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Dilma anuncia hoje medida de estímulo para setor de construção

terça-feira, dezembro 4th, 2012

FOLHA DE SÃO PAULO
NATUZA NERY
DE BRASÍLIA

A presidente Dilma Rousseff anunciará hoje, durante evento para comemorar a entrega 1 milhão de moradias do Minha Casa Minha Vida, a inclusão do setor da construção civil na desoneração da folha de pagamento.

Reportagem da Folha publicada nesta terça-feira já trazia a construção civil como provável área na ampliação do benefício fiscal. A medida foi incluída na pauta do anúncio após o governo se decepcionar com o fraco resultado do PIB (Produto Interno Bruto) no terceiro trimestre.

Segundo a Folha apurou junto a interlocutores do Palácio do Planalto, haverá a divulgação de outras medidas na solenidade.

Além de ser grande empregadora de mão de obra, a construção civil ganhou importância nas discussões da área econômica pela forte representatividade que tem na taxa de investimento.

A meta da Fazenda é fazer os investimentos aumentarem 8% no ano que vem e 12% em 2014, puxando o crescimento da economia para o mais perto possível de 4% –depois do avanço de 0,6% no terceiro trimestre, a alta do PIB neste ano deve ser de cerca de 1%.

Segundo estudos preliminares, a contribuição atual do setor da construção, baseada na folha de pagamento, corresponderia a algo entre 4% e 4,5% do faturamento.

Para fazer a troca, as empresas pediram alíquota de 1%, o que inicialmente foi considerado muito baixo pelo governo.

Mudanças culturais e econômicas afetam setor imobiliário

quarta-feira, novembro 7th, 2012

CAMILA CARINGE - FSP
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

A mudança no perfil da população brasileira é um dos fatores que pressiona o deficit habitacional do país, segundo Marcelo Borges de Oliveira, diretor-presidente da Rodobens Negócios Imobiliários.

Estudos indicam que faltam cerca de 6 milhões de moradias no país. Mas Oliveira diz acreditar que esse número seja maior:

“Não há um número exato, mas sabemos que o deficit parece ser até maior, principalmente por causa da mudança de característica das famílias. As pessoas estão saindo da casa dos pais mais cedo e indo morar sozinhas. Isso alimenta o mercado.”

José Roberto Federighi, diretor da Brasil Brokers, explica que a nova classe média, que é hoje 53% da população brasileira, cresceu diminuindo a pobreza, mas sem reduzir as classes mais privilegiadas.

Os executivos participaram da sexta edição do Cityscape Latin America, evento voltado para investidores do setor imobiliário, realizado em São Paulo entre os dias 29 e 31 de outubro.

“O Brasil é o 5º país mais populoso do mundo e a nossa classe média seria o 12º país. Ou seja, a gente tem uma classe média aqui maior do que Alemanha, do que Turquia ou Vietnam. É quase o tamanho da população do México”, afirma Federighi.

O poder de consumo da população cresceu. Além de aumentar o número de habitações com apenas um morador, a oferta de mão-de-obra especializada decresceu, tornando a padronização dos projetos uma estratégia fundamental das construtoras, que visam diminuir os riscos na execução das obras.

CRÉDITO

Federighi aponta que o programa Minha Casa Minha Vida foi criado para ajudar o setor imobiliário a resolver o deficit habitacional. Na primeira fase foram contratadas mais de um milhão de moradias. Em sua segunda fase, o programa pretende construir dois milhões de casas e apartamentos até 2014.

“Mesmo assim o setor precisa de muito mais incentivo governamental para resolver o problema. Em 2005, o nosso mercado atingia no máximo 10% da população brasileira. Com o programa, conseguimos chegar a 67%. Mas oferecer casas para famílias cuja renda varia de 0 a 3 salários mínimos não é possível sem incentivo.”

Ele diz ainda que a demanda por imóveis também foi viabilizada pelo aumento do crédito. Em 2008, menos de 50 milhões de financiamentos foram registrados. Já as projeções para 2012 é que o país atinja 200 milhões de imóveis financiados. Mas Federighi diz acreditar que o país esteja muito longe de ter uma bolha imobiliária em função do crédito.

