Posts Tagged ‘renda’

8 milhões querem comprar casa

terça-feira, fevereiro 19th, 2013

Nice de Paula
O Globo - 19/02/2013

Número é maior do que o de famílias que pagam aluguelcasa própria continua sendo o maior sonho da classe média brasileira, mas um dos principais objetivos de quem planeja comprar um imóvel não é fugir do aluguel e sim de outros membros da família. Pesquisa nacional do Instituto Data Popular mostra que, embora menos de 18% dessa parcela da população paguem aluguel, 7,9 milhões de famílias querem comprar sua casa própria nos próximos dois anos, conforme antecipou ontem Ancelmo Gois em sua coluna no GLOBO.

O número representa 25% das 31,4 milhões de famílias que compõem classe média. Ou seja, é maior do que a fatia que paga aluguel. No último levantamento, realizado em 2009, o imóvel aparecia nos planos de apenas dois milhões de famílias.

- O problema não é fugir do aluguel, mas criar um patrimônio, dar uma segurança para a família, e principalmente ser dono do próprio nariz, já que muitos são casados e vivem com os pais ou sogros. O ditado “quem casa quer casa” nunca foi tão verdadeiro - diz Renato Meirelles, diretor do instituto.

A classe média - grupo com renda familiar mensal entre R$ 1.110 e R$ 3.875, segundo a pesquisa - já responde por 54% dos domicílios brasileiros, e ganha mais 1,2 milhão de famílias a cada ano, por ascensão social ou novos casamentos.

Segundo Meirelles, o salto no número dos que pretendem comprar um imóvel foi influenciado pelo programa Minha Casa, Minha Vida.

- O programa mostrou para essa parcela da população que o sonho da casa própria é possível. Acho 7,9 milhões um número muito alto. Se um terço se realizar já será muita coisa.

O número reflete o otimismo do brasileiro. Basta ver que, desde sua criação, em 2009, o programa Minha Casa, Minha Vida financiou 1,337 milhão de imóveis. Das famílias que planejam comprar imóvel, 80% pretendem recorrer ao financiamentos e as outras dizem que vão pagar à vista ou por meio de consórcio.

O Data Popular tomou por base dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE. Mostra que 75% da classe média moram em imóvel próprio e 7% em residências cedidas. O Nordeste tem o maior percentual de famílias com residência própria: 80%. No Sudeste, são 74%

O critério para definir classe média foi o mesmo usado pela Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência. Por esse indicador, famílias com renda média mensal de até R$ 1.109 são consideradas classe baixa; e aquelas com ganho a partir de R$ 3.876 são da classe alta.

Investimento imobiliário será arma contra inflação em 2013

segunda-feira, dezembro 3rd, 2012

Para banco, investimento no mercado de imóveis oferece proteção contra a inflação dos serviços, a mais preocupante para os poupadores
Julia Wiltgen, de Exame.com

São Paulo – O mercado espera que a inflação pelo IPCA feche o ano em 5,43%, mas a inflação que mais deve preocupar os poupadores não é esta, mas a inflação dos serviços. Estudo encomendado pelo Banco Máxima à consultoria MB Associados prevê que a inflação de serviços deve fechar o ano em 8%, e 2013, em 9%. Como proteger o dinheiro de uma corrosão tão grande? A resposta, para o banco, está nos investimentos lastreados em imóveis.

A principal delas são os fundos imobiliários, fundos com cotas negociadas em Bolsa que investem em imóveis corporativos como shopping centers, prédios de escritórios e galpões industriais. Aqueles que buscam obter renda com o aluguel normalmente têm seus contratos corrigidos pelo IGP-M. “O IGP-M capta melhor a inflação dos serviços do que o IPCA, que é um índice muito mais voltado para os produtos”, diz o agente autônomo Arthur Vieira de Moraes, especialista em fundos imobiliários.

Além disso, os aluguéis advindos de fundos imobiliários são isentos de IR para a pessoa física, o que incrementa ainda mais a rentabilidade. Apenas o ganho de capital com a venda das cotas em Bolsa é tributado. “A demanda por fundos imobiliários está alta. Este investimento deve dar a tônica para 2013 e 2014”, observa Claudia Martinez, diretora comercial do Banco Máxima. Ela lembra ainda que, além da correção pelo IGP-M, aluguéis são revisados para cima de tempos em tempos, dependendo do aquecimento do mercado.

