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Barulho e favela estão na mira da Câmara 2013

quinta-feira, dezembro 20th, 2012

Saúde e Plano Diretor também aparecem entre preocupações de novos parlamentares
20 de dezembro de 2012
ARTUR RODRIGUES , DIEGO ZANCHETTA / TEXTO, EDUARDO ASTA, FABIO AMANO , E FABIO SALES / INFOGRAFIA

O Estado de S.Paulo
Endurecimento da lei do silêncio e urbanização de favelas serão os principais temas da Câmara Municipal de São Paulo em 2013. Enquete feita pelo Estado com os 55 vereadores eleitos ainda mostra que a área da Educação perdeu espaço entre as prioridades da próxima legislatura.

Dos 34 vereadores que responderam aos questionamentos, pelo menos dez fazem parte da “bancada do silêncio”. “Quero aprovar meu projeto que proíbe carros com som alto em (lojas de) conveniência e praças públicas. Precisamos mudar o Psiu (Programa de Silêncio Urbano) para acionar a Polícia Militar para coibir os bailes funks nas madrugadas”, afirmou Arselino Tatto (PT), futuro líder do governo Fernando Haddad (PT).

O tema é de interesse também dos vereadores da “bancada da bala” - Conte Lopes (PTB) e coronel Alvaro Camilo (PSD). “Vou apresentar um projeto de lei para que se possa apreender os carros com som alto e acabar com os pancadões”, diz Lopes.

Camilo, por sua vez, pretende usar agentes da Operação Delegada, criada quando ele comandava a PM, nas ações de combate à poluição sonora. Hoje, os policiais atuam contra camelôs e pirataria no centro.

Dos 12 vereadores que afirmaram ter como prioridade a área da Habitação, nove deles terão como foco principal a urbanização de favelas.

Um “incentivo” aos parlamentares para trabalhar nessa área é a verba de R$ 3,36 bilhões para o programa que prevê reurbanizar 118 favelas e recuperar as orlas das Represas Billings e do Guarapiranga. Vereadores que atuaram nessa área na última legislatura foram reeleitos entre os dez mais votados, como Antonio Carlos Rodrigues (PR), Milton Leite (DEM) e Antonio Goulart (PSD). “Vou continuar colocando foco no meu mandato para recuperação das Represas Billings e do Guarapiranga. É uma região que está em transformação com o Programa de Urbanização de Favelas, hoje um dos maiores do mundo”, diz Leite.

Entre os entrevistados, oito afirmaram que a Saúde está entre seus principais focos de atuação. Seis vereadores elegeram a revisão do Plano Diretor da cidade como foco. A questão é citada tanto pelos petistas, que planejam colocar em prática o projeto do Arco do Futuro, do prefeito eleito Fernando Haddad, quanto pela oposição. “Serei um debatedor incansável e levarei uma visão moderna, de busca do desenvolvimento da cidade aliado à qualidade de vida e ao senso estético”, afirma Andrea Matarazzo (PSDB).

Transporte foi o tema escolhido por seis parlamentares, seguido por Segurança Urbana (quatro) e Educação (três). Vinte e um vereadores não foram localizados ou não responderam.

Empreiteira de luxo paga para morador deixar favela vizinha em SP

terça-feira, outubro 16th, 2012

Folha de São Paulo
LAURA CAPRIGLIONE
DE SÃO PAULO

A JHSF é dona dos empreendimentos mais estrelados da zona sul de São Paulo, como Shopping Cidade Jardim, com suas luxuosas torres residenciais, além das três de escritórios, comercializadas a R$ 15 milhões o andar de 560 metros quadrados. A JHSF está comprando barracos de uma favela vizinha.

JHSF diz que foi procurada por moradores

A dona de casa A., 57, moradora há oito anos na comunidade Jardim Panorama (zona oeste), tem certeza de que ganhou na loteria. A JHFS ofereceu-lhe R$ 60 mil para que ela saísse da casa de quatro cômodos de alvenaria e com revestimentos cerâmicos, construída sobre a calçada da rua Francisco Rebolo.

“Nem terreno ela tinha. Ocupava área pública da rua”, explicou o advogado Marcos Endo, representante dos moradores. Em quase toda a extensão, a rua sofreu um estreitamento, tantas foram as casas construídas de um lado e de outro dela, invadindo o meio fio.

Com o dinheiro da venda, A. comprou, agora com escritura passada, uma casa no Jardim São Luís, distrito popular da zona sul.

O objetivo da JHSF é retirar todas as moradias precárias que estão instaladas em uma área de 20 mil metros quadrados que adquiriu na vizinhança dos empreendimentos que já tem no bairro. E lá implantar novos projetos –a empresa diz, por enquanto, que só pode garantir que não haverá novas torres.

O método de “requalificação da área” (como chamam certos urbanistas) é simples. Os moradores recebem uma avaliação da sua casa. Depende da área construída e do material usado (madeira, blocos, com revestimento ou não). Quem topa, deve se dirigir até os escritórios da Companhia Habitacional Jardim Panorama.

Na verdade, a Companhia Habitacional é outro nome da própria JHSF; e os escritórios são vagas de garagem de um dos prédios, limitadas por toldos brancos. Entra-se pela porta de serviço do edifício.