“Vemos uma confusão muito grande entre diminuição de velocidade de crescimento e diminuição de mercado, que são coisas completamente diferentes. Nosso mercado não está diminuindo. Ele está perdendo velocidade. O mercado imobiliário não tende a diminuir.”

Construção abre portas para empresas brasileiras

quarta-feira, maio 23rd, 2012

Valor Econômico - 23/05/2012

O “Gran Misión Vivienda” não tem despertado o interesse das grandes empreiteiras brasileiras, mas empresas menores estão usando o principal programa social de Hugo Chávez como porta de entrada para fazer negócios na Venezuela.

É o caso da HH Industrialized Engenharia e Projetos, que deve assinar nas próximas semanas um convênio para a construção de 5.000 moradias no sistema Steel Frame - uma espécie de casa pré-moldada com estruturas em aço. Segundo Johnny Reis, que representa a empresa no país, o contrato deve girar em torno de US$ 250 milhões, entre fornecimento e mão-de-obra. “O programa já está aprovado há 90 dias, estamos esperando ser chamados para assinar o contrato a qualquer momento.”

Nesse caso, as casas serão importadas do Brasil para serem montadas no país. Mas Reis afirma que a empresa negocia a instalação de uma fábrica dessas estruturas na Venezuela. “Ainda não sabemos como será o modelo de negócio. Se vamos transferir tecnologia ou entrar como parceiros”, diz.

Segundo Reis, além disso, caso o programa atinja suas metas, a Venezuela necessitará importar muito material de construção. “A indústria aqui é diversificada, mas não conseguirá atender à demanda, se o país realmente quiser zerar o déficit habitacional”, diz. Para ele, isso pode abrir espaço para exportações brasileiras de fechaduras, esquadrias, máquinas para a produção de tijolos, entre outros.

Outra empresa que está usando o programa para crescer no país e a construtora Consilux. A empresa já havia construído cerca de 5.000 moradias “pré-Gran Misión”, que renderam à construtora US$ 200 milhões contratuais, “mais alguns incrementos”. Agora, a empreiteira está prestes a assinar um novo contrato, já dentro do programa, para erguer outras 5.000 casas, que deve girar entre US$ 200 e US$ 260 milhões.

Segundo Espartano da Fonseca, representante da Consilux em Caracas, os contratos com o governo venezuelano representam hoje cerca de metade do faturamento da empresa - que no Brasil, entre outras coisas, opera radares e lombadas eletrônicas. Para ele, no entanto, fazer negócios na Venezuela não é uma tarefa das mais fáceis. “Espaço [para empresas brasileiras] tem, demanda tem, recurso tem”, diz ele. “Mas aqui precisa de um ano, dois anos, para fechar negócio. É muito mais complicado e burocrático do que no Brasil.”

Outro problema que ele aponta é que “às vezes não tem fluxo de caixa”. No ano passado, funcionários de uma das obras da Consilux no país chegaram a fazer uma greve de fome em frente à Embaixada do Brasil em Caracas por falta de pagamento. A empresa reponsabilizou à época o governo venezuelano, que não fez os devidos repasses. “Aqui já ficamos dois, três, seis meses sem receber pagamento”, diz Fonseca. “Apesar disso, as coisas parecem ter melhorado muito depois do “Gran Misión Vivienda”. Antes, mudava o ministro, nós ficávamos os pagamentos atrasavam. Agora, eles [o governo] estão mais organizados.”

Uma fonte brasileira, familiarizada com a Venezuela, diz que “quase sempre há problemas de caixa, mas o governo venezuelano não dá calote”. “Historicamente, o último calote do governo venezuelano foi em 1903″, afirma. Para Fonseca, da Consilux, o risco político de fazer negócio no país não é grande. “O cenário político só pode intervir se houver mudança do presidente. Caso contrário, não.”

Segundo diferentes fontes, o principal programa social do governo de Hugo Chávez não despertou o interesse das grandes empreiteiras com negócios bilionários no país, caso da Odebrecht, Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez. “Os contratos [do "Gran Misión Vivienda"] não são bilionários, mas dá para ganhar dinheiro”, diz Álvaro Hall, chefe da Caixa Econômica Federal na Venezuela.

