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Estratégia: Xerox, Polaroid e Telelistas mudam para se manter no mercado

quinta-feira, outubro 4th, 2012

Entenda como serviços e produtos considerados ultrapassados por muitos se reinventaram para sobreviver à revolução tecnológica que o Brasil alcançou nos últimos 20 anos

Por Isa Sousa, do Mundo do Marketing
isa@mundodomarketing.com.br

Antes líderes de mercado e presentes no imaginário dos consumidores, empresas como TeleListas.net, Xerox e Polaroid são algumas das maiores vítimas da revolução digital. Para elas, se repaginar e inovar foram as únicas saídas para não caírem no esquecimento. Mesmo assim, não há receita única para empresas que tiveram seu auge continuarem a alcançar os mesmos resultados. O caminho é passar por adequações para resistirem às mudanças.

Ainda que não haja fórmula que garanta às marcas fôlego suficiente para sobreviverem, é necessário entender e analisar o que significa inovar. “Para se manter competitiva, a empresa precisa adaptar sua estratégia em função de três fatores: clientes, concorrentes e tecnologia. Isto envolve não somente inovar seus produtos e serviços, mas também inovar seus processos operacionais, sua forma de comercialização e sua estrutura organizacional”, explica Luis Carlos Padrão, professor do IBMEC, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Grande parte da instabilidade dos grupos, aponta Luis Carlos Padrão, é reflexo de um modelo dinâmico do mercado mundial, que tem a incerteza e a volatilidade como características fundamentais. Esses atributos são gerados por três fatores: a dificuldade de se prever a preferência dos clientes e a demanda; o lançamento rápido de produtos pela concorrência; e a incerteza sobre a tecnologia certa a ser utilizada nos produtos e serviços.

A TeleListas.net é exemplo nesse sentido. Nascida em 1994, a marca começou editando listas telefônicas no Rio de Janeiro e, com a privatização das telecomunicações, em 1997 expandiu a cobertura para todo Brasil. Nos últimos dois anos o grupo abandonou definitivamente o papel - com exceção de algumas listas da Telemar, mas sem comercialização de anúncios - e tem se dedicado cada vez mais ao portal e no desenvolvimento de aplicativos para celulares e tablets.

Hoje, o site tem 16,7 milhões de visitas por mês e espaços interativos onde as empresas podem anunciar gratuitamente, uma espécie de teste para formalizar possíveis contratos e parcerias. Os downloads dos aplicativos já chegaram a 160 mil para sistema iOS e 70 mil para Android. “Nós evoluímos ao mesmo tempo em que aconteceu a evolução do uso da internet e chegamos a uma encruzilhada. Tínhamos dois produtos, um em declínio e outro em ascensão e ficou cada vez mais difícil manter o foco nos dois. O retorno dos anunciantes era cada vez menor e o custo cada vez maior e começamos a abandonar a lista de telefone impressa. Assim, o portal cresceu”, afirma Antônio Santiago, Diretor de Marketing da TeleListas.net, em entrevista ao portal.

Adaptação tem de ser criteriosa

A percepção da necessidade de evolução ou adaptação de um modelo de negócio não deve chegar quando o faturamento já não alcança mais os números esperados. Antes de anunciar uma mudança que atinja os consumidores, é fundamental que a empresa inove internamente. “Depois dessa mudança interna, ela deve tentar se diferenciar da concorrência por intermédio da inovação em produtos ou pela sua excelência operacional”, avalia Luis Carlos Padrão.

O entendimento da mudança econômica pela qual o país passou nos últimos 20 anos e, por consequência, a ampliação do poder aquisitivo do brasileiro, foram essenciais para que a Xerox ampliasse o diálogo com o usuário doméstico. Antes impensável, a empresa que já tem 47 anos de atuação no Brasil possibilitou aos pequenos consumidores a compra de equipamentos para o dia a dia.

Sem abrir mão dos grandes escritórios ou empresas, a marca lançou em outubro de 2011 uma máquina fotocopiadora de pequeno porte, exatamente para uso doméstico. “É a primeira vez que buscamos o consumidor final. Vimos um aumento do poder aquisitivo da classe C e tivemos a boa notícia do barateamento da tecnologia. Com isso, soubemos aproveitar a acessibilidade do usuário e também do pequeno empreendedor”, explica Cristiana Lannes, Diretora de Marketing da Xerox do Brasil, em entrevista do Mundo do Marketing.

Morre quem não se atualiza

Mesmo com a revolução digital e a popularização da internet, que trouxe a possibilidade do e-book ou ainda do download de livros, a Xerox descarta a os reflexos negativos da atualidade. Hoje a empresa de origem norte-americana possui um portfólio com mais de 80 máquinas, com diferentes recursos tecnológicos e preços que vão de R$ 299,00 até milhões de reais.

Para o grupo, o segredo do sucesso é estar em constante avaliação da evolução do mercado e da marca, se projetando para o futuro. “Vivemos em um momento em que a empresa que não for capaz de se reinventar corre um grande risco. Imaginamos que no futuro a informação vai fluir de uma forma muito mais rápida, seja em papel ou não. O que temos feito é nos preparar para um mundo em constante transformação. Nunca deixamos o tempo superar aquilo que somos por essência”, diz Rafael Veras, Gerente de Comunicação da Xerox do Brasil.

Manter a essência é o que tem sido trabalhado pela Polaroid para sobreviver no mercado mundial. O ressurgimento da câmera com fotos instantâneas em papel foi possível graças a um projeto ousado de ex-funcionários da marca, o The Impossible Project. Fundado em 2008 por Florian Kaps, André Bosman e Christian Lutz após a Polaroid anunciar o fim da venda de filmes, o objetivo do grupo é refazer os equipamentos e todos os acessórios.

