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Construção civil investe em imóveis com soluções para idosos

segunda-feira, outubro 22nd, 2012

Portal Fator

Uso de barras de apoio e rampas são algumas das medidas adotadas.

A população idosa no Brasil está em crescimento. Já são 14 milhões de pessoas com 65 anos ou mais no país, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e a tendência é que esse número aumente nos próximos anos devido à expansão da expectativa de vida. Atento a esse público, o mercado da construção civil investe cada vez mais em imóveis com soluções para a terceira idade.

A construtora e incorporadora Cosil, por exemplo, oferece o programa Planta Acessível, idealizado especialmente para quem necessita de medidas especiais no imóvel. “É uma estrutura pensada em facilidades para as pessoas. Criamos soluções que conseguem atender ao público da terceira idade, por exemplo”, afirma Jéssica Silva, diretora comercial da Cosil.

O projeto oferece a personalização da planta do imóvel para atender às especificações do público diferenciado e não gera nenhum custo adicional às unidades. Segundo Jéssica, as medidas adotadas devem ser práticas e eficientes.

“Detalhes simples fazem a diferença para esse público, crescente no país. Barras de apoio nos banheiros, altura ideal das pias, alguns ambientes mais largos e até o posicionamento confortável das maçanetas são exemplos de características essenciais nas plantas desses clientes”, pontua.

Além de estrutura adequada, o interior do imóvel também merece atenção especial com adoção de medidas específicas como uso de iluminação natural para banhos de sol, que fortalecem as articulações. “É importante deixar o imóvel com espaços transitáveis bem livres, usando pouca mobília, posicionando os móveis em locais que não causem acidentes domésticos, muito comuns nesta idade. Evitamos o uso de tapetes, desníveis e móveis com quinas pontiagudas”, finaliza a arquiteta Roberta Pessoa de Melo, da Amplus Projetos de Espaços.

Com fecundidade baixa, Brasil deve ser tornar país de idosos

quarta-feira, outubro 17th, 2012

Dados do Censo 2010 revelam que o número de filhos por mulher, de 1,9 filho, está abaixo da taxa de reposição da população
Isabela Vieira, da Exame.com

Anticoncepcional a queda foi influenciada por práticas contraceptivas, entre as quais, a esterilização feminina

Rio de Janeiro - Dados do Censo 2010 divulgados hoje (17) pelo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirmam que a taxa de fecundidade no país (número de filhos por mulher), de 1,9 filho, está abaixo da taxa de reposição da população – de 2,1 filhos por brasileira. Têm mais filhos mulheres do Norte e Nordeste, além de pretas e pardas, pobres e menos instruídas.

O dado consolida a trajetória de queda da fecundidade, a partir da década de 1970 e influencia o perfil etário da população: o Brasil tende a ser tornar um país de idosos. O número de filhos por mulher chegou a 6,28 em 1960, antes de cair para 2,38, em 2000. Atualmente, com 193 milhões de pessoas, o Brasil é um país jovem, cuja população cresceu 1,7% na última década.

O número de filhos na área rural influenciou a menor diminuição da taxa de fecundidade. Embora tenha diminuído de 3,4 filhos para 2,6, entre 2000 e 2010, é maior do que o verificado nas áreas urbanas (de 2,18 para 1,7). Por isso, a taxa final difere da divulgada recentemente pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), de 1,7 filho, que não ouve mães camponesas.

A queda no número de filhos por mulher se deu de forma diferente nas regiões do país. Foi influenciada por práticas contraceptivas, entre as quais, a esterilização feminina, com forte impacto na redução de filhos no Norte e Nordeste, ressalta o IBGE. Mesmo assim, em 2010, o Norte é a única região com taxa de fecundidade acima da de reposição.

Outro fator que influenciou a queda foi a diminuição do número de filhos entre as mulheres mais jovens nas faixas de 15 a 19 anos e de 20 a 24 anos, que vivem em área urbana. Elas contribuem com maior peso no cálculo da taxa, assim como as mulheres pretas e pardas, que têm, em média 2,1 filhos por mulher. Entre as brancas, que têm filhos entre 25 e 29 anos, o índice fica em 1,6.

