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Morre The Daily, o primeiro jornal para tablets

terça-feira, dezembro 4th, 2012

Por não atingir as metas de audiência, explicou Rupert Murdoch, dono do grupo News Corp, o jornal digital não comprovou que poderia dar certo no longo prazo

Gabriela Ruic, de Exame.com

The Daily: lançado em 2011, última edição do primeiro jornal digital exclusivo para tablets será veiculada no dia 15 de dezembro

São Paulo – O jornal digital The Daily, o primeiro do planeta a ser produzido exclusivamente para tablets, especialmente o iPad, encerrará suas atividades no próximo dia 15 de dezembro. Segundo comunicado à imprensa assinado por Rupert Murdoch, dono do conglomerado News Corp. ao qual pertence o jornal, não foi possível atingir a audiência necessária para comprovar que o modelo de negócio empregado à publicação seria bem sucedido no longo prazo.

“O The Daily foi um corajoso experimento em publicação digital e um veículo importante para a inovação”, disse o magnata. “E é por isso que vamos aproveitar tudo o que aprendemos no The Daily e aplicar em outras propriedades”, explicou Murdoch. De acordo com a nota, Jesse Angelo, ex-editor chefe e fundador do veículo digital, assumirá a posição de editor do jornal The New York Post, enquanto que toda a tecnologia, e parte da equipe, do The Daily também serão absorvidas pelo Post.

A nota de despedida da turma do The Daily, assinada por Angelo e Greg Clayman, também editor, confirmou que o jornal digital não atingiu as metas de audiência e agradeceu a lealdade de seus leitores. Além disso, informou que todas as assinaturas que continuarem ativas após a última edição do veículo terão seus valores devolvidos aos usuários.

The Daily

Lançado em 2011, o jornal digital foi o primeiro a ser veiculado exclusivamente como app no iPad. Meses depois, o The Daily desembarcou em outros dispositivos como o iPhone, tablets com Android e também no Kindle Fire, da Amazon.

Sinais de problemas no The Daily começaram a surgir em julho, quando uma leva de demissões atingiu a redação. Na ocasião, 50 pessoas foram demitidas de uma equipe formada por 170 profissionais.

Ainda em julho, Angelo havia publicado uma nota dizendo que os rumores de que o The Daily estava indo mal eram “desinformados e não verdadeiros” e pediu que seus leitores ignorassem o fato. De acordo com informações publicadas no site Slate, o jornal digital da News Corp. estava perdendo 30 milhões de dólares por ano, mesmo cobrando 1 dólar por semana aos usuários do app no iPad.

Cyrela investe em marketing para cumprir meta de vendas

quinta-feira, outubro 25th, 2012

Com a iniciativa, a empresa segue na contramão de outras construtoras que vêm oferecendo descontos nos valores de imóveis para impulsionar as vendas

Vivian Pereira, da REUTERS

São Paulo - A Cyrela Brazil Realty está lançando mão de uma campanha de marketing como ferramenta para ajudar a construtora e incorporadora a cumprir a projeção de vendas traçada para 2012, que foi reduzida na semana passada em decorrência da desaceleração dos lançamentos.

A companhia lançou nesta quinta-feira a segunda fase de uma campanha voltada potenciais compradores na Internet que conta com investimento superior a 1 milhão de reais e tem como objetivo resultar em vendas contratadas de 225 milhões de reais no atual trimestre.

O adiamento de lançamentos fez a empresa revisar a meta de vendas em 2012 para entre 6 bilhões e 7 bilhões de reais na semana passada. A estimativa anterior era de que as vendas contratadas ficassem entre 6,9 bilhões e 8 bilhões de reais neste ano.

Citando um processo de aprovação mais lento para novos lançamentos ao longo deste ano, principalmente em São Paulo, a construtora adiou para 2013 projetos relevantes com lançamento previsto para o atual semestre.

Com a iniciativa, a Cyrela segue na contramão de outras construtoras que vêm oferecendo descontos nos valores de imóveis para impulsionar as vendas, as quais vêm desaquecendo desde o início do ano.

Na primeira fase da campanha, realizada entre março e maio deste ano, a expectativa de vendas foi superada em 130 por cento, somando 170 milhões de reais, segundo a empresa.

