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Rotatividade cai na construção, mas ainda supera 6% ao mês

segunda-feira, novembro 26th, 2012

Por Carlos Giffoni | De São Paulo
Valor Econômico - 26/11/2012

A rotatividade na construção civil é a mais alta entre os setores da economia, mas também é a que mais diminuiu. O aquecimento do setor nos últimos cinco anos, acompanhado da falta de mão de obra qualificada no Brasil, tem reduzido o índice que mede o rodízio dos trabalhadores. Entre setembro de 2008 e igual mês deste ano, a rotatividade na construção civil caiu 17,4%. Essa queda só foi maior na administração pública (28,9%), em que a estabilidade faz com que a rotatividade seja próxima a zero.

De acordo com o Ministério do Trabalho, a rotatividade no emprego formal da construção civil ficou em 6,61% em setembro - isso significa que naquele mês 6,6% do total de postos de trabalho formais do setor trocaram de mão, um trabalhador foi demitido ou pediu demissão e outro foi contratado no lugar. O índice é o dobro daquele verificado na indústria de transformação no mesmo mês, de 3,3%. No entanto, essa diferença já foi bem maior. Em setembro de 2008, o vaivém de trabalhadores representou 8% do estoque na construção civil, mas 3,5% na indústria. Isso mostra que a retenção de mão de obra na construção tornou-se uma preocupação dos empresários, sobretudo após o boom provocado por grandes projetos de habitação no governo Lula.

“A construção civil cresceu muito desde 2008. A demanda no setor aumentou e houve, inclusive, um apagão de mão de obra em 2010. A falta de mão de obra é sempre assinalada como o principal fator de limitação à melhoria dos negócios pelos empresários do segmento”, diz Ana Maria Castelo, coordenadora de projetos da construção na Fundação Getulio Vargas (FGV).

O crescimento do setor pode ser verificado nos dados do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. No segundo trimestre de 2008, a construção respondia, em valor agregado, por 5,8% do PIB. Na comparação com igual período de 2012, houve o acréscimo de 0,9 ponto percentual - para 6,7% - na fatia que cabe ao setor na economia.

A alta rotatividade na construção se deve principalmente ao ciclo natural do processo produtivo no setor que, quando encerra uma obra em determinado local, não mantém, necessariamente, os trabalhadores em novas obras, às vezes distantes. E por ser um setor intensivo de mão de obra sem qualificação, o empresário não vê a urgência em mantê-la, segundo Flavio Combat, economista-chefe da Concórdia Corretora.

Além disso, a execução de um projeto na construção abarca várias etapas que não podem ser realizadas simultaneamente - como na indústria, explica Ana Maria. “Não faz sentido manter um eletricista desde o início da obra, que começa pela fundação, construção e alvenaria, até chegar à instalação elétrica e hidráulica”, afirma. Por isso, é forte no setor o movimento de contratação de empresas menores para a realização de cada uma dessas etapas, a chamada “subempreitada”.

Devido a esse caráter “itinerante” da construção durante uma obra e também entre os projetos de uma empresa, há um processo de especialização muito forte dentro do setor, segundo a professora, ainda que falte mão de obra qualificada no mercado - motivo esse que incentiva a retenção de trabalhadores e leva à forte redução da rotatividade na construção.

Segundo o Ministério do Trabalho, a rotatividade mensal no Brasil passou de 4,09% em setembro de 2008 para 3,88% em setembro deste ano, o que representa uma queda de 5,1% no índice. Os menores percentuais são observados na administração pública (0,54%), nos serviços industriais de utilidade pública (1,78%) e na indústria extrativa (1,83%) - dados sempre referentes a setembro de 2012. Comércio (4,18%) e serviços (3,5), assim como a construção, apresentam altas taxas de rotatividade, que recuaram 1,4% e 2,0%, respectivamente, entre setembro de 2008 e igual mês deste ano.

Rafael Bacciotti, economista da Tendências Consultoria, ressalta que a taxa de desemprego está entre as mínimas históricas. Em outubro, o índice ficou em 5,3%, segundo o IBGE. “O mercado de trabalho apertado aumenta o poder de barganha dos trabalhadores. Essa escassez de mão de obra alimenta a concorrência entre os próprios setores da economia”, diz.

“O ciclo de crescimento da construção cria um horizonte de previsibilidade que não existia, e, por isso, faltava investimento em retenção e qualificação de mão de obra”, afirma Ana Maria. Ela cita a capitalização das empresas do setor, a expansão do crédito imobiliário, as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e do Minha Casa Minha Vida ao longo da última década como fatores que criaram esse cenário favorável para que o empresário da construção investisse no trabalhador.

