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Grilagem milionária no Recreio dos Bandeirantes

quinta-feira, maio 3rd, 2012

O banqueiro Salvatore Cacciola e quatro construtoras disputam terreno onde se ergue o Thai Condominium Club, a 50 quilômetros do centro do Rio

Caio Barretto Briso e Sofia Cerqueira, Veja Rio

Os lotes onde são erguidas as duas torres fazem parte de uma vasta área de 20 000 metros quadrados que é alvo de uma enroladíssima disputa judicial

Rio de Janeiro - As obras do Thai Condominium Club, no Recreio dos Bandeirantes, a 50 quilômetros do centro do Rio, acontecem em ritmo acelerado, com operários trabalhando inclusive no turno da noite para que tudo por ali fique pronto até julho de 2013.

Lançado em outubro de 2010, o conjunto residencial foi um sucesso absoluto de vendas: seus 244 apartamentos de dois e três dormitórios acabaram sendo negociados ao preço médio de 400 000 reais em poucas semanas. Símbolo de uma cidade que se expande pela Zona Oeste, o empreendimento seria apenas mais um entre as dezenas que brotam na região, não fosse a complicada história dos terrenos que ocupa.

Os lotes onde são erguidas as duas torres fazem parte de uma vasta área de 20 000 metros quadrados que é alvo de uma enroladíssima disputa judicial. Trata-se de uma trama que envolve assinaturas falsificadas, nomes poderosos e pessoas de poucas posses que se tornaram proprietárias do dia para a noite.

Considerando o potencial de construção daquela área, a cifra em jogo é da ordem de 300 milhões de reais e põe em campos opostos o antigo dono, o notório ex-banqueiro Salvatore Alberto Cacciola, o italiano Luca Nicolotti, que se apresenta como o verdadeiro detentor da posse legal e vítima do golpe, e quatro construtoras. Entre elas está a João Fortes Engenharia, capitaneada pelo bilionário Antônio José de Almeida Carneiro, conhecido na alta-roda carioca como Bode. “Roubaram tudo”, acusa Nicolotti.

Com quase 500 páginas, o inquérito policial que investiga o caso é bastante completo e destrincha os meandros da falcatrua. A história começa com um dos maiores escândalos financeiros do país.

Disperso entre a Avenida das Américas e a Estrada do Pontal, o terrenão pertencia originalmente ao banqueiro Alberto Cacciola, que o registrou em nome de uma empresa sediada no Uruguai.

Com a falência de seu banco, o Marka, em 1999, essa mesma empresa foi repassada a um grupo italiano amigo, hoje nas mãos do construtor romano Luca Nicolotti. Sem apoio do parceiro local, que ficou preso até recentemente, e com o mercado imobiliário em baixa, ele deixou o negócio parado até 2010, quando finalmente veio ao Brasil para conhecer sua propriedade.

Na visita, teve uma bela surpresa: descobriu que o terreno, dividido em dez lotes, havia sido repassado para pessoas e empresas com as quais nunca teve contato. Realizada por grileiros especializados em se apossar de imóveis na Zona Oeste, a fraude foi lavrada em nove cartórios do Rio, Niterói, Petrópolis, Duque de Caxias e Nova Iguaçu.

Segundo a documentação forjada, a representante legal de Nicolotti, a uruguaia Adriana Moreno Sosa, teria comparecido pessoalmente aos tabelionatos para efetivar as transações. O problema é que Adriana não tinha posto os pés no Brasil até fevereiro deste ano, quando foi intimada a depor na 42ª DP, delegacia responsável pela apuração do crime. Além disso, seu cargo na firma do italiano não lhe dava poderes para negociar seu patrimônio. “Estamos fazendo de tudo para prender os responsáveis. Temos indícios suficientes para dizer que os documentos usados são falsos”, afirma a delegada Adriana Belém, que, por uma irônica coincidência, trabalha em frente ao condomínio em obras.

Grosseira, a fraude reúne todos os elementos dos crimes contra a propriedade no país: a ousadia dos estelionatários, a incompetência de quem deveria evitar a manobra e os já clássicos laranjas, gente simples que empresta o nome para negócios escusos.

A transação envolvendo os terrenos comprados pela João Fortes é um exemplo emblemático dessa dinâmica. Em setembro de 2008, o ex-vigia Abílio Veiga da Trindade, 45 anos, tornou-se oficialmente dono de três dos dez terrenos. Segundo as escrituras, lavradas pelo 7º Ofício de Duque de Caxias, ele teria pago 1,7 milhão de reais pelas aquisições. A operação surpreende por se tratar de alguém que tem padrão de vida incompatível com a movimentação de tal volume de recursos.