Com duração de seis meses, a segunda fase inclui criação de conteúdo para o site da companhia, como entrevistas com especialistas do setor, reportagens e discussões com profissionais da construção civil.

“Informação é fundamental para que o cliente decida sobre a compra ou investimento em imóveis, por isso… aprimoramos o nosso conteúdo, com a finalidade de criarmos um relacionamento de longo prazo e também de nos tornarmos fonte de informação para todo o mercado”, afirmou o gerente de Comunicação da Cyrela São Paulo e responsável pela campanha, Pablo Oliveira.

MRV precisa vender R$1,7 bi no 4º tri para atingir meta

quinta-feira, outubro 18th, 2012

A empresa encerrou o terceiro trimestre com vendas menores na comparação anual, em meio a um cenário menos favorável para o setor imobiliário

REUTERS

São Paulo - A MRV Engenharia precisará vender 1,7 bilhão de reais nos três últimos meses do ano a fim de cumprir o piso da estimativa traçada para 2012, ou o equivalente a quase 43 por cento do mínimo da meta anual.

A empresa encerrou o terceiro trimestre com vendas menores na comparação anual, em meio a um cenário menos favorável para o setor imobiliário.

As vendas contratadas da construtora e incorporadora mineira somaram 1,027 bilhão de reais entre julho e setembro, queda de 5 por cento sobre um ano antes, mas crescimento de 9 por cento em relação ao período anterior.

O resultado, segundo o vice-presidente financeiro da MRV, Leonardo Corrêa, decorreu da combinação de “economia menos forte que o esperado e reajustes no programa Minha Casa, Minha Vida” –que ainda não haviam acontecido no trimestre passado–, reduzindo o poder de compra do consumidor”.

Com isso, a MRV acumulou vendas de 2,784 bilhões de reais nos nove primeiros meses do ano, 3 por cento menores e equivalentes a pouco mais da metade do ponto médio da projeção da companhia para 2012, de vender entre 4,5 bilhões e 5,5 bilhões de reais

“Com certeza o desafio é muito grande, mas vamos lutar até o final para conseguir (atingir a estimativa)”, disse ele à

“Os reajustes no Minha Casa, Minha Vida devem ajudar no quarto trimestre… as mudanças melhoram o poder do compra e terão impacto positivo nas vendas”, acrescentou.

No início deste mês, foi atualizado o valor dos imóveis e as faixas de renda e reduzida a taxa de juros aos tomadores de crédito do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para compra de imóveis enquadrados no segmento econômico. Também foram reduzidos os juros nos financiamentos do Minha Casa, Minha Vida.

A velocidade de vendas –medida pela relação de venda sobre oferta– ficou em 19 por cento no terceiro trimestre, abaixo dos 25 por cento vistos um ano antes, mas estável na relação trimestral.

Já os lançamentos caíram 27 por cento ano a ano, para 1,057 bilhão de reais. Na comparação com o segundo trimestre, houve queda de 1 por cento.

Nos nove meses até setembro, a MRV lançou 2,767 bilhões de reais, queda de 15 por cento.

“Temos estoque adequado para atender a demanda”, afirmou Corrêa. “É a demanda que vai ditar o ritmo dos lançamentos.” O banco de terrenos da empresa somava 21,1 bilhões de reais ao final de setembro.

A MRV informou ainda ter produzido 10.398 unidades no terceiro trimestre, sendo que 6.123 foram concluídas no período.

Cyrela revisa meta de vendas para 2012 para até R$ 7 bi

quinta-feira, outubro 18th, 2012

A estimativa anterior era de que as vendas contratadas ficassem entre 6,9 bilhões e 8 bilhões de reais neste ano
REUTERS

Rio de Janeiro - O adiamento de lançamentos previstos para 2012 fez a construtora e incorporadora Cyrela revisar a sua meta de vendas de 2012 para entre 6 bilhões e 7 bilhões de reais, afirmou a empresa nesta quarta-feira em comunicado ao mercado.

A estimativa anterior era de que as vendas contratadas ficassem entre 6,9 bilhões e 8 bilhões de reais neste ano.

