Posts Tagged ‘população’

Vizinhos de favelas sofrem com lixo

segunda-feira, fevereiro 27th, 2012

Jornal da Tarde
LUÍSA ALCALDE

Sacos de lixo levados diariamente por moradores de favelas até contêineres e caçambas, que formam verdadeiras montanhas até que caminhões de coleta façam a retirada, estão causando transtornos para quem reside no entorno dessas comunidades.

Como a coleta não é diária, os sacos se acumulam nos dias em que o caminhão não passa pelo local. Transbordam dos equipamentos e ficam jogados no meio da rua. Vizinhos reclamam do mau cheiro e da presença de ratos e outros insetos ao redor do lixo.

Durante dois dias, na semana passada, a reportagem do Jornal da Tarde percorreu sete pontos onde o problema persiste. Todos na zona sul da capital. A aposentada Lindinaura Maria Oliveira, de 74 anos, mora há 52 anos em uma rua próxima à Avenida José Maria Whitaker, no Planalto Paulista, onde há uma favela. Dois contêineres da Ecourbis ficam a menos de 20 metros da comunidade. “Eles estão sempre cheios, transbordando”, conta ela.

Elizângela Magalhães, de 38 anos, mora há 18 anos na comunidade carente. Ela é dona de um pequeno comércio que fica perto das caçambas. Segundo Elizângela, a empresa de lixo só tem recolhido os sacos às terças e quintas. “São poucos dias de coleta. Por isso, fica tudo amontoado”, afirma.

Na Rua Coronel Luiz Alves, na Chácara Klabin, cerca de 68 famílias moram em uma comunidade onde os próprios moradores têm de levar os sacos até os dois contêineres que ficam na via. O aposentado Luciano dos Santos, de 50 anos, diz que os equipamentos não são suficientes para alojar todo o lixo. “Muitas vezes transborda, sim”, conta.

A calçada do lado direito da Rua Neide Aparecida Solito, na Vila Clementino, abriga um desses contêineres colocados em frente a uma favela murada, onde vivem cerca de 50 famílias. Morador dessa comunidade, o técnico em permeabilização Francisco Azevedo da Silva, de 47 anos, convive com o problema: “Cai tudo da caçamba. Os sacos ficam caídos do lado. Quem quer passar pela calçada tem de desviar do lixo ou andar na rua”, diz.

Regra – Próximo dali, na Rua Mário Cardim, o problema se repete. Três contêineres ficam na rua em frente à favela que existe no local. No dia em que a reportagem fez a visita, na tarde da quinta-feira, os equipamentos estavam abarrotados. Há pelo menos duas placas coladas próximas ao local pedindo que o lixo seja depositado ali apenas após as 18 horas, mas os próprios moradores não seguem essa regra.

Uma senhora, que quis ser identificada apenas como Adriana e que estava depositando o lixo em um contêiner às 15 horas, fez um desabafo: “Moça, como é que eu vou ficar com o lixo cheirando cocô de cachorro e com fralda de bebê dentro de uma casinha pequena até o caminhão passar?”

A coleta só passa naquela rua três vezes por semana. Maria Amélia Andrade, de 64 anos, dona de casa e moradora de uma rua ao lado, reclama da sujeira. “Não posso abrir minha janela. O cheiro é insuportável, principalmente no calor. Enche de baratas”, afirma.

Entulho – Ontem, a reportagem esteve no final da Rua Pedro Bueno, no Jabaquara, onde há uma comunidade carente, e na Avenida Almirante Delamare, ao lado da favela Heliópolis, no Ipiranga.

Nesses locais, há vários contêineres onde os moradores devem depositar o lixo, mas no momento em que o JT apurava a reportagem, os equipamentos estavam vazios. Jaqueline Andrade, de 19 anos, caixa de um mercado bem em frente a um desses locais disse que o ponto comercial fica sujo porque, além de lixo, a população joga também todo tipo de entulho

Jovem Idoso mostra presença no mercado

terça-feira, fevereiro 14th, 2012

O Estado de São Paulo, 12 de Fevereiro de 2012.
Gustavo Coltri.