Com os estudos interrompidos no 4º ano do ensino fundamental, Trindade foi dono de uma lojinha de informática em Vila Valqueire, subúrbio carioca, e trabalhou como vigilante do shopping Downtown, na Barra. Hoje, mora de favor na casa da mãe, em Oswaldo Cruz. Seu único bem é um Ford Fiesta 1998 - amassado. Em entrevista a VEJA RIO, ele alegou que pediu dinheiro emprestado a dois amigos e nem sequer teve conhecimento da revenda dos lotes para a João Fortes.

No início deste ano, Nicolotti desembarcou no Rio para uma derradeira tentativa de acordo com a João Fortes. Depois de acenar inicialmente com uma proposta de reparação baseada na doação de dez apartamentos, o italiano exigiu 12 milhões de reais para retirar a ação e encerrar a briga. O pedido, mais uma vez, foi negado. “Para nós, ele é um estranho. Nunca nos mostrou um documento provando ser o dono dos terrenos”, completa Rimes.

O fracasso dessa aproximação levou a uma nova investida. Desta vez, envolvendo figuras de relevo das finanças cariocas. Recém-saído da cadeia, o ex-banqueiro Alberto Cacciola ressurgiu na trama e apresentou-se como representante de Nicolotti. Nessa condição, fez uma visita ao escritório do acionista majoritário da João Fortes, Antônio José de Almeida Carneiro, o Bode.

Tratava-se de um encontro de velhos conhecidos. Assim como Cacciola, que teve a pena extinta há duas semanas, o controlador da João Fortes também foi dono de banco. Hoje seus negócios se espalham em uma miríade de participações em vários conglomerados, com patrimônio estimado em 1,1 bilhão de dólares (Bode, aliás, acaba de estrear na lista dos bilionários da revista americana Forbes).

Segundo testemunhas, além de ter se transformado em um acalorado bate-boca, a reunião acabou deixando para trás um rastro de objetos de decoração quebrados na sala, localizada em um elegante prédio do Leblon. Os dois negam o enfrentamento. “Eu o recebi em nome de uma antiga amizade, mas sou apenas um dos acionistas da João Fortes e não houve entendimento”, diz Bode. Cacciola é menos diplomático. “Com a maior cara de pau, ele disse que todos os apartamentos estavam vendidos e não havia nada a fazer. É o que veremos no tribunal”, afirma o ex-banqueiro, que pela ajuda ao amigo italiano receberá uma polpuda comissão. No processo judicial, inclusive, é citada a hipótese de que seja, desde o início, o verdadeiro dono da propriedade.

Das confusões que envolvem esses terrenos do Recreio, a briga João Fortes versus Cacciola é a que mais chama atenção. Mas não é a única. Além da ação envolvendo o condomínio Thai, existem outros nove processos contra falsários e sócios de construtoras que compraram lotes na área.

Embora tenha ouvido doze pessoas e produzido centenas de páginas de investigação, a polícia ainda não identificou o cérebro (ou cérebros) por trás do golpe, mas já tem algumas pistas. Nas transações, é recorrente o nome de um suposto corretor, Luciano José da Cruz Mata, 41 anos, foragido há pelo menos três.

Um processo contra ele foi arquivado recentemente porque a Justiça não conseguiu encontrá-lo. Outra figura que se repete no esquema é o gaúcho Rômulo Augusto Gonçalves de Oliveira, 62 anos. Dono de uma alentada ficha policial e com dois mandados de prisão por estelionato, ele se tornou proprietário de quatro lotes entre 2009 e 2011, falsificando assinaturas e comprovantes de residência. “Casos assim evidenciam sérios problemas nos cartórios. Ou eles têm sistemas falhos de registro ou estão diretamente envolvidos no esquema”, diz a delegada Adriana Belém.

Infelizmente, casos semelhantes são muito comuns na Zona Oeste, região do Rio que cresce em ritmo asiático. Dos atuais 202 empreendimentos em construção na capital, nada menos que 127 são nessa área. Faz todo o sentido que mais da metade dos lançamentos aconteça por ali.

Afinal, é onde se concentra a maior quantidade de espaços disponíveis no município. Pela mesma razão, os grileiros encontram no triângulo Barra-Recreio-Jacarepaguá solo fértil para suas trapaças. Em 2010, foi descoberta uma quadrilha chefiada por um delegado da Polícia Civil.

