Posts Tagged ‘habitação’

Mais perto da casa própria

terça-feira, dezembro 4th, 2012

ALMIRO MARCOS
Correio Braziliense

Editais lançados pelo GDF nos últimos dias beneficiarão 35 mil famílias de baixa e média renda nas cidades de Planaltina, Recanto das Emas e Itapoã. Hoje, o governador Agnelo Queiroz e a presidente Dilma Rousseff assinam contrato para erguer 6.240 unidades no Paranoá

O Governo do Distrito Federal (GDF) lançou, nos últimos dias, três editais para empresas interessadas na construção de mais de 35 mil habitações do programa Morar Bem em cidades da capital federal: Planaltina, Recanto das Emas e Itapoã. As moradias são destinadas a famílias com faixas de renda baixa (ganhos mensais de até R$ 1,6 mil) e média (renda de até R$ 5 mil por mês). Além disso, está marcada para hoje a assinatura da contratação das primeiras obras do Morar Bem para as pessoas com menor receita. O governador Agnelo Queiroz assina, com a presidente Dilma Rousseff, o contrato com a empresa responsável pela construção de 6.240 unidades habitacionais no Paranoá Parque, na região administrativa do Paranoá.

Com o edital para os novos projetos (ver quadro), já são mais de 65 mil unidades habitacionais lançadas pelo Morar Bem desde o ano passado. A intenção do atual governo é alcançar, ao fim de 2014, o número de 100 mil moradias contratadas. Esse foi, aliás, um dos compromissos de campanha de Agnelo Queiroz. Até agora, o programa já chegou também a Riacho Fundo 2, Gama, Samambaia, Santa Maria e Sobradinho.

Em um cenário mais conservador, o governo pretende iniciar as obras de 16 mil moradias (casas e apartamentos) dentro dos próximos três meses. Em um panorama mais otimista, seriam mais de 20 mil habitações com obras lançadas em 90 dias. “Preferimos trabalhar com o número mais baixo, mas podemos dizer que o Morar Bem está caminhando em um ritmo acelerado”, argumenta o deputado federal e titular da Secretaria de Habitação, Regularização e Desenvolvimento Urbano do DF (Sedhab), Geraldo Magela.

Os projetos que estão em processo mais avançado são os de Recanto das Emas (1.200 mil apartamentos nas quadras 117 e 118) e Riacho Fundo 2 (6 mil apartamentos na quinta etapa). Também já encontram em situação bem adiantada de contratação mais 8 mil unidades habitacionais nas 3ª e 4ª etapas do Riacho Fundo 2.

Renda menor

O contrato a ser assinado hoje pelo governador e a presidente (responsável pela Caixa Econômica Federal) é o segundo passo efetivo do Morar Bem, que é uma espécie de Minha Casa, Minha Vida local (ver Para saber mais). O programa já entrega, desde meados deste ano, habitações no Jardim Mangueiral, um projeto para faixa média de renda em São Sebastião. “A assinatura do contrato de amanhã (hoje), do Paranoá Parque, será para a faixa da população que mais precisa de habitação”, explica o secretário adjunto da Sedhab, Rafael Oliveira. A pasta estima que, das famílias sem moradia no DF, 75% estão nessa camada salarial inferior. Elas estão situadas na chamada faixa 1 do Minha Casa, Minha Vida (renda familiar mensal de até R$ 1,6 mil), que é o programa financiador e balizador do Morar Bem.

Dados do Ministério das Cidades (Fundação João Pinheiro), que são referência para o GDF, indicam ainda que a proporção de famílias que não têm casa própria é de 10% na faixa 2 de renda (de R$ 1.600,01 a R$ 3.275 mensais), 5% na faixa 3 (R$ 3.275,01 a R$ 5 mil) e 5% na faixa 4 (R$ 5.000,01 a R$ 7.464). O total de pessoas cadastradas no sistema habitacional do DF hoje é de mais de 370 mil, mas o governo calcula que o deficit real gira em torno de 105 mil famílias. “Isso ocorre porque muitos inscritos não cumprem os requisitos mínimos exigidos para serem beneficiados pela política habitacional”, argumenta Rafael Oliveira.

