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Em busca de novos consumidores, redes varejistas vão às favelas

quarta-feira, novembro 7th, 2012

VINICIUS NEDER
O Estado de S. Paulo - 07/11/2012

Comércio. Com comunidades pacificadas, Casas Bahia e Ricardo Eletro já disputam o cliente da Rocinha, maior favela da zona sul do Rio, e preveem lojas no Complexo do Alemão nos próximos meses; redes de franquias também avaliam potencial das favelas

A busca das empresas de varejo pelos consumidores das classes C e D se intensifica. No Rio de Janeiro, a nova fronteira são as comunidades carentes onde as Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) estão instaladas e, aos poucos, um ar de normalidade substitui o cenário de traficantes circulando armados pelas ruas.

A Casas Bahia inaugurou ontem sua primeira filial na Rocinha, mais conhecida favela do Rio - com 69,3 mil habitantes, segundo o Censo de 2010. Chegaram ao local já encontrando uma concorrente: a Ricardo Eletro, instalada há um ano na maior favela da zona sul carioca.

O grupo Viavarejo, dono da Casas Bahia, do Ponto Frio e dos sites de comércio eletrônico dessas redes, já negocia um ponto comercial para uma loja no Complexo do Alemão, zona norte do Rio, onde uma UPP foi montada em abril do ano passado.

Segundo o presidente do conselho de administração da Viavarejo, Michael Klein, estar próximo do consumidor facilita a vida da clientela. “Na medida em que temos a loja mais próxima da residência do cliente, ele pode fazer as compras sem gastar com condução”, disse Klein, na festa de inauguração da unidade de 1.427 metros quadrados.

Freguesa da rede e moradora da Rocinha, a aposentada Maria de Lourdes de Oliveira, 63 anos, usava com mais frequência as lojas de Copacabana, na zona sul, e da Barra da Tijuca, na zona oeste. “Vou direto na loja de Copacabana, mas aqui é muito melhor.”

Para Klein, além da estratégia da proximidade, juros em queda e a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para a linha branca e móveis impulsionam as vendas. Sua estimativa é de crescimento de 9% a 9,5% no quarto trimestre, em relação a igual período de 2011. Para o ano, o crescimento das vendas pode chegar a 8%.

A filial da Rocinha foi a 16.ª inauguração da empresa no ano. Contando a rede Ponto Frio, a Viavarejo inaugurou 23 unidades. Segundo Klein, entre 10 e 12 lojas ainda serão abertas até o fim do ano.

No entanto, a estratégia também inclui desafios. A nova loja da Rocinha funciona com gerador de energia, por causa da falta de capacidade da rede elétrica. No Complexo do Alemão, a empresa vai reforçar a segurança para evitar furtos de material de construção durante a reforma necessária para a inauguração.

A Ricardo Eletro abriu sua loja na Rocinha em outubro de 2011, um mês antes da megaoperação de ocupação que abriu espaço para a UPP na comunidade. Em dezembro, a filial foi assaltada. Mas a rede mantém a estratégia de se aproximar do consumidor, com uma filial também em Rio das Pedras, comunidade na zona oeste, e previsão de chegar ao Alemão em 2013.

“A entrada da Casas Bahia na Rocinha vai melhorar (as vendas na região). O consumidor gosta de ter uma segunda opção”, afirmou Ricardo Nunes, presidente da Máquina de Vendas, grupo dono das redes Ricardo Eletro e Insinuante.

O executivo ainda vê muito potencial de consumo no País. Segundo Nunes, a Máquina de Vendas deve crescer de 4% a 4,5% em vendas neste ano, considerando apenas as mesmas lojas. O faturamento do grupo deverá fechar o ano em R$ 9 bilhões - em 2011, foram R$ 7,2 bilhões -, incluindo a aquisição da Salfer, rede com presença na região Sul do País e 178 unidades.

Franquias. As redes de franquia também veem potencial nas comunidades. Quatro marcas - Mega Matte, Spoleto, Spa da Sobrancelha e o curso de inglês Yes - farão palestras em parceria com a Associação Comercial e Empresarial do Novo Alemão (Acenape). Uma das metas, diz Fátima Rocha, presidente da ABF no Rio, é buscar possíveis interessados em abrir unidades.

Renda sobe e consumo se mantém aquecido

terça-feira, julho 24th, 2012

Sergio Lamucci | De São Paulo
Valor Econômico - 24/07/2012

A capacidade de consumo do brasileiro, alvo de debate intenso nos últimos meses, dá sinais de estar longe do esgotamento. O comércio varejista ampliado continua a crescer em ritmo considerável, de 5,8% no acumulado de janeiro a maio, apesar do recuo de 0,8% das vendas de veículos e autopeças no período.