O banco já tem um fundo totalmente vendido, o Máxima Renda Corporativa, que deve estrear na Bolsa no início de 2013, e outro que ainda será formatado e aberto para captação no ano que vem. Ambos investem em diferentes partes do Edifício Sloper, no Centro do Rio de Janeiro, cuja locatária, a varejista Leader Magazine, tem 70% do seu capital nas mãos do BTG Pactual.

Papéis com lastro em imóveis

No mercado imobiliário, há ainda duas outras opções isentas de IR. As Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI). As primeiras são garantidas pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) no valor de até 70.000 reais, o que significa que aplicações até esse valor são reembolsadas ao investidor em caso de quebra do banco emissor do papel.

As CRIs, que costumam ter valor de face maior e ser destinadas a investidores qualificados (que tem mais de 300.000 reais em aplicações financeiras) não contam com essa proteção, mas têm lastro em imóveis, que funcionam como sua garantia. Embora o pequeno investidor geralmente não tenha acesso a esse tipo de papel, existem fundos imobiliários especializados em investir em CRIs e LCIs, ou seja, apenas em papéis, não em imóveis físicos. Os rendimentos desses fundos também são isentos de IR.

Muitas CRIs remuneram uma taxa de juros prefixada mais a inflação para o IGP-M, o que é bastante interessante para o investidor que tem acesso a elas ou o cotista de fundos que aplicam nesses papéis, ao menos em termos de rentabilidade. As LCIs, porém, costumam ser pós-fixadas, isto é, remunerar um percentual do CDI.

No Banco Máxima é possível obter LCIs que paguem entre 91% e 100% do CDI para prazos entre 60 dias e um ano, totalmente isentos de IR. Uma LCI que pague 91% do CDI equivale a um CDB que pague 117,4% do CDI, de acordo com o banco.

Cuidados com os fundos imobiliários

Tanto os fundos imobiliários de aluguéis quanto aqueles que investem em recebíveis imobiliários – notadamente as CRIs – podem oferecer uma boa proteção contra a alta inflação que atinge o poupador. No entanto, convém ter alguns cuidados. Em primeiro lugar, prefira os fundos cujos contratos de aluguel são corrigidos pelo IGP-M ou que invistam em CRIs que paguem um percentual mais IGP-M, a fim de incorporar melhor a correção pela inflação. “Fundos cujos contratos são reajustados pelo IPCA podem, portanto, não ser a melhor opção”, diz Arthur Vieira de Moraes.

Além disso, um estudo publicado recentemente pela consultoria Colliers mostrou que o mercado de escritórios de alto padrão deve atingir a saturação na cidade de São Paulo já em 2013, uma vez que já houve um grande aumento da oferta desse tipo de imóvel em 2012 e haverá novas entregas no ano que vem.

“É bom acender a luz amarela com os fundos que investem nesse tipo de imóvel. O mercado até que absorveu bem os imóveis entregues em 2012, atingindo um equilíbrio, com uma taxa de vacância normal, entre 5% e 6%. Mas a demanda teria que manter o ritmo. Se o crescimento do país estagnar ou se houver recessão, a vacância vai aumentar e os aluguéis vão estagnar ou até cair. No mercado de escritórios, não deve mais haver muitos reajustes de preços. O gestor que conseguir manter o valor do aluguel já vai se dar bem”, explica Moraes.

Uma esperança é o fato de que São Paulo e Rio continuam atraindo capital estrangeiro. No caso da capital fluminense, a demanda deve continuar forte, principalmente nas áreas mais badaladas e com menos espaço para construir, como Centro, Copacabana e o eixo Ipanema-Leblon. Os eventos esportivos que a cidade vai sediar, bem como projetos como o Porto Maravilha, contribuem para valorizar a cidade que, segundo a Colliers, só deve entrar em estágio de superoferta em 2015.

“O Rio tem pouco espaço para construir e muitos prédios antigos nas regiões mais desejadas. Empresas que precisam de mais infraestrutura têm uma oferta pequena de imóveis e há muito espaço para readequar esses edifícios por meio do retrofit. Só tem que tomar cuidado com a Barra da Tijuca, que é um bairro com alta vacância e onde ainda há muito espaço para construir”, diz Vieira de Moraes, que lembra que em São Paulo, o equivalente à Barra seria Alphaville, que também demanda cuidado em função do aumento de vacância.

