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O teste da economia

sexta-feira, dezembro 28th, 2012

Carlos José Marques
Isto é Dinheiro - 26/12/2012

Um grande desafio econômico se apresenta ao Brasil nessa virada de ano: provar, através de resultados consistentes do PIB em 2013, que a retomada está em curso.

Um grande desafio econômico se apresenta ao Brasil nessa virada de ano: provar, através de resultados consistentes do PIB em 2013, que a retomada está em curso. Embora tímidos e abaixo das expectativas, os números de crescimento da produção e consumo voltaram a aparecer nos últimos meses. Decidido a acelerar o processo, o governo tomou uma série de medidas estimuladoras como a desoneração da folha de pagamentos do varejo e a prorrogação do IPI reduzido para carros, linha branca e móveis. A presidenta Dilma já estabeleceu como maior bandeira de luta a queda dos impostos. Determinou também que o BNDES abra as torneiras do crédito no início de 2013, propiciando liquidez ao mercado.

O pacote de bondades oficiais almeja incrementar consumo, produção e competitividade do parque nacional. Os incentivos fiscais já somam cerca de R$ 40 bilhões e novas medidas estão a caminho. A reforma do ICMS, com a proposta de uniformização de alíquotas em 4% num prazo de 12 anos, será encaminhada ainda no apagar das luzes de 2012. Dois fundos, de Desenvolvi­mento Regional e de Compen­­sação, virão atrelados no projeto, bem como a troca de indexador de dívida dos Estados. O ministro Guido Mantega, durante o anúncio das medidas, disse que a alta carga tributária e os juros altos são “dois malefícios, duas faces da mesma moeda”. E prometeu combate sem trégua a esses problemas.

Ao menos no campo dos juros o retorno já vem sendo sentido. Bancos públicos e privados engajaram-se na cruzada do governo e recuaram o percentual de suas taxas, aliviando tomadores de empréstimos e clientes em geral. Para aumentar o fôlego da iniciativa privada estão sendo pensadas reformas em diversas áreas – da logística de transportes ao investimento no setor de energia, que, recentemente, apresentou casos sucessivos de blecaute por todo o País. O mais importante nessa safra de decisões é verificar que as autoridades estão se movimentando para uma mudança de cenário e a confirmação de que o Brasil, dessa vez, avançará firme na rota do desenvolvimento e da estabilidade. O grande teste de consistência da economia começou.

Construção estima crescer até 4% em 2013

quinta-feira, dezembro 27th, 2012

Estima-se que no ano que vem haverá uma recuperação da taxa de investimento, que deverá ficar em 19% do PIB Fonte: ZAP Imóveis

O Produto Interno Bruto (PIB) da construção civil brasileira crescerá cerca de 4% em 2012 e voltará a crescer, entre 3,5% e 4%, em 2013. Estas foram as projeções confirmadas pelo presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP), Sergio Watanabe.

Em 2013, poderá haver uma recuperação da taxa de investimento, que deverá ficar em 19% do PIB. Conjugado a isto, o SindusCon-SP estima que o PIB brasileiro evoluirá na mesma medida que o produto interno bruto da construção: entre 3,5% e 4%.

Para 2012, o SindusCon-SP e a FGV previam crescimento bem acima do PIB do País, com base no ritmo de obras tanto do programa Minha Casa, Minha Vida quanto de infraestrutura. No entanto, o desempenho setorial foi um pouco afetado por dificuldades, entre elas: redução dos investimentos das empresas, queda dos investimentos do setor público para a infraestrutura e baixo ritmo de contratação de moradias para a faixa 1 do Programa Minha Casa, Minha Vida e morosidade na concessão de licenciamentos imobiliários, que afetou negativamente o início de obras.

No entanto, as construtoras continuaram contratando, o que sustenta os prognósticos de crescimento do setor acima do PIB nacional. Apesar de o nível de emprego formal da construção brasileira ter caído 0,22% em outubro, ainda assim acumulava crescimento de 6,57% no ano, comparado ao mesmo período de 2011. Em outubro, o setor empregava 3 milhões 415 mil trabalhadores. O Estado de São Paulo tinha naquele mês 859 mil trabalhadores com carteira, alta acumulada de 4,6%.

