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Gafisa começa a analisar ofertas pela Alphaville

segunda-feira, março 25th, 2013

Segundo fontes, cerca de 20 interessados chegaram a olhar a Alphaville, mas três compradores restaram na disputa

Circe Bonatelli, do Estadão

A Gafisa é dona de 80% da Alphaville e está finalizando a compra da fatia restante de 20%, que pertence à Alphapar

São Paulo - O conselho de administração da Gafisa começará a analisar na próxima semana as opções para a venda da loteadora Alphaville. O prazo para a entrega das propostas ao banco Rothschild, contratado para fazer o levantamento das opções no mercado, terminou nesta sexta-feira. A Alphaville está avaliada em cerca de R$ 1,8 bilhão.

Segundo fontes, cerca de 20 interessados chegaram a olhar a Alphaville, mas três compradores restaram na disputa: o fundo de private equity Pátria Investimentos, em parceria com o fundo Blackstone; a gestora GP Investimentos, em dupla com a Equity International, do investidor americano Sam Zell; e a gestora Hemisfério Sul Investimentos (HSI).

O caso de Sam Zell é curioso. O investidor foi acionista relevante da Gafisa até 2010, quando vendeu sua participação, pouco antes de a companhia começar a enfrentar atrasos de obras, estouros de orçamentos e cancelamentos de vendas que culminaram no prejuízo total de R$ 1,1 bilhão em 2011.

Conhecido por comprar empresas em dificuldade nos Estados Unidos, Zell chegou a cogitar a compra da problemática Tenda - braço de moradias populares do grupo -, mas o negócio acabou não se concretizando por desacordo sobre o preço. Agora, tenta voltar à Gafisa com a Alphaville, considerada um ativo de qualidade pelo mercado.

O que se comenta nos bastidores da negociação é que os potenciais compradores buscam o controle da loteadora, com interesse em aquisição de uma fatia de pelo menos 60%. A participação minoritária estaria descartada. Fontes dizem também que os candidatos à compra condicionaram as propostas à saída da Alphapar Empreendimentos e Participações da loteadora.

Negociação interna

A Gafisa é dona de 80% da Alphaville e está finalizando a compra da fatia restante de 20%, que pertence à Alphapar, fundadora da empresa de loteamentos. No entanto, as partes não chegaram a um acordo sobre o número de ações que a Gafisa deveria transferir à Alphapar como forma de pagamento pela fatia adicional.

O caso foi encaminhado para arbitragem no ano passado, e ainda não chegou a uma definição. Se a venda da Alphaville for confirmada, o pagamento pelos 20% seria feito pela Gafisa em dinheiro para a Alphapar, excluindo a antiga dona do quadro de acionistas relevantes.

A decisão pela venda da loteadora, porém, ainda não está completamente fechada. Parte do conselho de administração da Gafisa é a favor do negócio, como forma de reduzir o endividamento do grupo, enquanto uma outra parte prefere manter a loteadora e cogita uma abertura de capital no futuro.

A venda serviria para reduzir a dívida do grupo, que tem uma das mais altas alavancagens (relação entre débitos e Ebitda - lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) do setor. Procurados, nem a Gafisa nem os potenciais compradores se pronunciaram sobre o tema.

O jeito mais rápido de vender seu imóvel

quarta-feira, dezembro 19th, 2012

A venda de imóveis em leilões pode demorar menos de um mês, mas a desvantagem financeira pode não compensar; veja como funciona a negociação
Priscila Yazbek, de Exame.com

Vendas em leilões costumam ter descontos superiores a 20%, por isso para o vendedor a única vantagem pode ser a maior liquidez

São Paulo – A venda de um imóvel pode durar meses ou até anos. Mas, quem tem pressa pode conseguir agilizar o processo ao colocar o imóvel à venda em um leilão. Desde o contato com a empresa até a finalização da venda o procedimento costuma demorar entre 25 e 60 dias, segundo a Zukerman Leilões e a Fidalgo Leilões, duas das maiores casas de leilões do Brasil.

Apesar da rapidez na negociação, nos leilões os imóveis são vendidos com grandes descontos. Por isso, é importante avaliar com cuidado se de alguma forma a rapidez na venda pode compensar os malefícios desse modelo de venda. Veja a seguir algumas das principais características da venda de imóveis em leilão e avalie quando esse tipo de negócio pode ser vantajoso.