Segundo a companhia, a revisão foi feita em virtude de “uma situação temporária em mercados pontuais”, em especial em São Paulo, o que tem gerado um processo de aprovação de novos lançamentos mais lento ao longo deste ano.

Desta forma, projetos relevantes com lançamento previsto para o segundo semestre de 2012 serão adiados para 2013, o que terá impacto sobre as vendas do ano, disse a empresa, em fato relevante.

No fim de setembro, o vice-presidente financeiro da construtora e incorporadora, José Florêncio Rodrigues, afirmou que os lançamentos estavam atrasados devido à demora na aprovação de projetos junto a cartórios de imóveis. Ele afirmou que uma possível revisão poderia ser considerada .

Vendas no trimestre - A companhia também informou que as vendas contratadas no terceiro trimestre atingiram 1,755 bilhão de reais, alta de 33,6 por cento ante o trimestre imediatamente anterior. No ano até setembro, as vendas somaram 4,290 bilhões de reais, alta de 4,2 por cento na comparação com o resultado um ano antes.

Os lançamentos da empresa somaram 1,518 bilhão de reais no terceiro trimestre, alta de 39,3 por cento ante o trimestre imediatamente anterior. No acumulado do ano, o valor chegou a 3,497 bilhões de reais, queda de 23,4 por cento em relação ao mesmo período um ano antes.

Incorporadoras abertas reduzem lançamentos no terceiro trimestre

quarta-feira, outubro 17th, 2012

Valor Econômico - 17/10/2012

Freire, da Brasil Brokers, diz que queda de lançamentos foi próxima a 30%

As três maiores incorporadoras de capital aberto - PDG Realty, Cyrela Brazil Realty e MRV Engenharia - ainda não divulgaram suas prévias operacionais do terceiro trimestre, mas o mercado já trabalha com um cenário de redução de lançamentos na comparação tanto com o mesmo período do ano passado como com o segundo trimestre de 2012. Assim, a concentração de lançamentos no quarto trimestre deve ser ainda maior do que se esperava, e é provável que algumas empresas não cumpra as respectivas metas para o ano. Parte dos números apresentados por concorrentes menores apontam aumento dos lançamentos, mas não seriam suficientes para reverter um cenário mais geral.

No terceiro trimestre, os lançamentos imobiliários totais da Brasil Brokers, que divide com a Lopes o posto de maior imobiliária do país, tiveram queda acima de 20% ante o mesmo intervalo de 2011 e de mais de 5% se comparados aos do segundo trimestre. A queda foi puxada, principalmente, pela redução do que foi lançado pelas incorporadoras de capital aberto, conforme o diretor-presidente da Brasil Brokers, Sergio Freire. Na comparação com o terceiro trimestre do ano passado, o recuo desse grupo de empresas foi em patamar próximo a 30%.

Das incorporadoras que já divulgaram prévias operacionais, EZTec, Tecnisa, Even e Direcional Engenharia lançaram mais no terceiro trimestre do que no mesmo período de 2011. Os lançamentos da Gafisa e da Brookfield Incorporações encolheram na mesma base de comparação. No caso da Rodobens Negócios Imobiliários, os lançamentos totais aumentaram, mas houve queda se considerada somente a parcela da companhia.

Conforme fontes, a principal razão para a postergação dos projetos do terceiro para o quarto trimestre foi o atraso na liberação de licenças pela Prefeitura de São Paulo, em decorrência de fatores como o período eleitoral. Em nota, a Prefeitura informou que o ritmo de análise “segue normal” e que “até o fim de setembro, a média de processos analisados em 2012 está semelhante a dos anos anteriores”.

Além da obtenção de licenças, o lançamento de projetos depende da rentabilidade, caixa, estoques e demanda. “A prioridade passou a ser margem. Incorporadoras preferem segurar a oferta para não abrir mão de margem”, diz um analista. Após um semestre em que a venda de estoques foi prioridade em relação aos lançamentos, há quem avalie que, no terceiro trimestre, a mescla tenha sido maior.

As prévias divulgadas até agora apontam que as incorporadoras que elevaram lançamentos registraram também crescimento de vendas do trimestre na comparação com o mesmo período do ano passado, caso de EZTec, Direcional, Even e Tecnisa. As vendas da Rodobens também aumentaram.

