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Ações de construtoras disparam com crescimento nas vendas

terça-feira, julho 16th, 2013

Cyrela e MRV agradam investidores com números do segundo trimestre
Beatriz Souza, de Exame.com

São Paulo - As ações das construtoras Cyrela (CYRE3) e MRV (MRVE3) estão em forte alta no pregão desta terça-feira após divulgarem bons resultados de vendas. Na máxima do dia, os papéis da Cyrela subiram 4,67%, negociados a 16,80 reais, e os da MRV 5,38%, cotados a 6,85 reais.
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A Cyrela registrou vendas contratadas de 1,47 bilhão de reais no segundo trimestre, ante 1,06 bilhão de reais um ano antes. Considerando os parceiros, as vendas no trimestre foram de 2,18 bilhão de reais, alta de 66 por cento na comparação anual.

Já os lançamentos no segundo trimestre foram de 1,25 bilhão de reais no período, frente a 911,3 milhões de reais um ano antes.

MRV

Já a MRV teve aumento de quase 50% nas vendas contratadas do segundo trimestre na comparação anual, com foco maior na venda de estoques, enquanto os lançamentos caíram cerca de 40 por cento no período.

“Basicamente a estratégia da companhia este ano é fazer a gestão de estoque. A gente tinha um volume de estoque à venda importante”, disse à Reuters a diretora executiva de Relações com Investidores da MRV, Mônica Simão.

Ação da Gafisa dispara mais de 15% com diluição menor em compra de Alphaville

segunda-feira, junho 11th, 2012

Notícia de que a construtora emitirá menos ações que o esperado para concluir a aquisição da Alphaville Urbanismo agradou os investidores

Valor Online

A notícia de que a Gafisa emitirá menos ações que o esperado para concluir a aquisição da Alphaville Urbanismo agradou os investidores. Às 15h54, os papéis da incorporadora subiam 15,49%, para R$ 2,46, na maior alta do Ibovespa, que operava próximo da estabilidade no mesmo horário, com leve alta de 0,16%.

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Ontem, os recibos de ações da empresa negociados em Nova York, os ADRs, já haviam subido 9%. Na noite de quarta-feira, a Gafisa anunciou que emitirá 70,3 milhões de ações em favor da Alphapar para quitar o pagamento de R$ 359 milhões pela fatia restante de 20% da Alphaville Urbanismo, seu braço voltado à alta renda.

A operação embute um valor de R$ 5,11 por papel da Gafisa, 140% maior do que o preço de fechamento do último pregão, de R$ 2,13. Na prática, isso significa que a Alphapar “pagaria” mais pelas ações da Gafisa do que os papéis valem em bolsa.

Veja também: Fatia de 20% da Alphaville vale R$ 368,7 milhões, diz Gafisa

Se a emissão de ações fosse feita aos valores atuais, seria necessário emitir 168 milhões de ações pela última parcela da aquisição, o que implicaria uma diluição maior dos atuais acionistas. “Dado que a avaliação da Alphaville implica um valor total para a empresa quase duas vezes superior ao atual valor de mercado da Gafisa, consideramos que o fato, de que as ações foram emitidas a um prêmio (de 140%) em relação ao preço atual, fez o negócio favorável aos acionistas da Gafisa, apesar de uma diluição de 14%”, afirmaram analistas do Itaú BBA, em relatório enviado hoje a clientes.

Considerando também as duas parcelas do pagamento feitas em 2006 e 2010, a Alphaville foi avaliada em R$ 1,8 bilhão, quase o dobro dos R$ 919 milhões que a Gafisa vale hoje em bolsa.

Segundo Flávio Conde, analista da Banif Corretora, o mercado esperava que a Gafisa pudesse pagar esse valor em dinheiro ou emitir novas dívidas, o que seria prejudicial, considerando a elevada alavancagem da companhia. Ele reforça o aspecto positivo da operação, pois traz para a Gafisa um ativo “valioso”, com uma boa precificação.

Leia ainda: JP Morgan rebaixa recomendação de PDG, MRV e Gafisa

A Alphaville tem sido vital para a Gafisa, nos últimos trimestres, por apresentar as melhores margens e retornos do que operações voltadas para a baixa renda. A aquisição foi fechada em 2006, quando a Gafisa levou 60% da companhia.