Eduardo Zaidan chamou a atenção para o fato de que começam a aparecer os resultados do esforço das empresas no aumento da produtividade nos canteiros de obra. “A produtividade dos trabalhadores da construção tem aumentado graças ao esforço do setor e ao investimento das construtoras em treinamento, requalificação e reciclagem”, disse.

Construção civil não deve acelerar crescimento em 2013

quarta-feira, novembro 28th, 2012

Resultado se distancia ainda mais do crescimento robusto visto há dois anos e confirmando a nova realidade do mercado imobiliário

REUTERS
Rogério Montenegro

Segundo projeções do SindusCon, PIB do setor deve crescer entre 3,5 e 4 por cento em 2013

São Paulo - O ritmo de crescimento do setor de construção civil no Brasil deve manter em 2013 o mesmo ritmo registrado neste ano, se distanciando ainda mais do crescimento robusto visto há dois anos e confirmando a nova realidade do mercado imobiliário.

O Produto Interno Bruto (PIB) do setor deve crescer entre 3,5 e 4 por cento em 2013, projetou nesta quarta-feira o Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de São Paulo (SindusCon-SP), que estima alta de 4 por cento para o fechado deste ano.

A entidade previa crescimento de 5,2 por cento para 2012, mas, ao longo do ano, fatores como redução de investimentos pelas empresas, menores investimentos públicos em infraestrutura e morosidade na concessão de licenciamentos imobiliários levaram a uma redução da expectativa.

Assim, o setor caminha para fechar 2012 com desempenho inferior ao do ano passado, quando houve avanço de 4,8 por cento. Em 2010, ano de forte aceleração do setor, o crescimento foi de 15,2 por cento.

“Vemos à frente um cenário de estabilização da construção civil, uma normalização do nível da atividade e do número de empregados”, afirmou a jornalistas o vice-presidente de economia do SindusCon-SP, Eduardo Zaidan.

Mercado imobiliário começa a desacelerar na China

quarta-feira, novembro 21st, 2012

Para Nicholas Lardy, do Peterson Institute for Internacional Economics, apetite para mercado imobiliário pode estar caindo

Beatriz Olivon, de Exame.com

São Paulo – Os dados oficiais indicam que o crescimento do PIB da China está diminuindo de um pico de 12% para cerca de 7,4%. “O ponto otimista, na base trimestral, é que parece que a economia saiu do ponto mais baixo, no começo do ano. Mas há muitos indicadores qualitativos e quantitativos que questionam esses números”, disse Nicholas Lardy, sênior fellow do Peterson Institute for Internacional Economics.

Para Lardy, a diminuição deve-se, entre outros fatores, a uma queda no crescimento de exportações, que passou de crescimento de 30% em 2010 para 10% no começo desse ano. “O setor externo se tornou um peso no crescimento econômico e não um contribuinte”, isso resulta da diminuição de exportações para a Europa, que está em crise e é o maior destino de exportações chinesas. “Com a Europa em recessão, acho difícil ver uma recuperação”, disse Lardy, durante a 4ª Conferência Internacional do Conselho Empresarial Brasil-China, realizado hoje, em São Paulo.

Um segundo motivo é a queda de investimentos, segundo Lardy. “A fonte principal de desenvolvimento tem sido o setor imobiliário, um dos maiores impulsionadores do crescimento econômico nos últimos anos”, disse. De um ano para cá, esse investimento caiu e está com metade do ritmo dos dois anos anteriores, o que também tem efeitos sobre outros setores, como o aço.

Imóveis

Para entender o que vai acontecer na economia chinesa no futuro é necessário observar o setor de propriedades e imóveis, segundo Lardy. Nas últimas décadas, em decorrência da dificuldade de movimentar dinheiro ou levar para o offshore [investir outros países], as pessoas passaram a se interessar por investimentos em imóveis, segundo Lardy. “15% da população urbana tem duas casas. Cerca de 5% tem três ou mais casas”, disse.

