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Futuro da Alphaville eleva tensões entre Gafisa e sócios

quarta-feira, setembro 19th, 2012

Tensões se intensificaram após a construtora e incorporadora ter anunciado possível abertura de capital ou venda de participação da Alphaville Urbanismo

São Paulo - As tensões entre Gafisa e Alphaville Participações (Alphapar) se intensificaram após a construtora e incorporadora ter anunciado possível abertura de capital ou venda de participação da Alphaville Urbanismo, movimento tomado sem o conhecimento da Alphapar, segundo uma fonte próxima ao assunto afirmou à Reuters.

“A Alphapar foi pega de surpresa… Foi um movimento hostil não ter consultado e comunicado sobre o fato relevante antes da publicação”, disse nesta terça-feira a fonte com conhecimento da situação, sob condição de anonimato.

A Gafisa informou em 10 de setembro que iniciou uma análise de “opções estratégicas” para o futuro da Alphaville –empresa voltada ao desenvolvimento de condomínios urbanos de alto padrão–, que pode envolver abertura de capital ou venda de fatia da empresa. O objetivo, de acordo com a Gafisa, é maximizar valor ao acionista.

Consultada, a Alphapar confirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que “teve conhecimento da proposta no mesmo momento que todo o mercado”.

A Gafisa, por sua vez, afirmou também via assessoria de imprensa que “a comunicação (fato relevante em questão) está de acordo com as boas práticas de governança corporativa e foi aprovada em reunião do Conselho de Administração”.

Em 2006, a Gafisa assumiu 60 por cento da Alphaville, fatia que passou a 80 por cento em 2010. Conforme acordo firmado em 2006 com a Alphapar, os 20 por cento restantes seriam adquiridos até o fim deste ano.

O processo, entretanto, foi parar na arbitragem, já refletindo desentendimentos entre os sócios.

A Gafisa diz que, pelo acordo, o total de ações a serem emitidas no processo de compra da participação que ainda não possui na Alphaville Urbanismo é de 70.251.551, ao preço de 5,11 reais cada, num total de 358,98 milhões de reais.

Já a Alphapar considera que devem ser emitidas 97.055.876 ações ordinárias da Gafisa, a 3,70 reais, totalizando 359,10 milhões.

Na Bovespa, as ações da Gafisa são negociadas atualmente pelo valor de cerca de 4,50 reais.

Independentemente do cenário, a Alphapar passará a ser a maior acionista individual da Gafisa após a venda total da Alphaville.

Segundo a mesma fonte, a Alphapar está sendo preterida de participar do processo de decisões estratégicas envolvendo a Alphaville, unidade mais rentável da Gafisa, que vem lutando para se livrar de problemas envolvendo a Tenda, construtora do grupo voltada ao segmento econômico.

“Não foi estabelecida comunicação adequada, apesar das tentativas da Alphapar… (Mas) eles não devem querer comprar uma briga com seu maior acionista”, disse a fonte. “A Alphapar tem mecanismos para bloquear qualquer manobra que escape do seu interesse, e tomará medidas cabíveis”, afirmou a fonte.

A fonte disse ainda que uma possível venda de uma participação na Alphaville reduziria os problemas de dívida da Gafisa e, ao mesmo tempo, “salvaria a Alphaville da pressão de ter um acionista controlador que está mal das pernas”.

Avanço da nova classe média prossegue, diz especialista

sexta-feira, agosto 17th, 2012

Apesar da desaceleração da economia, pesquisador da FGV Marcelo Neri reafirma projeção de que a classe C terá mais 12 milhões de pessoas até 2014

Keila Cândido, de Veja

São Paulo - A expansão da classe média brasileira segue robusta, conforme dados apurados até junho, afirma o economista e coordenador do Centro Políticas Sociais (CPS) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Marcelo Neri. Em debate na 22ª Bienal do Livro, em São Paulo, ele reafirmou a projeção de que mais 12 milhões de pessoas ascenderão para esse segmento até 2014. Nas classes A e B, o número de entrantes chegará a 7,7 milhões. Neri não arrisca dizer, contudo, como será o comportamento dessas classes sociais de 2015 em diante. Entre 2003 e 2011, a nova classe média – que tem renda familiar de 1.700 reais – incorporou 40 milhões de pessoas.

Para Neri, foi a nova classe média que estabilizou a economia brasileira e fez crescer o Produto Interno Brunto (PIB) nos últimos anos em que tônica foi a crise internacional. “A classe média é o amortecedor interno da economia. Se ela quebrar, não sabemos para onde vai o país”, disse. O economista, autor do livro “A Nova Classe Média - O Lado Brilhante da Base da Pirâmide”, participou nesta quinta-feira de debate sobre o assunto.