SP vive boom dos prédios idênticos, ‘conformistas’

segunda-feira, março 26th, 2012

Cidade tem onda de lançamentos sem criatividade, que vendem status para morador em detrimento das necessidades urbanísticas

ADRIANA FERRAZ, RODRIGO BRANCATELLI - O Estado de S.Paulo
É um bocado difícil argumentar que São Paulo seja visualmente mais bela e mais ordenada do que Paris ou Viena, claro. Não que seja despeito com a maior metrópole do Hemisfério Sul, pelo contrário. A beleza de São Paulo sempre esteve no fato de ela ser uma cidade em constante construção, um organismo mutante, um local de absurdos 1.524 quilômetros quadrados onde o tecido urbano está sempre em transformação. São Paulo é viva, acima de tudo, e não pode ser comparada com lugares congelados como… Paris, por exemplo.

O problema é que mesmo esse argumento da beleza paulistana pode perder sua força. Com o boom imobiliário que lançou 13.501 prédios e 733 mil apartamentos nos últimos 15 anos, São Paulo está ficando com a mesma cara. A arquitetura dos edifícios hoje se padronizou, quase todos têm o mesmo visual - depois de ir da taipa de pilão ao concreto armado, passando pelas residências operárias, pelas casas modernistas e também pelos prédios com inspirações brutalistas, São Paulo não segue mais linha nenhuma de arquitetura.

Ou melhor, segue, sim: é o que os próprios profissionais chamam de “arquitetura conformista”, uma ditadura dos prédios idênticos.

“O modelo dominante hoje é bastante conformista, ele reflete a preocupação constante das construtoras em agradar à maioria, assim como a rapidez com a qual as operações estão montadas por pressão financeira”, diz o arquiteto Gui Sibaud, sócio do escritório Triptyque.

“Esse sistema exclui praticamente toda forma de experimentação. Resulta disso uma clonagem de modelos. Diria que o brasileiro pode até talvez se preocupar com arquitetura, mas não é o caso das construtoras. Creio que há muita demanda por prédios diferenciados por parte do público, mas poucas incorporadoras têm a coragem de produzi-los.”

Um dos principais motivos é mesmo o financeiro. Hoje, as incorporadoras têm pequenos grupos de arquitetos em suas equipes, a maioria deles recém-formados que trabalham com modelos prontos de prédios. Os projetos são replicados em todas as regiões, sem uma preocupação com o restante da paisagem e com a demanda de cada bairro. Assim, as empresas conseguem economizar até 20% do orçamento da construção.

Terraço. Além disso, para não errar em um lançamento imobiliário, as construtoras criaram um “gosto do paulistano”, um prédio sem uma arquitetura clara, que serve mais como um símbolo de status para o comprador do que um exemplo de habitação perfeita que traga felicidade para os moradores.

O maior exemplo desse modelo é o apartamento com varanda gourmet - a sacada ampla, com churrasqueira e espaço para reunir a família e os amigos. Em São Paulo, seja qual for a região, pipocam prédios que priorizam a área externa e vendem o conceito gourmet como símbolo de conforto, qualidade de vida e status. É o novo padrão dos prédios paulistanos que atende ao modelo desejado pela classe média, mas ajuda a deixar os bairros com a mesma cara.

Exemplos desse cenário não faltam, principalmente em bairros que até a década passada eram predominantemente ocupados por casas - como Vila Mariana, Ipiranga e Vila Olímpia, na zona sul; Pinheiros e Pompeia, na zona oeste; Tucuruvi, na zona norte; e Mooca e Vila Prudente, na zona leste. No lugar do batido e contestado estilo neoclássico, que dominou as construções nos anos de 1990, reinam hoje fachadas claras, com sacadas envidraçadas e áreas comuns que prometem atrações típicas de um clube. Diante da procura, a oferta, antes destinada apenas ao mercado de alto padrão, ganhou opções variadas de plantas, a partir de 57 metros quadrados. Na zona oeste, a Vila Leopoldina é uma das campeãs nesse tipo de lançamento. Somente na Avenida Bolonha, há oito torres em construção com essa característica. Perto dali, na Avenida Mofarrej, são outras seis.