Para ele, como a renda do brasileiro continua crescendo, os imóveis ligados ao consumo, como os shopping centers e os galpões logísticos, têm boas perspectivas. Mas estes últimos também demandam cuidado. “Também houve alguma especulação e bastante entrega no mercado de galpões. Nem tudo está sendo absorvido”, observa

Shopping faz estudos para dobrar de tamanho

sexta-feira, novembro 9th, 2012

Valor Econômico - 09/11/2012

O Shopping Metrô Itaquera fica a 200 metros do estádio do Corinthians e sua direção faz estudos para dobrar de tamanho para suprir a nova demanda. Com 200 lojas, o centro comercial emprega 3,5 mil pessoas e atende outras 65 mil por dia, sendo 70% delas provenientes do metrô.

A expectativa do superintendente do shopping, Bruno Câmara, é de que até julho de 2014 o movimento cresça cerca de 40%. “Isso não tem a ver só com a Copa, mas com as transformações da região e do aumento do poder aquisitivo das pessoas”, afirma.

Hoje a renda média familiar do público do shopping é de R$ 2.898, segundo pesquisa da administradora, enquanto a média em São Paulo chega a R$ 5.544. Além de dobrar o número de lojas, o estacionamento do shopping, que também poderá ser utilizado por torcedores, passará de 2,5 mil vagas para 3,3 mil. “Caso o plano se concretize, abriríamos 2,5 mil postos de trabalho”, afirma Câmara.

Desde a inauguração em 2007, o crescimento do movimento no shopping é constante e chega a 20% ao ano. “É uma região carente de entretenimento e somos a única opção”, diz. Hoje o centro comercial dá curso de inglês para funcionários e lojistas e pretende, durante o mundial, montar uma estrutura de “fan fest” para que torcedores assistam aos jogos. “Seremos uma opção para quem for acompanhar alguém que vem ao estádio”, afirma.

Na principal rua de comércio de Itaquera, a Gregório Ramalho, os comerciantes também esperam melhora do movimento. A via é marcada pela presença de locutores de loja e por uma ponto de ônibus, onde há grande movimentação de pessoas. O comércio, no entanto, ainda se ressente da mudança de endereço, no fim de 2011, da subprefeitura, que ficava na rua, e atraía milhares de pessoas para o local. Com a transferência do prédio público, o movimento, segundo os comerciantes ouvidos pelo Valor, caiu cerca de 30%.

Na loja de Leandro Ferrari há produtos com a data de validade expirando, vendidos, de acordo com ele, a até 70% do preço de supermercados. “Só vendo o que é de graça”, diz ele, que também conta com um locutor que atrai os clientes na calçada e destaca as promoções da loja. Para a gerente de uma loja de malas, Cristiana dos Santos, a queda do movimento após a saída da subprefeitura da rua deve ser compensada pelo mundial de futebol. “Vamos receber muitos turistas, que vão querer comprar malas de melhor qualidade”, almeja.

Já o taxista Carlos Emídio, que trabalha em um ponto da rua, não acredita em maior movimentação por causa da presença de turistas na região. “Isso vai beneficiar só a região do estádio. Há muita ilusão com a Copa e para nós isso não vai mudar nada.”

DNA Paulistano - São Paulo está mais estudiosa, rica e medrosa

segunda-feira, outubro 8th, 2012

FOLHA DE SÃO PAULO

São Paulo está mais estudiosa e com mais dinheiro no bolso do que quatro anos atrás. Mas também com mais medo da violência, revela o Datafolha.

Na comparação com pesquisa de 2008, saltou de 16% para 20% o número de pessoas que concluíram o ensino superior. Também cresceu, de 33% para 38%, o percentual de pessoas na classe B.

Junto com essa elitização, veio a preocupação com a violência. O item pulou do sétimo lugar entre os principais problemas para os paulistanos, em 2008, para o segundo lugar, superando o item trânsito.

No topo da escala do medo estão as regiões leste (17%) e oeste (14%). Para especialistas, o aumento da sensação de insegurança está relacionado a crimes patrimoniais que ganharam repercussão, como arrastões a condomínios e a restaurantes.

Já a elevação do grau de instrução pode estar ligada ao acesso das classes C e D à universidade. Mas o principal problema continua sendo asfalto e calçadas ruins. De 13% em 2008, pulou agora para 18%.

