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Cai diferença entre o rendimento de SP e das demais regiões metropolitanas do país

segunda-feira, março 18th, 2013

Valor Econômico - 18/03/2013

São Paulo continua sendo a região metropolitana em que a população ocupada tem o maior rendimento médio real, mas a diferença entre o valor médio pago nesse mercado e nas demais cinco regiões analisadas pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME), do IBGE, diminuiu bastante nos últimos dez anos.

Em Recife, cidade que segue com a remuneração mais baixa, a renda real representava 63,3% da de São Paulo em 2003, percentual que subiu para 68,8% em 2012. Na outra ponta, o rendimento dos ocupados no Rio, que equivalia a 86,9% do salário em São Paulo há nove anos, quase se equiparou no ano passado, ao alcançar a proporção de 98%. No mesmo período, igual trajetória foi observada nos rendimentos da população ocupada de Salvador, Belo Horizonte e Porto Alegre, que atingiram, respectivamente, 78,5%, 92,4% e 89,2% dos de São Paulo em 2012.

Para João Saboia, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a redução de disparidades está relacionada ao grau de escolaridade. Na região metropolitana de São Paulo, 63,8% da população economicamente ativa (PEA) possui 11 anos ou mais de estudo, acima da média de 62% das seis regiões analisadas. Esse grupo mais escolarizado, diz Saboia, puxou para baixo o rendimento médio dos ocupados da região.

Segundo o IBGE, os ocupados com nível superior viram a renda real diminuir 6,6% em São Paulo de 2003 a 2012, ao passo que, na média das seis regiões, a remuneração desse grupo subiu 0,7%. “As pessoas que tiveram os maiores ganhos reais nos últimos anos têm menor nível de escolaridade”, observa Saboia.

Além da maior presença de pessoas com formação universitária na PEA de São Paulo, o diretor-técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Clemente Ganz Lúcio, relaciona a crise da indústria, que tem forte peso no Estado e paga salários maiores, à perda de ímpeto da renda dos ocupados nessa região. O parque industrial paulista, diz Lúcio, é bastante diversificado e, por isso, reflete mais do que outras regiões a má situação que o setor atravessa.

A Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salário (Pimes), também do IBGE, aponta que o estoque de ocupados assalariados na indústria do Estado de São Paulo encolheu 2,6% entre 2011 e 2012, redução maior do que o 1,4% observado na média dos 14 locais pesquisados. No Rio, por outro lado, a indústria vive movimento diferente, diz o diretor do Dieese, com o impulso dos setores naval e de petróleo e gás.

Rodrigo Leandro de Moura, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), avalia que a redução da diferença de rendimento entre as seis regiões metropolitanas reflete a queda da desigualdade social no país nos últimos anos, movimento associado às políticas de valorização do salário mínimo e de transferências de renda. O piso nacional e programas como Bolsa Família, diz Moura, têm menos representatividade em São Paulo.

Haddad mudará projeto para Nova Luz, no centro de SP

segunda-feira, dezembro 17th, 2012

Os comerciantes e moradores da região são contra as obras no entorno da rua Santa Ifigênia e organizaram em agosto de 2012 um protesto para impedir a reforma urbanística
Rafael Ferrer, de Info

Viaduto Santa Ifigênia, em São Paulo: o projeto prevê a valorização dos prédios históricos, reforma das áreas livres, criação de espaços verdes e de lazer e a melhoria do ambiente urbano

São Paulo – O prefeito eleito Fernando Haddad (PT) planeja mudar o projeto Nova Luz, que pretende revitalizar as ruas do centro da cidade de São Paulo bairro e também desapropriar moradores e comerciantes da região.

Até o momento, a prefeitura considera que empresas privadas sejam responsáveis pelas desapropriações propostas pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano. Já Haddad afirmou neste domingo (16) à Folha que mudará o atual plano e concederá o poder de decisão sobre este tema à prefeitura.