A diminuição da fecundidade também está relacionada à renda e ao nível educacional. Entre as menos escolarizadas, o número de filhos chega a três, enquanto fica em um, no caso das mais instruídas. Atualmente, 66% das mulheres em idade fértil no país têm ensino fundamental completo.

Mundo terá 1 bilhão de idosos em dez anos e falta estratégia, adverte ONU

terça-feira, outubro 2nd, 2012

O Estado de S. Paulo

O mundo terá 1 bilhão de idosos dentro de dez anos e os países devem adotar estratégias próprias, em especial na área de saúde, para assegurar o bem-estar presente e futuro desse segmento da população. O alerta é de um relatório divulgado ontem, em Genebra, pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA, na sigla em inglês).

De acordo com a ONU, 1 em cada 9 pessoas no mundo tem 60 anos ou mais (o equivalente a 11,5% da população mundial) e o envelhecimento, embora seja um fenômeno comum a nações ricas e pobres, está aumentando mais rapidamente nos países em desenvolvimento - onde vivem 2 de cada 3 pessoas idosas.

Na última década, o número de idosos no mundo aumentou em 178 milhões de pessoas. A cada segundo, 2 pessoas celebram o 60.º aniversário. O relatório atribui o crescimento dessa faixa a melhoras na nutrição, nos avanços da medicina, nos cuidados com a saúde, no ensino e no bem-estar econômico.

Esse conjunto de fatores fez crescer substancialmente a expectativa de vida no mundo - hoje, de 78 anos nos países desenvolvidos e de 68 anos nas regiões em desenvolvimento. Em 2050, a população idosa mundial deverá atingir 2 bilhões de pessoas.

A questão é como enfrentar esse crescimento. “As implicações sociais e econômicas deste fenômenos são profundas, estendendo-se para muito além do idoso e sua família, alcançando a sociedade inteira”, afirma o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

Por essa razão, o relatório sugere a adoção de novas políticas, estratégias, planos e leis específicos para os mais velhos. Hoje, 47% dos idosos e 23,8% das idosas participam da força de trabalho. O drama é quando eles deixarem de trabalhar. Apenas um terço dos países do mundo, que somam 28% da população mundial, conta com planos de proteção social abrangente para os idosos. Nos países em desenvolvimento, os custos com pagamento de pensão para a população idosa variam de 0,7% a 2,6% do Produto Interno Bruto (PIB).

Furo. No Brasil - que tem 23,5 milhões de idosos, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2011 -, a questão previdenciária também é apontada como o principal problema decorrente do envelhecimento, segundo o geriatra Fernando Bignardi, coordenador do Centro de Estudos do Envelhecimento da Unifesp. “Todo o processo foi calculado para pessoas que viveriam até 70 anos. Com o aumento dos anos de vida, está havendo um furo no cálculo. Agora é preciso pensar em como garantir uma renda mínima para as pessoas que estão envelhecendo”, diz.

O segundo problema, para ele, é que a medicina convencional não se preparou para atender os idosos. “A medicina convencional atribui a cada diagnóstico, um tratamento. Não é incomum encontrar um idoso com a prescrição de 80 cápsulas por dia.”

O relatório adverte que saídas precisam ser adotadas desde já. Hoje, apenas o Japão tem um índice de idosos que corresponde a mais de 30% da população. Por volta de 2050 - quando haverá mais idosos que crianças menores de 15 anos em todo o mundo-, outros 64 países farão parte deste grupo. / AP e REUTERS, COLABOROU MARIANA LENHARO

Idosos voltam ao mercado de trabalho

terça-feira, março 20th, 2012

Falta de mão de obra qualificada e amplo conhecimento técnico na sua área de atuação vem tornando esse público mais atrativos
ESTADAO.COM.BR

MÁRCIA RODRIGUES
Os idosos estão voltando ao mercado de trabalho com tudo. Pesquisa feita pela consultoria de recursos humanos Hays, aponta que 20% das companhias contratam profissionais aposentados. Desse total, 75% para cargos técnicos, 33% para a diretoria e 28% para a gerência. O motivo: falta de mão de obra qualificada, redução de custos e, principalmente, amplo conhecimento técnico.