Casa popular poderá custar até R$ 190 mil

sexta-feira, outubro 5th, 2012

Imóvel de até R$ 190 mil no Minha Casa
VÂNIA CRISTINO
Correio Braziliense - 05/10/2012

Novo teto vale para todas as cidades do Distrito Federal. Conselho do FGTS aumentou também os subsídios concedidos a famílias com renda mensal de até R$ 1,6 mil

O Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) aumentou ontem o valor máximo dos imóveis que podem ser financiados no âmbito do programa Minha Casa, Minha Vida. Nas cidades do Distrito Federal e das regiões metropolitanas de São Paulo e do Rio de Janeiro, o teto passou de R$ 170 mil para R$ 190 mil. Nas capitais dos demais estados e nos municípios com mais de um milhão de habitantes, o valor máximo a ser financiado passa de R$ 150 mil para R$ 170 mil.
Nas localidades que têm população acima de 250 mil habitantes (até 1 milhão) e do entorno do DF, o teto subiu de R$ 130 mil para R$ 145 mil. Naquelas com mais de 50 mil habitantes (até R$ 250 mil), o valor máximo foi elevado de R$ 100 mil para 115 mil. Nas demais, o teto, que era de R$ 80 mil, passará agora para R$ 90 mil.

Para facilitar ainda mais a aquisição dos imóveis, o conselho elevou de R$ 23 mil para R$ 25 mil o subsídio dado às famílias com renda mensal de até 1,6 mil, que integram a primeira faixa do programa. Além disso, foi feita uma ampla reformulação das classes intermediárias de renda, sendo que, no estrato mais elevado, de ganhos entre R$ 3,27 mil e R$ 5 mil, a taxa máxima de juros dos financiamentos caiu de 8,16% para 7,16% ao ano. Nas demais faixas, os juros não foram alterados. De acordo com o ministro do Trabalho, Brizola Neto, que preside o Conselho Curador, a queda foi possível a partir da redução dos spreads bancários.

Os subsídios do Minha Casa, Minha Vida caem à medida que a renda familiar aumenta. A subvenção só é concedida até a faixa de R$ 3,27 mil. O governo entende que as famílias que ganham mais do que esse montante por mês têm condições de pagar pela casa própria. O limite máximo de renda que permite que as pessoas se enquadrem no programa é de R$ 5 mil.

Custo
A elevação do subsídio para a camada mais carente terá um custo adicional de R$ 1,1 bilhão no ano que vem para o FGTS. Como as novas regras só foram aprovadas agora, o impacto financeiro em 2012 será limitado a R$ 300 milhões. O ministro do Trabalho defendeu a medida. Ele assegurou que, mesmo com o aumento da despesa, não existe risco de que a remuneração devida aos trabalhadores, que corresponde à Taxa Referencial de Juros (TR) mais 3% ao ano, seja comprometida.
O recurso para o subsídio, explicou o ministro, sai das aplicações financeiras, ou seja, dos recursos que sobram todo ano e são, obrigatoriamente, aplicados em títulos do governo. “O fundo não está ameaçado, muito menos a remuneração do trabalhador. Segundo ele, a decisão permite que o FGTS cumpre a função social prevista em lei. “As medidas são importantes para impedir a redução no ritmo da construção civil, pois informações da Caixa Econômica Federal mostram uma queda no número de lançamentos imobiliários”, afirmou.

Minha Casa, Minha Vida muda para atingir classe média

terça-feira, setembro 25th, 2012

FSP
TONI SCIARRETTA DE SÃO PAULO
NATUZA NERY DE BRASÍLIA

O governo Dilma prepara mudanças para expandir o foco do programa Minha Casa, Minha Vida, cujo limite de financiamento habitacional nas capitais chega a R$ 170 mil e pouco atende a classe média devido ao aumento nos preços dos imóveis.

Segundo o presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Hereda, a proposta é reduzir os juros e aumentar os limites de renda familiar que podem acessar o programa e os valores financiados.

Hoje, só famílias com renda de até R$ 5.400 mensais se enquadram no programa, que utiliza recursos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e tem juros máximos de 8,16% ao ano.

Para a faixa que ganha de R$ 3.101 a R$ 5.400 (faixa 3), a nova taxa deve cair de 8,16% ao ano para 7,16%.