A região é conhecida pelo comércio de computadores, software e equipamentos de áudio e vídeo. Além disso, as ruas do bairro reúnem usuários de crack e moradores de rua.

Em janeiro deste ano, uma ação policial na cracolândia pretendia coibir que dependentes químicos buscassem por drogas no local.

Os comerciantes e moradores da região são contra as obras no entorno da rua Santa Ifigênia e organizaram em agosto de 2012 um protesto para impedir a reforma urbanística.

Ao sair do papel, o projeto prevê a valorização dos prédios históricos, reforma das áreas livres públicas, criação de espaços verdes e de lazer e a melhoria do ambiente urbano por meio da reforma das calçadas e jardins. Além disso, aproximadamente quatro mil casas devem ser erguidas na região.

SP fará parceria privada para trens ligando 14 cidades à capital

quarta-feira, novembro 28th, 2012

FSP - DIMMI AMORA
DE BRASÍLIA

O governo de São Paulo aprovou ontem uma PPP (Parceria Público Privada) para a construção de 432 km de linhas de trens de passageiros interligando 14 cidades à capital e aos aeroportos de Campinas e Guarulhos.

A PPP, a maior do Estado, segundo o vice-governador Guilherme Afif Domingos, está estimada em R$ 20 bilhões.

A previsão é que os primeiros trens operem em 2016 e as linhas fiquem completamente prontas em 2019, quando transportariam em média 250 mil passageiros por dia.

São duas as novas linhas: Sorocaba a Pindamonhangaba e Americana a Santos. Elas se cruzariam na estação Água Branca, na capital paulista.

A passagem entre São Paulo e Campinas ou São José dos Campos está estimada pelo estudo em R$ 18, mas pode chegar a R$ 15. Os trens andariam a 160 km/h, o que é considerado um trem regional –a viagem de Campinas à capital duraria 50 minutos.

A proposta foi apresentada ao governo pela EDLP (Estação da Luz Participações) e pelo banco BTG Pactual após um ano de estudo. A EDLP tem projetos na área de ferrovias em São Paulo; o BTG é um banco de investimento.

Ter o projeto aprovado não significa que a EDLP terá o direito de realizá-lo. A proposta agora passará por consulta pública e depois será licitada. Qualquer companhia pode participar da concorrência.

Pela proposta da EDLP/BTG, o governo entrará com 30% do investimento e o investidor privado, com 70%.

O vice-governador, que coordena as PPPs do Estado, disse que a previsão é fazer a licitação em 2014 e ter os primeiros trechos ligando o ABC à capital dois anos depois.

A proposta da EDLP/BTG foi apresentada como uma MIP (Manifestação de Interesse Privado). Nesses casos, o Estado recebe a ideia e analisa sua viabilidade. Ontem, o governo aprovou a proposta no seu conselho de análise de PPPs.

Afif lembrou que é a primeira vez que uma empresa fora do mercado de obras ou de venda de equipamentos apresenta uma MIP.

“O projeto está estruturado pela área financeira, o que o deixa isento de interesses de construtoras ou vendedores de equipamentos de fazer um negócio sem viabilidade para vender seus produtos.”

TREM-BALA

A União foi informado da PPP paulista de trens regionais, já que parte dos trechos coincide com os do projeto do trem-bala de São Paulo ao Rio (Campinas -São Paulo e São José dos Campos-São Paulo).

Mais de 1/3 dos recursos para o trem-bala virão de passageiros dessas ligações regionais, segundo estudos.

O governo federal concordou que os projetos não são concorrentes, pois o custo do trem-bala será mais que o dobro e a velocidade será bem maior, de até 350 km/h.

Parte das companhias interessadas já manifestou que trens regionais são essenciais ao projeto, já que captam passageiros para ligações de maior distância.

Com a PPP, o São Paulo deve paralisar o projeto, já anunciado, de fazer linhas ligando Jundiaí e Sorocaba à capital.

