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Caixa capta em carteira de incorporação

terça-feira, dezembro 11th, 2012

Valor Econômico - 11/12/2012

A Caixa captou R$ 264,64 milhões com a oferta do Fundo de Investimento em Participações Caixa Incorporação Imobiliária, encerrada ontem, marcando a primeira operação do banco nessa modalidade.

O fundo tem como foco o investimento em projetos imobiliários residenciais em parceiras com incorporadoras a serem desenvolvidos em todo Brasil.

A emissão foi destinada a investidores institucionais e contou com a participação de 19 cotistas, a maioria formada por fundos de pensão e regimes próprios de Estados e municípios. “Decidimos lançar o produto diante da demanda de investidores institucionais por produtos que permitissem entrar no risco da incorporação do projeto”, diz Marcos Vasconcelos, vice-presidente da área de gestão de ativos de terceiros Da Caixa

Os investimentos devem contemplar empreendimentos residenciais voltados para a baixa, média e alta renda, e que não estejam incluídos no programa do governo Minha Casa Minha Vida. “Pretendemos investir em pelo menos dez projetos”, diz Vasconcelos.

A Caixa poderá aplicar até 15% do patrimônio do fundo em cada empreendimento. O aporte será realizado por meio da aquisição de participação acionária em Sociedade de Propósito Específico (SPE) que será criada para cada projeto.

Como envolve o risco de desenvolvimento, o retorno dos fundos de incorporação costuma ser superior aos dos fundos imobiliários tradicionais com foco em renda, que estavam pagando uma rentabilidade de 0,7% ao mês, considerando apenas as receitas de aluguel. A taxa de retorno estimada do fundo da Caixa é de 10% ao ano mais a variação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

O portfólio tem prazo de cinco anos, prorrogável por 24 meses.

A Caixa tem cerca de R$ 12 bilhões sob gestão em fundos e operações estruturadas voltados para a área imobiliária.

Previsão de vendas de materiais de construção volta a ser reduzida

terça-feira, novembro 27th, 2012

Estimativa de alta do faturamento do setor de construção foi cortada de 3,4% para 2%, segundo a Abramat
Circe Bonatelli, da Agência Estado

SÃO PAULO - Após registrar vendas abaixo do esperado ao longo do ano a Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat) reduziu de 3,4% para 2% a estimativa de alta do faturamento em 2012. A revisão foi a segunda do ano. A projeção inicial era de alta de 4,5% no faturamento.

De acordo com nota divulgada nesta terça-feira pela Abramat, as vendas do setor em outubro mostraram recuperação, com crescimento de 7,3% em relação a setembro e expansão de 6% sobre igual mês de 2011. As vendas acumuladas, no entanto, entre janeiro e outubro apresentaram alta de apenas 1,8% em relação ao verificado no mesmo período de 2011.

Na avaliação do presidente da Abramat, Walter Cover, o faturamento mais baixo reflete o desaquecimento do mercado imobiliário, responsável pelo consumo de 25% do que é produzido pela indústria de materiais. “O que pegou foi o mercado imobiliário, que vinha bem devido às vendas (de imóveis residenciais) realizadas em 2010 e 2011, mas começou a ressentir as vendas baixas de 2012 e a queda no volume de lançamentos”, afirmou Cover.

Outro ponto que afetou as vendas, segundo a Abramt, foi o baixo ritmo das obras do setor de infraestrutura, com participação de 20% no consumo da produção da indústria. Ao longo do ano, o ritmo de execução dessas obras, compostas principalmente por projetos públicos, foi mais lento do que o esperado, segundo Cover.

Já o consumo de materiais no varejo, com peso de 55% na demanda, mostrou forte crescimento, mesmo apesar das dificuldades para obtenção de crédito pelas famílias, avaliou. “O consumo das famílias cresceu, mas não tanto quanto poderia”, disse.

De acordo com a pesquisa da Abramat, as vendas de materiais de base - como cimento, vidro e tubulações, usados principalmente no setor de infraestrutura e na fase inicial de obras imobiliárias - subiram 0,4% no acumulado do ano. Já os materiais de acabamento - como azulejos, pastilhas e tintas, usados na fase final das obras e muito consumidos no varejo, tiveram alta de 4,4%.

