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Abril Mídia compra distribuidora de livros digitais Xeriph

sexta-feira, maio 24th, 2013

Aquisição, de valor não revelado, segue estratégia da companhia de seguir apostando no segmento de publicações digitais

Tatiana Vaz, de Exame.com
Sede do Grupo Abril: empresa anunciou aquisição da Xeriph, uma das principais distribuidoras de livros digitais do Brasil

São Paulo - A Abril Mídia comprou o controle da Xeriph, uma das principais distribuidoras de livros digitais do Brasil. Na transação também foi incluída a Gato Sabido, pioneira livraria virtual especializada em e-books.

A aquisição faz parte da estratégia da companhia no mercado brasileiro de distribuição de conteúdo digital para tablets, smartphones e computadores pessoais. As iniciativas nesse sentido começaram com o iba, lançado em março de 2012, plataforma que agrega ebooks, revistas e jornais digitais, e que vem dando certo.

Depois de um ano de operação, o iba já conta com mais de 400.000 usuários, mais de 5 milhões de downloads de publicações em seus aplicativos de leitura e uma base de mais de 16.000 títulos, entre livros e revistas de diferentes editoras e os principais jornais do país, como O Estado de S. Paulo, Folha de S.Paulo, Valor Econômico e Zero Hora.

“A Xeriph praticamente inaugurou o mercado de livros digitais no Brasil e tem um papel muito importante em levar a produção nacional para um grande número de livrarias virtuais, desde redes regionais até players estrangeiros”, diz Manoel Lemos, diretor geral digital da Abril Mídia.

Carlos Eduardo Ernanny, fundador da Xeriph, permanece à frente da empresa, que continua sediada no Rio. “Com o apoio financeiro e estratégico da Abril, poderemos aprimorar o serviço prestado aos nossos clientes e parceiros”, afirma Ernanny.

Fundada em 2010, a Xeriph conta hoje com 240 editoras diferentes e mais de 30 canais de vendas e figura como a maior distribuidora de e-books da América Latina.

Livro digital deve ganhar novo impulso no Brasil

segunda-feira, agosto 13th, 2012

Agência Estado

As projeções mais otimistas colocam a categoria como responsável por 10% do faturamento das vendas do setor em 2014

São Paulo - As apostas nos livros digitais estão em alta. Grandes livrarias e editoras acreditam que os e-books ganharão espaço no mercado nacional em 2012 e 2013. As projeções mais otimistas os colocam como responsáveis por 10% do faturamento das vendas do setor em 2014. O índice em 2011 foi 0,025%. A esperança está depositada na chegada de gigantes internacionais e na produção doméstica de tablets, que poderá baratear os aparelhos.

Segundo a Câmara Brasileira do Livro (CBL), há cerca de 10 mil títulos em formato digital no País. Desses, 5.235 foram lançados em 2011, conforme pesquisa da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da Universidade de São Paulo (Fipe/USP). “A maior produção ocorreu no último período. Então, também deve haver um número significativo em 2012″, diz a presidente da CBL, Karine Pansa, que não arrisca projeções. A receita com vendas de e-books foi de R$ 868 mil.

A ideia de oferecer aparelhos de leitura para impulsionar a venda de conteúdo deu certo com a Amazon, nos Estados Unidos. Desde que o Kindle, e-reader da empresa, foi lançado, em 2007, os e-books vêm ganhando mercado. Em 2011, tinham 15%, ante 6% em 2010, conforme a Association of American Publishers.

Agora, a Amazon pretende entrar no Brasil. O início das operações está previsto para o último trimestre deste ano, mas já existem negociações com empresas locais, como as distribuidoras de e-books Xeriph, que reúne cerca de 200 editoras, e DLD, formada por sete. Comenta-se, porém, que há dificuldades para fechar acordos com a multinacional, que se recusaria a aceitar peculiaridades do mercado nacional, como a divisão de receitas. A companhia foi procurada pela reportagem, mas não se pronunciou.