“É comum as empresas, por questões estratégicas, optarem por trocar dois profissionais juniores por um sênior, que trará mais expertise para o negócio. Principalmente quando a companhia passa por um período de contenção de gastos e que precisa dar uma guinada no mercado”, comenta o gerente de expertise da Hays, André Magro.

Segundo o especialista, principalmente as áreas técnicas como de engenharia e de finanças e comercial estão bastante interessadas nesse público. Magro estima que o mercado ficará ainda mais aquecido para os profissionais com mais de 60 anos nos próximos oito anos por causa do aumento da demanda.

“Com a situação econômica favorável ao Brasil, muitas empresas estão trazendo novos projetos para o País. E são projetos de longo prazo, que necessitam de mais gente. E mesmo com o volume de profissionais que se forma todos os anos nas universidades, haverá um déficit de mão de obra. Por isso, os aposentados e seniores serão muito requisitado. Além de dominarem perfeitamente a sua área, trazem resultados imediatos à corporação. Muitos, inclusive, voltam ao mercado como consultores”, diz.

É o caso do contabilista da FBM Consulting, Osvaldo Cesarino, de 59 anos. Aposentado há seis anos, ele investiu em uma consultoria própria nos primeiros anos de “liberdade” e depois foi convidado pela empresa para voltar ao mercado de trabalho em 2011. Hoje, ele presta consultoria para os clientes da FBM e cumpre uma carga horária de oito horas por dia.

Atividade. “Gosto de ficar ativo. Tenho experiência e muito gás para queimar. Já trabalhei 12 horas por dia. Para mim o que faço hoje é tranquilo. É uma forma de complementar a minha renda mensal - afinal todos sabem do encolhimento dos salários com a aposentadoria - e me manter ocupado”, ressalta.

Outro que não quer trocar a vida corporativa por nada é o consultor de recursos humanos da BDO RCS Nelson Moschetti, de 68 anos. Aposentado há 16 anos, teve pouco tempo de descanso antes de ingressar na empresa em 2001. Desde então, dedica boa parte do seu dia a desenvolver projetos de gestão para os clientes da empresa. “Meu xodó é o treinamento gerencial que ofereço para profissionais que ocupam cargos de chefia. Afinal, todo chefe precisa saber gerenciar uma equipe”, comenta.

Para ele, além do complemento salarial, trabalhar é uma forma de se manter “antenado” e aprender. “Nunca podemos acreditar que não temos mais nada para conhecer. É muito gratificante ensinar aos jovens e trocar experiências com eles. Já aprendi muita coisa e vou continuar aprendendo”, diz.

Na opinião da vice- presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), Elaine Saad, vários fatores vêm contribuindo para o retorno de pessoas com mais de 60 anos ao mercado de trabalho. O primeiro, segundo ela, é a escassez de mão de obra. “Há profissionais no mercado, mas não com o domínio técnico e de gestão deste público. Com a velocidade que as coisas estão caminhando, não há tempo suficiente para formar pessoas e atender o mercado.”

Outro ponto favorável é a ascensão meteórica da geração Y, que vem assumindo cargos de chefia. “Eles não têm a vivência necessária para ocupar certas posições. E muito da experiência profissional que temos é do conhecimento de vida. As empresas perceberam isso e trouxeram profissionais mais maduros também para cargos de chefia para conseguir um equilíbrio”.

De acordo com Elaine, o mercado também vem abrindo oportunidades para cargos antes ocupados apenas por jovens como caixas e atendimento. “São pessoas maduras e que gostam de lidar com pessoas. Principalmente a simpatia e a atenção especial que eles dão ao cliente vêm sendo apreciada pelas companhias, que necessitam de profissionais com esse perfil.”

Para a diretora da consultoria de recursos humanos Solução Labor, Suyen Miranda, “os idosos serão a bola da vez do mercado de trabalho”. “Temos percebido uma procura considerável por esses profissionais, principalmente em áreas técnicas e de relacionamento com o cliente.”