Combat, da Concórdia, acredita que o ritmo mais lento de vendas e novas construções que é experimentado em 2012 ainda não arrefece o aperto no mercado de trabalho, pelo menos até 2014. “Não é só no mercado imobiliário que há vagas nesse setor. A construção pesada é um importante empregador, sobretudo para as obras de infraestrutura que Copa do Mundo e Olimpíada demandam”, diz.

O Plano Nacional de Logística Integrada, pacote de medidas que inclui obras em portos e aeroportos com valor estimado entre R$ 80 bilhões e R$ 90 bilhões, mantém as perspectivas para que o setor da construção continue crescendo nos próximos anos e que isso tenha reflexo no emprego e em taxas de rotatividade ainda mais decrescentes, na avaliação de Ana Maria. As empresas, inclusive as de sub-empreitada, explica, não querem perder trabalhadores em decorrência desse cenário favorável à construção e a concorrência natural que surge entre os próprios empregadores. “A manutenção desse quadro depende exclusivamente de o setor conseguir sustentar suas taxas de crescimento”, diz.

Operário da construção civil trabalha mais e ganha menos do que a média

sexta-feira, novembro 9th, 2012

Faixa de salário varia entre R$ 857 e R$ 1.707; jornada fica entre 41 h e 43 h semanais

Tomás M. Petersen, especial para a Agência Estado

SÃO PAULO - Os trabalhadores da construção civil têm rendimentos menores e jornadas de trabalho mais extensas em relação à média do total das ocupações no Brasil, segundo indicadores do Sistema de Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) divulgados na edição de outubro do boletim do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Os dados, que são de 2011, apontam ainda que o setor possui maior concentração de empregados com o ensino fundamental incompleto.

A pesquisa foi realizada em sete regiões metropolitanas do Brasil (Belo Horizonte, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Salvador, Distrito Federal e São Paulo) e levou em consideração a Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE), que divide o setor em três áreas de ocupação: construção e incorporação de edifícios, obras de infraestrutura e serviços especializados.

Em todas as regiões pesquisadas verificou-se que o rendimento médio real e o rendimento por hora são menores na construção civil do que no total de ocupações. A faixa de salário do trabalhador da construção civil varia entre R$ 857 (Fortaleza, onde há menor discrepância: trabalhadores do setor recebem 95% do rendimento médio do total dos ocupados) e R$ 1.707 (Distrito Federal, onde se observa a maior discrepância, com 75,9%). Nas sete regiões, a jornada de trabalho vai de 41 a 43 horas semanais, exceto no Recife, que é de 47 horas, em média.

Mais da metade dos trabalhadores do setor é constituída de pedreiros, serventes e pintores, funções que não exigem conhecimentos complexos. Este indicador é proporcional ao nível de escolaridade: em relação ao total das ocupações, a construção civil possui quase o dobro de trabalhadores com o ensino fundamental incompleto em todas as regiões. Em Belo Horizonte, a relação é de 22,4% para 47,9%; em Fortaleza é de 31,4% para 62,2%; e em São Paulo, é de 23,2% para 52,3%.

A pesquisa também traçou o perfil do trabalhador. Menos de 10%, nas três áreas de atuação (edifícios, infraestrutura e serviços) são mulheres. A faixa etária predominante é dos 40 aos 59 anos (40%), e dois terços são chefes de família. Em todas as regiões, independentemente da distribuição populacional, o setor apresenta maior concentração de negros do que no total das ocupações: em Porto Alegre, 17,1% dos empregados na construção são negros, ante 11,5% no total. Em Salvador, 94% e 88,4%, respectivamente.

Panorama

A construção civil emprega mais de 1,4 milhões de trabalhadores nas sete regiões pesquisadas, o que representa 7,5% do total de postos de trabalho. Na divisão do CNAE, a área de construção e incorporação de edifícios ocupou dois terços dos empregados do setor, seguida pelos serviços especializados (empresas terceirizadas de pintura, eletricidade e de concretagem, por exemplo). Apesar dos investimentos do governo federal, as obras de infraestrutura ainda possuem uma parcela reduzida de trabalhadores (menos de 10% em todas as regiões).

Número de pedreiras brasileiras sobe 119% em 5 anos

segunda-feira, setembro 3rd, 2012

GUSTAVO COLTRI
O Estado de São Paulo

A indústria da construção civil aos poucos dá mais espaço às mulheres nos canteiros de obras. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 239.242 trabalhadoras ocupavam postos no setor até julho ? alta de 119,48% em relação às 109.006 registradas em 2007. E elas se distinguem dos homens pelo maior grau de qualificação para a execução de serviços.

A presença feminina na área operacional das construtoras ainda é relativamente pequena, embora mostre trajetória de alta, segundo o vice-presidente de relações capital trabalho do Sindicato da Construção do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), Haruo Ishikawa. A mulher foi inserida por causa de falta de mão de obra qualificada, diz.