Para saber mais

União de esforços

O Morar Bem funciona nos moldes do Minha Casa, Minha Vida, com foco na diminuição do deficit habitacional da capital do país. Trata-se de uma parceria entre o Governo do DF e a União, incluindo ainda a participação dos futuros moradores. O Executivo Federal entra com o financiamento para construção dos imóveis e o GDF disponibiliza o terreno, além de promover a infraestrutura. Já a pessoa cadastrada faz o pagamento das prestações do imóvel, com longos prazos e taxas subsidiadas de acordo com o perfil socioeconômico do inscrito. Apenas em 2012, o governo local já convocou mais de 35 mil famílias para terem os seus cadastros analisados. Os critérios de classificação e convocação levam em conta os seguintes pontos: tempo de moradia no DF, número de dependentes, presença de pessoas com deficiência ou idosos na família, renda familiar bruta e tempo de inscrição nos programas habitacionais do DF.

Sonho mais próximo

O GDF lançou edital para contratar empresas que vão trabalhar na construção de mais de 35 mil habitações. Veja os locais contemplados:

Planaltina
Local: Mestre D´Armas
Quantidade: 4.320 apartamentos
Público: Famílias com renda mensal de até R$ 1.600

Recanto das Emas
Local: Vargem da Bênção
Quantidade: 20.512 apartamentos
Público: Famílias com renda mensal de até R$ 5.000

Itapoã
Local: Itapoã Parque, trechos 1 e 2
Quantidade: 10.400 apartamentos
Público: Famílias com renda mensal de até R$ 5.000

Mudanças culturais e econômicas afetam setor imobiliário

quarta-feira, novembro 7th, 2012

CAMILA CARINGE - FSP
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

A mudança no perfil da população brasileira é um dos fatores que pressiona o deficit habitacional do país, segundo Marcelo Borges de Oliveira, diretor-presidente da Rodobens Negócios Imobiliários.

Estudos indicam que faltam cerca de 6 milhões de moradias no país. Mas Oliveira diz acreditar que esse número seja maior:

“Não há um número exato, mas sabemos que o deficit parece ser até maior, principalmente por causa da mudança de característica das famílias. As pessoas estão saindo da casa dos pais mais cedo e indo morar sozinhas. Isso alimenta o mercado.”

José Roberto Federighi, diretor da Brasil Brokers, explica que a nova classe média, que é hoje 53% da população brasileira, cresceu diminuindo a pobreza, mas sem reduzir as classes mais privilegiadas.

Os executivos participaram da sexta edição do Cityscape Latin America, evento voltado para investidores do setor imobiliário, realizado em São Paulo entre os dias 29 e 31 de outubro.

“O Brasil é o 5º país mais populoso do mundo e a nossa classe média seria o 12º país. Ou seja, a gente tem uma classe média aqui maior do que Alemanha, do que Turquia ou Vietnam. É quase o tamanho da população do México”, afirma Federighi.

O poder de consumo da população cresceu. Além de aumentar o número de habitações com apenas um morador, a oferta de mão-de-obra especializada decresceu, tornando a padronização dos projetos uma estratégia fundamental das construtoras, que visam diminuir os riscos na execução das obras.

CRÉDITO

Federighi aponta que o programa Minha Casa Minha Vida foi criado para ajudar o setor imobiliário a resolver o deficit habitacional. Na primeira fase foram contratadas mais de um milhão de moradias. Em sua segunda fase, o programa pretende construir dois milhões de casas e apartamentos até 2014.

“Mesmo assim o setor precisa de muito mais incentivo governamental para resolver o problema. Em 2005, o nosso mercado atingia no máximo 10% da população brasileira. Com o programa, conseguimos chegar a 67%. Mas oferecer casas para famílias cuja renda varia de 0 a 3 salários mínimos não é possível sem incentivo.”