Estimativas

Para os meses de novembro e dezembro, a Abramat acredita que as vendas serão melhores do que as do acumulado de janeiro e outubro. Segundo a associação, essa melhora é esperada em função da ampliação e prorrogação do IPI reduzido dos materiais, expectativas de melhorias nas linhas de crédito no varejo, e aceleração das obras do programa Minha Casa Minha Vida.

Já em 2013, a expectativa é de que o faturamento do ano fique entre 4% e 5%. Cover pondera que essas estimativas são prévias, e se baseiam na perspectiva de manutenção do consumo do varejo aquecido, além de uma retomada das obras de infraestrutura. “O governo tem um novo plano de investimentos em logística, e as obras da Copa estão perto de serem entregues”, lembrou.

Fim de ano pode ser boa época para comprar imóvel

terça-feira, novembro 27th, 2012

Construtoras podem oferecer descontos ou melhores condições para baixar estoques e fechar bem o ano; mas encarar promoções exige cuidados

Priscila Yazbek, de Exame.com

Oportunidades podem valer se comprador já queria comprar um imóvel

São Paulo – Este final de ano pode ser um bom momento para quem já vinha procurando imóveis. Além da desaceleração da alta dos preços no mercado imobiliário, algumas construtoras oferecem descontos ou melhores condições de negociação neste período, de olho no maior poder de compra dos consumidores, que recebem o 13º salário, e na redução dos estoques para alcançar um bom fechamento anual.

Como a adoção de uma estratégia mais agressiva de vendas depende da condição de cada construtora, e não apenas do fator sazonal, a orientação é aproveitar boas oportunidades se a intenção já era comprar um imóvel, mas não encarar o momento como uma chance única de conseguir bons preços na compra do imóvel.

Segundo especialistas, o cenário é propício para que algumas oportunidades surjam principalmente entre as construtoras que possuem capital aberto, uma vez que, com as ações negociadas em Bolsa, elas precisam alcançar certas metas e mostrar bons resultados aos acionistas nos balanços trimestrais.

Para isso, algumas delas buscam oferecer promoções para reduzir seus estoques e aumentar o fluxo de caixa. “Algumas empresas fazem promoções ostensivamente, anunciam descontos, mas outras acabam apenas oferecendo melhores condições nos plantões de vendas”, explica o professor titular de real estate da Escola Politécnica da USP, João da Rocha Lima. Algumas boas ofertas, como ele acrescenta, podem não estar estampadas em anúncios, mas sim aparecer durante o momento da transação ou da negociação.

Luiz Fernando Gambi, diretor de comercialização e marketing do Secovi-SP, complementa que muitas empresas acabam trabalhando seus descontos de forma mais “banal”, sem grandes alardes. “Muitas empresas, quando querem incentivar as vendas, comunicam aos seus canais de venda que estão flexibilizando sua tabela de desconto. Elas avisam aos vendedores que se antes eles poderiam dar descontos de 2%, agora podem trabalhar com 3%”, diz.

Marcelo Dzik, diretor de incorporação da construtora Even, afirma que o final de ano é um momento em que a construtora busca aproveitar a maior disponibilidade de renda dos consumidores por causa do décimo terceiro e também a maior intenção de compra de algumas pessoas que pretendiam comprar seu imóvel em 2012, mas ainda não o fizeram. Mas, ele explica que as oportunidades são muito mais condicionadas à necessidade de desovar unidades em estoque em um determinado momento, ou ao tipo de produto oferecido do que ao encerramento do ano.

Para encontrar maiores descontos nesta época, uma dica dos especialistas é partir do comprador a oferta de melhores opções de pagamento. Oferecer uma entrada maior, por exemplo, é algo que pode gerar descontos durante o ano todo, mas no final do ano a oferta pode surtir ainda mais efeito se a construtora estiver em busca de melhores resultados antes do ano acabar.

Bom momento do mercado

Além destes fatores que podem facilitar a compra no final de ano, a desaceleração na alta dos preços dos imóveis nos últimos meses também vem favorecendo a comercialização. No mês de outubro, a alta dos preços de imóveis medida pelo índice FipeZap foi a menor desde o início da série histórica em setembro de 2010. Nas regiões pesquisadas, que incluem sete capitais e o Distrito Federal, os preços subiram apenas 0,80% em média de setembro para outubro.

O professor da Politécnica da USP explica que o mercado esteve trabalhando até o primeiro semestre de 2011 com preços crescentes e agora a tendência é de acomodação. “No primeiro semestre de 2011 avaliamos que havia uma gordura especulativa nos preços. De lá para cá, os preços vêm se acomodando para baixo e eu considero que estejam adequados neste momento”, diz.