“O apetite para compra de propriedades parece que está caindo na China”, disse Lardy, citando uma pesquisa de um banco chinês que mostra que a alocação planejada de imóveis como forma de investimento está caindo e que a exposição dos bancos a propriedades também vem caindo.

Cerca de 40% de todas as moradias sendo compradas em 2010 eram especulação e investimentos, segundo o pesquisador. Agora, Lardy acredita que isso não irá continuar. “Talvez esteja acontecendo uma desaceleração no investimento em imóveis, pois a demanda está caindo”, afirmou.

“Os fatores sugerem que estamos no início de uma correção de longo prazo com relação ao mercado imobiliário. A demanda de investimento provavelmente vai cair ou crescer mais lentamente”, disse. Nesse momento é necessário buscar fontes alternativas de demanda para a economia chinesa continuar crescendo rapidamente, segundo Lardy. “O consumo imobiliário tem que começar a aumentar mais significativamente do que tem ocorrido no passado”, disse. Isso requer a adoção de políticas que incentivem mais gastos com consumo imobiliário para compensar as quedas nos investimentos.

Para Lardy, há quatro políticas que precisam ser implementadas na China: a redução da intervenção do mercado de câmbio, a reforma do sistema de precificação para energia e eletricidade, a liberalização das reformas de taxas de juros e criar uma rede de segurança social, levando as pessoas a diminuírem as reservas e consumirem mais. Na China, a taxa de poupança é de 40% da renda disponível.

A nova cara do consumo

terça-feira, setembro 25th, 2012

Carla JIMENEZ e Denize BACOCCINA
Isto é Dinheiro - 24/09/2012

Os 104 milhões de brasileiros, que compõem a classe média, devem movimentar R$ 1 trilhão neste ano, um quarto do PIB brasileiro. Detalhe: o maior crescimento é dos consumidores negros.

Luiza Trajano, presidente do Magazine Luiza, não perde a oportunidade de visitar a favela de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, onde abrirá uma loja, em breve. Bem-humorada, a empresária aproveitou o encontro com o presidente da Whirlpool, João Carlos Brega, durante um evento em São Paulo, na quinta-feira 20, para contar o que as moradoras da favela, que têm comprado pela loja online do Magazine, cobram dela, enquanto a loja física não é inaugurada. “Brega, pelo amor de Deus, me manda geladeiras de duas portas, inox e com a função frost free”, enfatizou Luiza, pedindo ao executivo para acelerar a entrega de um lote extra das geladeiras mais sofisticadas, que atenda à demanda dos consumidores emergentes.

“Essa classe média é diferente!” Como comerciante nata, é no tête-à-tête com a comunidade que Luiza sente a temperatura do mercado. “O Brasil é outro”, afirma. Sua percepção foi confirmada pelo estudo “Vozes da Classe Média”, divulgado, coincidentemente, na mesma quinta-feira, em Brasília, pela Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE). A exigência de produtos e serviços mais sofisticados é uma característica marcante dessa camada, que já soma 104 milhões de pessoas, ou 53% da população brasileira ( há 10 anos, representava 38%). “A classe média já cumpriu seus anseios mais básicos de consumo e agora começa a mudar seus hábitos e exigir mais”, diz Renato Meirelles, sócio do Instituto Data Popular, que consolidou a pesquisa “Vozes da Classe Média”.

Segundo o estudo, em 2012, os consumidores emergentes devem movimentar R$ 1 trilhão em compras, um número que salta aos olhos em qualquer lugar do mundo. Caso fosse um país, esse grupo, que reúne consumidores com renda per capita de R$ 291 a R$ 1.019 mensais, seria o 18º em poder aquisitivo. Essa dinheirama nas mãos de uma população, que até pouco tempo estava praticamente alijada do mercado, traz um desafio formidável para as empresas, acostumadas a atender a metade mais rica da pirâmide. “É mais difícil vender para a classe emergente”, diz José Fuentes Molinero Jr., vice-presidente de eletrônicos da Samsung. “É preciso colocar toda a tecnologia disponível nos nossos produtos, sem descuidar dos custos.” A necessidade de oferecer mais por menos torna-se cada vez maior para as empresas no Brasil, mas o investimento nesse binômio será tremendamente lucrativo.