Otimismo à parte, o e-book ainda não decolou no País, nem deve ameaçar o livro em papel no médio prazo. Em 2011, as vendas no formato físico subiram 7,2%, em relação a 2010. Os 469 milhões de exemplares comercializados geraram faturamento de R$ 4,83 bilhões. O preço de alguns e-books também não anima. Segundo Procópio, da CBL, falta política de precificação no País. “Tem livraria que cobra o mesmo preço do impresso. Outras, 50%, 70%.” Nos EUA, a versão digital custa de 30% a 40% menos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Brasileiros gastarão R$ 8,23 bi com livros em 2012

sexta-feira, agosto 10th, 2012

Dados do Ibope Inteligência mostram maior potencial de consumo na região Sudeste, seguida pelo Sul
Leticia Muniz, do Mundo do Marketing

Rio de Janeiro - Os brasileiros devem gastar R$ 8,23 bilhões em livros e publicações impressas em 2012. Os dados são de um levantamento do Pyxis Consumo, ferramenta do Ibope Inteligência e mostram um aumento de 14,5% no setor em comparação a 2011.

O maior potencial está na classe B, que deve responder por 51,85% desses gastos, enquanto a menor parcela ficará com as classes D e E, responsáveis por 3,7%.

Com relação às regiões do país, a maior parcela de consumo está no Sudeste (54,7%), com um investimento de R$ 59,60 per capta ao ano.

A segunda região que mais compra esses produtos é o Sul (16,12%), com R$ 56,50 por pessoa. Já o Norte aparece em último lugar, com 16,12% e um gasto de R$ 35,54 por habitante.

Feiras literárias têm expansão pelo Brasil

quarta-feira, abril 25th, 2012

Valor Econômico - 25/04/2012

Nem só pelas vendas, nem só pelo prestígio intelectual. O cenário das feiras e festas literárias no Brasil vem tomando corpo e gerando impactos de longo prazo na cultura e na economia do livro. Nesta semana, o Ministério da Cultura anunciou apoio de quase R$ 8 milhões a 67 dos 200 eventos que formarão o Circuito Nacional de Feiras do Livro em 2012. No ano passado, havia apenas 75 cadastrados. A política será gerida pela Fundação Biblioteca Nacional (FBN) e integra o Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL), que investirá mais de R$ 373 milhões em 40 projetos até o fim do ano.

Dados da Fundação Pró-Livro apontam que 7 milhões de brasileiros compraram livros em feiras em 2011, movimentando R$ 100 milhões. Galeno Amorim, presidente da FBN, estima que os números possam crescer até 20% nos próximos 12 meses. “A oferta de editais para pequenas e médias cidades aumentou muito na última década, propiciando o avanço do setor”, diz.

As regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, com baixos índices de leitura e maior dificuldade logística, concentrarão os R$ 2 milhões do projeto Caravana de Escritores, que subsidiará a visita de grandes nomes das letras. Segundo Karine Pansa, presidente do Instituto Pró-Livro e da Câmara Brasileira do Livro, “a presença do autor fomenta a leitura, o crescimento intelectual do leitor e traz magia aos eventos”. A Lei Rouanet distribuirá até R$ 30 milhões em renúncia fiscal entre 40 festivais do tipo.

Chegando à décima edição, a Flip (Festa Literária Internacional de Paraty), que acontece entre 4 e 8 de julho, é o evento-chave das mudanças. Não há estandes com descontos, apenas uma livraria com publicações de autores convidados. Seu conceito, amplamente replicado, se volta para a fala do autor em debate. Com um histórico que vai de Chico Buarque a Fernando Henrique Cardoso, passando por Christopher Hitchens e o Prêmio Nobel J.M. Coetzee, a festa não tem precedentes midiáticos. Investe em shows de abertura, blog oficial e redes sociais, além da transmissão dos debates e mesas via internet. Em 2011, 25 mil visitantes movimentaram a economia local com R$ 13 milhões, segundo pesquisa do Datafolha para a realizadora Associação Casa Azul. Do orçamento, R$ 3 milhões foram captados pela Rouanet.

As editoras também entram no rateio, mas a organização nega maiores influências. “A curadoria é independente e o convite é feito aos autores. Num segundo momento as editoras são convidadas a participar viabilizando a vinda do autor e o projeto cultural. Prova disso é a presença de autores como Carol Ann Duffy, que nem editora no Brasil tem. Nos festivais europeus, o autor é custeado na íntegra pelas editoras”, explica o diretor presidente da Flip, Mauro Munhoz.

Ele endossa o caso do roteirista Tom Stoppard (ganhador do Oscar por “Shakespeare Apaixonado”, 1999), que só fechou contrato com a Companhia das Letras após sua participação. Segundo ele, autores de pelo menos 52 editoras já foram convidados. Entre as mais aguardadas do ano está a vencedora do Pulitzer 2011, Jennifer Egan, com seu “A Visita Cruel do Tempo” (Ed. Intrínseca).