O diretor de marketing do Secovi avalia que o mercado imobiliário está entrando em uma fase melhor para os compradores. “Ainda estamos com um crescimento acima da inflação, mas a explosão que estava acontecendo nos preços está diminuindo e entra em uma parte da curva mais favorável”. Segundo ele, a partir de agora quem está procurando imóveis pode começar a encontrar melhores negócios, e a situação pode melhorar ainda mais no ano que vem.

Cuidados

Ainda que todos os fatores levantados indiquem que os compradores podem se beneficiar neste final de ano, é importante que a decisão da compra seja planejada. Grandes “saldões”, descontos, brindes e vendas diretas com as construtoras são jogadas de marketing que podem ser muito bem-vindas, mas não devem ser o fator norteador da compra.

Conforme Rocha Lima explica, a compra de um imóvel, em muitos casos, representa o gasto mais alto da família, por isso é preciso ter cautela. “Um imóvel não é uma mercadoria que você entra na loja e compra. É uma decisão lenta, que exige reflexão, exige um olhar de 20 anos para frente e, em um horizonte mais curto de tempo, exige um olhar sobre a estabilidade do emprego e a capacidade de pagamento”.

As eventuais promoções de final do ano e as valorizações mais modestas, portanto, não devem acelerar a compra. O processo costuma ser demorado e durar cerca de seis a sete meses, segundo o professor da Politécnica. Por isso, fechar o negócio em um mês apenas pela motivação da promoção pode não ser uma boa decisão.

Gambi também acrescenta que de fato algumas empresas, para demonstrar aos acionistas resultados, reforçam as vendas em períodos de mudança de trimestre, mas mesmo assim elas não são capazes de oferecer descontos tão altos. “Elas podem estar dispostas a abrir mão de um pequeno lucro, mas olhando os balanços das empresas de capital aberto, a maior parte das incorporadoras têm margem de lucro de 11%, 12%. Então, se elas oferecerem 12% de desconto, elas não ganham nada”, afirma.

Portanto, segundo o diretor do Secovi, muitas vezes descontos superiores a 12% podem ser impraticáveis e sinalizar que o imóvel tem algum tipo de problema que tem impedido sua venda.

Mercado imobiliário começa a desacelerar na China

quarta-feira, novembro 21st, 2012

Para Nicholas Lardy, do Peterson Institute for Internacional Economics, apetite para mercado imobiliário pode estar caindo

Beatriz Olivon, de Exame.com

São Paulo – Os dados oficiais indicam que o crescimento do PIB da China está diminuindo de um pico de 12% para cerca de 7,4%. “O ponto otimista, na base trimestral, é que parece que a economia saiu do ponto mais baixo, no começo do ano. Mas há muitos indicadores qualitativos e quantitativos que questionam esses números”, disse Nicholas Lardy, sênior fellow do Peterson Institute for Internacional Economics.

Para Lardy, a diminuição deve-se, entre outros fatores, a uma queda no crescimento de exportações, que passou de crescimento de 30% em 2010 para 10% no começo desse ano. “O setor externo se tornou um peso no crescimento econômico e não um contribuinte”, isso resulta da diminuição de exportações para a Europa, que está em crise e é o maior destino de exportações chinesas. “Com a Europa em recessão, acho difícil ver uma recuperação”, disse Lardy, durante a 4ª Conferência Internacional do Conselho Empresarial Brasil-China, realizado hoje, em São Paulo.

Um segundo motivo é a queda de investimentos, segundo Lardy. “A fonte principal de desenvolvimento tem sido o setor imobiliário, um dos maiores impulsionadores do crescimento econômico nos últimos anos”, disse. De um ano para cá, esse investimento caiu e está com metade do ritmo dos dois anos anteriores, o que também tem efeitos sobre outros setores, como o aço.

Imóveis

Para entender o que vai acontecer na economia chinesa no futuro é necessário observar o setor de propriedades e imóveis, segundo Lardy. Nas últimas décadas, em decorrência da dificuldade de movimentar dinheiro ou levar para o offshore [investir outros países], as pessoas passaram a se interessar por investimentos em imóveis, segundo Lardy. “15% da população urbana tem duas casas. Cerca de 5% tem três ou mais casas”, disse.