Mercado da Zona Oeste tem peso de capital

quarta-feira, novembro 21st, 2012

Radar Imobiliário
Blog do Estado de São Paulo

Redação

Uma das regiões mais cobiçadas da cidade de São Paulo para habitação, a Zona Oeste teve nos últimos três anos um volume de lançamentos de imóveis residenciais superior a toda a cidade de Salvador. Os dados são parte de pesquisa realizada em setembro pela Inteligência de Mercado da Lopes, empresa de consultoria e intermediação imobiliária.

Segundo o estudo, a região corresponde a 18% do volume lançado na Capital nos últimos três anos. Com valor geral de vendas (VGV) de R$ 8,3 bilhões, ultrapassa o total de lançamentos na capital baiana, R$ 8,1 bilhões no mesmo período. O levantamento compreende imóveis lançados entre setembro de 2009 e agosto de 2012, totalizando 125 empreendimentos residenciais, 213 torres e 16.857 novas unidades (veja quadro ao lado).

A diretora de atendimento da Lopes, Mirella Parpinelle, aponta entre os motivos que levam à preferência pela área a proximidade do centro, a expansão do metrô (novas estações têm previsão de abertura em 2014, entre elas, a Pátio Vila Sônia) e o conjunto de serviços que a região oferece para lazer e compras, por exemplo. “A Zona Oeste, em sua maioria, tem bairros que permitem que as pessoas trabalhem, morem e se divirtam no mesmo lugar”, diz. “São bairros mais completos que estão se tornando cada vez mais mini cidades.”

A executiva acrescenta, ainda, a proximidade da região às marginais Pinheiros e Tietê e de rodovias como Anhanguera, Raposo Tavares e Castelo Branco, que ligam a cidade interior.

No estudo, as regiões são definidas por zonas de valor e não obedecem exatamente à divisão de distritos da Prefeitura. Foram considerados: Butantã, Vila Sônia, Jaguaré, Pinheiros, Lapa, Alto de Pinheiros, Alto da Lapa, Vila Leopoldina, Vila Madalena, Pompeia, Perdizes e Barra Funda.

O valor médio do metro quadrado mais caro está na Vila Madalena (R$ 13.470/m²), seguido de Perdizes (R$ 11.240/m²) e Pinheiros ( R$10.690/m²). Os preços mais baixos são encontrados no Butantã (R$ 5.550/m²) e na Vila Sônia (R$ 5.920). Na Lapa e na Barra Funda, o valor médio do metro quadrado está em torno de R$ 9.000. Quanto ao número de dormitórios, são predominantes os de 2 e 3 dormitórios.

“A cidade foi caminhando, os lançamentos antes eram em Higienópolis e em Perdizes, agora estão indo mais para Pompéia e Lapa”, diz Nick Dagan, diretor de incorporação da Esser. Ele lembra que a Lapa vem passando por modificações, pois o que antes era um bairro tradicional de classe média com casas, agora é palco de lançamentos de prédios de o médio e alto padrão, devido à disponibilidade dos terrenos na região.

Para o professor do núcleo de Real State da Poli-USP João da Rocha Lima, a expansão imobiliária na zona oeste agora é de “Perdizes para baixo”. Segundo ele, ao contrário do que ocorre em Perdizes, onde os terrenos são cada vez mais escassos, Lapa e Barra Funda ainda possuem galpões e possibilitam a formação de terrenos maiores.

“Como essas empresas são muito grandes, elas tendem a fazer empreendimentos maiores, com mais de uma torre. Elas precisam operar em canteiros com grande espaço para que tenham um custo de gestão mais baixo”, explica. Já Butantã e Vila Sônia, de acordo com o professor, são “caudatárias” do Morumbi. “Muitos empreendimentos na Vila Sônia, por exemplo, são denominados por Morumbi”, diz.

O estudo da Lopes revela, ainda, que, do volume lançado nesse período, atualmente 11% das unidades estão em estoque – 1.803 de 16.857 oferecidas.