Outras cidades históricas entraram no clima com festas midiáticas e peso turístico. Criada em 2004, a Fliporto (Festa Literária Internacional de Porto de Galinhas, que acontece no segundo semestre) migrou para Olinda e atingiu, em 2011, 80 mil visitantes - cinco vezes mais do que o teto da sede anterior -, gerando R$ 10 milhões para a cidade. Mas ao contrário da prima fluminense, agrega uma feira paralela. “O leitor conhece os escritores pessoalmente e faz questão de adquirir as obras. Não temos estatísticas por autor, mas vendemos 10 mil exemplares em 2011″, diz o diretor geral Antonio Campos. Somando produção e cachês, o custo foi de R$ 2,7 milhões.

Já os organizadores da Feira do Livro de Brasília (5 a 9 de setembro), uma das maiores do país, apostaram na colonial de Pirenópolis, Goiás, para montar a Flipiri, em sua quarta edição, entre 2 e 6 de maio. “A festa estimula a cadeia produtiva do livro onde a distribuição ainda é um problema”, diz a curadora Iris Borges. Na outra ponta estão encontros de perfil acadêmico, como a Jornada de Literatura de Passo Fundo, rumo à 15ª edição (no segundo semestre), e o Flop (Fórum das Letras de Ouro Preto, em novembro). “Valorizamos as obras brasileiras. O evento não está sujeito às determinações da sociedade do espetáculo nem a interesses econômicos”, afirma a idealizadora Guiomar de Grammont. Com cachês “simbólicos”, o fórum tem orçamento de R$ 500 mil. Desde a primeira edição, em 2005, a cidade já ganhou três livrarias - não havia nenhuma.

Cachês variam com a capacidade do evento, mas nomes como Ariano Suassuna cobram em média R$ 15 mil. Ignácio de Loyola Brandão e Luis Fernando Verissimo são outros habitués. Estrangeiros, como Mia Couto (Moçambique), Beatriz Sarlo (Argentina) e Tariq Ali (Paquistão) elegeram o circuito brasileiro como rota recorrente. Faltam números oficiais, mas estima-se que autores com boa exposição e performance gerem impacto de vendas pré e pós-evento. Na Flip 2011, quem roubou a cena foi Valter Hugo Mãe, angolano radicado em Lisboa, que cativou o público com um discurso pessoal e emotivo. Um showman.

A proliferação das festas também acomoda a demanda que escapa da Flip. Com 100 mil exemplares vendidos na Europa, a holandesa Franca Treur desembarca no Brasil pela primeira vez para lançar seu “Confetes na Eira” na Flipoços (Festival Literário de Poços de Caldas, entre 28/4 e 6/5). Ela será a primeira atração internacional da festa e fará companhia a autores como Ferreira Gullar. “Não sei se a conta vai fechar. Temos uma logística enxuta e aposto em impactos a longo prazo”, diz Marcelo Candido, editor da Livros de Safra, que financia a vinda de Franca junto à Fundação Holandesa de Literatura. Crescendo em curadoria, a direção trabalha no limite da estrutura. “As empresas investem pouco no interior, focam só na Flip, que dá mídia nacional”, diz a criadora Gisele Corrêa. O evento está orçado em R$ 250 mil, via leis de incentivo.

Menos midiática, mas consolidada como a maior do país, a 58ª Feira de Livros de Porto Alegre (no segundo semestre) espera aumentar em 16% seu público de 1,7 milhões, mesclando palestras de autores ao antigo modelo de negócios: 154 estandes de vendas.

A 12ª Feira do Livro de Ribeirão Preto (24/5 a 3/6) atrai 600 mil visitantes e lidera na região sudeste com shows (Seu Jorge, Gal Costa, Skank) e apelo infanto-juvenil. Mais de 20 mil alunos da rede pública anseiam pelo contato com autores com vale-compras de R$ 18 nas mãos - os livros têm até 60% de desconto. Thalita Rebouças, best-seller da Rocco e “escritora mais animada do Brasil”, vê as vantagens do corpo presente: “Antes de vender livro eu já abordava os leitores nos eventos. Gosto do contato com mães e filhos, matéria-prima do meu trabalho. E as pessoas gostam de ver de perto quem conta as histórias que lhes fazem companhia. Não dói nada fazer isso”.

