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Mudanças culturais e econômicas afetam setor imobiliário

quarta-feira, novembro 7th, 2012

CAMILA CARINGE - FSP
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

A mudança no perfil da população brasileira é um dos fatores que pressiona o deficit habitacional do país, segundo Marcelo Borges de Oliveira, diretor-presidente da Rodobens Negócios Imobiliários.

Estudos indicam que faltam cerca de 6 milhões de moradias no país. Mas Oliveira diz acreditar que esse número seja maior:

“Não há um número exato, mas sabemos que o deficit parece ser até maior, principalmente por causa da mudança de característica das famílias. As pessoas estão saindo da casa dos pais mais cedo e indo morar sozinhas. Isso alimenta o mercado.”

José Roberto Federighi, diretor da Brasil Brokers, explica que a nova classe média, que é hoje 53% da população brasileira, cresceu diminuindo a pobreza, mas sem reduzir as classes mais privilegiadas.

Os executivos participaram da sexta edição do Cityscape Latin America, evento voltado para investidores do setor imobiliário, realizado em São Paulo entre os dias 29 e 31 de outubro.

“O Brasil é o 5º país mais populoso do mundo e a nossa classe média seria o 12º país. Ou seja, a gente tem uma classe média aqui maior do que Alemanha, do que Turquia ou Vietnam. É quase o tamanho da população do México”, afirma Federighi.

O poder de consumo da população cresceu. Além de aumentar o número de habitações com apenas um morador, a oferta de mão-de-obra especializada decresceu, tornando a padronização dos projetos uma estratégia fundamental das construtoras, que visam diminuir os riscos na execução das obras.

CRÉDITO

Federighi aponta que o programa Minha Casa Minha Vida foi criado para ajudar o setor imobiliário a resolver o deficit habitacional. Na primeira fase foram contratadas mais de um milhão de moradias. Em sua segunda fase, o programa pretende construir dois milhões de casas e apartamentos até 2014.

“Mesmo assim o setor precisa de muito mais incentivo governamental para resolver o problema. Em 2005, o nosso mercado atingia no máximo 10% da população brasileira. Com o programa, conseguimos chegar a 67%. Mas oferecer casas para famílias cuja renda varia de 0 a 3 salários mínimos não é possível sem incentivo.”

Ele diz ainda que a demanda por imóveis também foi viabilizada pelo aumento do crédito. Em 2008, menos de 50 milhões de financiamentos foram registrados. Já as projeções para 2012 é que o país atinja 200 milhões de imóveis financiados. Mas Federighi diz acreditar que o país esteja muito longe de ter uma bolha imobiliária em função do crédito.

“Vemos uma confusão muito grande entre diminuição de velocidade de crescimento e diminuição de mercado, que são coisas completamente diferentes. Nosso mercado não está diminuindo. Ele está perdendo velocidade. O mercado imobiliário não tende a diminuir.”

Com fecundidade baixa, Brasil deve ser tornar país de idosos

quarta-feira, outubro 17th, 2012

Dados do Censo 2010 revelam que o número de filhos por mulher, de 1,9 filho, está abaixo da taxa de reposição da população
Isabela Vieira, da Exame.com

Anticoncepcional a queda foi influenciada por práticas contraceptivas, entre as quais, a esterilização feminina

Rio de Janeiro - Dados do Censo 2010 divulgados hoje (17) pelo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirmam que a taxa de fecundidade no país (número de filhos por mulher), de 1,9 filho, está abaixo da taxa de reposição da população – de 2,1 filhos por brasileira. Têm mais filhos mulheres do Norte e Nordeste, além de pretas e pardas, pobres e menos instruídas.

O dado consolida a trajetória de queda da fecundidade, a partir da década de 1970 e influencia o perfil etário da população: o Brasil tende a ser tornar um país de idosos. O número de filhos por mulher chegou a 6,28 em 1960, antes de cair para 2,38, em 2000. Atualmente, com 193 milhões de pessoas, o Brasil é um país jovem, cuja população cresceu 1,7% na última década.

O número de filhos na área rural influenciou a menor diminuição da taxa de fecundidade. Embora tenha diminuído de 3,4 filhos para 2,6, entre 2000 e 2010, é maior do que o verificado nas áreas urbanas (de 2,18 para 1,7). Por isso, a taxa final difere da divulgada recentemente pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), de 1,7 filho, que não ouve mães camponesas.