A contratação de pedreiras pelas empresas depende, segundo ele, do tipo de serviço, do tamanho e da cultura de cada organização. Algumas não têm nenhuma no quadro de pessoal. Outras chegam a ter 10%. Há até casos em que, a cada dez azulejistas, seis são mulheres.

As escolas de formação profissional são as principais fornecedoras de mão de obra feminina para as empresas, de acordo com Ishikawa. Os cursos no mercado permitem que as trabalhadoras recebam capacitação para executar serviços que lidem com alvenaria, eletricidade, hidráulica, gesso, pintura e assentamento de pisos e azulejos.

Nesta segunda-feira, 15 mulheres serão reunidas à equipe feminina da incorporadora e construtora Gafisa todas alunas de um projeto de qualificação e inserção de operárias nos canteiros. Quando isso ocorrer, a empresa terá ao todo 90 profissionais, um crescimento de 32% no número de colaboradoras frente a setembro de 2011.

?Temos um foco um pouco maior na atividade de acabamento porque algumas das qualidades da mulher são a organização e a preocupação com detalhes, diz a gerente de gente e gestão da companhia, Adriana Farhat.

A Gafisa realizou pequenas adaptações na área de convivência das obras para garantir o conforto das operárias. As mais representativas foram a instalações de banheiros e vestiários. ?Até hoje, não tivemos problemas relevantes entre os homens e as mulheres, conta Adriana, que vê benefícios no convívio. Basta uma mulher para ter um ambiente de trabalho mais harmonioso e respeitoso.

Elisa Bataglia, de 52 anos, será um das contratadas da empresa. Ex-professora de dança, ela resolveu dar um novo rumo em sua carreira, quando optou por frequentar aulas no projeto Mulheres que Constroem uma parceira do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de São Paulo (Sintracon-SP) com a Escola de Altos Estudos de São Paulo (Esaesp).

No mercado.. Eisa (na esquerda) e Viviana serão absorvidas por construtora depois de passarem por curso de qualificação (Foto: Epitacio Pessoa/AE)

Já fiz o curso de pintura, estou terminando o de gesso e alvenaria. Pretendo fazer ainda piso e azulejo, diz Elisa. Na última quarta-feira, ela participou com colegas do projeto da sexta edição da feira setorial da construção civil Concrete Show, onde as trabalhadoras construíram juntas um muro de alvenaria.

O Mulheres que Constroem abriu sua primeira turma no mês de maio, oferecendo seis qualificações em cursos de até 45 dias.Já formamos 140 mulheres e temos 80 atualmente em curso, diz a coordenadora do projeto, Ana Paula Tavares.

Ela explica que a capacitação técnica envolve apenas parte do trabalho com as participantes. Trabalhamos muito a questão de autoestima. A grande maioria é de donas de casa que nunca realizaram nenhum tipo de atividade. Muitas delas são divorciadas e sustentam a casa. A procura pelos cursos, no entanto, não se restringe a pessoas de baixa renda, segundo Ana Paula.

Além disso, a iniciativa pretende se adaptar às necessidades das ex-alunas para incentivar a requalificação profissional. Vamos acompanhá-las por quatro anos para verificar o que ocorre com elas: se evoluíram de função, se estão fazendo faculdade, diz o presidente do Sintracon-SP, Antonio Ramalho.

Ex-funcionária de uma empresa de telemarketing, Viviana Pâmela Santos Oliveira, de 24 anos, quer obter conhecimentos práticos de alvenaria na Gafisa antes de alçar em direção ao ensino superior: Quero fazer engenharia, mas ser uma engenheira que sabe como levantar uma parede, e isso está em falta no mercado.

Cresce a participação de mulheres na construção civil

quinta-feira, agosto 30th, 2012

Vagas ociosas atraem cada vez mais mulheres para o ramo.
Em Sorocaba, pedreira comprou carro e pretende construir casa própria.
Do G1 Sorocaba e Jundiaí

Cuidado, capricho e atenção aos detalhes somados à falta de mão de obra. Essa combinação está fazendo com que a participação das mulheres em um ramo historicamente dominado pelos homens cresça cada vez mais. A construção civil atrai mulheres que buscam uma colocação no mercado de trabalho, e também aquelas que veem no segmento uma forma de ganhar mais dinheiro do que nas profissões tradicionalmentes femininas.

Segundo a Relação Anual de Informações Sociais (Rais) do Ministério do Trabalho e Emprego, o número de mulheres atuantes na construção civil aumentou 65% na década. Em 2000 elas eram pouco mais de 83 mil entre 1,094 milhão de pessoas empregadas. Já em 2008, elas ocupavam 137.969 vagas em um estoque de trabalhadores de quase 2 milhões.