O deserto das letras

terça-feira, abril 3rd, 2012

Carlos Alexandre
Correio Braziliense - 03/04/2012

O brasileiro lê em média quatro livros por ano, segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, divulgada na semana passada pelo Instituto do Livro. As razões para esse quadro desolador são fartamente conhecidas — baixa qualidade da educação, tradição oral na cultura brasileira, preços proibitivos dos livros, apelo da tecnologia, etc. — e permanecem intocadas por gerações.

A pesquisa sobre nossos parcos hábitos de leitura se associa a outro dado relevante, mais antigo, para diagnosticar a delicada situação nacional. Segundo informações publicadas em 2010, o país ocupa a 88ª posição no Índice de Desenvolvimento de Educação para Todos, ranking elaborado pela Unesco a fim de medir a capacidade e o compromisso das nações com o trabalho desenvolvido nas escolas. A sexta economia mundial está em posição inferior ao Equador, à Bolívia e ao Paraguai; e muito longe de Argentina, Uruguai e Chile, para ficar apenas na América do Sul.

Mais grave do que analisar os antecedentes históricos e fazer estudos comparativos, porém, é verificar a perspectiva do problema. A pouca intimidade do brasileiro com o conhecimento guardado nos livros projeta situações preocupantes. O grave deficit educacional acarreta dificuldades nas escolas, no mercado de trabalho, na economia internacional, nas políticas públicas, no exercício da cidadania. Enquanto o país mantiver indicadores tão precários na formação intelectual dos brasileiros, encontraremos sérios limites para qualificar nossa pauta de exportação, aprofundar o estudo científico, encontrar soluções inovadoras, acelerar o ritmo de crescimento, ser uma sociedade mais justa.

Estatísticas econômicas indicam que o brasileiro demonstra grande interesse em comprar carro, televisão, geladeira, celular. Não se observa, porém, a mesma voracidade no consumo de livros, instrumentos poderosos para alcançarmos um grau de desenvolvimento mais avançado. No mundo pós-industrial, apenas a valorização da leitura permitirá atravessar o deserto das letras.

Brasileiro não usa leitor digital

quarta-feira, março 28th, 2012

Um estudo acompanhado pelo Ibope comprova que o brasileiro não é nada adepto a leitores de livros digitais. A pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”, encomendada pelo Instituto Pró-Livro, indica que 82% dos entrevistados nunca leram um livro em formato digital e, dos que leram, 17% o fizeram em um computador e 1% no celuar. Foram ouvidas 5.012 pessoas em 315 municípios.

O estudo terá a íntegra divulgada nesta quarta-feira em Brasília e apresenta dados alarmantes. 75% disseram jamais ter pisado numa biblioteca, apesar de 71% dos ouvidos afirmarem ter ciência de que ela existe em suas cidades e o acesso é fácil.

Segundo o estudo, apenas 8% vão à biblioteca frequentemente, enquanto 17% deles o fazem de vez em quando. Caiu no país o percentual do uso frequente das bibliotecas. Os dados mostram diminuição de 11% para 7% entre 2007 e 2011.

Para a presidente do IPL, Karine Pansa, “o maior desafio é transformar as bibliotecas em locais agradáveis, onde as pessoas gostam de estar, com prazer. Não só para estudar”, diz em entrevista do portal Estadão.

Com informações do Estadão e da coluna Radar On-Line

Redação Adnews

Adiamento de feira de livros da USP causa apreensão

sexta-feira, novembro 25th, 2011

RAQUEL COZER
FOLHA DE SÃO PAULO

O repentino adiamento da 13ª Festa do Livro da USP, que começaria anteontem na FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas), causou apreensão em editores e em estudantes.

A data tinha sido confirmada na quarta-feira anterior e assim ficou até a noite de sexta, quando a Edusp, organizadora do evento, divulgou nota informando a alteração por razões de “logística”.

Sem previsão de data, editores formaram uma comissão para montar a feira no CEU Butantã. No dia seguinte, a Edusp divulgou a nova data: de 14 a 16/12, agora no prédio da Escola Politécnica.

Com o adiamento, a feira ocorrerá após o fim do ano letivo, no dia 8. Embora alguns cursos devam repor aulas até depois disso, editores esperam público bem menor do que o de anos anteriores.

À Folha o coordenador de eventos da Edusp, Márcio Pelozio, disse que o adiamento resultou da constatação de que o espaço não comportaria o número de editoras –130, pouco mais do que em 2010.

Para Ricardo Musse, professor do departamento de sociologia da FFLCH, a questão é outra. “O problema logístico da feira é a segurança”, diz. “Quem compõe a equipe de segurança e como ela irá se comportar? Se some um livro e a segurança chama a PM, a encrenca está armada.”