A queda no número de filhos por mulher se deu de forma diferente nas regiões do país. Foi influenciada por práticas contraceptivas, entre as quais, a esterilização feminina, com forte impacto na redução de filhos no Norte e Nordeste, ressalta o IBGE. Mesmo assim, em 2010, o Norte é a única região com taxa de fecundidade acima da de reposição.

Outro fator que influenciou a queda foi a diminuição do número de filhos entre as mulheres mais jovens nas faixas de 15 a 19 anos e de 20 a 24 anos, que vivem em área urbana. Elas contribuem com maior peso no cálculo da taxa, assim como as mulheres pretas e pardas, que têm, em média 2,1 filhos por mulher. Entre as brancas, que têm filhos entre 25 e 29 anos, o índice fica em 1,6.

A diminuição da fecundidade também está relacionada à renda e ao nível educacional. Entre as menos escolarizadas, o número de filhos chega a três, enquanto fica em um, no caso das mais instruídas. Atualmente, 66% das mulheres em idade fértil no país têm ensino fundamental completo.

Mundo terá 1 bilhão de idosos em dez anos e falta estratégia, adverte ONU

terça-feira, outubro 2nd, 2012

O Estado de S. Paulo

O mundo terá 1 bilhão de idosos dentro de dez anos e os países devem adotar estratégias próprias, em especial na área de saúde, para assegurar o bem-estar presente e futuro desse segmento da população. O alerta é de um relatório divulgado ontem, em Genebra, pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA, na sigla em inglês).

De acordo com a ONU, 1 em cada 9 pessoas no mundo tem 60 anos ou mais (o equivalente a 11,5% da população mundial) e o envelhecimento, embora seja um fenômeno comum a nações ricas e pobres, está aumentando mais rapidamente nos países em desenvolvimento - onde vivem 2 de cada 3 pessoas idosas.

Na última década, o número de idosos no mundo aumentou em 178 milhões de pessoas. A cada segundo, 2 pessoas celebram o 60.º aniversário. O relatório atribui o crescimento dessa faixa a melhoras na nutrição, nos avanços da medicina, nos cuidados com a saúde, no ensino e no bem-estar econômico.

Esse conjunto de fatores fez crescer substancialmente a expectativa de vida no mundo - hoje, de 78 anos nos países desenvolvidos e de 68 anos nas regiões em desenvolvimento. Em 2050, a população idosa mundial deverá atingir 2 bilhões de pessoas.

A questão é como enfrentar esse crescimento. “As implicações sociais e econômicas deste fenômenos são profundas, estendendo-se para muito além do idoso e sua família, alcançando a sociedade inteira”, afirma o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

Por essa razão, o relatório sugere a adoção de novas políticas, estratégias, planos e leis específicos para os mais velhos. Hoje, 47% dos idosos e 23,8% das idosas participam da força de trabalho. O drama é quando eles deixarem de trabalhar. Apenas um terço dos países do mundo, que somam 28% da população mundial, conta com planos de proteção social abrangente para os idosos. Nos países em desenvolvimento, os custos com pagamento de pensão para a população idosa variam de 0,7% a 2,6% do Produto Interno Bruto (PIB).

Furo. No Brasil - que tem 23,5 milhões de idosos, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2011 -, a questão previdenciária também é apontada como o principal problema decorrente do envelhecimento, segundo o geriatra Fernando Bignardi, coordenador do Centro de Estudos do Envelhecimento da Unifesp. “Todo o processo foi calculado para pessoas que viveriam até 70 anos. Com o aumento dos anos de vida, está havendo um furo no cálculo. Agora é preciso pensar em como garantir uma renda mínima para as pessoas que estão envelhecendo”, diz.

O segundo problema, para ele, é que a medicina convencional não se preparou para atender os idosos. “A medicina convencional atribui a cada diagnóstico, um tratamento. Não é incomum encontrar um idoso com a prescrição de 80 cápsulas por dia.”