“O apetite para compra de propriedades parece que está caindo na China”, disse Lardy, citando uma pesquisa de um banco chinês que mostra que a alocação planejada de imóveis como forma de investimento está caindo e que a exposição dos bancos a propriedades também vem caindo.

Cerca de 40% de todas as moradias sendo compradas em 2010 eram especulação e investimentos, segundo o pesquisador. Agora, Lardy acredita que isso não irá continuar. “Talvez esteja acontecendo uma desaceleração no investimento em imóveis, pois a demanda está caindo”, afirmou.

“Os fatores sugerem que estamos no início de uma correção de longo prazo com relação ao mercado imobiliário. A demanda de investimento provavelmente vai cair ou crescer mais lentamente”, disse. Nesse momento é necessário buscar fontes alternativas de demanda para a economia chinesa continuar crescendo rapidamente, segundo Lardy. “O consumo imobiliário tem que começar a aumentar mais significativamente do que tem ocorrido no passado”, disse. Isso requer a adoção de políticas que incentivem mais gastos com consumo imobiliário para compensar as quedas nos investimentos.

Para Lardy, há quatro políticas que precisam ser implementadas na China: a redução da intervenção do mercado de câmbio, a reforma do sistema de precificação para energia e eletricidade, a liberalização das reformas de taxas de juros e criar uma rede de segurança social, levando as pessoas a diminuírem as reservas e consumirem mais. Na China, a taxa de poupança é de 40% da renda disponível.

Crédito imobiliário do BB supera os R$ 10 bi em setembro, alta de 70,9%

quinta-feira, novembro 8th, 2012

No terceiro trimestre foram contratadas 7.678 operações, o melhor desempenho apresentado desde o início da série em 2008

Aline Bronzati, da Agência Estado

SÃO PAULO - A carteira de crédito imobiliário do Banco do Brasil alcançou saldo de R$ 10,8 bilhões ao final de setembro, expansão de 70,9% em 12 meses. No terceiro trimestre foram contratadas 7.678 operações. Trata-se do melhor desempenho apresentado desde o início da série em 2008, com crescimento de 4,1% sobre o trimestre anterior, segundo informa a instituição no relatório que acompanha as demonstrações financeiras.

Os desembolsos no terceiro trimestre deste ano totalizaram R$ 1,8 bilhão, montante 2,6% superior ao observado no mesmo período de 2011. O volume de negócios com pessoas físicas atingiu R$ 1,1 bilhão e de pessoas jurídicas, R$ 610 milhões.

“A carteira de pessoa física se destaca mais uma vez, com crescimento de 69,3% em um ano, finalizando setembro de 2012 com saldo de R$ 8,5 bilhões”, destaca o BB.

Inadimplência

O índice de inadimplência do Banco do Brasil permaneceu praticamente estável no terceiro trimestre deste ano, em 2,17% ante taxa de 2,1% vista no segundo trimestre, levando em conta os atrasos considerados acima de 90 dias.

As despesas com provisões para devedores duvidosos (PDD) totalizaram R$ 3,764 bilhões no terceiro trimestre deste ano, aumento de 15,5% ante 12 meses e de 2,4% na comparação com o trimestre anterior. No acumulado de 2012 até setembro, os gastos com PDD somaram R$ 13,907 bilhões, aumento de 25,6% e 3,8%, na mesma base de comparação.

Se desconsideradas as operações do Banco Votorantim, a carteira de crédito classificada do BB cresceria 21,9% em setembro na comparação com o mesmo intervalo do ano passado, porcentual superior ao aumento das respectivas despesas de PCLD no período, de 11,8%.

No BB, o índice de Basileia fechou setembro em 15,5% contra 14,2% em junho e 13,9% no mesmo mês do ano passado. O mínimo exigido pelo Banco Central é de 11%. O aumento do indicador foi influenciado, segundo relatório que acompanha as demonstrações do BB, por contrato assinado em setembro com a União, que concedeu crédito na forma de títulos da Dívida Pública Mobiliária Federal, destinado ao financiamento de operações do segmento agropecuário referentes à safra 2012/2013, no valor de R$ 8,1 bilhões. Esse montante é elegível como capital de nível I e II.

Mudanças culturais e econômicas afetam setor imobiliário

quarta-feira, novembro 7th, 2012

CAMILA CARINGE - FSP
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

A mudança no perfil da população brasileira é um dos fatores que pressiona o deficit habitacional do país, segundo Marcelo Borges de Oliveira, diretor-presidente da Rodobens Negócios Imobiliários.