Ele diz ainda que a demanda por imóveis também foi viabilizada pelo aumento do crédito. Em 2008, menos de 50 milhões de financiamentos foram registrados. Já as projeções para 2012 é que o país atinja 200 milhões de imóveis financiados. Mas Federighi diz acreditar que o país esteja muito longe de ter uma bolha imobiliária em função do crédito.

“Vemos uma confusão muito grande entre diminuição de velocidade de crescimento e diminuição de mercado, que são coisas completamente diferentes. Nosso mercado não está diminuindo. Ele está perdendo velocidade. O mercado imobiliário não tende a diminuir.”

Habitação é destaque na alta do IPC em outubro

terça-feira, outubro 30th, 2012

Segundo a FGV, taxa do grupo Habitação passou de 0,33% em setembro para 0,46% neste mês

Wladimir D’Andrade, da Agência Estado

São Paulo - A principal contribuição para a aceleração do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) em outubro, dentro do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), partiu do grupo Habitação, cuja taxa passou de 0,33% em setembro para 0,46% neste mês, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV), nesta terça-feira. O aluguel residencial foi responsável pela maior influência de alta do grupo, ao subir 0,66% em outubro, ante taxa de 0,34% na leitura anterior.

Leia Mais
30/10/2012 | Inflação na Espanha sobe para 3,5% em outubro
30/10/2012 | Banco do Japão prevê crescimento menor e espera deflação
30/10/2012 | Matérias-primas recuam no IGP-M puxadas por commodities
30/10/2012 | IPA agropecuário recua 0,57% e industrial cai 0,05%

Outras seis classes de despesa do IPC apresentaram aceleração de preços neste mês: Vestuário (de 0,44% para 0,82%), Saúde e Cuidados Pessoais (de 0,38% para 0,48%), Educação, Leitura e Recreação (de 0,10% para 0,18%), Transportes (de 0,18% para 0,21%), Despesas Diversas (de 0,24% para 0,41%) e Comunicação (de 0,21% para 0,69%).

Apenas o grupo Alimentação apresentou desaceleração de preços neste mês na comparação com o mês anterior. A taxa desta classe de despesa passou de 1,18% em setembro para 1,08% em outubro, com destaque para os itens hortaliças e legumes (de 1,26% para -6,34%), panificados e biscoitos (1,88% para 0,72%) e aves e ovos (2,92% para 2,02%).

Casa popular poderá custar até R$ 190 mil

sexta-feira, outubro 5th, 2012

Imóvel de até R$ 190 mil no Minha Casa
VÂNIA CRISTINO
Correio Braziliense - 05/10/2012

Novo teto vale para todas as cidades do Distrito Federal. Conselho do FGTS aumentou também os subsídios concedidos a famílias com renda mensal de até R$ 1,6 mil

O Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) aumentou ontem o valor máximo dos imóveis que podem ser financiados no âmbito do programa Minha Casa, Minha Vida. Nas cidades do Distrito Federal e das regiões metropolitanas de São Paulo e do Rio de Janeiro, o teto passou de R$ 170 mil para R$ 190 mil. Nas capitais dos demais estados e nos municípios com mais de um milhão de habitantes, o valor máximo a ser financiado passa de R$ 150 mil para R$ 170 mil.
Nas localidades que têm população acima de 250 mil habitantes (até 1 milhão) e do entorno do DF, o teto subiu de R$ 130 mil para R$ 145 mil. Naquelas com mais de 50 mil habitantes (até R$ 250 mil), o valor máximo foi elevado de R$ 100 mil para 115 mil. Nas demais, o teto, que era de R$ 80 mil, passará agora para R$ 90 mil.