O relatório adverte que saídas precisam ser adotadas desde já. Hoje, apenas o Japão tem um índice de idosos que corresponde a mais de 30% da população. Por volta de 2050 - quando haverá mais idosos que crianças menores de 15 anos em todo o mundo-, outros 64 países farão parte deste grupo. / AP e REUTERS, COLABOROU MARIANA LENHARO

Classe média chega a 53% da população

quarta-feira, setembro 19th, 2012

Mariana Mainenti
Correio Braziliense - 19/09/2012

Segundo a Secretaria de Assuntos Estratégicos, 104 milhões de pessoas estão nessa categoria. Estudo visa traçar políticas para atender as necessidades da camada emergente

Se a classe média brasileira fosse um país, seria o décimo-segundo maior. De acordo com a Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), ligada à Presidência da República, 53% da população — um contingente de 104 milhões de pessoas — estão nesse nível sócioeconômico. Dez anos atrás, somente 38% encontravam-se no mesmo patamar. A maior parte desse crescimento foi decorrente da ascensão de 29 milhões de pobres; outros 8 milhões engrossaram as estatisticas devido à expansão natural da população do país.

As informações fazem parte da primeira etapa da pesquisa Vozes da Classe Média, que está sendo realizada pela SAE, com o intuito de produzir conteúdo para que o governo consiga reformular suas políticas, de forma a atender às necessidades desse público emergente. Pelos critérios da Secretaria, são de classe média famílias que vivem com renda per capita entre R$ 291 e R$ 1.019 por mês. Abaixo de R$ 291, encontra-se a classe baixa e acima de R$ 1.019, a alta.

O documento, o primeiro de uma série que será publicada trimestralmente pela SAE, apresenta dados que surpreenderam o próprio governo. A diferença entre o percentual de brasileiros em cada camada da população que possuem casa própria não é grande: corresponde a 72% da classe baixa, a 75% da média e a 80% da alta. “Se a maioria das pessoas em todas as classes já possui uma casa, faz mais sentido que se aumente a oferta de crédito para reforma do que para aquisição do primeiro imóvel. Também se torna mais importante investir em saneamento e energia”, avaliou a diretora da SAE Diana Grosner.

Serviços
Outro aspecto que surpreendeu os técnicos é que a classe média, que vem investindo em educação — especialmente, priorizando os cursos de nível superior —, não considera que a elevação do nível de escolaridade vá produzir uma melhora de renda. “Isso pode significar que as pessoas consideram mais importante ter uma rede de relacionamentos do que uma formação, como alguém que desiste de fazer medicina porque não está numa família de médicos”, afirmou Grosner.

Segundo a diretora, os dados indicam que essa parcela da população irá precisar de novos serviços num futuro próximo. “Os produtos financeiros serão mais demandados. Não é à toa que o Tesouro já está vendendo títulos públicos a R$ 30 e as seguradoras estão desenhando apólices para esse público”, disse Grosner.

Brasil tem quase 194 milhões de habitantes, aponta IBGE

sexta-feira, agosto 31st, 2012

Dados foram divulgados nesta sexta-feira, no ‘Diário Oficial da União’; São Paulo,o Estado mais populoso, conta com quase 42 millhões de moradores

O Estado de S.Paulo

SÃO PAULO - O Brasil tem 193.946.886 habitantes. O número foi divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística no Diário Oficial da União nesta sexta-feira, 31 e foi calculado para 1º de julho de 2012. O órgão divulgou estimativas de população-residente para o País, Estados e municípios.

De acordo com os dados, São Paulo é o Estado mais populoso, com 41.901.219 habitantes. Em seguida, vem Minas Gerais, com 19.855.332. O Rio de Janeiro está em terceiro lugar entre os Estados mais habitados, com 16.231.365 pessoas. Os três primeiros ficam na região Sudeste. A Bahia, no Nordeste, tem população-residente de 14.175.341, de acordo com os números do IBGE, e é o quarto no ranking.

O Estado menos populoso do País é Roraima, com 469.524 habitantes. O Amapá, com 698.602 pessoas, e o Acre, com 758.786 habitantes, todos na região Norte, formam a trinca de unidades menos populosas.

Expectativa de vida no Brasil aumenta 25,4 anos em meio século

sexta-feira, junho 29th, 2012

Queda da fecundidade e diminuição da mortalidade possibilitaram um aumento de 54,6% para 68,5% da participação da população em idade ativa, segundo IBGE

Beatriz Olivon, de Exame.com

Aumento na expectativa de vida: estrutura de população mais envelhecida é uma característica de países desenvolvidos, segundo o IBGE

São Paulo – A expectativa de vida do brasileiro aumentou 25,4 anos entre 1960 e 2010, segundo dado do Censo de 2010 do IBGE. A idade passou de 48,0 anos para 73,4 anos.