Segundo o trabalho da SAE, a renda da nova classe média cresceu 3,5% ao ano na última década, contra os 2,4% anuais do resto da população. Ao todo, 35 milhões de pessoas ascenderam a esse grupo na última década, o equivalente à população da Argélia. Importante: 80% desse contingente de novos consumidores são negros. Ao mesmo tempo, essa mudança na escala social foi liderada, em especial, por famílias chefiadas por mulheres. “Elas são as grandes protagonistas dessa classe média”, diz Meirelles, do Data Popular. A renda da população feminina nesse grupo cresceu 79%. A projeção generosa feita pelo levantamento divulgado na semana passada está levando setores que ainda não haviam despertado para o potencial desse estrato a planejar estratégias específicas para conquistá-lo.

É o caso da mineira Localiza, a maior locadora brasileira de automóveis. “É uma oportunidade para nós”, diz Roberto Mendes, diretor financeiro da Localiza. “A renda está aumentando, as pessoas vão viajar cada vez mais e, consequentemente, alugar carros.” Mesmo em setores tradicionais, como o de eletrodomésticos e eletrônicos, subsiste uma demanda reprimida. “Metade dos lares brasileiros ainda não tem máquina de lavar roupa”, diz Renato Meirelles, do Data Popular. No caso de tevês e geladeiras, produtos que têm mais de 90% de penetração, a demanda virá pela troca por aparelhos mais modernos. Isso explica a reclamação feita por Luiza Trajano ao seu colega Brega, da Whirlpool: “Estamos perdendo vendas!”.

Brasil só recupera 6º lugar entre os ricos em 2015

terça-feira, setembro 4th, 2012

DANIELA AMORIM
O Estado de S. Paulo - 04/09/2012

Levantamento da Austin Rating leva em conta as estimativas do FMI para a expansão do PIB e para o câmbio de 2012 a 2015

O Brasil só deve recuperar a sexta posição no ranking das maiores economias do mundo em 2015. Até lá, o Reino Unido mantém o sexto lugar e o Brasil permanece um passo atrás, em sétimo, segundo levantamento da Austin Rating, preparado a pedido da Agência Estado. O estudo levou em consideração as estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI) tanto para a expansão do PIB quanto para o câmbio, de 2012 a 2015.

A economia brasileira cresceu menos do que o esperado em 2012, mas o câmbio teve um papel considerável na perda de posição do País no ranking das principais economias do planeta. Enquanto houve forte desvalorização do real frente ao dólar, a libra esterlina sofreu valorização em relação à moeda americana.

O cenário não deve se alterar até o fim do ano, a menos que haja uma inversão na tendência do câmbio ou que a economia brasileira cresça mais do que os 2,5% esperados pelo FMI, e a economia britânica fique abaixo dos 0,2% de expansão no ano.

“A diferença entre o PIB do Reino Unido e do Brasil é bem pequena, de US$ 2,929 bilhões. O FMI fará uma revisão nas estimativas no fim de setembro. O Brasil até pode manter a posição conquistada (a 6ª posição), mas desde que o câmbio mude ou que a previsão para o crescimento do Reino Unido também”, calculou Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, responsável pelo levantamento.

Agostini explica que o FMI estima uma desvalorização de 10% do real frente ao dólar em 2012, seguida de uma desvalorização média de 3,5% até 2015. Já para o Reino Unido, o FMI projeta uma valorização de 2% da libra esterlina sobre o dólar em 2012, seguida de uma desvalorização média de apenas 0,1% até 2015.

Paralelamente, o fundo estima um crescimento de 2,5% do PIB brasileiro em 2012, e de 0,2% para o Reino Unido no ano.

Entretanto, para o período de 2013 em diante, enquanto a projeção do Brasil fica relativamente estável, em 4,1%, a estimativa de avanço no PIB para o Reino Unido sobe.

“Ou seja, mesmo o PIB do Brasil subindo de 2,5% em 2012 para 4,2% em 2013, a perda da desvalorização do real é maior do que a da libra. Além disso, o crescimento do Reino Unido aumenta de patamar até 2015, enquanto o Brasil fica estável em 4,1%”, atentou Agostini.