Em Sorocaba (SP) a situação não é diferente. Mônica Renata dos Santos há dois anos abandonou o trabalho como diarista para se dedicar exclusivamente às construções pela cidade. Hoje ela conta que é pedreira. “Desde criança eu gosto de observar obras para aprender. Quando tinha alguma reforma em casa, meu pai me mandava ir pra dentro, porque ali não era lugar de menina. Mas eu me escondia para olhar”.

Mônica está em uma obra no bairro Santa Rosália, e já tem fila de espera de serviços. “Estou realizando meus sonhos por meio da construção. Já quitei o meu carro e o próximo passo é construir minha própria casa”. Com seu salário de pedreira, ela sustenta três filhos e ajuda a mãe. “Meus filhos têm orgulho da minha profissão”, conta a pedreira.

Impacto da crise atinge até a construção civil

segunda-feira, agosto 6th, 2012

RAQUEL LANDIM
O Estado de S. Paulo - 06/08/2012

Total de trabalhadores no setor dobrou em cinco anos; nos últimos meses, contratações tiveram forte desaceleração, com demissões no ramo imobiliário

Os trabalhadores da construção civil, que até pouco tempo eram beneficiados por um “apagão” de mão de obra, começam a sentir o impacto da crise. O efeito ainda é pequeno comparado com o cenário preocupante enfrentado pela indústria, mas houve retração significativa no ritmo de geração de novas vagas.

Nos meses de maio e junho, foram criados 23,7 mil novos postos de trabalho na construção civil (admissões menos demissões), um volume bem inferior aos 71,3 mil gerados no mesmo período de 2011, revela levantamento do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-SP) em parceria com a Fundação Getúlio Vargas.

No ramo imobiliário, que responde por 40% dos empregos no setor, já há queda efetiva no número de funcionários. Em maio e junho, as construtoras demitiram 2,3 mil pessoas a mais do que contrataram - um número pequeno em relação aos 1,38 milhão empregados do segmento, mas representa uma mudança de tendência.

“Estamos entrando em um cenário de estabilidade da mão de obra”, acredita Eduardo Zaidan, vice-presidente de economia do Sinduscon-SP. Em junho, a construção civil contratou 6.511 trabalhadores, alta de 0,19% em relação a maio. “Pode ocorrer corte pontual de pessoas, mas entramos em uma fase de crescimento mais modesto”.

As famílias estão mais endividadas e adiaram a decisão de comprar a casa própria. Outro fator negativo é a queda dos investimentos das empresas. “A economia parou e o setor acompanhou. O investimento, que é o alimento da construção civil, está baixo”, diz Zaidan.

Nesse cenário, obras já contratadas estão sendo finalizadas, mas não são substituídas por novos projetos. O setor também não atravessa uma boa fase. Com o fôlego financeiro prejudicado pela queda das ações na bolsa, as construtoras alongaram o prazo para finalização das obras, o que possibilita trabalhar com equipes menores.

“Obras que estavam com 500 pessoas agora têm 300″, conta Antônio de Souza Ramalho, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil (Sintracon-SP). Ele diz que o sindicato, que chegou a contabilizar 15 mil vagas em aberto no setor, hoje tem dificuldades para recolocar seus filiados.

Segundo o sindicalista, dois fatores são evidências do desaquecimento do mercado: a queda de 20% na contribuição sindical paga pelos trabalhadores e o aumento do número de homologações. O Sintracon-SP, que fazia 100 rescisões de contrato por dia, não dá conta do número de pedidos diários, que chega a 170.

Para Ana Castelo, professora da FGV, o problema da escassez de mão de obra diminuiu à medida que o setor reduziu seu ritmo de expansão. Na sondagem da construção civil feita pela fundação, o porcentual de empresas que alegam escassez de mão de obra caiu de 52%, em julho de 2011, para 42,5%, no mês passado. Desde 2006, a construção dobrou o número de funcionários, de 1,6 milhão para 3,4 milhões.

MRV entra na ‘lista suja’ do trabalho escravo e pode perder crédito na Caixa Lista tem 118 novos nomes

quinta-feira, agosto 2nd, 2012

MARINA GAZZONI
O Estado de S. Paulo - 02/08/2012

A construtora MRV, uma das cinco maiores do País, entrou no cadastro de empregadores flagrados com exploração de mão de obra em condições análogas à escravidão. A chamada “lista suja” foi divulgada na noite de segunda-feira pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Segundo o órgão, as empresas citadas no cadastro estão impedidas de contratar crédito em bancos públicos, como a Caixa Econômica Federal.

A empresa é citada três vezes na lista, com irregularidades em obras de suas filiais de Bauru e de Americana, no interior de São Paulo, e de sua subsidiária Prime Incorporações, em Goiânia (GO). O cadastro contém 398 pessoas físicas e empresas, a maioria fazendeiros e companhias ligadas ao agronegócio.