Esse desempenho ainda razoável se dá mesmo com a renda disponível do consumidor disputada por uma série de novas despesas, do financiamento imobiliário a vários serviços, como celular, TV a cabo, acesso à internet, educação, previdência privada e passagens aéreas.

Para alguns analistas, está em curso uma mudança no mix de consumo do brasileiro, que ainda tende a permanecer em crescimento robusto, amparado num cenário de desemprego baixíssimo, em que os salários ainda crescem com força - em maio, a renda nas seis principais regiões metropolitanas avançou 4,9% em relação a maio do ano anterior, já descontada a inflação, e os reajustes salariais obtidos pelos trabalhadores no primeiro semestre continuaram expressivos. Há sinais de piora no emprego na indústria, mas, pelo menos por enquanto, o cenário não é dos mais graves. O comprometimento de renda com o pagamento de dívidas aumentou e a inadimplência incomoda um pouco, mas não travou o consumo.

O economista-chefe do Bradesco, Octavio de Barros, acha um erro a avaliação de que o consumo está decepcionando no Brasil. “O desemprego está nas mínimas históricas, houve aumento forte do salário mínimo e a confiança do consumidor segue em níveis elevados. O Brasil tem aquilo que quase todos os países não têm no momento: demanda de consumo.”

O mercado de trabalho continua firme. Em maio, a taxa de desemprego ficou em 5,5%, na série com ajuste sazonal da LCA Consultores, o nível mais baixo da série iniciada em 2002. Com a desocupação nas mínimas históricas, a perspectiva é de alta na renda. Em abril e maio, o rendimento real caiu levemente na comparação com o mês anterior, mas as perspectivas continuam favoráveis. A menor oferta de mão de obra, com os jovens ficando mais tempo na escola, ajuda a manter o desemprego baixo e a renda pressionada, diz Barros. Ele projeta expansão de 3,9% para a renda real neste ano, mais que os 3% de 2011.

Para ele, um ponto fundamental é que, desde a mais recente Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do IBGE de 2008/2009, “houve imensa mudança na estrutura de gastos das famílias”. O número de celulares, por exemplo, mais do que dobrou desde 2007, atingindo 242,3 milhões no ano passado. Além das despesas com celular, o consumidor tem uma série de novos gastos que disputam renda com os bens duráveis (automóveis e eletroeletrônicos, por exemplo) - pagamento da mensalidade da faculdade privada, acesso à internet, seguros e previdência privada.

Mesmo com essa maior concorrência, as vendas no varejo, que mostram o consumo de bens, seguem firmes, como ressalta o economista Aurélio Bicalho, do Itaú Unibanco. O comércio varejista restrito cresceu 9% no acumulado de janeiro a maio e 7,3% em 12 meses, enquanto o ampliado (que inclui veículos, autopeças e material de construção) aumentou 5,8% no ano e 5,3% em 12 meses.

Bicalho chama a atenção para as vendas de equipamentos e materiais de informática e escritório, que avançaram 28,1% no acumulado do ano. Mesmo as vendas de móveis e eletrodomésticos, que em maio recuaram 3,1% sobre abril, feito o ajuste sazonal, ainda cresceram 13,8% nos cinco primeiros meses de 2012. O mercado de trabalho aquecido e os juros em queda apontam para um quadro favorável para o consumo na segunda metade do ano, acredita.

O desempenho mais fraco do varejo ampliado em relação ao restrito se deve ao mau resultado das vendas de veículos neste ano. Elas perderam fôlego, porque muita gente comprou automóvel nos últimos anos e por causa do aperto nas condições de crédito pelos bancos, uma reação à alta mais forte da inadimplência no segmento. Essa onda de calotes foi decorrência do período em que as instituições financeiras relaxaram os critérios de concessão de crédito, emprestando muitas vezes em 60 meses ou até mais sem entrada.

As vendas de veículos, porém, se recuperaram com força em junho, como efeito da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). A média diária de licenciamentos de automóveis e comerciais leves aumentou 35,4% sobre maio, segundo cálculos da LCA.

“Com isso, as vendas no varejo ampliado em junho devem subir algo como 5% em relação a maio”, estima o economista-chefe da LCA, Bráulio Borges. Em julho, até dia 19, a média diária de licenciamentos de automóveis e comerciais leves registra queda de 0,7% sobre junho, ainda assim mantendo-se num nível elevado, muito superior ao do período de janeiro a abril.

Barros considera normal que haja um crescimento mais moderado das vendas de veículos nos próximos anos. Além de muitos consumidores já terem adquirido automóveis, também há um novo mix de consumo entre carros e imóveis, diz ele. Foi o que ocorreu no México, quando o crédito imobiliário aumentou com força, e também parece estar em curso no Brasil, com o ritmo de financiamento de automóveis avançando a um ritmo mais lento (ver tabela). O crédito imobiliário, que envolve valores mais elevados, é a dívida encarada com prioridade pelo consumidor, com inadimplência muito baixa, lembra Barros.

