Posts Tagged ‘lançamentos’

Venda de imóveis novos cresce 65,3% em julho

sexta-feira, setembro 14th, 2012

A alta no mês, de acordo com o Secovi-SP, foi puxada pelo bom desempenho dos municípios do entorno da cidade de São Paulo
Luiz Guilherme Gerbelli, de O Estado de S. Paulo

As vendas de imóveis residenciais novos cresceram 65,3% na região metropolitana de São Paulo no mês de julho. Segundo o Secovi-SP, foram comercializadas 5.731 unidades ante 3.468 em junho. O aumento foi puxado pelo desempenho dos municípios da região metropolitana.

Descontando as unidades comercializadas na capital, os outros 38 municípios tiveram um crescimento nas vendas de 149,2% (4.042 unidades em julho ante 1.622 em junho). Já a cidade de São Paulo teve queda de 8,5% no período (1.689 ante 1.846).

Os lançamentos em julho somaram 4.383 imóveis em toda a região metropolitana, sendo 1.737 unidades no município de São Paulo – as outras 38 cidades responderam por 60% do total. Em junho, o total de lançamentos foi de 2.486 unidades. “Julho foi excepcional em termos de lançamento nas cidades do entorno de São Paulo”, diz Celso Petrucci, economista-chefe do Secovi-SP.

Os destaques, segundo a entidade, foram os municípios de Barueri, Santo André e Diadema. O que colaborou para o fraco desempenho da cidade de São Paulo foi a baixa quantidade de projetos residenciais aprovados. Em junho – último dado disponível – foram 41.259 unidades. No pico histórico, em setembro de 2011, foram 54.525 aprovações.

“Não se pode afirmar que a perda de espaço do município de São Paulo é uma tendência. Nós estamos com um número de projetos residenciais aprovados em queda na cidade”, diz Petrucci. “Mas temos pelo menos 25 cidades na região metropolitana que são bastantes significativas para o mercado imobiliário.”

O destaque nas vendas em julho continuou sendo o imóvel de dois dormitórios. Dos 5.731 imóveis comercializados, 72,66% (4.164) foram desse segmento. A média costuma ser de 40%, segundo o Secovi-SP.

Nas cidades fora de São Paulo, o porcentual de venda de imóveis com dois dormitórios foi de 84,07% e, na capital, ficou em 45,35% do total. “Houve um aumento de preço dos imóveis nos últimos anos. E, agora, o mercado imobiliário tem procurado um produto que caiba no bolso consumidor,” afirma Petrucci.

Queda

No acumulado do ano, as vendas de imóveis residenciais caíram 8,2%. Somam 26.365 unidades, ante 28.732 comercializadas no mesmo período do ano passado. No município de São Paulo, a queda verificada é de 5,1% – foram comercializadas 13.670 imóveis. Em valor, as vendas acumulam R$ 6,9 bilhões entre janeiro e julho, abaixo dos R$ 7,6 bilhões que foram registrados nos sete primeiros meses do ano passado.

Os lançamentos foram os mais afetados com a retração do mercado na região metropolitana de São Paulo. A queda acumulada no ano está em 36,8%. Entre janeiro e julho, somam 19.339 unidades, bem abaixo das 30.596 registradas no período em 2011.

“Apesar do ritmo dos lançamentos não estar sendo feito na necessidade das incorporadoras e até no que as cidades exigiriam, o mercado continua vendendo bem”, afirma o economista-chefe do Secovi. “Os produtos ofertados ainda estão aderentes à demanda.”

O indicador VSO (Venda sobre Oferta) ficou em 61,2% em 12 meses na cidade de São Paulo. Na região metropolitana, o índice foi de 61,5%.

Até o fim do ano, a expectativa do sindicato é que haja uma retomada do setor. O segundo semestre costuma responder por 60% a 65% das vendas e lançamentos do ano. “Historicamente, o segundo semestre é melhor, e o mês de julho já confirmou essa tendência,” diz Petrucci. “Parece que, em mais um ano, o segundo semestre será bastante significativo e vai dar mais um ânimo para o setor”, afirma.