Empresas dizem que compradores com mais de 60 anos adquirem até 15% das unidades em empreendimentos compactos na capital.

Há algumas décadas eles eram sinônimos de fragilidade. Hoje, os recém-chegados á terceira idade de hoje surpreendem o mercado imobiliário, aparecendo com vigor entre os compradores de imóveis, embora nunca tenham figurado como o alvo principal das incorporadoras.

Na Requadra desenvolvimento Imobiliário, os jovens idoso, aqueles em torno de 60 anos, são responsáveis por até 15% das aquisições de unidades dos últimos lançamentos da empresa. A companhia é focada em empreendimentos compactos e tem lançamentos na região central da cidade, como o Terraço Paulista, que servirá a região do Baixa Augusta a partir de setembro do ano que vem com 176 apartamentos de 36 metros quadrados ou de 50m².

“Não foi nosso objetivo, mas acabamos percebendo que eles se interessam por esses produtos. São pessoas que já tem filhos criados, netos, e os apartamentos antigos não despertam tanto interesse”, afirma o diretor comercial da Requadra, Marcos França. Segundo ele, a facilidade de uma boa região e a praticidade dos compactos são diferenciais para os ‘Jovens idosos’.

França espera repetir o êxito no próximo lançamento da Requadra, marcado para o fim do primeiro trimestre. ” O Sampa que é um empreendimento no Brás, deve atraí-los por conta da localização”, prevê.

Na Tela. Há dois anos, a Tecnisa se surpreendeu com a voracidade dos mais experientes e passou a adotar medidas para atendê-los: “ Entregamos um empreendimentos na Pompéia com 104m², que imaginamos ser para um casal jovem, e vimos que 15% tinha mais que 55 anos”, conta a diretora de projetos da construtora, patrícia Valadares.

A Tecnisa passou a conceber seus projetos com “consciência gerontológica”, adaptando os produtos ás necessidades dos mais velhos. ”Chamamos pessoas especializadas que fizeram um levantamento no prédio da Pompéia. E eles passaram a analisar nossos projetos”, diz Patrícia.

O trabalho contou com a participação de profissionais de arquitetura, engenharia e da área da saúde (leia mais abaixo).
Em junho de 2013, a empresa deve entregar um dos primeiros empreendimentos adaptados. O Bossa Nova, localizado no bairro do Marapé, em Santos, terá uma pista de caminhada larga e com saibro liso como uma de suas adaptações ao público.

Os serviços e as áreas de conveniência são aposta da Brookfield Incorporações na sua linha de produto Home Design. ”Identificamos o interesse desse público por um empreendimento moderno e cheio de facilidades. Primeiramente, é importante estar num bairro onde ele possa ter qualidade de vida, um ligar perto de shoppings e de parques”, diz o diretor de incorporação da companhia, Ricardo Laham. O Brookfield Home Design Brooklin, lançado em abril, está entre dois centros comerciais.

Ele acredita na demanda dos ‘Jovens idosos’ por apartamentos de dois dormitório com mais de 60m². “Eles não aceitam um apartamento de 49m², eminentemente single. O pessoal mais velho quer comodidade”, opina.
Com mais valor agregado, o custo da obra de um empreendimento da linha é de 5% a 10% maior do que um comum, segundo Laham. Mesmo assim, a empresa prepara um lançamento no Paraíso. O Brookfield Home Design Ibirapuera terá unidades com, pelo menos 65m².

Segundo o diretor de novos negócios da Abyara Brasil Brokers, Bruno Vivanco, embora não desprezível, a participação de cerca de 15% ainda é pequena para que os ‘jovens idosos’ tenham atenção exclusiva das incorporadoras,”Não é um porcentual suficiente para aapostar nesse nicho. Um empreendimento deve ser universal”, diz.

Perfil

Jovial
O novo idoso de classe média é um indivíduo ativo e tem poder aquisitivo.Atualmente, a idade mínima para aposentadoria pela Previdência Social é 65 anos para homens e 60 para mulheres

Exigente
Ele prefere abdicar do excesso de espaço dentro de casa, mas ainda assim preza pela comodidade. Rejeita apartamentos muito pequenos e aceita bem empreendimentos de dois dormitórios – ideal para a visitação de parentes e amigos.