A ideia tem dado certo e, para 2012, o The Impossible deve vender um milhão de pacotes de filmes, número que evoluiu junto com o grupo. Em 2010, foram 500 mil filmes e, em 2011, 750 mil. “Na era digital, as ferramentas analógicas recuperam seu valor. Entediado por milhares de imagens digitais, uma única foto instantânea e imprevisível pode ser algo precioso”, afirma Florian Kaps, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Para 2013, a nova Polaroid tem a meta de introduzir um novo hardware analógico no mercado e outras câmeras. Atualmente na loja virtual é possível comprar o papel fotográfico, sete modelos de máquinas, acessórios, livros e até mesmo canetas especiais para serem usadas nas fotos. Para popularizar o uso dos equipamentos, o grupo também criou o Project Spaces, espaços que funcionam como galerias de arte, nas cidades de Nova York, Paris, Tokyo e Viena.

Qual a melhor maneira de inovar?

O modelo baseado nos ciclo de adoção de uma inovação é o mais seguido por empresas que querem aumentar o faturamento. Porém, para que a novidade esteja no DNA de uma marca, ela precisa adequar-se à cultura, estrutura organizacional e formas de recompensa. A análise é do professor Luis Carlos Patrão.

O esforço para não decretar falência é diário. “A inovação deveria ser uma atividade sistemática e permanente ao invés de algo utilizado somente para solucionar uma crise. Em alguns casos, a empresa tem que mudar seu modelo de negócio, o que implica uma mudança de mentalidade dos diretores da empresa. A empresa deveria ter recursos e estruturas exclusivos para os projetos de inovação. Ele deveria ser visto como um aprendizado, ou seja, os fracassos também fazem parte deste processo. Portanto, não se deveria culpar as pessoas pelo fracasso, mas aprender as lições deste fracasso e incentivá-las a continuar a exploração de novas ideias”, completa o professor.

“Inovação é perceber o que ninguém percebeu”, diz Amorim

quarta-feira, setembro 26th, 2012

Economista e CEO da Ricam Consultoria afirma que Brasil tem oportunidades nas áreas de Educação, Saúde e Agronegócio
Isa Sousa, do Mundo do Marketing

Para Ricardo Amorim, os empreendedores também deverão ficar atentos às cidades do interior

Rio de Janeiro - As áreas de Educação, Saúde e Agronegócio devem ter destaque no Brasil nos próximos anos. A aposta é do CEO da Ricam Consultoria, Ricardo Amorim. Em entrevista, o executivo falou sobre inovação e deu a dica para futuros empreendedores. “Inovar é ver o que todo mundo viu, mas perceber o que ninguém percebeu. Essa é a única forma de criar algo diferente. Transformação é a essência da vida e dos negócios”, afirma.

Os setores indicados, segundo o empresário, terão uma procura grande por parte da nova classe média brasileira. Emergente financeiramente, o target teve ao longo da vida uma educação mínima e saúde precária e, já mirando na próxima geração, deve buscar para os filhos melhorias nessas áreas.

Os empreendedores também deverão ficar atentos às cidades do interior. “Elas crescem mais que as capitais há mais de 10 anos interruptamente. Precisamos olhar para esse mercado, aproveitá-lo. Só que a venda para esse consumidor não necessariamente será igual ao que se fazia antes. É preciso inovar na forma de oferecer os produtos e na distribuição”, indica Ricardo Amorim.

Suecos investem para fazer do Brasil um polo de inovação

terça-feira, setembro 18th, 2012

Virgínia Silveira | Para o Valor, de Gotemburgo e Linköping, Suécia
Valor Econômico - 18/09/2012

Conhecidas pelo trabalho que desenvolvem para se manterem na vanguarda da tecnologia, empresas e instituições suecas de pesquisa e desenvolvimento querem replicar no Brasil o sistema de inovação aberta que ajudou a Suécia a conquistar as primeiras posições no ranking mundial entre as nações mais inovadoras. A Saab, uma das empresas que integra o projeto, já investiu US$ 15 milhões no Brasil e estima mais US$ 50 milhões para os próximos cinco anos.

No modelo de inovação aberta, laboratórios de pesquisa e desenvolvimento de grandes empresas, universidades, institutos de tecnologia, empreendedores e investidores de capital de risco trabalham juntos nos parques de ciência e tecnologia instalados em pontos estratégicos, um ambiente propício à colaboração para a inovação, disse Bruno Rondani, diretor do Centro de Pesquisa e Inovação Sueco-Brasileiro (Cisb) no Brasil.

Esse modelo começou a ser testado no Brasil há um ano, por meio do Cisb, que se apoia no tripé formado por universidade, empresa e governo. Os testes incluem o desenvolvimento de projetos na área de redes elétricas urbanas inteligentes e de biocombustíveis de segunda geração, visando a produção de polímeros verdes. São diversos setores beneficiados pelos projetos, que dependem da tecnologia para conquistar inovações. O Cisb foi fundado pela Saab e conta com 11 membros e 40 parceiros, entre suecos e brasileiros.

Um laboratório de alta tecnologia, por exemplo, inspirado em uma experiência bem-sucedida da sueca Saab, na África do Sul, será montado na Universidade do ABC com o objetivo de abrigar pesquisas sobre demandas complexas da sociedade, especialmente nas áreas de segurança e transporte.