Desde o início do ano, os estoques de imóveis vem se reduzindo. Nas estimativas do analista do setor imobiliário da CGD Securities, Flávio Conde, os estoques totais (o que foi lançado e não vendido) das empresas de capital aberto estão, atualmente, entre 12 e 13 meses de vendas, abaixo da parcela de 14 a 15 meses do começo de 2012. Conde estima patamar de oito meses em 2010, quando o mercado imobiliário esteve mais aquecido.

Cyrela pode rever metas após queda nos lançamentos

sexta-feira, setembro 21st, 2012

De acordo com o vice-presidente financeiro da companhia, José Florêncio, a Cyrela não enfrenta problemas de demanda, mas sim para o lançamento de projetos

Circe Bonatelli, da Agência Estado

São Paulo - A queda no volume de lançamentos de imóveis e os impactos sobre a venda de unidades pode levar a incorporadora Cyrela Brazil Realty a revisar seu guidance (meta) de vendas em 2012, de acordo com o vice-presidente financeiro da companhia, José Florêncio. “No momento, a meta de vendas ainda é factível, mas vamos esperar as próximas semanas para ter um cenário melhor”, disse a jornalistas nesta tarde, durante evento promovido pela Abecip. Questionado, o executivo admitiu a possibilidade de um corte nas projeções. “Mas não será nenhuma revisão grande, (de corte) pela metade”, completou.

De acordo com Florêncio, a Cyrela não enfrenta problemas de demanda, mas sim para o lançamento de projetos. O executivo disse que há R$ 8 bilhões em volume geral de vendas (VGV) represados com empreendimentos que tiveram o lançamento postergado. Desse montante, metade do VGV se refere a projetos na cidade de São Paulo, onde empresários têm reclamado de dificuldades para obter as licenças.

Brookfield tem prejuízo de R$ 383,5 mi e revisa metas

quarta-feira, agosto 15th, 2012

A empresa informou ter concluído uma revisão de todos os seus projetos, o que levou a um ajuste de orçamento de R$ 316,9 milhões
Sérgio Spagnuolo, da REUTERS

A Brookfield também reduziu suas projeções para 2012 devido a atrasos em aprovações de projetos

Rio de Janeiro - A Brookfield teve prejuízo líquido de 383,5 milhões de reais no segundo trimestre, revertendo um lucro de 78,2 milhões de reais no mesmo período de 2011, informou a incorporadora. A perda foi atribuída à realização de um ajuste de orçamento, que fez a empresa reconhecer custos adicionais e reversão de receitas.

A empresa informou ter concluído uma revisão de todos os seus projetos, o que levou a um ajuste de orçamento de 316,9 milhões de reais e gerou impacto negativo de 295,8 milhões de reais no lucro líquido, sem efeito caixa.

“Os ajustes refletem a integração de três empresas com diferentes processos e sistemas de tecnologia em uma companhia com plataforma operacional única, em um período de forte crescimento vivido pelo setor imobiliário nos últimos anos”, afirmou a Brookfield no balanço.

A companhia apurou receita líquida de 669 milhões de abril a junho, 24 por cento menor do que no mesmo intervalo um ano antes e praticamente estável na comparação com os três primeiros meses de 2012.

Já a geração de caixa medida pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ficou negativa em 206,5 milhões de reais no segundo trimestre ante 184,6 milhões de reais positivos um ano antes.

A Brookfield também reduziu suas projeções para 2012 devido a atrasos em aprovações de projetos e baixo volume de lançamentos no primeiro semestre.

A incorporadora agora tem meta de lançamentos e vendas na faixa de 3 bilhões a 3,5 bilhões de reais, ante perspectiva anterior que definia os pontos médios de ambos os itens em 4,5 bilhões e 4,2 bilhões de reais, respectivamente.

A empresa teve lançamentos de 358,1 milhões de reais no segundo trimestre, tombo de 52 por cento sobre o mesmo período do ano passado. Já as vendas contratadas somaram 737,3 milhões de reais, recuo anual de 32,2 por cento.