Suyen acredita que o interesse pelos idosos começou com a necessidade de inclusão social. Segundo ela, quando as empresas começaram a contratar profissionais com necessidades especiais, por determinação da justiça, perceberam que precisavam de pessoas para conduzi-las no ambiente corporativo. Durante o processo seletivo, observaram que os idosos tinham um desempenho melhor do que os candidatos com menos de 30 anos. “As empresas começaram a perceber que eles traziam mais resultado no atendimento, no ponto de venda e nas áreas técnicas.”

A diretora ainda comenta que um estudo feito no setor da construção civil apontou a necessidade de se trazer profissionais de engenharia de volta ao mercado. “Eles conhecem as técnicas que foram feitas antes do advento do computador. Sabem montar na mão um desenho de um mapa esquemático, de um sistema, de uma planta. E isso vem sendo valorizado no mercado.”

Maturidade e simpatia são qualidades de profissionais

terça-feira, março 20th, 2012

Companhias que querem melhorar atendimento ao cliente começaram a contratar funcionários da terceira idade
O Estado de S.Paulo

A simpatia e o carisma dos idosos também estão atraindo empresas interessadas em estreitar o relacionamento com o seu cliente. O Grupo Pão de Açúcar criou, em 2004, o “Programa da Terceira Idade” para contratar pessoas com mais de 55 anos. Basta entregar um currículo em qualquer loja do grupo ou preencher um cadastro no site: http://www.grupopaodeacucar.com.br

“Nem todos têm experiência. Muitas das senhoras que atuam como consultoras nas lojas, por exemplo, são donas de casa. Elas orientam os clientes sobre qual é o melhor produto de limpeza ou molho para fazer determinados pratos”, comenta a gerente de recursos humanos do grupo, Vandreia Oliveira. Os idosos também ocupam funções como caixas e empacotadores. “São atividades que exigem mais contato com o cliente e eles são muito dispostos e gostam de dar mais atenção”, diz.

O operador de supermercado Chin Ko Ghien, de 61 anos, entrou na rede em janeiro deste ano. Soube da vaga por um anúncio. “Já trabalhei em caixa de mini mercado e resolvi me candidatar”, diz. Ghien ainda não é aposentado. Faltam quatro anos para completar o tempo de serviço exigido por lei - 35 anos para homens e 30 para mulheres.

“Pretendo continuar trabalhando até depois de me aposentar. Gosto do contato com os jovens e da nossa troca de experiências”, comenta.

Outra empresa que criou um programa específico para a contratação desse público foi a Pizza Hut. Cerca de 10% do quadro de funcionários são da terceira idade. Desde 2003, a rede busca candidatos com mais de 60 anos para a área de atendimento. “Mas já há profissionais na supervisão e na gerência. Eles têm o mesmo plano de carreira dos outros funcionário da empresa”, conta a gerente de recursos humanos, Daniella Cristina.

A recepcionista Dora Garcia, de 61 anos, está na rede há três anos. Todos os dias ela capricha na maquiagem e no penteado para receber os clientes na porta da loja de Pinheiros e levá-los até a mesa. “Gosto de me arrumar e de conversar com as pessoas. É gratificante fazer algo que gosto e ainda ganhar por isso”, diz.

Por fazer parte do programa, Dora tem o horário mais flexível do que os demais funcionários. Ela trabalha quatro horas por dia, das 11 horas às 15 horas. “Alguns preferem trabalhar mais horas, mas eles escolhem o tempo de serviço”, conta a gerente de RH. Para se candidatar, basta entregar o currículo em uma das lojas da rede ou se inscrever no site: www.pizzahutsp.com.br.

Idosos terão direito a 3% das cotas do ‘Minha Casa, Minha Vida’

quinta-feira, dezembro 29th, 2011

Mesmo porcentual de unidades habitacionais deverá ser reservado para pessoas com deficiências
Sandra Manfrini, da Agência Estado

BRASÍLIA - O governo publicou nesta terça-feira, 27, no Diário Oficial da União novas regras para seleção dos beneficiários do Programa Minha Vida, Minha Vida. A Portaria 610, do Ministério das Cidades, estabelece critérios de priorização e as condições e procedimentos para a seleção dos beneficiários do programa. Entre esses critérios, está a reserva de no mínimo 3% das unidades habitacionais para atendimento aos idosos. O mesmo porcentual deverá ser observado para atendimento a pessoas com deficiência ou cuja família façam parte pessoas com deficiência.