Antenado
Muitas vezes cansado do estresse do trânsito, o ‘ jovem idoso’ busca resolver suas questões nas proximidades de casa. Por isso bairros com infra-estrutura de serviços e boa localização.

Para pesquisadores, menor desemprego já reflete mudanças demográficas

segunda-feira, janeiro 30th, 2012

Por Sergio Lamucci | De São Paulo
Valor Econômico - 30/01/2012

A queda da taxa de desemprego em 2011 se deveu em grande parte à força da ocupação no setor de serviços e na construção civil, mesmo num cenário de fraco crescimento da economia, mas também refletiu um fator mais estrutural - as mudanças demográficas que já afetam o mercado de trabalho brasileiro. A população em idade ativa (PIA) cresce cada vez mais devagar, moderando o ritmo de expansão da oferta de trabalho e, com isso, colaborando para reduzir a desocupação. O desemprego fechou o ano passado em 6% nas seis principais regiões metropolitanas do país, o nível mais baixo da série iniciada em 2002, segundo números do IBGE.

Assessor da presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e professor da Universidade de Brasília (UnB), Jorge Arbache tem chamado a atenção para a importância dos efeitos das mudanças demográficas sobre o emprego e a renda. A PIA, diz ele, é o fator mais importante para determinar a oferta de trabalho. Uma PIA que cresce menos tende a reduzir o ritmo de expansão da chamada população economicamente ativa (PEA), o grupo formado pelas pessoas empregadas e pelas que estão em busca de ocupação.

Em 2011, a PIA cresceu 1,26% nas seis principais regiões metropolitanas, taxa idêntica à do ano anterior. Em 2007, ela tinha crescido 1,73%. Segundo Arbache, a expectativa é que a população em idade ativa pare de crescer entre 2020 e 2022, passando então a encolher. Quando isso ocorrer, o impacto sobre a oferta de trabalho será muito mais intenso.

No ano passado, a PEA teve um aumento de 1,2%, inferior à alta de 2,1% registrada pelo nível de emprego. A tendência de fraco crescimento da população em idade ativa ajuda a explicar o avanço modesto da PEA, avalia o economista Sérgio Mendonça, do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Arbache ressalva que, no curto prazo, a PEA “pode variar em razão de incentivos, como o aumento ou queda dos salários reais” - ou seja, não segue automaticamente os movimentos da PIA.

Para Mendonça, a força do mercado de trabalho nos últimos anos, com alta de salários e aumento da formalização, tem levado mais gente a retardar a entrada no mercado de trabalho. Numa família em que os pais têm um emprego com rendimento melhor e contam com a segurança da formalidade, a tendência é que os filhos fiquem mais tempo estudando, sem buscar emprego e, com isso, aliviam a pressão sobre a PEA, acredita ele. É uma avaliação compartilhada pelo economista Fabio Romão, da LCA Consultores, para quem uma situação favorável em termos de renda pode desestimular a busca de ocupação dos filhos para reforçar o orçamento familiar.

Arbache aponta dois outros fatores que tendem a diminuir o potencial de expansão da população economicamente ativa: a taxa de participação das mulheres no mercado de trabalho já é elevada e não há mais uma grande migração da zona rural para as cidades.

Para ele, os analistas têm subestimado o impacto das mudanças demográficas já em curso no país. “A taxa de fecundidade no Brasil caiu de três para dois filhos por mulher em apenas 18 anos, de 1988 a 2005, enquanto em muitos países europeus essa mudança se deu em cerca de 60 anos ou mais”. Trata-se de um fenômeno importante, com efeitos significativos sobre o ritmo de expansão da população em idade ativa, afirma Arbache.

No curto prazo, diz ele, a redução do ritmo da oferta de trabalho ajuda a transmitir uma sensação de bem estar, por ajudar a reduzir o desemprego. No longo, implica em desafios difíceis, por elevar o custo do trabalho, minando a competitividade internacional do país, além de ter efeitos sobre a Previdência. Para lidar com esses problemas, avalia Arbache, será fundamental trabalhar para elevar a produtividade.