Para incentivar a formação de pessoal especializado, a Saab, segundo o vice-presidente de tecnologia, Pontus de Laval, cofinanciou em parceria com o CNPq cem bolsas de estudos para o programa Ciência sem Fronteiras, com foco nas áreas de segurança e defesa. No total, o governo sueco ofereceu 1.800 bolsas para realizar projetos em diferentes áreas.

Para que os pesquisadores brasileiros possam interagir entre si, com a comunidade científica sueca e com os engenheiros da Saab, foi desenvolvido pelo Cisb e pela Saab um sistema que permite a colaboração entre todos os integrantes do projeto.

O matemático brasileiro Joni Amorim está se beneficiando dessa integração. Ele já está preparando as malas para iniciar um pós-doutorado de um ano na Suécia, em 2013. Doutor em engenharia da computação pela Unicamp, Amorim disse que terá oportunidade de desenvolver uma metodologia de treinamento em segurança cibernética, para ser aplicada no treinamento de civis e militares no Brasil, voltada para grandes eventos, como a Copa do Mundo e a Olimpíada.

Apoio inclui alianças com institutos, empresas e governo, e laboratório de alta tecnologia na Universidade do ABC

“A bolsa era de € 2.100, mas como o valor seria insuficiente para o custo de vida da Suécia, a Saab aumentou 100%”, disse Amorim. O pós-doutorado será na Universidade de Skövde, especializada em tecnologia da informação. O campus está integrado a um parque tecnológico, onde a Saab tem uma unidade para interagir com a área de pesquisa de interesse da empresa.

Além da Saab, oito empresas e instituições suecas de pesquisa e desenvolvimento participam do Cisb, como as montadoras de veículos Scania e Volvo; a Stora Enso, da área de papel e celulose; empresas de tecnologia, além do SP Technical Institute, Innventia, Chalmers-Frauhoferg, KTH (Royal Institute of Technology) e as universidades de Linköping e de Chalmers.

Por ser um país pequeno, a Suécia concentra seus projetos de inovação em soluções que visam negócios globais, disse Rondani, do Cisb no Brasil.

Laval, da Saab, disse que a empresa desenvolveu uma gama de radares de curto alcance (até um quilômetro), com aplicações diversas em segurança, gestão de tráfego e minas. A empresa investiu € 30 milhões no projeto do radar e agora procura um parceiro no Brasil que tenha interesse em adaptar essa tecnologia às necessidades locais, disse o executivo. A companhia já está trabalhando com uma empresa que fornece tecnologia para a Companhia Vale do Rio Doce e existe uma oportunidade de fazer o mesmo com a Petrobras, segundo Laval.

Na inovação aberta, os parceiros precisam estar dispostos a abrir seus planos e ideias aos demais. “Isso funciona bem com as universidades brasileiras, mas ainda vemos certa hesitação por parte das empresas e também alguns problemas com os órgãos públicos, devido à existência de lei mais rigorosa, em comparação com a Suécia”, disse ele, referindo-se às normas para pesquisa e desenvolvimento no Brasil.

Para o vice-presidente de pesquisa e desenvolvimento da Scania, Lars Stenqvist, os projetos feitos em colaboração com diferentes empresas e universidades permitem um fluxo maior de conhecimento. “Nem sempre somos os melhores em determinadas áreas, e essa troca é extremamente rica.”

A Scania investe 550 milhões de coroas suecas por ano (US$ 83,5 milhões) em pesquisa e desenvolvimento e considera o Brasil seu maior mercado no mundo. “Nosso maior desafio é encontrar soluções para a redução do consumo de combustível e das emissões de gases”, disse.

A Scania desenvolve um projeto pelo sistema de inovação aberta na área de segurança do tráfego. Batizado de Safer, o projeto reúne 26 parceiros na Suécia, entre eles o Parque de Ciências de Lindholmen, em Gotemburgo, a empresa Autoliv e a Volvo. O objetivo é reduzir a zero o número de mortes e lesões graves nas estradas do país. “A combinação de pessoas da indústria, da academia e do setor público gera muitos resultados interessantes e valiosos”, disse Lotta Jakobsson, da Volvo Car Corporation.

“Estamos pensando em levar esse projeto para o Brasil. A Scania já ofereceu um caminhão equipado com sensores e medidores para analisar o comportamento do caminhoneiro nas estradas”, revelou o diretor de Engenharia da Scania, Lars-Henrik Jörnving.

A Universidade de São Paulo (USP) e o Centro Universitário da FEI, segundo ele, também deverão participar do projeto. “Queremos ampliar os campos de testes de veículos no Brasil, tendo em vista as particularidades do país em relação a umidade e calor”, afirmou Stenqvist.

A companhia trabalha também em cooperação com as Universidades de Estocolmo e de Linköping e com o instituto KTH nas área de testes, simulação de impacto e redução de ruído.

A repórter viajou a convite do Centro de Pesquisa e Inovação Sueco-Brasileiro

‘Forbes’: Brasil tem duas empresas entre 100 mais inovadoras do mundo

quarta-feira, setembro 12th, 2012

Radar Econômico
Sílvio Guedes Crespo

A revista Forbes elaborou uma lista das empresas mais inovadoras do mundo. Das cem companhias citadas, duas são brasileiras: a Brasil Foods (em 54º lugar), criada a partir da fusão entre Perdigão e Sadia, e a Ultrapar Participações (56º), que é dona de parte da Ultragaz, da Ipiranga e da Ultracargo.

A americana Salesforce lidera o ranking, que provê aplicativos para computação em nuvem – aqueles que são operados pela internet, e não instalados na máquina de cada usuário.