O bando tinha contatos em vários cartórios e atuava no “ramo” há mais de duas décadas. Recentemente, a área em que a Confederação Brasileira de Futebol pretende construir um centro de treinamento e o museu do futebol foi alvo de disputa semelhante. Espera-se que episódios lamentáveis como esse não se repitam e, principalmente, não transformem o sonho da casa própria de famílias inocentes em pesadelo.

Lançamentos da Gafisa caem 10% no 1º trimestre

sexta-feira, abril 13th, 2012

Incorporadora teve lançamentos de R$ 463,7 milhões de janeiro a março, de acordo com prévia de resultados operacionais

Reuters

A incorporadora Gafisa teve lançamentos de R$ 463,7 milhões no primeiro trimestre do ano, queda de 10% na comparação anual, de acordo com prévia de resultados operacionais divulgada pela companhia.

Os resultados, segundo a empresa, representam 15% da expectativa média de lançamentos para 2012 - de R$2,7 bilhões a R$3,3 bilhões - e “está de acordo com prévia de resultados operacionais divulgada pela companhia”, informou em comunicado na noite de quinta-feira.

As vendas contratadas somaram R$408,2 milhões de janeiro a março, despencando 50% sobre um ano antes.

No período, a incorporadora entregou 34 projetos, que envolveram 6.165 unidades, com valor geral de vendas de R$1,1 bilhão, praticamente o dobro sobre a comparação anual.

O caixa da Gafisa totalizava R$900 milhões ao fim dos primeiros três meses do ano, estável frente ao fim do ano passado.

Imóvel no dispositivo móvel

quinta-feira, abril 12th, 2012

Cyrela lança novo site para celular com possibilidade de ligação direta a partir do anúncio

Por João Varella, Isto é Dinheiro

A incorporadora Cyrela pretende lançar sexta-feira (13) ou segunda-feira (16) uma nova versão mobile do seu site. Além de ter um design otimizado para esse tipo de dispositivo, os usuários poderão ligar para a empresa diretamente da web pelo celular com apenas um clique, entre outros recursos.

O atual site para celulares da empresa será totalmente reformulado, segundo disse o gerente-geral de e-business da Cyrela, Fernando Moulin, durante o Mobilize Breakfast, evento que aconteceu em São Paulo na manhã desta quinta-feira (12).

“A gente colocou um mobile site, mas com poucas funcionalidades. Agora a gente vai colocar esse da Cyrela com mais funcionalidades e depois vamos colocar para as outras empresas”, disse Moulin à DINHEIRO. Além da Cyrela, a holding do grupo conta com a incorporadora Living, a BRC Gestão de Propriedades, entre outras.

Moulin também fez um balanço da operação na web da empresa, cujos sites tiveram 7 milhões de acessos na internet e 237 mil contatos que possibilitaram vendas. Os negócios gerados por meios digitais somaram R$ 1,37 bilhão. Em 2011, a Cyrela Brazil Realty S.A. registrou R$ 7,9 bilhões em lançamentos imobiliários.

PDG Realty mantém Zeca Grabowsky na presidência (pelo menos por enquanto)

quarta-feira, abril 4th, 2012

Atualmente, a PDG passa por um processo de unificação de suas operações
Tatiana Vaz, de Exame.com

Grabowsky seria substituído pelo atual diretor financeiro, segundo rumores de mercado

São Paulo - O presidente-executivo da PDG Realty, Zeca Grabowsky, deve permanecer no cargo ao contrário do que apontavam alguns rumores de mercado nesta semana. Grabowsky seria substituído pelo atual diretor financeiro e de relações com investidores da PDG, Michel Wurman, e poderia alçar uma função no conselho de administração da incorporadora e construtora.

“Revemos a ideia de uma possível troca de comando e decidimos que o melhor seria deixar tudo como está pelo momento atual da companhia”, disse ele em teleconferência com analistas hoje. “Nem queremos mais tocar nesse assunto neste primeiro semestre, voltaremos a falar sobre isso em um momento mais propício.”

Atualmente, a PDG passa por um processo de unificação das operações e acaba de apresentar resultados abaixo das expectativas dos analistas de mercado. Em 2011, a empresa teve lucro líquido de 707,439 milhões de reais, queda de 15% ante 2010. Pelo critério ajustado, o lucro foi de 783,025 milhões de reais, caindo 11% frente ao ano anterior.