Os especialistas ressaltam também o papel essencial dos fatores conjunturais para a queda do desemprego de 6,7% em 2010 para 6% em 2011 - menos da metade dos 12,3% de 2003. O Produto Interno Bruto (PIB) deve ter crescido menos de 3% no ano passado, mas os serviços ainda tiveram um bom desempenho, o que explica o aumento expressivo da ocupação no setor. No segmento de serviços às empresas, o nível de emprego aumentou 6,4% em 2011, um alta mais forte que os já significativos 4,5% do ano anterior.

Arbache diz que o “crescente protagonismo dos serviços na economia”, num momento em que a indústria patina, foi decisivo para a ocupação crescer a um ritmo ainda razoável. Mendonça observa que a construção civil também ajudou - números do IBGE mostram uma alta de 3,9% do nível de emprego no setor no ano passado. Para comparar, o crescimento na indústria de transformação foi de apenas 1,2%.

O professor Claudio Salm, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), diz que a força dos serviços e da construção derrubou o desemprego em 2011, mas ele não acredita que o mesmo pode ocorrer se a economia crescer menos de 3,5% a 4% em 2012. Ele diz que, na primeira metade de 2011, a economia ainda teve um crescimento razoável (de 3,8% em relação ao mesmo período de 2010), e que a desaceleração mais forte ocorreu apenas no segundo semestre. Neste ano, o desemprego tende a subir se o PIB tiver mais uma expansão modesta, na casa de 3%, acredita Salm.

Mendonça e Romão discordam, apostando em nova queda da desocupação em 2012. Para o primeiro, um motivo importante é que não haverá uma grande pressão da oferta de trabalho, em parte pela questão demográfica e em parte porque a condição favorável de emprego e renda tende a fazer com muitas famílias retardem a entrada dos filhos no mercado de trabalho. Romão acredita que a PEA vai crescer 1,6% em 2012, acima do 1,2% deste ano, mas ainda assim menos que o 1,8% estimado para a ocupação. A atividade econômica deve ganhar força no segundo trimestre, decolando especialmente depois de julho, contribuindo para que setores como a indústria e o comércio gerem um volume maior de empregos.

IBGE: expectativa de vida dos brasileiros aumenta mais de 11 anos entre 1980 e 2010

quinta-feira, dezembro 1st, 2011

Infomoney
01 de dezembro de 2011

SÃO PAULO - A população brasileira está vivendo mais. De acordo com pesquisa divulgada nesta quinta-feira (1) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), no período de 1980 e 2010, a expectativa ao nascer da população brasileira aumentou mais de 11 anos, chegando a 73 anos, 5 meses e 24 dias.

Na década de 80, a expectativa de vida dos brasileiros era de 62 anos, seis meses e 25 dias. Em 2000, esse índice passou a ser de 70 anos, cinco meses e 16 dias. Em outras palavras, em 2000, a esperança de vida era de 70,46 anos, passando para 73,17, em 2009, e chegando a 73,48, no ano passado.

Homens x Mulheres
Ainda de acordo com o estudo, as mulheres brasileiras vivem mais do que os homens. Em 2010, a expectativa de vida delas era de 77,32 anos, enquanto que a deles foi de 69,73 anos.

De acordo com o IBGE, os homens têm mais chances de morrer na juventude do que as mulheres, vitos que, no ano passado, a sobremortalidade masculina (relação entre as probabilidades de morte de homens e mulheres, por idade ou grupos de idade) teve seu pico aos 22 anos de idade, quando a chance de falecimento de um homem era 4,5 vezes maior do que a de uma mulher.

Considerando a expectativa de vida dos mais idosos, o estudo aponta uma melhora entre 1980 e 2010. No ano passado, os brasileiros de 60 anos de idade esperavam viver em média até os 81,39 anos, em 1980 a expectativa era de 76,39 anos.

Por sexo, os homens nessa faixa etária esperavam viver até os 75,17 anos em 1980 e expectativa passou para 79,63 anos no ano passado. Entre as mulheres, a expectativa no período passou de 77,63 para 82,97 anos.