Segundo o Ministério do Trabalho, apenas nas obras de Americanas e Bauru foram resgatados 68 trabalhadores em condições análogas à escravidão em 2011, a maioria deles trazidos de Estados do Nordeste por empresas terceirizadas que prestavam serviço em obras da MRV. Eles não tinham registro de trabalho e ficavam em alojamentos insalubres, sem “lençol, travesseiro ou cobertor”, disse o órgão.

A MRV é a maior empresa na lista do Ministério do Trabalho. Ela é a principal parceira da Caixa Econômica Federal no programa Minha Casa, Minha Vida - as obras dos empreendimentos recebem o financiamento do banco. Em 2011, lançou 42 mil unidades, 85% delas no programa.

A Caixa Econômica informou ao Estado, que é signatária do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo no Brasil. “Enquanto o problema que deu origem à inclusão (do nome da empresa no cadastro do Ministério do Trabalho) não for resolvido, o infrator fica impedido de ter acesso a novos créditos”, disse o banco.

A praxe no banco é, segundo o comunicado, solicitar informações complementares sobre a ação fiscal que deu origem à inclusão do nome da empresa no cadastro antes de implementar as restrições.

A Caixa informou também que não tem novas propostas “em vias de ser contratadas com a MRV” e que os contratos antigos serão preservados. “As operações já contratadas não são objeto de restrições, uma vez que uma eventual paralisação de obras já iniciadas, além dos sérios prejuízos econômicos, resultaria, de pronto, em desemprego dos trabalhadores.”

A MRV disse, em comunicado, que “foi surpreendida” com a inclusão do seu nome da lista. “O Grupo MRV não tolera qualquer prática que configura trabalho precário dentro do seu quadro de empregados e de seus fornecedores”, informou a empresa.

A empresa ressaltou que, “mesmo não concordando com os apontamentos feitos na fiscalização” das obras citadas, “sanou tudo que foi identificado” pelos fiscais do trabalho na ocasião. A empresa disse que tomará “todas as medidas cabíveis” para excluir seu nome da lista.

Mercado. A ação da MRV foi a única entre as cinco maiores construtora do País que perdeu valor ontem. Os papéis da companhia chegaram a cair 6,6%, mas fecharam ontem a R$ 10,72, uma queda de 3,85%. Ontem, o Ibovespa subiu 0,35% e Rossi, Cyrela, Gafisa e PDG se apreciaram respectivamente, 9%, 5,2%, 2,4% e 0,3%. “Houve um pouco de exagero do mercado. A MRV deve conseguir reverter essa questão”, disse o analista Flávio Conde, da CGD Securities.

Segundo o Ministério do Trabalho, os nomes das empresas flagradas em infrações são mantidos no cadastro por dois anos. Mas elas podem recorrer à Justiça para tentar “limpar” seu nome antes. Foi o que fez a Cosan, por exemplo, em 2010, que conseguiu uma liminar para ser retirada do cadastro.

O cadastro de empregadores flagrados com trabalhadores em condições análogas à escravidão recebeu 118 nomes novos na última segunda-feira. Apenas nove nomes foram retirados da lista, que é atualizada a cada seis meses pelo Ministério do Trabalho desde julho de 2005. A versão atual contém 398 infratores. Empresas e pessoas físicas são incluídas das nesta lista ao fim de um processo administrativo, que tem origem após o órgão encontrar irregularidades ao fiscalizar as empresas. Os nomes ficam no cadastro por dois anos e só são excluídos se não houver novas acusações e após o pagamento de multa. Os infratores ficam impedidos de obter créditos em bancos públicos e em alguns bancos privados.

Sem mão de obra, construção civil atrai mulheres no interior de SP

segunda-feira, maio 7th, 2012

RICHARD SELESTRINO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DE RIBEIRÃO PRETO

Com falta de mão de obra masculina diante de um cenário de avanço da construção civil, as mulheres estão entrando cada vez mais nesse mercado para suprir a demanda da indústria.

Em cinco das cidades mais populosas da região nordeste paulista –Ribeirão Preto, São Carlos, Araraquara, Sertãozinho e Barretos–, a presença feminina na construção civil já responde por 8% do quadro de trabalhadores, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego.

Em São Carlos, um curso aberto apenas para as mulheres recebeu mais de 500 inscrições, para 150 vagas. Com a procura recorde, o número de postos quase dobrou.

Nas próximas semanas, ao menos 250 estarão aptas a realizar funções de pedreiro, pintor, azuleijista, instalador de hidráulica e marceneiro.

O secretário de Trabalho, Emprego e Renda de São Carlos, Emerson Domingues, vê a profissionalização de mulheres para o setor como meio de inclusão social. Elas recebem vale-transporte e babás, para filhos de até 13 anos.

