Posts Tagged ‘investimentos’

Fundo imobiliário tem 65% mais investidores

quarta-feira, dezembro 5th, 2012

O Estado de S. Paulo - 05/12/2012

Com a queda da taxa Selic e mais opções de fundos no mercado, negócios com esse tipo de papel somaram R$ 452,4 milhões em apenas um mês

O número de investidores em fundos imobiliários teve um crescimento de 64,6% em ape­nas um mês. Em novembro, a Bolsa registrou 96.231 investi­dores, bem acima dos 58.460 de outubro. Essa alta tam­bém impulsionou o volume de negócios realizados. Fo­ram R$ 452,4 milhões no mês passado - o valor representa 50% do negociado em 2011.

“Esse é um movimento que a gentejávem acompanhando há algum tempo e só confirma que o investidor está procurando novas opções de investimentos num cenário de taxa Selic bai­xa”, diz Paulo Cirulli, gerente de Produtos da BM&FBovespa.

Em novembro houve a inclu­são de quatro fundos imobiliá­rios na Bolsa, elevando o total de fundos para 87. Segundo o Esta­do apurou, parte do aumento expressivo de investidores se deve a entrada de um fundo do Ban­co do Brasil, o BB Progressivo II Fundo de Investimento Imobiliá­rio. O valor mínimo de investi­mento era de R$ 2 mil. O fundo pretende captar cerca de R$ 1,59 bilhão e o dinheiro será investido em diversos ativos, entre eles agências e salas comerciais. O BB não quis comentar a informação.

De forma geral, o patrimônio líquido total dos fundos imobiliários chegou a R$ 35 bilhões em outubro, segundo a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). “O fundo imobiliário tem se mostra­do atrativo, a indústria tem se aprofundadobastante e apresen­tado produtos mais criativos pa­ra o investidor”, afirma Cirulli.

A entrada do País no ciclo dos uros baixos tem feito com que osinvestidoresbusquemnovas oportunidades e os bancos pa­recem aproveitar a onda. A Cai­xa Econômica Federal já cap­tou R$ 405 milhões em fundo imobiliário com o objetivo de destinar o montante para a aquisição de imóveis e posterior locação ao banco. O Santander deve seguir pela mesma li­nha. Procurado, o banco não quis comentar.

Fora de setor bancário, em agosto deste ano, a RB Capital conseguiu captar R$ 178,48 mi­lhões para o Fundo de Investi­mento Imobiliário Vila Olímpia Corporate, em apenas um dia e meio após o início da oferta. Os recursos são destinados à com­pra de seis andares de um em­preendimento corporativo in­corporado e construído pela Odebrecht Realizações Imobiliá­rias (OR), em São Paulo.

Investimento. O índice da Bol­sa que mede o desempenho dos fundos mobiliários (IFIX) teve uma variação de 0,4% em no­vembro depois de um recuo de 2,05% em outubro.

É importante ressaltar que o investimento em fundos imobi­liários também traz riscos. Há o risco de vacância do imóvel ou uma retração da economia, o que pode reduzir o ganho do in­vestidor. “Uma das preocupa­ção deve ser como é que vai se comportar o preço do imóvel no futuro”, afirma Alexandre Chaia, professor de finanças do Insper. “Fundos de salas comer­ciais , por exemplo, podem ser mais complicados, é mais difícil ter uma rentabilidade constan­te”, exemplifica o professor.

Personal organizer” chega também às finanças pessoais

quinta-feira, novembro 29th, 2012

Por Antonio Perez | De São Paulo
Valor Econômico - 29/11/2012

Natan Finger, da Private Pay: falta de gestão do orçamento doméstico traz transtornos que vão além das dívidas

Quem está com dor de dente vai ao dentista. Quem quer decorar a casa nova contrata um decorador. Quem deseja orientação para investimentos busca um consultor financeiro. E quem quer controlar as próprias despesas com mão de ferro, sabendo exatamente onde gasta cada centavo? Com tantas ferramentas de gestão das finanças pessoais à disposição - aplicativos para celular, planilhas on-line, extratos bancários pela internet -, qualquer um é capaz, em tese, de controlar suas contas e pode dispensar os serviços de um profissional especializado. Afinal, basta guardar o recibo de cada gasto realizado - do colégio dos filhos, passando pelo banho do cachorro no “pet shop”, até o cafezinho após o almoço - e anotar os valores em planilhas. Basta?

A experiência mostra que são poucas as pessoas que têm disciplina e paciência para a tarefa de contabilizar gasto por gasto. Até gente íntima do mundo das finanças reconhece a dificuldade de cuidar das próprias contas. Ficar anotando tudo o que se consome, como recomendam livros de finanças pessoais, é uma “tremenda chatice”, afirmou Roberto Macedo, ex-presidente da Ordem dos Economistas do Brasil, na reportagem “Remédios duvidosos para males persistentes”, de Flavia Lima, publicada no Valor em 10 de outubro deste ano. “Poucas pessoas conseguem registrar todas as suas despesas e saber exatamente quanto gastam por mês. Eu sei fazer, então proponho que elas me contratem para cuidar disso”, afirma Natan Finger, de 40 anos, que passou mais de dez anos como executivo do banco Credit Suisse, de onde saiu em meados de 2011 com planos de se tornar empresário.

Finger fundou em janeiro deste ano a Private Pay, uma empresa com uma missão sui generis: informar para as pessoas exatamente quanto - e em quê - elas gastam seu dinheiro. “Há muita atenção de bancos e gestores aos ativos [bens e investimentos] dos clientes, mas ninguém dá muita bola para o passivo [gastos e dívidas]“, afirma.