Uma vez fechado o negócio, recebe-se um cheque. A casa condenada é pichada com cruzes vermelhas. O morador retira seus bens e o barraco é deletado. Em poucos minutos, uma mini-retroescavadeira derruba o imóvel e lança os escombros em uma caçamba de lixo.

Calcula-se que as casas de 120 famílias estejam na mira dos compradores da JHFS. Inclusive as que ocupam área da rua, da praça municipal e da viela para escoamento de águas pluviais –todas coalhadas de barracos que ficam a poucos metros das torres de escritórios (os varais de roupas, as crianças andando de carrinho de rolimã e subindo nas árvores, os cachos de banana estão ao alcance da visão dos executivos).

Marcos, 20, já vendeu o andar de cima de seu barraco. Faturou R$ 12 mil. Mas ele diz que só sairá dos cômodos inferiores se embolsar mais R$ 50 mil. Em volta, todos os casebres já foram derrubados. “Se eles não pagarem não saio. Aí, para isso aqui voltar a virar favela, é um minuto.”

Por cima das casas localizadas na rua Francisco Rebolo, vêem-se barracos recém-construídos. Moradores dizem que eles apareceram há uma semana. “Teve muito incêndio de favela na cidade. Tem muita gente precisando de casa e aqui ainda tem espaço”, afirma Domingos, 68, há 55 anos morador do Jardim Panorama.

Como impedir a reconstrução das casas derrubadas e a chegada de mais pobres ao terreno? O executivo da JHFS é lacônico: para isso existem muros, cercas e seguranças.

Colaborou Lalo de Almeida

Vizinhos de favelas sofrem com lixo

segunda-feira, fevereiro 27th, 2012

Jornal da Tarde
LUÍSA ALCALDE

Sacos de lixo levados diariamente por moradores de favelas até contêineres e caçambas, que formam verdadeiras montanhas até que caminhões de coleta façam a retirada, estão causando transtornos para quem reside no entorno dessas comunidades.

Como a coleta não é diária, os sacos se acumulam nos dias em que o caminhão não passa pelo local. Transbordam dos equipamentos e ficam jogados no meio da rua. Vizinhos reclamam do mau cheiro e da presença de ratos e outros insetos ao redor do lixo.

Durante dois dias, na semana passada, a reportagem do Jornal da Tarde percorreu sete pontos onde o problema persiste. Todos na zona sul da capital. A aposentada Lindinaura Maria Oliveira, de 74 anos, mora há 52 anos em uma rua próxima à Avenida José Maria Whitaker, no Planalto Paulista, onde há uma favela. Dois contêineres da Ecourbis ficam a menos de 20 metros da comunidade. “Eles estão sempre cheios, transbordando”, conta ela.

Elizângela Magalhães, de 38 anos, mora há 18 anos na comunidade carente. Ela é dona de um pequeno comércio que fica perto das caçambas. Segundo Elizângela, a empresa de lixo só tem recolhido os sacos às terças e quintas. “São poucos dias de coleta. Por isso, fica tudo amontoado”, afirma.

Na Rua Coronel Luiz Alves, na Chácara Klabin, cerca de 68 famílias moram em uma comunidade onde os próprios moradores têm de levar os sacos até os dois contêineres que ficam na via. O aposentado Luciano dos Santos, de 50 anos, diz que os equipamentos não são suficientes para alojar todo o lixo. “Muitas vezes transborda, sim”, conta.

A calçada do lado direito da Rua Neide Aparecida Solito, na Vila Clementino, abriga um desses contêineres colocados em frente a uma favela murada, onde vivem cerca de 50 famílias. Morador dessa comunidade, o técnico em permeabilização Francisco Azevedo da Silva, de 47 anos, convive com o problema: “Cai tudo da caçamba. Os sacos ficam caídos do lado. Quem quer passar pela calçada tem de desviar do lixo ou andar na rua”, diz.

Regra – Próximo dali, na Rua Mário Cardim, o problema se repete. Três contêineres ficam na rua em frente à favela que existe no local. No dia em que a reportagem fez a visita, na tarde da quinta-feira, os equipamentos estavam abarrotados. Há pelo menos duas placas coladas próximas ao local pedindo que o lixo seja depositado ali apenas após as 18 horas, mas os próprios moradores não seguem essa regra.

Uma senhora, que quis ser identificada apenas como Adriana e que estava depositando o lixo em um contêiner às 15 horas, fez um desabafo: “Moça, como é que eu vou ficar com o lixo cheirando cocô de cachorro e com fralda de bebê dentro de uma casinha pequena até o caminhão passar?”

A coleta só passa naquela rua três vezes por semana. Maria Amélia Andrade, de 64 anos, dona de casa e moradora de uma rua ao lado, reclama da sujeira. “Não posso abrir minha janela. O cheiro é insuportável, principalmente no calor. Enche de baratas”, afirma.

Entulho – Ontem, a reportagem esteve no final da Rua Pedro Bueno, no Jabaquara, onde há uma comunidade carente, e na Avenida Almirante Delamare, ao lado da favela Heliópolis, no Ipiranga.

Nesses locais, há vários contêineres onde os moradores devem depositar o lixo, mas no momento em que o JT apurava a reportagem, os equipamentos estavam vazios. Jaqueline Andrade, de 19 anos, caixa de um mercado bem em frente a um desses locais disse que o ponto comercial fica sujo porque, além de lixo, a população joga também todo tipo de entulho