Há semanas, estudantes protestam contra a presença da PM no campus, e há pouco o Ministério Público pediu abertura de inquérito sobre a ação policial na desocupação da reitoria, no início do mês.

Plinio Martins Filho, diretor-presidente da Edusp, não foi localizado para comentar.

METADE DO PREÇO

Realizada sempre no fim de novembro, a feira é o evento em que editoras mais vendem livros em São Paulo. É também aguardada desde o início do ano por alunos e outros frequentadores, já que oferece descontos de 50%.

“O faturamento nos três dias costuma ser maior do que o de um mês”, diz Ivana Jinkings, sócia da Boitempo.

“Para nosso catálogo acadêmico, que não tem destaque nas livrarias, é ótimo”, diz Cassiano Elek Machado, diretor editorial da Cosac Naify.

Na quarta, antes do aviso da nova data, Alameda e Boitempo puseram os livros com descontos à venda em seus sites. “Reimprimimos muita coisa só para a feira”, diz Haroldo Ceravolo, da Alameda.

Um minuto de silêncio para os livros de papel

sexta-feira, novembro 4th, 2011

Jornal do Brasil - Marcos Hiller 

 

Um dos assuntos que mais geram debate acalorado hoje em dia é o futuro do mercado editorial e dos livros físicos ou e-books. Para onde está indo esse mercado? Os livros digitais vieram para ficar? Os livros físicos tendem à falibilidade? Essas e outras perguntas transitam nas cabeças de editores, jornalistas, professores, bibliotecárias e amantes da leitura em geral. Com este texto, procuro não trazer respostas mas polemizar ainda mais esse debate.

Como professor, posso dizer que o livro é a água que mata nossa sede de conhecimento. Os livros e seus autores são elementos que ancoram todas as discussões que provocamos no mundo acadêmico. Eles são a nossa razão de ser, e os livros digitais são tudo isso, só que digitais, e não analógicos. Os livros físicos são bonitos, são charmosos, enfeitam nossas mesinhas de centro, etc. Mas os livros físicos pesam nas nossas mochilas, e nossas costas doem. Os livros físicos são combustíveis para possíveis incêndios. Os livros físicos são feitos de papel e, sob a ótica da sustentabilidade, isso não é politicamente correto. Os livros físicos ocupam milhões de metros quadrados em prateleiras de bibliotecas. Livros físicos empoeiram.

E os livros digitais? Ah, os e-Books são mais fáceis de compartilhar, mais fáceis de carregar e possuem exatamente o mesmo conteúdo do livro de papel. E quem disse que um iPad não fica bonito na nossa mesinha de centro? Fica, sim.

Uma informação para os saudosistas do livro de papel. Há cerca de um ano, a Borders, simplesmente a segunda maior livraria dos Estados Unidos, pediu falência. E entre os vários motivos que levaram a essa quebra está o de maior peso: a Borders subestimou os e-Books e não entrou de forma efetiva para esse mercado.

Algumas pessoas falam que ler em uma tela cansa a vista por causa do brilho. Experimente ler no Kindle da Amazon, que tem a mesma opacidade de página de papel — você não volta para o papel. Recentemente, me peguei em uma discussão com uma professora do Senac, em que eu defendia os livros digitais e ela defendia que os livros físicos são imortais. No meio da discussão perguntei a ela: “A senhora já mexeu em um iPad?” E ela respondeu que não. Ora, fica complicado discutir e tentar contra-argumentar com uma pessoa que forma opinião em cima de assuntos que desconhece. Não conhece, não fala.

Na minha opinião, os livros físicos estão sim com os dias contados. Assim como a TV analógica. Um minuto de silêncio por favor.

* Marcos Hiller é coordenador do MBA em Gestão de Marcas (Branding) da Trevisan Escola de Negócios (@marcoshiller).

 

Amazon assina com escritores e ameaça papel de editoras

terça-feira, outubro 18th, 2011

17 de outubro de 2011 - Sílvio Guedes Crespo

Após tentar mostrar aos leitores que eles não precisam de livrarias, a Amazon, maior loja online de venda de livros, agora tenta ocupar o papel das editoras, mostra uma reportagem do “New York Times“.

A empresa vai publicar 122 livros físicos e eletrônicos nas próximas semanas, assinando contratos diretamente com os escritores, não com as editoras. Ao entrar nesse mercado, a companhia se tornou rival de editoras com editoras que ainda são suas fornecedoras.