Em 2010, a incorporadora adquiriu outra fatia, de 20% e, por contrato, tem que finalizar, agora, a compra dos 20% restantes.

Divergência

A queda de braço entre Alphapar e Gafisa pelo número de ações a serem emitidas parece não ter abalado o otimismo dos investidores com a operação. Em fato relevante divulgado na manhã de hoje, a incorporadora informou que a Alphapar pretende receber um número maior de ações como forma de pagamento.

A ex-controladora da Alphaville quer 90,3 milhões de ações, o que equivaleria a uma fatia de 18,3% da Gafisa. Pela proposta inicial da incorporadora, a Alphapar ficaria com 14% do capital.

Em ambos os casos, a Alphapar se tornaria a maior acionista individual da Gafisa, que tem capital disperso em bolsa. No comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Gafisa informou que considera o entendimento da Alphapar “legal e contratualmente equivocado” e afirmou que “insistirá, pelos meios necessários, na aplicação correta do critério contratado”.

Rio pode recuperar glamour após Olimpíada, diz Wall Street Journal

terça-feira, abril 10th, 2012

Radar Econômico / O Estado de São Paulo
Sílvio Guedes Crespo

Os investimentos no Rio de Janeiro por causa dos Jogos Olímpicos podem fazer a cidade “recuperar o ouro do seu apogeu vivido nos anos 1960″, defendeu o Wall Street Journal em uma reportagem.

“O Rio nunca perdeu sua beleza de tirar o fôlego nem a sua verve que atraiu a estrela francesa Brigitte Bardot cinco décadas atrás. Mas tudo, desde o centro comercial até os hotéis com vista para o mar entraram em declínio depois que o governo federal foi para Brasília e os bancos foram para São Paulo”, disse o jornalista John Lyons, autor do texto.

Ele acredita que investimentos na cidade, em dinheiro público e privado, “representam uma enorme oportunidade para grandes empresas brasileiras de construção”. Otimista, acrescenta que a reforma prevista para a região portuária fará o Canary Wharf, porto de Londres que já foi o mais importante do mundo, “parecer pequeno”.

O Journal acredita que muitos investidores não sairão da cidade após a Olimpíada. Para o diário, o evento esportivo é “catalisador” de um processo de recuperação da cidade que já havia se iniciado antes, com a melhora da economia brasileira.

No entanto, a Olimpíada também traz algumas “dores de cabeça” para o Rio, na opinião do jornal. Por exemplo, o preço dos imóveis triplicou, atingindo um patamar igual ou até superior ao de Nova York em determinadas regiões.

Mesmo, assim, o jornal é otimista especialmente com os projetos na Barra da Tijuca, onde ficará o Parque Olímpico.

O choque de realidade da Gafisa

terça-feira, abril 3rd, 2012

Pressionada pelos maus resultados da Tenda, a Gafisa promove uma “faxina” de quase R$ 900 milhões em seu balanço

Marcela Ayres, de Exame.com

São Paulo – Depois de arrumar a casa em 2011, a Gafisa abriu a porta – ou uma fresta dela – para o mercado espiar o resultado. Em prévia do balanço anual divulgado ontem, ainda não submetido à auditoria, ficou claro que a faxina custou caro: o prejuízo no ano passado foi de 1,1 bilhão de reais, ante um lucro líquido de 416 milhões de reais em 2010.

Segundo a empresa, o resultado deve-se principalmente aos ajustes de 889,5 milhões de reais feitos depois de uma profunda revisão nas suas operações e estratégias. Quase 70% desse montante, ou 610,2 milhões de reais, foram usados para redirecionar os negócios da Tenda, incorporadora de baixa renda comprada em 2008.

Antes de ser levada pela Gafisa, os papéis da empresa desabaram 60% em poucas semanas. O mergulho conferiu à aquisição um ar de negócio da China. Mas se a ascensão da classe C parecia garantir o sucesso da empreitada, os anos seguintes terminaram por descascar esse verniz. Em 2011, a construção dos projetos da Tenda foi revisada para cima, representando um custo adicional de 227,2 milhões de reais. As multas por atraso nas obras chegaram a 38,5 milhões – mais que o triplo do registrado nos canteiros da Gafisa.