Economia dá sinais claros de recuperação gradual

terça-feira, agosto 21st, 2012

Valor Econômico - 21/08/2012

A economia brasileira deixou para trás seus piores momentos e voltou a crescer. Vários sinais de uma incipiente recuperação apareceram nos últimos dias. A indústria, o elo fraco na cadeia da recuperação, teve um saldo positivo na criação líquida de empregos. O IBC-Br, a prévia do Banco Central para o comportamento do Produto Interno Bruto, teve alta expressiva em junho, de 0,75%, e os resultados do comércio mostraram vigor, impulsionados em boa parte pelos estímulos concedidos pelo governo ao setores de eletrodomésticos e, principalmente, automóveis. O crescimento, ao que tudo indica, virá em ritmo de moderado a fraco e, mesmo assim, com riscos de alta da inflação.

A maior parte das previsões aponta para uma expansão de 1,5% a 1,8% para a economia no ano. O resultado seria ainda mais magro se não houvesse a parafernália de incentivos dados pelo governo, seja via redução do IPI, seja pela desoneração da folha de pagamentos para alguns setores da indústria. E, mesmo assim, a produção industrial acumula queda de 0,65% em doze meses e 1,7% no ano. Algumas projeções apontam que ela encerrará o ano com recuo ainda maior, de 2%. A volta do crescimento para a faixa dos 4% possivelmente será atingida no último trimestre do ano, mas nada disso está assegurado. Ao contrário de 2008, a reação não será forte nem rápida.

Em 2009 a rápida resposta de todos os países emergentes, em especial a China, grande compradoras de commodities do Brasil, ajudaram o Brasil a sair da recessão. Hoje, os emergentes estão às voltas com quedas na taxa de crescimento e há dúvidas se a China irá ou não conseguir realizar o “pouso suave” de sua economia. A Europa está na lona e não deve se levantar tão cedo. Dela é que se pode esperar as piores notícias, com o latente esfacelamento da união monetária persistindo como um fantasma a assustar periodicamente os mercados. A recuperação americana ocorre aos solavancos e possivelmente seu desempenho no ano será desapontador. Os principais motores da economia global, que arrastaram o Brasil para a expansão há três anos, não estão funcionando com grande potência e isso contribui para a retomada menos vigorosa do Brasil neste ano.

A indústria, porém, não parece preparada a desempenhar dessa vez o papel de ponta na recuperação. Ela perdeu capacidade competitiva depois de anos sob a dupla pressão dos aumentos salariais domésticos e a valorização cambial, que propiciou o avanço das importações em grande escala. Na passagem de uma taxa de expansão de 7,5% para 1,9%, a indústria acumulou grandes estoques e perdeu pontos na utilização da capacidade produtiva. As fortes incertezas advindas do cenário externo e a corrosão das margens, frearam os investimentos.

Mas há fatores puxando na direção contrária que devem empurrar a indústria a melhor performance. O real se desvalorizou em torno de 23% de junho de 2011 a junho passado, o que melhorou a rentabilidade das exportações e encareceu um pouco os concorrentes importados. O consumo continua exibindo boa saúde e a oferta de crédito, ainda que avance a um ritmo mais lento, com folga baterá em dois dígitos. A redução dos juros, em um ciclo que ainda não terminou, ajudará a sustentar a demanda e encolherá os custos financeiros das empresas.

A indústria de transformação deve levar mais tempo para retomar os investimentos porque a ociosidade do parque industrial precisa diminuir razoavelmente. Os maiores investimentos esperados virão do setor de infraestrutura, que poderão ser destravados pelas concessões à iniciativa privada, mas que deverão se materializar a partir de 2013. A construção civil vive pressões contraditórias. A demanda por projetos de infraestrutura joga a favor da expansão, enquanto que a readequação dos portfólios das incorporadoras no mercado residencial, depois de um “boom” de preços, retira parte do fôlego do setor e torna sua performance menos vigorosa se comparada à recuperação de 2009.