A revista classifica as empresas pelo indicador que ela chama de “prêmio de inovação”. Esse índice busca calcular quanto a expectativa de inovações de uma empresa aumenta o preço de suas ações. No caso da Salesforce, por exemplo, o prêmio de inovação é de 73%, segundo a Forbes. Ou seja, a expectativa dos investidores de que a companhia melhore seus resultados por meio de inovações, diz a revista, elevou em 73% o preço das ações.

A primeira empresa não americana da lista é a chinesa Baidu, um site de buscas que permite aos usuários encontrar páginas, imagens e vídeos em língua chinesa. Enquanto o Baidu aparece em 5º lugar no ranking, o Google está em 24º. A Apple vem em 26º. A Microsoft não se encontra na relação.

Fora do setor de tecnologia, o ranking contempla companhias de diversas outras áreas, incluindo os setores de bebidas (liderado pela AB InBev, sediada na Bélgica), processadores de alimentos (Danone) e restaurantes (Starbucks).

As inovações no mercado imobiliário

quinta-feira, julho 26th, 2012

Por Gilberto Poso
Valor Econômico - 26/07/2012

A perspectiva de redução - nominal e principalmente real - das taxas de juros no Brasil a patamares historicamente baixos, num ambiente ainda conturbado pelas dificuldades externas, aumenta a ansiedade de investidores por alternativas com retornos compatíveis àqueles obtidos meses atrás. Nas reuniões que promovemos com alguns deles, sempre surge a pergunta… “E o mercado imobiliário?”

Por razões culturais, memória inflacionária e receio de planos heterodoxos, os imóveis sempre exerceram certa atração nos investidores brasileiros. Assim, não raro encontramos investidores com significativa parcela do patrimônio imobilizada. Essa atratividade acentuou-se nos últimos anos, com a expressiva valorização verificada em termos gerais no setor. Além disso, também é usual dos investidores brasileiros segregarem imóveis das demais aplicações e decidirem com uma dinâmica totalmente diferente daquela utilizada nas aplicações financeiras.

Por outro lado, a segurança jurídica atual é muito superior àquela de décadas atrás e não há espaço para planos heterodoxos. Nesse contexto, imóveis devem ser avaliados sob a mesma ótica dos demais ativos: por seu potencial, liquidez e nível de risco. Entre as particularidades desses investimentos, destacam-se a fragmentação e baixa transparência associada a negócios realizados majoritariamente de forma privada.

Em relação ao potencial, os investimentos imobiliários são geralmente considerados alternativas conservadoras. Na verdade, seria melhor compará-los ao mercado acionário: estão sujeitos aos ciclos econômicos, disponibilidade de crédito e fatores específicos: embora não cotados diariamente, oscilam positiva e negativamente. Da mesma forma, a remuneração sobre o investimento pode ser muito estável ou embutir elevada incerteza. A principal diferença é a baixa possibilidade de diversificação: para um mesmo volume de recursos, o potencial de diversificação em imóveis é inferior àquele das demais classes de ativos. Sua liquidez é inferior à maior parte das ações e os custos de transação são mais elevados.

A evolução do mercado brasileiro tem estimulado alternativas que endereçam a maior parte dessas restrições: os fundos de investimentos imobiliários (FII). Embora já existam há vários anos, as ofertas mais recentes destacam-se por serem acessíveis a diversos investidores. Comparativamente à negociação de imóveis diretamente, os FII geralmente proporcionam maior transparência, possibilitam melhor diversificação e são mais eficientes em termos operacionais. Além disso:

- Sua negociação é feita pela compra e venda de cotas emitidas no lançamento do fundo. Na maioria dos casos, as cotas são negociadas em bolsa e os investidores têm acesso via corretoras de valores. Os volumes mínimos - muito inferiores aos de imóveis em geral - são a principal vantagem no que se refere à diversificação;

- Os FII podem ser compostos por empreendimentos imobiliários (ativos ou em desenvolvimento), ativos imobiliários (CRI, LCI) e - em situações específicas - outros ativos financeiros. Suas composições refletem seus objetivos: há FII voltados prioritariamente para geração de renda. Alguns são compostos essencialmente por títulos imobiliários cujos juros são a principal fonte de remuneração. Outros são fundos que participam de shopping centers: os rendimentos provêm principalmente dos aluguéis das lojas e outras receitas associadas. Nesses casos, a natureza do rendimento está mais próxima a empresas do que a negócios imobiliários. Também há FII que buscam geração de renda e valorização: geralmente são empreendimentos novos ou em desenvolvimento, sobre os quais a perspectiva de remuneração vem dos rendimentos dos alugueis e também de eventual valorização dos imóveis associados. Finalmente, há FII cujo objetivo principal é negociar empreendimentos imobiliários, auferindo lucro nas transações. Por sua natureza, estes últimos podem ser comparados em alguns aspectos a fundos de ações.

Em relação à tributação, os FII também diferem das aplicações diretamente em imóveis: enquanto os alugueis recebidos diretamente são considerados rendimentos tributáveis, os rendimentos de FII provenientes de ativos imobiliários ou dos alugueis propriamente ditos são isentos de tributação, desde que o FII conte com mais de 50 investidores. Eventuais ganhos de capital obtidos na negociação das cotas são tributados em 20% sobre variação da cota.

Os custos operacionais dos ativos dos FII tendem a ser menos onerosos do que nos investimentos diretos em imóveis, apesar dos custos associados às exigências regulatórias e de transparência.

Retornando à dúvida inicial, o mercado imobiliário aparenta estar em fase de acomodação. Tal qual no mercado acionário, sempre há oportunidades para compra e outras excessivamente valorizadas. Como recomendação, a avaliação dos FII como instrumento de participação no mercado proporciona opções variadas, melhor gerenciamento do risco e aproxima essa parcela dos investimentos das demais aplicações.