Grabowsky comandou a aquisição da Agre, em maio de 2010, que reunia Agra, Abyara e Klabin Segall por 2,43 bilhões de reais, iniciativa que fez da PDG a maior empresa no setor de construção e incorporação, superando sua principal rival, a Cyrela Brazil Realty.

Gafisa recusa proposta de venda

quarta-feira, fevereiro 29th, 2012

Incorporadora afirmou que seus ativos e negócios foram subavaliados pela GP Investimentos e Equity Internacional
Daniela Barbosa, de Exame.com

Gafisa recusa proposta feita pela GP Investimentos e Equity Internacional

São Paulo - A Gafisa confirmou, nesta quarta-feira, que recebeu da GP Investimentos e da Equity Internacional proposta para vender alguns ativos da companhia, conforme antecipou o blog Faria Lima, de EXAME no fim de janeiro.

A Gafisa criou um comitê especial e contratou assessores financeiros para avaliarem a proposta. No entanto, chegou a conclusão que a proposta feita subavalia os ativos e negócios envolvidos da companhia.

“Isso implicaria em substanciais custos de transação e em altos riscos de execução”, disse a Gafisa, em nota.

De acordo com o comunicado, a incorporadora não forneceu acesso a nenhuma informação confidencial ou entrou em negociações com os investidores ou terceiros.

“Continuamente avaliamos novas oportunidades de desenvolver nossos negócios e ativos e vamos continuar avaliando qualquer futura oferta apresentada”, afirmou.

Rodobens volta a pisar no acelerador

segunda-feira, fevereiro 13th, 2012

Depois de abrir o capital e cometer uma série de erros, incorporadora foi obrigada a fazer ‘parada técnica’ para corrigir a rota

MARINA GAZZONI - O Estado de S.Paulo
Enquanto boa parte das incorporadas pisa no freio para arrumar a casa, a Rodobens Negócios Imobiliários acelera. Não é que a empresa tenha passado ilesa pelos problemas comuns às grandes companhias do setor - muitas cresceram rápido demais, perderam o controle dos custos e precisaram parar para se reestruturar. A Rodobens diz que já fez a lição de casa e agora está pronta para voltar a crescer.

A decisão de reestruturar a companhia veio após uma série de erros. Os sintomas de que a empresa não ia bem apareceram no fim de 2010. A Rodobens Negócios Imobiliários chegou a um nível de endividamento acima de 100% do patrimônio líquido, patamar perigoso para uma empresa do setor imobiliário.

A ânsia pelo crescimento levou a uma sequência de decisões que sangraram o caixa da companhia. Um dos principais problemas foi a dificuldade da empresa em se adequar aos parâmetros da Caixa Econômica Federal, o grande financiador de empresas e clientes na área de habitação popular, o foco da Rodobens.

Com projetos fora do padrão do banco, a empresa não conseguiu aproveitar plenamente os benefícios do crédito associativo, modalidade pela qual a Caixa financia a obra. Assim, a incorporadora consegue antecipar pagamentos que clientes fariam no decorrer da construção. Fora desse sistema, a incorporadora arca com custos da obra, que são maiores do que os valores que têm a receber dos clientes nesse período. E só depois que o empreendimento estiver pronto os clientes são repassados para o banco. Há, portanto, um consumo de caixa.

Na hora de vender, a empresa também errou. Muitas vezes aceitou clientes que não se enquadravam no padrão de renda exigido pela Caixa Econômica para receber financiamento habitacional. Sem conseguir a aprovação de crédito para a casa própria, muitos devolveram as unidades à construtora. O estoque cresceu e trouxe novos custos.

“Para atuar na baixa renda, principalmente dentro do programa Minha Casa, Minha Vida, é fundamental que a sintonia com a Caixa funcione muito bem”, avalia o analista da corretora Banif, Flavio Conde. A Rodobens tinha cerca de 95% dos seus lançamentos focados no programa habitacional.

Mas os problemas não pararam por aí. O orçamento das obras tinha falhas e os custos saíram maiores que o previsto. Sem conseguir antecipar seus recebíveis, a Rodobens precisou de crédito e se endividou.

“A empresa tinha muitos recebíveis, mas pouco caixa. Não tinha liquidez”, afirma o sócio da Fama Investimentos e conselheiro da Rodobens, Maurício Levi. “O aprendizado foi que a gestão do caixa é o mais importante em uma empresa imobiliária. É o sangue da companhia”, diz.

