012

Sinduscon-SP prevê que o fechamento de ciclo de entregas vai levar a atividade da área para patamares similares aos do PIB

03 de dezembro de 2012 | 17h 48
Circe Bonatelli, da Agência Estado

SÃO PAULO - Após anos de pujança acima dos níveis da economia brasileira, o PIB do setor da construção civil deve apresentar um crescimento de 3,5% a 4% em 2013, no mesmo patamar do PIB previsto para o País no ano que vem, de acordo com estimativas divulgadas nesta manhã pelo Sinduscon-SP em parceira com a Fundação Getúlio Vargas (FGV). “Estamos no fim de um ciclo de entrega de obras e início de outro”, justificou Ana Maria Castelo, coordenadora de estudos da construção da FGV.

A pesquisadora avaliou que o crescimento do setor em 2013 deverá ser sustentado por uma melhora no ritmo de execução das obras de infraestrutura, que apresentaram uma evolução abaixo da esperada neste ano em função da queda dos investimentos do setor público para infraestrutura e paralisação temporária de serviços no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). “Em 2013, os investimentos em infraestrutura serão fortalecidos. Desta vez, temos razões mais sólidas para acreditar que isso será verdade”, afirmou Ana Maria, mencionando o destravamento das obras de transportes e a proximidade da entrega das obras para Copa e Olimpíada.

As estimativas de FGV e Sinduscon-SP apontam que a taxa de investimentos do País em 2013 alcance 18,8% do PIB, sendo que a parcela da construção no investimento é prevista para um nível de 42%. Já em 2012, a taxa de investimentos do País deve bater nos 17,5%, com participação de 45% do setor de construção.

Em relação ao setor imobiliário, que teve uma forte queda no volume de lançamentos em 2012, há uma expectativa de expansão no ano que vem.

“Os lançamentos e vendas no mercado imobiliário devem se fortalecer”, disse Ana Maria. Segundo ela, essa retomada deve ser encabeçada pelas obras de imóveis enquadrados no programa Minha Casa, Minha Vida, que passou por ajustes recentemente. “Há pelo menos 1 milhão de unidades a serem entregues e 1 milhão para serem contratadas.”

O vice-presidente de economia do Sinduscon, Eduardo Zaidan, acrescentou que acredita em um acúmulo de lançamentos entre o fim de 2012 e primeiro trimestre de 2013, uma vez que muitos projetos foram adiados devido a dificuldades na obtenção de licenças junto a órgãos públicos. “Deve haver um aumento de lançamentos, sim, na cidade de São Paulo”, frisou Zaidan, dizendo-se “razoavelmente otimista”. Ele também lembrou que as vendas não caíram tanto quanto os lançamentos na capital paulista. “Se (as incorporadoras) venderam, têm que lançar produtos novos”, disse.

O nível de emprego formal no setor da construção civil deve encerrar 2012 com um crescimento de 5,9% sobre 2011, de acordo com estimativa divulgada nesta quarta-feira pelo Sinduscon-SP em parceria com a Fundação Getúlio Vargas. Se confirmada a projeção, o ritmo de crescimento do emprego no setor vai ficar em nível idêntico aos 5,9% registrados no ano passado.

De janeiro a outubro, o saldo acumulado de emprego (contratações menos demissões) no setor acumulava uma alta de 6,57% em relação ao mesmo período do ano passado. Até outubro, o setor empregava 2,145 milhões de trabalhadores.

O emprego na construção civil cresceu 5,9% em 2011, com contratação de mais 3,040 milhões de trabalhadores. Em 2010, a expansão foi de 12,7%, com mais 2,829 milhões.

Dilma anuncia hoje medida de estímulo para setor de construção

terça-feira, dezembro 4th, 2012

FOLHA DE SÃO PAULO
NATUZA NERY
DE BRASÍLIA

A presidente Dilma Rousseff anunciará hoje, durante evento para comemorar a entrega 1 milhão de moradias do Minha Casa Minha Vida, a inclusão do setor da construção civil na desoneração da folha de pagamento.

Reportagem da Folha publicada nesta terça-feira já trazia a construção civil como provável área na ampliação do benefício fiscal. A medida foi incluída na pauta do anúncio após o governo se decepcionar com o fraco resultado do PIB (Produto Interno Bruto) no terceiro trimestre.

Segundo a Folha apurou junto a interlocutores do Palácio do Planalto, haverá a divulgação de outras medidas na solenidade.

Além de ser grande empregadora de mão de obra, a construção civil ganhou importância nas discussões da área econômica pela forte representatividade que tem na taxa de investimento.

A meta da Fazenda é fazer os investimentos aumentarem 8% no ano que vem e 12% em 2014, puxando o crescimento da economia para o mais perto possível de 4% –depois do avanço de 0,6% no terceiro trimestre, a alta do PIB neste ano deve ser de cerca de 1%.

Segundo estudos preliminares, a contribuição atual do setor da construção, baseada na folha de pagamento, corresponderia a algo entre 4% e 4,5% do faturamento.

Para fazer a troca, as empresas pediram alíquota de 1%, o que inicialmente foi considerado muito baixo pelo governo.