A falta de uma gestão mais acurada do orçamento doméstico traz transtornos que vão além do acúmulo de dívidas ou perda de patrimônio. A desorganização expõe as pessoas a situações vexatórias. Finger conta o caso de dois clientes de alta renda que passaram por momentos constrangedores por simples falta de organização. Um deles foi chamado pela escola dos filhos para uma reunião e descobriu que não pagava a mensalidade há quatro meses. Outro sofreu duas vezes com o corte do fornecimento de energia elétrica porque se esqueceu de pagar a conta.

Para organizar a vida financeira das pessoas com o menor transtorno possível, Finger bolou um sistema novo de captura de dados. Quem se torna cliente da Private Pay recebe uma caixa da companhia (veja foto nesta página), em que deve depositar todos os documentos e recibos de compras. Foi ao cinema, ao restaurante, a um bar ou pôs a mão no bolso por qualquer outro motivo, jogue o comprovante de pagamento (pelo cartão de débito ou crédito) na caixa.

Em datas específicas, avisadas com antecedência por e-mail, um portador da Private Pay vai à casa do cliente e retira os documentos num envelope lacrado, identificado com um número único de protocolo. Todos os documentos são copiados e as informações (valor, tipo de compra etc) inseridas em um software desenvolvido pela empresa. A partir daí, são gerados relatórios com todas as informações do cliente que podem ser vistos pela internet. Além das categorias tradicionais - habitação, transportes, supermercado, restaurantes etc -, o serviço oferece, por exemplo, a opção de agrupar as despesas por centro de custos. Ou seja, quanto é gasto pelo cliente, quanto pelo cônjuge, quanto pelos filhos.

Por enquanto, são oferecidos dois pacotes. O primeiro, chamado “Controle”, conta com duas visitas do portador por mês e a consulta on-line dos relatórios. O custo varia de acordo com os gastos realizados pelo cliente. Em casos de despesas de até R$ 20 mil por mês, haverá cobrança de 1,50% dos gastos totais. Esse percentual cai à medida que os desembolsos aumentam. Por exemplo, se em um mês as despesas do cliente são de R$ 45 mil, ele pagará 1,50% sobre os primeiros 20 mil. Para os gastos entre R$ 20 mil e R$ 40 mil, a taxa será de 1,23%. Para os últimos R$ 5 mil, a taxa será de 1,11%. Caso os gastos do cliente sejam menores que R$ 20 mil, há cobrança mínima mensal de R$ 300.

O segundo pacote, cujo nome é “Seguro”, inclui até oito visitas ao mês, relatórios e o alerta de vencimento de contas. O mecanismo de cobrança é igual ao do “Controle”, mas com percentual inicial de 2,50% dos gastos totais (até R$ 20 mil) e cobrança mínima mensal de R$ 450,00.

Segundo Finger, trata-se de um serviço desenhado para atender as classes A e B. Estão na lista profissionais autônomos como médicos, clientes do segmento de private banking dos bancos, de escritórios de gestão de fortunas e de family offices. É gente com quem Finger conviveu durante os anos em que trabalhou no mercado financeiro. Outra ideia é fazer parcerias com áreas de recursos humanos para oferecer o serviço como benefício a executivos de grandes companhias. “São pessoas que têm mais que dois carros, empregados domésticos, como motorista e diarista, e não conseguem gerenciar os gastos”, afirma.

Fundada no início do ano, a Private Pay lançou seus serviços há quatro meses. Hoje, tem um grupo de cerca de 40 clientes (aproximadamente 20 são amigos e familiares). Há desde quem gaste R$ 5 mil até indivíduos com despesas mensais de R$ 100 mil. A média gira em torno de R$ 35 mil. A perspectiva de Finger é ter uma carteira de 500 clientes até meados de 2013, o que daria à empresa uma situação financeira confortável. Com mais de 2 mil, o negócio tornaria-se muito lucrativo, garante Finger. “Mas é algo com potencial para ter 10 mil clientes”, acredita.

Homens e mulheres, diferentes estilos de investir

quarta-feira, outubro 3rd, 2012

JT - Seu dinheiro

Sondagem realizada pela empresa de pesquisa Quorum Brasil com 100 homens e mulheres com renda pessoal entre R$ 5 e R$ 9 mil, mostra diferenças de estilo entre os dois gêneros na hora de investir.

A principal conclusão do levantamento é a de que a caderneta de poupança se mantém como o porto seguro de quem investe. E atrai cada vez mais as mulheres, que fogem de investimentos onde o risco pareça elevado ou desconhecido.

Diante da pergunta: quais investimentos têm realizado ultimamente, 74% dos homens e 86% das mulheres responderam que é a caderneta de poupança.

O mais curioso é que, para a maioria dos entrevistados, a poupança não é um investimento dos mais rentáveis: apenas para 8% das mulheres e 7% dos homens ela está no topo da lucratividade.

Ao que parece, o mérito da poupança para esses investidores é mesmo a segurança. No caso das mulheres, esse é o aspecto mais importante na tomada de decisão. Diante da questão: o que você considera na hora de investir, o risco do investimento recebeu 62% das indicações femininas. A confiança na instituição financeira onde estão as aplicações ficou com 32%. A rentabilidade ganhou 47% das respostas desse grupo.

Já para os homens, a rentabilidade, com 58% das respostas, é a primeira preocupação, seguida pelo risco do investimento (53%) e a confiança na instituição (25%). As respostas são múltiplas.
Segundo o estudo, o imóvel vem na sequência como a segunda opção de investimento, com forte percepção de que é aquele com maior rendimento (para 62% das mulheres e 41% dos homens) e com maior sensação de garantia de futuro (para 88% das mulheres e 69% dos homens).