Mais de 50% dos compradores já residem na área

O levantamento feito pela Inteligência de Mercado da Lopes mostra que os imóveis da Zona Oeste são procurados, em sua maioria, por pessoas que já residem na região (52%), seguido de moradores da Zona Sul (18%), Norte (16%), Centro (8%) e Leste (5%). De acordo com o professor do núcleo de Real State da Poli-USP João da Rocha Lima, a distribuição reflete a realidade de São Paulo. “É comum que maior parte da procura seja de pessoas do próprio bairro, isso quando falamos de bairros consolidados. A zona oeste é vista como região de alta qualidade para residência”, afirma.

A diretora de atendimento da Lopes, Mirella Parpinelle diz que o público é bastante variado. “Ele é de várias fases da vida, jovens casais, pessoas mais velhas etc.” Segundo a pesquisa, normalmente apartamentos com um dormitório são lançados em empreendimentos com apenas 1 torre. O mesmo ocorre com apartamentos com 4 dormitórios, mas há exceções como o empreendimento Mairarê Reserva, que tem 10 torres, está localizado na Rodovia Raposo Tavares, e tem unidades nesse perfis.

Bastante diversificado, o Mairarê foi escolhido pelo consultor Adilson Dias da Mota, de 35 anos, e por Ubiratan de Freitas Mesquita, advogado e administrador de empresas, de 64 anos. Ambos têm em comum a preferência por imóveis na região oeste, onde sempre moraram.

Mota comprou um apartamento há três anos ainda na planta e a previsão de entrega é em março de 2013. Será a moradia para ele e a noiva, que têm casamento marcado para outubro de 2013. “Nós escolhemos a zona oeste porque somos filhos dessa região. A localização é um diferencial.”

Segundo o consultor, o que chamou a atenção do casal, além da localização, foi a metragem. Eles adquiriam inicialmente um imóvel de 109 metros quadrados, mas acabaram de trocar por um de 136m², quando perceberam que houve valorização.

“Compramos em um período em que o mercado não estava aquecido ainda. Quando houve aquecimento, ficamos surpresos. Há dois meses nós trocamos uma unidade de 109m² para uma de 136m², no mesmo empreendimento e mesma fase de construção.” Segundo Mota, o primeiro imóvel foi comprado por R$ 343.000 e vendido por R$ 576.000. Apesar da satisfação com a compra, ele conta que não foi fácil encontrar o lugar ideal. “A zona oeste tem muitos empreendimentos, mas estávamos um pouco decepcionados, porque nenhum atendia à nossa demanda. Tivemos problemas com a relação custo/ benefício.”
Já no caso de Mesquita, que vive atualmente em uma casa térrea na Lapa com a mulher, comprar um apartamento foi uma decisão tomada depois que sua residência sofreu um assalto. O casal adquiriu um apartamento também no Mairarê Reserve com 109 metros quadrados e três dormitórios. “Não queríamos um apartamento comum, queríamos um que nos proporcionasse algo a mais. O que escolhemos oferece muita coisa para ser desfrutada, como um parque dentro do condomínio”, conta. O valor pago por Mesquita, que comprou o imóvel este ano, foi de R$ 600.000./ T.F.

Interior de São Paulo é o maior mercado consumidor do Brasil

terça-feira, novembro 6th, 2012

Rafael de Miranda
O Estado de S. Paulo - 06/11/2012

Estabilização da economia, expansão do crédito e controle da inflação tornaram o Brasil um dos principais mercados do mundo e destino obrigatório de investimentos. E parte desse crescimento está diretamente ligada à força do interior do Estado de São Paulo. Enquanto a renda por habitante no Brasil avançou 21,7% nos últimos 14 anos, chegando a R$ 19 mil em 2011, a média do interior do Estado aumentou 58,4%.

A força econômica vinda do interior tem mudado o mapa dos investimentos das empresas de diferentes setores da economia. E a primeira vez, por exemplo, que o número de shopping centers em construção no interior do Estado é maior do que o volume de empreendimentos lançados nas grandes capitais. O consumo nos domicílios das cidades interioranas cresce em ritmo acelerado.