Com esse aumento, a superioridade da mortalidade masculina em relação à feminina se fez mais aparente. A proporção entre homens e mulheres mudou. A razão passou de 99,8 homens para cada 100 mulheres em 1960 para 96 homens, de acordo com o Censo.

O aumento da expectativa de vida foi acompanhado por queda na taxa de fecundidade e na mortalidade. O número médio de filhos por mulher caiu de 6,3 filhos em 1960 para 1,9 em 2010. O número está abaixo da reposição da população, segundo o IBGE. Essa estrutura de população mais envelhecida é uma característica de países desenvolvidos, segundo o Instituto.

Além da queda da fecundidade, a diminuição da mortalidade proporcionou um aumento de 54,6% para 68,5% da participação da população em idade ativa (15 a 64 anos de idade). O aumento na participação da população de 65 anos ou mais, no período 1960/2010, passou de 2,7% para 7,4%.

Se por um lado o envelhecimento da população lembra os países desenvolvidos, por outro, a expectativa de vida ainda está um pouco afastada da observada naqueles países. Na Alemanha, por exemplo, ela era de 80,19 anos em 2011. Nos Estados Unidos, de 78,49 anos, segundo dados do CIO World Factbook.

Brancos e negros

Em 2010, 47,7% dos brasileiros (91 milhões de pessoas) se classificaram como brancas e 43,1% se definiram como pardas. Os negros correspondiam a 7,6%, os amarelos, a 1,1% e os indígenas.

Observou-se uma maior representação das pessoas que se declararam brancos entre os grupos com proteção da previdência social (empregados com carteira de trabalho assinada, militares e funcionários públicos estatutários), assim como entre os empregadores (3,0% entre brancos, enquanto 0,6% entre negros e 0,9% entre pardos).

Em relação aos que frequentavam o nível superior, no grupo de pessoas de 15 a 24 anos, 31,1% eram brancos, 12,8% negros e 13,4% pardos.

Um terço dos brasileiros não tem conta em banco, diz CNI/Ibope

quarta-feira, junho 13th, 2012

IURI DANTAS
O Estado de S. Paulo - 13/06/2012

Levantamento também apontou que 78% da população usa o dinheiro como meio de pagamento

Mais de um terço dos brasileiros não possui conta em banco e 78% da população prefere usar dinheiro como meio de pagamento, segundo pesquisa realizada pelo Ibope em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI). O cheque, que vem caindo em desuso, é o meio preferido de somente 1% dos entrevistados.

O levantamento indica que a relação do brasileiro com o sistema financeiro ainda engatinha, apesar do aumento do crédito e a formalização do trabalho dos últimos anos.

Entre os que ganham até um salário mínimo, a maioria absoluta (64%) não tem conta corrente ou poupança. O número cai pouco abaixo da metade (47%) quando se trata de assalariados entre um e dois salários mínimos.

Indagados sobre a razão disso, 60% dos entrevistados responderam que “não têm condições financeiras” para iniciar o relacionamento bancário.

Outro indicativo sobre a dificuldade do brasileiro apareceu no quesito “reserva de dinheiro” ou poupança. Apenas três em cada dez pessoas poupa ou investe. Somente 3% da população investe em aplicações financeiras e 16% dos entrevistados responderam que guardam dinheiro em casa. Já a caderneta de poupança, cujas regras foram alteradas pelo governo no mês passado, é o meio preferido por 68% dos que aplicam.

O levantamento mostra, ainda, que o contingente de homens que poupa ou investe (35%) supera o de mulheres (28%).

Dívida. De acordo com a pesquisa, mais de um terço da população brasileira tem dívidas, com um porcentual maior entre os homens do que entre as mulheres. Entre os níveis de renda, as pessoas com renda mais baixa têm um comprometimento menor dos recursos com dívidas, mas são as que dizem ter maior dificuldade de quitá-las.

O documento indica que mais da metade dos brasileiros que recebe acima de cinco salários mínimos possui algum tipo de “parcelamento de compra, empréstimo ou financiamento”. Quando o rendimento é menor que dois salários mínimos, menos de um terço dos entrevistados declarou ter dívidas, sem informar valores.