Para Ricardo Monezi, pesquisador do Instituto de Medicina Comportamental da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o novo padrão de moradia atende ao desejo da população que quer morar em casa, mas que, diante do temor da violência, acaba optando por um apartamento. “O modelo de bem-estar vai mudando com o tempo. Esse é o atual. A sacada funciona como uma espécie de quintal”, diz. “A busca pela felicidade é dinâmica, e ocorre pela pressão social.”

Futuro. O maior reflexo desse movimento é a própria perda de qualidade de vida dos moradores. Fosse a arquitetura igual a uma música, um filme ou um quadro, não haveria discussão - a beleza de um prédio sempre estaria ao gosto do morador, e ponto final. O detalhe é que os prédios de uma cidade são uma espécie de arte pública, formam o tecido urbano que une todos. Assim, a falta de preocupação com a visual da cidade se reflete no urbanismo. “Nós moldamos nossos edifícios; depois eles nos moldam”, como disse o estadista britânico Winston Churchill.

“À medida que está se generalizando esse estilo de morar, a rua fica esvaziada e se resume ao escoamento de veículos sobre rodas”, diz o arquiteto Gui Sibaud. “A grande verdade é que os arquitetos não estão convidados a opinar sobre o futuro das cidades brasileiras e participam de fato de uma fatia muito modesta do volume total das construções. O poder público tem de organizar uma grande reflexão coletiva sobre as cidades brasileiras e definir politicas viáveis, interferindo nesse modelo que vem a se impor e a se generalizar sem que ninguém aparentemente tenha decidido por isso.”

“Minha Casa” mantém ritmo lento para baixa renda

sexta-feira, março 16th, 2012

Por Samantha Maia | De São Paulo
Valor Econômico - 16/03/2012

As contratações do programa Minha Casa, Minha Vida estão dentro da meta do governo federal, mas a proporção de moradias para a primeira faixa de renda familiar (até R$ 1,6 mil) ainda está baixa considerando a intenção do governo de contratar 1,2 milhão de casas para esse público até 2014 - equivalente a 60% do total de 2 milhões de casa da segunda fase do programa.

De janeiro de 2011 a fevereiro deste ano, foram contratadas 555.787 moradias, o que representa 28% da meta para os quatro anos. Desse total, 151.748 são para a faixa mais baixa de renda, o que equivale a 27% das contratações. Considerando o objetivo de assinar 1,2 milhão de contratos para esse grupo, apenas 12,6% da meta foi atingida até agora.

O número também é menor que o volume de projetos - cerca de 200 mil - para essa faixa de renda que a Caixa Econômica Federal já tinha em lista de espera de aprovação antes das mudanças de regras para a segunda fase. A informação de que havia esse estoque foi dada no meio do ano passado pela Secretaria de Habitação do Ministério das Cidades, e ele incluía os imóveis que ainda não estavam enquadrados nas exigências de aumento de área, acessibilidade e uso de energia solar para aquecimento de água.

Para seguir as novas regras, o reajuste dado pelo governo para a segunda fase do programa deve dificultar novas contratações, segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). O subsídio do governo varia de acordo com o Estado, mas em São Paulo, por exemplo, o valor máximo por habitação é de R$ 65 mil.

De acordo com o vice-presidente da entidade José Carlos Martins, é possível que haja um novo período de estagnação das contratações para a faixa mais baixa de renda. “A maior parte das contratações para a faixa 1 ainda é de projeto antigo. Para os novos projetos, vamos depender da ajuda dos Estados nas cidades maiores”, diz José Carlos Martins, vice-presidente da CBIC.

O diretor de Habitação da Caixa, Teotonio Rezende, no entanto, afirma que o ritmo de apresentação das propostas hoje garante o cumprimento da meta no ano. “O estoque de novos projetos e o ritmo de novas propostas dão segurança quanto ao cumprimento da meta da faixa 1 para 2012, que é de 300 mil unidades habitacionais”, respondeu por e-mail. Em janeiro, o presidente da Caixa, Jorge Hereda, informou que a meta total de contratações para 2012 é de 600 mil moradias.

Para o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), Sérgio Watanabe, o que preocupa são as contratações nas capitais. Segundo balanço da Caixa, foram contratadas 107.463 habitações nas capitais, 19% do total. “Vamos continuar com dificuldade de atender a cidade de São Paulo. Dependemos dos incentivos do governo do Estado”, diz.