Hereda não disse qual a taxa será dada para as famílias com renda entre R$ 1.600 e R$ 3.100 (faixa 2), que hoje têm juros de 6% ao ano.

Para as famílias com renda de até R$ 1.600, o governo compra o imóvel e subsidia até 95% do valor.

REAJUSTE NOS LIMITES

“O governo, através do Ministério das Cidades, está propondo reajuste tanto nos juros quanto nos limites. Recentemente tivemos alteração nos valores do Minha Casa, Minha Vida na faixa 1 [renda até R$ 1.600]. É natural que a faixa 2 e 3 tenham também reajuste”, disse.

Na sexta, a Caixa anunciou uma injeção de R$ 13 bilhões do governo, sendo que R$ 3 bilhões serão destinados ao financiamento de material de construção, dentre outros, para clientes ligados ao Minha Casa, Minha Vida.

Para João Crestana, ex-presidente do Secovi (Sindicato da Construção), as mudanças estudadas devem ampliar a participação da classe média urbana no programa.

“Está começando a ficar difícil utilizar o programa, porque a classe média subiu de patamar. Ou você retira a classe média, o que é uma temeridade, ou ajusta para que possa atender mais gente. O governo está muito sensível a isso”, disse Crestana.

Minha Casa, Minha Vida também terá custo menor

terça-feira, setembro 25th, 2012

O Globo - 25/09/2012
Juro cairá de 8,16% para 7,16% ao ano. Caixa abrirá 2 mil agências até 2014

Paulo Justus

SÃO PAULO O governo deve anunciar nos próximos dias mais uma redução de juros para o programa Minha Casa, Minha Vida. O Ministério das Cidades vai propor, na reunião do Conselho Curador do FGTS, depois de amanhã, o corte de 8,16% para 7,16% ao ano nos juros para a faixa 3 do programa - que atende pessoas com renda de R$ 3.100,01 a R$ 5.000. A informação foi dada ontem pelo presidente da Caixa Econômica Federal (CEF), Jorge Hereda, e confirmada pelo ministério:

- O governo está propondo ajuste tanto na tabela de juros, quanto no limite de subsídio e nos limites por estado. Essa tabela está sendo discutida no Ministério das Cidades com o Conselho Curador do FGTS.

Segundo ele, em outubro o Minha Casa, Minha Vida deve chegar a dois milhões de habitações contratadas, sendo que mais de um milhão entregues. Há ainda outras 680 mil casas em fase de construção. Desse total, entre 95% e 99% são administrados pela Caixa:

- Temos conseguido manter um crescimento no crédito do Minha Casa, Minha Vida.

crédito deve crescer 42%

O banco informou que pretende fechar o ano com R$ 100 bilhões em operações para o crédito imobiliário, contra concessões de R$ 80 bilhões no ano passado. A meta da Caixa é que a carteira de crédito do banco cresça 42%, neste ano, e 40%, em 2013 - bem acima da média das instituições privadas, em torno de 15%. Esse crescimento será possível em parte graças ao aporte de R$ 13 bilhões feito pelo Tesouro na semana passada. Hereda disse que o banco também busca fontes de financiamento para suas operações no exterior.

Parte do atendimento ao novo público será feito por meio da expansão física do banco, que pretende abrir mais duas mil agências até o fim de 2014 e contratar mais 12 mil funcionários até o ano que vem.

A Caixa lançou ontem a linha de Financiamento à Infraestrutura e ao Saneamento (Finisa) para projetos do setor público e privado no país. O banco oferecerá R$ 6 bilhões para esses empréstimos, que terão prazo de até 20 anos para serem amortizados, com até cinco anos de carência.

Percentual de famílias com dívidas chega a 59,8%

quarta-feira, agosto 29th, 2012

Em julho, esse percentual estava em 57,6%

Kelly Oliveira, da Agência Brasil

Caneta e calculadora: a pesquisa mostra ainda que 17,4% dos consultados declararam ter mais da metade de sua renda comprometida com pagamento de dívidas

Brasília - O percentual de famílias com dívidas (59,8%) aumentou em agosto de 2012 pelo terceiro mês consecutivo. A informação é da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, feita Confederação Nacional do Comércio (CNC). Em julho, esse percentual estava em 57,6%.