Araraquara formou 270 mulheres em 2011 –quase 10% dos formandos em cursos em parceria entre prefeitura e o Senai.

A dona de casa Lizeti Cristiane dos Santos da Silva, 31, disse sonhar com um emprego no setor. “Também quero ajudar quem não tem condições de construir suas casas.”

O Sinduscon (sindicato da indústria) diz que a mão de obra feminina é bem aceita em áreas como assentamento de azulejos, revestimentos cerâmicos e eletricidade.

Custo da mão de obra na construção ultrapassa 12% no período de 12 meses

quinta-feira, abril 26th, 2012

Francine De Lorenzo | De São Paulo
Valor Econômico

Os reajustes de mão de obra no setor de construção continuam avançando, apesar da perda de ritmo da inflação. Dados da Fundação Getulio Vargas (FGV) mostram que nos Estados em que já houve acordo salarial neste ano, o aumento de custos com a folha de pagamento ultrapassa 12%, patamar que não era visto desde 2004.

Nos 12 meses encerrados em abril, a mão de obra em Salvador acumula alta de 12,13% e, em Porto Alegre, o aumento chega a 12,91%. Os percentuais superam a taxa de 11,76% apurada no conjunto das sete capitais pesquisadas para o INCC-M no período e ficam muito acima da inflação oficial. Em 12 meses até março, o IPCA apresenta alta de 5,24% e na mesma base desde setembro de 2011.

“Considerando que a inflação no país está se desacelerando, os reajustes salariais estão realmente altos”, avalia Ana Castelo, coordenadora de estudos de construção civil da FGV. Em Salvador, o reajuste foi de 8% neste ano, enquanto em Porto Alegre foi concedido aumento antecipado que varia de 4,53% a 5,59%. A data-base da categoria no Estado é junho.

No Rio, o acordo coletivo fixou aumento de 9% para os trabalhadores da construção em março, fator que foi captado apenas parcialmente pelo INCC-M de abril. No acumulado de 12 meses, a mão de obra no Estado tem alta de 9,72%.

Já São Paulo, que tem maio como mês de reajuste salarial na construção, aponta elevação de 10,32% na mão de obra do setor em 12 meses. Em 2011, os trabalhadores tiveram aumento de 9,75%. Os reajustes praticados em Salvador e no Rio de Janeiro neste ano devem servir como referência para as negociações salariais em São Paulo.

Ana explica que a escassez de trabalhadores qualificados no mercado esquenta as discussões. As empresas têm limites para repasse de custos e em muitas obras há pouca margem de manobra, devido a valores acordados previamente. “O resultado é um jogo de forças entre os dois lados. Como as obras precisam ser concluídas, e já há dificuldade de contratação de profissionais, os reajustes têm ficado altos.”

Diversas construtoras do segmento imobiliário já sofrem com ações judiciais devido a atrasos na conclusão de seus empreendimentos, conforme reportagem publicada quarta-feira no Valor. A coordenadora da FGV, entretanto, acredita que isso não tirará o vigor do segmento. “Os indicadores de confiança mostram que o setor está bastante otimista.”

Em março, o Índice de Confiança da Construção registrou o maior nível desde setembro de 2011, ao marcar 129,9 pontos, puxado pela melhora nas expectativas para os próximos seis meses. O INCC-M, por sua vez, subiu 0,83% entre março e abril, estimulado pela alta de 1,08% em mão de obra no período. Nos 12 meses finalizados em abril, o indicador avançou 7,94%.

Serviços e materiais e equipamentos têm segurado a alta do INCC-M. Nos últimos 12 meses, as elevações de preços nessas categorias foram de 5,30% e 4,06%, respectivamente. Entre março e abril, os aumentos foram de 0,32% e 0,65%.

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Europeus procuram emprego no Brasil

segunda-feira, abril 2nd, 2012

VEJA - Economia
Por Lisandra Paraguassu

Brasília - A ideia de que o Brasil está se transformando em um paraíso de empregos atravessou o Atlântico e está encantando portugueses, espanhóis e até mesmo italianos. Uma página no Facebook que promete ajudá-los a conseguir vagas no País já atraiu quase 40 mil interessados - todos os dias, entre 500 e 600 pessoas, a maioria portugueses, se associam à comunidade. De volta à posição de primos pobres da Europa, afundados em uma recessão sem fim à vista e com o desemprego batendo em 15%, Portugal trocou de lugar com o Brasil e assumiu a posição de fornecedor de mão de obra.

No último final de semana, o coordenador da comunidade, que já morou e trabalhou no Brasil, organizou também duas conferências, uma em Lisboa e outra no Porto, para ensinar seus conterrâneos o caminho para emigrar. Centenas de pessoas pagaram 77 para assistir, por cerca de seis horas, um advogado brasileiro especialista em migração explicar o processo para obtenção de um visto de trabalho no País e o próprio organizador da conferência, David Bernardo, explicar como encontrar vagas por aqui.