A pesquisa CNI/Ibope tem margem de erro de 2 pontos porcentuais e ouviu 2.002 pessoas em 141 municípios do País entre 16 e 19 de março.

Predisposição ao consumo cresce entre as faixas mais ricas, aponta pesquisa

quarta-feira, maio 23rd, 2012

Segundo a CNC, fenômeno se deve à maior sensibilidade dessa faixa de renda ao crédito; na faixa de renda que recebe até dez salários, o aumento na confiança foi de 0,3% no período, para 134,5 pontos
Daniela Amorim, da Agência Estado

RIO - A predisposição ao consumo aumentou mais entre as famílias mais ricas, graças à maior sensibilidade dessa faixa de renda ao crédito, segundo pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). A Intenção de Consumo das Famílias (ICF) aumentou 1,8% em maio ante abril entre os que recebem mais de dez salários mínimos, para 148,8 pontos. Na faixa de renda que recebe até dez salários, o aumento na confiança foi de 0,3% no período, para 134,5 pontos.

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“A faixa de renda mais alta tem maior acesso ao crédito, então essas famílias são mais sensíveis a mudanças nos financiamentos”, explicou Bruno Fernandes, economista da CNC. “As famílias de renda mais baixa estão com a renda mais comprometida, além de terem menor acesso e sensibilidade à oferta de crédito”, completou.

Segundo Fernandes, na passagem de abril para maio, além do aumento da massa salarial, estimularam o aumento da propensão ao consumo os cortes dos juros bancários e a disposição do governo em adotar medidas para reaquecer a economia.

“Isso já chegou à percepção dos consumidores”, contou o economista. No entanto, na comparação com maio de 2011, a melhora excessiva no indicador de confiança deve-se a uma base de comparação mais fraca. O ICF, que teve alta de 0,3% em relação a abril, subiu 4,8% na comparação ante maio do ano passado.

“Em maio de 2011, a confiança atingiu o menor nível da série, porque o governo tinha tomado medidas para conter o crédito, e os juros estavam em alta”, lembrou Fernandes. “Esse crescimento agora é positivo, mas não espelha uma euforia das famílias para ir às compras. Esperamos um aumento no consumo no segundo semestre, mas ainda moderado”.

Na comparação com maio do ano passado, a Intenção de Consumo das Famílias aumentou 7,4% entre a faixa de renda que recebe mais de dez salários mínimos, e 4,8% entre a faixa de renda de até dez salários.

Brasil já tem um PC para cada dois habitantes

quinta-feira, abril 19th, 2012

Por Gustavo Brigatto | De São Paulo
Valor Econômico

A base de computadores em uso no Brasil atingiu a marca de 99 milhões de máquinas, o que representa uma proporção de uma máquina para cada duas pessoas, segundo a 23ª pesquisa anual do uso de tecnologia da informação (TI) realizada pela Escola de Administração de Empresas da FGV-SP. Em maio do ano passado, o número era de 85 milhões. O estudo leva em consideração o uso em empresas e residências e inclui notebooks, netbooks, desktops e tablets - esses últimos entram na categoria de notebooks, diz o professor Fernando Meirelles, responsável pela pesquisa.

Com o resultado, o Brasil elevou para 51% a proporção de uso de computadores por habitante, superando a média mundial de uso de computadores, de 42%. Em 2011, o país tinha alcançado 36%, abaixo do número global, de 44%.

Segundo o professor Meirelles, o número de computadores em uso no país dobrou em quatro anos. Agora, a expectativa é que o mesmo fenômeno se repita em um período de cinco anos. Com isso, o país chegará à marca de 200 milhões de computadores, ou uma máquina para cada habitante em 2017. Na avaliação do professor Meirelles, o número pode ser atingido até em 2016. “Vai depender do desempenho da economia”, diz. Meirelles calcula em 9% a média de crescimento nas vendas de computadores até 2018. Para este ano, a estimativa é que sejam vendidos 17,9 milhões de unidades.

Elaborada com dados de 5 mil empresas de médio e grande porte, a pesquisa mostra que o investimento em tecnologia da informação (TI) em 2011 chegou a 7% do faturamento líquido das companhias, a maior proporção desde que a pesquisa começou a ser feita, em 1988. Dividindo-se os gastos pelo número de computadores instalados nas empresas, a pesquisa mostra que a manutenção das estruturas de TI das empresas custa US$ 11,4 mil por máquina (ou teclado), mais do que os US$ 11 mil da pesquisa de 2011.