A pesquisa
Intitulado de Tábua Completa de Mortalidade, o estudo do IBGE é divulgado anualmente e também traz dados sobre mortalidade e mortalidade infantil.

Quanto à expectativa de vida, o levantamento traz estimativas para idades exatas até 80 anos, sendo que a pesquisa tem sido utilizada pelo Ministério da Previdência Social como um dos parâmetros do fator previdenciário das aposentadorias sob o Regime Geral da Previdência Social.

Escolaridade de 51% dos adolescentes de 14 anos é superior à das suas mães

terça-feira, novembro 29th, 2011

Luciano Máximo | De São Paulo
Valor Econômico - 29/11/2011

Levantamento feito pela ONG Todos pela Educação e pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) mostra que 51,45% dos adolescentes brasileiros com 14 anos de idade ultrapassaram a escolaridade das mães. Entre esses jovens, 71% estão nos três últimos anos do ensino fundamental e 9,5% estudam no ensino médio.

Priscila Cruz, diretora-executiva do Todos pela Educação, explica que os dados servem para indicar a dinâmica da escolaridade numa perspectiva geracional. Os números apontam baixa escolaridade - cerca de sete anos - das mães de alunos de 14 anos e indicam avanço da permanência do jovem na escola. “Pais e mães que estavam na escola na época da universalização, no início dos anos 1990, estudaram menos que seus filhos estudam hoje, que têm mais chances de terminar o ensino médio. Certamente, no futuro, os filhos desses jovens de hoje vão passar seus pais com a chegada na faculdade”, diz.

Segundo a especialista, a elevação da escolaridade verificada com o maior tempo de permanência dos filhos na escola cria um efeito positivo sobre as gerações futuras. “Nenhum pai quer que seu filho tenha uma escolaridade menor do que dele. É difícil encontrar uma mãe que concluiu o ensino médio e um filho que não completou o ensino fundamental”, acrescenta Priscila.

Ao mesmo tempo, diz, a comparação do tempo de escolaridade de pais e filhos pode explicar problemas de desempenho dos alunos. Pais com baixa escolaridade dificilmente participam da vida escolar dos filhos e os incentivam a buscar melhores resultados.

A pesquisa traz ainda a diferença de escolaridade entre famílias de alunos de escolas públicas e privadas. Enquanto, 60% dos estudantes da rede pública estudaram mais que suas mães quando tinham a mesma idade, no sistema particular a mesma comparação é de 10%. Ou seja, as mães dos alunos de escolas pagas estudaram por mais tempo.

IBGE: Casas com apenas um morador passam de 8,6% para 12,1% em uma década

quarta-feira, novembro 16th, 2011

O fenômeno tem sido observado com mais frequência em estados com índices mais altos de envelhecimento da população

Thais Leitão, da Agência Brasil

 

Entre as capitais, Porto Alegre (RS) lidera o ranking de pessoas que moram sozinhas, respondendo por 21,6% das unidades domésticas unipessoais

Brasília - As unidades domésticas com apenas um morador aumentaram de 8,6% para 12,1% na última década. Fenômeno característico dos grandes centros urbanos, ele tem sido observado com mais frequência em estados com índices mais altos de envelhecimento da população: Rio de Janeiro – onde esse tipo de unidade doméstica passou de 11,2% para 15,6% no mesmo período – e Rio Grande do Sul, que subiu de 10,9% para 15,2%.

De acordo com dados dos Indicadores Sociais Municipais do Censo Demográfico 2010, divulgado hoje (16) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), vários motivos explicam esse aumento. Entre eles, a elevação da expectativa de vida – que leva muitos idosos a morarem sozinhos, uma vez que não dividem mais suas casas com parentes –, a verticalização das cidades e a diminuição do tamanho das residências e ainda o aumento das separações conjugais.

Segundo o levantamento, entre as capitais, Porto Alegre (RS) lidera o ranking de pessoas que moram sozinhas, respondendo por 21,6% das unidades domésticas unipessoais.