Apesar desse crescimento seguido, o número de famílias endividadas ficou em patamar inferior ao observado em agosto de 2011 (62,5%). A pesquisa é feita todo mês, desde janeiro de 2010. Os dados são coletados em todas capitais dos estados e no Distrito Federal, com cerca de 18 mil consumidores.

Segundo a CNC, são vários os tipos de dívidas, como cheque pré-datado, cartão de crédito, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguros.

“As políticas de estímulos ao crédito e à aquisição de bens duráveis continuam exercendo impacto moderado sobre o número de famílias endividadas”, diz relatório da CNC.

Para a faixa com renda inferior a dez salários mínimos, o percentual de famílias com dívidas alcançou 61,1% em agosto de 2012, ante 64,2% de igual mês do ano passado e 58,6% em julho deste ano.

Para as famílias com renda acima de dez salários mínimos, o percentual de endividadas passou de 50,5%, em julho de 2012, para 53,6% em agosto de 2012. Em agosto de 2011, esse percentual era 52,6%.

No caso das dívidas ou contas em atraso, houve avanço entre julho e agosto e recuo na comparação anual. O percentual de famílias inadimplentes alcançou 21,3% em agosto de 2012, ante 21% em julho de 2012 e 24,4% em agosto de 2011.

Na faixa de renda inferior a dez salários mínimos, o percentual de famílias inadimplentes alcançou 23,7% em agosto de 2012, ante 22,4% em julho de 2012 e 26,1% no mesmo mês do ano passado.

No grupo com renda superior a dez salários mínimos, o percentual de inadimplentes alcançou 10,9% neste mês, ante 11,4% em julho de 2012 e 14,5% em agosto de 2011.

A pesquisa da CNC mostra também que o percentual de famílias que declararam não ter condições de pagar suas contas ou dívidas em atraso recuou. Em agosto de 2012, 7,1% das famílias declararam não ter condições de pagar seus débitos, ante 7,3% em julho de 2012 e 8,2% em agosto de 2011.

O tempo médio de atraso foi 58,4 dias em agosto de 2012, superior aos 57,5 dias de agosto de 2011. A parcela média da renda comprometida com dívidas recuou na comparação anual, ao passar de 30% para 29,6%.

A pesquisa mostra ainda que 17,4% dos consultados declararam ter mais da metade de sua renda comprometida com pagamento de dívidas.

O cartão de crédito foi apontado como um dos principais tipos de dívida por 73,2% das famílias que atrasam o pagamento de contas, seguido por carnês (18,9%), e, em terceiro, por financiamento de carro (12,4%).

Famílias comprometem até 42% da renda com dívidas, diz estudo

terça-feira, agosto 14th, 2012

Consumidores, em especial os de classe C, têm três dívidas em média; 38% não consegue pagar cartão de crédito no vencimento
14 de agosto de 2012 | 10h 00

O Estado de São Paulo
Hugo Passarelli, do Economia & Negócios

SÃO PAULO - As famílias brasileiras, em especial as de classe C, estão mais endividadas que o recomendado pelos especialistas. Estudo da Proteste (Associação Brasileira de Defesa do Consumidor) mostra que as dívidas comprometem, em média, 42% da renda familiar, sendo que o limite ideal é de 30%. Na avaliação do órgão, esse grau de comprometimento é resultado da combinação entre juros altos, falta de planejamento nas finanças e as facilidades em se obter crédito.

A Proteste entrevistou 200 famílias nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro, concentradas principalmente entre as classes C (60,5% da amostra) e B (27,5%). A renda e dívida médias apuradas foram de R$ 2.401 e R$ 1.009,45, respectivamente. Desdobrado, o dado mostra que a maior parte (56,6%) tem dívidas de até R$ 500. Uma parcela considerável (38%), porém, deve mais de R$ 5 mil, o que explica a média situada em R$ 1 mil.

Um quinto dos pesquisados dizem que contraíram uma nova dívida desde abril, sendo que quase metade desse porcentual o fez para quitar outros débitos. Entre dívidas assumidas há mais tempo, 30% dos entrevistados disseram que ainda estão inadimplentes, mas a expectativa é quitar os valores no médio prazo. Os valores devidos impactam na qualidade de vida dos entrevistados: 57% dizem que limitaram os gastos em lazer, cultura, diversão ou consumo de bens, entre outros.