Sem dinheiro para pagar

A concessão de crédito para os clientes da Tenda também sangrou o caixa da empresa. Só no último trimestre do ano, foram identificados 4.000 consumidores “não qualificados para o financiamento imobiliário”: apesar das unidades adquiridas estarem 70% prontas, a empresa recebera apenas 6% do valor devido pelos imóveis.

O rompimento desses contratos teve um impacto negativo de 91,2 milhões de reais. Neste ano, a Gafisa estima que outros 8.000 clientes sejam enquadrados na mesma situação. A reserva para arcar com esses cancelamentos e com os prováveis inadimplentes da Tenda terminou por abocanhar outros 167,3 milhões de reais da receita da empresa.

Com o objetivo de mapear exatamente o que precisava ser reformulado ao longo do quarto trimestre, a companhia designou um diretor-executivo para cada uma das suas unidades operacionais. Mas depois de eliminar a Tenda e a lucrativa AlphaVille da análise, a empresa acabou deparando-se com uma correção de 213,7 milhões de reais para os projetos da Gafisa, valor muito semelhante ao acréscimo destinado às obras da sua divisão mais problemática.

Na avaliação do time de analistas do Credit Suisse, os aumentos sobre o orçamento não deixam de mostrar que os problemas da Gafisa também se relacionam ao seu negócio original.

Olhando para frente, a empresa reajustou suas estimativas para 2012, com a expectativa de lançar em torno de 2,7 a 3,3 bilhões de reais em empreendimentos. Os números representam uma diminuição que pode variar de 6% a 23% sobre o resultado apresentado em 2011.

Apesar de apoiarem a “pesada limpeza” promovida na companhia, reforçando que essa seria a única maneira da Gafisa recuperar a rentabilidade no médio e longo prazo, a equipe do Itaú BBA é cética. “Nós preferimos estar expostos a companhias que possam entregar uma melhor combinação entre baixa alavancagem, retornos sólidos, crescimento e geração de caixa”, assinaram em relatório os analistas Enrico Trotta, Vivian Salomon e David Lawant.

A “faxina” também não parece ter agradado totalmente os investidores. Os papéis caíram fortemente na bolsa nesta segunda-feira. Um sinal de que a casa ainda não está “um brinco” para o mercado – e a Gafisa ainda precisa provar que a estratégia vai dar certo.

Gafisa confirma interesse de investidores

quinta-feira, fevereiro 2nd, 2012

02 de fevereiro de 2012
Agencia Estado

SÃO PAULO - A Gafisa confirma que os investidores interessados em adquirir o controle da empresa são o megainvestidor norte-americano Sam Zell e a GP Investimentos. A companhia não deu detalhes sobre a proposta. Ontem, ação da Gafisa valorizou 5,87%, segundo operadores, apoiada em rumores sobre a venda do controle da companhia para Sam Zell e a GP. A informação havia sido publicada pelo portal Exame.com. Em janeiro, a ação da Gafisa conseguiu acumular alta de 22% e reduziu as perdas em doze meses para -51%.

Somente na última semana, a ação teve valorização de 19% diante de boatos sobre a entrada de um acionista controlador. A ação começou o mês em baixa, repercutindo dados prévios fracos sobre lançamentos e vendas.

Mercado de grandes propriedades no Brasil atinge recorde, diz estudo

terça-feira, novembro 8th, 2011

BBC Brasil

Apartamentos no Rio de Janeiro

Venda de propriedade em cidades brasileiras continua em alta, segundo consultoria

Um estudo elaborado por uma empresa especializada no mercado imobiliário mundial afirma que o setor brasileiro seguiu “pegando fogo” no terceiro trimestre de 2011, apesar de alguns movimentos de retração no continente americano.

Um relatório divulgado na segunda-feira pela consultoria Real Capital Analytics (RCA), baseada em Nova York, afirma que o volume de vendas de propriedades no Brasil atingiu o recorde de US$ 3,5 bilhões no terceiro trimestre de 2011.

Na região das Américas, o estudo afirma que o volume de vendas de propriedades cresceu 35% no terceiro trimestre do ano na comparação com o mesmo período do ano anterior.