2014 – Após a renda do brasileiro ter aumentado nos últimos anos, na esteira do crescimento econômico, o pesquisador não se arrisca a dizer como será sua evolução num intervalo de tempo mais extenso, a partir de 2014. “Estamos em um momento de pleno emprego, mas é arriscado dizer qual será a renda real das famílias da nova classe média”, disse.

Para Neri, por ora, não há sinal de que haverá reversão da ascensão social dos mais pobres. A classe média, aliás, ganhou força, segundo dados apurados até junho. De acordo com o economista, o mercado de trabalho faz mais diferença para o consumo destas pessoas do que o acesso crédito. “O que importa para elas é trabalhar e ter dinheiro no bolso para consumir”, explicou.

Novo consumidor – A nova classe média, hoje com maior poder de compra, tem tido acesso a bens e serviços que, anteriormente, eram restritos às classes A e B, tais como planos de saúde, escolas particulares e previdência privada. Neri lembrou que a má qualidade na oferta de serviços tem gerado nesse novo consumidor uma sensação de frustração. Na avaliação do especialista, é para essa insatisfação que as empresas têm de olhar. “Esta é a nova agenda no Brasil. As pessoas estão consumindo fortemente, e são exigentes”, afirmou.

Segundo Neri, os pacotes do governo para melhorar a infraestrutura do país – tal o programa de investimento de ferrovias e rodovias anunciado nesta quarta-feira – são de “extrema importância” porque esses novos consumidores aumentam os desafios do país. Em outras palavras, as pessoas estão consumindo o que antes não tinham acesso, como viajar de avião, por exemplo, o que tem aprofundado os gargalos dos aeroportos do país.

A alta da inadimplência verificada nos últimos meses não deve ser considerada o pior problema da classe C, na visão do economista. “O problema no Brasil não é de endividamento, mas sim as altas taxas de juros”, declarou. Outro problema, na opinião do pesquisador, é baixa taxa de poupança do brasileiro.

Comparações – Para o pesquisador, não é possível comparar a classe média americana à brasileira porque os perfis são muito diferentes. A renda das famílias e o tipo de consumo são bastante distintos. Neri relata que, desde 2004, quando houve o início da ascensão da classe média, o Brasil teve três saltos: mais pessoas tiveram acesso a cursos técnicos, houve aumento do número de pessoas com carteira assinada e a qualificação profissional também melhorou. Para o pesquisador, o acesso à educação é um avanço muito importante que contribui para a ascensão da classe C. “Quem olha para a classe média com olhar estrangeiro – de fora para dentro – não percebe o valor do que tem acontecido”, disse. Essas particularidades representam outros elementos que não permitem equiparar a realidade brasileira com a americana.

O coordenador do CPS/FGV preferiu comparar o crescimento brasileiro ao de China e índia, que classificou como “invejáveis”. Contudo, na opinião do economista, no Brasil há um fator qualitativo: a redução da desigualdade. “No Brasil, o crescimento é mais sustentável porque temos a redução da desigualdade, que vem caindo nos últimos onze anos”, disse. “Este é o ingrediente brasileiro do crescimento”, comemorou.

SP vive boom dos prédios idênticos, ‘conformistas’

segunda-feira, março 26th, 2012

Cidade tem onda de lançamentos sem criatividade, que vendem status para morador em detrimento das necessidades urbanísticas

ADRIANA FERRAZ, RODRIGO BRANCATELLI - O Estado de S.Paulo
É um bocado difícil argumentar que São Paulo seja visualmente mais bela e mais ordenada do que Paris ou Viena, claro. Não que seja despeito com a maior metrópole do Hemisfério Sul, pelo contrário. A beleza de São Paulo sempre esteve no fato de ela ser uma cidade em constante construção, um organismo mutante, um local de absurdos 1.524 quilômetros quadrados onde o tecido urbano está sempre em transformação. São Paulo é viva, acima de tudo, e não pode ser comparada com lugares congelados como… Paris, por exemplo.

O problema é que mesmo esse argumento da beleza paulistana pode perder sua força. Com o boom imobiliário que lançou 13.501 prédios e 733 mil apartamentos nos últimos 15 anos, São Paulo está ficando com a mesma cara. A arquitetura dos edifícios hoje se padronizou, quase todos têm o mesmo visual - depois de ir da taipa de pilão ao concreto armado, passando pelas residências operárias, pelas casas modernistas e também pelos prédios com inspirações brutalistas, São Paulo não segue mais linha nenhuma de arquitetura.

Ou melhor, segue, sim: é o que os próprios profissionais chamam de “arquitetura conformista”, uma ditadura dos prédios idênticos.

“O modelo dominante hoje é bastante conformista, ele reflete a preocupação constante das construtoras em agradar à maioria, assim como a rapidez com a qual as operações estão montadas por pressão financeira”, diz o arquiteto Gui Sibaud, sócio do escritório Triptyque.