Construtoras investem na inovação para atrair público

quarta-feira, julho 25th, 2012

O dia
Apartamento com duas entradas, hotel e prédio comercial ficam no mesmo local
POR Cristiane Campos

Rio - Construtoras investem em projetos que incluem apartamentos e casas no mesmo condomínio e utilizam o conceito de trabalhar, morar e se divertir no mesmo local. A Rossi acaba de lançar o Rossi Multi em Duque de Caxias, que terá hotel, prédio comercial, rua de compras e condomínio residencial. Já a construtora Labes Melo reuniu 128 unidades divididas em casas tríplex e apartamentos de três andares, que têm a opção de fazer um como se fossem dois e com entrada independente, batizado de double family.

Fachada das casas do condomínio Enjoy, da Labes Melo, no Recreio dos Bandeirantes. Os apartamentos já foram vendidos | Foto: Divulgação

O modelo é ideal para adolescentes ou pais mais idosos, que precisam morar com os filhos, mas desejam privacidade. A Calper também levou para Campo Grande o conceito de casas e de apartamentos em um mesmo condomínio. Em todos os casos, a área de lazer é generosa.

Para se ter ideia do potencial destes empreendimentos, a Rossi vendeu 80% das salas e lojas do empreendimento apenas no fim de semana de lançamento. O Valor Geral de Vendas (VGV) foi de R$ 70 milhões. Após o lançamento da parte comercial, a empresa se prepara para lançar o hotel.

“É um marco na cidade. Há muito tempo Caxias não recebia um empreendimento deste porte, para atender à demanda interna e externa do município”, diz Rafael Cardoso, diretor regional.

A Calper está lançando a fase das casas do Contemporâneo Design Resort, na Estrada da Cachamorra 2.011, em Campo Grande. O empreendimento misto será construído em uma área com mais de 84 mil metros quadrados e vai abrigar 640 apartamentos, distribuídos em 20 prédios, e 179 casas (819 unidades), todas com vagas de garagem.

Itaguaí vai ganhar 1.036 novas unidades

A João Fortes Engenharia foi pioneira em levar este conceito para Itaguaí, na Costa Verde, com o complexo imobiliário Fusion Work& Live. O projeto, que reúne lazer, trabalho e moradia, oferece modernidade, conforto e facilidade e tem 1.036 unidades.

“Levamos para Itaguaí um conceito bem sucedido, por acreditar que atende perfeitamente à expansão da região e à expectativa dos investidores”, diz Luiz Henrique Rimes, diretor Nacional de Negócios.

O complexo está sendo construído em frente à rodoviária de Itaguaí e próximo às principais indústrias da região. Vai ocupar terreno de mais de 15 mil metros quadrados. Serão erguidos cinco blocos, divididos entre lojas (24), salas comerciais (288), residencial com serviços (202), apart-hotel (288) e residencial de dois e três quartos (234).

Recreio dos Bandeirantes terá condomínio sofisticado

A Labes Melo prepara o lançamento das casas tríplex que complementam os prédios de três andares do condomínio Enjoy Recreio Residences. Há os apartamentos no térreo, chamados de Garden House. Segundo o diretor da Labes Melo Construtora, Eric Labes, o condomínio oferece opções de projetos a todos os perfis de compradores.

“Temos apartamentos de um quarto, que podem funcionar como loft, além de dois e três quartos, e as casas tríplex. Há unidades com três ou quatro suítes. Conseguimos reunir tudo o que as mansões da Barra da Tijuca têm, mas em uma metragem mais acessível pensando nos custos para manter uma casa muito grande. Este projeto foi pensado em cada detalhe para que o comprador possa escolher a unidade que se adequa a sua realidade”, explica Eric.

Ele adianta que todas as casas terão churrasqueira a gás e piscina aquecida, além de parque aquático da área de lazer do condomínio. O sistema de segurança é outro diferencial, já que a tecnologia será de ponta no empreendimento. O metro quadrado das casas é de R$ 6.500 e o pagamento é facilitado. A construtora exige 30% durante a obra e os 70% restantes, quando o condomínio estiver pronto, pode ser financiado

Startup ajuda pessoas a acharem imóvel ideal

quarta-feira, junho 27th, 2012

MoreCerto, de Santa Catarina, reúne ofertas de diferentes imobiliárias em um só lugar

Alexandre Souza, Agência Sebrae de Notícias

Encontre seu imóvel mais facilmente: startup ajuda na hora da procura
Florianópois - Quem está procurando um local para morar e está cansado de cruzar informações das imobiliárias com o Google Maps para saber, por exemplo, se o imóvel fica perto de farmácias, escolas e outros serviços, tem uma nova ferramenta para facilitar a missão.

A empresa MoreCerto, vencedora da última edição do Desafio de Startups no Sebrae Startup Day, em Blumenau, e do Prêmio Sinapse da Inovação III, desenvolveu uma plataforma on-line que avalia os endereços de acordo com as especificações do usuário. Isso é feito por meio de um índice e leva em conta a proximidade de restaurantes, mercados, lojas, hospitais, entre outros estabelecimentos.

No MoreCerto, o próprio usuário define o que é mais importante para ele, utilizando os vários parâmetros disponíveis (preço, endereço, proximidade de bares, restaurantes, lojas. É possível ir filtrando, de forma inovadora, os anúncios de acordo com suas preferências. A plataforma permite ainda se cadastrar no sistema para salvar os imóveis favoritos e consultar quando desejar.