Demanda por imóveis continua saudável, diz Lopes

quinta-feira, setembro 13th, 2012

“A queda dos juros e a melhora nas condições de financiamento favorecem a demanda”, defendeu Marcos Lopes, da Lopes Imobiliária

Circe Bonatelli, da Agência Estado

São Paulo - A demanda por imóveis residenciais continua saudável no País, de acordo com avaliação de Marcos Lopes, presidente da imobiliária Lopes. “A queda dos juros e a melhora nas condições de financiamento favorecem a demanda”, afirmou nesta quarta-feira durante cerimônia do Prêmio Master Imobiliário 2012, em São Paulo.

Lopes admitiu que a queda no total de lançamentos de novos projetos no mercado ao longo deste ano afetou as vendas da imobiliária, compostas em 80% pela comercialização de imóveis novos. “Com menos lançamentos, menos vendas”, resumiu.

A queda, segundo ele, foi compensada com aumento da participação no mercado. A Lopes disputa com a Brasil Brokers o posto de maior imobiliária do País.

O executivo disse também que acredita em um nível mais forte de lançamentos de novos projetos no mercado a partir de setembro. “Até fim do ano, teremos um volume maior de lançamentos”, estimou.

Preço do imóvel sobe 1% pelo 3º mês seguido

quarta-feira, setembro 5th, 2012

MÁRCIA DE CHIARA
O Estado de S. Paulo - 05/09/2012

Índice FipeZap, que pesquisa a cotação dos imóveis prontos, mostra que, em 4 de 7 praças pesquisadas houve desaceleração ou recuo nos preços

Os preços dos imóveis prontos, novos e usados, dão sinais de acomodação em algumas capitais. Depois da euforia no ano passado, os preços do metro quadrado dos imóveis em seis capitais e no Distrito Federal em agosto subiram 1%, pelo terceiro mês seguido, segundo o índice FipeZap. O indicador levanta os preços dos imóveis anunciados na internet.

Das sete praças pesquisadas em agosto, em três houve desaceleração e em uma houve recuo nos preços na comparação com o mês anterior. A única queda foi em Belo Horizonte, onde o preço do m² teve variação negativa de 0,2% em agosto ante julho. Houve desaceleração em Fortaleza (alta de 1,4%), em Salvador (1,1%) e no Recife (0,2%).

Os resultados de agosto foram positivos, mas bem menores na comparação com os de julho, em São Paulo e no Rio, onde os preços subiram 1,4% e 1,2%, respectivamente. As variações são positivas, porém inferiores à média mensal de quase dois anos, que é de 1,7%. No Distrito Federal, também houve alta de 0,2%.

Eduardo Zylberstajn, coordenador do índice e economista, observa que o indicador mensal está na casa de 1% porque os preços dos imóveis localizados em São Paulo e no Rio de Janeiro subiram e essas praças são as que mais pesam no índice geral.

Além disso, como nos últimos meses muitas construtoras reduziram o volume de lançamentos de imóveis novos para se adequar à nova realidade de mercado, esse movimento deu uma certa resistência aos preços de imóveis prontos, usados ou novos, nas principais praças do País.

Zylberstajn ressalta que o momento de euforia dos preços, provocada em boa parte pela maior oferta de crédito, ficou para trás. No ano passado, diz o economista, a valorização média do preço do m² oscilava entre 2% e 3% e agora é de 1%.

Outra comparação que reforça a tese de que os preços do m² estão perdendo o fôlego é o fato de que os valores pedidos registraram variação inferior à inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no mês passado. O IPCA para agosto esperado pelo mercado é de 0,38%. Em Belo Horizonte, a queda foi de 0,2%.

Termômetro. O coordenador do índice pondera que, como hoje o mercado imobiliário passa por um momento de transição, a variação média dos preços nas sete regiões pesquisadas não é um bom termômetro. “O comportamento dos preços entre as praças é muito diferente.” Isto é, enquanto os preços caem em Belo Horizonte, eles sobem, porém em ritmo bem mais moderado, no Rio e em São Paulo. Zylberstajn acredita que, daqui para a frente, o comportamento dos preços dos imóveis será muito influenciado por fatores regionais, típicos de cada bairro, do que por fatores macroeconômicos, como juros e crédito.