“Esse sistema exclui praticamente toda forma de experimentação. Resulta disso uma clonagem de modelos. Diria que o brasileiro pode até talvez se preocupar com arquitetura, mas não é o caso das construtoras. Creio que há muita demanda por prédios diferenciados por parte do público, mas poucas incorporadoras têm a coragem de produzi-los.”

Um dos principais motivos é mesmo o financeiro. Hoje, as incorporadoras têm pequenos grupos de arquitetos em suas equipes, a maioria deles recém-formados que trabalham com modelos prontos de prédios. Os projetos são replicados em todas as regiões, sem uma preocupação com o restante da paisagem e com a demanda de cada bairro. Assim, as empresas conseguem economizar até 20% do orçamento da construção.

Terraço. Além disso, para não errar em um lançamento imobiliário, as construtoras criaram um “gosto do paulistano”, um prédio sem uma arquitetura clara, que serve mais como um símbolo de status para o comprador do que um exemplo de habitação perfeita que traga felicidade para os moradores.

O maior exemplo desse modelo é o apartamento com varanda gourmet - a sacada ampla, com churrasqueira e espaço para reunir a família e os amigos. Em São Paulo, seja qual for a região, pipocam prédios que priorizam a área externa e vendem o conceito gourmet como símbolo de conforto, qualidade de vida e status. É o novo padrão dos prédios paulistanos que atende ao modelo desejado pela classe média, mas ajuda a deixar os bairros com a mesma cara.

Exemplos desse cenário não faltam, principalmente em bairros que até a década passada eram predominantemente ocupados por casas - como Vila Mariana, Ipiranga e Vila Olímpia, na zona sul; Pinheiros e Pompeia, na zona oeste; Tucuruvi, na zona norte; e Mooca e Vila Prudente, na zona leste. No lugar do batido e contestado estilo neoclássico, que dominou as construções nos anos de 1990, reinam hoje fachadas claras, com sacadas envidraçadas e áreas comuns que prometem atrações típicas de um clube. Diante da procura, a oferta, antes destinada apenas ao mercado de alto padrão, ganhou opções variadas de plantas, a partir de 57 metros quadrados. Na zona oeste, a Vila Leopoldina é uma das campeãs nesse tipo de lançamento. Somente na Avenida Bolonha, há oito torres em construção com essa característica. Perto dali, na Avenida Mofarrej, são outras seis.

Para Ricardo Monezi, pesquisador do Instituto de Medicina Comportamental da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o novo padrão de moradia atende ao desejo da população que quer morar em casa, mas que, diante do temor da violência, acaba optando por um apartamento. “O modelo de bem-estar vai mudando com o tempo. Esse é o atual. A sacada funciona como uma espécie de quintal”, diz. “A busca pela felicidade é dinâmica, e ocorre pela pressão social.”

Futuro. O maior reflexo desse movimento é a própria perda de qualidade de vida dos moradores. Fosse a arquitetura igual a uma música, um filme ou um quadro, não haveria discussão - a beleza de um prédio sempre estaria ao gosto do morador, e ponto final. O detalhe é que os prédios de uma cidade são uma espécie de arte pública, formam o tecido urbano que une todos. Assim, a falta de preocupação com a visual da cidade se reflete no urbanismo. “Nós moldamos nossos edifícios; depois eles nos moldam”, como disse o estadista britânico Winston Churchill.

“À medida que está se generalizando esse estilo de morar, a rua fica esvaziada e se resume ao escoamento de veículos sobre rodas”, diz o arquiteto Gui Sibaud. “A grande verdade é que os arquitetos não estão convidados a opinar sobre o futuro das cidades brasileiras e participam de fato de uma fatia muito modesta do volume total das construções. O poder público tem de organizar uma grande reflexão coletiva sobre as cidades brasileiras e definir politicas viáveis, interferindo nesse modelo que vem a se impor e a se generalizar sem que ninguém aparentemente tenha decidido por isso.”

Cyrela Andrade Mendonça vira Cyrela Nordeste

segunda-feira, julho 18th, 2011

Mudança no nome da empresa reflete o maior controle da Cyrela nas obras do sócio Andrade Mendonça

Agência Estado
A Cyrela atuará mais na Bahia e em Pernambuco, locais de empreendimentos de seu sócio

São Paulo - A Cyrela assumirá a partir de 1º de agosto a execução das obras dos empreendimentos do sócio Andrade Mendonça, que atua na Bahia e Pernambuco. A empresa, antes denominada Cyrela Andrade Mendonça, passará a ser Cyrela Nordeste.

A Cyrela não informou o valor pago para a aquisição da totalidade da participação do sócio nessa empresa.