A economia voltará a crescer na faixa dos 4%, menos do que os países emergentes concorrentes, carregando velhos fardos que lhe retiram a força. Nos períodos de prosperidade, o peso da infraestrutura deficiente, da excessiva e labiríntica tributação e baixa qualificação da mão de obra são suavizados pela expansão dos negócios. Em tempos difíceis, mostram-se como poderosos obstáculos que são.

Consumo em queda

quinta-feira, junho 21st, 2012

ANA CAROLINA DINARDO
Correio Braziliense

O consumo das famílias brasileiras tem livrado o Produto Interno Bruto (PIB) de um cenário ainda pior. Porém, o resultado do Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), divulgado pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), mostrou que os consumidores iniciaram um processo de redução no ritmo de compra em 0,7% em junho, na comparação com o mês anterior. Os dados da pesquisa indicam que a lenta recuperação do mercado e o alto nível da inadimplência ainda são barreiras para o crescimento do consumo. Por outro ângulo, o aumento real da renda e a baixa das taxas de desemprego favoreceram para que os números da economia brasileira não deixasse de crescer, ainda que em patamares baixos.

%u201CEmbora menor, o otimismo se manteve não só pelo crescimento real da massa salarial como também pelos estímulos que vem sendo dados para reaquecer a economia. No entanto, o comprometimento da renda com gastos inibe um crescimento mais forte da intenção de consumo%u201D, destacou o economista da CNC Bruno Fernandes.

Na avaliação da entidade, a exclusão de medidas restritivas ao crédito, as isenções fiscais e o corte das taxas de juros praticados pelos bancos tendem a resgatar a confiança do consumidor.

As dívidas das famílias comprometem até o lazer. O engenheiro Renato Santos Medeiros, 34 anos, está com boa parte da renda comprometida com despesas que vão da prestação do carro novo à alimentação da família, o que o levou a separar as contas eleger prioridades. %u201CQuase não sobra nada. Tivemos que diminuir o lazer para não ficar ainda mais endividado%u201D, lamenta. Medeiros garante que pretende quitar as pendências para, só então, pensar em novas aquisições. %u201CPor enquanto, não quero comprar nada. Se não, perco o controle do meu orçamento.%u201D

Juros mais baixos e crédito farto fizeram com a professora universitária Martha Vieira, 50, mergulhar em dívidas. Ao abrir a fatura do cartão de crédito, ela levou um susto. O total chegou perto de R$ 2 mil e Martha precisou recorrer a um empréstimo de
R$ 1 mil para complementar o pagamento da dívida. %u201CSó com meu salário eu não seria capaz de pagar.%u201D. Até 2013, parte dos seus ganhos será separado para pagar as parcelas de R$ 147,50 ao banco. %u201CDepois que eu pagar todo o empréstimo é que vou pensar em voltar a consumir novamente. Só que agora com mais controle.%u201D

Em desconstrução

terça-feira, junho 5th, 2012

Aline Cury Zampieri | De São Paulo
Valor Econômico - 05/06/2012

As empresas de construção civil estão sofrendo com as dores do crescimento. Animadas com as perspectivas de expansão da economia brasileira, as companhias se endividaram e correram para lançar projetos. Agora, várias enfrentam dificuldades para executar o que planejaram e se veem às voltas com estouros de orçamento. Segundo analistas, esses são alguns dos motivos que fazem com que as cotações de algumas ações do setor listadas no Índice Bovespa estejam próximas de suas mínimas históricas.

Levantamento feito pelo Valor mostra que, no começo do mês, quatro das seis ações que estão no índice se aproximaram de seus valores mínimos: Rossi Residencial, PDG Realty, Brookfield e Gafisa. Esta última, por exemplo, chegou ao piso no dia 1º de junho, cotada a R$ 2,40. Na máxima, em maio de 2008, chegou a valer R$ 18,29. “Algumas empresas estão com situações financeiras preocupantes, pois se perderam num crescimento forte das operações, e puxam o setor como um todo”, diz o analista de construção da SLW Corretora, Erick Scott Hood.