Estudos indicam que faltam cerca de 6 milhões de moradias no país. Mas Oliveira diz acreditar que esse número seja maior:

“Não há um número exato, mas sabemos que o deficit parece ser até maior, principalmente por causa da mudança de característica das famílias. As pessoas estão saindo da casa dos pais mais cedo e indo morar sozinhas. Isso alimenta o mercado.”

José Roberto Federighi, diretor da Brasil Brokers, explica que a nova classe média, que é hoje 53% da população brasileira, cresceu diminuindo a pobreza, mas sem reduzir as classes mais privilegiadas.

Os executivos participaram da sexta edição do Cityscape Latin America, evento voltado para investidores do setor imobiliário, realizado em São Paulo entre os dias 29 e 31 de outubro.

“O Brasil é o 5º país mais populoso do mundo e a nossa classe média seria o 12º país. Ou seja, a gente tem uma classe média aqui maior do que Alemanha, do que Turquia ou Vietnam. É quase o tamanho da população do México”, afirma Federighi.

O poder de consumo da população cresceu. Além de aumentar o número de habitações com apenas um morador, a oferta de mão-de-obra especializada decresceu, tornando a padronização dos projetos uma estratégia fundamental das construtoras, que visam diminuir os riscos na execução das obras.

CRÉDITO

Federighi aponta que o programa Minha Casa Minha Vida foi criado para ajudar o setor imobiliário a resolver o deficit habitacional. Na primeira fase foram contratadas mais de um milhão de moradias. Em sua segunda fase, o programa pretende construir dois milhões de casas e apartamentos até 2014.

“Mesmo assim o setor precisa de muito mais incentivo governamental para resolver o problema. Em 2005, o nosso mercado atingia no máximo 10% da população brasileira. Com o programa, conseguimos chegar a 67%. Mas oferecer casas para famílias cuja renda varia de 0 a 3 salários mínimos não é possível sem incentivo.”

Ele diz ainda que a demanda por imóveis também foi viabilizada pelo aumento do crédito. Em 2008, menos de 50 milhões de financiamentos foram registrados. Já as projeções para 2012 é que o país atinja 200 milhões de imóveis financiados. Mas Federighi diz acreditar que o país esteja muito longe de ter uma bolha imobiliária em função do crédito.

“Vemos uma confusão muito grande entre diminuição de velocidade de crescimento e diminuição de mercado, que são coisas completamente diferentes. Nosso mercado não está diminuindo. Ele está perdendo velocidade. O mercado imobiliário não tende a diminuir.”

Novo investidor aplica R$ 3,5 bi em shopping

segunda-feira, novembro 5th, 2012

Previ compra shopping e prédio comercial em projeto da Odebrecht
Por Ana Paula Ragazzi | Do Rio

Valor Econômico - 05/11/2012

Novas empresas de shoppings têm sido criadas com recursos de fundos de investimentos, de executivos do mercado e de tradicionais empresários da construção. Redução dos juros, resultados favoráveis dos shoppings e forte valorização do capital aplicado no negócio fizeram surgir novas sociedades no setor nos últimos três anos.

Nesse grupo estão a 5R Shopping Centers, criada por Edmundo Rossi, da Rossi Construtora, e a Vértico, braço do grupo WTorre, do empresário Walter Torre. Ex-sócio do Sonae Sierra, Henrique Falzoni, da Enplanta Engenharia, anunciou seu retorno ao mercado meses atrás e um grupo de ex-executivos da Brookfield Incorporadora, donos da WGL Administração e Participações, criou há pouco mais de um ano um fundo gerido pelo Credit Suisse Hedging-Griffo para construir shoppings para a classe C. Esse conjunto de empresas anunciou, desde 2010, cerca de R$ 3,5 bilhões em investimentos em 20 shopping centers em construção ou em fase de obtenção de licenças finais.

A Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, fechou a compra do shopping e de uma das torres corporativas do Condomínio Parque da Cidade, em São Paulo. O fundo pagará R$ 817 milhões para a Odebrecht Realizações Imobiliárias pela aquisição. O Parque da Cidade foi lançado em setembro como o maior empreendimento imobiliário de São Paulo, em área construída, e será erguido na Marginal Pinheiros, próximo do Morumbi. O complexo terá seis torres comerciais, duas residenciais, um shopping e um hotel, interligados por um parque.