Além disso, foi aprovado pelo conselho um aumento de capital de 400 milhões de reais, integralmente garantido pelo controlador, para reforçar a estrutura de capital da empresa, reduzir o índice de alavancagem e manter um nível de atividade competitivo.

PDG corta metas e cria incertezas

quarta-feira, julho 11th, 2012

Por Chiara Quintão | De São Paulo
Valor Econômico - 11/07/2012

O mercado reagiu, negativamente, ao anúncio da PDG Realty de corte de sua meta de lançamentos para 2012 praticamente pela metade. Ontem, os papéis da maior incorporadora do país tiveram queda de 10,06% na BM&FBovespa, fechando cotados a R$ 3,04. O índice caiu 3,05 % ontem. A combinação da redução do que a PDG projeta lançar no ano com a expectativa do mercado de aprovação, amanhã, em assembleia de acionistas, de aumento de capital de quase R$ 800 milhões, suscitou dúvidas se há problemas na incorporadora além dos já conhecidos.

A possibilidade de a PDG revisar para baixo sua estimativa de lançar entre R$ 8 bilhões e R$ 9 bilhões era considerada pelo mercado, mas não na proporção em que o corte foi feito, para a faixa de R$ 4 bilhões a R$ 5 bilhões. O ponto médio da estimativa foi reduzido em 47%.

“A PDG passou a ser uma incorporadora de R$ 5 bilhões ou terá esse tamanho, temporariamente, e depois voltará a ser uma empresa de R$ 9 bilhões?”, questiona o analista do setor imobiliário da CGD Securities, Flávio Conde. Essa definição é determinante, segundo Conde, para que analistas revisem as projeções somente para 2012 ou para “a perpetuidade”.

Ontem, o Credit Suisse reduziu o preço-alvo das ações da PDG de R$ 6,5 para R$ 4,5, mas manteve a classificação de “neutral”. O banco rebaixou suas projeções de lucro por ação da companhia para 2012 e 2013 em 36% e 45%, respectivamente.

Um analista que acompanha o setor ressalta que a rentabilidade por ação da PDG ficará menor, devido à redução dos lançamentos, ainda mais quando se considera que deve haver aumento de capital, por meio da emissão de ações da companhia.

Embora não se esperasse um ajuste de meta de lançamentos na dimensão ocorrida, analistas citam que a medida foi necessária devido à situação da PDG. Conforme outro analista que pediu para não ser identificado, sem a redução, a companhia continuaria a apresentar margens mais baixas por um período maior. Ele acrescenta que o corte da projeção pode contribuir para que a companhia comece a gerar caixa, ainda que não em 2012.

Justamente por essa possibilidade de geração de caixa mais rápida, há quem avalie que a reação do mercado ao anúncio da PDG não fez sentido. Outra razão citada para que a queda do preço das ações no pregão de ontem tenha sido desproporcional é que as cotações da PDG já não estavam refletindo perspectiva de crescimento da empresa.

No segundo trimestre, a PDG lançou R$ 404 milhões, 80,3% a menos do que no mesmo período do ano passado. Se considerado o período a partir do lançamento inicial de ações (IPO) da PDG, no início de 2007, até agora, esse patamar só não foi inferior ao dos três primeiros trimestres daquele ano. No semestre, a redução dos lançamentos da PDG foi de 60,1%, para R$ 1,52 bilhão, ante os primeiros seis meses de 2011.

De acordo com a PDG, as reduções dos lançamentos e da projeção para o ano resultam da decisão de focar as atenções em vendas, na entrega de unidades e na reestruturação interna. Mais que lançar produtos, a companhia optou por vender estoques. Do R$ 1,24 bilhão comercializado no segundo trimestre, R$ 1,14 bilhão se refere à venda de imóveis lançados nos trimestres anteriores e R$ 99 milhões, a lançamentos realizados no período.

No trimestre, as vendas contratadas encolheram 32% ante o intervalo equivalente de 2011, o que a companhia atribui à queda da venda de lançamentos. No semestre, a comercialização diminuiu 14%, para R$ 3,03 bilhões. A velocidade de vendas do segundo trimestre medida pelo indicador vendas sobre oferta (VSO) foi de 23%, ante 29% no mesmo período do ano passado e de 27% no primeiro trimestre de 2012.