A norma anterior não previa o porcentual mínimo para esses dois grupos, apenas dizia que “o ente público indicará as pessoas com deficiência de acordo com a quantidade de unidades habitacionais adaptadas ou adaptáveis do empreendimento e os candidatos idosos de acordo com os percentuais mínimos previstos nos normativos específicos dos programas integrantes do PMCMV”.

A nova portaria também não menciona mais o limite da renda familiar bruta para os candidatos ao programa. Antes, os candidatos deveriam ter renda familiar bruta limitada a R$ 1,395 mil.

Em 2050, o mundo terá 2 bilhões de idosos

sexta-feira, abril 1st, 2011

Cientistas debatem as mudanças que terão de ocorrer no Brasil e em outros países em função do envelhecimento da população
Fábio de Castro, da Agência FAPESP

São Paulo — O envelhecimento e a urbanização são tendências demográficas importantes no século 21. A população urbana, que já corresponde à metade da humanidade, dobrará até 2050, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU). Por outro lado, se hoje existem cerca de 600 milhões de pessoas com mais de 60 anos, em 2050 a população nessa faixa etária será de quase 2 bilhões.

A consequência disso é que a sociedade precisará repensar o lugar dos idosos nas cidades e implantar uma nova cultura do envelhecimento. Essa é uma das principais conclusões dos especialistas que participaram, no dia 29 de março, em São Paulo, da mesa-redonda “Aspectos urbanos e habitacionais em uma sociedade que envelhece”.

O evento integrou a programação do ciclo “Idosos no Brasil: Estado da Arte e Desafios”, promovido pelo Institutos de Estudos Avançados (IEA) da Universidade de São Paulo (USP), pelo Grupo Mais-Hospital Premier e pela Oboré Projetos Especiais de Comunicação e Artes.

Coordenada por David Braga Jr., do Grupo Modelo de Atenção Integral à Saúde (Mais), a mesa-redonda – a terceira do ciclo – teve a participação de Alexandre Kalache, da Academia de Medicina de Nova York (Estados Unidos), e de Guita Grin Debert, professora do Departamento de Antropologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Crescimento de 350%

De acordo com Kalache, carioca que dirigiu por 13 anos o Programa Global de Envelhecimento e Saúde da Organização Mundial da Saúde (OMS), os dados da ONU mostram que a população mundial crescerá cerca de 50% (para 9 bilhões) até 2050. No mesmo período, a população acima de 60 anos terá aumentado 350%, sendo que a maior parte desse aumento ocorrerá nos países em desenvolvimento, cada vez mais urbanizados.

Essa perspectiva de futuro, segundo ele, deverá ser compreendida pela sociedade, que precisará desenvolver com urgência uma “cultura do envelhecimento” – o que inclui mudanças nas cidades e no comportamento ao longo da vida. “É importante destacar que 2050 não é uma data distante. Os idosos de quem estamos falando são as pessoas que hoje já são adultas, que podem ter 20 ou 40 anos. Por isso, é fundamental personalizar a mensagem”, disse.

Com os avanços da medicina e da própria sociedade urbana, a parcela da vida que um indivíduo passa na condição de idoso será cada vez maior, apontou o especialista. Com essa tendência, já ocorre uma mudança de paradigmas em relação ao que significa envelhecer. “A ideia da vovó fazendo tricô e do vovô de pijama, lendo jornal, é um estereótipo do envelhecimento que não nos serve mais”, disse.

Segundo Kalache, quando o prussiano Otto Von Bismarck implementou pela primeira vez a aposentadoria, no século 19, a expectativa de vida na Alemanha era de 45 anos e os idosos tinham muito menos acesso à saúde. Se continuassem trabalhando, teriam produtividade baixíssima e criariam muitas dificuldades no ambiente de trabalho. “Era plausível dar um dinheirinho para que o idoso ficasse em casa pelos poucos anos que lhe restavam. É óbvio que isso não pode dar certo nas condições atuais, muito menos nas condições que teremos até 2050. É preciso que os jovens reinventem seu planejamento de vida”, afirmou.