No entanto, o desempenho nos países americanos no terceiro trimestre foi mais fraco do que durante o resto de 2011. O ritmo de crescimento nas vendas de propriedades caiu pela metade no terceiro trimestre.

A desaceleração na região foi provocada por um movimento de baixa no mercado de hipotecas nos Estados Unidos. Já a América Latina e o Brasil permanecem com o mercado aquecido, segundo a RCA.

“A América Latina é o único local [da região] com momento positivo. O Brasil continuou pegando fogo, com o volume no terceiro trimestre atingindo o recorde de US$ 3,5 bilhões, logo atrás do Canadá, que está em desaquecimento”, afirma o relatório da empresa, que também destaca movimentos positivos no Chile e no México.

Estrangeiros na China e no Brasil

De acordo com o levantamento, o volume de vendas de propriedades cresceu 34% em todo o mundo no terceiro trimestre de 2011, em comparação com o mesmo período do ano anterior.

A RCA diz que o volume total de vendas de propriedades em 2011 – US$ 568 bilhões – já é superior a todo o ano de 2008, quando estourou a bolha imobiliária nos Estados Unidos.

O relatório também afirma que o Brasil e a China continuam sendo destinos preferidos de investidores que buscam aplicações em propriedades no exterior.

“Nos ricos dias de 2007, mercados emergentes – especialmente os países do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) – eram um alvo preferencial de investidores estrangeiros em busca de rentabilidade”, afirma o relatório da RCA. “Mas riscos no exterior, que antes pareciam mínimos, aumentaram com a instabilidade financeira e turbulências políticas.”

“Para os investidores de hoje que investem em propriedades comerciais no exterior, a antiga solidez dos BRICs parece estar se desmanchando. China e Brasil continuam sendo grandes alvos de investimentos, mas investimentos na Índia retraíram, e a Polônia ultrapassou a Rússia como mercado mais atraente na Europa, Oriente Médio e África.”

Segundo a RCA, a predominância do Brasil na América Latina ocorre não só pelo tamanho do seu mercado, mas porque houve “avanços claros nas condições de mercado para os investidores”.

No entanto, a consultoria destaca que a China ainda é o destino favorito de investidores que procuram rentabilidade em propriedades no exterior. Nos últimos 12 meses, o mercado de propriedades do país atraiu US$ 30 bilhões em investimentos externos.

Imóveis terão ciclo positivo de 15 anos, prevê especialista

quarta-feira, maio 25th, 2011

Fábio Nogueira, fundador da Brazilian Finance & Real Estate, acredita que, mesmo com eventuais crises, o mercado imobiliário deve passar por fase longa de prosperidade

João Sandrini, de Exame.com

São Paulo - Para o sócio-fundador da Brazilian Finance & Real Estate (BFRE), Fábio Nogueira, o mercado imobiliário brasileiro ainda está apenas no começo de um longo ciclo de crescimento. O executivo, que tem o bilionário americano Sam Zell como sócio na BFRE, acredita que mesmo eventuais turbulências e crises econômicas no futuro deverão tirar o mercado imobiliário da rota apenas momentaneamente porque o Brasil já teria as condições necessárias para um crescimento sustentado. A BFRE estrutura operações de financiamento imobiliário para pessoas físicas, incorporadoras e construtoras. Na entrevista abaixo, concedida à gestora de recursos Rio Bravo, Nogueira fala da expansão do crédito imobiliário no Brasil e dos aumentos dos preços:

Pergunta - Os imóveis no Brasil estão em alta já há anos e alguns investidores que entraram cedo no ciclo, como o Sam Zell, já venderam suas participações em empresas como a BR Malls e a Gafisa. Por mais que se acredite que os juros no Brasil ainda vão cair no longo prazo, a percepção de que a maior parte do ciclo já aconteceu está ficando inevitável. Com que cenário você trabalha em termos de valorização de imóveis no Brasil?

Nogueira - Nós ainda estamos no início de um ciclo que no setor imobiliário costuma ser longo. No Brasil, eles eram mais curtos porque a volatilidade não permitia durações superiores a três ou quatro anos. Agora há vários ingredientes que favorecem um ciclo superior a 10 ou 15 anos. O primeiro deles é o déficit habitacional. Os brasileiros compram para morar, e não para especular. No Brasil, quem quer especular pode fazer isso com instrumentos financeiros. Aqui as pessoas não apenas compram para morar como ainda pagam juros relativamente altos. Se você comparar os juros globais praticados no credito imobiliário com as taxas brasileiras de 9% a 12% ao ano, vai ver que pagamos no mínimo o dobro do que é cobrado globalmente.