Um ponto sobre o qual há mais dúvidas é em relação ao grau de endividamento do consumidor. Segundo números do Banco Central, o brasileiro comprometia em abril deste ano um pouco mais de 22% de sua renda mensal com o pagamento de dívidas. Para Barros, não é algo exagerado. Já Borges acredita que o percentual não é baixo, cerca do dobro do que se registra nos EUA, Chile, Europa e Nova Zelândia. Ele não vê, contudo, o número como muito problemático, dado o prazo médio das dívidas, pouco inferior a um ano. Com isso, há uma desalavancagem (o processo de redução do endividamento) bastante rápida.

Para Borges, como os juros cobradas ao consumidor estão em queda, puxados pelo corte de taxas promovido inicialmente pelo Banco do Brasil e pela Caixa, os consumidores estão trocando dívidas caras por outras mais baratas, o que aumenta a capacidade de consumo.

Por todos esses fatores, a expectativa dos analistas é que a retomada mais forte da economia continuará a ter no consumo o impulso mais importante. Enquanto o PIB deve crescer algo na casa de 2% ou menos, o consumo das famílias pode crescer ainda 4% ou mais.

Para Barros, “o consumo seguirá bem no Brasil, mas crescendo de forma mais moderada, em linha com a dinâmica da renda disponível, cada vez mais disputada pelo setor de serviços e pelo maior apetite por poupança da população”.

Segundo ele, as famílias brasileiras ainda estão muito longe de poupar como os asiáticos, mas há um esforço maior para guardar dinheiro. Números da Sondagem de Expectativas do Consumidor da Fundação Getulio Vargas (FGV), quase um quarto - 24,9% - dos entrevistados estava poupando em junho. De 2005 para cá, a média é de 17,9%.

Compre pela internet e retire na loja

sexta-feira, julho 6th, 2012

Varejistas tradicionais usam unidades físicas para permitir que cliente evite a taxa de entrega e a espera pelo produto

STEPHANIE CLIFFORD, THE NEW YORK TIMES - O Estado de S.Paulo

Com o acentuado crescimento das vendas online, os varejistas tradicionais perderam milhões em vendas para uma prática conhecida como “showrooming” - quando os compradores inspecionam detalhadamente nas lojas artigos que depois são comprados de sites como a Amazon. A situação ficou tão grave que a Best Buy chega agora a substituir o código de barras tradicional dos produtos mais vendidos por códigos específicos de sua rede, impedindo a prática de pesquisar seu preço e compará-lo com outras ofertas na internet.

Agora, algumas grandes cadeias de varejo estão adotando uma nova abordagem para combater a temida prática ao transformar suas lojas em extensões de suas próprias operações online. Walmart, Macy’s, Best Buy, Sears, Container Store e outras redes de varejo estão intensificando seus esforços para acrescentar aos seus edifícios físicos centros de devolução, locais de retirada, envio sem taxas, cabines de pagamento e até centros de serviço drive-thru com o objetivo de apoiar as vendas online.

“Estamos vivendo na era do consumidor, e podemos optar entre combater essas tendências, ou adotá-las”, explicou Joel Anderson, diretor do Walmart.com nos Estados Unidos.

A diretora de estratégia da Shop Runner, Fiona Dias, que coordena o transporte de mercadorias para os varejistas, descreveu o movimento das grandes varejistas como uma ofensiva contra as empresas de comércio online, como a Amazon. “Infelizmente, as lojas tradicionais têm sido tratadas como primas pobres”, disse. Ela lembra, porém, que a loja física traz uma grande vantagem: elas atraem, por exemplo, clientes que pagam em dinheiro.

Em abril, o Walmart começou a permitir que os compradores encomendassem produtos no site e pagassem por ele em dinheiro numa loja no momento da retirada. Mesmo sem a opção do pagamento em dinheiro, nos seis anos transcorridos desde que o Walmart começou a permitir a retirada de compras feitas online em suas lojas, a demanda dos consumidores foi alta. Mais de 50% das vendas feitas no Walmart.com são agora retiradas diretamente nas lojas.

Com a opção do pagamento em dinheiro, o Walmart tentava atrair consumidores que não tivessem conta bancária. A empresa diz que a maioria das compras feitas nas lojas é paga em dinheiro ou com cartão de débito, e que 15% delas são feitas com cartão de crédito.

Nas primeiras semanas de funcionamento da opção de pagamento em dinheiro, o Walmart reparou que um conjunto distinto de fregueses também considerava o serviço atraente. Cerca de 40% dos fregueses que escolheram o dinheiro como opção de pagamento acabaram usando outras formas de pagar pela compra ao chegarem na loja. Eles simplesmente não queriam fornecer suas informações financeiras pela internet.