A gerente de Coordenação de População e Indicadores Sociais, Ana Lucia Sabóia, enfatizou que essa média se aproxima do patamar de cidades europeias. “Isso já é um percentual comparável ao de Barcelona e Lisboa, que são locais onde a proporção de unidades domiciliares unipessoais é bastante elevada”, destacou.

No outro extremo, aparecem os estados do Amazonas e do Maranhão, que mesmo com aumento na última década, ainda detêm os menores percentuais de pessoas que vivem sozinhas. No primeiro estado, a proporção de unidades domésticas unipessoais passou de 5,3% para 8% entre 2000 e 2010, no segundo, de 5,3% para 8,1%.

Além disso, sete em cada dez unidades domésticas no país têm apenas um responsável pelo domicílio. “Entre os municípios das capitais, Florianópolis tem a taxa mais baixa, com 59,9% das unidades com apenas um responsável, ou seja, lá a responsabilidade compartilhada é mais frequente do que nas demais capitais. Já em Salvador, por exemplo, 71,1% são desse tipo, o que indica que lá a noção de responsabilidade [pelo domicílio] está mais concentrada em uma só pessoa”, disse.

Ana Lucia Sabóia acrescentou que o levantamento mostra que existe uma tendência de que em domicílios ocupados por apenas dois indivíduos, a responsabilidade seja atribuída, com mais frequência, a ambos moradores.

Nesses casos, a responsabilidade compartilhada foi observada em 63,4% dos domicílios; em unidades em que também vivem outras pessoas, como filhos e outros parentes, a responsabilidade atribuída a mais de uma pessoa cai para 36,6%.

Região da Barra Funda, em SP, ganhará 16 km a mais de vias

quinta-feira, novembro 3rd, 2011

 

DE SÃO PAULO

Hoje na FolhaUm projeto da Prefeitura de São Paulo, que deve ser enviado à Câmara até o fim do ano, prevê a criação de 16 km de novas vias na região da Barra Funda. A ideia é povoar o bairro da zona oeste a fim de deixá-lo mais ou menos com a cara de Perdizes, logo ao lado.

A informação é da reportagem de Vanessa Correa publicada na edição desta quinta-feira da Folha. A reportagem completa está disponível para assinantes do jornal e do UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha.

De acordo com o texto, o asfalto abrirá caminho para a construção de prédios de apartamentos e escritórios, que substituirão os grandes galpões. Em até 20 anos, o plano é atrair cerca de 60 mil pessoas. A densidade populacional vai passar dos atuais 25 para cerca de 170 habitantes a cada 10 mil m².

Na avaliação oficial, a região possui, além de boa localização, uma infraestrutura adequada para comportar o adensamento. Fica próxima do centro e da marginal Tietê, tem estação de trem, de metrô, rodoviária, corredores de ônibus, dois shoppings –West Plaza e Bourbon– e até estádio de futebol, o do Palmeiras.

  Editoria de Arte/Folhapress  
Venda do direito de construir acima do limite dos terrenos vai financiar as obras da prefeitura na região; adensamento populacional deve levar 60 mil novos habitantes para o bairro da zona oeste nos próximos 20 anos
Venda do direito de construir acima do limite dos terrenos vai financiar as obras da prefeitura na região; adensamento populacional deve levar 60 mil novos habitantes para o bairro da zona oeste nos próximos 20 anos

Para ONU, marca de 7 bilhões de habitantes traz ‘desafios formidáveis’

quarta-feira, outubro 26th, 2011

Órgão vê necessidade de ações no planejamento familiar, educação feminina, consumo, urbanização e meio ambiente

26 de outubro de 2011 
Daniela Milanese, correspondente - O Estado de S. Paulo


LONDRES - O crescimento da população mundial traz “desafios formidáveis”, na avaliação do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA, na sigla em inglês). Depois de atingir 7 bilhões na próxima segunda-feira, 31, o número de habitantes seguirá avançando. A ONU estima que o planeta terá 9,3 bilhões de pessoas em 2050 e mais de 10 bilhões no fim deste século. A maior parte desse aumento virá de países com alta taxa de fertilidade, sendo 39 africanos, nove asiáticos, quatro latino-americanos e seis da Oceania.