O uso cartão de crédito é outra fonte de problemas à saúde financeira das famílias - 38,1% delas afirmaram não conseguir pagar as faturas na data de vencimento, sendo que o gasto médio é de até R$ 500. Com isso, elas entram na modalidade mais cara de endividamento. Em outro levantamento recente, o Proteste mostrou que o juro do cartão de crédito pode chegar a 323% ao ano no País, a maior taxa cobrada entre 6 países da América Latina.

O órgão também calculou o Custo Efetivo Total (CET) das dívidas, que considera o valor do crédito concedido, o número de parcelas, a taxa de juros, tributos, tarifas, entre outros custos decorrentes das operações de crédito. A conclusão é que esse indicador chega a 197,47% ao ano, quando considerado a média das dívidas, e a 189,19% ao ano entre as famílias. Para fazer a simulação, não foram considerados os financiamentos imobiliários e parcelamentos sem juros.

“Essa alta taxa de juros tem relação direta com a quantidade de financiamentos assumidos pelas famílias, visto que foi declarado como principal motivo para contratar um novo empréstimo o fato de não terem conseguido pagar dívidas ou empréstimos anteriores”, diz a Proteste na divulgação da pesquisa.

O estudo também aponta que o crédito de consumo e informalidade também são marca do mercado de crédito brasileiro. Entre os 10 principais credores, as pessoas físicas (como amigos ou parentes) ocupam o quarto lugar. Na lista, há quatro bancos e cinco são lojas.

Renda sobe e consumo se mantém aquecido

terça-feira, julho 24th, 2012

Sergio Lamucci | De São Paulo
Valor Econômico - 24/07/2012

A capacidade de consumo do brasileiro, alvo de debate intenso nos últimos meses, dá sinais de estar longe do esgotamento. O comércio varejista ampliado continua a crescer em ritmo considerável, de 5,8% no acumulado de janeiro a maio, apesar do recuo de 0,8% das vendas de veículos e autopeças no período.

Esse desempenho ainda razoável se dá mesmo com a renda disponível do consumidor disputada por uma série de novas despesas, do financiamento imobiliário a vários serviços, como celular, TV a cabo, acesso à internet, educação, previdência privada e passagens aéreas.

Para alguns analistas, está em curso uma mudança no mix de consumo do brasileiro, que ainda tende a permanecer em crescimento robusto, amparado num cenário de desemprego baixíssimo, em que os salários ainda crescem com força - em maio, a renda nas seis principais regiões metropolitanas avançou 4,9% em relação a maio do ano anterior, já descontada a inflação, e os reajustes salariais obtidos pelos trabalhadores no primeiro semestre continuaram expressivos. Há sinais de piora no emprego na indústria, mas, pelo menos por enquanto, o cenário não é dos mais graves. O comprometimento de renda com o pagamento de dívidas aumentou e a inadimplência incomoda um pouco, mas não travou o consumo.

O economista-chefe do Bradesco, Octavio de Barros, acha um erro a avaliação de que o consumo está decepcionando no Brasil. “O desemprego está nas mínimas históricas, houve aumento forte do salário mínimo e a confiança do consumidor segue em níveis elevados. O Brasil tem aquilo que quase todos os países não têm no momento: demanda de consumo.”

O mercado de trabalho continua firme. Em maio, a taxa de desemprego ficou em 5,5%, na série com ajuste sazonal da LCA Consultores, o nível mais baixo da série iniciada em 2002. Com a desocupação nas mínimas históricas, a perspectiva é de alta na renda. Em abril e maio, o rendimento real caiu levemente na comparação com o mês anterior, mas as perspectivas continuam favoráveis. A menor oferta de mão de obra, com os jovens ficando mais tempo na escola, ajuda a manter o desemprego baixo e a renda pressionada, diz Barros. Ele projeta expansão de 3,9% para a renda real neste ano, mais que os 3% de 2011.

Para ele, um ponto fundamental é que, desde a mais recente Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do IBGE de 2008/2009, “houve imensa mudança na estrutura de gastos das famílias”. O número de celulares, por exemplo, mais do que dobrou desde 2007, atingindo 242,3 milhões no ano passado. Além das despesas com celular, o consumidor tem uma série de novos gastos que disputam renda com os bens duráveis (automóveis e eletroeletrônicos, por exemplo) - pagamento da mensalidade da faculdade privada, acesso à internet, seguros e previdência privada.