A PDG informou que está mais conservadora em relação à expectativa de demanda no segundo semestre, em função do menor crescimento da economia. Há perspectiva também que a proximidade das eleições municipais possa contribuir para que as aprovações de projetos fiquem mais lentas.

A equipe de pesquisas da Planner Corretora avalia que a redução das vendas e a postura mais conservadora da PDG em relação a lançamentos apontam que “o mercado já não é o do passado em termos de demanda”. A queda da velocidade de vendas também sinaliza a acomodação do mercado, segundo a Planner.

Ontem, a decisão da PDG de reduzir sua meta de lançamentos mesmo quando se espera que o aumento de capital proposto pela Vinci Partners seja aprovado reforçou a dúvida do mercado sobre qual a real situação de caixa da companhia. A PDG, que encerrou o primeiro trimestre com caixa de R$ 1,72 bilhão, diz não ter problemas de caixa e que a parcela de recursos consumida no momento de um lançamento não é expressiva, abrangendo apenas despesas de marketing e corretagem, pois já possui os terrenos para os projetos de 2012.

A proposta da Vinci prevê aumento de capital da PDG de R$ 799,9 milhões, por meio de emissão privada de 199 milhões de bônus de subscrição. Cada bônus dará direito a uma nova ação e a uma debênture conversível em ação. A Vinci se compromete a subscrever 81,4% dos bônus, desde que consiga o mínimo de 54,8% do total, após a primeira rodada de sobras.

Ontem, a agência de classificação de risco Fitch Ratings, divulgou, em relatório, que o grande desafio das construtoras brasileiras continua sendo o controle de custos e a melhora de margens de eficiência. A Fitch avalia, porém, que cancelamentos de contratos e as revisões de orçamentos continuarão para afetar o fluxo de caixa do setor neste ano e no próximo. Apesar de as empresas estarem cortando projeções e reduzindo sua atuação, o cenário ainda é positivo para o setor, de acordo com a Fitch, e a liquidez das empresas continua forte. Algumas têm uma forte posição de caixa, apesar de as incorporadoras, em geral, dependerem muito de ofertas de crédito de longo prazo. (Colaborou Renato Rostás)

Cyrela reduz metas de lançamento e venda em 2011 e 2012

segunda-feira, março 14th, 2011

A empresa não explicou os motivos que a levaram a cortar as metas no fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM)
Marcelo Poli da Exame.com
São Paulo - A Cyrela Brazil Realty, uma das maiores do país em incorporação de imóveis residenciais, reduziu nesta sexta-feira suas estimativas de lançamentos e de vendas para este ano e o próximo.

A principal diminuição foi feita na previsão de lançamentos em 2012. A empresa não explicou os motivos que a levaram a cortar as metas no fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

A empresa informou que prevê agora lançamentos de 7,6 bilhões a 8,5 bilhões de reais em 2011, contra projeção anterior de 8,3 bilhões a 9,1 bilhões de reais. O ponto médio da nova meta, de 8,05 bilhões de reais, é 7,5 por cento inferior ao da traçada originalmente.

A Living, unidade da Cyrela voltada à baixa renda, deve responder por 3 bilhões a 3,5 bilhões de reais dos lançamentos previstos para este ano.

Já as vendas totais em 2011 devem ficar entre 6,9 bilhões e 7,7 bilhões de reais, abaixo da faixa de 7,6 bilhões a 8,4 bilhões de reais na meta anterior. O ponto médio –7,3 bilhões de reais– é 8,8 por cento menor que o inicialmente previsto.

Para 2012, os lançamentos devem se situar entre 8,7 bilhões e 9,8 bilhões de reais, enquanto as vendas atingiriam de 8 bilhões a 8,9 bilhões de reais. Os pontos médios, nesses casos, são 15,9 e 7,4 por cento inferiores às previsões anteriores. Os lançamentos pela Living no ano que vem devem totalizar até 4,5 bilhões de reais, segundo a empresa.

MARGENS TAMBÉM MENORES

A Cyrela informou ainda que sua margem bruta deve ficar dentro da faixa de 27 a 31 por cento neste ano e entre 31 e 35 por cento em 2012. A estimativa anterior para os dois anos era de 33 a 37 por cento.