Decisão de mudar. Quem apontou a necessidade de se fazer uma “parada técnica” para reestruturar a empresa foram os minoritários, diz Mailson da Nóbrega, ex-ministro da Fazenda, que é membro do conselho da Rodobens. “Mas a decisão de mudar foi aceita por unanimidade entre os membros do Conselho.”

A primeira decisão foi brecar. A Rodobens lançou em 2011 apenas R$ 472 milhões em VGV (valor geral de venda, a soma do preço das unidades lançadas), 60% a menos que em 2010.

O início do processo de reestruturação foi a contratação do executivo Marcelo Borges como diretor financeiro, em dezembro de 2010. Ele trouxe à Rodobens uma experiência de 15 anos no mercado financeiro e coordenou a transformação. Em julho, foi promovido a diretor-presidente.

A Rodobens foi a fundo na missão de arrumar a casa. Contratou duas auditorias especializadas em engenharia para revisar todos os seu projetos. Foi aí que encontrou um rombo R$48,9 milhões, que levou a empresa a revisar seu resultado do terceiro trimestre. Em vez de lucro, assumiu prejuízo de R$ 18,9 milhões.

A partir do resultado dessa “operação pente fino”, a empresa decidiu vender projetos considerados pouco rentáveis. Com a venda de três deles, levantou R$ 274 milhões e reforçou o caixa. A reestruturação conseguiu reduzir o nível de endividamento para 65% no terceiro trimestre de 2011, último dado disponível.

Retorno. Mas a transformação não parou nas questões financeiras. A companhia buscou corrigir problemas de gestão e revisou sua estratégia. Antes de voltar a crescer, a Rodobens reforçou a equipe responsável pelos repasses à Caixa Econômica Federal e decidiu diversificar o perfil de lançamentos. Em vez de só lançar imóveis focados no programa Minha Casa, Minha Vida, a incorporadora vai estruturar projetos com unidades acima de R$ 200 mil. “Estamos em um momento de incertezas. Não me surpreende que eles foquem em um mercado mais seguro. O Minha Casa é um nicho de alto risco, elevado volume e margens baixas”, diz um concorrente.

Com o novo formato, a empresa quer voltar aos níveis de 2010. Em entrevista à Agência Estado, O presidente da empresa disse que a companhia deve superar R$ 1 bilhão em vendas em 2012. Ao Estado, porém, Borges não quis dar entrevista.

Para os analistas da corretora Planner, a estratégia da Rodobens de encolher para se reorganizar e só depois voltar a crescer foi acertada. “A melhor interpretação não é a de que eles dobrarão os lançamentos neste ano. Eles cortaram pela metade em 2011 e estão voltando agora ao que eram”, avalia a corretora.

Além de ampliar lançamentos, diz a Planner, a empresa terá de vender mais para convencer os analistas. Seu valor de mercado, hoje de R$ 514 milhões, é metade do valor verificado no fim de 2007, ano em que abriu o capital. Resta saber se, depois de toda a faxina e com R$ 1 bilhão em lançamentos, a Rodobens voltará a ser uma empresa bilionária. / COM AGÊNCIA ESTADO

Tamanho não é tudo, mostra a incorporadora Eztec

segunda-feira, outubro 24th, 2011

Como o empresário Ernesto Zarzur e seus filhos transformaram a incorporadora Eztec na empresa mais rentável do setor

Naiana Oscar, da Exame

São Paulo - Aos 77 anos de idade, o empresário paulistano Ernesto Zarzur é do tipo que faz pouca distinção entre negócios e família. Controlador e presidente do conselho de administração da Eztec, incorporadora que, no ano passado, faturou 636 milhões de reais, ele costuma despachar diariamente de sua sala localizada no 2º andar de um pequeno prédio no bairro do Ibirapuera, na zona sul de São Paulo.

A mesa de 12 lugares está sempre ocupada por filhos, netos e alguns diretores da companhia. O espaço, embora austero — há somente uns poucos livros na estante, quatro telefones fixos na mesa e nenhum computador à vista —, funciona como uma extensão de sua casa.

Às segundas e sextas-feiras, é sua residência que serve de escritório. Nesses dias, cerca de 20 pessoas, entre executivos da Eztec e parentes de Zarzur (13 membros da família trabalham na companhia), participam de um almoço preparado pela mulher do empresário, Esther.

Nas três mesas espalhadas pela sala de jantar, não há lugares marcados, com exceção daquele ocupado pelo patriarca, na cabeceira da maior delas.