O fim da euforia de preços dos imóveis também fica claro quando se avalia o comportamento do m² no ano e em 12 meses. De janeiro a agosto deste ano, o preço médio do m² subiu quase 10%. Em igual período de 2011, a variação era quase o dobro, de 19%.

Movimento semelhante é observado na comparação em 12 meses. Entre julho do ano passado e agosto deste ano, os preços médios nas sete regiões pesquisadas subiram 16,3%.

A variação registrada nas mesmas bases de comparação em 2011 havia sido de 29,7%. A desaceleração dos preços é nítida no Rio. Em 12 meses até agosto de 2011, a alta tinha sido de 42,2%. Agora, é de 18,4%.

Vila Andrade é campeã em lançamentos de imóveis

quinta-feira, agosto 30th, 2012

LUCCA ROSSI
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Além das prestações e entrada que cabiam no bolso, a possibilidade de morar a dez minutos de carro do trabalho foi decisiva para que o empresário Gilson Canzi, 37, fechasse, há duas semanas, a compra de um apartamento na Saúde, zona sul da capital.

O empreendimento, da incorporadora You,inc, deve ser entregue em 2014.

O bairro está em quarto lugar entre os que mais lançaram residências na cidade nos últimos cinco anos, segundo estudo do Geoimovel, empresa de informações imobiliárias, para a Folha.

Na liderança está a Vila Andrade, seguida por Vila Mariana (ambas na zona sul) e Itaim (zona oeste). Na quinta posição aparece o bairro de Santana (zona norte).

A proximidade do local de trabalho cada vez mais tem definido a compra de imóveis residenciais na capital, diz Octavio Flores, diretor de negócios da construtora Gafisa.

“A maioria desses bairros está perto de regiões de escritórios, como as avenidas Berrini e Faria Lima, e tem oferta de transporte público e serviços”, diz o executivo, que aponta o Brooklin como outro alvo de lançamentos.

“A extensão da avenida Chucri Zaidan e a chegada de novos escritórios vai aumentar a procura na região.”

Para Roseli Hernandes, diretora comercial da Lello Imóveis, bairros como a Mooca e Vila Prudente, na zona leste, com fácil acesso ao metrô e empreendimentos com valores de condomínio mais baixos, por possuírem várias torres, seguirão atraindo moradores e lançamentos.

MAIS VALORIZADOS

Entre os dez bairros em que o valor do metro quadrado novo mais subiu nos últimos cinco anos, de acordo com o Geoimovel, oito estão a mais de 20 quilômetros do centro, como Cidade
Tiradentes e Guaianases, na zona leste, que viram o preço dobrar.

Brás e Pari, na região central, são as exceções que encabeçam a lista.

“A periferia teve um aumento da oferta de imóveis em função da maior dificuldade das construtoras em encontrar terrenos na região central. A demanda nesses locais também é grande, em especial por unidades econômicas, do programa Minha Casa, Minha Vida”, diz Sérgio dos Anjos, diretor comercial da construtora MRV.

Para o executivo, o público-alvo desses lançamentos é peculiar.

“São clientes recém-casados ou com casamento planejado, comprando a primeira moradia, que valorizam o bairro em que sempre moraram e querem ficar perto da família”, afirma.

Novos edifícios migram de São Paulo para cidades vizinhas

quinta-feira, agosto 30th, 2012

CAROLINA MATOS
FOLHA DE SÃO PAULO

A cidade de São Paulo deve lançar cerca de 30% menos imóveis residenciais neste ano do que em 2011, enquanto os demais municípios da região metropolitana, quase 40% mais. A estimativa é do Secovi-SP, sindicato que representa as construtoras.

No ano passado, São Paulo lançou pouco mais de 38 mil unidades. As 38 cidades do entorno, 29 mil.

O encarecimento dos terrenos na capital paulista e as restrições impostas ao tamanho dos edifícios dificultam os lançamentos, afirmam empresas e consultores.

“Nos vizinhos, há mais terrenos e menos entraves das leis de zoneamento”, diz Flávio Prando, vice-presidente de habitação econômica do Secovi-SP.