“Os imóveis tendem a se manter em crescimento como objeto de desejo da classe média, quer seja para investir, quer seja para garantir o futuro”, avaliam os analistas da Quorum Brasil.
Embora seja a principal aplicação, a poupança aparece em segundo lugar quando a questão é o melhor ativo para garantir o futuro da família – 61% das mulheres e 54% dos homens.

Outra conclusão do estudo é o crescente interesse das mulheres pelos planos de previdência privada. O produto é importante para o futuro da família para 57% delas e para 43% dos homens.

Depois da poupança, os planos de previdência são a segunda aplicação para as mulheres, com 27% das respostas. As que têm filhos são as que mais tendem a escolher este ativo, informam os analistas. Em seguida, elas aplicam em fundos de renda fixa (21%) e em imóveis (19%). Já os homens preferem (depois da poupança) os fundos de renda fixa (32%), os imóveis (23%) e só depois os planos de previdência (12%).

Ainda de acordo com a pesquisa, 8% dos homens têm investido em ações ultimamente, ante apenas 3% das mulheres.

Com plano bilionário, GJP Hotéis quer chegar a todo Brasil

terça-feira, setembro 18th, 2012

Empresa de hotéis do fundador da CVC, Guilherme Paulus, pretende estar em todas as capitais do Brasil até 2014

Marcela Ayres, de Exame.com

São Paulo - A GJP Hotéis & Resorts, empresa do fundador da CVC, Guilherme Paulus, anunciou hoje um plano de investimento de mais de 1 bilhão de reais para marcar presença em todas as capitais brasileiras até 2014, ano da Copa do Mundo no país. Atualmente, a rede tem hotéis e canteiros de obras em cinco capitais: Salvador, Aracaju, Rio de Janeiro, Natal e Maceió. O objetivo da grupo é estar entre as cinco maiores redes hoteleiras do Brasil em cinco anos.

“Investimos em hotelaria porque sempre vai haver alguém querendo uma cama para dormir em algum lugar do país”, brincou Paulus, em coletiva à imprensa. Cerca de 500 milhões de reais serão destinados à melhoria e expansão dos empreendimentos que já fazem parte do grupo - 14 unidades, sendo 12 em operação.

Na frente da construção, a ideia é colocar dez novos hotéis econômicos de pé, com um desembolso de aproximadamente 150 milhões de reais. Outros dez a 12 hotéis de categoria superior deverão ser erguidos, com um investimento de 500 milhões de reais.

Para tocar o projeto, o grupo está buscando financiamento junto a bancos públicos e investidores privados, incluindo fundos imobiliários. Recursos próprios também serão empregados na empreitada.

Bandeira comum

A partir de agora, todos os empreendimentos da GJP deverão levar uma das três novas bandeiras do grupo: Linx (econômica), Prodigy (quatro estrelas) ou Wish (cinco estrelas). As atuais unidades da rede também serão convertidas à mesma classificação em um prazo de seis meses, com investimentos de 15 milhões de reais.

Para 2012, a GJP Hotéis & Resorts prevê um faturamento de 100 milhões de reais, que representará um crescimento de 17% em relação ao resultado do ano passado. A empresa pertence à holding GJP, que também possui 36,7% da operadora de turismo CVC - o restante pertence ao Carlyle, que comprou a fatia majoritária de Guilherme Paulus em 2009, por 700 milhões de reais.

Criada justamente para atender à demanda da CVC na região turística de Gramado, a GJP Hotéis & Turismo adquiriu o Serrano Resort Convenções & SPA, localizado na cidade gaúcha, em 2005. De lá para cá, a companhia inflou sua carteira de ativos. Hoje, a companhia soma 1.300 colaboradores.

Com plano bilionário, GJP Hotéis quer chegar a todo Brasil

segunda-feira, setembro 17th, 2012

Empresa de hotéis do fundador da CVC, Guilherme Paulus, pretende estar em todas as capitais do Brasil até 2014

Marcela Ayres, EXAME.com

Guilherme Paulus: fundador da CVC e presidente da GJP Hotéis & Resorts

São Paulo - A GJP Hotéis & Resorts, empresa do fundador da CVC, Guilherme Paulus, anunciou hoje um plano de investimento de mais de 1 bilhão de reais para marcar presença em todas as capitais brasileiras até 2014, ano da Copa do Mundo no país. Atualmente, a rede tem hotéis e canteiros de obras em cinco capitais: Salvador, Aracaju, Rio de Janeiro, Natal e Maceió. O objetivo da grupo é estar entre as cinco maiores redes hoteleiras do Brasil em cinco anos.

“Investimos em hotelaria porque sempre vai haver alguém querendo uma cama para dormir em algum lugar do país”, brincou Paulus, em coletiva à imprensa. Cerca de 500 milhões de reais serão destinados à melhoria e expansão dos empreendimentos que já fazem parte do grupo - 14 unidades, sendo 12 em operação.

Na frente da construção, a ideia é colocar dez novos hotéis econômicos de pé, com um desembolso de aproximadamente 150 milhões de reais. Outros dez a 12 hotéis de categoria superior deverão ser erguidos, com um investimento de 500 milhões de reais.

Para tocar o projeto, o grupo está buscando financiamento junto a bancos públicos e investidores privados, incluindo fundos imobiliários. Recursos próprios também serão empregados na empreitada.

Bandeira comum

A partir de agora, todos os empreendimentos da GJP deverão levar uma das três novas bandeiras do grupo: Linx (econômica), Prodigy (quatro estrelas) ou Wish (cinco estrelas). As atuais unidades da rede também serão convertidas à mesma classificação em um prazo de seis meses, com investimentos de 15 milhões de reais.