Para facilitar ainda mais a aquisição dos imóveis, o conselho elevou de R$ 23 mil para R$ 25 mil o subsídio dado às famílias com renda mensal de até 1,6 mil, que integram a primeira faixa do programa. Além disso, foi feita uma ampla reformulação das classes intermediárias de renda, sendo que, no estrato mais elevado, de ganhos entre R$ 3,27 mil e R$ 5 mil, a taxa máxima de juros dos financiamentos caiu de 8,16% para 7,16% ao ano. Nas demais faixas, os juros não foram alterados. De acordo com o ministro do Trabalho, Brizola Neto, que preside o Conselho Curador, a queda foi possível a partir da redução dos spreads bancários.

Os subsídios do Minha Casa, Minha Vida caem à medida que a renda familiar aumenta. A subvenção só é concedida até a faixa de R$ 3,27 mil. O governo entende que as famílias que ganham mais do que esse montante por mês têm condições de pagar pela casa própria. O limite máximo de renda que permite que as pessoas se enquadrem no programa é de R$ 5 mil.

Custo
A elevação do subsídio para a camada mais carente terá um custo adicional de R$ 1,1 bilhão no ano que vem para o FGTS. Como as novas regras só foram aprovadas agora, o impacto financeiro em 2012 será limitado a R$ 300 milhões. O ministro do Trabalho defendeu a medida. Ele assegurou que, mesmo com o aumento da despesa, não existe risco de que a remuneração devida aos trabalhadores, que corresponde à Taxa Referencial de Juros (TR) mais 3% ao ano, seja comprometida.
O recurso para o subsídio, explicou o ministro, sai das aplicações financeiras, ou seja, dos recursos que sobram todo ano e são, obrigatoriamente, aplicados em títulos do governo. “O fundo não está ameaçado, muito menos a remuneração do trabalhador. Segundo ele, a decisão permite que o FGTS cumpre a função social prevista em lei. “As medidas são importantes para impedir a redução no ritmo da construção civil, pois informações da Caixa Econômica Federal mostram uma queda no número de lançamentos imobiliários”, afirmou.

Secovi tenta reduzir distratos do Minha Casa, Minha Vida

segunda-feira, setembro 24th, 2012

Ana Fernandes | De São Paulo
Valor Econômico - 24/09/2012

O sindicato da habitação em São Paulo, Secovi-SP, está negociando com a Caixa Econômica Federal uma solução para que pequenas e médias construtoras fiquem menos expostas a riscos de distratos com clientes do programa Minha Casa, Minha Vida.

O vice-presidente do sindicato, Flávio Prando, que participou da elaboração da medida, disse ao Valor ter recebido uma sinalização da Caixa que uma resposta deve ser dada nas próximas semanas. Em negociações mais avançadas nos últimos quatro meses, o sindicato acredita que a resposta do banco estatal seja positiva.

A ideia é facilitar o acesso das pequenas e médias empresas ao chamado “crédito associativo”. O mecanismo permite às construtoras repassar seus mutuários para a Caixa logo no início dos projetos.

Antes, o contratante financiava a entrada do imóvel com a construtora e era repassado, às vezes mais de um ano depois, para o financiamento da Caixa. Nesse momento do repasse, muitas vezes, a renda do cliente havia subido, ultrapassando o teto do programa habitacional e ele era obrigado a distratar a compra do imóvel.

Uma solução para o problema é o crédito associativo. Esse sistema, no entanto, exige que uma porcentagem do empreendimento (geralmente mais de 50%) esteja contratada, garantindo a capacidade de pagamento da pequena e média construtora. Alcançada essa cota de clientes que compraram as unidades, a Caixa então libera o financiamento para a construção efetiva do empreendimento.

A execução desse sistema de crédito associativo, na prática, é difícil. “A exigência da cota acaba criando uma logística complexa, você tem por exemplo um prazo de dias para juntar todo mundo, com todos os documentos”, explica Prando.