Em vários bairros da capital, como Vila Leopoldina (zona oeste), Morumbi (zona oeste, divisa com a sul) e Mooca (zona leste), acabaram as outorgas onerosas, licenças adquiridas pelas incorporadoras para a construção de edifícios maiores.
12242870
“Sem outorgas, é preciso comprar um terreno muito grande para fazer um empreendimento, o que inviabiliza o processo, pois as áreas são cada vez mais escassas e caras”, diz Celso Amaral, diretor corporativo do Geoimovel e da Amaral D’Avila Engenharia de Avaliações.

As cidades vizinhas a São Paulo ganham progressivamente participação no total de lançamentos residenciais na Região Metropolitana. Em 2004, a fatia era de 20%. Neste ano, chegou a 45%.

Barueri foi a cidade, excetuadando-se a capital, que mais lançou em 2012 até julho, impulsionada pelos empreendimentos de Alphaville. Em seguida, aparecem Santo André, São Bernardo do Campo, Guarulhos e Osasco.

No ranking do mesmo período do ano passado, Barueri (Alphaville) estava em quinto lugar.

“Com a grande quantidade de prédios comerciais em Alphaville, mais paulistanos passaram a trabalhar ali, mesmo morando na capital. Com a piora do trânsito, muitas dessas pessoas têm preferido se mudar para lá”, diz Amaral, do Geoimovel.

Consultores ouvidos pela Folha destacam ainda o crescimento econômico de outros municípios, como Guarulhos, Osasco e São Bernardo do Campo, como fator de atração de residentes.

As três cidades ocupam, respectivamente, a 9ª, a 12ª e 13ª posições no ranking das maiores do país em PIB (Produto Interno Bruto –leia mais na pág. 4) do IBGE.

Na avaliação de Amaral, para que a capital volte a ganhar impulso nos lançamentos, a próxima administração terá de rever as regras para ocupação do solo.

“Demanda por residências ainda existe, mas as incorporadoras têm optado por lançar mais no entorno da cidade. A oferta menor de novos pode elevar o preço do imóvel usado,” afirma.

Para Kleber Luiz Zanchim, professor de direito dos contratos do Insper, o entrave à construção de prédios não é o único ponto sensível na discussão sobre o zoneamento.

“São Paulo está à beira de um colapso. Precisamos de planejamento urbano para decidir que tipo de cidade seremos daqui a alguns anos, em moradia, mobilidade e segurança, por exemplo.”

ESTUDOS

Procurada, a prefeitura informou, por e-mail, que estudos têm sido feitos para subsidiar a possível revisão dos estoques de potencial construtivo [outorgas onerosas].

Odebrecht Realizações mantém planos para 2012

quinta-feira, agosto 23rd, 2012

Chiara Quintão | De São Paulo
Valor Econômico - 23/08/2012

Num ano em que boa parte das incorporadoras de capital aberto está reduzindo suas operações, a Odebrecht Realizações Imobiliárias, empresa do grupo Odebrecht, mantém meta de lançar R$ 6,5 bilhões. O mercado não espera que os lançamentos de nenhuma incorporadora listada em bolsa cheguem a esse patamar em 2012. A PDG Realty, por exemplo, reduziu sua meta de lançamentos deste ano de R$ 8 bilhões a R$ 9 bilhões para de R$ 4 bilhões a R$ 5 bilhões.

Na avaliação do presidente da Odebrecht Realizações, Paul Altit, as perspectivas para o setor imobiliário são muito boas no médio e longo prazo. “O mercado está mais seletivo do que há um ano, mas nós somos super-seletivos.” Essa seletividade está presente, segundo ele, na definição dos projetos, na escolha de locais de atuação e no foco em projetos específicos.

O volume de lançamentos do primeiro semestre e as metas de vendas não são divulgados. O ritmo de comercialização está conforme o planejado, segundo Altit.

Em setembro, a Odebrecht Realizações lançará a primeira fase do Parque da Cidade, empreendimento misto a ser desenvolvido em terreno de 62 mil m2, onde funcionava a antiga fábrica da Monark, nas proximidades do MorumbiShopping, em São Paulo. Do Valor Geral de Vendas (VGV) total do projeto de R$ 4 bilhões, R$ 1,6 bilhão será lançado neste ano.