Conforme os especialistas, as boas perspectivas da economia brasileira levaram empresas do setor a um excesso de empolgação nos idos de 2005 e 2006. “Elas cresceram demais, fizeram lançamentos demais e algumas acabaram perdendo a mão do negócio”, continua Hood. Vale lembrar que muitas companhias chegaram à bolsa por volta de 2007 e foram naturalmente pressionadas pelos novos investidores a acelerar projetos que pudessem gerar resultados.

Com isso, fica no mercado uma dúvida geral sobre a execução dos projetos das construtoras. “Os balanços do primeiro trimestre vieram bem abaixo das expectativas dos analistas e os investidores reagiram mal, punindo as ações em bolsa”, comenta o analista de construção do banco HSBC, Felipe Rodrigues. “Há muitas dúvidas sobre se as empresas estão efetivamente conseguindo executar suas obras de maneira correta e há vários estouros de orçamento. A crise deixou de ser pontual para se transformar num risco setorial”, acredita.

Essa deterioração de resultados acaba se refletindo numa piora na perspectiva do mercado em relação às empresas. “É difícil dizer se a queda das ações é exagerada. A piora reflete um momento vendedor grande”, afirma Rodrigues.

O analista de construção da BES Securities, Eduardo Silveira, diz que os estouros de orçamento vistos entre janeiro e março fizeram com que os especialistas refizessem suas projeções e o setor passasse por um rebaixamento geral. “Depois dos balanços do primeiro trimestre, ficou claro que muitos números foram superestimados pelas empresas”, afirma Silveira. “Um pouco dessa situação é culpa da expansão iniciada em 2007, quando companhias foram para segmentos que não conheciam.”

Todos esses problemas são potencializados, lembra ele, pela pressão grande de venda que vem acontecendo na própria Bovespa, em função do mau momento internacional. Apenas em maio, o Ibovespa perdeu 11,9%, com saída relevante de capital externo. Em maio, o saldo estrangeiro foi negativo em R$ 2,338 bilhões. “O investidor estrangeiro tem fatias elevadas do segmento de construção. Além disso, o beta [medida de correlação com o índice] das empresas do setor é alto, o que faz com que elas oscilem mais.”

Silveira lembra ainda que Rossi e Brookfield saíram do índice MSCI Brazil na carteira que começou a valer em 1º de junho. Essa retirada provocou vendas mais fortes das ações na semana que antecedeu a entrada em vigor do novo portfólio.

Além dos aumentos de custos, as empresas de construção civil tiveram que lidar com outra situação desfavorável: uma demanda menor. “A procura, apesar de não estar fraca, desacelerou”, diz Hood, da SLW. “No boom de vendas, prédios eram comercializados em no máximo dois dias. Agora, as empresas demoram de dois a três meses para completar as vendas”, acrescenta o analista.

O crescimento menor do PIB [Produto Interno Bruto] brasileiro também afeta negativamente o setor. “O PIB desacelerou de 7,5% em 2010 para 2,7% no ano passado. Se a economia cresce menos, o setor vai junto”, afirma Hood.

Se os preços das construtoras caíram tanto em bolsa, será que já está barato, então? Os especialistas, em geral, ainda não se arriscam a dizer que o pior já passou. “Não dá para afirmar que as cotações atuais são o piso. Se as empresas tiverem que fazer novos ajustes de custos, as ações devem cair ainda mais”, diz Silveira, da BES. Outro fator que pode piorar a situação é o cenário global. “Se a Europa piorar, haverá uma contaminação geral”, afirma Rodrigues, do HSBC.

Mas, apesar dos riscos, os especialistas acreditam em melhoras. “A tendência é de crescimento da relação entre crédito imobiliário e PIB no Brasil, que ainda é de 4%, ante quase 50% nos Estados Unidos”, diz Hood, da SLW.

Se depender apenas de seus próprios resultados, o setor deve começar a mostrar números mais atraentes durante o segundo semestre ou no fim do ano. “A recuperação não é de curto prazo. As empresas precisam melhorar a margem bruta e mostrar uma geração de caixa sequencial e não esporádica para que os investidores voltem a comprar as ações”, afirma o analista da SLW.