Desempregado, o engenheiro agrônomo João Matado, 29 anos, saiu de Moura, no Alentejo, para assistir seis horas de explicações em Lisboa.

“Foi muito interessante. Serviu para desmistificar essa questão do visto de trabalho, que é bastante complicado. Também fiz contatos muito interessantes durante a conferência”, contou ao Estado. Desiludido com suas perspectivas em Portugal, Matado acha que é a hora de retomar os planos de viver no exterior. “No nosso país não está nada fácil viver. Temos sérios problemas de infraestrutura, a condições de trabalho são muito precárias. Sempre quis trabalhar no estrangeiro, esse é o momento”, afirmou. Especializado em ovinocultura, acredita que pode achar espaço no Brasil. “Essa é uma área que está começando no Brasil e aqui já temos experiência”, disse.

Tiago Cêpeda, 32 anos, engenheiro ambiental especializado em tratamento de resíduos, é um dos poucos membros da comunidade que não está desempregado. Mesmo assim, também quer vir para o Brasil.

“Oportunidades aqui não estão boas com a crise. Já o Brasil está numa boa fase. Trabalho no que eu gosto, mas minha área ainda está iniciando por aí, as possibilidades são maiores”, explicou Catarina Almeida, formada em marketing, acabou de ter um contrato de três anos encerrado.

Aos 27 anos, ela está desempregada e com esperanças de vir trabalhar no Brasil. “Tenho amigos muito contentes em trabalhar por aí. Temos a facilidade da língua e o Brasil é bastante atrativo nessa área”, explica.

A semelhança cultural, além do crescimento expressivo do País nos últimos anos, é uma das maiores razões para o interesse dos portugueses no Brasil. Notícias de que faltam engenheiros e médicos no País e de que a classe média brasileira vem crescendo expressivamente são avidamente compartilhadas na página do Facebook Empregos no Brasil para Estrangeiros. Dicas como a de um italiano, que sugeriu a seus conterrâneos procurarem possíveis parentes para fazer contato, ou sugestões de áreas que estão contratando, também fazem sucesso.

O interesse dos europeus por empregos por aqui também tem chegado pelas câmaras de relações entre os países. Na Câmara Brasil Espanha, até março já chegaram 250 currículos de pessoas interessadas em emigrar, a maioria nas áreas de engenharias e arquitetura. “Desde 2011 está crescendo o número de pessoas que nos procuram. Começou em 2008, 2009, com a crise na Espanha, e deve aumentar, já que não há perspectiva de melhoria da situação a curto prazo”, disse a diretora executiva Maria Luiza Castelo.

A recomendação dada pela Câmara é a mesma dada nas conferências portuguesas: faça contatos antes de vir ao Brasil. “A imaginação pode ser bem diferente da realidade. O Brasil é um país muito grande, não é a mesma coisa trabalhar em São Paulo ou no Nordeste”, explicou Maria Luiza.

Apesar disso, a percepção é de que a entrada ilegal de espanhóis tem aumentado. Nem a Polícia Federal nem o Itamaraty dão números, mas mesmo antes do Brasil adotar a reciprocidade e endurecer as exigências - o que começou essa semana - houve casos de entrada negada. A avaliação é que a situação vai piorar.

Apesar do interesse do Brasil em atrair estrangeiros altamente qualificados, vir trabalhar no País não é simples. Engenheiros, que realmente andam em falta no País, não podem assinar projetos. Por isso, só podem ser contratados como consultores. Apesar disso, para obtenção de um visto é exigido um contrato de trabalho e apenas depois de quatro anos é expedido um visto permanente.

Os vistos temporários, de até dois anos, cresceram 31% entre 2010 e 2011, mas portugueses e espanhóis não aparecem nem entre as 10 nacionalidades que mais conseguiram emprego no País. Em 2011, foram concedidos 2.692 vistos permanentes - 307 deles para portugueses, outros 269 para espanhóis. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo

Idosos voltam ao mercado de trabalho

terça-feira, março 20th, 2012

Falta de mão de obra qualificada e amplo conhecimento técnico na sua área de atuação vem tornando esse público mais atrativos
ESTADAO.COM.BR

MÁRCIA RODRIGUES
Os idosos estão voltando ao mercado de trabalho com tudo. Pesquisa feita pela consultoria de recursos humanos Hays, aponta que 20% das companhias contratam profissionais aposentados. Desse total, 75% para cargos técnicos, 33% para a diretoria e 28% para a gerência. O motivo: falta de mão de obra qualificada, redução de custos e, principalmente, amplo conhecimento técnico.