No modelo convencional, a primeira etapa da vida era dedicada ao aprendizado, enquanto a segunda etapa era voltada para a produção e a aplicação do aprendizado no trabalho. A etapa final seria dedicada ao descanso e ao ócio. “Não podemos mais pensar assim. A expectativa de vida é cada vez mais longa e as pessoas serão idosas por um período cada vez maior de suas vidas. Elas terão condições de produzir até uma idade bem mais avançada. Por outro lado, a pessoa não pode mais parar de adquirir conhecimento aos 25 anos de idade, pois o aprendizado fica obsoleto cada vez mais cedo”, disse.

Aprendizado prolongado

Se a produção e o trabalho serão uma realidade cada vez mais presente na velhice, em contrapartida a aquisição de conhecimento não poderá mais ficar confinada apenas às primeiras décadas. “É do interesse da sociedade que a pessoa mantenha o aprendizado e que produza ao longo de toda a vida. As pessoas terão oportunidades – que a sociedade vai precisar oferecer – para se reciclar, estudar e se reavaliar”, afirmou.

De acordo com Kalache, a capacidade funcional dos indivíduos será preservada, cada vez mais, para além dos 65 anos. Com isso, espera-se que a aposentadoria compulsória possa ser revista. “Isso é saudável, porque o passado idealizado do idílio do pijama e do tricô é algo que talvez nunca tenha existido. Na maior parte dos casos, sob esse estereótipo se escondia um idoso sem autonomia, sofrendo abusos e deprimido”, disse.

O envelhecimento e a urbanização, segundo Kalache, são as duas principais tendências demográficas do século 21. O Brasil, segundo ele, é um modelo adequado para se observar essa realidade. “Somos um país emergente já urbanizado, que envelhecerá mais do que qualquer outro. Mas temos que fazer nossa própria discussão sobre o envelhecimento. Os modelos do Japão, da Dinamarca ou da França não nos interessam. Esses países enriqueceram primeiro, depois envelheceram. Não teremos essa oportunidade. Se imitarmos esses modelos, vamos apenas perpetuar a desigualdade”, disse
No Brasil, segundo Kalache, a população de mais de 60 anos passou de 8% para 12% nos últimos 30 anos. Na França, foram necessários 115 anos para que a proporção de idosos passasse de 7% para 14%. “Por outro lado, a concentração urbana também foi vertiginosa no Brasil. Um terço da população vivia em cidades em 1945 e hoje essa proporção passou para 87%. Vamos precisar mudar a realidade do idoso no contexto urbano – e para isso é fundamental ouvi-lo e fazê-lo contar como é a experiência de ser idoso na cidade”, afirmou.

Kalache foi responsável pela publicação, em 2007, do Guia da OMS das Cidades Amigas dos Idosos, produzido com base em pesquisas em 35 cidades em todo o mundo, fundamentadas em entrevistas com grupos focais de idosos durante seis meses. Uma das experiências do programa foi feita no bairro de Copacabana, no Rio de Janeiro, onde Kalache nasceu. Em 33 anos na Europa, o pesquisador fundou o Departamento de Epidemiologia do Envelhecimento da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, no Reino Unido. Hoje, trabalha na criação de um Centro Internacional de Políticas para o Envelhecimento.

Questão pública

Guita Debert, que integra a coordenação da área de Ciências Humanas e Sociais da FAPESP e coordena o Núcleo de Estudos de Gênero Pagu da Unicamp, destacou que trabalhar com a velhice representa um enorme desafio, já que a questão passou por muitas modificações recentes.

Um dos principais panos de fundo dessa mudança é que a velhice, que historicamente dizia respeito à esfera privada, vem se tornando cada vez mais uma questão pública. “A velhice passou a fazer parte da geografia social, por assim dizer. À medida que a gerontologia se consolidou como saber específico, criado para identificar necessidades do idoso, ela se tornou um ator político e também um agente do mercado de consumo”, afirmou.