Este é o maior projeto urbano da Odebrecht e é um dos 18 do mundo que participam do Climate Positive Development Program, da C40, Fundação Clinton e do US Green Building Council.

A primeira fase terá duas torres de grandes lajes corporativas de padrão triple A, um edifício de saletas comerciais, um shopping center de vizinhança e um hotel, a serem entregues em até três anos. A taxa de vacância do segmento corporativo tem aumentado no mercado paulistano, e a tomada de decisão por potenciais ocupantes está mais lenta, mas a empresa aposta na demanda de médio e longo prazo decorrente do crescimento da economia.

As outras etapas incluem três torres corporativas e duas residenciais para média-alta e alta renda. O lançamento das torres residenciais ocorrerá, a partir de 2016.

A Odebrecht Realizações não divulga os investimentos totais estimados para o projeto, que levou um ano e quatro meses para ser aprovado e será desenvolvido em até dez anos. O terreno, incluindo impostos, custou cerca de R$ 290 milhões, e os Certificados Adicionais de Potencial Construtivo (Cepac), para erguer quatro vezes a área do terreno, R$ 250 milhões,

O financiamento à produção da primeira fase ainda não foi contratado. Nesta etapa, parte dos recursos das torres corporativas será originada de investidores nacionais, como fundos e family offices. O investidor que irá desenvolver o hotel em parceria com a Odebrecht Realizações será a Iron House, do grupo Cornélio Brennand.

Na Odebrecht Realizações, o formato de aportes de recursos é desenhado conforme especificidades de cada projeto. Segundo Altit, entre as possibilidades estão a participação de sócios nas Sociedades de Propósito Específico (SPEs) e a captação de recursos por certificados de recebíveis imobiliários (CRIs), letras de crédito imobiliário (LCIs) e fundos de investimento imobiliário (FIIs). “Estamos sob o guarda-chuva da Odebrecht. Temos a confiança em buscar soluções por projetos junto a bancos e investidores”, diz Altit.

No portfólio de lançamentos já realizados em 2012 ou previstos para o ano estão também projetos em cidades como Rio de Janeiro, Brasília, Salvador, Recife, Belo Horizonte e Santos. No segmento residencial, a Odebrecht está presente nos segmentos econômico e de média-alta renda, e a intenção é atuar também na média renda a partir de 2013 ou 2014.

7 construtoras que escorregaram feio no primeiro semestre

sexta-feira, agosto 17th, 2012

Período castigou o setor de construção civil como um todo, e algumas companhias não conseguiram encerrar o semestre no azul

Daniela Barbosa, de Exame.com

No vermelho

São Paulo - Poucos lançamentos, desaceleração das vendas e liquidação de estoques. O primeiro semestre não foi positivo para o setor de construção civil, principalmente para as incorporadoras de empreendimentos residenciais.

Das 17 companhias de capital aberto que representam esse segmento no país, boa parte delas apresentou queda em seus ganhos na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo a consultoria Economática. E pelo menos sete delas fecharam o semestre no vermelho.

Para Erick Scott, analista do setor de construção civil da SLW Corretora, o semestre fraco é reflexo, antes de tudo, da própria desaceleração econômica do país. “As vendas foram menores no período, pois as construtoras estavam focadas em desencalhar os estoques”, afirmou.

A PDG e a Brookfield foram as que mais apresentaram prejuízos nos seis primeiros meses do ano. Juntas, elas somaram perdas de quase 800 milhões de reais no semestre. Segundo Scott, os resultados tão negativos estão atrelados a ajustes de custos que as duas construtoras tiveram que fazer.

“A tendência é que o setor comece a se reerguer daqui para frente. Acredito que o momento mais crítico já tenha ficado para trás. Mas a recuperação não será do dia para noite; deve demorar um pouco e dificilmente deve voltar a ser como era dois anos atrás”, disse o analista.

PDG

Nos seis primeiros meses do ano, a PDG acumulou prejuízo de 417,6 milhões de reais, ante um lucro de 470,3 milhões de reais somado no mesmo período do ano passado.

Segundo a companhia, em seu balanço financeiro, a queda está diretamente ligada à revisão dos orçamentos que a companhia precisou fazer no segundo trimestre do ano.