“A marca (de 7 bilhões) é uma chamada de despertar, é um lembrete de que precisamos agir agora”, disse Babatunde Osotimehin, diretor-executivo da UNFPA, em entrevista coletiva realizada nesta quarta-feira, 26, em Londres. A agência de cooperação internacional para o desenvolvimento da ONU é responsável por questões populacionais. “Não é uma questão de espaço, mas de distribuição social justa.”

Osotimehin vê a necessidade de ações principalmente no campo do planejamento familiar, educação feminina, consumo, urbanização e meio ambiente. “A educação de meninas e mulheres permite que elas tenham menos filhos do que suas mães e avós tiveram e que escolham esse caminho quando e se puderem.”

Embora as mulheres tenham hoje, em média, menos filhos do que na década de 1960, a população continua a crescer - a taxa de fertilidade passou de 6 para 2,5. Em países pobres, como alguns da África, muitas adolescentes não têm condições de determinar seu destino, daí a necessidade de iniciativas para que o sexo feminino tenha mais poder. “O homem não dará poder para a mulher voluntariamente, ela terá de lutar”, disse, citando o Brasil como um dos países onde as mulheres avançam.

Ainda assim, o diretor-executivo acredita que também é preciso trabalhar a educação masculina sobre o assunto. “É importante que os homens se vejam como pais responsáveis, que tenham crianças que possam sustentar”, afirmou. A queda da mortalidade infantil reduz a percepção de que é preciso ter diversos filhos porque nem todos irão sobreviver, avalia. E políticas de seguridade social também são relevantes para que as famílias sintam-se confortáveis sobre o futuro.

Os avanços tecnológicos, o desenvolvimento da medicina e as campanhas de imunização mudaram o panorama demográfico. A mortalidade infantil recuou de 133 em mil nascimentos nos anos 1950 para 46 em mil entre 2005 e 2010. A expectativa de vida subiu de 48 anos para 68 anos no período. “O tamanho recorde da nossa população pode ser visto como um sucesso para a humanidade, mas nem todos estão se beneficiando”, conclui relatório divulgado hoje pela organização.

Em nações de renda média, a questão da urbanização pesa fortemente sobre a dinâmica da população. O ONU prevê que, até 2050, 70% dos habitantes do planeta viverão nas cidades. Daí a necessidade de fortalecer ações de preservação do meio ambiente, combate ao aquecimento global e busca de cidades mais sustentáveis.

Já em países ricos, principalmente na Europa e o Japão, prevalece a questão do envelhecimento da população. Os governos se veem diante do desafio da falta de mão de obra, o que potencialmente afeta a qualidade de vida da geração mais velha.

“Em qualquer país que você vá, tanto desenvolvido como em desenvolvimento, as questões de acesso justo aos recursos são aquelas com as quais sempre nos confrontamos, especialmente entre os jovens”, disse Osotimehin. “Da Primavera Árabe aos acampamentos em Wall Street, as pessoas estão pedindo mudanças. Eles são jovens, parte da mais jovem geração que o mundo conheceu, e eles são determinados.”

Riqueza dos brasileiros hoje equivale à dos americanos em 1925

terça-feira, outubro 25th, 2011

Sílvio Guedes Crespo

Radar Econômico - O Estado de São Paulo

Número do dia: US$ 5 trilhões

É o valor da riqueza de todos os brasileiros, segundo pesquisa do Credit Suisse

O Credit Suisse incluiu no meio de um estudo sobre riqueza no mundo algumas informações inusitadas. Por exemplo, o banco notou que a população brasileira adulta possui hoje um patrimônio total de cerca de US$ 5 trilhões, o que equivale ao dos americanos em 1925.

Naquela época a população dos Estados Unidos era de 116 milhões de habitantes. No Brasil, havia 191 milhões de pessoas em 2010, segundo o censo mais recente, o que quer dizer que a riqueza por pessoa ainda é menor do que nos EUA de 1925.