Pergunta – Por outro lado, os imóveis que exigiam comprovação de renda de 4.000 reais por mês há alguns anos agora podem ser financiados por quem ganha 1.500 reais. Não existe o risco de que esse crédito fácil vire um novelo de inadimplência lá na frente?

Nogueira – Não, ao menos nesse atual cenário. Isso é fruto da ampliação de prazos de financiamento. Errado era o que o Brasil praticava. Os bancos financiavam imóveis em no máximo 10 ou 15 anos e o brasileiro, por não gostar de dívidas, tomava um credito com um prazo ainda inferior. Agora quando você estende isso para até 30 anos, que é algo normal em se tratando de credito imobiliário, é lógico que a prestação cai e a necessidade de comprovação de renda também.

Pergunta - Não há um critério de concessão de crédito mais benevolente?

Nogueira - Não. Se tem uma coisa que o Brasil aprendeu foi fazer concessão de crédito de maneira muito regrada. Ninguém gasta mais de 30% da renda familiar com a prestação imobiliária. O normal é ficar entre 20% ou 25%. E ninguém financia mais do que o valor do bem, enquanto no exterior era liberado até 120% do preço do imóvel. Como quem toma o crédito aqui coloca em média 38% do valor do imóvel como entrada, a pessoa é cuidadosa porque tem esse tanto a perder.

Pergunta – Por que o mercado está tão aquecido?

Nogueira - O que aconteceu foi que, a partir do momento que as pessoas perceberam a estabilização, resolveram realizar o sonho da casa própria. Obviamente a indústria imobiliária teve que se adaptar a isso. Novos projetos foram criados, encontrou-se o gargalo de infraestrutura, depois o gargalo da aprovação de projetos e agora a escassez de matéria-prima e de mão de obra. A indústria está de uma maneira muito exemplar conseguindo superar todos os obstáculos. O incorporador brasileiro sobreviveu a 30 ou 40 anos de inflação sem ter fontes de recursos de financiamento. Ele aprendeu a permutar terreno por área construída, por exemplo, para reduzir o gasto de capital.

Em 2008, quando várias empresas fizeram ofertas iniciais de ações, os bancos de investimento chegaram a recomendar que as incorporadoras parassem de fazer isso e começassem a comprar terrenos. Elas então compraram terreno de uma maneira exagerada e chegaram ao pior da crise de 2008 sem liquidez. As incorporadoras aprenderam e, à medida que a crise foi arrefecendo, começaram a retomar práticas saudáveis, como permutas e parcerias, por exemplo. Hoje, elas têm uma bela gestão de caixa.

Pergunta – E para onde vão os preços?

Nogueira – Recentemente nós tivemos uma recuperação do valor dos imóveis após um período de 20, 30 ou 40 anos de estagnação. As últimas informações dão conta de uma estabilidade de preço. Se nós tivéssemos vivendo um processo especulativo, os preços continuariam subindo, coisa que não aconteceu. Ao mesmo tempo, o preço também não caiu. Obviamente que haverá problemas e eventuais crises pontuais na economia que poderão interferir no desenvolvimento do mercado imobiliário. Ainda que os fundamentos atuais apontem para um desenvolvimento sustentado, é importante lembrar que, mesmo nos piores momentos históricos, os preços nunca caem mais de 20% ou 25%.

Pergunta - Qual é hoje o maior risco para o mercado imobiliário brasileiro?

Nogueira - A inflação é um risco, como é para a economia como um todo. Temos que combater com todas as forças o advento da inflação porque sua consequência é o aumento da taxa básica de juros e a instabilidade. A geração de brasileiros mais jovens que não conheceu a inflação deve continuar a não saber do que se trata. A inflação traz reajuste de prestações, por exemplo. A gente já sabe o que pode acontecer quando as dívidas imobiliárias crescem e superam o valor do próprio imóvel. O grande problema do crédito imobiliário no mundo é a percepção de que seu imóvel vale menos que sua dívida. Foi exatamente o que ocorreu nos países desenvolvidos. É o que a gente tem que evitar ferrenhamente que aconteça aqui.