Ele afirma que a ferramenta proposta é uma cláusula suspensiva para os contratos. Com essa cláusula, o enquadramento no Minha Casa, Minha Vida passa a ser analisado apenas uma vez (no momento da assinatura) e a cláusula condiciona a liberação do financiamento ao alcance da cota mínima de clientes para viabilizar a obra. “A cláusula não prejudica em nada o risco para o banco e dá segurança ao comprador.”

Em conferência da Lares (Latin American Real Estate Society), realizada em São Paulo, o presidente do sindicato, Cláudio Bernardes, também indicou que a negociação com o banco estatal para implementar a cláusula suspensiva está avançada: “A Caixa está consciente do problema e de que precisa haver uma solução”. Procurada, a Caixa preferiu não comentar o assunto.

Incorporadoras fazem crédito imobiliário desacelerar

quinta-feira, setembro 20th, 2012

Valor Econômico

Como consequência de uma entressafra de lançamentos no mercado imobiliário ao longo do primeiro semestre, a forte expansão do crédito imobiliário em anos anteriores deu lugar aos primeiros sinais de moderação na carteira dos bancos. Enquanto o estoque chegou a apresentar um crescimento anual de quase 54% no fim de 2010, a velocidade caiu para 39% nos últimos doze meses encerrados em julho deste ano, último dado disponível na série histórica do Banco Central (BC).

É o menor avanço registrado pela modalidade desde o início da crise de 2008, quando o estoque apresentou um pequeno repique de queda em meio à retração das instituições financeiras privadas.

A desaceleração ocorre mesmo com o avanço do programa de habitação popular do governo federal, o Minha Casa Minha Vida. Para se ter uma ideia do vigor do Minha Casa, nesta segunda fase de contratação, que começou em 2011, já foram assinados quase 900 mil contratos, enquanto no crédito imobiliário tradicional, que usa recursos da poupança, o total de imóveis financiados somou pouco mais de 707 mil no mesmo período, desde janeiro do ano passado.

Os bancos públicos continuam com apetite nos dois mercados. No ano, registraram expansão do estoque de operações de 22%, contra 17% das instituições privadas no crédito habitacional com recursos da poupança. Com isso, passaram a responder por 77% de todo o estoque nessa faixa de mercado. A disposição foi reforçada pelo programa oficial de baixa renda onde dividem a totalidade dos contratos e esperam chegar a 2,4 milhões de unidades até 2014.

Segundo Gueitiro Matsuo Genso, diretor do Banco do Brasil, é possível pensar que o país possa atingir uma carteira de R$ 1,5 trilhão em crédito imobiliário até 2020, o que seria equivalente a 16% do PIB em crédito imobiliário. Hoje o estoque é de R$ 242 bilhões, 5,6% do PIB, segundo o BC.

Mas, de fato, há uma desaceleração neste momento, fruto de um “freio de arrumação” no credito imobiliário ligado ao momento das construtoras, diz José Roberto Machado Filho, diretor executivo de crédito imobiliário do Santander. “Isso acarretou um menor número de lançamentos no primeiro semestre”, diz.

Segundo ele, a retomada da demanda das construtoras e incorporadoras deve ocorrer no fim do ano. Mas a procura das pessoas físicas por financiamento continua “bastante forte”.

Os desembolsos do crédito imobiliário, que hoje estão praticamente andando de lado, devem mostrar retomada no começo do ano que vem, afirma o presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) e diretor do Bradesco, Octavio de Lazari Junior.

Ele concorda que o período ruim das incorporadoras e construtoras é a principal explicação para o empate do crédito imobiliário. Enquanto os desembolsos para as pessoas físicas cresceram 23% nos primeiros sete meses do ano, para as pessoas jurídicas caíram 28,5%.

Ele acredita que a “arrumação” das construtoras (com a resolução de atrasos e de outros problemas para as empresas) deva ser menos intensa já no começo do próximo ano. A Abecip estima que o crédito imobiliário cresça 15% este ano, em comparação com o ano passado, ante estimativas iniciais de 30%. Até julho, a expansão foi de 20,9%.