“Ainda existe um grande segmento da população que teme o roubo de identidade ou a simples transmissão das informações de seu cartão pela rede”, informou Anderson. O serviço já responde por 2% das vendas do Walmart.com.

Rapidez. Outra vantagem que o varejo tradicional apresenta em relação aos seus equivalentes que só atuam online é a possibilidade da entrega e devolução no mesmo dia. A Sears, que há muito oferece em suas lojas físicas a retirada de produtos comprados online, acrescentou alguns meses atrás um serviço de drive-thru que permite aos compradores que devolvam ou troquem mercadorias sem sair do carro.

Os fregueses encontram um funcionário do lado de fora da Sears, apresentam um recibo impresso ou enviado para o seu celular, e o produto é trocado. “As pessoas têm necessidades imediatas. Desejam algo naquele mesmo dia”, explicou o porta-voz da empresa, Tom Aiello.

Antes, os executivos viam o serviço de retirada na loja como uma maneira de atrair os fregueses, incentivando-os a comprar mais. Agora, preferem fechar a venda de uma oferta online previamente, evitando assim que o comprador vá à concorrência.

“Recursos como este são voltados especialmente para aquela mãe que está com os filhos no carro e precisa passar em várias lojas num mesmo dia. Isso permite que ela nos inclua em sua lista sem sofrer pressão adicional”, ressaltou o vice-presidente de lojas da Container Store, John Thrailkill.

Muitas redes grandes de lojas, como Apple, Nordstrom e Best Buy, permitem que os fregueses façam seu pedido online e retirem o produto dentro de um dia na loja de sua escolha, evitando as taxas de entrega.

Os varejistas dizem que essa opção é especialmente popular para os artigos maiores que não podem ser incluídos nas promoções de frete gratuito, e também para os fregueses que estão com pressa. Redes como Cabela’s e JC Penney oferecem a retirada na loja para compras online, embora o cliente tenha de esperar vários dias pela mercadoria. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

Consumo migra de lugar dentro do varejo

segunda-feira, maio 14th, 2012

Por Francine De Lorenzo | De São Paulo
Valor Econômico - 14/05/2012

Os dados até agora disponíveis sobre a demanda das famílias nos primeiros quatro meses do ano sugerem mais uma mudança no perfil de gastos do consumidor que uma retração expressiva nas compras - por enquanto, dados concretos de queda nas vendas apareceram, apenas, no segmento de automóveis. Enquanto o licenciamento de veículo recuou 10,8% em abril sobre abril de 2011, dados da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) mostram que, em abril, o volume de consultas ao Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) subiu 3,1% sobre abril de 2011, enquanto a Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL) registrou alta (3%) nas vendas em igual comparação.

O risco de uma queda expressiva na demanda apareceu com os dados do consumo de automóveis e da inadimplência nesse segmento. Nos três primeiros meses do ano, a concessão de financiamentos para a compra de veículos caiu 7,5% na comparação pela média diária com o mesmo período de 2011, segundo dados do Banco Central. O mesmo movimento apareceu nas vendas, que encolheram 1,8% (também na média por dia útil), segundo a Fenabrave, entidade que representa as concessionárias de veículos.

Esse movimento no mercado automotivo, na avaliação de economistas, ajudou a ampliar o consumo de outros bens, como eletrodomésticos, móveis, equipamentos de informática e celulares. A liberação de crédito para a compra desses bens, segundo o Banco Central, cresceu 76,1% sobre o primeiro trimestre de 2011. “O consumidor não está deixando de comprar. Se ele não pode adquirir um carro, compra outro bem”, diz Marcel Solimeo, economista-chefe da ACSP.

Nos dois primeiros meses deste ano, as vendas de móveis e eletrodomésticos aumentaram 13,2% e as de equipamentos de informática e comunicação subiram 29,6% sobre o mesmo período do ano passado, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A de automóveis caiu 10% no mesmo período. Com esse resultado, móveis e eletrodomésticos representaram 56,3% do aumento das vendas no varejo em fevereiro (sobre fevereiro de 2011), e equipamentos de informática e comunicação responderam por 13,1% dessa alta. Já os veículos, que no ano anterior turbinaram a expansão do comércio, puxaram o desempenho geral para baixo. Em fevereiro de 2011, o comportamento foi diferente: o setor automobilístico respondeu por 56,9% da expansão das vendas enquanto a participação de móveis e eletrodomésticos foi de 14,4% e a de equipamentos de informática e comunicação, de 1,2%.

Solimeo explica que o desempenho do varejo está intimamente ligado ao mercado de trabalho. “Enquanto a massa salarial estiver crescendo, as vendas continuarão em expansão, ainda que a inadimplência esteja alta.” No primeiro trimestre, a massa salarial - combinação de emprego e renda - subiu 6,2% acima da inflação em relação ao mesmo período de 2011.