Apesar de o Brasil estar atrasado em relação aos Estados Unidos nesse quesito, o país latino-americano atualmente avança em um ritmo muito mais rápido do que o norte-americano caminhava naquela época.

Se a economia andar como o previsto, estima o Credit Suisse, daqui a cinco anos a riqueza dos brasileiros somará US$ 9,2 trilhões, mesmo nível registrado nos EUA em 1948.

Em outras palavras, o aumento da riqueza dos brasileiros nos próximos cinco anos é comparável ao ganho dos americanos ao longo de 23 anos.

O gráfico abaixo foi retirado do estudo e mostra que outros países emergentes também estão caminhando mais rápido do que os EUA, mas ainda estão muito defasados.

A população de todo o continente africano, por exemplo, tem hoje uma riqueza equivalente à dos EUA na primeira década do século 20. Daqui a cinco anos, a África deve atingir o nível que os EUA tinham no final da década de 1920.

global_wealth_report_2011_credit_suisse

 

 

 

 

 

 

O Credit Suisse projeta um crescimento da riqueza no Brasil em ritmo mais rápido do que a média mundial. Enquanto o patrimônio das pessoas no País deve quase dobrar em cinco anos, no mundo o aumento deve ser de 50%, passando de US$ 231 trilhões em 2011 para US$ 345 trilhões em 2016.

Em termos proporcionais, 2% da riqueza da população adulta mundial está hoje nas mãs de brasileiros; em 2016, essa fatia deve ser de 2,7%, na projeção do Credit Suisse.

Os EUA devem manter sua supremacia. Hoje, a população do país possui US$ 58 trilhões; em cinco anos, esse valor tende a subir para US$ 82 trilhões.

São Paulo tem 45% de população vinda de fora

sexta-feira, outubro 7th, 2011

O estudo analisou a inserção social dos migrantes nacionais e estrangeiros residentes na região.

Agência Estado 

Segundo o IBGE mais de 160 milhões de brasileiros vivem em cidades

São Paulo - A Região Metropolitana de São Paulo tem aproximadamente 45% de sua população adulta originários de outros estados ou países, proporção só superada pelo Distrito Federal, onde 75% dos habitantes não nasceram na capital federal. A constatação é do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), com o estudo Perfil dos Migrantes em São Paulo, divulgado hoje. O estudo analisou a inserção social dos migrantes nacionais e estrangeiros residentes na região.

A partir de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2009, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os pesquisadores avaliaram questões como a origem, a ocupação, a renda e a escolaridade dessa população. O estudo traz ainda dados sobre os núcleos familiares e o acesso dos migrantes às tecnologias da informação e comunicação (TIC). A Pnad 2009 considera dez regiões metropolitanas que concentram mais de 30% da população brasileira. Na maior delas, São Paulo, residem 10% dos brasileiros.

Para analisar a inserção social dos migrantes que afluíram para os grandes centros urbanos, os pesquisadores do Ipea optaram por concentrar a análise na população de 30 a 60 anos, pois, “nessa idade, a vida profissional das pessoas tende a estar mais definida”. E foi considerando o local de nascimento dessa faixa etária da população - se dentro de determinado estado ou fora dele - que ficou evidenciado serem as regiões metropolitanas do Distrito Federal e de São Paulo os polos com maiores contingentes de migrantes.

O estudo indica que o caso do Distrito Federal é peculiar em dois sentidos: em primeiro lugar, é uma cidade nova, criada há cerca de 50 anos para ser a sede do governo federal. Por esse motivo, houve forte incentivo migratório. Em segundo lugar, o contingente de migrantes no Distrito Federal está superestimado em relação aos das outras regiões metropolitanas porque trata-se de uma cidade-estado: quem não nasceu na cidade, também não nasceu no estado.

Nas demais regiões metropolitanas, diversamente, os migrantes intraestaduais - ou seja, aqueles que nasceram fora da região metropolitana, mas dentro do estado, não foram considerados como migrantes, devido às limitações dos dados da Pnad. Por isso, São Paulo emerge como a região metropolitana que atrai com maior intensidade pessoas de todas as regiões brasileiras, além de estrangeiros. As informações são da Agência Brasil.