A construtora fez um acréscimo de 478 milhões de reais em custos no período, boa parte proveniente de obras de terceiros e parceiros.

A PDG espera entregar cerca de 35.000 unidades neste ano, mas revisou o número para 30.000, reposicionando o restante para 2013.

Brookfield

A Brookfield também revisou suas metas para este ano, após o resultado desastroso apresentado no primeiro semestre do ano. A companhia, que tinha metas de lançamentos e vendas de 4,5 bilhões de reais e 4,2 bilhões de reais, reduziu para 3 bilhões de reais e 3,5 bilhões de reais, respectivamente.

No primeiro semestre, a construtora reportou prejuízo de 379,5 milhões de reais. O resultado negativo perda foi atribuído à realização de um ajuste de orçamento, que fez com que a empresa reconhecesse custos adicionais e revertesse receita.

No primeiro semestre de 2011, a Brookfield havia somado lucro de 144 milhões de reais.

Viver

Nos seis primeiros meses do ano, a Viver Incorporadora acumulou prejuízo de 64,7 milhões de reais, ante lucro de 18,5 milhões de reais registrado no mesmo período do ano passado.

Segundo a companhia, o resultado ruim está atrelado à alta de custos no período, ao aumento do número de contratos desfeitos, à desaceleração do ritmo de repasse, que impactou na amortização das dívidas da companhia e, consequentemente, a mais despesas financeiras.

João Fortes

A João Fortes acumulou perdas de 33,2 milhões de reais nos seis primeiros meses do ano. Em 2011, no mesmo período, a construtora havia reportado lucro de quase 7 milhões de reais.

No período, as vendas da companhia caíram quase 40% em relação ao primeiro semestre de 2011, totalizando pouco mais de 67 milhões de reais.

Já as despesas financeiras da companhia cresceram 100%, totalizando 34 milhões de reais.

Gafisa

No segundo trimestre do ano, a Gafisa conseguiu reverter o prejuízo acumulado no mesmo período do ano passado e reportou lucro líquido de 1 milhão de reais; mas, no consolidado do semestre, a construtora apresentou prejuízo de 30,4 milhões de reais.

A Tenda, braço voltado para a baixa renda da companhia, foi mais uma vez a principal vilã para o resultado ruim apresentado pela companhia. Somente ela foi responsável por um prejuízo de mais de 43 milhões de reais no primeiro semestre.

CR2

A CR2 registrou prejuízo de 14,2 milhões de reais no primeiro semestre do ano, apesar da perda, o montante 42% menor que o prejuízo apresentado pela construtora nos seis primeiros meses do ano passado.

No mesmo período, a receita da companhia cresceu mais de 40%, totalizando cerca de 110 milhões de reais.

Tecnisa

A Tecnisa registrou prejuízo de 8,7 milhões de reais no primeiro semestre do ano, ante lucro de 126 milhões de reais acumulado no mesmo período do ano passado.

O resultado negativo foi reflexo do prejuízo apresentado pela construtora no primeiro trimestre do ano de mais de 11 milhões de reais, uma vez que no segundo trimestre, a Tecnisa registrou lucro de 2,6 milhões de reais.

Nos três primeiro meses do ano, a ausência de lançamentos da construtora impactou as vendas que, por sua vez, refletiu negativamente nos ganhos da Tecnisa.

Brookfield tem prejuízo de R$ 383,5 mi e revisa metas

quarta-feira, agosto 15th, 2012

A empresa informou ter concluído uma revisão de todos os seus projetos, o que levou a um ajuste de orçamento de R$ 316,9 milhões
Sérgio Spagnuolo, da REUTERS

A Brookfield também reduziu suas projeções para 2012 devido a atrasos em aprovações de projetos

Rio de Janeiro - A Brookfield teve prejuízo líquido de 383,5 milhões de reais no segundo trimestre, revertendo um lucro de 78,2 milhões de reais no mesmo período de 2011, informou a incorporadora. A perda foi atribuída à realização de um ajuste de orçamento, que fez a empresa reconhecer custos adicionais e reversão de receitas.