Pergunta - A dívida pode aumentar mais e suplantar o valor do imóveis porque os contratos são indexados?

Nogueira - Exato, o contrato é indexado, mas o preço do imóvel, não.

Pergunta - Estima-se que os recursos da poupança vão estar esgotados para financiar o crédito imobiliário por volta de 2013 ou 2014. O que a indústria poderá fazer em termos de financiamento?

Nogueira - Já estamos fazendo. Nos últimos 14 anos, de maneira silenciosa e consistente, a gente desenvolveu o instrumento da securitização sem qualquer interferência ou necessidade de ajuda governamental. A securitização é um instrumento do mercado de capitais. A gente contou com a ajuda do governo com algum tipo de apoio para a captação de recursos, como a isenção de IR para pessoas físicas que investem em CRI (Certificados Recebíveis Imobiliários). Agora é uma questão de escala. A securitização está pronta para atender esse grande desafio que é suprir essa população jovem com a residência que eles estão buscando. A securitização será a resposta para o esgotamento dos recursos de poupança

Setor imobiliário não consegue andar sozinho e recorre ao mercado

quinta-feira, maio 19th, 2011

Para analista, investidores esperavam que as empresas pudessem, já em 2011, tocar os projetos com a própria geração de caixa
Marcelo Poli, da Exame.com

São Paulo – O setor de construção civil em bolsa começa a sentir a pressão dos investidores porque ainda não consegue andar com as próprias pernas. A expectativa era de que as empresas pudessem, já em 2011, tocar os projetos com a própria geração de caixa sem recorrer ao mercado de capitais, o que não está ocorrendo.

“Com exceção da Eztec que ainda mantém caixa positivo desde a abertura de seu capital, as demais empresas já realizaram algum tipo de operação de captação de recursos, seja via novas ações, debêntures e financiamentos direto com bancos”, afirma Ricardo Tadeu Martins, analista da Planner Corretora.

Ele lembra ainda que algumas ficaram pelo caminho e foram incorporadas, como a Company, Tenda, Abyara, Klabin Segall e Agra.

Apesar da demanda por móveis continuar forte no Brasil, Martins prefere tomar outro posicionamento sobre o assunto e coloca em xeque a continuidade da demanda no setor até o final deste ano. “Até mesmo o ‘Minha Casa, Minha Vida’, que deveria estar puxando o setor para cima, não atingiu suas metas nestes primeiros meses do ano”.

O setor imobiliário enfrenta ainda uma pressão sobre as margens, que já apresentaram uma queda nos balanços do primeiro trimestre de 2011, um reflexo dos altos custos de construção e de vendas menores, aponta. O desempenho das ações das incorporadoras estará refletindo estes fatores durante 2011, diz. “Aquelas menos expostas deverão ter melhor desempenho em bolsa”, avisa Ricardo Tadeu Martins.

Em 2011, o índice que mede o desempenho das ações do setor imobiliário na BM&FBovespa, o IMOB, registra queda de 9,8%. Nos últimos 12 meses, o índice se mantém no positivo, com uma valorização de 26,5%.

Investidores estão de olho no caixa das construtoras

quinta-feira, maio 19th, 2011

Valor Econômico, Daniela D’Ambrósio e Fernando Torres

Após captação de R$ 20 bilhões na bolsa, chega a fatura.

Entre 2006 e 2007, o setor imobiliário soava quase como música ao ouvido dos investidores. Bastava um banco de terrenos farto e uma promessa de vendas robusta para que as empresas conseguissem abrir capital. Foi num clima de febre, otimismo exagerado e desconhecimento de um setor ainda imaturo que 22 companhias levantaram R$ 11 bilhões, numa primeira rodada. Os anos se passaram, cinco delas tiveram que ser absorvidas para sobreviver e as maiores - com promessa de crescimento acelerado - voltaram ao mercado mais uma ou duas vezes. Ao todo, o setor de construção civil já levantou R$ 20 bilhões na bolsa. Quatro anos depois, os investidores chegaram à fase pesada de cobranças. Querem - finalmente - ver o seu dinheiro de volta, o que ainda não aconteceu.