Apoiado pela Fapesc e pelo Sebrae, o sistema já está em funcionamento no site do MoreCerto, com inserções em mais de 120 cidades brasileiras. As ações da startup no momento estão focadas na expansão da base de usuários por meio de parcerias, como a estabelecida o Classificados da Universidade Federal de Santa Catarina. Outras universidades estão na mira, por contar com um público que demanda serviços como este com mais frequência e interesse. A empresa já reúne mais de 20 mil imóveis de todo o país

Como alavancar a inovação?

quinta-feira, abril 26th, 2012

Em entrevista ao Mundo do Marketing, Luiz Serafim, Head de Marketing Corporativo da 3M do Brasil, explica quais são os passos mais importantes para inovar

Por Sylvia de Sá, do Mundo do Marketing
sylvia@mundodomarketing.com.br

O cenário de inovação no Brasil ainda está longe de ser positivo, principalmente se comparado ao status e à importância que a economia do país vem ganhando. A tendência, no entanto, é que este processo se acelere nos próximos anos, com investimentos de empresas locais, do Governo e de players internacionais que trazem para cá seus centros de desenvolvimento, como GE e IBM.

Em entrevista ao Mundo do Marketing, Luiz Serafim, Head de Marketing Corporativo da 3M do Brasil, fala sobre os pontos essenciais da inovação, além das principais dificuldades e obstáculos encontrados durante o processo. “A empresa precisa decidir muito bem o que quer da inovação, criar a sistemática e alocar os recursos para buscar o objetivo que foi definido”, destaca.

O executivo, que também é autor do livro “O Poder da Inovação – Como alavancar a inovação na sua empresa”, lançado pela editora Saraiva, aponta empresas como Natura, Petrobras e Grupo Pão de Açúcar como alguns dos cases de destaque no Brasil. Leia a entrevista na íntegra.

Mundo do Marlerting: Como alavancar a inovação em uma empresa?
Luiz Serafim: A abordagem que temos e defendemos no livro é que a inovação faz parte de um sistema, um conjunto de crenças, valores e princípios que são cultivados, se complementam e interagem entre si. Em primeiro lugar, a empresa deve definir o que é inovação para ela, ter uma visão estratégica do que quer ver no futuro e alinhar os investimentos em pessoas, laboratório e tecnologia com base nisso.

Outro tópico vital é a capacitação e o desenvolvimento das lideranças da empresa. Todos os líderes da companhia devem atuar juntos, não somente o presidente. Essas pessoas têm um papel fundamental para transformar suas áreas. Precisam ouvir a ideia de um funcionário e respeitá-la para alocar recursos e mostrar reconhecimento. É preciso também criar redes de relacionamento, tanto internamente, para que um funcionário aprenda com o outro, quanto com clientes e parceiros. Para alavancar a inovação, é necessário ter essa dimensão de sistema e trabalhar vários tópicos que vão caminhar nesse sentido.

Mundo do Marketing: Existem ferramentas e metodologias no processo de inovação?
Luiz Serafim: Diria que são duas partes. A primeira é desde os brainstorms e técnicas para gerar ideias de forma inédita, original e diferenciada. Há caminhos para captar a experiência do consumidor, com pesquisas antropológicas e etnográficas, por exemplo, roteiros que você tem que cumprir para poder ir ao ambiente e observar o momento do consumidor. Essas são algumas ferramentas na geração de ideias.

Há outro conjunto de ferramentas de gestão de projetos. Ao gerar um monte de ideias, criar um canal e fazer uma sessão de brainstorm, não se pode trabalhar em tudo. Não há recurso, tempo ou objetivos mais específicos. É necessário primeiro alinhar as ideias a serem trabalhadas, criando um mecanismo de priorização. Depois, em cada ponto de um projeto inovador, há ferramentas para tudo: protótipo, recursos para verifcar viabilidade, se é possível fabricar e distribuir com um determinado custo etc.

Mundo do Marketing: Em relação ao ambiente organizacional, que tipo de cultura a empresa precisa ter para inovar?
Luiz Serafim: Uma empresa inovadora tem que ser boa para se trabalhar e ter vários ambientes positivos para a inovação. O acesso às pessoas deve ser muito fácil. Independentemente do nível hierárquico, os funcionários precisam chegar e falar com o presidente, o diretor, o gestor, ou qualquer um, de qualquer nível. A outra ideia é a cultura de uma empresa que dá autonomia para o funcionário, princípio que a 3M tem em sua história. Acreditamos que aquele funcionário não é só um robô que executa tarefas, mas deve ser encorajado a tomar suas próprias iniciativas. Dizemos o caminho e ele quem vai buscar. Estimulamos o crescimento da pessoa para ela buscar e se inspirar. Isso é altamente motivador para uma empresa inovadora. O passo seguinte, quando você estimula o empreendedorismo e incentiva as ideias, é reconhecer. Depois que a pessoa sai da zona de conforto e traz uma ideia que dá certo, é preciso reconhecer.

Outro tópico é a tolerância ao erro, presente na própria 3M e em empresas como o Google. Um ambiente de inovação tem que ter essa tolerância ao erro, que não deve ser confundida com tolerância à baixa performance. Gerar um produto inovador, mesmo que use todas as ferramentas, muitas vezes não dá certo, não pega. Neste caso, temos que ter uma cultura que aprenda com esses erros e não traga punição, senão é criada uma cultura de aversão a risco e isso é gravíssimo para uma empresa. É preciso estimular o risco para que haja inovação.