O executivo se refere a convênios como o de São Paulo, onde o governo estadual complementará com R$ 20 mil o valor da moradia. Ontem foi assinado um termo de cooperação entre a Caixa e os governos federal e paulista para a construção de 3.029 moradias na região metropolitana. O valor do investimento é de R$ 225,3 milhões, sendo R$ 163,1 milhões da União, R$ 54,7 milhões do Estado e R$ 7,5 milhões de contrapartida de entidades e associações beneficiadas. A meta total do convênio entre São Paulo e o Minha Casa é de 100 mil moradias até 2014.

“Vejo muita dificuldade em viabilizar os investimentos, mesmo com essa ajuda do Estado”, diz Watanabe. Segundo ele, considerando o déficit habitacional em São Paulo, o Estado deveria conseguir contratar 140 mil casas para a faixa mais baixa de renda até 2014. Na primeira fase do programa, encerrada no fim de 2010, a capital paulista deveria contratar até 40 mil habitações, mas foram assinados apenas 3 mil contratos. “Quando se olha o número geral do programa, a impressão é que estamos indo bem, mas nos locais onde o déficit habitacional é maior, as contratações estão devagar”, diz ele.

Para Martins, da CBIC, a necessidade de ajuda dos governos acaba reduzindo o ritmo dos investimentos. “Temos movimentos de vários governos além de São Paulo, mas ficamos na dependência deles”, diz o executivo.

Um em cada dez brasileiros já mora em prédios

segunda-feira, julho 11th, 2011

Diário do GRande ABC / SP, Agência Estado

“Reserve já o seu apartamento  no Real Park Residence, condomínio clube próximo do Unique Shopping, com três quartos, duas vagas e academia”, diz o anúncio de um prédio neoclássico, com andares a perder de vista. Seria mais um entre tantos folhetos distribuídos nos semáforos de São Paulo ou do Rio, não fosse a propaganda de um edifício em Parauapebas, no Pará, um município a 700 km de Belém e que há duas décadas não passava de uma grande mata.

Quem considera que “boom imobiliário” é uma expressão recorrente apenas nas grandes metrópoles brasileiras nunca esteve em Parauapebas ou em municípios como Ariquemes, em Roraima, ou Marabá, no Pará. Um recorte inédito do Censo Demográfico 2010 feito pelo Estado mostra que a verticalização se espalhou pelo País e cidades pequenas e médias são hoje os principais motores dessa tendência.

Nos últimos dez anos, o número de apartamentos da Região Norte cresceu em um ritmo 3,5 vezes maior que no restante do Brasil - que tem hoje 6,2 milhões de apartamentos, um número 43,2% maior do que em 2000.

Hoje, 1 em cada 10 brasileiros mora em prédios. A proporção ainda é duas vezes menor no Norte, mas o crescimento em locais como Rondônia, Amapá e Tocantins foi sem precedentes. Nesses Estados, os apartamentos se multiplicaram por sete e cresceram proporcionalmente 15 vezes mais que em São Paulo. Entre as explicações, estão o aumento da renda, do emprego e do crédito. Morar em prédios também se transformou em status, símbolo de prosperidade. Além disso, a falta de terrenos nas grandes metrópoles levou o mercado imobiliário a novos endereços. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Minha Casa 2 terá imóveis usados, sinaliza governo

terça-feira, junho 7th, 2011

Exame.com

Meta de 2 milhões de imóveis esbarra na capacidade de produção; corretores de usados são assediados.

Nos últimos 15 dias, em várias oportunidades nas quais encontraram-se com a imprensa, os representantes do governo, ligados às questões habitacionais, repetiram o mesmo e curto discurso sobre a segunda fase do programa Minha Casa, Minha Vida, que está às vésperas de sanção presidencial: a oferta de dois milhões de moradias até 2014.

A construção civil sinaliza fortemente que tal soa como um aviso de que “o gato está subindo no telhado”, e que pode chegar ao mercado, revestido da robustez do programa habitacional do governo, um forte concorrente dos imóveis vendidos na planta. Entre as sinalizações estão os esforços voltados para a conquista de corretores autônomos.

A conta aritmética fortalece a possibilidade da inclusão de imóveis usados no Minha Casa, tanto quanto os esforços para a conquista de corretores autônomos – os principais agentes da venda de imóveis usados.