Apesar do lucro apontado nos balanços, as incorporadoras ainda não geram caixa. Ou seja, os gastos com construção e novos projetos superam os valores recebidos dos apartamentos vendidos no passado. O ganho é contábil e não representa dinheiro novo na operação - os recursos só vem, de fato, quando as obras são entregues e os clientes que financiam a compra do imóvel são repassados ao banco. O ciclo longo, de pelo menos três anos, e o crescimento acelerado do setor contribuem para essa diferença entre lucro contábil e entrada de caixa.

Levantamento feito pelo Valor mostra que PDG, Gafisa, Cyrela, MRV, Rossi, Brookfield, Even, Eztec, Viver e JHSF, as dez incorporadoras imobiliárias que compunham o índice do setor na bolsa (Imob) até abril, tiveram lucro somado de R$ 8,5 bilhões desde o início de 2008 até março deste ano. No mesmo período, a “queima de caixa” dessas companhias - medida pela variação da dívida líquida - foi de R$ 14,4 bilhões. Sem contar a captação via emissão de ações no período, a perda de caixa seria ainda maior, de R$ 20 bilhões.

Ainda que a maioria dos investidores entenda a complexidade do setor de construção - que até cinco anos atrás não existia como alternativa de investimento - a ansiedade é notável. O assunto geração de caixa apareceu com frequência inédita nas teleconferências de resultados e também nos relatórios referentes ao primeiro trimestre. “Os investidores têm cada vez menos paciência para esperar”, afirma um analista do setor.

Diante das cobranças, quem conseguiu reduzir o consumo de caixa tratou de destacar nas apresentações de resultados, caso da MRV e Rossi. “Quem não gerar caixa positivo este ano terá sérios problemas”, disse Rubens Menin ao Valor na ocasião da divulgação de resultados. “Essa é a grande questão do setor, investidores do mundo inteiro só falam nisso.” No primeiro trimestre, a empresa teve um dos menores consumos de caixa entre as grandes: R$ 68 milhões. A Rossi teve um consumo de caixa de R$ 94 milhões nos primeiros três meses do ano, depois de uma média de R$ 200 a R$ 230 milhões ao longo dos trimestres de 2010.

A expectativa de alguns analistas era de que a queima de caixa deixasse de ocorrer sistematicamente no fim do ano passado, mas agora a previsão é de que isso vire realidade no segundo semestre ou ainda em 2012. Empresas como PDG, Cyrela, Rossi e MRV prometem que a queima de caixa vai acabar a partir da metade deste ano ou no início do ano que vem.

A variação das ações do setor neste ano pode ser, ao menos, um indício da atenção dos investidores ao assunto. JHSF e Eztec são as que apresentam melhor retorno, de 31% e 22%, respectivamente. Não por acaso, ambas não fizeram novas rodadas de emissão de ações e são as que operam com menor alavancagem. A Eztec, aliás, tem caixa e aplicações financeiras maiores do que a dívida bruta. A companhia começou a ter fluxo de caixa positivo no quarto trimestre de 2009. “Nossa margem é o que garante o fluxo de caixa positivo”, diz Emilio Fugazza, diretor financeiro. No primeiro trimestre do ano, a companhia teve margem líquida de 44% para uma média setorial de 14%. As duas empresas são relativamente pequenas, com vendas anuais próximas de R$ 1 bilhão.

Na opinião do analista do Goldman Sachs, Leonardo Zambolin, a questão do caixa é inversamente proporcional ao nível de crescimento. A grande dúvida das empresas nesse momento é justamente se continuam crescendo e, de certa forma, sacrificam a lucratividade ou se aceleram menos e ajustam a operação. O analista ressalta que o México - país que está mais adiantado que o Brasil no setor de construção e foi tido como referência na fase das aberturas de capital -, onde o sistema de repasse funciona bem e o ciclo é mais curto, o caixa ainda não voltou. Na sua opinião, isso acaba desanimando alguns investidores estrangeiros, embora a capacidade de geração de caixa das companhias brasileiras seja reconhecidamente maior.