Mundo do Marketing: Quais são os desafios, os obstáculos da inovação?
Luiz Serafim: A organização não definir o que quer da inovação é um obstáculo. Para ter sucesso, é necessário foco. Sem criar métricas e alocar recursos para buscar os objetivos traçados é fatal. A empresa precisa decidir muito bem o que quer da inovação, criar a sistemática e alocar os recursos para buscar o objetivo que foi definido. Uma síndrome famosa é a de arrogância interna. A organização se acha tão poderosa que ela fecha em si mesma e não busca olhar para fora, as tendências que estão acontecendo, as transformações na sociedade, na economia, e não vê as boas práticas que existem nos concorrentes e em outros setores para que possa se inspirar.

Mundo do Marketing: É caro inovar?
Luiz Serafim: Inovação deve ser vista como um investimento, não uma despesa. A primeira parte de trazer ideias pode quase não custar nada, porque se você tem funcionários motivados, engajados, eles podem dar várias ideias e o custo disso é pequeno, mas é necessário ter a ideia do investimento em pesquisa de mercado, observação, e isso custa alguma coisa. Quando se está no desenvolvimento do projeto, na parte de gestão de processos, é preciso desenvolver um protótipo, investir na defesa da propriedade intelectual, registrar o produto, fazer pesquisas para validar o conceito com o consumidor. Isso custa dinheiro. Por isso é importante se você traçou muito bem o objetivo pela inovação para conseguir usar ferramentas que priorizam muito bem o que você quer.

Mundo do Marketing: Há especificidades para inovação?
Luiz Serafim: De forma geral, inovação se faz em qualquer lugar. Na área da agricultura, o Brasil, por exemplo, teve grande desenvolvimento de sementes, técnicas de cultivo, de combate a pragas. Na indústria, há uma série de empresas. Hoje, na área de TI, há um grande pólo de desenvolvimento. Serviços investem em processos, logística, comunicação. Você pode inovar, portanto, em qualquer campo. Agora, dentro de cada setor, eu diria que pode haver, sim, especificidades. Há empresas no Brasil que têm um foco muito grande na parte fabril, talvez o negócio delas não seja desenvolver produtos.

Existe hoje um entendimento de que inovação é muito mais que produto. Envolve dimensões de processos internos, relacionamento com os parceiros, comunicação, marca. Uma empresa de consumo, como Skol e Havaianas, tem várias dimensões de inovação, focando muito em experiência do consumidor e marca. Empresas de serviços, como Starbucks, trabalham muito a dimensão de experiência do consumidor na loja. Empresas industriais, como a Embraer, investem em seu produto, no caso os aviões, mas também nos processos de produção. E cada uma delas terá, provavelmente, investigações e desenvolvimentos tecnológicos diferentes.

Mundo do Marketing: Falando em cases da 3M, o que você destacaria de inovação na operação brasileira?
Luiz Serafim: A importância da inovação para a 3M global bate em todas as subsidiárias. Se a meta da 3M é que 40% das vendas até 2016 venham de novos produtos, a subsidiária brasileira tem que seguir esse mesmo objetivo e, portanto, investe e trabalha aqui para que isso aconteça. Temos um esforço e um investimento muito grande em Marketing para conseguir capturar essas experiências que falamos lá no começo e um investimento grande para trazer esses insights e essas oportunidades para desenvolver nos nossos laboratórios.

Em 2008, fizemos um novo laboratório aqui no Brasil e estamos expandindo, trazendo equipamentos novos para acelerar o tempo de desenvolvimento dessas experiências e buscando o domínio que a 3M tem lá nos Estados Unidos em algumas plataformas de tecnologia para trazer para cá competências locais. No Brasil, por exemplo, desenvolvemos uma parceria com a Fiat e conseguimos criar uma tecnologia que permitia, ao comprar o Novo Uno, personalizá-lo com a cara do consumidor.

Mundo do Marketing: Que empresas brasileiras você destacaria em inovação?
Luiz Serafim: Não podemos deixar de falar da Petrobras. A Natura certamente é uma empresa que tem processos muito interessantes de estruturação da organização, metodologias e métricas muito fortes. Outra empresa é o Grupo Pão de Açúcar. Fiquei muito impressionado com o trabalho que eles fazem. Há muito inovação no processo de entender o consumidor e o comportamento de consumo, além da transformação dos pontos de venda. O Grupo tem uma loja verde pioneira em Idaiatuba, além de um programa em parceria com a Unilever de coleta de embalagens e resíduos nas lojas, que comemorou 10 anos. A transformação do portfólio das lojas, tudo isso é inovação.

Mundo do Marketing: Como você vê, daqui para frente, a questão da inovação no Brasil?
Luiz Serafim: O cenário de inovação no Brasil, hoje, ainda não é dos mais positivos. Temos melhorado gradualmente, mas ainda é pouco condizente com o status e o tamanho da economia brasileira. Nossos produtos de exportação são basicamente primários. Existe ainda uma oportunidade muito grande. Por outro lado, nunca houve como agora um envolvimento, um engajamento dos players, dos diversos atores da sociedade brasileira, em promover a inovação. Vemos desde iniciativas do Governo, como incentivos fiscais, até os empresários, com a Confederação Nacional das Indústrias, que tem um movimento que se chama Mobilização Empresarial pela Inovação, lançado há uns 2 anos.

Se formos para a academia, há universidades como USP e Unicamp, que encontram mecanismos de transferência tecnológica, onde a pesquisa se desenvolva e seja aplicada para trazer resultado na economia das empresas. Há ainda ações de grandes companhias como a Vale, a própria Natura e a IBM, que está trazendo um laboratório para o Brasil. A GE também está construindo um centro importante no Rio de Janeiro. Grandes empresas globais escolheram o Brasil como um de seus pólos de desenvolvimento. Acredito em maior velocidade nos próximos anos.