Apenas neste ano as mais de 22 milhões de pessoas que vivem nas 607 cidades do interior deverão consumir mais de RS 382 bilhões, o que representa 50,2% do total do Estado de São Paulo. Enquanto isso, a região metropolitana - que inclui São Paulo e mais 38 municípios - deve movimentar RS 379,1 bilhões dos gastos com alimentação, habitação, transporte, saúde, vestuário e educação. Qualidade de vida, proximidade do local de trabalho e grandes investimentos em infraestrutura reverteram o fenômeno registrado no início do século, quando o mais comum era migrar do interior para as grandes capitais.

Com mais empresas, empregos de qualidade, escolas, hospitais e serviços que se tornaram referência, o interior paulista aumentou seu potencial de retenção e atratividade e se tornou o maior mercado consumidor do país, ultrapassando a região metropolitana no âmbito do consumo das famílias.

Este crescimento faz com que a população do interior gaste mais, especialmente em itens de decoração. Em média, a cada ida às compras, os interioranos adquirem 4,7 produtos de casa. Esse mesmo consumidor do interior expandiu em 11 % seus gastos no último ano.

Conforme dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), no interior de São Paulo estão 65,6% de todos os trabalhadores com carteira assinada do Estado, tendência que tem crescido por conta da migração de investimentos para o interior do país.

No ano passado, o interior de São Paulo tinha um PIB de US$ 135,9 bilhões, o que torna a renda mais atraente das cidades menores é essa atividade econômica em expansão.

Construção de mais dois edifícios na Bela Vista prejudica vista do Masp

quarta-feira, outubro 24th, 2012

Folha de S. Paulo
VANESSA CORREA
DE SÃO PAULO

Dois grandes motivos fizeram a arquiteta italiana Lina Bo Bardi (1914-1992) projetar o Masp com um vão-livre de 74 metros de largura. Um deles foi a possibilidade de abusar do concreto armado, técnica explorada pelos modernistas para vencer grandes dimensões sem a necessidade de colunas de sustentação.

A outra razão foi uma exigência feita por Joaquim Eugênio de Lima, doador do terreno à prefeitura. Uma das cláusulas estipuladas pelo engenheiro, que idealizou a av. Paulista no século 19, era a manutenção da vista do Belvedere do Trianon, cuja paisagem dava para a serra da Cantareira, limite norte da capital.

Mas hoje, 44 anos após a inauguração do Masp, pouco se vê da serra. Dois prédios recentes, um deles ainda em construção, obstruíram ainda mais o que havia sobrado de vista.

“Até há pouco tempo, se via a topografia e, ao longe, a serra. Agora, a gente só consegue ver um pouquinho dela”, diz Regina Monteiro, diretora da CPPU (Comissão de Preservação da Paisagem Urbana) da Prefeitura de São Paulo.

PAISAGEM SOB CONTROLE

Para evitar que a perda de paisagens importantes continue a ocorrer, a arquiteta planeja elaborar um Plano Diretor da Paisagem com a participação da população. “Mas é um projeto polêmico, que vai mexer com alguns gabaritos da cidade”, afirma Regina, a “mãe” da Lei Cidade Limpa.

A ideia é que as diretrizes para a paisagem sejam elaboradas e aprovadas junto com o novo PDE (Plano Diretor Estratégico). O plano vigente venceu neste ano e a sua revisão é uma das prioridades para os vereadores que tomam posse em janeiro.

Regras semelhantes já existem em grandes cidades. Em Paris, a prefeitura protege a vista da torre Eiffel e da basílica de Sacré Coer. Em Londres, o mesmo é feito com o Big Ben. Por aqui, Florianópolis protegeu de futuras obras a vista da lagoa da Conceição a partir do mirante do morro da Lagoa.

Para o historiador Alex Miyoshi, autor do livro “Arquitetura em Suspensão” (ed. Autores Associados), sobre a história do Masp, a paisagem deveria ter sido preservada, mas o impacto dos novos edifícios no belvedere não é tão importante.