As empresas têm tentado sinalizar que haverá melhora gradativa nas margens na medida em que projetos lançados em 2007 e 2008 forem entregues. As que identificaram estouro de orçamento têm apontado que vêm tomando medidas para controlar melhor os custos e reduzindo a parcela de gestão de obras terceirizadas. Porém, os maus momentos vividos parecem ter deixado muitos analistas e investidores cautelosos.

Em análise recente em seu blog “O Estrategista”, no site do Valor, o analista André Rocha observou que existe uma expectativa positiva de geração de caixa para 2012 por conta da finalização das obras iniciadas entre 2007 e 2008. Ele lembra, no entanto, que, se ocorrerem atrasos na entrega das chaves, essas perspectivas podem não se materializarem. Para Rocha, as incertezas acabam tornando o setor uma opção bastante arriscada para o investidor em bolsa.

Para Silveira, da BES, este segundo trimestre ainda virá ruim, mas o próximo semestre tende a mostrar melhoras. “Tudo vai depender da execução dos projetos, mas a tendência é melhorar, pois, na medida em que entregam os projetos represados, as empresas vão limpando seus balanços”, diz. Ele está revisando as recomendações para os papéis.

Rodrigues, do HSBC, afirma que tem recomendação “underweight” (abaixo da média do mercado) para o segmento desde 2011, quando já tinha preocupações em relação a itens como inflação de mão de obra e espaço menor para ajuste de custos. A PDG era uma das preferidas, mas as margens recentes da empresa decepcionaram o analista.

A Cyrela, segundo ele, tem um dos melhores desempenhos em bolsa porque sofreu com problemas semelhantes antes das demais. “A empresa teve estouro de custos no começo de 2011, e a impressão geral é de que o pior já passou.” As ações da empresa, juntamente com as da MRV, têm a melhor performance em relação ao histórico até o momento. A mínima da Cyrela neste ano foi atingida em 22 de maio, a R$ 13,65. Bem longe do piso histórico pós-oferta de listagem no Novo Mercado, de R$ 5,38, em 2008.

Hood, da SLW, lembra que MRV atua na baixa renda, segmento no qual está a demanda futura no Brasil e para o qual o governo vem sempre acenando com incentivos. A mínima de 2012 é de R$ 8,31 (em 1º de junho), ante piso histórico de R$ 1,96. “A empresa tem experiência no setor e, mesmo atuando na baixa renda, ainda consegue margens boas”, afirma.

Economia cresce 0,2% no primeiro trimeste, aponta IBGE

sexta-feira, junho 1st, 2012

Folha.com
PEDRO SOARES
DO RIO

Diante de uma freada do consumo e da queda da indústria, o PIB (Produto Interno Bruto) fechou o primeiro trimestre do ano com alta de 0,2% na comparação livre de influência sazonais com os três últimos meses de 2011.

Na comparação com o primeiro trimestre de 2011, a economia brasileira cresceu 0,8%. Nos últimos quatro trimestres encerrados em março, o PIB subiu 1,9%.

De janeiro a março, a economia do país produziu R$ 1,03 trilhões em bens e serviços, segundo dados do IBGE divulgados nesta sexta-feira.

Do lado da produção, o destaque negativo foi a agropecuária. O PIB do setor encolheu 1,7% em relação ao último trimestre de 2011 e 8,5% na comparação com igual período de 2011.

A indústria cresceu 1,7% em relação ao ultimo trimestre de 2011, mas teve alta de apenas 0,1% na comparação com mesmo trimestre do ano anterior.

O setor sofreu com a maior competição externa (que não refluiu ainda alta recente do dólar), a perda de ritmo do consumo interno diante dos maiores níveis de endividamento e inadimplência e estoques elevados.

Já os serviços, sob impacto do bom desempenho do mercado de trabalho (renda em alta e baixa taxa de desemprego), tiveram alta de 0,6% frente ao último trimestre de 2011 e de 1,6% na comparação anual.

Sob a óptica dos componentes da demanda, o destaque negativo foi o investimento, que caiu 1,8% na comparação com o último trimestre de 2011 e 2,1% na comparação com o mesmo trimestre de 2011.