Mesmo com essa maior concorrência, as vendas no varejo, que mostram o consumo de bens, seguem firmes, como ressalta o economista Aurélio Bicalho, do Itaú Unibanco. O comércio varejista restrito cresceu 9% no acumulado de janeiro a maio e 7,3% em 12 meses, enquanto o ampliado (que inclui veículos, autopeças e material de construção) aumentou 5,8% no ano e 5,3% em 12 meses.

Bicalho chama a atenção para as vendas de equipamentos e materiais de informática e escritório, que avançaram 28,1% no acumulado do ano. Mesmo as vendas de móveis e eletrodomésticos, que em maio recuaram 3,1% sobre abril, feito o ajuste sazonal, ainda cresceram 13,8% nos cinco primeiros meses de 2012. O mercado de trabalho aquecido e os juros em queda apontam para um quadro favorável para o consumo na segunda metade do ano, acredita.

O desempenho mais fraco do varejo ampliado em relação ao restrito se deve ao mau resultado das vendas de veículos neste ano. Elas perderam fôlego, porque muita gente comprou automóvel nos últimos anos e por causa do aperto nas condições de crédito pelos bancos, uma reação à alta mais forte da inadimplência no segmento. Essa onda de calotes foi decorrência do período em que as instituições financeiras relaxaram os critérios de concessão de crédito, emprestando muitas vezes em 60 meses ou até mais sem entrada.

As vendas de veículos, porém, se recuperaram com força em junho, como efeito da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). A média diária de licenciamentos de automóveis e comerciais leves aumentou 35,4% sobre maio, segundo cálculos da LCA.

“Com isso, as vendas no varejo ampliado em junho devem subir algo como 5% em relação a maio”, estima o economista-chefe da LCA, Bráulio Borges. Em julho, até dia 19, a média diária de licenciamentos de automóveis e comerciais leves registra queda de 0,7% sobre junho, ainda assim mantendo-se num nível elevado, muito superior ao do período de janeiro a abril.

Barros considera normal que haja um crescimento mais moderado das vendas de veículos nos próximos anos. Além de muitos consumidores já terem adquirido automóveis, também há um novo mix de consumo entre carros e imóveis, diz ele. Foi o que ocorreu no México, quando o crédito imobiliário aumentou com força, e também parece estar em curso no Brasil, com o ritmo de financiamento de automóveis avançando a um ritmo mais lento (ver tabela). O crédito imobiliário, que envolve valores mais elevados, é a dívida encarada com prioridade pelo consumidor, com inadimplência muito baixa, lembra Barros.

Um ponto sobre o qual há mais dúvidas é em relação ao grau de endividamento do consumidor. Segundo números do Banco Central, o brasileiro comprometia em abril deste ano um pouco mais de 22% de sua renda mensal com o pagamento de dívidas. Para Barros, não é algo exagerado. Já Borges acredita que o percentual não é baixo, cerca do dobro do que se registra nos EUA, Chile, Europa e Nova Zelândia. Ele não vê, contudo, o número como muito problemático, dado o prazo médio das dívidas, pouco inferior a um ano. Com isso, há uma desalavancagem (o processo de redução do endividamento) bastante rápida.

Para Borges, como os juros cobradas ao consumidor estão em queda, puxados pelo corte de taxas promovido inicialmente pelo Banco do Brasil e pela Caixa, os consumidores estão trocando dívidas caras por outras mais baratas, o que aumenta a capacidade de consumo.

Por todos esses fatores, a expectativa dos analistas é que a retomada mais forte da economia continuará a ter no consumo o impulso mais importante. Enquanto o PIB deve crescer algo na casa de 2% ou menos, o consumo das famílias pode crescer ainda 4% ou mais.

Para Barros, “o consumo seguirá bem no Brasil, mas crescendo de forma mais moderada, em linha com a dinâmica da renda disponível, cada vez mais disputada pelo setor de serviços e pelo maior apetite por poupança da população”.

Segundo ele, as famílias brasileiras ainda estão muito longe de poupar como os asiáticos, mas há um esforço maior para guardar dinheiro. Números da Sondagem de Expectativas do Consumidor da Fundação Getulio Vargas (FGV), quase um quarto - 24,9% - dos entrevistados estava poupando em junho. De 2005 para cá, a média é de 17,9%.