Em 2012, pela primeira vez, o estudo fez um levantamento sobre o mercado de sistemas de inteligência analítica, softwares que ajudam os empresários a planejar as estratégias de suas companhias. O segmento, que vem sendo uma das grandes bandeiras de companhias como IBM e SAP, é liderado no país por esta última. A companhia alemã - que entrou no segmento em 2007 com a compra da Business Objects - tem 20% do mercado. Disputam espaço com ela a Oracle (18% do mercado) e a Totvs (16%).

Classe C chega a 54% da população e tem renda média de R$ 1.450

quinta-feira, março 22nd, 2012

FSP - MARIANNA ARAGÃO

Embora em ritmo menos acelerado, a classe C continuou a crescer no Brasil em 2011. A participação desse estrato social no total da população brasileira foi de 54% no ano passado, segundo pesquisa divulgada nesta quinta-feira pela Cetelem, financeira do grupo francês BNP Paribas em parceria com o instituto Ipsos.

Em 2010, ela representava 53% da população.

De acordo com a pesquisa “O Observador Brasil 2011″, a classe C recebeu 2,7 milhões de brasileiros em 2011, vindos da classe DE. Hoje, 103 milhões de pessoas fazem parte dessa classe social. A classe DE, por sua vez, encolheu no ano passado, representando 24% da população, num total de 45,2 milhões de brasileiros. Em 2010, eram 47,9 milhões de pessoas, ou 25% da população.

“Essas mudanças marcam a consolidação da mobilidade social que vimos ocorrer no Brasil nos últimos anos”, diz Marcos Etchegoyen, diretor-presidente da Cetelem BGN. A pesquisa, realizada desde 2005, mostra que 63,7 milhões de brasileiros ascenderam socialmente no Brasil nos últimos sete anos. “É o equivalente a toda a população da Itália”, comenta Etchegoyen.

O grupo que mais contribuiu para essa evolução foi a classe C, que representava 34% da população em 2005, e hoje está em 54%.

As classes sociais utilizadas no estudo são as definidas pelo CCEB (Critério de Classificação Econômica Brasil), fornecida pela Abep (Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa).

O conceito não considera a renda, mas a posse de itens como eletrodomésticos, veículos, quantidade de cômodos na casa e grau de instrução do chefe de família.

RENDA

A pesquisa mostrou ainda que a classe C foi a única camada da população cuja renda média familiar cresceu em 2011. A evolução foi de 8%, para R$ 1.450. Já as classes AB e DE tiveram uma ligeira queda na renda. No caso da AB, a renda caiu de R$ 2.907 em 2010 para R$ 2.893 no ano passsado. A renda da classe DE diminuiu de R$ 809 para R$ 792 no mesmo período.

A renda disponível, que corresponde à renda da família após os gastos, cresceu em todas as classes sociais no ano passado, o que indica que houve uma maior contenção dos gastos. “As pessoas gastaram menos no ano passado,influenciadas pela piora no ambiente econômico, especialmente no segundo semestre”, diz Miltonleise Filho, vice-presidente da Cetelem BGN.

A preocupação com o futuro da economia apareceu em outro dado levantado pela pesquisa, sobre intenção de compra para 2012. Em comparação com o ano anterior, os brasileiros mostraram-se mais cautelosos para consumir itens como carros, computadores e eletrodomésticos.

O percentual de pessoas com intenção de comprar um automóvel este ano, por exemplo, caiu de 18% para 15% em 2011. Apenas 25% da população declarou ter pretensão de comprar algum serviço relacionado a lazer ou viagem, ante 32% na pesquisa anterior. “Devido a essa cautela, em 2012 podemos não ter o mesmo nível gasto visto no ano passado”, diz Miltonleise Filho.

Ainda assim, o brasileiro ainda é o povo mais otimista, dentre os 13 países onde a pesquisa é realizada anualmente. A nota média dada pelos entrevistados à situação do país foi de 6,3 em 2011, a maior avaliação nos mercados pesquisados. Os alemães têm a segunda melhor avaliação sobre seu país: a nota média no país foi de 6,2.

A pesquisa ouviu 1.500 pessoas em 70 cidades brasileiras, em dezembro do ano passado.