“O Parque da Cidade está localizado em uma região que enxergamos como um provável novo centro comercial de São Paulo”, afirma o diretor de investimentos da Previ, Renê Sanda. Ele também destaca que o negócio é alinhado às necessidade de um fundo de pensão como a Previ, que tem visão de longo prazo e precisa de fluxo de caixa para pagar benefícios atuais e futuros dos seus participantes.

A aquisição, explica, segue a política de investimentos definida ano passado, que busca aumentar a diversificação de suas aplicações, saindo um pouco da renda fixa. O fundo não investe em empreendimentos residenciais, apenas corporativos e shoppings.

A Previ já possui investimentos em outros shoppings, como o Morumbi e o Barra Shopping, e pela primeira vez será dona de um - adquiriu 100% do que integra o empreendimento. “O retorno dos nossos investimentos em shoppings tem sido bastante expressivos”, afirma Sanda.

Paulo Melo, diretor regional da Odebrecht Realizações Imobiliárias, destaca que, fechado o investimento com a Previ, fica encerrada a busca por parceiros para a primeira fase do projeto. Já foram fechados investimentos para o hotel, um prédio de escritórios e uma outra torre corporativa. A construção deverá estar encerrada em 2016.

“Já conversávamos com a Previ há 18 meses, ates mesmo do início da implementação do projeto. Para nós ele é bastante especial e teve uma aceitação acima de nossas expectativas”, afirma Melo. “O Parque Cidade tem um conceito de sustentabilidade, de economia de água e energia, de ser um projeto também aberto à população e com uma integração com seu entorno, que lhe conferiu grande valor agregado”, diz.

A Previ também comenta que pesou para a decisão de investimento o fato de o projeto ter sido concebidos sob as certificações ambientais LEED, conferida pelo Green Building Council Brasil (GBC); e Aqua, de sustentabilidade imobiliária.

Dos recursos dispensados pela Previ, 90% virão do Plano 1, o seu plano de benefícios maior e mais antigo e que abriga os funcionários do Banco do Brasil admitidos até dezembro de 1997; e os 10% restantes virão do Previ Futuro, o plano mais jovem e em fase de acumulação de recursos. Os desembolsos serão realizados até 2015, dentro do cronograma das obras de construção do empreendimento.

Com a aquisição, a carteira imobiliária da Previ ultrapassa os R$ 8 bilhões, o que corresponde a 5% dos investimentos totais do Plano 1, da ordem de R$ 157 bilhões. Se somados as ativos do Previ Futuro, os recursos totais superam R$ 160 bilhões.

Os fundos de pensão podem investir até 8% no setor imobiliário. O crescimento de participação da Previ vem tanto de novos investimentos quanto da valorização dos que já estão em carteira. O segmento imobiliário da Previ tem apresentado retornos na casa de 20% a 30% ao ano desde 2008.

Philippe Starck de mala e cuia no Brasil

terça-feira, outubro 30th, 2012

Escritório do designer francês está abrindo filial em São Paulo e busca incorporadores para executar projetos de luxo no país
Luciana Calaza Morar Bem - O Globo

Surrealismo no Barkli Park, primeiro projeto do yoo assinado por Philippe Starck na Rússia. Localizado no coração de Moscou, tem 130 apartamentos de luxo projetados com os temas clássico, cultura, minimalista e natureza Divulgação

RIO - Até o fim do ano, deverão ser abertas as portas da filial paulistana do yoo, escritório de design do francês Philippe Starck e do britânico John Hitchcox, com sede em Londres. Mas São Paulo não é a única cidade brasileira no seu radar. A diretora da companhia na América Latina, Carina Bendeck, adianta que já está conversando com incorporadoras que vão iniciar empreendimentos no Rio de Janeiro, em Curitiba e na Região Nordeste.

O escritório de Starck, conhecido pela arquitetura de interiores com jogos de luzes coloridas, objetos surrealistas e toques rococós, está se especializando em desenvolver projetos residenciais e comerciais de grife por todo o mundo. Desde a criação do yoo, em 1999, a empresa já projetou 49 empreendimentos pelo mundo que, juntos, valem US$ 7 bilhões. Estão em países como EUA, Dinamarca, Emirados Árabes, Inglaterra, Argentina, Uruguai, Panamá e México. O yoo enxerga uma oportunidade de ampliar esses números junto com a expansão econômica do Brasil, principalmente no segmento de luxo. De todos os países dos Brics (Brasil, Rússia, Índia e China), a direção do yoo acha o Brasil o mais promissor.