Com o aperto no crédito a veículos (como mostrou o Valor na edição de 11 de maio), o segmento foi perdendo participação no total de financiamentos de bens a pessoas físicas. Em outubro, 87,2% do crédito liberado para a compra de bens era direcionado a veículos, enquanto os demais produtos ficavam com os 12,8% restantes. Em março, a fatia de veículos já havia caído para 78,5%, deixando 21,5% para os outros bens.

Além da rigidez dos bancos, a economista da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Marianne Lorena Hanson, aponta a cautela das famílias como outro fator que explica a mudança no perfil de consumo. O percentual de famílias que se consideram muito endividadas vem crescendo neste ano, e passou de 11,1% em janeiro para 12,9% em abril. “Se o consumidor está comprometido com financiamentos de longo prazo, como imóveis, ele vai preferir créditos mais curtos”, comenta Marianne.

Essa realidade parece estar cada vez mais presente na vida dos brasileiros. A quantidade de financiamentos imobiliários subiu mais de 150% entre 2007 e 2011, período em que o montante de recursos liberados para a compra, reforma ou construção de residências subiu 337%, segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).

Outra variável que faz diferença no consumo, diz a economista da CNC, é preço dos produtos. “Vendo deflação em duráveis, muitos consumidores deixam de comprar uma roupa ou sapato para adquirir um celular ou computador.” Em sua opinião, embora grande parte da demanda por esses bens já tenha sido suprida, ainda há espaço para crescimento nas vendas, mesmo que em ritmo menor.

Sinais de saturação, porém, já são percebidos por Douglas Uemura, da LCA Consultores. “Muitos brasileiros compraram geladeira, fogão e máquina de lavar em 2009, quando houve o primeiro corte de IPI. Ainda que o preço esteja baixo, quem já comprou não vai comprar de novo.” O corte no IPI de linha branca e outros produtos faz parte dos esforços do governo para reativar a economia, que inclui redução dos juros e dos spreads bancários. Os economistas acreditam que os efeitos de tal política serão sentidos a partir do segundo semestre, contribuindo para a queda da inadimplência e do comprometimento de renda das famílias.

Pão de Açúcar oferecerá pagamento de compras via celular

terça-feira, abril 17th, 2012

A rede Pão de Açúcar colocará em teste a partir de maio um sistema de pagamento de compras via aparelho celular. Inicialmente, apenas alguns pontos receberão a novidade, que depois deverá ser implantada em todas as lojas.

A informação foi confirmada pelo vice-presidente executivo do Grupo Pão de Açúcar, Hugo Bethlem, em entrevista a Jonas Furtado, do M&M Online. O VP explicou que o sistema é fruto de uma parceria com o Itaú, e por isso só donos de cartões Itaucard terão acesso à “fase beta”.

Com o novo recurso, os clientes poderão fazer compras in loco ou até mesmo remotamente, autorizando outra pessoa a comprar em seu lugar, por exemplo.

Outra novidade que está em estudo pelo grupo é a instalação de vitrines virtuais por locais públicos de grande curculação. Neste caso, o cliente, munido com um smartphone, poderiam comprar sem precisar ir até o supermercado, e as compras seriam entregues em casa.

Bethlem afirma que o Pão de Açúcar já possui tecnologia para implementar esse recurso em São Paulo, só falta definir os locais de instalação.

Redação Adnews

Brasileiro desiste de carro e imóvel para gastar com alimentação e bebidas

quinta-feira, abril 12th, 2012

DANIELA ALMEIDA Época Negócios

Brasileiro desiste de carro e imóvel para gastar com alimentação e bebidas

Em projeção da FIA, intenção de compra de bens duráveis no segundo trimestre chega a 58%, menor patamar desde 2007

A intenção do brasileiro de comprar bens duráveis, como eletrodoméstico, imóvel, celular ou automóvel, no segundo trimestre deste ano é de 58%. A projeção foi anunciada nesta quarta-feira (11/04) pelo Programa de Administração do Varejo (Provar) da Fundação Instituto de Pesquisa (FIA). O índice foi de 60,6% no primeiro trimestre e é o mais baixo desde 2008, na série histórica, quando atingiu 56,6%. Em comparação com o segundo trimestre de 2011, a redução é ainda mais acentuada (73,8%).

A queda é uma péssima notícia para o varejo, já que indica uma desaceleração nas vendas para o Dia das Mães e dos Namorados, duas fortes datas para o setor. Caso a tendência de menor compra de bens duráveis se confirme, o mais provável é que o brasileiro passe a gastar mais com alimentação e bebidas. “O bolso é um só”, diz Claudio Felisoni de Angelo, presidente do Provar.