Venda rápida

O leilão de imóveis na maioria dos casos é adotado por pessoas jurídicas, como instituições financeiras e construtoras que têm objetivo de vender imóveis de inadimplentes ou aumentar o volume de vendas rapidamente. Mas, qualquer proprietário que não esteja impedido de vender seu imóvel, pode fazê-lo por meio de um leilão.

A agilidade da venda pode ser a principal e única vantagem para pessoas físicas na venda de um imóvel em um leilão extrajudicial (que não ocorre em virtude de uma decisão da justiça). Segundo Fábio Zukerman, leiloeiro oficial e sócio da Zukerman, na sua empresa normalmente as vendas ocorrem em um período de 25 a 40 dias.

“A maior parte das pessoas físicas colocam o imóvel à venda por para resolver um conflito familiar, quando mais de um parente disputa um imóvel recebido por herança, por exemplo, ou quando a pessoa já fez de tudo para vender o imóvel no mercado por um valor mínimo, mas não conseguiu e quer alavancar esse valor mínimo no leilão”, explica Zukerman.

Celso Ribeiro, leiloeiro da Fidalgo Leilões, afirma que na empresa a venda de um imóvel costuma se concretizar, em média, em 60 dias. “Aqui, 99,9% dos casos são de leilões judiciais e apenas 0,1% são de pessoas físicas. Esse ano tivemos apenas dois leilões particulares. Em um dos casos o proprietário não conseguia vender o imóvel de jeito nenhum e em outro o imóvel ficava em uma cidade onde um grupo comprava todos os imóveis e controlava os preços das compras, por isso o dono queria atrair compradores de fora para conseguir um preço melhor”, diz.

O professor de direito imobiliário da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Luciano de Souza Godoy, avalia que para as pessoas físicas, o leilão traz vantagens apenas em dois casos extremos: “Imóveis muito procurados e menos procurados são os alvos do leilão. Se o imóvel tem baixa procura, o leilão pode ser um bom negócio para a pessoa que precisa de dinheiro e de liquidez rápida. E imóveis muito valiosos, em regiões que têm pouquíssima oferta, como na zona sul do Rio de Janeiro ou de São Paulo, o proprietário pode conseguir um valor acima de mercado colocando o imóvel em um leilão”, explica.

Quanto se recebe pelo imóvel

Normalmente os imóveis vendidos em leilões chegam a ter descontos de 20% ou mais em relação ao preço de mercado. O preço do imóvel é reduzido para que a compra seja viabilizada mais rapidamente. Por isso, na maioria esmagadora dos casos, não se deve esperar obter nenhum tipo de vantagem financeira. Conforme o professor da FGV explica, apenas imóveis muito disputados têm chances de se valorizar nos leilões.

Segundo o sócio da Zukerman, no laudo de avaliação do imóvel dois valores são descritos, um deles é o valor de mercado e o outro é o valor de liquidez forçada, que costuma ser 20% menor que o valor de mercado. “Nós preferimos e costumamos recomendar na Zukerman que o valor mínimo do imóvel leiloado seja o valor de liquidez forçada”, afirma.

Na Zukermam, a maior parte dos lances partem, portanto, do valor de liquidez forçada e podem chegar, em casos raros, até a superar o valor de mercado, dependendo da emoção dos compradores, segundo explica o leiloeiro. “Se o imóvel estiver em um local muito disputado, o valor de venda pode se aproximar ou até ultrapassa o valor de mercado”, diz.

Celso Ribeiro afirma que na Fidalgo alguns imóveis vão a leilão com um valor mínimo até 40% abaixo do valor de mercado para atrair mais compradores, mas cabe ao vendedor aceitar ou não os valores dos lances. “No edital do leilão, nós colocamos que a venda está condicionada ao ‘aceite’ do vendedor. Assim, mesmo se ele colocar um valor mínimo de 40.000 reais e receber um lance nesse valor, ele só venderá o imóvel se der o ‘aceite’ ao lance dado”, explica.

Custos da venda

Os custos da venda do imóvel em leilão são outro ponto de grande relevância. Enquanto em uma venda intermediada por imobiliárias a comissão pode chegar a custar 6% do valor do imóvel, sendo esse valor negociável, a venda no leilão pode custar muito mais ou menos que isso, variando de 1% a 8% do valor do imóvel.