“Será apenas um edifício a mais nesse ’skyline’ que se vê do Masp, pouco perturbador diante do que já existe”, afirma Miyoshi.

PRETEXTO

A história do vão-livre envolve uma intricada relação de interesses. Segundo Miyoshi, o terreno foi cedido ao Masp por um acordo entre Assis Chateaubriand (1892-1968), fundador do museu e publisher dos Diários Associados, e o então prefeito e candidato à reeleição, Adhemar de Barros (1901-1969).

Ficou acertado entre os dois que os jornais do grupo de Chateaubriand fariam a campanha do político. A condição era que ele aprovasse a doação do terreno para o Masp em detrimento do MAM (Museu de Arte Moderna), projeto de Ciccillo Matarazzo que acabou sendo construído no parque Ibirapuera.

“A justificativa [para manter a vista com um grande vão-livre], embora verdadeira, foi exagerada pela Lina Bo Bardi para legitimar o uso de uma tecnologia [concreto armado] que na época era rara e muito cara. Assim ela conseguiu deixar o MAM fora da disputa”, afirma Miyoshi.

Contatada pela sãopaulo, a direção do Masp preferiu não se manifestar sobre a perda da vista a partir de seu vão-livre

DNA Paulistano - São Paulo está mais estudiosa, rica e medrosa

segunda-feira, outubro 8th, 2012

FOLHA DE SÃO PAULO

São Paulo está mais estudiosa e com mais dinheiro no bolso do que quatro anos atrás. Mas também com mais medo da violência, revela o Datafolha.

Na comparação com pesquisa de 2008, saltou de 16% para 20% o número de pessoas que concluíram o ensino superior. Também cresceu, de 33% para 38%, o percentual de pessoas na classe B.

Junto com essa elitização, veio a preocupação com a violência. O item pulou do sétimo lugar entre os principais problemas para os paulistanos, em 2008, para o segundo lugar, superando o item trânsito.

No topo da escala do medo estão as regiões leste (17%) e oeste (14%). Para especialistas, o aumento da sensação de insegurança está relacionado a crimes patrimoniais que ganharam repercussão, como arrastões a condomínios e a restaurantes.

Já a elevação do grau de instrução pode estar ligada ao acesso das classes C e D à universidade. Mas o principal problema continua sendo asfalto e calçadas ruins. De 13% em 2008, pulou agora para 18%.

Brasil tem quase 194 milhões de habitantes, aponta IBGE

sexta-feira, agosto 31st, 2012

Dados foram divulgados nesta sexta-feira, no ‘Diário Oficial da União’; São Paulo,o Estado mais populoso, conta com quase 42 millhões de moradores

O Estado de S.Paulo

SÃO PAULO - O Brasil tem 193.946.886 habitantes. O número foi divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística no Diário Oficial da União nesta sexta-feira, 31 e foi calculado para 1º de julho de 2012. O órgão divulgou estimativas de população-residente para o País, Estados e municípios.

De acordo com os dados, São Paulo é o Estado mais populoso, com 41.901.219 habitantes. Em seguida, vem Minas Gerais, com 19.855.332. O Rio de Janeiro está em terceiro lugar entre os Estados mais habitados, com 16.231.365 pessoas. Os três primeiros ficam na região Sudeste. A Bahia, no Nordeste, tem população-residente de 14.175.341, de acordo com os números do IBGE, e é o quarto no ranking.

O Estado menos populoso do País é Roraima, com 469.524 habitantes. O Amapá, com 698.602 pessoas, e o Acre, com 758.786 habitantes, todos na região Norte, formam a trinca de unidades menos populosas.

Vila Andrade é campeã em lançamentos de imóveis

quinta-feira, agosto 30th, 2012

LUCCA ROSSI
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Além das prestações e entrada que cabiam no bolso, a possibilidade de morar a dez minutos de carro do trabalho foi decisiva para que o empresário Gilson Canzi, 37, fechasse, há duas semanas, a compra de um apartamento na Saúde, zona sul da capital.