Entre um e outro prato típico da culinária libanesa, Zarzur aproveita para cobrar resultados: quer saber dos prazos das obras, critica o custo da construção de um empreendimento e reclama do número insuficiente de operários em um canteiro da empresa.

Terminado o almoço, todos retornam ao escritório para colocar em prática as orientações dadas pelo chefe. A julgar pelo cronograma de lançamentos da Eztec, esse pessoal tem muito trabalho pela frente.

Até o fim do ano, a empresa deve iniciar a construção do maior empreendimento da história do setor imobiliário brasileiro: duas torres comerciais de altíssimo padrão no bairro paulistano da Chácara Santo Antônio, com valor de venda estimado pelo mercado em 1,2 bilhão de reais — 20% mais que o do prédio ocupado pela sede do banco Santander, localizado no Itaim, cuja venda teve o valor mais alto registrado até hoje (oficialmente, a empresa não comenta o assunto).

Apesar de se tratar de um investimento grandioso, não é pelo tamanho que a Eztec tem chamado a atenção de analistas e investidores. Com uma atua­ção restrita ao estado de São Paulo, a empresa ocupa atualmente a modesta 14ª posição entre as maiores incorporadoras do país, com um valor total de lançamentos (ou VGV, no jargão do setor) de 1,2 bilhão de reais previsto para este ano — para efeito de comparação, a PDG, maior do setor, vai lançar entre 9 bilhões e 10 bilhões de reais em 2011. O principal atrativo da Eztec é a rentabilidade.

No primeiro semestre, a empresa da família Zarzur foi a mais lucrativa do setor, com um resultado de 157 milhões de reais e uma margem líquida de 43%, o índice mais alto entre as incorporadoras. (PDG e Cyrela, por muito tempo as preferidas do mercado financeiro no setor imobiliário, registraram margens de 15% e 6,6%, respectivamente.)

“Em um setor pressionado por custos, a Eztec virou uma máquina de fazer dinheiro”, diz Flávio Conde, analista de imóveis do banco Banif. Em tempos de bolsa com resultados desanimadores, a empresa conseguiu o segundo melhor desempenho do setor, atrás apenas da JHSF, que aumentou os dividendos pagos por suas ações.

Enquanto o IMOB11, índice que reúne as principais incorporadoras de capital aberto, caiu 29% de janeiro até agora, os papéis da Eztec desvalorizaram 3,2%.

Criada em 1979 por Zarzur (o “ez” remete ao nome do fundador), a Eztec ainda funciona como uma típica empresa familiar. Zarzur acompanha de perto cada detalhe da operação. Todos os dias, vai aos canteiros para fiscalizar pessoal­mente as 24 obras em andamento.

É dele a palavra final sobre a negociação de preços com fornecedores, compra de terrenos, valor dos imóveis e até peças publicitárias. Por decisão sua, seus quatro filhos e dois genros ocupam os cargos mais estratégicos da companhia. Flávio, o primogênito, é responsável pelo relacionamento com bancos e o mercado.

Silvio, atual presidente da incorporadora, lidera a compra de terrenos e o desenvolvimento de projetos. Marcelo e Marcos cuidam da área de obras e marketing, respectivamente. Os genros ficaram com os departamentos jurídico e administrativo.

Além disso, sete de seus 16 netos trabalham na empresa como engenheiros, advogados e arquitetos. “Enquanto o pai está vivo e com condições de tocar o negócio, os filhos não podem ter autonomia”, diz Zarzur.

Estratégia

Filho de imigrantes libaneses de classe média alta, o fundador da Eztec ingressou no mercado imobiliário aos 18 anos como gerente de suprimentos na construtora de seu irmão mais velho, Waldomiro, conhecido por ter erguido o primeiro (e até hoje o mais alto) arranha-céu de São Paulo, o Mirante do Vale, no Vale do Anhangabaú, no centro da cidade.

Mesmo sem ter completado o ensino fundamental, Zarzur decidiu deixar o emprego para abrir o próprio negócio. Chegou a ter uma concessionária de automóveis e uma corretora de imóveis. Paralelamente, começou a investir na incorporação de alguns empreendimentos.

O primeiro deles foi um prédio de 75 apartamentos, inaugurado em 1964. Mas foi somente em 1979, já aos 45 anos de idade, que tomou coragem para criar a Eztec junto com os dois filhos mais velhos, ambos formados em engenharia civil. “Desde o início, fomos cobrados exaustivamente por resultados”, diz Flávio.