A margem Ebitda –sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação– deve oscilar entre 15 a 19 por cento em 2011 e subir para a faixa de 18 a 22 por cento no próximo, abaixo da faixa de 20 a 24 por cento também nos dois exercícios estimada antes

PDG:Jovens, ambiciosos e com muita pressa

segunda-feira, setembro 20th, 2010

Graças à cultura herdada do Banco Pactual, a PDG virou a maior incorporadora do País

Naiana Oscar - O Estado de S.Paulo

zecapdg

Num andar baixo de um edifício na Praia de Botafogo, no Rio de Janeiro, com vista para a alça de acesso de um viaduto, está o centro nervoso da maior incorporadora imobiliária do País, a PDG Realty - empresa que, no primeiro semestre deste ano, desbancou a liderança de mais de uma década da Cyrela. É a sede de uma gigante que chegou ao topo em sete anos, seguindo a cartilha dos bancos de investimento: equipe jovem, salários fixos baixos, bônus milionários e pressa, muita pressa - porque, como gostam de repetir seus executivos, “dinheiro custa no tempo”.

 

Dali, eles controlam as finanças da Goldfarb, da CHL e, de quatro meses para cá, da Agre. Além disso, a PDG tem participação minoritária em cinco empresas do ramo. No escritório da holding, os 32 funcionários - a metade, mulheres - têm em média 27 anos de idade. São recém-formados em faculdades de administração e economia, que vão trabalhar com mochilas nas costas, varam madrugadas, fins de semana e fazem plantão até nas férias, por um salário muito abaixo do mercado - a média é R$ 4 mil. Mas que pode ser multiplicado indefinidamente no fim do ano se as metas forem cumpridas. No ano passado, a empresa distribuiu R$ 28 milhões em bônus - ou 7% do seu lucro.

O mais velho no escritório é o presidente, José Grabowsky, de 47 anos, o Zeca, um dos executivos mais bem-remunerados do País. Despojado, dispensa terno e gravata, não tem sala nem secretária, trabalha num ambiente sem divisórias, uma informalidade herdada do antigo banco Pactual, onde nasceu a PDG.

Zeca e o inseparável Michel Wurman, diretor financeiro da incorporadora, já trabalhavam juntos no banco de investimentos de André Esteves e Gilberto Sayão. Sem nunca terem assentado um tijolo, os dois passaram a responder pelos investimentos imobiliários do banco e começaram a aplicar o “senso de urgência” de uma instituição financeira na construção civil. “O banco é medido por semestre e não podíamos, por exemplo, esperar a valorização de um terreno para gerar resultado”, explica Zeca. “Era do prato para a boca.”

Agressividade. Até 2006, apenas a Cyrela tinha faturamento acima de R$ 1 bilhão entre as empresas imobiliárias no Brasil. Foi naquele ano que a PDG entrou em cena com uma estratégia agressiva de crescimento por meio de aquisições, mas ainda como um jogador inofensivo. A incorporadora comprou participações na carioca CHL e nas paulistas Lindencorp e Goldfarb, que atua no segmento de baixa renda. Na época, a Goldfarb lançava 2,5 mil imóveis por ano. Em 2010, deve chegar aos 25 mil - um crescimento de 900% em quatro anos.

Ao comprar uma empresa, a PDG costuma seguir um esquema padrão: de imediato, “ocupa” o departamento financeiro da companhia com profissionais de confiança e conhecedores da doutrina. Já nos primeiros meses, é preciso ajustar salários para enquadrar a empresa nas regras de meritocracia e fazer com que os novos funcionários também sejam movidos a bônus. A operação imobiliária segue nas mãos de quem entende. E disso os antigos donos não costumam reclamar. “Tenho autonomia para tomar decisões, estou focado em construir e não preciso me preocupar com fluxo de caixa, capitalização, relacionamento com investidores”, diz Milton Goldfarb, fundador da Goldfarb.