Inicialmente focada na ideia do idoso como um indivíduo que perde os papéis que tem na sociedade, a gerontologia passou a mudar seu enfoque a partir da década de 1980. “Em vez de um momento de perdas, a velhice passou a ser considerada um momento de lazer, de novas experiências e projetos. A velhice foi deixando de ter o sentido de uma perda do papel na sociedade e se tornou o momento de direito ao não-trabalho, na qual o lazer se torna central.”

Segundo Guita, o Brasil adquiriu know-how e sofisticação nas opções de lazer e atividades para os idosos. Mas isso se limita aos “jovens idosos”, isto é, aquela parcela que preserva sua autonomia funcional. “Há um grande contraste. Para os idosos que têm a autonomia funcional comprometida, estamos em estágio precário, não oferecemos nada”, afirmou.

Para integrar o idoso à cidade, segundo a pesquisadora, não basta levar em conta apenas a diversidade de poder aquisitivo, raça e local de moradia, entre outros fatores. É necessário também pensar nas diferenças de autonomia e capacidade. “É preciso avaliar sobretudo as diferenças de custos de políticas públicas para os idosos ‘jovens’ e para os outros. É hipocrisia dizer que existe uma política para idosos, se ela só está beneficiando justamente a parcela que tem menos dificuldades. São boas iniciativas, mas têm foco apenas em uma parcela privilegiada dos idosos”, disse.

A antropóloga destacou também que as mudanças ocorridas no espaço urbano recentemente podem permitir um aprimoramento da autonomia do idoso. “Devemos fugir da confusão entre morar só e estar submetido à solidão. Principalmente porque hoje é possível operar com a ideia da intimidade a distância, viabilizada pelos meios de comunicação, sobretudo eletrônicos. E isso pode ocorrer até mesmo fora das relações familiares.” Segundo ela, a gerontologia ainda valoriza profundamente a ideia de manter o idoso junto à família, fechado no universo privado. “É importante rever essa ideia, quando pensamos na cidade que acolhe o idoso”, afirmou.

Integração x segregação

Estudos realizados em ciências sociais, em especial na antropologia, mostram que se tinha pouca informação sobre a vida do idoso há 100 ou 200 anos, segundo Guita. Ainda assim, é provável, segundo ela, que a vida no seio da família tenha sido a preferência do idoso apenas quando ele não tinha a opção de ser autônomo.

A antropóloga sugeriu também que seja repensada a oposição entre integração e segregação. Segundo ela, os trabalhos sobre envelhecimento não confirmam a ideia de que a integração com sociedade multigeracional garante o bem-estar do idoso. “Muitas vezes, nos ambientes onde todos são idosos, a velhice deixa de ser uma marca identitária e a satisfação passa a ser maior. Há uma busca de independência e de estar entre os iguais, de forma similar aos adolescentes. É importante não ter uma visão binária de segregação e integração”, afirmou.

A preservação da vida na comunidade é outra ideia predominante no senso comum, segundo Guita. Para preservar a qualidade de vida do idoso, nessa concepção, o indivíduo deveria permanecer sempre na mesma casa, ou bairro. “Mas isso nem sempre é verdade, porque a dinâmica urbana é muito intensa. Os bairros podem passar por rápidos processos de degradação. Ou podem passar por um súbito enriquecimento, fazendo com que os antigos moradores desapareçam. Nesses casos, as perdas da coletividade estão muito presentes. A ideia de que a comunidade é sempre boa e deve permanecer deve ser revista”, disse.

A pesquisadora destacou também a importância de se dar voz aos idosos. “Essa já é uma ideia muito presente, mas é preciso valorizar a pluralidade de vozes. Não se pode ouvir representantes, mas os protagonistas, em toda sua diversidade. É preciso que haja vozes dissonantes”, disse.

Guita criticou ainda as políticas públicas brasileiras em relação ao novo papel assumido pela família quanto à responsabilidade pelo idoso. “Há uma hipocrisia nas políticas de distribuição de renda que têm enfoque familiar. Elas concentram as responsabilidades na família e, em especial nas mulheres, que acabam assumindo essas obrigações”, afirmou.