— O setor imobiliário brasileiro é um dos poucos capazes de sustentar mais de um projeto do escritório em uma mesma cidade, com destaque para a capital paulista. Achamos que o Brasil tem um espaço bem amplo, porém o nosso estilo de luxo é algo que aqui ainda não foi sido visto em prédio nenhum. O que mais se aproxima é o hotel Fasano no Rio (projetado por Starck). Nós montamos uma estratégia de penetração no mercado brasileiro baseada na combinação de fatores como o tamanho da economia, o apetite pelo luxo do consumidor e a carência de desenvolvimentos de prédios de grife internacional.

E, além dos projetos residenciais e comerciais, a empresa aqui vai apostar no segmento de shopping centers. O Brasil registrou nos últimos cinco anos um aumento de 22,5% em inaugurações desse tipo de empreendimento, segundo dados da Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers).

Para conquistar o público, Starck e Hitchcox se fortalecem com os nomes de seus conhecidos designers, dentre eles Marcel Wanders, Jade Jagger (filha de Mick) e Kelly Hoppen, famosa por projetar as casas de Elton John, David Beckham e o Príncipe William. Mas o yoo trabalha com a ideia de agregar um designer brasileiro ao seu time, conta Carina, sem dar pistas concretas de quem seria o escolhido.

— A gente está falando com designers brasileiros para incorporar um deles na equipe do yoo e, assim, poder oferecer uma opção para o público que se ajuste mais aos regionalismos brasileiros. O país tem uma riqueza incrível de conceitos criativos que são únicos no mundo, desde a combinação das cores fortes até o estilo eclético e aconchegante que se pode observar até nas pousadas e casas comuns no litoral — afirma a executiva.

Megacomplexos flertam com a vizinhança

quinta-feira, outubro 18th, 2012

Áreas de livre circulação e convivência devem transformar novos empreendimentos em polos de atração para o mercado imobiliário

Gustavo Coltri, de O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO - Dois dos maiores empreendimentos de São Paulo nos próximos anos começam a tomar forma, trazendo consigo - e em gigantesca escala - a ideia de integração urbana. Com áreas de acesso público, esses projetos podem, segundo especialistas, contribuir para o desenvolvimento imobiliário de suas respectivas regiões.

Na zona sul, um parque linear de 62 mil metros quadrados - 22 mil m² de áreas verdes - é o principal destaque do Parque da Cidade, megaprojeto da OR - Odebrecht Realizações Imobiliárias lançado este mês na Chácara Santo Antônio. O espaço, aberto ao entorno, abrigará todos os edifícios do conjunto, que contará com cinco torres corporativas, uma de salas comerciais, hotel, shopping e dois residenciais - os únicos isolados por muros.

“Esse não é um projeto de arquitetura, mas de urbanismo”, disse o diretor de incorporação da companhia, Saulo Nunes, durante coletiva de lançamento do complexo, no último dia 3. Por enquanto, apenas a torre de salas comerciais foi colocada à venda. O projeto tem previsão de encerramento em oito anos.

Na Barra Funda, as incorporadoras Tecnisa e PDG Realty cederam à Prefeitura um parque de 45,9 mil m² no meio do loteamento Jardim das Perdizes. O espaço verde deve ser inaugurado no primeiro trimestre de 2013.

Ao redor da área, a Tecnisa prevê lançar dez dos cerca de 30 edifícios programados até 2017 para o loteamento, que tem 250 mil m². Haverá, na área, ainda um lote com hotel e torres corporativas e comerciais.

“Costumamos brincar que é como se nosso projeto fosse uma loja âncora de um shopping. Ele acaba criando uma atratividade local”, diz o diretor executivo técnico da Tecnisa, Fabio Villas Bôas. Ele acredita que o lançamento de unidades de padrão elevado possa mostrar a viabilidade de projetos residenciais na região, tradicionalmente ocupada por galpões industriais.

As áreas verdes também devem ter impacto nas vizinhanças, na opinião do presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo (Creci-SP), José Augusto Viana Neto. “São espaços de lazer e contemplação que trazem valor para todas as áreas que têm acesso livre a eles”, diz.