Considerando para 2014 um ano cheio (12 meses), a meta do governo exigirá das construtoras produzir, em todo o Brasil e no mínimo, por volta de 480 mil unidades ao ano, 40 mil unidades ao mês, mais de 1.300 imóveis ao dia. Não há fôlego, diz José Augusto Viana, presidente do Conselho de Corretores de Imóveis no Estado de São Paulo.

“Hoje, nas principais cidades brasileiras não há terrenos disponíveis para construir; há problemas com mão de obra; o setor reclama do aumento no preço do material de construção; o imóvel novo não tem concorrência, provocando a que os preços fiquem meio que às soltas. Para o governo alcançar a meta, o imóvel usado é a única saída”, diz o presidente do Crecisp.

Viana lembra que o Crecisp está empenhado, há praticamente três anos, em trabalhar pela inclusão de imóveis usados no programa Minha Casa, Minha Vida, e considera como bem próximo do real a possibilidade de agora acontece.

“Incluir os imóveis usados no programa será, inclusive, um respaldo à concorrência de mercado, e isto interessa ao governo, por exemplo, como auxílio para manter a inflação sobre controle”, pondera Viana.

A Medida Provisória (MP) 514, que dispõe sobre a segunda fase do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida, aguarda a sanção presidencial, que deverá ocorrer até o próximo dia 17. O texto, aprovado pelo Senado em 10 de maio (2011) após passar pela Câmara, não faz menção aos imóveis usados, contudo, na fase em que se encontra, é passível de alterações (inclusões ou exclusões) pela presidência da República.

Sinalizações do mercado - Na última semana, além de grandes incorporadoras de São Paulo, a curitibana Monarca e Stuhlberger anunciou que está aceitando imóvel usado na compra de um novo. Segundo Vitor Wjuniski, sócio-diretor da incorporadora, “essa transação permite, entre outros aspectos positivos, que o proprietário more no imóvel antigo, até a entrega de seu novo apartamento”.

Partindo do princípio que o usado representa acomodação familiar imediata, o que não se dá com o imóvel em lançamento, o apelo da Stuhlberger procura chamar a atenção do comprador para o aspecto: more tranqüilo no usado, enquanto o novo fica pronto. Na eventualidade de ocorrer a inclusão de usados no Minha Casa, isto é saber fazer do limão uma limonada.

Em parceria com o HSBC, a imobiliária Rede Morar, do Grupo Brasil Brokers, oferece em todo o país parceria aos corretores autônomos de imóveis, no que inclui comissões pela produção de financiamento imobiliário.

De seu lado, a imobiliária Pronto! - do Grupo LPS Brasil, está envidando visível esforço na conquista de corretores para as suas fileiras e, paralelamente, através de joint venture com o Itaú, passa a oferecer financiamento para imóveis usados. O corretor autônomo que aceitar o convite será um verdadeiro “pé de meia” para a Pronto! e a Rede Morar, visto que levará consigo uma boa carteira de imóveis usados. Mais uma saudável limonada prévia.

No último final de semana, em especial no sábado (04, junho), anúncios de lançamentos engrossaram o primeiro caderno (no qual o preço do cm/coluna é o mais caro das tabelas) dos jornais paulistanos de maior circulação. A pressa em lançar e a procura por visibilidade na mídia impressa também faz crer que há expectativa da chegada de concorrência no mercado.

G1: São Paulo perde participação em novas moradias e ganha escritórios

quarta-feira, janeiro 19th, 2011

Participação da capital nos lançamentos residenciais caiu, mostra Secovi.
Terrenos estão caros na capital paulista, que atrai investimentos comerciais.

Gabriela Gasparin
Do G1, em São Paulo

A escassez e os altos preços de terrenos na capital paulista estão “empurrando” a construção de moradias para as demais cidades da região metropolitana - e, de quebra, enfatizando a vocação de negócios da cidade de São Paulo. De acordo com o Sindicato da Habitação (Secovi-SP), das unidades residenciais lançadas na Região Metropolitana em 2004, cerca de 20% estavam fora da capital. No ano passado, a participação dessas cidades nesse mercado chegou a quase 50%.