O empreendimento, da incorporadora You,inc, deve ser entregue em 2014.

O bairro está em quarto lugar entre os que mais lançaram residências na cidade nos últimos cinco anos, segundo estudo do Geoimovel, empresa de informações imobiliárias, para a Folha.

Na liderança está a Vila Andrade, seguida por Vila Mariana (ambas na zona sul) e Itaim (zona oeste). Na quinta posição aparece o bairro de Santana (zona norte).

A proximidade do local de trabalho cada vez mais tem definido a compra de imóveis residenciais na capital, diz Octavio Flores, diretor de negócios da construtora Gafisa.

“A maioria desses bairros está perto de regiões de escritórios, como as avenidas Berrini e Faria Lima, e tem oferta de transporte público e serviços”, diz o executivo, que aponta o Brooklin como outro alvo de lançamentos.

“A extensão da avenida Chucri Zaidan e a chegada de novos escritórios vai aumentar a procura na região.”

Para Roseli Hernandes, diretora comercial da Lello Imóveis, bairros como a Mooca e Vila Prudente, na zona leste, com fácil acesso ao metrô e empreendimentos com valores de condomínio mais baixos, por possuírem várias torres, seguirão atraindo moradores e lançamentos.

MAIS VALORIZADOS

Entre os dez bairros em que o valor do metro quadrado novo mais subiu nos últimos cinco anos, de acordo com o Geoimovel, oito estão a mais de 20 quilômetros do centro, como Cidade
Tiradentes e Guaianases, na zona leste, que viram o preço dobrar.

Brás e Pari, na região central, são as exceções que encabeçam a lista.

“A periferia teve um aumento da oferta de imóveis em função da maior dificuldade das construtoras em encontrar terrenos na região central. A demanda nesses locais também é grande, em especial por unidades econômicas, do programa Minha Casa, Minha Vida”, diz Sérgio dos Anjos, diretor comercial da construtora MRV.

Para o executivo, o público-alvo desses lançamentos é peculiar.

“São clientes recém-casados ou com casamento planejado, comprando a primeira moradia, que valorizam o bairro em que sempre moraram e querem ficar perto da família”, afirma.

Imóveis de dois dormitórios representam 52% das vendas

terça-feira, agosto 14th, 2012

Após alta nos preços gerais de imóveis, as unidades menores ganham importância no mercado imobiliário de SP
IMOVELWEB

Comprar: valor do metro quadrado de imóveis novos subiu 6,3% nos primeiros cinco meses de 2012

São Paulo - Os imóveis de dois dormitórios têm se tornado a preferência na capital paulista. Cada vez mais requisitado pelos paulistanos, as unidades com dois quartos representaram 52% das 11.981 vendas na cidade São Paulo no primeiro semestre deste ano, de acordo com dados do Secovi-SP(Sindicato da Habitação).

Esse é um número recorde, que supera todas as avaliações feitas pela entidade durante seis meses, desde 2004. O valor do metro quadrado de imóveis novos subiu 6,3% nos primeiros cinco meses de 2012, em relação ao mesmo período de 2011.

Apesar da alta nesse segmento de imóveis, as vendas de casas e apartamentos de quatro dormitórios tiveram queda no período. De 14% caíram para 9,9%. O professor titular da Poli/USP, João da Rocha Lima Junior tem uma explicação. “Com o crescimento dos preços dos imóveis acima da renda, é natural que ocorra cada vez mais lançamentos de unidade menores”, disse.

Segundo o especialista, o mercado passa por uma readequação. Ele acredita, agora, que as empresas precisam fazer produtos compactos para atender a um público que antes procurava apartamentos maiores.

Para o economista-chefe do Secovi-SP, Celso Petrucci, as construtoras optaram por estes imóveis por conta do cenário econômico no país, ainda incerto