Um alto executivo da Amazon, em conversa com o jornal, resumiu da seguinte forma o novo cenário do mercado editorial: “As únicas pessoas realmente necessárias no processo de publicação são hoje o leitor e o escritor. Para todo mundo que está entre esses dois polos existem riscos e oportunidades”.

As editoras mostram-se apreensivas com as mudanças no setor. “Os editores estão aterrorizados e não sabem o que fazer”, disse ao “Times” Dennis Loy Johnson, da editora Melville House.

“Se você é uma livraria, a Amazon já compete com você há algum tempo. Se você é uma editora, um dia você vai acordar e a Amazon vai estar competindo com você. E se você é um agente, a Amazon pode estar roubando o seu almoço por estar oferecendo aos autores a possibilidade de publicar diretamente”, afirmou ao “Times” Richard Curtis, um agente e editor de livros eletrônicos.

Frankfurt termina com saldo positivo para o Brasil

terça-feira, outubro 18th, 2011
AE - Agência Estado

O saldo foi positivo para a maioria dos editores brasileiros que negociaram títulos na Feira do Livro de Frankfurt, a maior do mundo, que terminou ontem. A expectativa de que o mercado internacional estivesse de olho no Brasil por conta do bom momento econômico parcialmente se confirmou - graças ao fato de o País já se preparar para 2013, quando será o homenageado da feira, houve mais interesse pela literatura brasileira, principalmente por conta do programa de incentivo à tradução lançado pela Fundação Biblioteca Nacional, visando especialmente profissionais estrangeiros.

 “Trabalhei novamente com autores brasileiros e obtive resultados”, comentou Luiz Schwarcz, da Companhia das Letras. “O plano de auxílio à tradução está sendo bem recebido e ajuda de fato.” O mesmo caminho aquecido foi encontrado pela Record que, embora apostasse em um grande interesse em seus títulos de não ficção, conseguiu fechar importantes negócios justamente com os de ficção. Além do interesse em autores contemporâneos como Alberto Mussa e Edney Silvestre, editores estrangeiros buscaram detalhes sobre alguns clássicos, como Fernando Sabino e Rubem Braga.

 Idêntica curiosidade foi percebida pela Globo, detentora dos direitos da obra de Monteiro Lobato: títulos juvenis do escritor paulista foram negociados antes mesmo do início da feira com Rússia, Polônia e Argentina. “Lobato tem um incrível apelo educativo, o que vem despertando consultas de outros países”, comentou o editor Marcos Strecker. “O mesmo não acontece, porém, com seus livros adultos, cujos temas são profundamente brasileiros.” Ele confirmou também o estrondoso sucesso de “Ágape”, do Padre Marcelo Rossi - depois de ultrapassar a estupenda marca de 7 milhões de exemplares vendidos desde seu lançamento em agosto de 2010, o livro já foi negociado para Portugal, Estados Unidos, França e Argentina.

 À sombra da crise econômica que ainda atinge americanos e europeus, a Feira de Frankfurt deste ano provocou uma sensação de ligeira desorientação. “Em termos globais, me pareceu esquizofrênica”, observa Schwarcz. “Há muita queixa e preocupação com o futuro do digital e das livrarias, mas, ao mesmo tempo, pareceu mais aquecida.” Segundo ele, os editores internacionais relatavam uma escassez de grandes títulos, embora aparentassem ter feito muitas compras. “O mercado claramente vive momento de alta concorrência, o que é especialmente verdade para o Brasil.”

Roberto Feith, da Objetiva e Alfaguara, não sentiu mudança na postura dos agentes com relação aos brasileiros. “Apenas o comentário deles, repetido por vários, de que o nosso mercado parecia bem, vibrante, com editoras disputando títulos vigorosamente, ao contrário dos europeus.”

Os editores brasileiros não descuidaram também dos negócios digitais. O interesse é justificável. “Os planos da Google para vender livros digitais para consumidores brasileiros estão acelerando”, disse Feith. “Eles devem lançar sua primeira livraria no Brasil em breve.”

E, apesar das discussões sobre conteúdo digital terem dominado a feira, o evento terminou com amplo domínio dos negócios para publicação em papel. A grande novidade foi a presença de empresas que fornecem material literário para jogos de computador. “Elas deverão vir em número cada vez maior, pois buscam conteúdo diferenciado para seus programas, o que pode ser uma boa alternativa para as editoras”, acredita Jürgen Boos, presidente da Feira de Frankfurt. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.