Governo de São Paulo vai demolir mais 7 mil casas na Serra do Mar

segunda-feira, setembro 10th, 2012

O Estado de São Paulo
Maioria das intervenções, em 20 municípios da região litorânea, terá como alvo as construções no entorno do parque estadual

Adriana Ferraz

SÃO PAULO - Depois de iniciar a remoção de 5.350 famílias dos bairros-cota de Cubatão, o governo do Estado vai acelerar a demolição de mais 7 mil moradias irregulares em outros 20 municípios da região litorânea. A maioria das intervenções fará parte da segunda etapa do programa de recuperação da Serra do Mar, prevista para ser lançada no fim do mês pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB). A ordem é dar prioridade a três cidades do litoral norte: São Sebastião, Ubatuba e Caraguatatuba.

Juntos, os municípios devem somar 3.392 remoções, ou 48% do total. O foco são os barracos dentro do Parque Estadual da Serra do Mar ou no seu entorno, onde a pressão por moradia é ainda maior. Na beira da Rodovia Rio-Santos, os morros já estão tomados por favelas, com vista para o mar, em um cenário semelhante ao encontrado no Rio. Mas o governo afirma que casas de alto padrão construídas em lotes de Mata Atlântica também serão demolidas.

São Sebastião e Ubatuba concentram o maior número de moradias irregulares identificadas no interior do parque. São 389 habitações nessa condição listadas para sair - a maioria nas proximidades das praias da Barra do Sahy, Juqueí, Perequê Mirim e Barra Seca. Em Caraguatatuba, o número é menor. Lá, 43 serão removidas. As demais estão na chamada zona de amortecimento.

Segundo a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), as intervenções visam a preparar a região para absorver a crescente demanda por habitação popular. A preocupação tem relação direta com o pacote de grandes obras a ser executado no litoral norte a curto prazo. A lista inclui a ampliação do Porto de São Sebastião, a duplicação da Rodovia dos Tamoios e a criação de infraestrutura necessária para a exploração do pré-sal.

“Os investimentos têm o objetivo de minimizar ou mesmo evitar novas ocupações”, diz o coordenador do programa, Fernando Chucre, que calcula começar as remoções na região apenas em 2014. A previsão é gastar R$ 1 bilhão, mesmo valor calculado para a primeira etapa, ainda em andamento.

Chucre explica que o início de uma fase não depende do término da outra. Isso quer dizer que a intenção é tocar as duas etapas ao mesmo tempo, com uma diferença: o prazo para a realização das 7.086 remoções da primeira fase, financiadas pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), termina em 2014. Nem metade desse total foi cumprido.

Verticalização. A demora está relacionada, segundo o governo, à dificuldade em obter terrenos e também em cumprir as diferentes regras de zoneamento municipais. Em São Sebastião, por exemplo, é proibido construir prédios. O veto à verticalização limita os projetos à construção de casas e, consequentemente, exige terrenos maiores.

A solução defendida pelo Estado é a de criar Zonas Especiais de Interesse Social (Zeis) nos municípios atingidos. A classificação abre brechas na lei para a produção de unidades habitacionais, como a liberação de prédios para este fim e também a urbanização das moradias que ficarão nas zonas protegidas.

Ao todo, até 2015, 23,3 mil casas sofrerão algum tipo de intervenção na região serrana de São Paulo. Para impedir novas ocupações, após a retirada das famílias, a CDHU afirma que terá fiscalização por terra, mar e ar. “Já temos helicópteros e encomendamos lanchas e novas viaturas para a Polícia Ambiental.”/ COLABOROU JOSÉ MARIA TOMAZELA

Projeto brasileiro está entre ganhadores de prêmio internacional

quinta-feira, setembro 6th, 2012

Folha de São Paulo
DE SÃO PAULO

O projeto para a reformulação da comunidade Cantinho do Céu, em São Paulo, recebeu o prêmio Future Cities:Planning for the 90 per cent, juntamente com mais duas propostas internacionais –uma do escritório Ateliermob, de Portugal, e outra da ONG Interazioni Urbane, da Itália.