Para 2012, a GJP Hotéis & Resorts prevê um faturamento de 100 milhões de reais, que representará um crescimento de 17% em relação ao resultado do ano passado. A empresa pertence à holding GJP, que também possui 36,7% da operadora de turismo CVC - o restante pertence ao Carlyle, que comprou a fatia majoritária de Guilherme Paulus em 2009, por 700 milhões de reais.

Criada justamente para atender à demanda da CVC na região turística de Gramado, a GJP Hotéis & Turismo adquiriu o Serrano Resort Convenções & SPA, localizado na cidade gaúcha, em 2005. De lá para cá, a companhia inflou sua carteira de ativos. Hoje, a companhia soma 1.300 colaboradores.

Venda mobile já é realidade para Pão de Açúcar, Netshoes e Hotéis.com

quinta-feira, agosto 30th, 2012

Cada vez mais marcas investem nas vendas via celular e tablet e buscam tecnologias para oferecerem aos consumidores experiências de qualidade e ganharem mercado

Por Leticia Muniz, do Mundo do Marketing | 30/08/2012

leticia.muniz@mundodomarketing.com.br

Para atenderem a demanda crescente de consumidores em busca de praticidade e ganharem mercado, marcas como Netshoes, Pão de Açúcar e Hotéis.com têm investido e obtido resultado em plataformas de venda mobile. As empresas se baseiam no aumento nos números de dispositivos no Brasil para acelerarem o processo de implementação das ferramentas.

Em outubro de 2011, a Netshoes lançou a sua loja mobile e já viu a demanda superar as expectativas. A previsão inicial era de que o segmento representasse 0,5% das vendas, porém, o volume já alcançou 2% e deve chegar a 4% nos próximos meses. Não há limites para as compras nesse tipo de dispositivo, já que a marca chegou a registrar a venda de uma bicicleta de R$ 8 mil por meio de um tablet. O ticket médio destas vendas atualmente supera o do site, representando 25% do total.

A loja virtual decidiu antecipar a criação da sua versão mobile pela popularização dos aparelhos. “Hoje o Brasil tem 58 milhões de smartphones e os planos de navegação pré-pagos ajudaram a revolucionar essa área e tornaram o processo mais rápido. Para nós essa é mais uma plataforma de relacionamento e um canal de vendas”, explica Renato Mendes, Gerente de Marketing para Assuntos Corporativos da Netshoes, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Qualidade de navegação
Para oferecerem uma experiência proveitosa para os compradores, as empresas precisam estar atentas para requisitos básicos, já conhecidos pela maioria, como qualidade de navegação, desenvolvimento de páginas específicas e as diferenças de perfil de quem acessa por cada um dos dispositivos.

Outro ponto que deve ser levado em consideração é a capacidade de atender o cliente em qualquer horário. “Precisamos pensar que quem acessa pelo celular ou tablet não tem muita paciência para perder tempo, principalmente pelo tamanho de tela, então é preciso entregar de cara o que ele quer. Outra ação que implantamos foi o atendimento telefônico 24 horas, para que a pessoa possa estabelecer contato sempre que precisar”, conta Renato Mendes.

Não é de hoje que marcas como a Hotéis.com vêm investindo nesse serviço. A empresa lançou em maio de 2011 um aplicativo para smartphones e tablets que permite fazer e consultar reservas de hotéis. Para a empresa, a alternativa vem sendo importante e servindo principalmente para os clientes que precisam do serviço em caráter de urgência ou que querem fazer extensões em suas hospedagens. A marca também faz parcerias com redes específicas para o cliente que utiliza os canais mobile.

Extreme Booking
Hoje, 70% do serviço é utilizado para reservas no mesmo dia. “O que percebemos é que esse é um perfil diferenciado de consumidor, que tem pressa. São pessoas que precisam viajar a trabalho ou que querem ficar mais um dia na cidade onde estão hospedadas”, conta Carolina Piber, Diretora de Marketing da Hoteis.com para a América Latina.

Além de ter necessidades urgentes, o comprador mobile também apresenta um perfil mais exigente e, por isso, as marcas que querem investir nesse segmento não podem errar, sobretudo no que diz respeito à qualidade de navegação. As páginas devem ser customizadas, oferecendo diretamente o que se precisa e evitando a necessidade de muitos cliques. Isso porque a baixa qualidade de navegação acaba fazendo com que o tempo de interação seja menor.

É preciso, em primeiro lugar, pensar no usuário. “É necessário ter consideração pelo cliente e oferecer qualidade em uma interface amigável. Os conteúdos não podem ser cansativos. O mercado está crescendo e a maioria das compras são de última hora”, diz Carolina Piber.

Comparação de preços
O mobile também é frequentemente usado pelo consumidor como uma ferramenta de comparação de preços. “Comumente as pessoas vão a uma loja física, experimentam um produto e depois, do próprio celular, acessam a loja virtual para fazerem uma comparação de preços. A compra fica facilitada porque a pessoa já experimentou o que queria, já viu na mão. É uma plataforma muito interessante”, pondera Renato Mendes, da Netshoes

Embora as marcas estejam experimentando um crescimento nas vendas mobile, ainda há diferentes impedimentos para o acesso. De acordo com dados do Ibope, 43% dos brasileiros não efetuam compras pelas plataformas mobile por conta do tamanho, enquanto 41% reclamam da baixa qualidade das imagens. No mercado americano, 89% das pessoas usam os aparelhos para pesquisas de preço enquanto estão dentro de uma loja física. Desses, 80% compram, enquanto 40% fazem comparações.