Mas se a cidade de São Paulo perde espaço para novas moradias, o número de unidades comerciais construídas na capital no ano passado foi o maior em dez anos.

“A capital tinha uma grande demanda por escritórios que não estava sendo enxergada pelos empreendedores. Em 2010, todo mundo resolveu fazer unidades comerciais”, avalia Luiz Paulo Pompéia, diretor da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp).

O especialista afirma que muitos desses lançamentos comerciais estão surgindo em regiões como Santana, na Zona Norte, e Penha e Tatuapé, na Zona Leste. Tradicionalmente, escritórios costumam estar concentrados em regiões como a Avenida Paulista, no centro; Vila Olímpia, na Zona Sul; e da marginal Pinheiros, lembra Pompéia.

De acordo com dados da própria Embraesp divulgados pelo Secovi-SP, foram lançados na Região Metropolitana de São Paulo 5,1 mil conjuntos comerciais de janeiro a novembro de 2010, sendo 4,1 mil apenas na capital .

No mesmo período, foram lançadas 57.044 unidades residenciais na região metropolitana de São Paulo, sendo 29.788 na capital e 27.256 nas demais cidades, participação de 52,2% e 47,8%, respectivamente.

Em 2004, a participação da capital nos lançamentos de moradias na região metropolitana era de 80%, a maior proporção desde 2001, quando estava em 72,6%. De 2004 para cá, contudo, a fatia de lançamentos em São Paulo foi caindo a cada ano .

120 quilômetros da capital
Segundo Pompéia, o preço do terreno na cidade de São Paulo está ficando muito caro, fazendo com que as incorporadoras busquem alternativas nas cidades vizinhas em um raio de até aproximadamente 120 quilômetros da capital. “Os lançamentos residenciais estão indo para as demais cidades da região metropolitana e vão até o interior, em regiões como Sorocaba e Campinas”, diz.

O presidente do Secovi-SP, João Crestana, afirma que, dentro da região metropolitana, a maioria dos lançamentos estão no ABC Paulista e nas cidades de Guarulhos e Osasco. Crestana diz que, além da escassez de terrenos em São Paulo, os que existem são, em grande maioria, de antigas indústrias, o que exige uma negociação da empreiteira com o dono do espaço.

“O detentor do lugar tem expectativa de receber um recurso que não cabe na conta da construtora”, diz. Há ainda o problema de solos contaminados, além da burocracia para construir na cidade, lembra Crestana. “Precisamos fabricar terrenos na cidade”, diz o economista-chefe do Secovi-SP, Celso Petrucci.

Para conseguir viabilizar o negócio, as construtoras constroem produtos de preços elevados na capitalBolso do consumidor
O alto preço dos terrenos na capital resulta em unidades que, muitas vezes, não cabem no bolso da maioria dos consumidores. De acordo com Pompéia, para conseguir viabilizar o negócio economicamente as construtoras acabam construindo produtos de preços muito elevados nesses espaços.

Por esse motivo, há bastante oferta no segmento de alto padrão na capital, o que fez as construtoras pisarem no freio para esse mercado em 2010, já que a demanda que existia já foi consumida, diz Pompéia. Nos anos de 2006 e 2007, por exemplo, a participação de unidades de quatro dormitórios entre o total de lançamentos na cidade atingiu 37% e 34%, respectivamente, porcentual que caiu para 8,7% até novembro de 2010.

De acordo com Pretucci, lançamentos mais caros já não estão sendo vendidos com tanta rapidez. Por outro lado, o economista afirma que é difícil fazer um lançamento de até R$ 150 mil na cidade e ele não ser totalmente vendido em seis meses.

Novos horizontes
Diante dos preços altos, o consumidor que pretende comprar um apartamento na região do Ipiranga, na Zona Sul da capital, por exemplo, acaba abrindo os olhos para as cidades vizinhas do ABC Paulista, diz Pompéia, lembrando da importância da construção de transportes como o metrô para além da capital paulista.

De acordo com o economista-chefe do Secovi, Petrucci, por sua vez, os lançamentos de escritórios na cidade de São Paulo têm acompanhado as linhas de metrô e trem. “Estamos levando as pessoas para morar longe, mas o metrô, o transporte e o trabalho estão na capital”, lembra o especialista.