As despesas basicamente são com publicidade, elaboração do laudo de avaliação e documentação do imóvel e com a remuneração do leiloeiro, se houver êxito na venda. Segundo Luciano Godoy, a emissão das documentações necessárias para a venda do imóvel e o laudo de avaliação costumam custar cerca de 1.000 reais.

Na Zukerman, a publicidade costuma custar de 0,5% a 1% do valor de avaliação do bem, podendo variar muito, segundo explica Fabio Zukerman. “E a remuneração do leiloeiro também pode variar, mas não costuma passar de 3% sobre o valor de venda”, afirma. Sendo assim, na casa, os custos podem partir de 1% e chegar a 4% ou mais, dependendo da publicidade.

Na Fidalgo, os custos com publicidade também costumam variar entre 0,5% a 1% do valor do imóvel e a remuneração do leiloeiro normalmente é de 5%, sendo que essa porcentagem é negociável, e algumas vezes chega a 2% ou 3% do valor do imóvel. Mas, se a propriedade precisar de mais publicidade, por não ser tão atrativa, os custos com divulgação podem chegar a 2% ou 3% do valor do imóvel. Na Fidalgo, portanto, os custos podem bater os 8%.

Vale ressaltar que a publicidade não é opcional. O vendedor é obrigado por lei a divulgar o edital do leilão em três publicações de grande circulação.

Procedimento

O interessado em vender o imóvel deve entrar em contato com uma casa de leilão que trabalhe com leilões de pessoas físicas e deve enviar alguns documentos, como a matrícula do imóvel, a capa do IPTU, o laudo de avaliação elaborado por uma empresa especializada e a cópia de alguns documentos pessoais. Uma vez entregues os documentos, o proprietário assina um termo de autorização de venda.

Segundo Fábio Zukerman, as casas de leilão costumam orientar os vendedores quanto à documentação, porém os laudos de avaliação devem ser feitos por empresas de avaliação especializada, sendo que as próprias casas podem indicar empresas que prestam o serviço.

Com a documentação devidamente apresentada, é realizada uma análise do imóvel pelos leiloeiros, é elaborada uma estratégia de publicidade e designada uma data para o leilão. “Diferentemente das negociações mais comuns no mercado, o leilão tem hora e dia para acabar, com as condições de venda previamente estabelecidas. Assim, uma vez arrematado o imóvel, o vendedor receberá rapidamente pela venda, não tendo perder tempo com tratativas”, explica Fábio Zukerman.

No próprio edital do leilão são descritas as condições de pagamento aceitas pelo vendedor. O comprador fica obrigado a pagar o imóvel nas condições expostas no edital, podendo enfrentar processos na justiça se desistir da compra ou não aceitar as condições de venda depois de dar o lance.

Se o leilão for presencial, então o compromisso de compra e venda do imóvel já é assinado por ambas as partes imediatamente após o leilão e o comprador faz o pagamento do sinal do imóvel, uma entrada que é previamente definida no edital. Mas, se o leilão for feito pela internet, então ao terminar o prazo disponível para lances, o leiloeiro apura qual foi o maior lance enviado e liga para o vendedor para questionar se ele aceita o lance. Em caso afirmativo, então ele viabiliza o contato entre as partes, que marcam um encontro para assinar o compromisso de compra e venda.

Cuidados durante a negociação

Segundo o professor de direito da FGV, o vendedor deve se preocupar com três questões principais durante a negociação. A primeira é o preço mínimo do imóvel, a segunda são as condições de pagamento e a terceira é o prazo de entrega do imóvel. “O prazo de entrega é uma questão que as pessoas se preocupam muito pouco, mas é muito importante. Alguns acabam obrigados a entregar o imóvel sem ter para onde ir”, diz.

Essas condições são definidas no edital do leilão, por isso, antes de assinar qualquer compromisso, o vendedor deve se certificar de que a venda será realizada dentro dos parâmetros que considerar adequados.

Uma vez feito o arremate e assinado o compromisso de compra e venda, o próprio imóvel funciona como garantia do pagamento. “Se o comprador não pagar o imóvel, o compromisso é rescindido e o vendedor tem o direito de retomar o imóvel. Isso está previsto no contrato de compromisso de compra e venda, que é muito utilizado como proteção para quem vende o imóvel”, diz Godoy.

Maior divulgação

O leiloeiro da Fidalgo Leilões, Celso Ribeiro, afirma que além da maior velocidade na venda, uma outra vantagem possível na venda de um imóvel em leilão é a maior divulgação da propriedade. “As imobiliárias muitas vezes são mais especializadas em alguma região ou cidade e como nós fazemos uma divulgação para o estado todo, muitas vezes acabamos divulgando mais o imóvel”, explica.