O plano habitacional assinado pelos arquitetos Marcos Boldarini e Melissa Matsunaga, em parceria com a Sehab (Secretaria Municipal de Habitação), já havia sido exposto na Bienal Internacional de Arquitetura de Roterdã.

O concurso é um dos eventos paralelos à 13ª Bienal de Arquitetura de Veneza e tinha como principal objetivo incentivar planos arquitetônicos de baixo custo com capacidade de causar mudanças efetivas no espaço urbano.

Das cem propostas inscritas, provenientes de várias partes do mundo, dez foram exibidas durante a Bienal e apenas três delas conquistaram o prêmio.

Habitação econômica vai ser tema de encontro em São Paulo

terça-feira, setembro 4th, 2012

FOLHA DE SÃO PAULO

Um evento na cidade de São Paulo em setembro vai tratar sobre habitação e desenvolvimento urbano sustentável.

No encontro, promovido pelo CTE (Centro de Tecnologia de Edificações), haverá uma palestra de Paulo Perez, diretor de projetos e marketing habitat do grupo francês Saint-Gobain, da área de vidros e materiais de construção.

A palestra ocorrerá no Milenium Centro de Convenções (rua Doutor Bacelar, 1043 - Vila Clementino, telefone 0/xx/11/ 5591-1269) no dia 19/9, das 8h30 às 18h30.

O evento é voltado a diretores e gestores de incorporadoras, construtoras, imobiliárias, órgãos públicos da área, professores e pesquisadores etc.

Residências tomam lugar de indústrias em cidades do ABC

quinta-feira, agosto 30th, 2012

JULIANA ELIAS
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Restaurantes como Outback, La Pasta Gialla e Mr Jack’s, inaugurados há um ano em São Bernardo do Campo, e até então inéditos no ABC, tornaram-se pontos de encontro.

Fazem parte da nova área do Shopping Metrópole –um dos cinco centros comerciais em expansão ou recém-construídos entre São Bernardo e a vizinha Santo André.

O desembarque em massa nos shoppings acompanha a ampliação geral na oferta de serviços dessas cidades, que vai de lojas de grife até hospitais e universidades e modifica o perfil de locais que cresceram como distritos industriais ao redor da capital.

“Hoje, temos uma infraestrutura muito maior para a classe média e os preços dos imóveis, em muitos endereços, ainda compensam em relação aos de São Paulo”, diz Milton Casari, dono da Casari Imóveis, no ABC.

Isso significa que os tipos de empreendimento cujos preços passam dos R$ 7.000 por metro quadrado em bairros paulistanos mais centrais, como Ipiranga ou Vila Mariana, ainda são encontrados, em Santo André ou São Bernardo, por até R$ 5.000 o metro quadrado.

Entre os compradores que aquecem o mercado estão principalmente as famílias locais com renda crescente, mas também há paulistanos que deixaram a capital em busca de opções de moradia mais em conta.

“Geralmente, são pessoas que já têm algum vínculo com as cidades do ABC, como trabalho ou família, e acabam vindo para cá”, afirma Hélio Korehisa, diretor comercial da construtora MZM.

MAIS ESPAÇO

Com o movimento de desindustrialização, os moradores ganham também mais espaço nos imóveis, já que as construtoras puderam aproveitar terrenos gigantescos deixados por fábricas.

A Tognato, que produz cobertores, deu lugar a um condomínio de 18 prédios em São Bernardo. Uma antiga área industrial da família Mata- razzo, na rodovia Anchieta, foi ocupada por dez torres.

Brastemp, Pirelli e fabricantes de tintas, fertilizantes e plásticos são outras cujos terrenos estão hoje tomados pelos empreendimentos comerciais e residenciais.