As barreiras, no entanto, não impedem as vendas de alimentos por meio do celular e do tablet. Há dois meses o Pão de Açúcar lançou uma vitrine mobile que possibilita efetuar compras pelo celular por meio da tecnologia QR code. O projeto foi criado no Shopping Cidade Jardim, em São Paulo e traz uma estrutura em painéis que simula as gôndolas do supermercado. O cliente escolhe o que quer e recebe os produtos em casa.

O projeto inspirado na gigante inglesa Tesco, implantado na Coréia do Sul já aumentou as vendas mobile em 50%. “O projeto foi uma alternativa para aquelas pessoas que não podiam estar em uma loja física. O que quisemos foi expandir a nossa marca por meio da inovação. O número de uploads vem sendo crescente”, conta Andréa Dietrich, gerente de Marketing Digital do Grupo Pão de Açúcar.

O aplicativo também garante a praticidade para o consumidor oferecendo a alternativa de guardar as listas de compras já efetuadas. O direcionamento é para quem não dispõe de tempo suficiente para as compras do mês ou que precisam fazê-las no trânsito ou durante viagens de trabalho.

Desenvolvimento de tecnologias
Voltada para o mercado mobile, a Mundipagg atua desenvolvendo tecnologias e soluções para este segmento e atendendo redes varejistas. A companhia vem notando um crescimento importante no mercado mobile, mas ainda encontra dificuldades na expansão do setor principalmente por conta da baixa qualidade da internet móvel no país.

A expectativa é que o serviço seja expandido com a difusão do sistema 4G. “A expectativa é que isso dispare, porque a velocidade de conexão vai melhorar muito. A tendência é que cada vez mais as lojas vejam o celular como num canal diferenciado”, explica Fábio Barbosa, Sócio da Mundipagg.

As plataformas mobile podem atuar ainda como ferramentas de fidelização e recuperação de vendas. “Isso porque ela possibilita que, dentro de uma loja o cliente acesse outra pelo celular para comparar e fazer compras. É um mercado muito importante e as empresas que querem crescer têm que investir no Mobile”, pondera Fábio Barbosa ao Portal.

O crescimento do mercado mobile, com a penetração dos smartphones, que deve saltar dos atuais 14% para 50% nos próximos anos, apresenta um novo cenário: os aparelhos passam a atuar como uma “loja de bolso”. “O mobile payment já é uma realidade no Brasil. A principal vantagem é que as pessoas podem comparar preços com muito mais facilidade, além de poderem experimentar o produto em uma loja física antes de comprar, reduzindo o receio de usar apenas o digital. Hoje, a maioria dos e-commerces estão seguindo essa tendência para oferecerem a comodidade aos consumidores”, conta Marcelo Mastelo, Especialista em Marketing Digital e Sócio-diretor da F.biz, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Odebrecht Realizações mantém planos para 2012

quinta-feira, agosto 23rd, 2012

Chiara Quintão | De São Paulo
Valor Econômico - 23/08/2012

Num ano em que boa parte das incorporadoras de capital aberto está reduzindo suas operações, a Odebrecht Realizações Imobiliárias, empresa do grupo Odebrecht, mantém meta de lançar R$ 6,5 bilhões. O mercado não espera que os lançamentos de nenhuma incorporadora listada em bolsa cheguem a esse patamar em 2012. A PDG Realty, por exemplo, reduziu sua meta de lançamentos deste ano de R$ 8 bilhões a R$ 9 bilhões para de R$ 4 bilhões a R$ 5 bilhões.

Na avaliação do presidente da Odebrecht Realizações, Paul Altit, as perspectivas para o setor imobiliário são muito boas no médio e longo prazo. “O mercado está mais seletivo do que há um ano, mas nós somos super-seletivos.” Essa seletividade está presente, segundo ele, na definição dos projetos, na escolha de locais de atuação e no foco em projetos específicos.

O volume de lançamentos do primeiro semestre e as metas de vendas não são divulgados. O ritmo de comercialização está conforme o planejado, segundo Altit.

Em setembro, a Odebrecht Realizações lançará a primeira fase do Parque da Cidade, empreendimento misto a ser desenvolvido em terreno de 62 mil m2, onde funcionava a antiga fábrica da Monark, nas proximidades do MorumbiShopping, em São Paulo. Do Valor Geral de Vendas (VGV) total do projeto de R$ 4 bilhões, R$ 1,6 bilhão será lançado neste ano.

Este é o maior projeto urbano da Odebrecht e é um dos 18 do mundo que participam do Climate Positive Development Program, da C40, Fundação Clinton e do US Green Building Council.

A primeira fase terá duas torres de grandes lajes corporativas de padrão triple A, um edifício de saletas comerciais, um shopping center de vizinhança e um hotel, a serem entregues em até três anos. A taxa de vacância do segmento corporativo tem aumentado no mercado paulistano, e a tomada de decisão por potenciais ocupantes está mais lenta, mas a empresa aposta na demanda de médio e longo prazo decorrente do crescimento da economia.

As outras etapas incluem três torres corporativas e duas residenciais para média-alta e alta renda. O lançamento das torres residenciais ocorrerá, a partir de 2016.

A Odebrecht Realizações não divulga os investimentos totais estimados para o projeto, que levou um ano e quatro meses para ser aprovado e será desenvolvido em até dez anos. O terreno, incluindo impostos, custou cerca de R$ 290 milhões, e os Certificados Adicionais de Potencial Construtivo (Cepac), para erguer quatro vezes a área do terreno, R$ 250 milhões,

O financiamento à produção da primeira fase ainda não foi contratado. Nesta etapa, parte dos recursos das torres corporativas será originada de investidores nacionais, como fundos e family offices. O investidor que irá desenvolver o hotel em parceria com a Odebrecht Realizações será a Iron House, do grupo Cornélio Brennand.