“É comum as empresas, por questões estratégicas, optarem por trocar dois profissionais juniores por um sênior, que trará mais expertise para o negócio. Principalmente quando a companhia passa por um período de contenção de gastos e que precisa dar uma guinada no mercado”, comenta o gerente de expertise da Hays, André Magro.

Segundo o especialista, principalmente as áreas técnicas como de engenharia e de finanças e comercial estão bastante interessadas nesse público. Magro estima que o mercado ficará ainda mais aquecido para os profissionais com mais de 60 anos nos próximos oito anos por causa do aumento da demanda.

“Com a situação econômica favorável ao Brasil, muitas empresas estão trazendo novos projetos para o País. E são projetos de longo prazo, que necessitam de mais gente. E mesmo com o volume de profissionais que se forma todos os anos nas universidades, haverá um déficit de mão de obra. Por isso, os aposentados e seniores serão muito requisitado. Além de dominarem perfeitamente a sua área, trazem resultados imediatos à corporação. Muitos, inclusive, voltam ao mercado como consultores”, diz.

É o caso do contabilista da FBM Consulting, Osvaldo Cesarino, de 59 anos. Aposentado há seis anos, ele investiu em uma consultoria própria nos primeiros anos de “liberdade” e depois foi convidado pela empresa para voltar ao mercado de trabalho em 2011. Hoje, ele presta consultoria para os clientes da FBM e cumpre uma carga horária de oito horas por dia.

Atividade. “Gosto de ficar ativo. Tenho experiência e muito gás para queimar. Já trabalhei 12 horas por dia. Para mim o que faço hoje é tranquilo. É uma forma de complementar a minha renda mensal - afinal todos sabem do encolhimento dos salários com a aposentadoria - e me manter ocupado”, ressalta.

Outro que não quer trocar a vida corporativa por nada é o consultor de recursos humanos da BDO RCS Nelson Moschetti, de 68 anos. Aposentado há 16 anos, teve pouco tempo de descanso antes de ingressar na empresa em 2001. Desde então, dedica boa parte do seu dia a desenvolver projetos de gestão para os clientes da empresa. “Meu xodó é o treinamento gerencial que ofereço para profissionais que ocupam cargos de chefia. Afinal, todo chefe precisa saber gerenciar uma equipe”, comenta.

Para ele, além do complemento salarial, trabalhar é uma forma de se manter “antenado” e aprender. “Nunca podemos acreditar que não temos mais nada para conhecer. É muito gratificante ensinar aos jovens e trocar experiências com eles. Já aprendi muita coisa e vou continuar aprendendo”, diz.

Na opinião da vice- presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), Elaine Saad, vários fatores vêm contribuindo para o retorno de pessoas com mais de 60 anos ao mercado de trabalho. O primeiro, segundo ela, é a escassez de mão de obra. “Há profissionais no mercado, mas não com o domínio técnico e de gestão deste público. Com a velocidade que as coisas estão caminhando, não há tempo suficiente para formar pessoas e atender o mercado.”

Outro ponto favorável é a ascensão meteórica da geração Y, que vem assumindo cargos de chefia. “Eles não têm a vivência necessária para ocupar certas posições. E muito da experiência profissional que temos é do conhecimento de vida. As empresas perceberam isso e trouxeram profissionais mais maduros também para cargos de chefia para conseguir um equilíbrio”.

De acordo com Elaine, o mercado também vem abrindo oportunidades para cargos antes ocupados apenas por jovens como caixas e atendimento. “São pessoas maduras e que gostam de lidar com pessoas. Principalmente a simpatia e a atenção especial que eles dão ao cliente vêm sendo apreciada pelas companhias, que necessitam de profissionais com esse perfil.”

Para a diretora da consultoria de recursos humanos Solução Labor, Suyen Miranda, “os idosos serão a bola da vez do mercado de trabalho”. “Temos percebido uma procura considerável por esses profissionais, principalmente em áreas técnicas e de relacionamento com o cliente.”

Suyen acredita que o interesse pelos idosos começou com a necessidade de inclusão social. Segundo ela, quando as empresas começaram a contratar profissionais com necessidades especiais, por determinação da justiça, perceberam que precisavam de pessoas para conduzi-las no ambiente corporativo. Durante o processo seletivo, observaram que os idosos tinham um desempenho melhor do que os candidatos com menos de 30 anos. “As empresas começaram a perceber que eles traziam mais resultado no atendimento, no ponto de venda e nas áreas técnicas.”

A diretora ainda comenta que um estudo feito no setor da construção civil apontou a necessidade de se trazer profissionais de engenharia de volta ao mercado. “Eles conhecem as técnicas que foram feitas antes do advento do computador. Sabem montar na mão um desenho de um mapa esquemático, de um sistema, de uma planta. E isso vem sendo valorizado no mercado.”