Para fazer da Eztec a empresa mais rentável do setor, Zarzur e seus filhos seguem um conjunto de regras próprias. A primeira delas é não tomar dinheiro emprestado. Todos os terrenos são negociados à vista, sem a realização de nenhum tipo de parceria ou permuta, como é de praxe entre as incorporadoras.

“Além de conseguir preços melhores, eles não precisam dividir o lucro do terreno com mais ninguém”, diz Conde, do Banif. A segunda: só investir em empreendimentos para a alta renda, que garantem margens de cerca de 40%, o dobro daquelas proporcionadas por projetos populares.

Por fim, os prazos de entrega dos empreendimentos são respeitados pelo simples fato de que atrasos significam obras mais caras. A Eztec é um dos raros casos de incorporadoras no Brasil que não têm obras em atraso, um problema que vem se disseminando conforme os empreendimentos proliferam e a mão de obra escasseia no setor — a Gafisa, uma das maiores incorporadoras do país, foi processada por 250 clientes no primeiro semestre, a maior parte dos casos por não ter entregue imóveis na data prometida.

A família Zarzur começou a descolar a trajetória da Eztec das demais incorporadoras em 2008, no auge da crise financeira internacional. Até então, o clã havia decidido aplicar os 542 milhões de reais que captara no IPO da empresa, em junho de 2007, em sua expansão pelo país, seguindo o caminho de muitos de seus maiores concorrentes.

Mas a ameaça de desaquecimento da economia fez com que Zarzur e seus filhos reavaliassem sua estratégia. O dilema passou a ser crescer mais rápido ou ganhar mais. “Aqui, o lucro vem em primeiro lugar”, diz ele.

Antes de ter certeza de qual seria o impacto da crise por aqui, ele demitiu cerca de 50 funcionários, reduziu a remuneração variá­vel dos executivos em 25% e determinou que a empresa só fizesse negócios nas regiões em que já atuava.

“A Eztec percebeu que a expansão para mercados desconhecidos poderia comprometer seus resultados”, diz Flávio Queiroz, analista de imóveis do banco Santander. “Em vez disso, preferiu dar um passo atrás e não entrar na corrida para ver quem seria a maior do país.”

Promoção

Apesar da atual prosperidade, analistas e investidores acreditam que a estratégia empregada pela Eztec até agora dificilmente garantirá a manutenção das margens de lucro em patamares elevados daqui para a frente.

“A alta demanda em São Paulo permitiu que os imóveis fossem vendidos pelo preço cheio, o que proporcionou margens gordas à companhia. Mas esse mercado certamente passará por uma acomodação”, diz João Crestana, presidente do Secovi. Uma recente pesquisa realizada pelo próprio sindicato em São Paulo dá uma ideia do que pode estar por vir.

Entre janeiro e junho, houve uma queda de 28% no número de imóveis vendidos na região metropolitana da cidade em comparação ao mesmo período do ano passado — embora os preços tenham subido 8,6%.

O novo cenário não poupou a empresa dos Zarzur. No segundo trimestre, a velocidade das vendas da Eztec, medida por um índice conhecido como VSO (venda sobre oferta), foi de 26% — ante 30% no mesmo período do ano passado.

Para atrair mais interessados, a companhia lançou recentemente uma promoção em que garante aos compradores de 300 imóveis, entre comerciais e residenciais, o pagamento do valor correspondente a um ano de aluguel após a entrega das chaves. A ideia é desovar os estoques de imóveis lançados nos últimos dois anos.

Diante de um mercado cada vez mais difícil na capital, Zarzur já começa a considerar a possibilidade, até pouco tempo atrás veementemente descartada, de visitar alguns terrenos em cidades como Rio de Janeiro e Brasília. “A família está crescendo e a empresa tem de crescer também”, diz ele.

Gafisa lança game de interação para os criadores do seu Edifício Colaborativo

sexta-feira, agosto 26th, 2011

A Gafisa, uma das principais construtoras e incorporadoras do país, lançou no dia 25 de agosto (quinta-feira),uma nova ferramenta de interatividade para o seu Edifício Colaborativo, projeto no qual usuários da rede social Facebook podem sugerir todos os detalhes que fazem parte da concepção e desenvolvimento do empreendimento EUREKA (nome sugerido por um usuário). Para proporcionar ainda mais diversão ao público, a companhia criou o game Gafisa Xtreme Air. Com um boneco em uma tirolesa que parte do Edifício Colaborativo, o objetivo do jogo é recolher o maior número possível de triângulos. O game estará disponível em uma das mídias de maior destaque no YouTube (www.youtube.com.br), o Masterhead - banner que permite a veiculação de vídeo, interações em flash, feed do twitter, entre outros. Além disso, o jogo também estará na fan page da Gafisa no Facebook (www.facebook.com/ideiasgafisa).