Na Odebrecht Realizações, o formato de aportes de recursos é desenhado conforme especificidades de cada projeto. Segundo Altit, entre as possibilidades estão a participação de sócios nas Sociedades de Propósito Específico (SPEs) e a captação de recursos por certificados de recebíveis imobiliários (CRIs), letras de crédito imobiliário (LCIs) e fundos de investimento imobiliário (FIIs). “Estamos sob o guarda-chuva da Odebrecht. Temos a confiança em buscar soluções por projetos junto a bancos e investidores”, diz Altit.

No portfólio de lançamentos já realizados em 2012 ou previstos para o ano estão também projetos em cidades como Rio de Janeiro, Brasília, Salvador, Recife, Belo Horizonte e Santos. No segmento residencial, a Odebrecht está presente nos segmentos econômico e de média-alta renda, e a intenção é atuar também na média renda a partir de 2013 ou 2014.

Avanço da nova classe média prossegue, diz especialista

sexta-feira, agosto 17th, 2012

Apesar da desaceleração da economia, pesquisador da FGV Marcelo Neri reafirma projeção de que a classe C terá mais 12 milhões de pessoas até 2014

Keila Cândido, de Veja

São Paulo - A expansão da classe média brasileira segue robusta, conforme dados apurados até junho, afirma o economista e coordenador do Centro Políticas Sociais (CPS) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Marcelo Neri. Em debate na 22ª Bienal do Livro, em São Paulo, ele reafirmou a projeção de que mais 12 milhões de pessoas ascenderão para esse segmento até 2014. Nas classes A e B, o número de entrantes chegará a 7,7 milhões. Neri não arrisca dizer, contudo, como será o comportamento dessas classes sociais de 2015 em diante. Entre 2003 e 2011, a nova classe média – que tem renda familiar de 1.700 reais – incorporou 40 milhões de pessoas.

Para Neri, foi a nova classe média que estabilizou a economia brasileira e fez crescer o Produto Interno Brunto (PIB) nos últimos anos em que tônica foi a crise internacional. “A classe média é o amortecedor interno da economia. Se ela quebrar, não sabemos para onde vai o país”, disse. O economista, autor do livro “A Nova Classe Média - O Lado Brilhante da Base da Pirâmide”, participou nesta quinta-feira de debate sobre o assunto.

2014 – Após a renda do brasileiro ter aumentado nos últimos anos, na esteira do crescimento econômico, o pesquisador não se arrisca a dizer como será sua evolução num intervalo de tempo mais extenso, a partir de 2014. “Estamos em um momento de pleno emprego, mas é arriscado dizer qual será a renda real das famílias da nova classe média”, disse.

Para Neri, por ora, não há sinal de que haverá reversão da ascensão social dos mais pobres. A classe média, aliás, ganhou força, segundo dados apurados até junho. De acordo com o economista, o mercado de trabalho faz mais diferença para o consumo destas pessoas do que o acesso crédito. “O que importa para elas é trabalhar e ter dinheiro no bolso para consumir”, explicou.

Novo consumidor – A nova classe média, hoje com maior poder de compra, tem tido acesso a bens e serviços que, anteriormente, eram restritos às classes A e B, tais como planos de saúde, escolas particulares e previdência privada. Neri lembrou que a má qualidade na oferta de serviços tem gerado nesse novo consumidor uma sensação de frustração. Na avaliação do especialista, é para essa insatisfação que as empresas têm de olhar. “Esta é a nova agenda no Brasil. As pessoas estão consumindo fortemente, e são exigentes”, afirmou.

Segundo Neri, os pacotes do governo para melhorar a infraestrutura do país – tal o programa de investimento de ferrovias e rodovias anunciado nesta quarta-feira – são de “extrema importância” porque esses novos consumidores aumentam os desafios do país. Em outras palavras, as pessoas estão consumindo o que antes não tinham acesso, como viajar de avião, por exemplo, o que tem aprofundado os gargalos dos aeroportos do país.

A alta da inadimplência verificada nos últimos meses não deve ser considerada o pior problema da classe C, na visão do economista. “O problema no Brasil não é de endividamento, mas sim as altas taxas de juros”, declarou. Outro problema, na opinião do pesquisador, é baixa taxa de poupança do brasileiro.

Comparações – Para o pesquisador, não é possível comparar a classe média americana à brasileira porque os perfis são muito diferentes. A renda das famílias e o tipo de consumo são bastante distintos. Neri relata que, desde 2004, quando houve o início da ascensão da classe média, o Brasil teve três saltos: mais pessoas tiveram acesso a cursos técnicos, houve aumento do número de pessoas com carteira assinada e a qualificação profissional também melhorou. Para o pesquisador, o acesso à educação é um avanço muito importante que contribui para a ascensão da classe C. “Quem olha para a classe média com olhar estrangeiro – de fora para dentro – não percebe o valor do que tem acontecido”, disse. Essas particularidades representam outros elementos que não permitem equiparar a realidade brasileira com a americana.

O coordenador do CPS/FGV preferiu comparar o crescimento brasileiro ao de China e índia, que classificou como “invejáveis”. Contudo, na opinião do economista, no Brasil há um fator qualitativo: a redução da desigualdade. “No Brasil, o crescimento é mais sustentável porque temos a redução da desigualdade, que vem caindo nos últimos onze anos”, disse. “Este é o ingrediente brasileiro do crescimento”, comemorou.