Atuante na zona sul, a corretora Marisol Pestana considera importante a instalação de um parque nas proximidades do Morumbi Shopping, carente de áreas como essa. “Temos o parque Severo Gomes e a Hípica de Santo Amaro, mas, para o lado de cá, não há nada.” A Barra Funda também não tem áreas verdes nas imediações da Avenida Marques de São Vicente.

Para o professor da pós-graduação em negócios imobiliários da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) Ricardo Rocha Leal, as duas regiões são as principais vertentes de crescimento da cidade por estarem na abrangência de duas operações urbanas - Água Espraiada e Água Branca -, que preveem uma série de intervenções viárias e de ocupação para as áreas beneficiadas.

“E, pelo tamanho, esses grandes empreendimentos trazem uma quantidade de outros junto com eles”, diz. De acordo com a OR, 65 mil pessoas circularão diariamente pelo Parque da Cidade, 25 mil delas como população fixa do complexo imobiliário.

A conceituação dos empreendimentos tem se tornado tendência crescente no mercado, de acordo com Leal, para atender aos anseios de qualidade de vida dos consumidores. “Além de comprar um apartamento, as pessoas adquirem o condomínio, os itens de lazer e o que a região tem a oferecer.”

O desenvolvimento misto dos projetos também reflete a fuga de empresas e compradores das dificuldades de mobilidade da cidade, segundo o presidente do Sindicato da Habitação (Secovi-SP), Claudio Bernardes. “Esse é um modelo que deve vir numa forma de indução do planejamento urbano, em que pequenos empreendimentos formariam esses polos. E esses grandes seriam células pequenas em um bairro maior.”

MRV precisa vender R$1,7 bi no 4º tri para atingir meta

quinta-feira, outubro 18th, 2012

A empresa encerrou o terceiro trimestre com vendas menores na comparação anual, em meio a um cenário menos favorável para o setor imobiliário

REUTERS

São Paulo - A MRV Engenharia precisará vender 1,7 bilhão de reais nos três últimos meses do ano a fim de cumprir o piso da estimativa traçada para 2012, ou o equivalente a quase 43 por cento do mínimo da meta anual.

A empresa encerrou o terceiro trimestre com vendas menores na comparação anual, em meio a um cenário menos favorável para o setor imobiliário.

As vendas contratadas da construtora e incorporadora mineira somaram 1,027 bilhão de reais entre julho e setembro, queda de 5 por cento sobre um ano antes, mas crescimento de 9 por cento em relação ao período anterior.

O resultado, segundo o vice-presidente financeiro da MRV, Leonardo Corrêa, decorreu da combinação de “economia menos forte que o esperado e reajustes no programa Minha Casa, Minha Vida” –que ainda não haviam acontecido no trimestre passado–, reduzindo o poder de compra do consumidor”.

Com isso, a MRV acumulou vendas de 2,784 bilhões de reais nos nove primeiros meses do ano, 3 por cento menores e equivalentes a pouco mais da metade do ponto médio da projeção da companhia para 2012, de vender entre 4,5 bilhões e 5,5 bilhões de reais

“Com certeza o desafio é muito grande, mas vamos lutar até o final para conseguir (atingir a estimativa)”, disse ele à

“Os reajustes no Minha Casa, Minha Vida devem ajudar no quarto trimestre… as mudanças melhoram o poder do compra e terão impacto positivo nas vendas”, acrescentou.

No início deste mês, foi atualizado o valor dos imóveis e as faixas de renda e reduzida a taxa de juros aos tomadores de crédito do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para compra de imóveis enquadrados no segmento econômico. Também foram reduzidos os juros nos financiamentos do Minha Casa, Minha Vida.

A velocidade de vendas –medida pela relação de venda sobre oferta– ficou em 19 por cento no terceiro trimestre, abaixo dos 25 por cento vistos um ano antes, mas estável na relação trimestral.

Já os lançamentos caíram 27 por cento ano a ano, para 1,057 bilhão de reais. Na comparação com o segundo trimestre, houve queda de 1 por cento.

Nos nove meses até setembro, a MRV lançou 2,767 bilhões de reais, queda de 15 por cento.

“Temos estoque adequado para atender a demanda”, afirmou Corrêa. “É a demanda que vai ditar o ritmo dos lançamentos.” O banco de terrenos da empresa somava 21,1 bilhões de reais ao final de setembro.

A MRV informou ainda ter produzido 10.398 unidades no terceiro trimestre, sendo que 6.123 foram concluídas no período.