Na opinião do professor, desoneração fiscal, queda no IPI ou aumento de crédito –medidas que vinham sendo tomadas recentemente pelo Governo Federal – não serão mais suficientes para manter o consumo interno aquecido, principal responsável pelo crescimento do país.

Isso porque o poder de compra do brasileiro tem sido achatado pela inflação, prevista pelo mercado para fechar 2012 em 5,06%, e pelo endividamento. De acordo com a pesquisa Provar/FIA, o mês de maio deverá apresentar o maior índice de endividamento já registrado desde o final de 2009, atingindo um patamar de 8,1%.

Houve um aumento na projeção dos gastos familiares para o segundo trimestre de 2012, em relação ao mesmo período do ano anterior. Pesaram no bolso do brasileiro, no período, crediário, alimentação, saúde e cuidados pessoais, e educação. Gastos com Educação (média de R$ 514), Alimentação (R$ 481) e Crediário (R$ 415) são os que mais comprometem a renda do consumidor, com percentuais de 21,8%, 20,4% e 17,6%, respectivamente.

Com base em um salário médio de R$ 2.354, restam apenas 11,4% do orçamento para novas despesas, R$ 269. “Há de se ter mudanças estruturais mais amplas.” Angelo compara o comprometimento da renda nos Estados Unidos, onde o consumidor chega a ter 60% do salário comprometido, mas conta com crédito a juros mais baratos. “Se o brasileiro não parcela, ele não compra. É uma capacidade muito baixa de poupança.”

Para o professor, esse endividamento fará as pessoas migrarem da compra de bens duráveis para os bens de consumo. O movimento terá como reflexo um baixo aquecimento do mercado interno e um PIB de 3% a 3,5%, bem abaixo da meta reafirmada ontem pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, de 4%.

Vendas
As categorias com maior intenção de compras no segundo trimestre são: “Vestuário e Calçados” (21,2%), “Informática” (11,2%) e “Linha Branca” (10,2%). A pesquisa investiga também a intenção de compra dos internautas. O índice calculado com base em uma amostra de 5.103 pessoas revelou um comportamento ainda estável em relação ao primeiro trimestre de 2012 (86,4%) e o segundo trimestre (85,8%), resultando em uma queda de 0,6 p.p. Segundo o e-bit, parceiro responsável pela divisão do estudo, vale lembrar que a renda do consumidor na internet ainda é mais alta que a do varejo físico.

A previsão das vendas totais de varejo para o período de junho de 2011 a junho de 2012 é de 2,9%, 4,1 p.p. abaixo do crescimento obtido no período de junho de 2010 a junho de 2011, em que foi registrado um crescimento de 7% nas vendas.

Casas Bahia é a que mais respeita o consumidor, diz estudo

terça-feira, dezembro 13th, 2011

Realizada pela Shopper Experience, pesquisa com 1.389 entrevistados destacou também a Nestlé, Extra, Coca-Cola e Carrefour

Adnews
Pesquisa mensurou a real experiência de clientes, indo além da mera percepção ou imagem a respeito de marcas, produtos e serviços

São Paulo - A Casas Bahia foi eleita a “Empresa que Mais Respeita o Consumidor” no ano de 2011 em pesquisa realizada pela Shopper Experience, em parceria com a revista Consumidor Moderno, do Grupo Padrão.

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Nestlé, Extra, Coca-Cola, Carrefour, Brastemp, Sadia, Natura, Hiper Bom Preço, Petrobras, Bradesco, Correios, Banco do Brasil, Itaú, Nike e C&A foram os outros destaques. A cerimônia de premiação das 46 organizações – dispostas em quatro segmentos distintos – foi realizada nesta terça-feira em São Paulo.

Conduzida pela Shopper Experience, a pesquisa é baseada em 1.389 entrevistas com consumidores das cidades de São Paulo e Ribeirão Preto (SP); Rio de Janeiro; Recife; Porto Alegre; e Belo Horizonte – homens e mulheres das classes A, B, C e D, maiores de 18 anos, com experiência efetiva com marcas, produtos e serviços; clientes contumazes de empresas dos segmentos indústria, consumo, varejo e serviços.

Cada entrevistado respondeu questões de até oito segmentos de produtos dos quais é usuário efetivo; para cada segmento, os entrevistados citaram os nomes de empresas das quais são clientes. Com isso, a pesquisa mensurou a real experiência de clientes, indo além da mera percepção ou imagem a respeito de marcas, produtos e serviços.