O leilão pode dar mais visibilidade também pelo fato dos preços anunciados serem inferiores ao valor de mercado. Mas, vale lembrar que, enquanto as imobiliárias realizam a divulgação do imóvel gratuitamente, no caso dos leilões, mesmo que a venda não se concretize, os custos com publicidade devem ser pagos. E segundo os entrevistados, não há nenhuma garantia de que o imóvel será vendido.

Fundos imobiliários de hospitais disparam na bolsa

quinta-feira, fevereiro 16th, 2012

Suposta venda dos hospitais da Criança e Nossa Senhora de Lourdes traz otimismo aos investidores e pode resolver imbróglio do atraso e da renegociação de aluguéis

João Sandrini, de Exame.com

São Paulo – As quotas dos fundos imobiliários dos hospitais da Criança (HCRI) e Nossa Senhora de Lourdes (NSLU11) negociadas na BM&FBovespa disparam nesta quarta-feira com a notícia de que a rede D’Or pode comprar as duas instituições. Segundo reportagem publicada pelo jornal Valor, os hospitais, que pertencem ao mesmo controlador, serão negociados por cerca de 300 milhões de reais. Em nota oficial, o grupo Nossa Senhora de Lourdes negou que a venda tenha sido fechada. Às 16h07, as quotas do fundo Nossa Senhora de Lourdes subiam 12,23% enquanto o Hospital da Criança avançava 14,13%.

Os investidores receberam com otimismo a possível mudança de controle, que poderia acabar com um imbróglio que envolve atrasos e renegociação dos contratos de aluguel das duas instituições. Há alguns anos, o grupo Nossa Senhora de Lourdes vendeu aos quotistas dos fundos imobiliários os imóveis que ocupavam e fecharam contratos de aluguel de longo prazo, tornando-se o inquilino das propriedades.

O dinheiro foi utilizado pelo grupo Nossa Senhora de Lourdes para a expansão dos hospitais. Os negócios, entretanto, não geraram o rendimento esperado. Há alguns meses, os hospitais começaram a atrasar os aluguéis e também tentaram renegociar os valores estabelecidos em contrato. A disputa foi parar na Justiça. No mês passado, a Brazilian Mortgages, administradora do fundo, entrou com uma ação de despejo do Hospital da Criança.

Remover um hospital de um imóvel, entretanto, é um processo bastante desgastante. É por isso que especialistas acreditam que imóveis de fundo social não são os mais indicados para a constituição de fundos imobiliários. “Nunca mais um fundo imobiliário de hospitais atrairá investidores devido a esses dois eventos”, diz Sérgio Belleza, um dos consultores mais antigos do setor.

Pocurada, a Brazilian Mortgages informou que, até o momento, não há novidades sobre a regularização dos contratos de aluguel do fundo. Um detalhe do negócio que ajuda a trazer otimismo ao mercado é que tanto o possível novo inquilino, a rede D’Or, quanto o administrador do fundo que possui o imóvel, a Brazilian Mortgages, têm o banco de investimentos BTG Pactual como sócio.

Imóveis têm a menor alta em 15 meses

segunda-feira, dezembro 5th, 2011

Preço do metro quadrado nas principais capitais brasileiras avançou 1,4% em novembro, segundo o índice FipeZAP
João Sandrini, de Exame.com

São Paulo – Os preços dos imóveis deram um sinal mais firme de acomodação em novembro. A valorização registrada no mês passado foi de 1,4%, segundo o índice FipeZAP, que compila os valores dos imóveis colocados à venda no site ZAP em sete capitais brasileiras. Apesar de ainda bastante forte, o percentual de 1,4% é o menor dos últimos 15 meses. Também foi o sétimo mês seguido de desaceleração no ritmo de alta.