A empresa informou ter concluído uma revisão de todos os seus projetos, o que levou a um ajuste de orçamento de 316,9 milhões de reais e gerou impacto negativo de 295,8 milhões de reais no lucro líquido, sem efeito caixa.

“Os ajustes refletem a integração de três empresas com diferentes processos e sistemas de tecnologia em uma companhia com plataforma operacional única, em um período de forte crescimento vivido pelo setor imobiliário nos últimos anos”, afirmou a Brookfield no balanço.

A companhia apurou receita líquida de 669 milhões de abril a junho, 24 por cento menor do que no mesmo intervalo um ano antes e praticamente estável na comparação com os três primeiros meses de 2012.

Já a geração de caixa medida pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ficou negativa em 206,5 milhões de reais no segundo trimestre ante 184,6 milhões de reais positivos um ano antes.

A Brookfield também reduziu suas projeções para 2012 devido a atrasos em aprovações de projetos e baixo volume de lançamentos no primeiro semestre.

A incorporadora agora tem meta de lançamentos e vendas na faixa de 3 bilhões a 3,5 bilhões de reais, ante perspectiva anterior que definia os pontos médios de ambos os itens em 4,5 bilhões e 4,2 bilhões de reais, respectivamente.

A empresa teve lançamentos de 358,1 milhões de reais no segundo trimestre, tombo de 52 por cento sobre o mesmo período do ano passado. Já as vendas contratadas somaram 737,3 milhões de reais, recuo anual de 32,2 por cento.

Além disso, foi aprovado pelo conselho um aumento de capital de 400 milhões de reais, integralmente garantido pelo controlador, para reforçar a estrutura de capital da empresa, reduzir o índice de alavancagem e manter um nível de atividade competitivo.

Financiamento de imóveis com recursos da poupança cresce 18%

sexta-feira, julho 27th, 2012

De acordo com os dados, em junho, foram financiados 41,8 mil imóveis, 20% a mais do que em maio, 34,8 mil
Flávia Albuquerque, da Agência Brasil

Imóveis na região do Jardins: na avaliação do presidente da Abecip, o crescimento menor do crédito deve ser visto como algo positivo para o mercado

São Paulo – Os financiamentos imobiliários com recurso da poupança aumentaram 18% em junho na comparação com o mês anterior, passando de R$ 6,3 bilhões para R$ 7,4 bilhões. Na comparação com o mesmo mês do ano passado, quando esses valores chegaram a R$ 7,78 bilhões, houve queda de 5%.

No semestre, os valores financiados foram 0,1% maiores. Os dados foram divulgados hoje (26) pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).

De acordo com os dados, em junho, foram financiados 41,8 mil imóveis, 20% a mais do que em maio, 34,8 mil. Na comparação com junho de 2011, quando foram financiadas 46,5 mil unidades, houve queda de 10%. No acumulado de doze meses, houve elevação de 0,1%, com 470,8 mil unidades financiadas, ante 470,2 mil no período anterior. No primeiro semestre, foram 214,3 mil unidades, 9% menos que nos seis primeiros meses do ano passado.

Segundo o presidente da Abecip, Octávio de Lazari Júnior, a taxa de desemprego, que continua caindo, é um indicador importante para o mercado, que depende da certeza quanto ao futuro das pessoas e da manutenção do emprego. “O rendimento real é um segundo indicador importante. Algumas categorias deverão ter ganho de salário, o que implica mais dinheiro e condições para dar segurança e para qualidade do crédito imobiliário”.

Lazari Júnior explicou que a queda nos financiamentos ocorreram porque as empresas diminuíram seus lançamentos com a finalidade de revisar sua grade de custos, ajustar controles internos e rever os produtos a serem lançados de acordo com a demanda do mercado.

Para o presidente da Abecip, os preços dos imóveis chegaram a um momento de estabilidade, o que pode ser constatado pela redução do número de lançamentos. Ele observou que, nos últimos dois meses, o mercado está demonstrando alguma tendência de manutenção dos preços e não aumento expressivo. “O que não vai acontecer é a queda porque os preços estavam represados, pois não havia financiamento e não há mercado que se sustente sem o crédito”.