Edifício Colaborativo- Consciente de ouvir cada vez mais o consumidor e atender aos desejos dele em um projeto real, a construtora fez um “brainstorm digital” pela fan page da companhia no Facebook, onde os usuários podem contribuir com ideias e sugestões para o empreendimento. Na primeira etapa, eles escolheram virtualmente um nome para o prédio: Eureka. Até o dia 30 de setembro, a comunidade virtual poderá compartilhar ideias para o processo construtivo, incluindo materiais, áreas comuns, itens de tecnologia, sustentabilidade e até o tamanho da piscina, por exemplo. A partir desta data, a companhia irá selecionar as melhores sugestões e concretizar o primeiro edifício feito totalmente ao gosto do público ou dos seus futuros clientes. Ao longo dos seus 56 anos de mercado, a Gafisa se tornou reconhecida pelos valores que reflete: credibilidade, solidez e inovação em cada projeto desenvolvido. Valores esses presentes nos mais de 1000 empreendimentos entregues com sua marca, mais de 12 milhões de metros quadrados construídos em 19 estados brasileiros e em mais de 40 cidades.

 

Portal Fator Brasil

As Melhores da Dinheiro: PDG Realty vence na Construção Imobiliária

terça-feira, agosto 23rd, 2011

NEGÓCIOS

Isto é Dinheiro

online | Construção Imobiliária |

Em maio do ano passado, a companhia, criada em 2006, comprou a Agre, criando a maior incorporadora imobiliária do País.

Por Redação

A construtora PDG Realty é a vencedora do ranking setorial de AS MELHORES DA DINHEIRO.  Em maio do ano passado, a companhia criada, em 2006, por Gilberto Sayão, ex-Pactual e que atualmente está na Vinci Partners, comprou a Agre, criando a maior incorporadora imobiliária do País.

A Agre, por sua vez, era resultado da união das construtoras Agra, Klabin Segall e Abyara. Juntas, elas tinham lançamentos de até R$ 7,5 bilhões previstos para 2010. No ano passado, o lucro líquido da PDG cresceu 60%, somando R$ 875 milhões.

A receita líquida da construtora foi de R$ 5,8 bilhões, alta de 64% em relação ao ano anterior. “Queremos nos manter em primeiro lugar no setor, melhorando sempre nossa rentabilidade”, diz José Antonio Grabowsky, presidente da PDG.

O setor de construção civil vive atualmente um grande paradoxo. De um lado, a demanda está aquecida e o crédito está farto. De outro, faltam terrenos em algumas cidades, bem como mão de obra para tocar os projetos, o que eleva os custos.

Novidade no setor imobiliário

segunda-feira, junho 13th, 2011

Jornal do Comércio / RS, Painel Econômico - Danilo Uchoa

O desenvolvimento e a modernização do mercado imobiliário brasileiro possibilitaram o surgimento de empresas pioneiras no que fazem, como é o caso da BMarket, que não chega a ser uma incorporadora, mas faz o trabalho que antes era deste tipo de atividade.

É uma empresa de desenvolvimento imobiliário que faz a prospecção de terrenos, monta o projeto adaptado à área, cuida da viabilidade financeira e busca uma incorporadora que se interesse pelo projeto.

Fundada há dois anos, em Porto Alegre, a BMarket tem como sócios os jovens Bruno Conrado, Rodrigo Bernardi e Patrick Lucchese. Até agora, eles têm trabalhado para grandes empresas, mas o objetivo é atender a pequenas e médias incorporadoras e construtoras que têm mais dificuldades em montar tais projetos.

Como os demais empreendedores do setor imobiliário, Conrado já constatou uma falta muito grande de terrenos em Porto Alegre que, segundo ele, estão mais caros do que em Curitiba e Belo Horizonte e com preços se aproximando de São Paulo e Rio. “Os preços, em Porto Alegre, dobraram de valor em dois anos”, informou. O caminho natural, concluiu, “é expansão para novas regiões, porque a demanda por habitação continua deprimida”.