No ano, entretanto, o índice já acumula valorização de 25% e se mantém entre os maiores do mundo. . Os imóveis têm subido bem acima da inflação principalmente no Rio de Janeiro, Recife, São Paulo e Belo Horizonte, como mostra a tabela abaixo:

Preço médio do metro quadrado Valorização em novembro Alta em 2011

São Paulo R$ 5.984 1,70% 25,20%
Rio de Janeiro R$ 7.341 1,70% 33,40%
Belo Horizonte R$ 4.584 1,40% 21,80%
Distrito Federal R$ 7.936 0,30% 14,30%
Salvador R$ 3.514 0,80% 6%
Fortaleza R$ 4.253 0,50% 17,80%
Recife R$ 4.559 1% 27,70%
Média nacional R$ 6.120 1,40% 25%

Há diversas explicações para o aumento do preço dos imóveis no Brasil. O crescimento da economia e da renda, o maior oferta de crédito, os incentivos do governo à habitação popular e a confiança dos consumidores têm levado centenas de milhares de brasileiros a comprar ou trocar de residência todos os anos.

O preço médio mais alto do Brasil ainda pode ser encontrado no Distrito Federal: 7.936 reais. Se o Rio de Janeiro continuar a liderar a valorização imobiliária brasileira, no entanto, a tendência é de que a cidade alcance o maior preço médio do Brasil já em 2012. Além do bom momento da economia, a valorização no Rio reflete os investimentos públicos para a Copa e as Olimpíadas, os esforços do governo em pacificar favelas, a oferta inferior à demanda e os pesados investimentos no setor de petróleo e gás.

Considerando apenas a zona sul, o Rio de Janeiro já seria o lugar mais caro do Brasil para comprar uma residência. Os imóveis no Leblon ultrapassaram pela primeira vez em novembro os 17.000 reais por metro quadrado – a média foi exatamente de 17.046 reais. Já em Ipanema, o segundo bairro mais caro do Brasil, o valor médio pedido pelos vendedores alcançou 15.012 reais.

Em São Paulo, os preços médios são bem inferiores aos do Rio de Janeiro e Distrito Federal. Mesmo no Ibirapuera e na Vila Nova Conceição, bairros que hoje podem ser considerados os mais nobres da cidade, o metro quadrado custa em média 9.354 reais – algo ainda modesto diante dos preços cariocas.

Blockbuster iniciará processo de venda em abril

sexta-feira, março 11th, 2011

Nova York - A rede de locadoras de vídeo Dívida da empresa junto aos estúdios soma mais de 100 milhões de dólares
Blockbuster, que havia entrado com pedido de concordata em setembro, iniciará processo de venda da companhia em abril, após acordo firmado com seus credores. REUTERS

Um grupo de fundos de investimento liderado pela Monarch Capital chegou a um acordo com os credores –que incluem estúdios em Hollywood como a Disney– quanto aos termos do processo de venda.

A dívida da Blockbuster junto aos estúdios soma mais de 100 milhões de dólares. Na ocasião do pedido de concordata, a empresa planejava reduzir sua dívida total de quase 1 bilhão de dólares para cerca de 100 milhões.

Os estúdios e outros credores solicitaram à Justiça que o processo de concordata fosse convertido em uma liquidação total da companhia, mas o juiz Burton Lifland decidiu contra um processo de “Chapter 7″.

O acordo prevê uma audiência em 4 de abril, seguida por outra três dias depois para aprovar a venda.

Os atuais negócios da Blockbuster podem ser preservados após a operação, ainda que o comprador tenha a opção de encerrá-los parcial ou totalmente.

A companhia, que conta com 2,5 mil lojas nos Estados Unidos, vem lutando contra a concorrência de serviços online de filmes como o Netflix.

No Brasil, o direito de uso da marca Blockbuster foi adquirido pela Lojas Americanas em 2007, por 20 anos, não possuindo vínculos com as operações internacionais da empresa.

A Monarch submeteu oferta inicial de 290 milhões de dólares pela empresa. A companhia listou ativos de cerca de 1 bilhão de dólares até 30 de janeiro.

Saiu na imprensa: Comprou, levou: é a venda da casa com brinde

segunda-feira, agosto 30th, 2010

Em formato de pacotes, construtoras aliam produtos e serviços à oferta imobiliária 

Jennifer Gonzales, de O Estado de S. Paulo  

SÃO PAULO - Passagens aéreas para os Estados Unidos e a Europa, equipamento de home theater, armários de cozinha e supermercado grátis são alguns dos chamarizes usados por incorporadoras atualmente para atrair compradores.

A Agre talvez seja a empresa mais ambiciosa em matéria de oferta de prêmios. Em propagandas, anuncia que quem, por exemplo, conseguir acumular um milhão de pontos com a compra de imóveis da incorporadora, pode escolher uma das seguintes opções: 25 passagens aéreas para os Estados Unidos , 16 para a Europa, dois anos e meio de supermercado grátis, quatro anos de combustível em postos Ipiranga, diárias na rede hotéis Accor por um ano e meio ou compras de DVDs na Livraria Cultura por um ano e meio.