Na avaliação dele, o crescimento menor do crédito deve ser visto como algo positivo para o mercado. “Não tem carteira de crédito no mundo que se sustente crescendo 40% ao ano durante muitos anos. Isso não se sustenta. Uma hora vai bater no problema e temos exemplos claros disso, como nos Estados Unidos”.

A expectativa da Abecip é que o setor cresça 20% neste ano.

RADAR IMOBILIÁRIO - Unidades lançadas caem 36,7% no primeiro semestre de 2012

quarta-feira, julho 25th, 2012

Blog do Caderno de Imóveis
O Estado de São Paulo
Claudio Marques

O número de unidades residenciais lançadas até junho na cidade de São Paulo caiu 36,76% na comparação com o primeiro semestre de 2011, de acordo com dados da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp) já o preço do metro quadrado na capital paulista ficou 15,67% mais alto no período.

Ao todo, 8.924 novas unidades foram apresentadas ao mercado até junho. A região que mais recebeu residências foi a zona sul, com 3.296 imóveis. A área, porém, apresentou variação negativa de 49,73% frente aos seis primeiros meses do ano passado.

As zonas leste e oeste também tiveram forte queda, com recuos de 46,61% e 49,76%, respectivamente. Em números absolutos, contudo, a região leste é a segunda da cidade em atração de lançamentos, com 2.625 unidades. A zona oeste, por outro lado, caiu para a quarta posição na capital, com 724 imóveis contabilizados.

Apenas as regiões central, com 461 imóveis, e norte, com 1.818, apresentaram crescimento frente a 2011. O desempenho na zona norte é 80,90% superior ao do ano passado, e o do centro chega a ser 140,10% maior.

Os empreendimentos com dois dormitórios foram os únicos, entre todas as tipologias, a aumentar em número, embora o total de unidades tenha caído – de 5.661 para 4.776. Elas ficaram também 5,58% mais caras do que eram no ano passado.

A maior queda no número de residências ficou por conta dos imóveis com até um dormitório, que passaram de 2,1 mil para 687 – uma redução de 67,47%. Porém, a distribuição deles confirma a tendência de descentralização na cidade, como mencionou o Estado na edição do último domingo, dia 15 de julho. Um pouco menos acentuado, o recuo nos três dormitórios foi de 53,30%. As unidades dessa tipologia também ficaram em média 6 m² maiores.

Em preços, os imóveis de um dormitório tiveram a maior variação no primeiro semestre. Avaliados em mais de R$ 10,1 mil por metro quadrado, custam 28,30% mais do que os lançamentos em igual período de 2011. Já as unidades de quatro dormitórios tiveram o preço da metragem elevado em 21,39%. Elas ficaram maiores este ano, mas diminuíram 297 em número frente aos 2.112 novos imóveis do ano passado na cidade.

Para o diretor da Embraesp, Luiz Paulo Pompéia, a menor quantidade de unidades surpreendeu. “Era previsto, mas não com tanta intensidade. Produzimos muito nos anos 10 e 11, e o mercado não consegue absorver as unidades em dois anos.” Pompéia diz que o desempenho do setor é cíclico: “E 2012 é o primeiro ano da queda. Mesmo com o aumento no segundo semestre, deverá haver redução de 30% em relação ao ano passado”.

Neste cenário, ele considera distorcida a elevação de 15% nos preços e prevê uma pequena redução de valores nos próximos meses. “Entendo isso como os empreendedores tendo uma leitura errada do mercado. Eles estão se desconectando da realidade. Alguns dizem: ‘Eu lanço e continuo vendendo’. Mas muita gente reclama de que a velocidade de venda está caindo.”

O vice-presidente de vendas da imobiliária Abyara Brasil Brokers, Bruno Vivanco, vê com mais tranquilidade a atual conjuntura. “Isso diz respeito à aprovação (de projetos). Este ano é eleitoral e todo mundo sabe o que houve na Prefeitura. Alguns empreendimentos de 2011 ficaram para este ano, por exemplo.” O aumento de preços, segundo ele, reflete a elevação de valores no processo produtivo do setor. “O incorporador compra o terreno mais caro. O cimento aumentou, o salário do pedreiro aumentou. Se o preço não ficar maior, a conta não fecha.”