A conta do crescimento exagerado começou a chegar no fim do ano passado. A luz amarela acendeu quando começaram a surgir os primeiros sinais de problemas na capacidade de execução e atraso na entrega das obras. Mas os problemas tornaram-se reais, de fato, quando duas grandes companhias, Cyrela e MRV, tropeçaram no quarto trimestre por conta de estouros de orçamento das obras, e reduziram suas margens. “Enquanto o setor crescia muito, as dificuldades operacionais eram menos evidentes”, diz um analista. “Até agora, as empresas têm sustentado seu crescimento com dinheiro dos investidores e dívida”, diz uma fonte do setor.

O atraso na entrega das obras - problema que muitas empresas jogam na conta da falta de mão de obra - afeta diretamente a geração positiva de caixa. Segundo levantamento do Banco Fator, a previsão de entregas para este ano era de R$ 16,9 bilhões de valor geral de vendas (VGV) em 2010 e as companhias entregaram R$ 13,7 bilhões. A segunda questão está no repasse dos clientes para os bancos. Depois que o apartamento está pronto, o repasse pode levar de três a seis meses para acontecer - há casos de até nove meses - o que retarda ainda mais a chegada do dinheiro.

De acordo com as empresas e analistas, os bancos (especialmente os privados) estão com dificuldade para absorver uma avalanche de clientes. No caso da baixa renda, muitas vezes o problema acontece por erro da análise de crédito pela construtora - o caso emblemático é a Tenda, comprada pela Gafisa em 2008.

“O consumo de caixa está crescendo fortemente e não tem outro jeito, o importante é controlar custos, ter disciplina pra gastar e conseguir o repasse dos clientes de forma rápida”, diz Menin, da MRV. “Esse dinheiro vai voltar”, completa.

A securitização de recebíveis - contratos de financiamento de imóveis - é uma alternativa para “engordar” o caixa das companhias. Apenas neste ano, PDG, Cyrela, Brookfield, MRV e Rossi já financiaram a construção de mais de R$ 1 bilhão em apartamentos com a venda de certificados de recebíveis imobiliários.

O GLOBO: Construção civil avança e desponta na Bolsa

terça-feira, novembro 9th, 2010

RIO - O setor de construção civil voltou a chamar a atenção dos investidores este ano com um dos melhores desempenhos da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Os papéis do setor valorizaram-se mais de 20% de janeiro ao fim de outubro, três vezes mais que o Ibovespa no período, índice que serve de termômetro do mercado, revela reportagem de Bruno Villas Boas, publicada pelo GLOBO nesta segunda-feira. Os analistas, por sua vez, garantem que o setor tem fôlego para novos ganhos nos próximos meses, embora alertem para riscos de gargalos de mão de obra e a forte volatilidade dos papéis.

De 15 carteiras de ações recomendadas por corretoras para novembro, os papéis do setor aparecem em 14 delas. O destaque fica para a PDG Realty, preferida em seis carteiras. Na sequência surgem Brookfield (quatro recomendações), Gafisa e Eztec (três em ambas).

Segundo analistas, as empresas de construção seguem com bom potencial de crescimento na Bolsa graças ao aumento do emprego formal (o que dá aos trabalhadores acesso a crédito), elevação da massa salarial e demanda ainda aquecida. Eles lembram que o crédito habitacional responde por apenas 4% do PIB brasileiro. Essa relação seria acima de 10% em países como México e Chile, por exemplo.

- O crédito imobiliário vai aumentar e ainda existe muito espaço para crescimento desse mercado a médio e longo prazos. Os papéis já cresceram e vão crescer mais - afirma Álvaro Bandeira, diretor da Ágora Corretora.

Os papéis da construção representam 9% da carteira teórica do Ibovespa, com seis ações listadas. E, por isso, tornaram-se uma presença quase obrigatória nas carteiras das corretoras, embora tenham uma volatilidade acima da média na Bovespa.

Segundo Bandeira, essa volatilidade estaria ligada às dificuldades de investidores de acompanhar o mercado. Por isso, ele recomenda que o investidor evite ter uma participação grande do setor na carteira de investimentos:

- É um setor relativamente novo na Bolsa e de análise complexa. Quando incorporadoras compram terrenos e lançam imóveis, o caixa vai para o negativo. Quando entregam as chaves, volta ao positivo. É preciso saber separar o que é momento e o que é problema.