A promoção, para celebrar os 30 anos da empresa, segue até o final de setembro. Procurada, a Agre não respondeu aos pedidos de entrevista.

“O mercado está aquecido, mas a concorrência também está e precisamos nos destacar de alguma maneira”, diz odiretor de incorporação da CHL, Marcos Saceanu, que também aderiu à estratégia de fazer promoções.

Não importa o padrão do imóvel – econômico, médio ou de alto padrão –, unidades de diferentes preços e tipos estão sendo comercializadas com a ajuda dos prêmios – ou, nas palavras de um executivo do ramo, na base do ‘comprou, levou’.

Estratégia

“Esse formato de negócios traz vantagens tanto para o incorporador quanto para o comprador”, afirma o sócio-diretor da consultoria GS&MD-Gouvêa de Souza (especializada em varejo e bens de serviços), Ivan Correa. “A incorporadora torna seu produto (imóvel) mais atraente e consegue vendê-lo mais rápido. O comprador, por sua vez, recebe algo que gostaria de ter em sua casa nova.”

A ideia de ajudar o comprador a montar a nova morada também está por trás da ação da Brookfield. Quem adquirir um imóvel em um dos dois empreendimentos da incorporadora em Jundiaí, no interior de São Paulo, até final de setembro, ganha fogão, geladeira e micro-ondas da marca Cônsul ou Electrolux, no valor de R$ 2.500.

“Ter uma parte da cozinha pronta ao se mudar é uma despesa a menos”, diz o diretor de incorporação da Brookfield, José de Albuquerque. As unidades vão de R$ 240 mil a R$ 270 mil e têm área útil de 77 e 87 metros quadrados (no caso dos apartamentos) e 92 metros quadrados (casas). “Há três anos começamos com esse tipo de promoção. Primeiro, demos uma geladeira, depois armários embutidos de cozinha e, agora, o conjunto de linha branca.”

O bom resultado estimulou a empresa a usar cada vez mais a estratégia de vendas. Em um empreendimento em Taboão da Serra, restavam 35 unidades de um total de 288, um ano depois do lançamento. Ao brindar com uma geladeira o comprador de imóvel, a incorporadora vendeu 20 unidades no prazo inferior a um mês.

Não é apenas quem fica com o orçamento apertado depois da compra da casa que é fisgado por esse tipo de oferta. Algumas unidades de quatro dormitórios no Brooklin, na zona sul da capital, no valor de R$ 1,2 milhão, estavam ‘encalhadas’ em 2009.

A Brookfield resolveu dar uma mini adega de inox de R$ 2 mil, com capacidade para 12 garrafas, da marca Art des Caves, para quem comprasse um apartamento de 167 e 198 metros quadrados. No espaço de um mês, foram comercializadas 25 unidades – quase 25% do total.

O cliente de imóveis econômicos, por sua vez, também aderiu ao apelo dos brindes. No Feirão da Caixa do Rio, a incorporadora ofereceu geladeira, fogão e máquina de lavar para quem adquirisse imóvel de até R$ 120 mil. “De um total de 700 unidades, vendemos 300 graças a essa promoção”, diz Saceanu, da CHL.

“Como ela só valia no Feirão, as pessoas tinham um senso de urgência para decidir.” Valor do investimento: R$ 1,2 mil por conjunto. As unidades da CHL estão atualmente em construção.

Vencimento

As promoções, sem exceção, têm período limitado. “As vendas começam bem, mas depois perdem a força”, admite Albuquerque, da Brookfield. Quando questionadas se o gasto com os produtos promocionais é embutido no preço dos imóveis, as empresas respondem negativamente. “O investimento faz parte das verbas de marketing da companhia.”

“A promoção é um dos pilares do departamento”, acrescenta o gerente comercial e de marketing da CCDI, Rodrigo Capp. Braço imobiliário do grupo Camargo Corrêa, a incorporadora começou a valer-se das promoções há cerca de um ano. “Queremos deixar o cliente satisfeito, independentemente do imóvel adquirido”, diz Capp.

Atualmente, a CCDI tem 14 empreendimentos com algum tipo de promoção, de piso laminado a equipamentos de home theatre no valor de R$ 8 mil.