A análise da opinião do consumidor brasileiro a respeito das compras on-line é uma das novidades desta 9ª edição. Entre as questões apresentadas pela pesquisa estavam “qual foi a melhor experiência via web com e-commerce?”; “Qual a melhor experiência via web com o SAC de empresas?”; “Qual a melhor experiência via web na busca por informações sobre produtos/serviços?”; e “Qual a melhor experiência via web nas redes sociais?” – questões que auxiliaram a equipe da Shopper Experience a investigar o relacionamento de consumidores com todo o atendimento prestado por empresas no ambiente virtual.

O estudo faz um levantamento criterioso dos drivers de consumo do brasileiro, um consumidor que, ao analisar os produtos, privilegia agilidade no atendimento, qualidade, correção na data de validade, garantia e condições de embalagens. Quando o tema é relacionamento, os itens de maior importância são: imagem; preços, promoções e ofertas; respeito ao Código de Defesa do Consumidor; qualificação do atendente/vendedor; mecanismos de troca de mercadoria; entrega eficiente; assistência técnica; e estrutura física das lojas. Segundo Stella Kochen Susskind, presidente da Shopper Experience e coordenadora da pesquisa, ao elaborar uma análise dos nove anos da pesquisa As empresas que mais respeitam o consumidor, percebe-se que o brasileiro vive um momento de amadurecimento.

“Há, no brasileiro, uma nova consciência; uma nova forma de ser consumidor. Estamos mais informados e preparados para cobrar; estamos amparados por leis que são referências mundiais; e estamos mais despertos para o valor de se exercer a cidadania. Esse conjunto de fatores, associados ao aumento da autoestima do brasileiro, resulta em um consumidor mais exigente e lúcido. É claro que há muito por melhorar, sobretudo no atendimento ao cliente, mas estamos no caminho certo”, salienta a executiva.

Black Friday Brasil: o que algumas marcas estão preparando para amanhã

quinta-feira, novembro 24th, 2011

Dia de descontos em massa terá participantes como Magazine Luiza, Netshoes, Americanas.com, Submarino e Carrefour

Getty Images

Fachada de prédio da Apple

Apple: loja virtual da marca participará da versão brasileira do Black Friday nesta sexta-feira

São Paulo - Inspirado no Black Friday, dia em que o varejo americano promove ofertas em massa e inaugura a temporada de compras para o Natal, o Brasil promoverá nesta sexta-feira a versão brasileira do evento, pelo segundo ano consecutivo.

A partir da meia-noite de amanhã, lojas como Magazine Luiza, Walmart, Brastemp, Extra, Submarino, Americanas.com, Saraiva, Comprafácil, Dell, Apple, Ponto Frio e Carrefour.com.br, entre outras, estarão vendendo eletrônicos, eletrodomésticos, calçados e livros com até 70% de descontos pelo site Busca Descontos, pioneiro da “sexta-feira negra” no Brasil.

Somente os consumidores previamente cadastrados no site poderão comprar os produtos ofertados.

No ano passado, o Busca Descontos movimentou cerca de 3 milhões de reais em um único dia.

Veja o que algumas das principais marcas estão preparando para a data.

Submarino

Descontos de até 80% em todo o site. A loja virtual também vai oferecer frete grátis para todo o Brasil em compras de livros acima de 29 reais.

Entre os destaques, estão uma Smart TV LED de 40” (TV com acesso à internet), com 900 reais de desconto, e séries e boxes de filmes, como “House” e edição especial de “Senhor do Anéis”, com preços até 50% mais baixos. Além do próprio site, a ofertas também poderão ser visualizadas pelo Busca Descontos. 

Netshoes

Terá descontos de até 60% tanto no Busca Desconots quanto em seu próprio site. A loja não informou as marcas que estarão na promoção.

Apple

A loja virtual anunciou que terá preços diferenciados amanhã, mas não informou a que porcentagem os descontos podem chegar.

Carrefour.com.br

Participará apenas por meio de seu site e pelo Twitter. No site, terá promoção e descontos de até 50% para quem se cadastrar até hoje à noite. Entre os produtos ofertados estarão celulares, eletrônicos, móveis, telefonia, beleza e  saúde, perfumaria, entre outra.

De hora em hora durante todo o dia, a loja anunciará as ofertas para os seguidores no Twitter.

Magazine Luiza

A cada duas horas a partir das 10h de hoje (24), os seguidores do Magazine Luiza nas redes sociais serão informados sobre 5 ofertas variadas. É preciso ser seguidor do Twitter ou ter curtido a Fan Page da marca. Serão descontos de até 60% e com estoques limitados.

Pelo magazineluiza.com, a rede terá um concurso cultural em que 3 pessoas levarão um vale-compras de 300 reais cada.

No Facebook, a rede criou o evento Black Friday Magazine Luiza.

Para participar do concurso cultural, a pessoa deve confirmar presença  no evento e colocar no mural a resposta para a pergunta feita pela marca na página.