A tecnologia que vem do Rio

segunda-feira, abril 9th, 2012

Com investimentos de multinacionais e cena animada de startups, cidade se consolida como polo de inovação

RENATO CRUZ
O Estado de São Paulo

O mercado de tecnologia do Rio de Janeiro nunca esteve tão aquecido. Semana passada, a americana Cisco, maior fabricante de equipamentos de redes de comunicação, anunciou um investimento de R$ 1 bilhão para o Brasil, o que inclui a instalação de um centro de inovação na cidade. Outras grandes multinacionais, como IBM e GE, também anunciaram operações de pesquisa e desenvolvimento na cidade. A Petrobrás, com o projeto do pré-sal, atraiu centros de fornecedores como a Schlumberger e a FMC.

Mas nem só de grandes empresas vive a cena tecnológica do Rio. A cidade - que abriga centros de excelência de ensino e pesquisa como a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Pontifícia Universidade Católica (PUC) - é berço de startups promissoras. Esse ambiente tem atraído investidores nacionais e internacionais.

Para fazer a ponte entre investidores e empreendedores, foi criada no ano passado a aceleradora de negócios 21212 (que combina, no seu nome, os códigos de área de telefonia do Rio e de Nova York). Eles estão recebendo inscrições para a segunda leva de empresas a ser aceleradas.

Funciona assim: as empresas selecionadas ficam seis meses instaladas no escritório da aceleradora, recebendo consultoria (de negócios, de design, tecnológica, jurídica e contábil), para que, no fim desse período, estejam prontas para receber um investimento.

“Elas recebem R$ 200 mil em serviços”, disse Frederico Lacerda, um dos fundadores da 21212. Em troca, a 21212 recebe 20% de participação no capital de cada empresa acelerada. “Somos um grupo de ex-empreendedores, que resolveu criar uma iniciativa para que novos negócios se desenvolvessem de forma mais rápida.” Um dos modelos é a Y Combinator, do Vale do Silício.

Segundo Lacerda, apesar do mercado aquecido, existe uma distância enorme entre os empreendedores, que muitas vezes não estão preparados para receber investimento, e investidores internacionais, que têm interesse no Brasil e não conhecem o mercado. A 21212 tem como objetivo reduzir essa distância.

Mudança. Dez empresas já passaram pela aceleradora, num ciclo que foi de setembro a março. Uma delas é a PagPop, de meios de pagamento por celular, internet e telefone. Ela havia sido criada há mais de quatro anos em Ribeirão Preto (SP), como Vital Cred. “A mudança de marca aconteceu há um mês”, afirmou seu fundador, Márcio Campos. “Durante o tempo em que estivemos na aceleradora, ajustamos o que já vínhamos fazendo.”

Um desses ajustes foi a criação de um leitor de cartão de crédito que pode ser acoplado ao smartphone. Lembra bastante o que faz a americana Square, criada por Jack Dorsey, um dos fundadores do Twitter. “Não considero o PagPop um copycat do Square”, disse. “Estamos no mercado há quatro anos. Já fazíamos captura de transações por voz e internet.”

Aos 36 anos, o fundador da PagPop é dentista de formação. “Tive outras empresas, sou empreendedor desde os 19 anos”, afirmou. “Como dentista, me sentia incomodado de não poder aceitar cartões para parcelar os pagamentos. No cheque, a inadimplência é muito alta.”

O Brasil passa por um momento único de atração de investimento. No ano passado, o estoque de capital comprometido com private equity e venture capital no País chegou a US$ 36,1 bilhões, um crescimento de 29% sobre 2010, segundo pesquisa da Fundação Getúlio Vargas. Das empresas que receberam investimento, identificadas pela pesquisa, 15,5% estavam no Rio, que ficou atrás somente de São Paulo.

Outra empresa que participou do processo de aceleração da 21212 foi a ResolveAí. Ela tem acordo com 50 cooperativas de táxi, e o consumidor pode consultar todas elas em uma só plataforma. “Além de poupar tempo, ele pode ver o carro se aproximando em tempo real no mapa”, disse Rafael Kaufmann, fundador da companhia.

Ele e seu sócio começaram a trabalhar no projeto em 2010, mas, até serem selecionados pela 21212, ainda tinham outros empregos, não se dedicavam inteiramente à ResolveAí. Os dois já receberam um aporte de R$ 500 mil de investidores-anjo brasileiros.

Yann de Vries é diretor do fundo Red Point no Brasil. Ele é um dos investidores que acompanha o trabalho da 21212, em busca de oportunidades. A Red Point já investiu em quatro empresas brasileiras: Grupo Xangô (antivírus), ViajaNet (viagens), Shoes4you (calçados) e 55social (marketing). Atualmente, a sede brasileira da Red Point é no Rio. “Fico no escritório do Grupo Xangô”, afirmou Vries. “Existem muitas empresas interessantes no Rio, como o Peixe Urbano e o próprio Grupo Xangô. Mas vou me mudar para São Paulo, onde tem mais atividade.”

Vitrine Móvel

quarta-feira, fevereiro 8th, 2012

Jornal do Comércio

A Moving Mídia realiza durante este mês ação inédita no Brasil: a Vitrine Móvel. A novidade, produzida em parceria com a B2B Eventos, foi criada para ativação do empreendimento Vitamare em Florianópolis, da construtora Goldsztein Cyrela. Circulando em pontos estratégicos, uma modelo em uma espreguiçadeira, dentro da vitrine, mostra o ambiente da uma área de lazer do condomínio que tem vista para o mar. Junto, promotores entregam a pedestres os flyers do lançamento.