Odebrecht e Accor firmam parceria para 3 novos hotéis em SP

terça-feira, agosto 7th, 2012

A capital paulista receberá o principal projeto da parceria com a construção de um complexo hoteleiro na região da Barra Funda
Vivian Pereira, da REUTERS

São Paulo - O aumento da demanda, combinado à baixa oferta de novos empreendimentos em São Paulo, levou o braço imobiliário da Odebrecht a apostar na construção de três novos hotéis no estado, em parceria com a Accor, maior grupo hoteleiro do mundo, com Valor Geral de Vendas (VGV) total de 258 milhões de reais.

A capital paulista receberá o principal projeto da parceria com a construção de um complexo hoteleiro na região da Barra Funda, o primeiro no Brasil com a nova marca do grupo Accor, a ibis Styles (antiga All Seasons).

Com foco em hóspedes corporativos, o empreendimento tem VGV de 103 milhões de reais e contará com 308 quartos, com a conclusão prevista para novembro de 2015. Além do hotel, estão previstos no complexo uma torre de escritórios e outra residencial, além de um shopping center.

“Hotelaria é uma oportunidade em São Paulo… a demanda é muito forte e existe carência de novos quartos”, disse o diretor regional da Odebrecht Realizações Imobiliárias, Paulo Melo.

As companhias anunciaram ainda dois novos empreendimentos em Santos, no litoral de São Paulo: Novotel Legend e ibis Valongo, com VGV de 85 milhões e 70 milhões de reais, respectivamente, e conclusão estimada para abril de 2015 e janeiro de 2016.

Os projetos, cujos recursos sairão do caixa da Odebrecht, serão vendidos a investidores. Para a construção, a companhia deve recorrer a uma linha de financiamento voltada ao mercado imobiliário, ainda em negociação.

“Existe uma carência de novos hotéis em São Paulo…ficamos muito tempo sem nada ser apresentado”, afirmou o diretor de desenvolvimento da Accor para a América Latina, Abel Castro. “Existe uma oportunidade muito grande em São Paulo”.

Segundo ele, seria necessária a inauguração de 18 novos hotéis a cada ano para acompanhar o atual ritmo de crescimento da demanda.

A parceria, por meio da qual a Odebrecht já possui três hotéis na Bahia, encerra um hiato de dez anos sem lançar empreendimentos hoteleiros na cidade de São Paulo.

Com portfólio de 15 hotéis no país, 9 deles já lançados com VGV total de 1,075 bilhão de reais, a Odebrecht Realizações Imobiliárias elegeu o modelo de “complexo multiuso” como estratégia para se diferenciar no segmento hoteleiro e driblar a escassez de terrenos bem localizados nas grandes cidades.

“Acreditamos no modelo de desenvolvimento imobiliário de cidade compacta, com lojas, escritórios e hotel no mesmo local”, disse Melo. “Isso cria valor e conveniência”. Embora com variações, os três novos empreendimentos anunciados nesta terça-feira integram este formato.

“Comprar terreno bem localizado em São Paulo apenas para construção de um hotel é uma equação difícil”, acrescentou o executivo. “A ideia é equilibrar o mix do projeto com empreendimentos múltiplos”.

Ainda segundo Melo, o braço imobiliário da Odebrecht deve anunciar outros dois empreendimentos hoteleiros na capital paulista até o final do ano.

Em 2011, a Odebrecht Realizações Imobiliárias apresentou lançamentos da ordem de 3 bilhões de reais e apurou faturamento de 1,5 bilhão de reais

“Sou um oportunista profissional”, diz Sam Zell

quarta-feira, agosto 1st, 2012

O megainvestidor Sam Zell acredita que o mercado imobiliário brasileiro vai continuar a crescer — e vê oportunidades, apesar da desaceleração da economia

Cristiane Mano, de Exame
Nova York - Sorridente, de calça jeans e o colarinho da camisa aberto, o megainvestidor americano Sam Zell recebeu EXAME para uma entrevista exclusiva numa manhã ensolarada em Manhattan.

Nada remetia à imagem soturna de um investidor que se autodenomina gravedancer (em português, algo como “dançarino de túmulos”), em referência à sua habilidade de fazer dinheiro com empresas quebradas. No Brasil, ele é mais conhecido como um dos primeiros grandes investidores estrangeiros a mandar dólares para o mercado imobiliário local, em 2005.

Nos últimos dois anos, porém, sur­preendeu ao se desfazer de partici­pações importantes em empresas como a Gafisa. Acertou em cheio — desde que começou a vender suas ações, em 2010, o valor de mercado da in­corporadora caiu 80%.

Se ele saiu na hora certa, alguns de seus mais recentes movimentos demonstram novamente o interesse de Zell pelo Brasil. Em 2012, ele comprou o grupo imobiliário paranaense Thá, com um faturamento aproximado de 1,5 bilhão de reais, e fez uma oferta conjunta com a GP Investimentos para recuperar o controle da Gafisa — a proposta foi recusada em fevereiro.

Zell viaja a negócios para o Brasil no dia 30 de julho. O investidor, no entanto, não diz se a oportunidade do momento é a compra ou a venda de ativos. A seguir, os principais trechos da entrevista.

EXAME - Há três anos, o senhor disse que, se pudesse, “compraria o Brasil”. Continua otimista como antes?

Sam Zell - Muita coisa mudou desde então. Naquela época, o país crescia a uma taxa de 8% e todos os investidores do mundo queriam estar no Brasil. Agora, o país cresce 2,5% e o ritmo está reduzindo. Boa parte do que está acontecendo no país é reflexo da crise na Europa.

Todos os mercados emergentes sofrem uma desaceleração e o Brasil não é exceção. A moeda brasileira desvalorizou 18% desde o início do ano. A moeda indiana desvalorizou 25% no mesmo período. O crescimento chinês está mais lento.

EXAME - Isso quer dizer que os tempos de prosperidade estão ficando para trás?