Ação e ofertas são válidas apenas no site, por meio do Televendas. As lojas físicas não estão inclusas nas campanhas.

Nokia

Quem for às compras nos grandes varejos online ou na loja online da Nokia, tem desconto especial em produtos para dois chips. Além disso, dois Nokia C2-00 sairão por 299 reais nas lojas participantes. Já dois Nokia X1-01 terão o preço de 199 reais.

Walmart

Aumentou de 50 para 200 os produtos em promoção, que terão descontos de até 70%

Extra

A rede teve os estoques reforçados para suportar a demanda, que deve ser ampliada devido aos descontos de até 70% oferecidos em diversos produtos entre as 4h de sexta-feira e a meia-noite do dia 25.

Varejo espera alta de 6,9% nas vendas

quinta-feira, agosto 25th, 2011

O IAV-IDV (Índice Antecedente de Vendas), estudo realizado todos os meses pelo IDV (Instituto para Desenvolvimento do Varejo) com seus associados, aponta alta de 6,9% em agosto, em relação ao mesmo período do ano passado.

 
A expectativa para os dois meses seguintes também é de crescimento, sendo 6,5% em setembro e 6,8% em outubro, consolidando um cenário positivo, após ajustes nas políticas monetária e fiscal efetuados entre o final de 2010 e início deste ano, que causaram uma desaceleração no ritmo verificado nos meses anteriores.
 
Para os próximos meses, o segmento de bens não-duráveis, que contribuiu com cerca de 40% no índice da Pesquisa Mensal do Comércio, estima crescimento entre 4% e 5%, números mais discretos se comparados aos outros segmentos.
 
Já o setor de bens semiduráveis, como vestuário, calçados, livrarias e artigos esportivos, projeta crescimento entre 7% e 11%, diante da expectativa pelas vendas das liquidações de inverno, férias escolares, Dia dos Pais e Dia das Crianças. O varejo de bens duráveis, como móveis, eletrodomésticos e material de construção, também aponta crescimento, com taxas próximas dos 10% até outubro.
 
É importante lembrar que o cenário econômico foi fortemente afetado pelo rebaixamento dos títulos do governo dos Estados Unidos pela agência de classificação Standard & Poor´s (S&P), agora já de volta ao seu patamar original, pelo pacote de reestruturação da economia italiana, a terceira maior da zona do euro, e pela possibilidade de rebaixamento dos títulos do governo francês. Estes fatores afetaram fortemente as bolsas internacionais, reacendendo o medo de um repique da crise de 2008.

Inadimplência tem em maio quarta alta consecutiva

quinta-feira, junho 9th, 2011

O comércio registrou alta de 8,21% na inadimplência do consumidor em maio, segundo dados da Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas

Lourenço Canuto, da Agência Brasil

Brasília - O comércio registrou alta de 8,21% na inadimplência do consumidor em maio, em relação ao mesmo mês de 2010. É a quarta elevação consecutiva ante os resultados de 2010. Os dados foram divulgados hoje (9) pela Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL).
Para o presidente da entidade, Roque Pellizzaro Junior, o número é “significativamente preocupante”, já que, no acumulado dos últimos cinco meses, a alta é de 3,61%. Ele lembrou que o indicador iniciou o ano em baixa de 10%, mas vem crescendo “em razão sobretudo do ciclo de aperto monetário decorrente do aumento da taxa de juros básicos, a Selic, e das medidas de contenção de crédito adotadas no final do ano passado pelo Banco Central”.

Já o cancelamento de registros no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) – que reflete o pagamento de dívidas do consumidor – cresceu 9,67% a maio, na comparação com abril de 2011. Segundo Pellizzaro, isso é normal para o mês, ante a expectativa do consumidor de fazer compras para o Dia das Mães e também por causa da proximidade do Dia dos Namorados.

O dirigente afirmou que a CNDL pretende conscientizar o comércio para que adote critérios mais rígidos na hora de conceder o crédito, uma vez que “o consumidor não tem noção exata da diferença, por exemplo, entre os juros do cartão de crédito”. Segundo ele, o parcelamento do cartão tem juros entre 4,5% e 5%, mas os do crédito rotativo podem chegar a 13%. “O consumidor brasileiro gosta de pagar, quando tem condições para isso, mas é preciso reduzir a velocidade do crédito, pois a inadimplência é ruim para ele, para a economia e para o país, porque tende a criar uma bolha indesejável.”

Pellizzaro Junior lembrou ainda que, no Brasil, o prazo de vencimento do cartão de crédito é longo, diferentemente do que ocorre em outros países. Para ele, a decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN) de aumentar de 10% para 15% o percentual da parcela mínima mensal para pagamento do cartão é “uma medida modesta”. O ideal, defende Pellizzaro, é que seja de 30% a 35% para reduzir a possibilidade de endividamento do consumidor.