Os empresários ganham liberdade. Menos para descumprir as metas. “Tenho a impressão de que vou ser enforcado em praça pública se não atingir os objetivos”, brinca Rogério Chor, fundador da incorporadora carioca CHL, a segunda a ter o controle adquirido pela PDG. Uma vez por semana, ele se reúne com Zeca e Michel para mantê-los informados sobre os principais números da empresa. “E eles não querem ouvir historinha, saber se a semana foi boa ou complicada. Eles querem resultado.”

Para este ano, os “banqueiros” da PDG exigiram inicialmente um volume de vendas de R$ 730 milhões da CHL, que atua apenas no Rio. Chor teve de gastar muita saliva para convencer a dupla de que o valor era inalcançável. Conseguiu baixar a meta para R$ 680 milhões, com lucro de R$ 120 milhões. “Ainda assim, achávamos impossível, mas já lucramos R$ 65 milhões no primeiro semestre”, diz o executivo.

Depois da CHL, a PDG passou um tempo negociando novas aquisições sem muito sucesso. A mais recente e inesperada cartada foi a compra da Agre, em maio deste ano. A companhia, que surgiu da união de Agra, Abyara e Klabin Segall, levou a PDG ao topo do ranking. Na última sexta-feira, a PDG fechou o dia valendo R$ 11 bilhões na Bolsa - 10,7% a mais que os R$ 9,9 bilhões da incorporadora de Elie Horn. A Cyrela diz não se importar com a segunda posição. “O que vale é sermos os melhores e não os maiores”, afirma Ubirajara Freitas, diretor geral da construtora.

No mercado, o que se ouve é diferente. Quem o conhece diz que Horn começou a se sentir ameaçado em 2008. A sensação teria piorado este ano, com a compra da Agre, do empresário Luiz Roberto Horst. Beto, como é conhecido, já foi sócio da Cyrela e era um dos nomes apontados para suceder Horn.

Estilo. A PDG encontrou a Agre em dificuldades e teve como primeira missão renegociar a dívida de R$ 1,3 bilhão. Em menos de 60 dias, o prazo foi estendido de 29 para 48 meses e as taxas, reduzidas. “Levaríamos pelo menos o dobro do tempo para chegar a esse resultado”, admite Beto.

O executivo diz que ainda está se habituando ao jeito PDG de tocar os negócios - muito mais “neurótico” e “urgente”. “Criaram uma cultura que nem eles sabem dizer direito o que é. Ela surgiu oralmente, praticada no dia a dia”, afirma. “O importante agora é colocar essa cultura no papel, para que ela possa ser transmitida para os mais novos e para que a empresa sobreviva à saída dos atuais líderes.”

Numa empresa com dono, as regras do jogo são definidas pelos próprios fundadores. Em janeiro deste ano, quando o fundo que administrava o dinheiro dos ex-sócios do Pactual vendeu sua participação ao mercado, a PDG tornou-se a única corporação do setor no País. A Vinci Partners, empresa de investimento de Gilberto Sayão, tem uma participação inferior a 5%. Menos de 2% das ações estão nas mãos de executivos e mais de 90% são negociadas no mercado.

O professor de Real Estate da Escola Politécnica da USP, João da Rocha Lima Jr., é simpático ao perfil nada personalista adotado pela PDG. “É uma postura amadora achar que um empreendimento se resolve por sensibilidade do empreendedor.” Para ele, sem a figura do dono e com uma origem diferente das concorrentes, a empresa cresceu sem alguns “defeitos” do setor, como o que leva controladores a se preocupar com questões menores da construção sem fazer uma leitura geral da empresa.

Desafios. O futuro da PDG ainda é uma incógnita para os concorrentes. Quem vê o negócio de fora diz que a operação é tocada por executivos com muita experiência no ramo, mas que devem ficar pouco tempo na incorporadora. Um executivo do setor acredita que, como os donos das empresas compradas ficaram muito ricos, vai chegar um momento em que a motivação deles pelo trabalho cairá, desestabilizando a companhia.

A PDG garante que está preparada para as futuras sucessões e diz que esse é um risco que afeta também as concorrentes, centralizadas na figura do fundador. “O fato é que tudo é muito recente e a PDG ainda não passou por um ciclo inteiro de comprar, pensar apartamentos, receber, vender e ter os clientes morando. A escola que eles criaram ainda está em teste”, diz um executivo.