Sam Zell - Não. Daqui a dez anos, o Brasil vai sair disso bem. Mas os próximos dois ou três anos serão mais difíceis, com um contexto externo desfavorável.

EXAME - As oportunidades de negócios no país também devem diminuir?

Sam Zell - Pontos de vista diferentes podem fazer a mesma situação parecer interessante para um e assustadora para outro. Quando começamos a investir no Brasil, ninguém nos seguiu. Não tínhamos competição e era ótimo. Depois passamos a ter muita competição — e ficou menos ótimo. Agora temos menos competição de novo. As oportunidades tendem a aumentar.

EXAME - Nos últimos seis meses, o senhor comprou uma participação no grupo Thá e tentou arrematar novamente o controle da Gafisa. Quantos negócios podemos esperar neste ano?

Sam Zell - Sou um oportunista profissional. O número de transações que teremos será proporcional às oportunidades que encontrarmos.

EXAME - Em sua opinião, existe uma bolha no setor imobiliário brasileiro?

Sam Zell - Não. Enquanto houver mais demanda do que oferta no país — como atualmente —, não haverá bolha.

EXAME - Por que tantas empresas do setor passaram por apuros com maus resultados no balanço e queda expressiva nas ações?

Sam Zell - Não diria que elas passaram por apuros, mas o setor saiu de um período ótimo e agora não está tão ótimo assim. Ganhamos muito dinheiro com empresas como a BR Malls (gestora de shopping centers), um dos melhores investimentos que já fizemos. Muitas companhias do setor imobiliário, como a Gafisa, tiveram dificuldades por problemas na gestão.

EXAME - O senhor pressentiu problemas antes de vender sua participação na Gafisa em 2010?

Sam Zell - Não. Muitos de nossos investimentos no Brasil fazem parte de fundos. E fundos, infelizmente, têm um fim. Nosso investimento original na Gafisa era do fundo 2 — agora já estamos no fundo 5. Fomos obrigados a vender as ações para remunerar nossos investidores.

Os problemas na empresa começaram logo depois. Mais recentemente, demos uma segunda olhada na Gafisa para investir junto com a GP. Mas não houve interesse por parte do conselho. Talvez tenha sido melhor assim.

EXAME - O que deu errado com a Gafisa?

Sam Zell - Tudo aconteceu depois que deixamos o controle e o conselho. Os problemas começaram quando a empresa deixou de ter um controlador. Seguiu-se um período instável e o conselho não se manteve coeso para tomar decisões. Mas essa é apenas minha opinião.

EXAME - O conselho da Gafisa agiu no melhor interesse dos acionistas ao negar sua oferta neste ano?

Sam Zell - Não tenho opinião sobre isso.

EXAME - O que planejava para a Gafisa se tivesse retomado o controle?

Sam Zell - Como a oferta não foi aceita, não vamos discutir nossos planos.

EXAME - A Gafisa ainda permanece alvo de compra para o senhor?

Sam Zell - Não tenho visto os números nos últimos meses, portanto não sei.

EXAME - Existem muitas empresas sem dono nos Estados Unidos — enquanto isso ainda é raro no Brasil. Por quê?

Sam Zell - Com a maturação da economia brasileira, quase por definição, haverá mais e mais empresas sem controlador. Pense no caso da General Electric, nos Estados Unidos. Se alguém quiser ter participação relevante, terá de dispor de mais de 25 bilhões de dólares em ações.

À medida que as economias crescem e se expandem, o controle dissolvido na bolsa representa uma evolução natural. Isso ainda não está acontecendo no Brasil. Mas, à medida que as empresas se valorizarem na bolsa, daqui a uns cinco anos, poderá se tornar algo trivial.

EXAME - Quais são os outros setores que o interessam no Brasil?

Sam Zell - Já investimos um pouco em varejo e agricultura. Olhamos muitas oportunidades. Mas, por enquanto, não achamos nada tão animador quanto o setor imobiliário.

EXAME - Cerca de 70% de seus investimentos nos Estados Unidos atualmente são dedicados a setores como infraestrutura e energia. Por que sua empresa, a Equity International, não investe nessas áreas no Brasil?

Sam Zell - No Brasil, a área de energia é dominada por Petrobras e OGX. E não há um número vasto de novas empresas em diversos estágios de desenvolvimento, como nos Estados Unidos.

EXAME - E há oportunidades na área de infraestrutura?

Sam Zell - Em tese é uma área muito interessante no Brasil. Há muito para fazer. Mas se trata de um investimento muito sensível ao custo de capital. E o custo de capital no Brasil é muito alto — e deve se manter alto. O retorno do investimento nesse setor, portanto, não me parece muito bom. São investimentos muito grandes e o retorno é de muito longo prazo.

EXAME - Com a crise, quais são as oportunidades nos Estados Unidos?

Sam Zell - As empresas ainda estão muito endividadas. Existe muita oportunidade para ter lucro ao oferecer dinheiro rápido e certo a empresas em dificuldades. Já investimos mais de 600 milhões de dólares nisso nos últimos três anos e é uma modalidade que ainda nos interessa muito.

EXAME - Circularam rumores de que o senhor está levantando 1 bilhão de dólares no mercado americano para um fundo dedicado a esse tipo de socorro a empresas em dificuldades. É verdade?

Sam Zell - Não podemos comentar os rumores do mercado. Mas, de fato, temos bastante interesse nessa modalidade de investimento.

EXAME - Em sua opinião, a recuperação americana continuará lenta?

Sam Zell - Depende da confiança em relação ao governo — e hoje ela não é muito grande. Há muito dinheiro no mercado. A recuperação americana depende muito mais da confiança de investidores e consumidores do que de qualquer outra coisa.